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terça-feira, 2 de junho de 2015

ELA SEGUIU O DESEJO



Hoje quero usar o espaço do meu blog para homenagear uma amiga que faz aniversário. Primeiro preciso dizer que apesar de termos uma imensa conexão e carinho uma pela outra, nunca a encontrei pessoalmente.

Nós duas vivíamos momentos de muita dor quando nos conhecemos em um grupo virtual de pessoas que tinham parentes com câncer. Nosso encontro foi inundado em dor e  em esperança. Era um grupo  em que nossas dores, medos, inseguranças eram acolhidos e entendidos por pessoas que passavam ou já haviam passado por situação semelhante.

Fiz amigos queridos nessa época. Nós nos chamávamos de "amigas de infância", embora nunca tenhamos nos encontrado. Eu morava na Bahia, ela no RJ.  Chamávamos o câncer de "meleca de doença", e ríamos em meio a dor das perdas, e em meio as lágrimas da esperança. Ficamos amigas....amigas de infância.

Certa vez fui ao Rio para um congresso de psicologia, e ela tentou me achar no aeroporto, nos desencontramos em meio a engarrafamentos, e celulares descarregados. Não era pra ser.

Sempre a imaginei como alguém de extrema maturidade e responsabilidade. Ela é filha única e perdeu os pais para a "meleca da doença". É uma pessoa que cuidava de si mesma, e assumia suas responsabilidades sozinha, assim como as consequências das suas ações. Ela sempre alto-astral, não reclamava de nada, a não ser do latido do cachorro do vizinho que a acordava cedo nos fins de semana. Cris se bancava e era dona da vida e " do nariz" dela.

Um dia ela me disse que precisava conversar comigo, queria tomar algumas decisões, e eu não imaginava do que se tratava, mas ela adiantou que estava num dilema entre seguir o sonhos que seus pais haviam tido para a vida dela, ou seguir seus sonhos e desejos. Ela queria ouvir minha opinião.

Não entrarei em detalhes sobre seus projetos ou sobre as mudanças que ela pretendia naquela época, mas posso dizer que ela as fez!! Ela mudou! Ela foi atrás do seu desejo, da vida que ela sonhava, dos desejos que ela tinha pra si mesma. Ela fez o que a maioria das pessoas passam a vida desejando fazer. Ela fez aquilo que os outros podem achar que foi loucura, ela trouxe os desejos para o nível real e os vive agora.

Nada na vida é de graça, e não sabemos quanto tempo teremos para viver essa vida, mas o fato é que minha querida amiga de infância seguiu seu coração e arca com todas as dores e delicias de ser quem ela é.
Mas não é pra isso que estamos aqui?

Parabéns minha amiga!
Parabéns por você se responsabilizar por si mesma e seguir seu coração!
Feliz aniversário! 
da sua amiga de infância que nunca te viu, mas que sempre te amou. 


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A BELEZA DO CORPO HUMANO



Adoro a estética do corpo humano. 

Adoro assistir provas esportivas, independente do esporte, para poder admirar a beleza dos corpos dos atletas. Adoro os corpos dos atletas e dos dançarinos. Simplesmente adoro. Posso passar o dia admirando pessoas exercitando seus corpos. Imagens em "slow motion" são as minhas preferidas.  Adoro descobrir o que é possível fazer com o nosso corpo. Penso que se alguém pode fazer algo com o corpo, em tese, todos nós poderíamos fazer o mesmo. Gosto principalmente dos atletas da natação e atletismo. Em dias de provas olímpicas praticamente não consigo sair da frente da TV. Adoro ver os músculos, a força, a graciosidade, o alongamento, a elasticidade, a capacidade e a plasticidade do corpo humano.

Me encanto com os corpos dos dançarinos. Adoro vê-los ensaiando e treinando exaustivamente seus movimentos. Adoro ver a execução das coreografias. Recentemente pude ver, nos EUA, um espetáculo da incrível coreógrafa brasileira Deborah Colker. Ela é o máximo. Seu grupo é estupendo. Suas coreografias nos proporcionam um show absurdo sobre o nosso poder corporal. Fantástico. Já tive também a chance de ver alguns espetáculos do Cirque Du Soleil. Nem preciso dizer que simplesmente adoro. Adoro a beleza do corpo humano. 


Um tempo atrás escrevi um post chamado  "Um bom lugar de morar" , em que falo sobre como adoro morar no meu corpo. Como adoro as sensações de prazer que ele me proporciona, e sobre como o yoga entrou na minha vida favorecendo a construção de uma relação muito saudável e consciente entre meu corpo e minha mente. Brinco muitas vezes sobre perder peso, digo que estou acima do peso (o que é uma verdade), mas na verdade, no meu íntimo isso não é um grande problema, pois mesmo bem acima do meu peso "normal", continuo com uma sensação muito boa de morar no meu corpo.




Tenho um problema em entender pessoas que abandonam seus corpos. Pessoas que não possuem uma atividade física. Pessoas gordas ou magras que se descuidam de seus corpos e se entregam ao "ferrugem" que provoca doenças e dores. Definitivamente acho uma pena isso. Acho um desperdício de algo incrível e sagrado. Acho uma pena pessoas esquecerem que precisam cuidar de seus corpos ou que não percebem a importância disso, ou mesmo aquelas que nunca sentiram o prazer de morar em seus corpos. Adoro a visão que o Yoga traz do corpo. O corpo sagrado, o templo sagrado que precisa ser bem cuidado e reverenciado como um veículo da nossa alma.


