sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Os meus Mantras falam de mim! (A energia que me move)

 Hoje uma amiga me disse que eu tinha muita energia. Eu estava falando sobre os planos de trabalho e sobre os programas (shows, teatro) que pretendo fazer esse ano aqui nos EUA. Estava animadamente expondo minha excitação e tesão de viver e de fazer coisas novas!

Esse comentário causou em mim uma certeza e uma estranheza. Vamos lá. Vou refletir enquanto escrevo.

É verdade, tenho muita energia. Sempre acho que devo me envolver em mais coisas, sempre acho que poderia fazer mais coisas, sempre acho que as coisas são da minha conta, que tenho algo a dizer, a contribuir...normalmente não me eximo de dar uma opinião, de dizer o que penso, de me oferecer para fazer ou participar de alguma coisa. Entretanto, isso tem uma condição, não tenho essa energia toda incondicionalmente, preciso estar com tesão pelo que estou fazendo ou me envolvendo, do contrário sou a maior procrastinadora do mundo! 

Por isso mesmo o comentário dela me causa estranheza...Penso que a mesma energia que eu tenho, ela tem e todas as pessoas tem. A "energia" na verdade não é minha ou de alguém, é a própria energia da vida...a diferença é a forma como a movimentamos ou talvez a diferença seja que eu me permita excitar/afetar mais facilmente pelas coisas da vida. É verdade, me sinto aberta, disponível para que as coisas toquem minha alma, mobilizem meus pensamentos...meu coração! Dificilmente algo que aconteça ao meu redor simplesmente acontece, as coisas acontecem mas reverberam na minha alma..sou afetada...sou mobilizada...algo em mim se move quando a vida se move....o tempo inteiro!!! mas...e porque não seria assim com todo mundo?

Refletindo enquanto escrevo, penso que as pessoas se protegem muito da vida, por conta dos seus medos e das suas dores que deixaram cicatrizes, elas se protegem...evitam a vida...ou acham que não teriam nada a fazer, a contribuir, a dizer... Entendo isso como parte de um processo....se eu fui machucada, preciso de um tempo pra cuidar das feridas, mas não posso aceitar isso como uma identidade, como um caráter inflexível, como algo que não pode ser mudado. Por isso sou psicóloga, por isso antes de ser psicóloga sou professora de Yoga, porque acredito na plasticidade da nossa alma, assim como acredito na plasticidade do nosso corpo.

Acredito que as pessoas vão se fechando e endurecendo a alma, assim como fazem com o corpo. Cada dia que passa, a alma fica mais protegida e o corpo mais dolorido. A pessoa passa a acreditar que quanto menos ela se mover, menos dor vai sentir (alma e corpo), ela passa a acreditar que se ficar bem quietinha e imóvel a vida vai caminhar e ela vai sentir menos dores...menos sofrimento... triste ilusão.

A única coisa que realmente acontece é que o espaço vital dessa pessoa vai ficando cada vez menor, e ela vai ter cada vez menos possibilidades de se mover, de se expressar, de viver....e por consequência de mover cada vez menos, menos energia ela terá disponível. Até que ela passa a acreditar que é assim mesmo. A vida é assim. Ela apenas precisa cumprir suas obrigações. 

Triste. Muito mais triste do que qualquer um possa imaginar, porque como psicóloga percebo e sei, que basta o primeiro movimento, basta acreditar e começar a se mover...um movimento puxa o outro. A energia produzida por aquele movimento, alimenta o seguinte...e a pessoa pode entrar num giro interminável de muita energia em movimento! Que é sinônimo de prazer, excitação, alegria, poder..sinônimo da própria vida.

A chave pra tudo isso é o contato com o prazer. Já escrevi muito nesse blog sobre esse tema. Em vários posts falo sobre a minha visão tântrica da vida, sobre o quanto quero a vida inteira, que não quero nunca ser bege, que as coisas são da minha conta, sim! Voces, leitores novos, podem buscar pelos marcadores: felicidade, energia sexual, tântra, ou mesmo Ludmila Rohr (tão egóico isso!), mas...rs.. 

Quem acompanha meu blog desde o início sabe que ele nasceu em um momento de extrema dor. Abri e expus minha alma frágil e sofrida...e por isso mesmo me sentia forte e acompanhada. Senti muita dor, medo e tristeza, mas não lembro de mim infeliz ou sem energia, mesmo nos dias que eu chamava de dias "Não", que eram dias de recolhimento, de ficar quietinha e pequenininha..., mesmo nesses dias eu me sentia inteira e conectada com minha alma e meu corpo, sabia que era um momento, mas não me identificava com eles, vivia esses momentos, mas não me identificava com eles.

Tenho alguns mantras que me acompanham e já falei sobre vários aqui. Um deles é:

"Quanto maiores forem seus segredos, maior será sua prisão."

Outro muito querido é:

"Que tudo que for auspicioso permaneça comigo. O que não for auspicioso conectado comigo e com os meus, seja destruído."

Um bem tântrico, e que me lembra que a vida que existe é o hoje.

"O que existe aqui, existe lá. Se não existe aqui, não existe em lugar algum."


Tenho um mantra novo esse ano e quero compartilhar com todos que me acompanham aqui:

"Estou me afastando de tudo que me atrasa, me segura e me retém. Fui ser feliz, e não volto."
do incrível Caio F. Abreu.

Quem conhece meus mantras, conhece muito de mim e de como movimento minha energia!

Ludmila Rohr 

domingo, 9 de janeiro de 2011

Sem procrastinações!

Ano novo...decisão tomada:  não procrastinarei!
Prometo anular pendências.
Prometo a mim mesma, dar um passo de cada vez na direção do que quero.

Esse ano precisa ser um ano sem procrastinações. 
O lema será,( plagiando os Titãs) : "Só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder."

Sabe quando não existem dúvidas? Sabe quando voce se encontra em um momento de maturidade, mas que por hábitos ou por temer magoar alguém, frustrar outro alguém, ou como medo de se frustrar, ou até mesmo evitando fazer algum corte necessário que levará a alguma dor....e por isso, voce procrastina? Bom...é assim que não quero estar.

Se sei o caminho mais curto entre dois pontos, é nele que irei.
Se sei exatamente o que devo fazer, é isso que farei.
Se sei exatamente o que não quero, é isso que eliminarei.
Simples assim.
O que não me serve, não quero.
O que me serve, que venha!

Esse é um ano que não cabem desculpas, é um ano que não faz nenhum sentido colocar o pé no freio. Esse é o ano de encontrar o meu ritmo, o meu jeito, a minha forma...e seguir. Nada de especial com esse ano, a não ser a minha decisão. 

Qual o limite que a vida nos dará? Alguém sabe? Quem nos dá limite somos nós. Precisamos nos dar limites...reconhecer que somos finitos..que o tempo não está ao nosso dispor, que o tempo anda e que a vida não nos espera eternamente. 
Estamos prontos? Nunca estaremos...então, temos que estar prontos com o que temos. É esse o momento. No único tempo que existe. Agora.

Lanço-me no oceano. Lanço-me no espaço. 
Lanço-me na direção das metas. Lanço-me na direção de mim mesma.
A única coisa que certamente encontrarei diante de mim? ..O meu caminho. Então..nada a temer. Querendo ou não, terei que caminhá-lo mesmo. Então vamos lá!

Essa sou eu, reencontrando Disciplina e Vontade.
Essa sou eu, seguindo...agora sem procrastinar.

Por que tenho 3 certezas libertadoras na minha vida: 1) Vou morrer. 2)Vou errar. 3)Vou desagradar.
...e já que isso é certo, é melhor começar a andar já! 

Feliz 2011

Ludmila Rohr

domingo, 26 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo de VERDADE! *

 Nessa época do ano, são comuns as reflexões sobre o que fazer no ano que inicia, sobre as pendências, o que deixamos de fazer e o que gostaríamos para o ano novo. Em todas as revistas, jornais escritos e falados, esse será um tema de pauta. Sentimos que com a simples mudança do ano, as nossas forças se renovassem e que pudéssemos cumprir promessas e metas que não conseguimos durante o ano que está findando. É comum as pessoas buscarem ajudas nas previsões astrológicas, numerológicas ou com videntes....e é mais comum ainda, nesse período, novas promessas e metas serem feitas (ou refeitas).

De fato quando um ciclo se fecha, a possibilidade de abrirmos o ciclo que se inicia com energias renovadas existe. Podemos fazer rituais de passagem, entregando o Ano Velho, e recebendo o Ano Novo, que normalmente são rituais simples, lindos, motivadores, que trazem ânimo e renovam a esperança e a autoconfiança. Quem não os faz nas tradicionais festas de Reveillon, ou mesmo em suas igrejas, ou até mesmo sozinho? Entretanto, sem querer estragar a festa, é preciso que além do Ano Novo que está chegando, que uma pessoa nova, chegue também. Caso contrário, apenas o ano mudará, mas a pessoa continuará a mesma, e sendo a pessoa a mesma, os padrões de comportamento, os hábitos, a forma de se relacionar com a vida e com as pessoas será a mesma...então nada muda?..temo que não, ou no máximo, algumas coisas mudam por uns dias apenas..os dias que a energia de euforia e animação de Reveillon conseguir sustentar.

