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sábado, 15 de agosto de 2009

Eu sou V.I.P.?


Saiu uma entrevista comigo em uma revista virtual daqui da Bahia em uma coluna que chama-se "Entrevista VIP".
Dar essa entrevista para Nilza Barude foi muito agradavel. Ela é uma jornalista apaixonada. Na verdade foi mais uma conversa...uma longa conversa...

Nem ía comentar sobre essa entrevista, mas hoje eu estava lendo um site de notícias e li sobre uma lista de VIPs famosos...fiquei curiosa....


Quem me conhece sabe que eu não sou VIP no sentido conhecido dessa sigla. Não sou uma socialite, não frequento lugares badalados, não tenho pais ricos, nunca casei e me separei de um milionário...não coloquei silicone nos seios, não sou uma ex-BBB, nem modelo, nem atriz...bom não saio em colunas sociais, trabalho muito.... definitivamente não sou uma pessoa VIP!


Ser V.I.P. significa ser uma "Very Important Person"..ou, em português: uma "pessoa muito importante"!


Conheço muitas pessoas importantes, e provavelmente eu sou uma pessoa muita importante para algumas pessoas. Acho que devo ser importante para meus alunos. Eles aprenderam a respirar comigo... ensinei pra eles alguma coisas bem legais que com certeza os fazem mais felizes. Devo ser importante para amigos meus. Com certeza sou muito importante para meus filhos, marido, pais, irmãs...


Não tenho problemas com minha auto-estima. Tenho uma noção bem legal de mim mesma. Não tenho nenhum tipo de falsa modestia. Sei do meu valor. Talvez ainda me assuste ao receber um elogio, ou mesmo um agradecimento, mas tenho noção do que faço e do que sou. Não faço as coisas esperando elogios, e nem acho que eles sejam muito importantes, talvez até porque eu não tenha dificuldade alguma de receber olhares de afeto e carinho. Eles me alimentam mais do que elogios.


A coluna VIP do jornal que li hoje falava de alguma atriz que tinha diminuido o tamanho do silicone de 385ml para 260ml. Outra VIP havia dado um "lance" e mostrado a calcinha em uma festa que estava provavelmente amontoada de pessoas VIPs, e uma outra tinha ido a um jantar na casa de alguém com muito dinheiro. Esses eram os VIPs de hoje, desse jornal.


Bom, não preciso dizer que nao sou VIP.


Nilza Barude viu algo de importante em mim e me colocou em sua coluna. Ela viu algo que não tem a ver com dinheiro, posição social, festas e jantares....Não sei se o que tenho de importante, importará para as pessoas tradicionalmente VIPs...mas, quero aqui deixar registrado que estou ao lado de muitas pessoas importantes e elas são muito importantes para mim.


Essa é a lista de VIPs da minha vida:

Meus companheiros da comunidade "Faço quimio e sou feliz",

da comunidade "Parentes de vítimas de câncer",

meus alunos,

meus clientes,

minha família,

meus amigos queridos...


Sem voces eu não seria nada!


Namastê!


Ludmila Rohr


o site que saiu a minha entrevista caso alguém queira ler:

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Uma jornada dura, mas com boas companhias...


Ontem foi sexta-feira de carnaval, e foi um dia bem estranho. Acordamos cedo para tentar chegar na clínica em que a bolsa da quimioterapia seria retirada. A clínica oncológica fica em Ondina e pra quem não conhece Salvador, isso significa que ela está no circuito do carnaval., que aqui em Salvador já começou na quinta-feira. Estávamos com medo de encontrar algum problema de acesso. A clínica havia nos dado um atestado que nos ajudaria a alcançá-la se isso acontecesse. Chegamos às 7h da manhã e por incrível que possa parecer, ainda encontramos pessoas que bebiam e voltavam pra casa naquela hora. As ruas ainda estavam sujas e muitos trios estacionados bem na frente da clínica. Deixamos o carro o mais próximo que conseguimos e fomos o resto a pé. Na clínica, outros pacientes chegavam pra fazer suas aplicações....muito estranho....quimioterapia.... câncer....carnaval.....bom, assim é a vida, né?

Saimos de lá aliviados, porque concluimos a 1ª aplicação da quimio.....voces não podem imaginar a sensação que nos acomete, uma sensação que dispara uma contagem regressiva....menos uma! Sabemos que haviamos colocado o pé na estrada da cura e conseguimos cumprir a 1ª etapa!! Muito boa a sensação. Daí começam as náuseas, vômitos, inapetência e tudo que acompanha colateralmente esse tratamento, mas com uma certeza de que podemos superar tudo que vier.

Descubro que não sei o que fazer com esses efeitos. Me dou conta de que quero conversar com pessoas que já passaram por isso, quero saber o que elas sentiram, o que elas fizeram, como conseguiram superar, o que fizeram com os filhos, com as questões emocionais, com os medos...o que fizeram com suas vidas durante o tratamento. Quero muito conversar com outras pessoas. Mas é carnaval! Onde encontrar pessoas que queiram falar sobre câncer? Não tenho coragem de incomodar ninguém. Lembro da internet! Tudo é possível ser encontrado na internet. Procuro sites de grupos de apoio a pacientes com câncer. Encontro alguns. Começo a me cadastrar e escrever para eles. Um deles me chama mais atenção, é um grupo que se chama Grupo Ezequiel. É um grupo de pessoas voluntárias que pensam o câncer com uma visão integralista, corpo/mente/espírito..., gosto deles, gosto porque são voluntários, fui voluntária por mais de 20 anos, sei o que motiva os voluntários, gosto disso. Escrevo, conto nossa história e envio o email.

Esperava receber alguma resposta depois do carnaval, mas me surpreendo quando 1h depois abro minha caixa de emails e lá está! Uma pessoa responsável pelo grupo, Dr. Décio Elias me respondeu. Não era uma resposta padrão, me falava em cima do que eu havia escrito. Falava dos meus filhos, da família, indicava livros e falava daquilo que é importante termos em mente durante um tratamento desses. Mas falava algo muito muito lindo...ele disse: Seu marido precisa querer a cura, mais do que o ar que respira! Não há espaço para dúvidas, esse é o momento da fé! A fé em si mesmo e a fé em Deus!

Fiquei emocionada....em pleno carnaval, consegui falar com alguém que nem conheço e que me deu tanto. Que incrível o poder da internet! Ontem descobri que quero e preciso falar com pessoas que tiveram ou estão tendo essa experiência...se alguém souber de outro alguém, por favor, pode me indicar, quero pertencer a esse rede daqueles que querem a cura e lutam por ela. O câncer é uma doença da família, é minha também e dos meus filhos e precisamos saber de tudo que venha a nos ajudar nessa jornada!

Namastê!

Ludmila Rohr
P.S. foto tirada na Índia, em algum templo hinduísta ou budista que visitei...velas de oferendas devocionais.