Estou falando sobre isso porque essa semana me envolvi em uma polêmica quando expus minha opinião sobre o corpo (horrendo, ao meu ver) de uma Rainha de Bateria do carnaval do RJ, chamada Gracyanne. Ela é o oposto de tudo que gosto na estética corporal. Apesar de adorar os músculos e a força dos atletas, ela consegue me causar um extremo desconforto. Para mim, ela conseguiu destruir o próprio corpo. Ela nem parece mais uma mulher. Ela é feia, bizarra e beira ao grotesco. Não consigo ver nenhuma beleza no corpo que ela construiu, nem consigo ver sinal de saúde. Não poderia fazer elogios ao corpo dela, porque o acho feio. Assim como acho feio toda a desproporcionalidade dos corpos das "mulheres frutas" que estão se proliferando no Brasil. Peitos imensos, bundas desproporcionais, coxas masculinas ... um festival de bizarrices ao meu ver. 

Gosto de músculos, mas gosto deles em um tamanho normal. Gosto de músculos que me lembram saúde, vitalidade, força. Não gosto da estética dos fisioculturistas. Não acho homens fortões sexy, muito pelo contrário, acho que eles ficam bregas, feios e desconfortáveis vestidos com tantos músculos. Penso que gosto de corpos harmônicos, sensuais e leves. Gosto de corpos vitalizados e não de muralhas duras.

Desculpem todos que apreciam essa estética que a Sra Gracyanne exibe, mas eu simplesmente acho o fim. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

BELEZA, MEDITAÇÃO E PRAZER


Já contei dois posts atrás que estou fazendo aulas de Hanji. 
Essa é uma linda arte coreana com papéis. 
Contei que estou apaixonada, mas não contei o quanto estou apaixonada e que dessa paixão já nasceu meu primeiro filho. Vocês o conhecerão agora!  

O primeiro passo foi escolher o projeto. Defini cheia de ansiedade que queria fazer um pequeno móvel com gavetinhas para guardar coisinhas pequenas, tipo anéis, colares..etc...

Cheia de paixão por esse projeto me comprometi com aulas no estúdio da professora. Essas aulas, são quase que privadas e posso passar o dia inteiro no estúdio trabalhando com a supervisão dela.  Assim aconteceu. Dois dias inteiros de 10 as 19h .., colando, retocando, pincelando..respirando...



O incrível para mim foi perceber passo a passo as coisas acontecendo... de um amontoado de papelão, uma forma começando a surgir. 

Cada momento foi vivido com concentração e prazer. Me pegava feliz ... uma felicidade ingênua e despretenciosa. Respirando e com vontade de rir.

De vez em quando suspirava profundo e ria .... assim, ... do nada.




A carinha do filho começa a aparecer... o projeto começa a se estruturar... apaixonada e rindo começo a ver as folhas de papel ganharem a forma que planejei... 

A minha alegria, mesclada com muita excitação me toma por completo... 

Começo a ver que estou rendida a esse prazer.







Detalhes feitos com cuidado.

Passo a passo que deve ser respeitado.

Não dá para acelerar o tempo ... muito pelo contrário, preciso estar inteira a cada instante, sob pena de fazer algo errado. Erros que acontecem, e que sempre vem acompanhados de um  suspiro grande ... mas nada que não possa consertar.






A primeira gavetinha.... cortando...colando....
Muitas e muitas piceladas de cola....
Dentro e fora feitas com carinho. Cada cantinho bem cortado, bem colado.


A face dela... 
Digam se não é pra se apaixonar mesmo?

Digam se é possível fazer algo assim sem estar concentrada, encantada e apaixonada? 








Minhas quadrigêmeas!

Lindas...idênticas...

4 gavetinhas mágicas!


  

Forrada dentro e fora...

Cada canto, cada quina..

Cada detalhe feito enquanto respiro...

Meditações, reflexões acontecem o tempo todo. 

Acho que estou encontrando dentro de mim uma Deusa diferente ... uma qualidade quase que maternal que confere paciência para cuidar dos detalhes sem pressa. Sem querer apressar nada... só curtindo cada momento. Bem diferente da deusa Athena de quem sou muito íntima. 

Só rindo... sorrindo... colando...



Apresento-vos meu primeiro projeto concluído de Hanji.

Esse é fruto de mais de 17h de trabalho, meditação e respiração. 

O mais encantador foi trazê-lo para casa. Como moro em hotel, fui chegando e apresentando-o para as meninas lindas que trabalham no desk. Eu dizia: I made It!!! Elas encantadas exclamavam: "you made It???? 

Ele ainda está em cima da mesa da sala. Não consegui coloca-lo num lugar funcional...ele ainda não é apenas um móvel de guardar bijouterias, ele ainda é uma arte, um filho especial.

Hoje a senhora que arruma meu apartamento o viu em cima da mesa, ela o tocou , olhando e admirando... deixei que ela o olhasse antes de dizer que eu o havia feito... nem sei por que, mas acho que queria ver o espanto dela... e vi. Ela sorria e falava misturando coreano com inglês... acho que tentou dizer com um sorriso alegre: "Parabéns!!! Ele é lindo!!!" .