Então, se você realmente quer um ano novo, que dure mais que a primeira semana de janeiro, é preciso então olhar-se no espelho com muita honestidade e buscar dentro de si mesma as mudanças que quer para a sua vida. Isso é possível! Acredite, só você pode mudar alguma coisa na sua vida e para isso, as mudanças precisam vir de dentro. As mudanças externas como, um carro, o iPhone novo, corte de cabelo, uma nova cor no cabelo, são mudanças que oferecem uma energia fugaz que alimentam por algum tempo (pouco) para que você possa encarar as reais mudanças que precisa fazer dentro de si. Por que só essas são perenes, só as mudanças internas são de fato reais, e têm o poder de transformar sua vida.

O que fazer então nesse fim de ano e começo de um novo ano? Quero ajudar o leitor desse artigo a refletir sobre como realizar mudanças consistentes nas suas vidas e que correspondam aos seus reais desejos de mudança. Infelizmente não existe um manual para isso, mas existem reflexões possíveis e simples que podem promover uma motivação verdadeira para que as mudanças ocorram. Mas darei aqui algumas dicas que certamente te ajudarão a ter um Ano realmente Novo!

Pra começar, que tal se dar de presente uma autoavaliação amorosa? Experimente aceitar esse convite que estou lhe fazendo de buscar em si mesmo as energias, e os porquês para as mudanças, e os motivos para isso. Quanto aos motivos, cabe uma explicação um pouco mais elaborada. Os motivos legítimos para uma mudança devem ser seus. Não funciona mudar para agradar o outro, ou por que o outro quer isso. Muitas vezes as pessoas vão mudando tanto para agradar ao filho, marido, pai e mãe...que se transformam em algo que nem elas mesmas se reconhecem. Então, só repassando: A motivação perfeita para uma mudança tem que ser VOCE, por você e para você! Estamos entendidos?

Já que a motivação correta está clara, que tal começar por rever comportamentos velhos que você já conhece e que nunca te levaram a lugar algum? Que tal se colocar diante do espelho que citei antes, de forma honesta e tentar além de se olhar, se VER! Que tal abrir o coração de forma corajosa e esvaziá-lo das mágoas, das invejas, dos medos de mudanças verdadeiras? Que tal livrar-se do que já não serve mais para você, mas que ainda as mantém por puro apego e comodismo? Que tal se perguntar de forma corajosa, qual o seu desejo, e em seguida se perguntar o que tem feito em prol dele? Que tal abrir os olhos para o que a vida tem de real, e se disponibilizar para as desilusões?

Como assim se disponibilizar para as desilusões? Calma, quando falo em desilusão, não estou te desejando um ano de infelicidades, muito pelo contrário. Desejar um ano novo repleto de desilusões é o mesmo que desejar ter uma vida de verdade! É o mesmo que desejar uma vida livre das ilusões que nos mantém tão longe da felicidade e dos prazeres verdadeiros. A vida cheia de ilusões é uma vida de “mentirinha”, ou uma vida de “faz-de-conta”. A pessoa faz-de-conta que é feliz, faz-de-conta que está realizada, faz-de-conta que se sente amada e respeitada e assim por diante.

A vida de mentirinha é uma vida que qualquer vento pode desfazer e por isso mesmo, ela é cansativa. Manter as ilusões dá muito trabalho. É preciso um esforço permanente para cuidar que a ilusões não se desmanchem, e o custo disso é altíssimo. Pagamos a manutenção das ilusões, com a nossa espontaneidade, com a nossa naturalidade, abrimos mão de prazeres verdadeiros e possibilidades concretas de sermos felizes e nos transformamos em algo tão distante da nossa natureza, só para que as ilusões e farsas não se desmanchem. Será que vale a pena? Responda sinceramente, tem valido a pena?

Uma vida de Verdade, ao contrario da vida de ilusões, também tem dores e prazeres de verdade, mas nos oferece um chão seguro para caminharmos, nos oferece consistência. No chão seguro da realidade, podemos operar as mudanças que queremos na nossa vida, sentiremos nossos pés pisando em terreno firme, e teremos condição de caminhar com passos seguros, ao contrario das areis movediças da ilusão. Dessa forma podemos desenvolver mais autoconfiança, que é um sentimento interno que fala nos nossos Ouvidos, a partir do nosso coração, e diz: “Você pode! Acredite em você!”.

Depois das desilusões quero te desejar também uma vida que não seja “bege”!
Vamos lá, vamos entender o que é uma vida bege, ou o que é uma pessoa bege, ou que se transformou em alguém bege.
Eu chamo ter uma vida bege, aquelas pessoas que não fazem a menor diferença, elas não contribuem em muita coisa, elas são bege, ou seja, qualquer cor combina com ela, ela se adéqua a qualquer ambiente, como se não tivesse personalidade ou desejos próprios. O bege não tem desejos, quem determina é o vermelho, ou o verde, ou o preto. O bege está ali para compor. Ninguém vai sentir falta, por que ele também não se posiciona.

Não seja bege! No nosso coração, na nossa alma cabem todas as nuances das cores. Temos vários momentos diferentes e com muita variação de cor. Os nossos sentimentos e desejos determinam isso. Podemos vibrar intensamente nossa alma a ponto dela ganhar vibração e cor! Podemos sair dos tons pastel, numa boa, podemos até ter emoções com cores que não combinem muito...mas não devemos passar pela vida sendo bege!! Merecemos uma vida como uma grande tela que comporte nossas emoções, que caibam os nossos pensamentos e opiniões, merecemos uma vida em que a nossa expressão tenha um significado e uma importância. Não seja bege!

A nossa alma pode descongelar, ou sair da anestesia e vibrar! Deixar a vida de verdade entrar nela! Não dá pra viver a vida colocando os sentimentos debaixo do tapete. Voce pode chorar, rir, gozar, amar, ter medo e arriscar. Entretanto, quando abrimos a alma para os sentimentos e para os desejos, nos damos conta de que nem tudo são flores, que existem as frustrações, existem as decepções, existem as dores próprias da vida. Se você está esperando uma vida só de prazeres, comece a rever isso, pois quando abrimos ou descongelamos nossos corações, estaremos nos abrindo para SENTIR, sentir tudo que é pra ser sentido. Sentir as dores e os prazeres de ser quem você é! Isso é estar inteiro e consciente de si mesmo e conectado com os sentimentos.

A terceira e última coisa que quero desejar pra você nesse ano que começa é: RESPIRE! Isso mesmo que você está lendo: Respire! Ao inspirar abra a o peito e deixe o ar entrar com vontade! Ao Expirar deixe o ar velho sair. Faça isso, conscientemente várias vezes ao dia! A sua respiração não vai parar se você não fizer isso. Seu corpo vai continuar respirando. Eu estou falando de respirar porque quer e não apenas porque precisa! Respire profundamente querendo respirar, e descubra o imenso prazer que existe nisso!

As pessoas se assustam quando eu recomendo que respirem. Muitos clientes no consultório se espantam quando eu interrompo uma fala que está automatizada e digo: respire! Respire, e fale isso outra vez! Respire e SINTA isso! Elas reagem: “mas eu estou respirando!”, eu digo: “não, você não está. Seu corpo está respirando, mas você não está”.  Respirar possibilita o sentir!

A respiração é o melhor, e mais eficiente instrumento que temos (e de graça) para nos colocar no único tempo que existe: o presente. Quando respiramos conscientemente, nossa mente que vagueia entre o passado (depressão, melancolia) e o futuro (ansiedades), volta imediatamente para o presente. Respirar querendo respirar traz paz e quietude, nos coloca no tempo em que isso é possível, o AGORA!

O que de melhor posso desejar para as pessoas é que as desilusões se desfaçam, que as cores voltem a brilhar na sua alma, que a vida de verdade apareça, e que cada um deles possa contar com os amigos de verdade, mas que acima de tudo cada um deles possa contar com sua energia interna, com o Deus que habita seu coração, com a força que pulsa nas suas vísceras, com sua mente lúcida, determinada e assertiva...e que RESPIREM! Respirem com o peito aberto para o Ano Novo que está chegando!

Feliz Ano Novo de Verdade!
Ludmila Rohr
* Esse texto foi publicado na edição de dezembro da Revista do Yacht Club da Bahia

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Bodas de Prata

 Hoje completo 25 anos de casada com meu amor de verdade.
Sempre achei que celebrar Bodas de Prata fosse coisa de gente velha, mas cá estamos nós, jovens, inteiros e completando 25 anos de relação.