Estou de parabéns ... essa qualidade feminina que traz beleza e delicadeza está viva em mim!
Estou feliz. 




sábado, 12 de novembro de 2011

CURVA ORGÁSTICA

Nunca fiquei tanto tempo sem postar aqui. Ontem completou 1 mês do último post. É verdade que tenho andado bastante ocupada. Comecei a organizar várias mudanças. Dia 7 de dezembro mudo para a Coréia do Sul, moraremos por um tempo em Seul, tenho que mandar coisas minhas para lá, mandarei de volta para o Brasil muitas outras coisas, e ainda estou organizando a mudança do meu filho que ficará aqui no Texas morando sozinho. Tudo isso sozinha já que o marido esteve todo esse tempo trabalhando na Coréia.

Entretanto por mais ocupada que eu esteja, sei bem que esse não é o motivo de não ter postado nada no Blog nesse mês. A explicação está na CURVA ORGÁSTICA. Estive nesse último mês vivendo o fim de uma curva imensa. O tamanho da tensão que antecedeu o seu ápice, que é o orgasmo, é proporcional ao tamanho do prazer e do relaxamento posterior......Estive, nesse mês de silêncio aqui do blog, naquele momento em que não há nada a ser feito após o gozo ... apenas relaxar...e reviver a memória dele.

Sob um olhar "bioenergético" o orgasmo físico acontece após a excitação sexual alcançar seu nível de tensão máxima, resultando em uma descarga de energia, que no corpo, sentimos como prazer. Ser capaz de acumular energia e concentrá-la, ou seja, dar conta da excitação, e em seguida ter habilidade de permitir que a descarga aconteça, nos torna pessoas POTENCIALMENTE ORGÁSTICAS. Quanto maior a nossa capacidade de dar conta da excitação, maior será a descarga de energia ... maior será o orgasmo, maior será o prazer experienciado, maior será "Curva Orgástica". Aumentar a nossa potencia orgástica é um trabalho bem interessante no sexo e na vida. 

Nos descobrirmos capaz de suportar (dar conta) uma carga energética cada vez maior, nos levará a experimentar prazeres cada vez maiores também. Descobrir que somos capazes de sonhar e desejar alçar vôos maiores, nos levará a experiências cada vez mais incríveis. Perceber que podemos muito mais do que imaginamos, que podemos sustentar cargas de tensão grandes e da mesma forma experimentar prazeres maiores, é a grande delícia da vida.

O Ciclo orgástico que faço referência no início desse texto e que entendo como o maior motivo para estar ausente do blog por um mês, não é exatamente o orgasmo que imediatamente pensamos, embora seja tão gostoso quanto. Lancei um livro. Esse foi o orgasmo que vivi recentemente pela primeira vez. Esse era um orgasmo inédito. Muita tensão que antecedeu o momento do lançamento....descarga na mesma proporção... prazer na mesma intensidade.

Depois do livro....nada a ser feito...apenas ficar quietinha...respirando...e sentindo....o prazer enorme que ele me proporcionou, que só de lembrar, posso sentir outra vez...

Estou voltando....meio cambaleante ainda .... mas, quem já gozou um dia, sabe exatamente do estado que estou falando.... e de como ficamos assim...meio que em êxtase... na verdade, nada de meio, em inteiro e completo êxtase!!!

Obrigado por me aguardarem aqui...
Na próxima semana falo do livro!

Ludmila Rohr

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sensualidade a flor da pele...

O tema "Sexualidade Feminina" é o meu tema favorito. Estou nesse momento criando um site em Inglês para abordar exclusivamente esse tema. Também, escrevi um livro sobre "Como se tornar uma mulher Sexualmente adulta". Realmente gosto de pensar nesse tema e escrever sobre ele. Penso que muitas mulheres adoecem (somatizando) e vivem de forma extremamente ansiosa por negarem ou reprimirem a própria sexualidade. 

No meu entender a sexualidade é muito mais que genitalidade, ou o ato sexual em si (já escrevi sobre isso em outros posts). A Sexualidade está na vida, está no corpo que pulsa e vibra em harmonia e com confiança. A sexualidade está no amor que sentimos por nós mesmas e pelo prazer que temos em morar nesse corpo.

Posso falar de Sensualidade sob diversos aspectos, mas impossível seria falar de "Sensualidade" sem falar de "Corporalidade". Ser sensual, é sinônimo de estar em contato com as sensações corporais. As pessoas fazem uma confusão importante com isso. Associam "SER Sensual" com alguma imagem corporal específica ou a padrões específicos de beleza, à magreza e as outras condições e requisitos relativos à aparência física, normalmente impostos por revistas de moda.

Dentro desse conceito equivocado, uma mulher sensual teria que ser magra, loura/morena e linda, com peitos e bundas que se destacassem, curvas na medida..etc..Lábios grossos (última moda) e cílios longos em olhares lânguidos. Por mais que saibamos que essas mulheres lindas que vemos em revistas possuem uma boa dose de photoshop e um excesso de produção, ainda continuamos nos cobrando ser como elas. Mulheres normais, continuam se submetendo a dietas de sacrifício, a cirurgias dolorosas na tentativa de que mudarem suas aparências físicas se tornarão mais sensuais e felizes.

Conheci pelo facebook uma miss plus-size do Brasil. Ela se chama Tatiana Gaião. Ela é plus-size, ou seja, é gordinha. Ela tem carnes e curvas, seu manequim está longe dos 36-38 das modelos. Ela perto das esquálidas modelos que desfilam as fashion-weeks da vida, com certeza será julgada como obesa. Entretanto ela se parece com muitas mulheres que conheço. Ela parece com nossas amigas, vizinhas, irmãs. Ela é gordinha. Tatiana foge da "regra" de que pra ser sensual e sexualizada tem que ser magra, ela  É definitivamente SEXY. Ela é linda, auto-confiante e extremamente sensual.

Esse não é um post para falar sobre Tatiana, esse é um post para falar sobre como Tatiana lida com o próprio corpo. Como ela descobriu a sua própria beleza. Como ela se descobriu sexy e sensual, a despeito do seu peso estar acima do que os estilistas dizem que é belo. Ela é linda. E o mais importante, ela se sente linda. Impossível não perceber isso ao ver suas fotos e sua autoconfiança. 

Mas..o que Tatiana tem que as outras mulheres gordinhas abriram mão, ou acham que não tem?
A resposta é simples. Tatiana se aceita. Ela busca a boa sensação de morar no corpo que ela tem. Ela se cuida. Ela é vaidosa e não se compara a ninguém mais. Ela é única, e sabe disso. Ela descobriu que sensualidade tem a ver com sentidos internos. Que sensualidade tem a ver com a sensação que ela tem de si mesma, e não com o que o outro pensa a respeito dela. Ela descobriu que existem vários tipos de beleza, assim como diversas são as formas de prazer e de viver! Tatiana é uma mulher, que resolveu ser feliz. Ela resolveu entender que se ela não se amar, ninguém irá amá-la também. Ela resolveu colocar esse ensinamento comum a todo livro de auto-ajuda, em prática, e foi viver. Ela exala essa energia. 

Nesse momento acho que o leitor deve estar pensando que a conheço bem. Devo esclarecer que não. Nosso único contato tem sido o facebook, a vejo em fotos e trocamos mensagens pequenas. Nem lembro mais como nos tornamos amigas nessa rede social, mas ela me inspira como mulher e como psicóloga e foi extremamente generosa e corajosa de permitir que escrevesse sobre ela e ao ceder suas fotos para ilustrar esse post. Digo corajosa, porque imagino que críticas possam surgir..., mas tenho certeza que muitas mulheres se verão refletidas e Tatiana e se sentirão estimuladas a se aceitarem, a se cuidarem e despertarem seus sentidos e trazerem mais sensualidade para seus corpos e vidas.

Mulheres, não precisamos ser miss plus-size, nem modelos..., mas voces precisam concordar comigo, precisamos ser sensuais!!! Precisamos sentir que o nosso corpo é um bom lugar de se viver!!!!

Obrigada Tati...seja feliz e ..(não volte...)

Ludmila Rohr








sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Os meus Mantras falam de mim! (A energia que me move)

 Hoje uma amiga me disse que eu tinha muita energia. Eu estava falando sobre os planos de trabalho e sobre os programas (shows, teatro) que pretendo fazer esse ano aqui nos EUA. Estava animadamente expondo minha excitação e tesão de viver e de fazer coisas novas!

Esse comentário causou em mim uma certeza e uma estranheza. Vamos lá. Vou refletir enquanto escrevo.

É verdade, tenho muita energia. Sempre acho que devo me envolver em mais coisas, sempre acho que poderia fazer mais coisas, sempre acho que as coisas são da minha conta, que tenho algo a dizer, a contribuir...normalmente não me eximo de dar uma opinião, de dizer o que penso, de me oferecer para fazer ou participar de alguma coisa. Entretanto, isso tem uma condição, não tenho essa energia toda incondicionalmente, preciso estar com tesão pelo que estou fazendo ou me envolvendo, do contrário sou a maior procrastinadora do mundo! 

Por isso mesmo o comentário dela me causa estranheza...Penso que a mesma energia que eu tenho, ela tem e todas as pessoas tem. A "energia" na verdade não é minha ou de alguém, é a própria energia da vida...a diferença é a forma como a movimentamos ou talvez a diferença seja que eu me permita excitar/afetar mais facilmente pelas coisas da vida. É verdade, me sinto aberta, disponível para que as coisas toquem minha alma, mobilizem meus pensamentos...meu coração! Dificilmente algo que aconteça ao meu redor simplesmente acontece, as coisas acontecem mas reverberam na minha alma..sou afetada...sou mobilizada...algo em mim se move quando a vida se move....o tempo inteiro!!! mas...e porque não seria assim com todo mundo?

Refletindo enquanto escrevo, penso que as pessoas se protegem muito da vida, por conta dos seus medos e das suas dores que deixaram cicatrizes, elas se protegem...evitam a vida...ou acham que não teriam nada a fazer, a contribuir, a dizer... Entendo isso como parte de um processo....se eu fui machucada, preciso de um tempo pra cuidar das feridas, mas não posso aceitar isso como uma identidade, como um caráter inflexível, como algo que não pode ser mudado. Por isso sou psicóloga, por isso antes de ser psicóloga sou professora de Yoga, porque acredito na plasticidade da nossa alma, assim como acredito na plasticidade do nosso corpo.

Acredito que as pessoas vão se fechando e endurecendo a alma, assim como fazem com o corpo. Cada dia que passa, a alma fica mais protegida e o corpo mais dolorido. A pessoa passa a acreditar que quanto menos ela se mover, menos dor vai sentir (alma e corpo), ela passa a acreditar que se ficar bem quietinha e imóvel a vida vai caminhar e ela vai sentir menos dores...menos sofrimento... triste ilusão.