Desde menina sonhava com meu amor...ele era assim, como é hoje.
Sonhava com aquele que estaria ao meu lado a vida toda.
Sonhava com aquele que seria pai dos meus 6 (!?) filhos... (coisa de menina)
Não tinha muitas ansiedades pra namorados..pois eu sabia que o meu amor estava em algum lugar e que era certo que eu o encontraria.
Era um amor de outras vidas...com muitas histórias...
Encontrei Judson no dia e no lugar que eu achava que o encontraria.
Quando o vi passar diante de mim, disse: Vou casar com esse cara.
Namoramos...muita paixão...muito tesão...muito amor...
Não conseguia ficar longe dele...nem ele de mim..
Estávamos apaixonados..
Casamos em dois anos..eu ainda estudava..ele no primeiro emprego..ganhava mal..
mas o amor tinha pressa..
Moramos num pequeno apartamento..lá nasceu Caio...nosso bebezão lindo...
Como foi desejado..como foi amado...
Éramos tão jovens....mas estávamos tão felizes..
Todas as dificuldades que passamos, nem consigo lembrar, mas sei que existiram.
Chegou Lucas...o bebê mais lindo do mundo..enorme...tão querido..
Nossa família estava completa..
Vivemos tantas histórias nesses anos...
As histórias não são sempre lindas..são de dificuldade, de brigas, de desencontros, de dúvidas também..
mas...quando paro pra pensar...acho que em momento nenhum desses anos..tive alguma dúvida de que éramos um do outro..que nossa relação era para sempre..
Veio o câncer....veio a possibilidade da morte..e a dor...
atravessamos isso..choramos...lutamos juntos.. Amei muito mais ainda o meu amor...Vi nele um guerreiro convicto, calmo, pragmático..assertivo...
Veio a metástase...ele chorava comigo...chorávamos juntos...nossos filhos assistiam a isso!
Vencemos mais essa...
A mudança para os EUA...e estamos aqui...
Ele me apóia..ele sabe do que abri mão para estar aqui, mas fizemos essa escolha juntos..
Filhos separados...família ganhando um novo formato..filhos adultos...
Bom...25 anos de história daria um livro..quem sabe um dia o escreva..mas por hoje, quero apenas brindar!
Brindar ao meu amor..brindar ao meu casamento!
..e desejar que todos possam viver algo assim um dia!

Meu amor é um bom filho, é um bom genro, é um bom amigo, é um bom pai, é apaixonado pelo Flamengo (ninguém é perfeito!), adora ser engenheiro, é fiel, amigo, amante, companheiro...eu realmente amo meu amor!

Te amo Judson, te amo até quando voce fica horas vendo futebol na TV!
Obrigado pelos filhos lindos que voce me deu..obrigado pelo suporte incondicional que voce dá para que eu realize meus sonhos. Obrigado por sempre apostar em mim! Obrigado por sempre apostar em nós dois!

Ludmila Rohr

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Minha caverna não me mete medo....

 Sabem quando nos deparamos com a sensação de que não conhecemos as pessoas com que nos relacionamos....? É uma sensação estranha...
Sempre que isso acontece, sei que na verdade, estou ME estranhando, não estou me reconhecendo...é como se eu me deparasse comigo mesma e não me reconhecesse. 

Acredito que o outro pode me espelhar, pode falar de mim. Os meus olhos vêem o que é possível ver. Enxergam na qualidade do que é possível para mim, então o que vejo tem mais a ver comigo do que com o outro..ou com o lado de fora..

Tenho uma boa intuição...tenho antenas que são muito sensíveis..consigo perceber com alguma lucidez a dinâmica nas coisas...por que sempre me treinei pra ver os fatos em sequência...encadeados...e nunca isolados... Sempre treinei minha mente pra perceber dinâmicas relacionais...ou seja, como as pessoas funcionam nas relações e como que as relações provocam mudanças nesse funcionamento. 

Isso é bem da Psicologia Sistêmica...gosto desse olhar, pois posso perceber o que eu provoco nas pessoas, e vice-versa. Elas não são necessariamente o que estou vendo...mas elas são assim na relação comigo. Esse olhar me coloca em um lugar de mais responsabilidade, posso ver a minha parte na história. 

Bom...esse é um momento específico pra mim...muitas datas importantes estão fazendo aniversário. Faço 47 anos em alguns dias, completo 25 anos de casada também e completo 1 ano morando em Houston. Além, claro, do próprio final de ciclo quando um ano se encerra.

Muitos ciclos se fechando ao mesmo tempo, percebem? Idade, casamento, mudança pra Houston e o ano de 2010! 

Tenho uma necessidade impressionante de ficar dentro de mim. Sou aparentemente extrovertida, porque tenho uma imagem de autoconfiança e o mundo externo não me invade, sinto que eu entro muito mais no mundo externo do que ele em mim, então, sou extrovertida. Mas adoro ficar dentro de mim...adoro e preciso muito de muitas horas em silêncio e meditação... Abrir mão disso é impossível....preciso ficar quieta, ter meus momentos diários de silêncio e meditação, em que fecho os olhos pra fora e os abro para dentro. Olho pra mim...não para o que sou ou preciso ser nas relações, mas para aquilo que sou de verdade..aquilo que sou no íntimo...aquilo que realmente sou.

Gosto de me deparar com os sentimentos, pensamentos, sensações, sonhos, idéias que surgem a partir daí... Me sinto fortalecida e centrada.... me sinto no eixo e "grounded"...enraizada...Essa sensação de enraizamento é vital para uma capricorniana...preciso sentir meu chão firme, e não espero que ele seja firme externamente, como algo imóvel,  mas que eu tenha uma sensação interna de firmeza e segurança, que saberá lidar com as modulações e turbulências externas.

Gosto de meditar. Meditar é um hábito antigo...ficar em mim....ficar comigo...

Estou bem...mas a minha caverna interna tem me convidado insistentemente para que eu a visite mais e mais...
será isso uma espécie de "inferno astral" por causa do meu aniversário que se aproxima? Bom...se é isso...gosto disso. 

Definitivamente, minha caverna não me mete medo.


Ludmila Rohr

P.S. na foto com um Sadhu na Índia...Ele vive a vida tocando e meditando....





quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Mais uma vez agradecendo ao Universo feminino !

Nunca tomei conta diretamente de uma casa. Sempre fui uma administradora da minha casa, mas diretamente nunca fazia nada. Nunca cozinhei..nunca havia limpado, arrumado uma cozinha..uma geladeira...e por mais que pareça estranho pra muitas mulheres, nunca havia feito um arroz, um feijão na vida! 

Talvez vocês pensem que nasci rica...muito pelo contrário. Nasci em uma família simples. Minha mãe era professora e trabalhava em 3 empregos, os três turnos! Quase nunca estava em casa. Lembro dela chegando e saindo. Meu pai trabalhou a vida toda no Polo Petroquímico e era sindicalista, vivia em greves, movimentos sindicais...passava muito tempo fora de casa. 

Na minha casa tínhamos Candinha. Acho que nesses dois anos de blog não falei dela. Candinha era a mãe preta. Quando eu nasci, ela já estava lá. Quando eu casei....ela ainda estava lá. Ela era a sósia da minha mãe..só que preta. Ela criou a gente. Ela brigava com a gente...colocava todo mundo pra fora da cozinha o tempo todo. Minha irmã que vem depois de mim, a chamava de mãe, "mãe preta". Quando ela chamava "mãe" e nossa mãe respondia, ela dizia, "Não é voce não, é minha mãe preta!".

A "Mãe Preta" era um  personagem comum nas famílias nordestinas e nas regiões que tinham um passado em que a prática da escravidão havia sido forte. As "Mães Pretas" criavam, amamentavam, davam carinho aos filhos das brancas...e muitas vezes nem podia criar os seus próprios filhos.

Não quero aqui fazer uma crítica social, muito menos cultural...longe disso. Quero apenas render uma homenagem a Candinha. Ela foi e ainda é, muito importante para a minha família. Hoje com o olhar da Sociologia e da Psicologia Social, posso entender o que Candinha representava. Ela era pobre, preta e empregada. Morou com a gente a vida inteira. Candinha não nos deixava entrar na cozinha. Ela dizia: "Vá estudar, se voce estudar, voce paga alguém pra cozinhar pra voce!". Não era minha mãe branca quem dizia isso, era a mãe preta. Acho inclusive que minha mãe branca, tinha uma vida mais dura, que a de Candinha. Vivia trabalhando, como professora...vida dura e pessimamente remunerada, a diferença era de "status", mas nenhuma na dureza do trabalho.

Na verdade...penso que esses foram os meus dois modelos femininos na infância. As duas trabalhando muito. Cresci assim. Achando que preciso trabalhar muito e o tempo inteiro. Fiz isso. Passei a infância e adolescência dos meus filhos trabalhando o dia todo e até tarde da noite. Assim como eu tive Candinha, meus filhos tiveram as minhas queridas Deda e depois Nil, por quem terei gratidão eterna e que moram no meu coração! 

Quando vim morar nos EUA, passei por uma mudança radical. Trabalho em casa, escrevo, organizo meu livro, planejo sites e estudo o tempo inteiro. Tenho alguns grupos de Mulheres e de Respiração (que amo!!) mas nada comparado ao volume de trabalho que tinha no Brasil com o consultório e com a clínica. Resultado..tenho descoberto um novo prazer: Cuidar da minha casa..cozinhar...arrumá-la....receber pessoas...fazer almoço pra Lucas, atender as necessidades da minha família nesse nível. Sinto muita falta de Caio não morar aqui nesse meu momento, queria poder fazer uns denguinhos pra ele também. 

Acho que integrei  uma nova face do feminino em mim. Sem esquecer do meu trabalho, da minha paixão pela psicologia e pelo Yoga, mas podemos dedicar mais tempo a minha casa e a minha família, como nunca havia feito antes. Estou gostando disso, embora tenha me deparado com minha imensa ignorância e despreparo. Não sabia fazer nada. Entenda "nada" no sentido literal. Nunca havia ligado uma máquina de lavar roupas, embora sempre tivesse em minha casa. Nunca havia colocado as mãos sobre um pedaço de frango ou peixe cru. Podem rir, mas é verdade. 