A única coisa que realmente acontece é que o espaço vital dessa pessoa vai ficando cada vez menor, e ela vai ter cada vez menos possibilidades de se mover, de se expressar, de viver....e por consequência de mover cada vez menos, menos energia ela terá disponível. Até que ela passa a acreditar que é assim mesmo. A vida é assim. Ela apenas precisa cumprir suas obrigações. 

Triste. Muito mais triste do que qualquer um possa imaginar, porque como psicóloga percebo e sei, que basta o primeiro movimento, basta acreditar e começar a se mover...um movimento puxa o outro. A energia produzida por aquele movimento, alimenta o seguinte...e a pessoa pode entrar num giro interminável de muita energia em movimento! Que é sinônimo de prazer, excitação, alegria, poder..sinônimo da própria vida.

A chave pra tudo isso é o contato com o prazer. Já escrevi muito nesse blog sobre esse tema. Em vários posts falo sobre a minha visão tântrica da vida, sobre o quanto quero a vida inteira, que não quero nunca ser bege, que as coisas são da minha conta, sim! Voces, leitores novos, podem buscar pelos marcadores: felicidade, energia sexual, tântra, ou mesmo Ludmila Rohr (tão egóico isso!), mas...rs.. 

Quem acompanha meu blog desde o início sabe que ele nasceu em um momento de extrema dor. Abri e expus minha alma frágil e sofrida...e por isso mesmo me sentia forte e acompanhada. Senti muita dor, medo e tristeza, mas não lembro de mim infeliz ou sem energia, mesmo nos dias que eu chamava de dias "Não", que eram dias de recolhimento, de ficar quietinha e pequenininha..., mesmo nesses dias eu me sentia inteira e conectada com minha alma e meu corpo, sabia que era um momento, mas não me identificava com eles, vivia esses momentos, mas não me identificava com eles.

Tenho alguns mantras que me acompanham e já falei sobre vários aqui. Um deles é:

"Quanto maiores forem seus segredos, maior será sua prisão."

Outro muito querido é:

"Que tudo que for auspicioso permaneça comigo. O que não for auspicioso conectado comigo e com os meus, seja destruído."

Um bem tântrico, e que me lembra que a vida que existe é o hoje.

"O que existe aqui, existe lá. Se não existe aqui, não existe em lugar algum."


Tenho um mantra novo esse ano e quero compartilhar com todos que me acompanham aqui:

"Estou me afastando de tudo que me atrasa, me segura e me retém. Fui ser feliz, e não volto."
do incrível Caio F. Abreu.

Quem conhece meus mantras, conhece muito de mim e de como movimento minha energia!

Ludmila Rohr 

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Sexualizando....

Quero continuar a refletir sobre desejo.

Quero também deixar claro que quando falo de desejo, não faço nenhuma referencia direta, ao desejo sexual, embora toda energia que move os desejos, sejam energias de natureza sexual, mas não no sentido genital!
Quando pensamos em sexualidade, somos levados imediatamente a pensar em genitalidade, em ato sexual, ou mesmo em desejos sexuais, fantasias...e por aí vai..


Sexualidade é muito mais que isso! A nossa sexualidade ultrapassa os limites das nossas zonas erógenas e alcança todo o nosso corpo; ultrapassa os limites do corpo e avança na nossa alma, na nossa áura, e na nossa mente... a nossa sexualidade é a porta de acesso ao nosso espírito!


Essa energia é tão poderosa que tem o poder de nos conectar com o que existe de mais mundano, mas também com o que existe de mais sagrado! Os indianos chamam de Kundalini...a energia da vida..que nos leva em direção aos desejos e/ou à sabedoria e conhecimento. A tradição indiana milenar, conseguiu, ao contrário da nossa, unir o mundano ao sagrado...o sexo é visto como sagrado. A união de corpos e o orgasmo são visto como um momento que imita a criação do universo, como o momento em que mais estaríamos próximos de Deus.


Conheci na Índia inúmeros templos que são adornados por imagens de atos sexuais explícitos. Muitos Deuses e Deusas são representados com seus genitais expostos, com seios fartos. Conheci templos onde no centro estavam a figura do Linga (pênis), e Ione (vagina). Eles nos colocam em choque com as nossas imagens santas, com seus corpos cobertos e negados.


Digo com muita convicção que precisamos sexualizar a vida. Se queremos uma vida intensa e prazerosa, precisamos buscar as sensações das coisas, sair de um estado de anestesia que normalmente se vive e buscar SENTIR. Entretanto, devemos fazer isso desapegadamente. Precisamos estar abertos e inteiros no contato com nossas sensações e sentimentos, mas precisamos nos desapegar..deixar passar...não tentar retê-los por mais tempo que o necessário.. por que dái vem o sofrimento.


Tenho visto durante esses anos que lido com pessoas, que elas foram aos poucos e por conta da dores da vida, se anestesiando! Tentando fugir das dores, e por acreditarem que podiam selecionar o que não queriam sentir...foram aos poucos ficando cada vez mais distantes de suas almas..Não se pode dizer pra alma que não quer sentir mais dor. Quando se diz isso... a alma entende, que voce não quer mais SENTIR....e aos poucos...voce vai passando a não sentir nada! A alma vai adormecendo..e passa a ter medo de qualquer coisa que ameace essa falsa estabilidade, que mais se parece com a MORTE do que com a VIDA.


Tenho visto também, como a sexualidade e o desejo ficaram reduzidos à genitalidade, e como foram associados apenas aos prazeres momentâneos e carnais (que são deliciosos), mas é como se voce pudesse ter e viver algo muito especial e mágico, e escolhesse ficar apenas com a parte menor que aquilo pode oferecer.