...e aí que entra mais uma vez o meu sentimento de gratidão por todas as mulheres que apareceram na minha vida aqui nos EUA e que estão me ensinando sobre esse universo pra mim, desconhecido e assustador. Agradeço imensamente e principalmente a Fátima Pontes, Nanci Nascimento, Fátima Carvalho e Valéria Silveira. Mulheres poderosas que me ensinam sobre algo que parecia um terreno que jamais conseguiria atravessar.

Acho que no final de um ano posso dizer que sinto que fui aprovada nessa graduação.
Yes, I did it!!!

Meninas...quero dizer a voces: Muito Obrigado! Sou grata!
Sou grata a todas as mulheres que entram na minha vida e me ajudam a crescer!

Beijos

Ludmila Rohr

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Happy Thanksgiving, e o Rio?

 Hoje é feriado aqui nos EUA. É o Thanksgiving Day. Dia de agradecer. Acordei disposta a entrar no clima desse feriado norte-americano. Dei uma lida na história desse dia e de como ele foi se tornando um feriado importante para os estadosunidenses.

Gosto de vibrar gratidão, então pensei que seria muito fácil entrar nesse clima. A gratidão é um sentimento tão forte em mim que pensei que seria muito fácil permanecer com ele o dia inteiro.

Costumo dizer que Gratidão é o sentimento mais prazerosos para o corpo, ele é confortável. Toda vez que vibramos na sintonia da gratidão, nosso corpo relaxa e produz uma sensação confortável de prazer. Nada que pareça com a sensação corporal de um orgasmo, ou da paixão...ou mesmo até da alegria. A gratidão é confortável como um cobertor quentinho em dia de frio, ou um banho refrescante em dias de calor. As pessoas felizes, são necessariamente pessoas gratas, e as infelizes, com certeza são aquelas que não conseguem ser.

Pois é..acordei assim...tocada e conectada com essa vibração, e resolvi escrever sobre isso, até que liguei o computador e me deparei com a situação no Rio de Janeiro. Cenas chocantes, polícia, traficantes, uma verdadeira guerra ao vivo..sendo transmitida para a mundo. 

Na mesma hora, meu corpo ficou tenso..meu coração apertou...minha respiração deu uma travada..a desconfortavel sensação do medo e indignação me tomou. Indignação e apreensão..sentimentos que me trouxeram de volta pra o mundo real e duro que o Brasil vive agora.

Estou aqui tentando agradecer pela vida e pensando naquelas pessoas com seus filhos e seus velhos que moram nessas favelas agora.

Estou aqui tentando agradecer por minha mente lúcida que pode distinguir o bem e o mal, e pensando nas pessoas que estão em pânico no Rio nesse momento.

Estou aqui tentando agradecer pelos meus filhos lindos e saudáveis, e penso nas mães desses traficantes que não tiveram nenhuma chance de educá-los. Sem querer associar pobreza a marginalidade, pois marginal rico é o que não falta, assim como pessoas do bem que cresceram na maior absoluta pobreza. Entretanto, mãe é mãe. Penso nas mães dos policiais que sabem ter seus filhos em uma verdadeira guerra.

Estou aqui no meu conforto pensando em agradecer por isso e pensando nos moradores trabalhadores e do bem, que vivem nas favelas que estão sendo ocupadas pelos traficantes e pelos policiais e que são reféns dessa situação caótica.

Queria tanto hoje só agradecer...queria tanto hoje só falar de coisas lindas...do Amor, da Vida...essas coisas...mas só consigo pensar que a vida é muito dura nesse momento para as pessoas que vivem nas favelas do Rio e que torço muito para que os danos sejam os menores possíveis, e que as autoridades possam perceber que a Impunidade é o grande mal do nosso país,...com nossos políticos corruptos, com nossa sociedade rica que mantém o tráfico vivo, com a justiça lenta  que permite que criminosos estejam nas ruas... Sociedade sem educação e onde a impunidade é comum, não vai pra lugar algum!

Happy Thanksgiving!

Ludmila Rohr

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O Nó sem Fim - minha nova Tatuagem!

Essa é minha nova tatuagem: O Nó sem Fim!

Minhas tatuagens tem história, elas tem um motivo e um significado.
Essa é inspirada em um dos 8 Símbolos Auspiciosos do Budismo Tibetano, O Nó da Eternidade, ou o Nó sem Fim como prefiro chamá-lo.
Esse desenho indica a sabedoria e a compaixão ilimitadas.
Indica a continuidade da Vida.
Ele não tem começo, nem fim.
Essa é a minha linda tatuagem, pela qual estou apaixonada agora!

Falarei aqui sobre o que ela significa para mim. Não darei aulas de budismo, porque nem poderia e provavelmente um budista estudioso se arrepiará com minhas meditações, mas elas são as minhas meditações sobre esse símbolo! São minhas e sobre esse momento. Não entendam e nem aceitem esse post, como um ensinamento, por favor!!!

Bom...vamos às minhas meditações...Gosto dessa idéia de que algo que não começa do Zero. Para mim nada começa do zero. O nada, nada pode gerar! Temos sempre uma bagagem atrás que nos alimenta de alguma forma. As lutas que vivemos hoje foram alimentadas, ou iniciadas por gerações antes da nossa. Ou algo que recebemos da vida hoje, foi plantado em algum momento atrás. Gosto de pensar nas muitas gerações de mulheres que vieram antes de mim e que conquistaram tantas coisas que hoje posso fazer, realizar...gosto de pensar nisso e de alimentar uma gratidão por todos que vieram antes de mim.

Gosto de pensar a Vida como uma seqüencia infinita de começos e recomeços. Quando penso assim, entendo que nada do que fazemos fica escondido em algum canto qualquer. Esse símbolo me leva a pensar que teremos que rever tudo em algum momento, ou que reencontraremos com tudo e com todos em algumas dessas curvas da vida. Não há como fugir das nossas pendências. Não existe a menor chance de colocarmos algo debaixo do tapete e fazermos de conta que ele não existe ou nunca existiu.

Esse símbolo me lembra de que não conseguirei fugir das minhas sombras, elas virão atrás de mim em algum momento, ou elas simplesmente aparecerão diante de mim em alguma curva que a vida me levar a fazer. Esse símbolo me alerta de como é mais fácil viver de forma honesta, direta, clara, sem subterfúgios, sem dissimulações, sem tentativas de mostrar aquilo que não sou, pois a vida se encarregará de revelar...

Se toda a VIDA está girando nesse nó sem fim, não há rotas de fuga! Não há como fugir das Verdades. Não há possibilidade de fugir de mim mesma, quanto mais daquilo que preciso aprender! Se eu tento...posso até adiar a experiência, mas não por todo tempo..ela virá, em algum momento a experiência necessária chegará, e me conduzirá ao aprendizado que preciso.

Tenho algum tipo de arbítrio (mínimo) sobre o tempo, mas mesmo assim, é um pequeno poder, não é tão grande quanto eu quero acreditar. Posso arbitrar adiar uma experiência, mas nunca posso arbitrar sobre não ter aquele aprendizado, e nem posso imaginar adiar por todo o tempo que eu quiser...os giros da vida vem e nos colocam de volta ao mesmo lugar. Diante da mesma história. Talvez os personagens tenham mudado, mas os conteúdos não.

Isso não é um castigo. Os Budistas entendem como compaixão, como a suprema misericórdia, pois é a chance de nos revermos, de limparmos o que sujamos, de atualizarmos nossas experiências..de pedirmos desculpas, de reeditar algumas histórias, de fazermos o que fizemos antes, só que agora de uma forma mais decente, mais honesta, mas verdadeira, mais honrada. Isso é compaixão....a chance interminável de nos reconstruirmos. Bom, né?

Nem sempre as pessoas gostam muito dessa idéia. Principalmente quando o aprendizado mobiliza com a vaidade, com a imagem, e por não gostarem gastam uma energia imensa tentando fugir dela...ou tentado convencer a si mesma e ao outro que não tem nada a ver com isso, que aquela experiência não é sua, que ela é uma vítima de outro alguém...perda de tempo. Tudo é justo..e tudo que está no âmbito do seu "Nó", é seu! Só voce poderá viver! O que está no meu "Nó" é meu e só eu poderei viver!!! Sem vítimas, sem algozes!

Esse "Nó" pode ser entendido , pelos inconscientes, como um verdadeiro inferno...pois não há saídas..mas não é ..é justo..é na medida exata..nem mais, nem menos. Mas é um verdadeiro céu, no momentos em que estamos colhendo as frutas de boas sementes...

Transceder..precisaremos transcender! Essa é a forma de libertação...

Sobre isso, falei em um post antigo, motivado por uma outra tatuagem (essa aí) , vão lá ver!

Mas..por enquanto..tô aqui apaixonada pela minha nova tatuagem, e encantada com a vida.  encontrando as boas sementes (méritos) que plantei em algum lugar na minha vida e as sementes não tão boas assim..que também plantei! Tudo justo...tudo meu! Não há nada que colho, bom ou ruim que não tenha sido gerado por mim mesma em alguma curva desse NÓ!

Sem queixas vou colhendo meus frutos!

...e como me sinto feliz e em paz...devo ter plantado coisas boas por aí!

Namastê

Ludmila Rohr


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Minha alma está chegando....

  Estou de volta ao Texas após cinco semanas em Salvador. 
A demora em escrever um novo post, já que escrevo regularmente toda semana, é que minha alma estava a caminho...ela não chegou junto com o meu corpo. Como sempre escrevo com a alma, ficou impossível escrever enquanto ela não chegava...

Fico uns dias como se estivesse pela metade, incompleta, faltante, sem muita energia...É como se eu estive em um espaço paralelo, nem lá, nem cá. No limbo. Não tem desconforto, mas também não é confortável. Sensação sem nome, mas se tivesse uma cor, seria Bege. Não me reconheço quando estou assim, pois posso ser tudo, menos bege...entretanto, tenho meus dias bege...

Então, fico pacientemente esperando a alma chegar. Ela tem seu tempo...ela não vem de avião...ela vem com o vôo dos pássaros, ou vem montada num lindo cavalo, ela vem com os ventos...e vai chegando..Respeito esse tempo. Não me cobro muita coisa, pois fico lenta e mais contemplativa que normalmente já sou. Espero pacientemente pois adoro ver que o tempo tem vários giros ao mesmo tempo. É como se vários relógios em ritmos diferentes, girassem dentro de mim ao mesmo tempo...e, é assim mesmo.

Nos meus últimos dias em Salvador tive um encontro com o Lama Padma Samten, encontro inesperado, que mexeu bastante comigo, que resignificou essa minha estadia em Salvador. Entendi que eu estava ali, para ter esse encontro. Eu não tinha a menor idéia de que iria ver o Padma Samten até uma semana antes de voltar. A produção dele, ligou pedindo espaço no Salão do Mahatma Gandhi, para um palestra do Lama que estaria lançando um livro. O horário que eles precisavam, seria da minha última palestra em Salvador, da minha despedida. Não pensei um só instante..entendi que era o Lama que deveria estar lá. Sinto no meu coração que é sempre uma grande honra e mérito receber um Lama em minha casa, e ele veio.

O tema da Palestra e do seu novo livro é "A Roda da Vida". Esse é um tema do Budismo que me ensinou muito como  viver e aceitar os ritmos da vida. Aliás, o budismo é pra mim um manual simples e claro da psicologia do bem viver. Sem grandes surrealidades, o Budismo fala de coisas óbvias, e que de tão óbvias não costumamos enxergá-las. O Budismo fala da vida real, desse momento agora, e de como encontrar PAZ. O Budismo é um Manual de Encontro consigo mesmo e por consequência, com a Paz.

Ouvir o Lama mais uma vez foi um presente, creio que foi um mérito. Receber o olhar amoroso dele me alimentou. Receber alguns abraços carinhosos me tocaram na alma. Lembramos que ele esteve pela primeira vez no Espaço Mahatma Gandhi há 14 anos atrás!

Estou em Houston mais uma vez, é aqui que eu moro, é aqui que tenho que girar minha Roda da Vida agora, é aqui que tenho que exercitar o Amor e o Desapego. É aqui que tenho que ser feliz. Isso não me assusta, muito pelo contrário. Gosto de estar aqui e gosto das possibilidades que existem pra mim nessa terra. Gosto da minha casa, gosto do tempo que tenho para escrever, para trabalhar criando, imaginado...tendo idéias.. Realmente gosto de estar aqui. Quando chegar o dia de ir embora daqui, vou feliz também..vou ao encontro de novos amigos, novos aprendizados, novas experiências...

...mas por enquanto....só aguardo minha alma chegar...sinto que ela já está quase toda em mim...mas, paciência..ela vem com tempo e eu, apenas contemplo.

Namastê

Ludmila Rohr

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Quem é o povo brasileiro?

 Essa semana foi diferente. As eleições aconteceram..eu não votei, já que transferi meu título para Houston..fiquei de camarote vendo as coisas acontecerem, e não gostei de muita coisa que vi. Isso não tem nada a ver com o resultado das eleições. Não acredito em políticos. Nem ao menos acredito no "poder" deles... Sempre acreditei no povo..nas pessoas... 

Não suporto política e nunca achei que mudança alguma em um país se desse por causa de um político ou outro, ou mesmo graças a um partido ou outro. Acho que as mudanças sempre acontecem a partir do povo, os políticos apenas as reconhecem. Daí a minha tristeza.

Dilma sendo eleita, ou se Serra tivesse sido, para mim, (acreditem) não fazia a menor diferença. Nunca me dei ao trabalho de analisar as propostas de  nenhum dos dois. Podem me chamar de alienada, mas é verdade.

Eu gosto de pessoas. Sempre olhei mais para as pessoas, do que para seus discursos. Sempre olhei e acreditei mais no que seus corpos falavam, do que nas suas falas. Sou psicóloga...e tenho o vício de tentar ver as pessoas através dos seus movimentos corporais...do tom da sua voz, do brilho dos seus olhos.. E na campanha, nos debates..nenhum dos dois se pareciam pessoas, eram personagens, eram algo estranho...menos pessoas..então, não votaria em nenhum dos dois.

Entretanto a campanha presidencial revelou um povo com um comportamento cruel, xenófobo, racista, maniqueísta, homofóbico, preconceituoso, esperto (no pior dos significados), um povo disposto a pisar no seu igual...triste...muito triste...

Lembrei daquele livro..O Senhor das Moscas, em que amigos se transformam em inimigos por causa da sua sobrevivência e perdem a humanidade, lembrei de guerras recentes no leste europeu em que pessoas que antes eram vizinhos amigáveis, viraram inimigos por causa de suas diferenças étnicas. Pensei em como podemos ser sombrios e cruéis quando nos sentimos ameaçados.

O mesmo pessoal que reclama de roubalheiras no governo, de corrupção e tudo mais..é o mesmo que queria matar nordestinos, que acusou Dilma de ser "lésbica" (como se isso fosse uma ofensa), que se comportou de forma religiosa-fanática,.....É o mesmo povo que fura filas no trânsito, que invade sinal vermelho, que não respeita a faixa de pedestre, que dirige após beber, que não se intimidaria em não pagar impostos corretamente, que não se intimidaria em se apropriar do que não é seu se pudesse, que descuida dos idosos, dos animais, da natureza...Esse povo que "ESPERA" que algum governante resolva seus problemas, de fato não se enxerga de forma adulta, não percebe sua participação pessoal no estado que o Brasil se encontra.

Por isso, meus queridos conterrâneos, pra mim não interessa quem irá governar...por que seus governados serão os mesmos..e assim que tiverem chances de "se dar bem" , o farão! 

Adoro ser brasileira, nasci e vivi aqui minha vida toda...mas tenho vergonha da "esperteza" que faz parte da nossa cultura. Se tem um ditado popular que ODEIO e que descreve tanto essa característica do brasileiro é:  "Farinha pouca, meu pirão primeiro."

Enquanto pensarmos assim, nunca teremos como mérito, um presidente como o Mahatma Gandhi. Teremos que nos contentar com o reflexo do que somos e temos sido, pois isso é o que os nossos governantes são!

Ludmila Rohr

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Eu em Salvador 3

 Esses tem sido dias intensos! Farei um pequeno resumo hoje.
As minhas palestras são a minha grande paixão. Fiz algumas.

A primeira palestra foi sobre o Ahimsa e o Satyagraha, em homenagem ao Mahatma Gandhi, meu grande Mestre e que dá nome ao Espaço que criei e alimentei durante esses anos. O Ahimsa é a prática da não-violência, é a compreensão de que podemos viver agindo e não reagindo. A ação pacífica é sempre a melhor resposta à qualquer tipo de violência. O Ahimsa é diferente de omissão, ou de fechar os olhos para o mal... O praticante da violência, luta contra ela, mas luta com as armas da Paz..da denúncia pacífica e do Amor. O Satyagra é o Poder da Verdade. O Mahatma ensina sobre a Verdade, e como ela é poderosa, como ela transforma a vida, e nesses dias de mentiras institucionalizadas que vivemos falar em Verdade, parece ingenuidade, mas a Verdade é o único caminho..acreditem..é o único Caminho para a Liberdade! A mentira aprisiona e escraviza. A verdade Liberta!

Na segunda palestra falei sobre uma visão que desenvolvi sobre os Chakras como um Caminho, não li em livro algum, e certamente isso daria um livro que um dia escreverei. Os Chakras revelam um mapa precioso que nos indica um caminho de ascensão e crescimento pessoal e espiritual, mas como sou psicóloga não consigo deixar de analisar as coisas a partir desse olhar. A essa compreensão dos Chakras, nos indica também formas de solucionar problemas, de compreender sistemas relacionais e padrões emocionais. Essa foi uma palestra muito legal! Amei!

Na terceira palestra falei sobre "Concentração: O Poder de um mente focada!", fantástico esse assunto..amo pensar que se posso concentrar e se posso concentrar cada vez mais...posso também, expandir..concentração e expansão mental...grandes poderes que podemos desenvolver com práticas e exercícios simples que venho praticando ao longo desses 32 anos de Yoga! Essa foi uma palestra adorável, por que ainda pude conhecer amigos, que foram me ver e que só os conhecia virtualmente. 

Hoje darei outra palestra. O tema será : "O que voce busca, Alegria ou Felicidade?". Acho esse tema tão oportuno, porque vejo pessoas querendo encontrar Felicidade (todos querem), mas buscando alegria. Será que as pessoas sabem o que é SER FELIZ? Qual o SEGREDO DA FELICIDADE? ..acho que não, ou não acreditam nela..ou se contentam em pequenas alegrias vez ou outra... Veremos isso essa noite (27/10/10)!