Bom...esse é um assunto vasto e profundo..e não quero ser leviana...vamos andando..vamos caminhando com ele. Participem....escrevam seus pontos de vista, façam seus comentários..indiquem para outras pessoas...vamos movimentar essa energia!


Ludmila Rohr



segunda-feira, 18 de maio de 2009

Seja quente ou seja fria...


Na Bíblia existem muitas passagens que me tocam profundamente pelo seu aspecto simbólico. Estudei muito pouco a Bíblia, li quase nada do que eu acho que deveria. Li muito mais textos Védicos do que a Bíblia.

Hoje estava escrevendo pra esse blog quando recebi uma email de uma amigo muito amado que me lembrou de uma passagem que simplesmente adoro. Em algum momento da minha vida, essa passagem era a minha cara....eu a via como um lema!


é assim...


"Seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito".


Quando conheci essa passagem, ela ganhou um significado que talvez fosse muito pessoal, mas que eu amei...Já escrevi aqui sobre o quanto a passividade e a acomodação não fazem parte da minha vida. Já escrevi também sobre o quanto pra mim é importante fazer a diferença, e que pra isso precisamos encarar os nossos medos, encarar que os nossos maiores inimigos estão dentro de nós mesmos.


Não consigo ser bege, não consigo ser morna...embora ache que existe um enorme conforto nisso. Acho que as pessoas mornas, pensam muito mais em si mesmas do que aquelas que não o são. Elas estão preocupadas com os riscos que correrão, com as consequencias dos seus atos, das suas palavras e dos seus afetos. Elas pensam muito e encontram um lugar de contenção para as emoções, e para os desejos. Elas dificilmente seguem algum tipo de impulso, precisam também freiar arroubos de paixão e desejos. Precisam deixar de ter opinião a respeito das coisas. Não podem destoar e jamais contrariar.


Elas são mornas; não são frias, e muito menos quentes; elas são mornas.


Acho que deve ser muito confortável estar ao lado de alguém morno, porque não existem surpresas, porque elas são esperadas e planejadas, exatamente pra não causarem instabilidades . Não existem muitas turbulências.... acho que a vida fica mais leve.... muitas vezes quis ser morna, ou bege...muitas vezes até tentei isso.... Porém as pessoas mornas também são perigosas, por que elas tentam controlar a temperatura do outro. Acho que elas pensam: Poxa, se eu me controlo e me freio tanto.....quem é voce pra se permitir sentir tanto! Os mornos são controladores de temperatura. Eles freiam as expressões de calor...eles querem tudo bege, não aguentam muita intensidade...


Fiquei um pouco receiosa de publicar aqui no blog o meu poema "Por tras de mim". Ele fala exatamente dessa dualidade, que é quente e fria. As pessoas tendem a pensar que isso é um desequilibrio, que deveriamos encontrar um lugar no meio disso. Que deveriamos com o passar do tempo ir ficando mais bege, mais morna. Não tenho conseguido.


Com o passar dos anos, tenho me conhecido mais e mais, mas não tenho conseguido ficar morna. É bem verdade que não tenho tentado muito. Não tenho me empenhado nisso. Tenho buscado todas as nuances possíveis da minha alma e tenho conseguido não ser pega se surpresa por mim mesma. Sei que minhas emoções não me destruirão, nem me farão perder a consciencia de mim mesma, por mais intensas que sejam, mas elas não me tiram de mim, mas daí a ficar morna....tá difícil... o que consegui foi ter cada vez menos medo de mim.


Quando decidi publicar o poema "Por trás de mim", pensei que talvez algumas pessoas pudessem pensar algo de mim que não correspondesse a realidade, mas em seguida pensei: O que poderiam pensar de mim que não corresponda a realidade?...provavelmente sou, ou seria qualquer coisa que pensassem, me sinto livre pra sentir o sentimento que vier....se vier o medo, vou lá dentro, se vier a raiva..sinto e por isso, posso não atuar nela; se vier o desejo me entrego; se vier a descrença, a esperança, a fé, a alegria...
....qualquer coisa que vier de mim, eu viverei....., pois prefiro errar do que me omitir, eu prefiro sofrer do que não viver, eu prefiro ser quente ou ser fria, mas jamais serei vomitada à terra, por ser morna.
Ludmila
P.s. na foto, gesticulando muito numa aula...sempre repleta de emoções....

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Celebração das Deusas


Acho que já devo ter dito aqui, algo sobre o quanto eu adoro meu trabalho e todas as possibilidades que tenho de realizar mil coisas com ele. Já fui empregada da empresa privada e não aguentei, já fui funcionária pública concursada e também tive que sair senão ía morrer. Como psicoterapeuta e professora de yoga posso fazer tantas coisas diferentes....tenho tantos interesses e descubro sempre que posso produzir coisas com esses interesses se eu usar além do meu conhecimento, minha criatividade. Por isso, não posso ter um emprego, tenho que ser "dona" de mim mesma e ter a liberdade que vem daí.

Ontem encerrei mais um grupo que chamo de "Círculo das Deusas". É um trabalho com um grupo de mulheres, que procuram através da compreensão dos Arquétipos das Deusas Gregas e de como elas estão presentes nas nossas vidas (ou não) nos apropriarmos mais dos nossos poderes femininos.