Além das Palestras outra paixão é o CÍRCULO DAS DEUSAS! Trabalho que amo realizar. Grupo de mulheres em um círculo ouvindo através de um oráculo o que as Deusas Tem a nos dizer! Deusas de várias épocas e civilizações..aspectos femininos de Divindades sob o olhar da psicologia arquetípica. Esse não é um trabalho religioso, é um trabalho de crescimento e de auto-conhecimento. Eles me alimentam e me deixam cada vez mais integrada com o Feminino. Me reconheço em cada umas das mulheres que compõem os Círculos e aprendo com elas. Lindo trabalho! Sou muito feliz por realizá-lo

Essa minha estada em Salvador tem sido muito boa., por tudo que já comentei nos posts anteriores...mas..hoje eu estou faltante, saudosa...hoje é o aniversário do meu marido...do meu grande amor, do meu grande amigo, do pai dos meus filhos, a pessoa que quero viver junto e envelhecer junto. Nos conhecemos há 27 anos atrás...esse ano faremos Bodas de Prata, e nesse aniversário dele..eu estou aqui e ele está em Houston, onde moramos... Estou Feliz por tudo que tenho feito aqui, mas estou triste porque estou com muita saudade dele...

Bom, minha alma sabe conviver com várias nuances de emoções diferentes ao mesmo tempo...sei lidar com isso...tenho feito isso como prática consciente durante toda minha vida adulta. Perceber os diferentes sentimentos..um ao lado do outro e sem deixar que um contamine o outro. Posso continuar excitada e feliz por estar em Salvador fazendo o que amo, e posso estar triste por estar longe daquele que amo. Dou conta da minha alma ... rica e VIVA!!!!

Que os dias em Salvador continuem produtivos e me causando essa maravilhosa sensação de FELICIDADE!

Ludmila Rohr

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Estou em Salvador 2

 Amo estar aqui, e já disse isso. Amo porque faço tudo que sei fazer...e gosto de fazer...revejo pessoas e me sinto na cidade que nasci e me criei..estou em casa.

Entretanto estar em Salvador me coloca em contato com situações de tensão que jamais experimentei em Houston. Não dá pra negar o caos assustador e aterrorizador do trânsito, nem consigo lembrar de como eu antes dirigia aqui, sem me estressar! Agora cada fechada que eu levo, levo um susto também. As pessoas definitivamente encaram seus carros como armas. Elas dirigem de forma agressiva, e descarregam energias horrendas no trânsito. Nenhum sinal de trânsito é respeitado...Saudade do educadíssimo trânsito de Houston...

Mas...por outro lado...ver gente na rua é lindo! Ando de carro e vejo pessoas por todos os lugares...botequinhos em cada esquina, música por todo lado, pessoas comendo acarajé ali...paradas conversando acolá.. Acho que só quem mora em uma cidade como Houston pode entender o que estou falando... Em Houston não vemos uma viva alma nas ruas..ninguém anda a pé, ninguém atravessa ruas...ninguém espera ônibus no ponto...e a noite acaba cedo...

Adoro morar em Houston...mas Salvador tem uma coisa que mexe comigo...me sinto tão viva aqui..sinto que cada célula minha vibra. Faço palestras e sou escutada com tanta atenção...recebo tanta energia de volta. Dou aulas..As pessoas são vibrantes e rapidamente partem de uma conversinha informal para uma conversa íntima e profunda. 

Essa disponibilidade de conhecer pessoas..de se interessar pelo outro...de apesar de estarmos em um ambiente hostil, mas ainda assim sermos abertos e receptivos...isso é encantador. 

Fiz muitos amigos pelo twitter..só os conhecia de lá...mas hoje conheço muitos pessoalmente. Já fomos a encontro de twitteiros em um bar, ninguém se conhecia e ficamos tão amigos. Já tivemos um caruru (tuirú) para amigos do Twitter...e lá conheci mais pessoas ainda.. Ontem na minha palestra tinham várias pessoas do Twitter..e eles também não se conheciam pessoalmente e lá se conheceram... Um amigo tuiteiro levou o pai para a minha palestra, que descobrimos ser amigo de um amigo meu! Uma amiga tuiteira levou outra amiga, e como o mundo é muito pequeno..eu a conheci desde a barriga da sua mãe! 

Uau..é disso que estou falando...Em salvador..o mundo parece menor..as pessoas parecem mais próximas...abertas...afetivas...Pessoas desconhecidas viram amigas rapidamente. 

Hoje vou ao teatro...amanhã vou a um show de Jazz  no MAM que é um dos lugares mais lindos do mundo..tenho convite de ver malabares no Rio Vermelho...e comer um acarajé.. Tenho uma feijoada no domingo... Tenho muitas pessoas que ainda nem encontrei...e quero muito revê-las... 

Sei que Salvador tem problemas graves...muito graves, mas temos uma coisa que sem querer cair no clichê, ninguém mais tem...temos uma alegria e uma disponibilidade..uma abertura que também nunca vi em lugar nenhum do mundo.

Fora tudo isso, em Salvador ...TEM ACARAJÉ!!!!!!!!!!

Axé!

Ludmila Rohr

domingo, 10 de outubro de 2010

Estou em Salvador


Cheguei na minha cidade! 

Acho muito legal ter raízes e por mais que saiba que viverei bem em qualquer lugar deste mundo, chegar no lugar que nasci e vivi a vida toda, me parece mágico... 

Sei dos defeitos de Salvador, mas nesse momento só quero ver as qualidades. Quero ver a praia linda, quero comer acarajé e moqueca de camarão... Quero beber água de coco..e quero trabalhar.

Hoje me perguntaram se eu estava de férias. Não, não estou. Morando nos EUA, sinceramente, eu não tiraria férias e viria para cá. Tem muitos lugares no país que moro agora que viriam como prioridade para férias. Os EUA são fascinantes. Muitos lugares absolutamente incríveis na minha lista de interesse. Não gastaria um só dia das minhas férias vindo para o Brasil, muito menos para Salvador. 

Salvador é minha casa, tirar férias é sair de casa. Conheço os podres da minha casa, e quando tiramos férias queremos o belo, o lindo...aquilo que pode nos oferecer novidades em termos de experiências. Venho pra cá para trabalhar. Tenho uma longa programação de trabalho no Espaço Mahatma Gandhi, com palestras, grupos de mulheres, aulas e atendimentos no consultório. Amo o meu trabalho e esse é o meu grande álibi e motivo de estar aqui. 

Hoje fui pra praia. Quando eu morava aqui, nem ia. Passava mêses sem ir a praia, apesar de morar em frente a ela. Hoje comi acarajé. Adoro acarajé!  ..mas assim como a praia, passava meses sem comer um. Hoje bebi água de coco..deliciosa. Vocês podem imaginar que nos EUA não possamos encontrar água de coco gostosa em lugar algum? Pois é. Não tem..e quando achamos é horrível. 

Parece que agora que moro longe, posso lidar com o que essa cidade oferece de melhor! Amo estar aqui sem precisar pensar no trânsito embora me assuste o tempo todo com a forma agressiva que se dirige nessa terra! Posso ficar aqui sem me preocupar em como as coisas são caras e como os serviços são péssimos. Posso ficar aqui sem pensar em como temos que trabalhar tanto pra ganhar tão pouco! Posso ficar aqui sem pensar em como as coisas são difíceis, como qualquer idéia de realizar algo aqui, parece que já nasce tendo que remar contra a maré.

Posso ficar aqui sem estar de férias, mas como se fosse uma turista. Só com o bom! ..e confesso...que estando aqui assim, não consigo ter saudades de morar aqui, não consigo nem ter vontade de voltar a morar aqui outra vez! Nunca pensei que um dia sentiria isso, mas...é assim que sinto hoje! Amo Salvador, porque aqui estão todas as minhas histórias, porque a cidade é uma cidade viva, mas penso que morar aqui, produzir honestamente aqui, crescer honesta e decentemente aqui é muito difícil e que precisamos estar em esforço contínuo e muito desgastante.

Como é possível estar feliz e adorando estar aqui, e ao mesmo tempo feliz porque não moro (pelo menos nesse momento) mais aqui? pois é..Salvador pra mim se transformou num grande enigma...algo que não consigo entender...e nem quero mais... 

Quero estar aqui, dar minhas palestras, fazer meus atendimentos...ir a praia..comer acarajé..ver amigos amados....Quero estar aqui inteira, com o prazer que tem me movido e motivado a voltar, e depois, retornar ao lugar que é a minha casa agora... e penso...que essa é minha realidade nesse momento...e como vivo um dia de cada vez...assim será.

Minha experiência em Houston é bem sucedida por que usei dessa mesma estratégia. Não foquei no que existe de ruim lá. Não foquei naquilo que deixei pra trás aqui. Olhei um dia de cada vez e busquei aquilo que serviria para mim. Assim sei viver.

Bom..quero convidar todos que moram em Salvador para as minhas palestras no Espaço Mahatma Gandhi. Toda a programação voces podem encontrar no http://espacomahatmagandhi.blogspot.com ou www.mahatmagandhi.com.br

Adorarei compartilhar, com todos que forem, as minhas experiências...

por enquanto..um dia de cada vez...sendo feliz e vivendo em paz, pois esse é meu lema.

Namastê

Ludmila Rohr







domingo, 3 de outubro de 2010

Tô chegando..só uma despedida..só uma ida..