Voces não tem idéia de como eu amo esse trabalho! Eu realmente amo muito esses encontros! Eu normalmente nem me preparo (tecnicamente) para eles. Eu sinto que apenas preciso abrir meu coração para as mulheres que lá estão e deixar que cada uma delas revele seus poderes. Sinto que a única coisa que faço nesse trabalho é autorizar cada uma delas a ser cada vez mais quem elas são em essência, e liberar seus desejos, saberes e poderes.

Passamos dois meses descobrindo a nossa porção Afrodite e como a nossa sexualidade teve que ser freiada e envolvida em culpas e sentimentos de inadequação; fazendo as pazes com a nossa Hera que não tem pruridos com relação ao poder; encontrando a nossa Ártemis e descobrindo o nosso amor pela natureza e pela liberdade; reconhecendo a Athena que mora em nós e que nascida da cabeça do pai luta contra as injustiças e ama o seu trabalho; acolhendo nossa Demeter que é mãe amorosa e que pode ser mãe de nós mesmas, e finalmente, descobrindo que podemos mergulhar fundo nas nossas dores como Perséfone e resgatar a nossa integração nos recônditos mais profundos da nossa alma.

Ontem encerramos essa jornada de resgate, reverenciando a nós mesmas.... brindando às Marilyns, às Fridas, às Anas Carolinas, às Priscilas, às Elianas, às Dôras, às Julianas, às Ângelas, às Ludmilas e a todas as Marias, brindamos aos batons, esmaltes, strasses, brilhos, livros; celebramos as delicadezas das fábulas, à coragem das guerreiras, ao prazer das cortezãs....rimos regadas a um bom vinho, uvas e claro, que não podia faltar, com chocolates.
Brindamos por cada orgasmo que teremos, por cada amiga que ainda faremos, pelos livros que publicaremos, pelos beijos que daremos, pelos homens que ainda abrirão portas de carro e trocarão nossos pneus e que nos amarão... e terão coragem de dar suporte aos nossos desejos e embarcarem neles... brindamos pelos filhos, pelas mães, irmãs e amigas que temos...brindamos por todas as mulheres das nossas vidas conhecidas ou não, mas que nos compõem....e nos ajudam a ser tudo que podemos ser.

Obrigada minhas lindas amigas, alunas, clientes...obrigada mulheres que me proporcionam uma experiencia como essa, que me dá uma noção muito linda de mim mesma. Acho que já disse que gosto muito de ser mulher, que gosto muito de mim mesma e da minha vida, mas quero mais uma vez agradecer, dizer o quanto sou grata por voces me darem esse prazer de rirmos e chorarmos juntas, de abrirmos a nossa alma uma para a outra e descobrir que podemos confiar. Confiar em nós mesmas, nos nossos desejos, intuições e sentimentos.



Namastê!


Ludmila
P.S. Escultura que mais amei no Museu D'Orsay em Paris

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

contradições?


Viajarei pra SP nessa quinta, meu marido será operado no sábado (24), estamos organizando vibrações e orações em diversos lugares, mas principalmente no Espaço Mahatma Gandhi. Acredito que quando pessoas se reunem e colocam suas mentes e corações voltados para um objetivo, elas conseguem gerar uma força poderosa.

Nesse mesmo final de semana, as bandas de Caio e Lucas (meus filhos) irão tocar. As duas bandas irão tocar num mesmo show! isso é inédito. Os dois desde que montaram bandas, nunca se encontram, moraram fora do Brasil por um ano, cada um no seu tempo, e isso os desencontrava, agora estão juntos, cada um tem sua banda, e pela primeira vez vão tocar as duas bandas no mesmo show! Eles estão muito excitados, muito animados! Eles estavam contando com a nossa presença nesse show, por que diziam que dessa vez seria em um lugar legal, que nós poderíamos ir numa boa!

Meu marido vai ser operado de um câncer e meus filhos se apresentarão com suas bandas. O que isso tem a ver? É exatamente sobre essa contradiçao que quero falar hoje!

A nossa alma é tão incrível que tem a possibilidade de conviver com emoções o"aparentemente" opostas. Podemos sentir alegria e mêdo ao mesmo tempo, podemos estar tristes e sentir prazer o mesmo tempo, podemos sentir dor e tranquilidade ao mesmo tempo.

Fico olhando pros meninos (são homens!), e vendo que eles estão completamente excitados com o show, ensaios toda hora...não falam de outra coisa....mas estão convivendo com algo que é doloroso. O pai vai estar operado em SP enquanto eles estiverem cantando. O pai não estará no show, com a cara de horror de sempre (ele acha o som do Death Metal horrível, bom...eu também!), nós não estaremos aqui...nesse momento que para eles tem grande significado.

Às vêzes a excitação em casa fica excessiva pra mim, às vêzes chega a me irritar por que estou muito recolhida, quieta, mas acho que eles estão certos...acho lindo essa convivencia de todas as faces da vida, que ocorrem ao mesmo tempo, que parecem contraditórias, mas não são. Isso é a própria complementariedade da vida! Isso é a riqueza da nossa alma, que não precisa ficar presa a uma só vibração, pode circular por outras nuances, mesmo em um momento de dor.

Entendo que esse é um momento de muita alegria para eles, e por que não viver isso?! Isso não diminue o amor e a preocupação com o pai, mas por que eles deveria estar contritos e com caras de tristes? Me dou conta de como isso aconteceu várias vêzes na minha vida, de esperarem que eu estivesse com a aparência abatida triste por algo que estivesse vivendo, mas apesar da minha tristeza eu conseguia ver outras coisas na vida, eu conseguia me alegrar por outras coisas e algumas pessoas não entendiam. Mesmo na dor, não consigo me sentir uma "pessoa triste", definitivamente não sou um pessoa triste!

Posso estar muito triste preocupada com o meu marido, mas posso estar alegre com o que acontece com meus filhos, ou posso ficar excitada por que o dia está lindo, ou por que vou beber um vinho gostoso à noite.....posso estar triste e alegre.....entretanto a aparente contradição que mais confunde as pessoas é Coragem/Mêdo. É muito comum achar que esses sentimentos são opostos, mas não são. O oposto da coragem é a covardia e não o mêdo. Então posso tranquilamente estar com mêdo e coragem ao mesmo tempo! Aliás...assim eu levei minha vida....tive muitos mêdos, muitos mesmos, mas me considero alguém com uma coragem imensa...e a minha coragem nunca me deixava paralisar diante dos mêdos, ela me fez e faz com que eu me mova, com que eu saia do lugar e caminhe na direção do que desejo...

Bom...sou corajosa, desejo imensamente que meus filhos sejam e principalmente que meu marido seja nesse momento. Que apesar do mêdo, a coragem prevaleça!

Moro em Salvador e é verão, faz sol....vou pra praia! vou mergulhar na praia do Porto! Vou lavar minha alma....vou sentir um prazer enorme nisso! Vou me alegrar muito em viver numa cidade como essa, de morar em frente a praia....vou sentir muita alegria nesse momento de trsiteza!
Eu mereço!

Ludmila Rohr
P.S. Agradeço a todas as pessoas que estão fazendo comentários...sinto que estou acompanhada...amo muito isso! bjos

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

É VERDADE, QUERO TUDO!

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Hoje quero começar falando sobre uma amiga e, sobre nossa relação, talvez vocês compreendam o porquê disso no final dessa reflexão, talvez eu também venha a compreender. Somos muito diferentes, absolutamente diferentes. Eu não consigo, por exemplo, comprar uma roupa e não usá-la imediatamente, ela guarda coisas para um dia usar, eu comumente saio da loja vestindo ou calçando o que comprei; as coisas que não uso, não tem a menor importancia pra mim, e ela perde (eu acho) muito tempo arrumando coisas que não tem utilidade, por que um dia poderão vir a ter. Eu acho que esse é o momento que existe, ela espera o momento chegar. Bom...mas somos amigas, temos confiança e afeto uma pela outra. Ela questiona a forma que eu vivo, e eu questiono a dela, mas somos amigas e nos apoiamos.

Bom..tenho uma lembrança de uma sensação de quando eu era uma criança. Meu pai ficou orfão de pai quando tinha 5 anos, e viveu a vida achando que poderia morrer cedo e deixar os filhos crianças, o que ele não queria. Como ele achava que poderia morrer a qualquer momento, ele era uma pessoa que vivia intensamente cada momento, como se fosse o último. Ele não tinha dinheiro, mas quando sobrava algum, ele levava os flhos pra tomar sorvete. Ele trabalhava muito e não tinha muito tempo, mas quando sobrava algum tempo, ele fazia o que gostava. Ele não passava muito tempo pensando no amanhã, porque esse era o momento!

 Então eu cresci com uma sensação de que eu não devia desperdiçar tempo da minha vida. Que eu não podia jogar fora nenhuma oportunidade que a vida me desse de experiementar uma coisa nova, conhecer alguém ou viver algo diferente. Desenvolvi desde cedo uma sensação de que é um desperdicio imperdoavel jogar qualquer segundo da vida fora. Bom...preciso esclarecer que adoro ficar sem fazer nada também, adoro ficar com os meus pensamentos, adoro ficar quieta, tenho um ritmo de vida bem tranquilo, o que não suporto é a idéia de ADIAR, de procrastinar, de deixar de fazer algo que pode ser feito hoje, pra amanhã. É sobre isso que estou falando!

O que me assusta é pensar que quis muito algo, quis muito experiementar alguma coisa e não fiz por conta da fantasia de que posso deixar pra amanhã! Tenho um desejo muito grande de no final da minha vida (que nunca sabemos quando será), eu tenha uma boa sensação de ter feito tudo ou quase tudo que desejei, e que posso até não ter conseguido, mas que tentei fazer; quero ter a sensação de que não joguei tempo fora, que reverenciei a vida em cada segundo, de que honrei a energia vital que existe em mim....

Bom...meu pai me ensinou isso (acho que ele nem sabe disso)....a simplificar as coisas e simplesmente viver! Essa minha forma às vêzes me dá a sensação que tenho um ritmo diferente, que tenho uma ânsia pela vida, e uma vez uma amigo me disse: - Poxa Ludmila, Voce quer tudo! e eu respondi: Quero! quero tudo que eu puder! Qual o problema? Nem sempre consigo, é claro, e pra isso tive que aprender a lidar com a frustração, mas de fato isso é uma verdade! Quero tudo, quero muito! e não é de posses que falo, não tenho ansiedades de possuir muitas coisas, mas tenho uma vontade enorme de viver muitas coisas!

Então eu e minha amiga temos uma diferença grande em relação ao tempo. Acho que ela, assim como eu, tem muito desejo de viver; a diferença é que minha vida é agora, e acho que não tenho tempo a perder!

Namastê!

Ludmila Rohr