Hoje embarco para o Brasil..chego em São Paulo e vou direto para Salvador..
Nem sei o que estou sentindo...

Me despeço de Houston, cidade que é minha também...É incrível isso, mas devo dizer que não tive nenhuma dificuldade para amar Houston.. É uma cidade limpa, as coisas funcionam...as pessoas são educadas, o trânsito é maravilhoso (inadjetivável de tão bom!) ..fiz amigos muito legais...Minha casa é uma delícia, é acolhedora, parece comigo...Aqui conheci o despertar da primavera, árvores secas renascendo..flores coloridas por todas as ruas..e agora começo a ver o outono chegando... Definitivamente, adoro Houston.

Quero deixar um grande beijo para todos os amigos daqui..para o grupo de respiração...me aguardem..já já tô de volta!

Vou pra Salvador..aquele caos maravilhoso..pessoas que amo..e onde cada esquina tenho uma história pra contar. Amo Salvador..amo o cheiro..a comida, as pessoas..amo o jeito baiano de ser...amo o Espaço Mahatma Gandhi, amo meu trabalho...lá estão minhas irmãs, meu sobrinhos, meus pais...gato, cachorro...lá está minha história...

Sou uma pessoa privilegiada...amo meus lugares...realmente amo..e não é um amor cego. Sei exatamente o que eu detesto em Salvador..posso fazer uma lista imensa...e em Houston também...mas amar não é isso? Amo apesar dos defeitos..

Bom..tem uma parte especial nessa viagem...vou ver meu filho Caio...estou morrendo de saudades dele..ele foi embora de Houston em junho...voltou pra Salvador...ele atualmente é a parte de Salvador que mais amo..

Enfim..tô indo hoje e pretendo trabalhar muito, estou animada para as palestras e aulas...(vejam minha agenda de trabalho  no blog do Espaço  http://espacomahatmagandhi.blogspot.com ) ..

Venham me ver..quero ver vocês..e se algum amigo virtual resolver aparecer lá, por favor..se paresente..adorarei conhecer ao vivo, quem eu só conheço por meio virtual..

Um dia aqui..outro lá...depois aqui outra vez...assim é a vida...nos levando para onde precisamos ir...

A sensação é que tudo é muito impermanente..que a nossa realidade muito o temo todo..e que amanhã estarei em Salvador..embora nesse momento esteja aqui no sofá da minha sala em Houston... que seja assim. Um dia de cada vez e que o meu espírito consiga acompanhar meu corpo..pra que eu possa estar inteira em cada momento..Esse é o meu pedido agora!

Namastê

Ludmila Rohr

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Malibu....Salvador...amores...

Estive na Califórnia esses dias.. Especificamente em Malibu.....Fiquei diante do Pacífico pela primeira vez. Adoro o mar...não gosto de praia..Adoro o mar!

Sentir o cheiro do mar nas vésperas da minha viagem para Salvador, alimentou minha alma..

Esse é o cheiro da minha infância..cresci na Barra...no Porto da Barra...esse é o perfume da minha adolescência...pois a Barra, era o "point" da paquera nessa minha idade... 
O cheiro do mar lembra todas as fases da minha vida...Meus filhos cresceram em frente ao mar de Salvador... Lembro do primeiro banho de mar de Caio...e de Lucas... Lembro com saudade dos castelos de areia que Judson fazia para eles...

Moro em frente a praia (em Salvador)...vejo o mar todos os dias, indo e vindo do trabalho.
Cresci amando ver o mar..cresci amando ver o pôr-do-Sol na Barra...amo ver a Lua nascendo sobre o mar de Itapuã quando voltava para casa...

Malibu é linda...tem o Oceano pacífico na sua frente..as pessoas vivem em função dessa beleza imensa. Lá senti minha alma sendo invadida pelo mar..pelo céu azul...Fui invadida sem nenhuma reverência. Aquela natureza simplesmente me arrebatou..me tomou...Ali, eu não precisava de mais nada...ficaria assim, ...vendo o mar...e lembrando de tantas coisas que vivi tendo o mar como testemunha.

Estou chegando em Salvador. Vou trabalhar..vou ver amigos...vou abraçar pessoas...vou ver meu filho (não aguento mais de saudades), minha família...Vou conhecer pessoas novas.. Vou ver o mar de Salvador...

Estou chegando em Salvador...mas sei que uma parte minha já pertence aos EUA..a Houston...agora sou assim...sou de muitos lugares..sou de muitas pessoas...meu coração expandido pertence a muita gente...pois as deixei entrar, sem reservas...simplesmente, deixei Houston entrar em mim...deixei os amigos novos entrarem no meu coração...não coloquei porteiro, não coloquei defesas ou reservas...Dei licença e as pessoas foram entrando..os lugares foram entrando......deixei todo mundo entrar...comumente faço isso..vou deixando o coração aberto e as pessoas e os lugares vão entrando..

...por isso, meu coração vai crescendo..expandindo e cabendo cada vez mais pessoas e lugares... Pertenço também a Houston agora, Malibu também ganhou um lugar em mim, assim como os lugares que já fui e amei.. Assim como a Índia e o Nepal..Veneza..Paris..NY...Itacaré...Capão....não conseguiria fazer uma lista dos lugares a qual eu já pertenço...

Bom...em Salvador, estarei muito tempo no Espaço Mahatma Gandhi.., uma das minhas casas mais queridas..Estarei lá...fácil de ser achada...apareçam..venham me ver...amarei conhecer voces...Amarei sentir meu coração sendo expandido ainda mais, para caber mais gente que amarei...e que se juntarão aos que já amo!

Ludmila Rohr

P.S. Programação de trabalho em Salvador no http://espacomahatmagandhi.blogspot.com

domingo, 19 de setembro de 2010

Eu de novo em Salvador!!!

  Estou mais uma vez indo para o Brasil...A última vez que estive na minha cidade foi em abril desse ano.
Estava com muita saudade de trabalhar...saudade do Espaço Mahatma Gandhi..Saudade dos clientes, dos alunos, dos meus amigos...saudade de tudo....família, irmãs...cachorro, gato...

Agora tô pior ainda..(ou melhor ainda!). Estou com muito mais saudade e com muito mais vontade de trabalhar, de abraçar meus amigos queridos, de rever pessoas importantes...e de ver meu filho que agora está morando aí, longe de mim...ou melhor, eu que estou longe dele...

O incrível é que gosto muito da minha vida aqui. Gosto muito dos trabalhos que tenho desenvolvido, e se alguém me perguntar se quero voltar para casa agora, minha resposta será, não. Ainda não. Não está na hora...tenho muito o que aprender ainda com essa experiência.

Parece que daqui de longe da minha casa, e tendo construído uma casa nova, uma rotina nova...novas relações de amizade e de trabalho...posso me perceber com horizontes ampliados...tenho uma sensação boa que todo capricorniano ama, de que posso muito mais....de que posso ser uma pessoa e um profissional melhor do que já tenho sido....

...e nessa energia de grande excitação, porém uma excitação enraizada, tenho me sentido bem confiante para fazer algumas coisas que venho procrastinando...uma delas é concluir o meu livro. Parir o meu livro. Compartilhar com aqueles que queiram fazer parte dessa história...

Uma coisa que aconteceu e que mexeu muito comigo, e não contei para vocês aqui nesse espaço, apenas no twitter, foi que o meu amigo Marcos Pontes, o astronauta, acabou de escrever um livro e me pediu para ajudá-lo na revisão...claro que aceitei esse convite honrada, e fiz a revisão (uma psicologizada) com grande alegria. O que não me deu muito trabalho, o livro dele será um sucesso. Contudo.... fazer isso me colocou de frente com o "meu" livro que está pronto e que precisa apenas que eu decida que ele está pronto...e me coloque diante das dificuldades que todo escritor tem, conseguir publicá-lo.

Estou chegando em Salvador e darei uma série de palestras..e contarei o que tenho feito...sobre os mergulhos que meu espírito tem sido conduzido a dar, por conta desse momento.

Contarei sobre meu novo site em inglês e destinado as mulheres americanas, sobre Sexualidade Feminina.  Descobri vivendo aqui, que como mulher, psicóloga e brasileira, como uma pessoa com uma história de uma intensa corporalidade, que tinha muito a dizer para as mulheres daqui. Estou excitada com esse novo projeto.

Enfim...decidimos, eu e Tatiana, (irmã e atual diretora do Mahatma) criar um blog para o Espaço Mahatma Gandhi. Lá vocês poderão acessar informações da nossa agenda e eventos. Poderão saber de tudo que acontece, aconteceu e acontecerá durante a minha estadia em Salvador e depois dela...

Estou feliz com as coisas...não tenho tido muito tempo...mas, quero chegar e compartilhar com vocês essa Ludmila que tem aprendido e vivido coisas novas...e que tem amado cada vez mais estar nessa VIDA!

Minha agenda de consultório, palestras e grupos de mulheres (Círculo das Deusas), pode ser encontrada no Espaço Mahatma Gandhi (71) 3248-7533 e no blog do Espaço que é:

 http://espacomahatmagandhi.blogspot.com

...entrem lá e nos sigam de perto!!!

Namastê

Ludmila Rohr

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

um tipo de luto...Gu foi pra outro lugar....

Amigos queridos...e seguidores desse blog.

Essa semana não consigo escrever...porque se fosse escrever, teria que ser pra falar sobre a Vida e a "morte" do meu amigo Gustavo. Ainda não consigo falar sobre isso sem chorar. Se eu fosse escrever um post de verdade, teria que abrir meu coração e falar sobre o quanto ele foi importante pra mim enquanto lutava ao lado do meu marido contra essa doença maluca. Embora tenha falado sobre isso em muitos posts anteriores, agora que Gu se foi, acho que seria tão difícil pra mim...

Gu, voces conhecem, pois falei sobre a luta dele contra o câncer no post "Respeito é Bom e é Curador" , por favor, releiam, é importante que a luta dele seja conhecida. Muitos passam por situações semelhantes no nosso Brasil! http://mulheremcrescimento.blogspot.com/2010/02/respeito-e-bom-e-e-curador.html 

Gu, nos deixou, nesse plano. Quero muito ter certeza que agora ele olha por mim de um lugar especial..sem dores...sem sofrimento.. Quero tanto, que acabo sentindo presença dele ao meu lado..e acho que ele está mesmo...Sentíamos muito amor um pelo outro.

A morte devido ao câncer, de uma garoto lindo, bom e inteligente, Mestrando em Ciências da Computação deve ficar registrada nos nossos corações. Devia ser uma notícia importante para o Brasil...Devia estar no JN, ou similar, mas não é assim...muitas pessoas morrer  por causa dessa doença louca, e uma grande parte, por causa de atendimentos precários e diagnósticos e tratamentos mal feitos...Coisas do Brasil...

Gu, sempre foi pra mim muito querido e especial...entrou no meu coração e me chamava de sua mãe baiana...(começo a chorar agora)..
Ele teve um luta muito corajosa..e sua mãe a linda Waleska foi uma guerreira ao seu lado.
Ainda estou de luto por essa perda.., mas sinto tanto a presença dele..que parece que a qualquer momento uma janelinha do msn vai abrir e ele vai escrever "Buuuuuuuuuuuuuuuuuuu", como ele sempre fazia! Por que sempre que eu o via entrar no msn, eu escrevia : Guuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu...

Vá em paz querido..e tenha a certeza de que voce nunca será esquecido!

Esse texto não tem pretensão de ser um post, mas é um comunicado.
Queria pedir que voces lêssem também o post : "Quando todos puderem beber água da torneira". Esse post fala da nossa luta contra o câncer, no Brasil!
Segue o link'


Beijos...Guuuuuuuuuuuuuuuuuuu, descanse em Paz.
Waleska...sei que agora, voce sobreviverá um dia de cada vez, mas saiba que amamos muito seu filho!

Ludmila Rohr

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

SOBRE INVEJA

As pessoas costumam dizer que a inveja é um sentimento feio. Pra complicar ainda mais, ainda dizem que é feio sentir inveja.

Bom...a inveja é um sentimento como outro qualquer, e por isso mesmo, humano. Não existe inveja em outros reinos, que não o humano. 

Funciona dizer para alguém algo tipo, não ame essa pessoa, ou, não sinta raiva quando lhe fizerem isso; ou pra que ficar triste com aquilo? Os sentimentos surgem na nossa alma, e eles por si só não se constituem um problema. O problema dos sentimentos, não é o sentimento em sim, e sim o que fazemos com ele, ou pior ainda, quando não temos consciência dele, porque eles começam a nos levar a fazer coisas que nem percebemos.

A inveja é o sentimento mais negado de todos. É mais fácil assumir ódio, do que inveja. Assumir inveja é como assumir que não é boa o bastante, ou que existe alguém com algo que não tenho, ou que queria ter. É difícil porque é como assumir a falta. O invejoso é um faltante que não suporta saber disso. Tão narcísico que não suporta não ser pleno.

É bom deixar claro que todos nós somos faltantes, as coisas não são perfeitas e quase nunca temos tudo que queremos e quando queremos, mas isso não significa que todos nós sentiremos inveja de quem as tem, quando nós não a temos. 

Bom...pense, que vc quer muito algo e luta por aquilo, e aparece alguém na sua frente, que conseguiu aquilo que vc tanto quer. O que voce sente?

Algumas reações são muito comuns: Ficar feliz porque o outro conseguiu. Ficar triste porque voce não conseguiu. Ficar com raiva porque esse alguém conseguiu. Desmerecer o que o outro conseguiu, o que é o mesmo que criticar a forma como ele conseguiu, ou desqualificar o objeto de desejo...ele já não é tão bonito ou bom assim, ou pior ainda, dizer que a outra pessoa nem ficou bem com aquilo, ou que ela nem merece. No fundo, no fundo, exceto as duas primeiras reações..as outras são inveja pura.

O invejoso precisa desqualificar, destruir o objeto de desejo que o outro conseguiu e ele não. Por que não suporta reconhecer o valor do outro, pois pra ele isso, levaria imediatamente a se dar conta da sua falta. O invejoso fica preso nessa armadilha do próprio ego. Por desqualificar o outro, ele não pode assumir que também desejava aquilo e não fica livre para buscar o que deseja....ou melhor dizendo: Não fica livre para DESEJAR! Não é livre para dizer: Que bom que voce conseguiu, isso mostra que eu também posso!

Nesses anos de consultório tenho me dado conta de que o momento de se confrontar com a inveja, é algo que parece um 'Turn Point" na terapia. A pessoa sofre e resiste muito para admitir, mas quando consegue, dá uma virada incrível. Quando consegue admitir a inveja, se sente livre para desejar..e percebe que a inveja na maioria das vezes é um desejo negado. É uma falta que não pode ser espelhada pelo outro. Muitos abandonam a terapia antes disso, e dizem que o terapeuta não era muito bom.

Nem me lembro a última vez que senti inveja (ou pelo menos uma importante)...não que não as tenha, mas tenho tentado estar tão consciente dos meus desejos e me permitindo-os que acho que não existe muito espaço para elas. Nesse momento morro de inveja de quem perde peso facilmente, ou de quem faz uma viagem muito legal...ou (esse que é o mais difícil de confessar para o mundo) de quem não tem celulite.

As pessoas as vezes me advertem dizendo que eu me exponho demais, que eu falo sobre meu marido e filhos demais, que eu falo muito sobre as coisas boas que acontecem comigo. Dizem que eu posso atrair inveja. 

Bom....minha teoria é de que inveja faz muito mal pra quem a sente (minhas amigas que não tem celulite podem ficar tranqüilas, minha inveja não as fará aparecerem de repente nas suas pernas e bundas). Brincadeiras a parte...realmente não perco nenhum minuto da minha vida, nem gasto um segundo sequer me preocupando se alguém sente inveja de algo que tenho ou que eu seja. Quem me conhece, sabe bem disso. Sempre acho que isso nunca me atingirá de fato, a não ser que eu entre na mesma vibração, e daí, isso já seria minha responsabilidade.

Os invejosos por desqualificarem todos a sua volta, pensam que só eles estão andando e não percebem que na verdade, ele está ficando pra trás...os outros estão seguindo suas vidas..e eles ficando para trás..

Como acredito na perfeição da vida, como acredito em Karma e Dharma, acredito que só temos o que merecemos. Nunca me queixei da vida quando meu marido teve câncer. Nunca me queixei, nem achei injusto quando ele descobriu uma metástase, me aborrecia quando alguém dizia algo tipo: mas ele é tão legal...voces não merecem isso... Bom, merecemos sim, e merecemos tudo de bom que nos acontecem também! Tenho a crença tranqüila e firme na justiça perfeição da vida, mesmo que eu não entenda e nem consiga explicar, mas pra mim, é justo. Por isso, mesmo que detesto injustiças. Luto para que as verdades sempre venham à tona, e que seja sempre a última palavra.

Vocês podem estar se perguntando porque o tema do post de hoje é INVEJA. Nem sei responder pra vocês. Acho que as pessoas invejosas sofrem tanto...tenho pra mim, que a inveja é o pior sentimentos em termos de desconforto, ele causa um mal estar tão grande. Negá-la dá um trabalho tão imenso, é como fugir da própria sombra. Os invejosos sofrem muito. A partir do dia que um cliente conseguia falar sobre inveja, eu podia ver a transformação na sua vida...eles simplesmente ficavam mais felizes, podiam assumir os desejos sem culpa e podiam ficar felizes coma  felicidade do outro. A felicidade do outro não lhes pareciam mais um soco no estômago. Descobriam que era bom ver o ouro feliz, e que eles podiam ser também. Eles podiam rir de si mesmos também.

O invejoso por não assumir que sente inveja, atua com o sentimento. Isso sim é moralmente complicado. Sentir não é o problema, mas o que voce faz com o que sente, isso sim pode ser um problema. O invejoso, muitas vezes sabota e faz mal a alguém, e nem se dá conta de que está sendo movido pela inveja, já que nem pode reconhecer esse sentimento. Isso sim é muito complicado.

Bom...não moralizo nenhum sentimento. Não acho que um seja moralmente aceito e outro não. Somos humanos e na nossa alma cabem todas as vibrações. Não moralizar a inveja e apenas entendê-la como um sentimento que precisa ser conscientizado e trabalhado como outro qualquer, nos livraria de muito medo e dor... Não posso pensar em julgar alguém que assume a inveja, devo sim, parabenizá-la. Quem sabe esse é o "Turn Point" da sua vida???

Ludmila Rohr