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domingo, 26 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo de VERDADE! *

 Nessa época do ano, são comuns as reflexões sobre o que fazer no ano que inicia, sobre as pendências, o que deixamos de fazer e o que gostaríamos para o ano novo. Em todas as revistas, jornais escritos e falados, esse será um tema de pauta. Sentimos que com a simples mudança do ano, as nossas forças se renovassem e que pudéssemos cumprir promessas e metas que não conseguimos durante o ano que está findando. É comum as pessoas buscarem ajudas nas previsões astrológicas, numerológicas ou com videntes....e é mais comum ainda, nesse período, novas promessas e metas serem feitas (ou refeitas).

De fato quando um ciclo se fecha, a possibilidade de abrirmos o ciclo que se inicia com energias renovadas existe. Podemos fazer rituais de passagem, entregando o Ano Velho, e recebendo o Ano Novo, que normalmente são rituais simples, lindos, motivadores, que trazem ânimo e renovam a esperança e a autoconfiança. Quem não os faz nas tradicionais festas de Reveillon, ou mesmo em suas igrejas, ou até mesmo sozinho? Entretanto, sem querer estragar a festa, é preciso que além do Ano Novo que está chegando, que uma pessoa nova, chegue também. Caso contrário, apenas o ano mudará, mas a pessoa continuará a mesma, e sendo a pessoa a mesma, os padrões de comportamento, os hábitos, a forma de se relacionar com a vida e com as pessoas será a mesma...então nada muda?..temo que não, ou no máximo, algumas coisas mudam por uns dias apenas..os dias que a energia de euforia e animação de Reveillon conseguir sustentar.

Então, se você realmente quer um ano novo, que dure mais que a primeira semana de janeiro, é preciso então olhar-se no espelho com muita honestidade e buscar dentro de si mesma as mudanças que quer para a sua vida. Isso é possível! Acredite, só você pode mudar alguma coisa na sua vida e para isso, as mudanças precisam vir de dentro. As mudanças externas como, um carro, o iPhone novo, corte de cabelo, uma nova cor no cabelo, são mudanças que oferecem uma energia fugaz que alimentam por algum tempo (pouco) para que você possa encarar as reais mudanças que precisa fazer dentro de si. Por que só essas são perenes, só as mudanças internas são de fato reais, e têm o poder de transformar sua vida.

O que fazer então nesse fim de ano e começo de um novo ano? Quero ajudar o leitor desse artigo a refletir sobre como realizar mudanças consistentes nas suas vidas e que correspondam aos seus reais desejos de mudança. Infelizmente não existe um manual para isso, mas existem reflexões possíveis e simples que podem promover uma motivação verdadeira para que as mudanças ocorram. Mas darei aqui algumas dicas que certamente te ajudarão a ter um Ano realmente Novo!

Pra começar, que tal se dar de presente uma autoavaliação amorosa? Experimente aceitar esse convite que estou lhe fazendo de buscar em si mesmo as energias, e os porquês para as mudanças, e os motivos para isso. Quanto aos motivos, cabe uma explicação um pouco mais elaborada. Os motivos legítimos para uma mudança devem ser seus. Não funciona mudar para agradar o outro, ou por que o outro quer isso. Muitas vezes as pessoas vão mudando tanto para agradar ao filho, marido, pai e mãe...que se transformam em algo que nem elas mesmas se reconhecem. Então, só repassando: A motivação perfeita para uma mudança tem que ser VOCE, por você e para você! Estamos entendidos?

Já que a motivação correta está clara, que tal começar por rever comportamentos velhos que você já conhece e que nunca te levaram a lugar algum? Que tal se colocar diante do espelho que citei antes, de forma honesta e tentar além de se olhar, se VER! Que tal abrir o coração de forma corajosa e esvaziá-lo das mágoas, das invejas, dos medos de mudanças verdadeiras? Que tal livrar-se do que já não serve mais para você, mas que ainda as mantém por puro apego e comodismo? Que tal se perguntar de forma corajosa, qual o seu desejo, e em seguida se perguntar o que tem feito em prol dele? Que tal abrir os olhos para o que a vida tem de real, e se disponibilizar para as desilusões?

Como assim se disponibilizar para as desilusões? Calma, quando falo em desilusão, não estou te desejando um ano de infelicidades, muito pelo contrário. Desejar um ano novo repleto de desilusões é o mesmo que desejar ter uma vida de verdade! É o mesmo que desejar uma vida livre das ilusões que nos mantém tão longe da felicidade e dos prazeres verdadeiros. A vida cheia de ilusões é uma vida de “mentirinha”, ou uma vida de “faz-de-conta”. A pessoa faz-de-conta que é feliz, faz-de-conta que está realizada, faz-de-conta que se sente amada e respeitada e assim por diante.

A vida de mentirinha é uma vida que qualquer vento pode desfazer e por isso mesmo, ela é cansativa. Manter as ilusões dá muito trabalho. É preciso um esforço permanente para cuidar que a ilusões não se desmanchem, e o custo disso é altíssimo. Pagamos a manutenção das ilusões, com a nossa espontaneidade, com a nossa naturalidade, abrimos mão de prazeres verdadeiros e possibilidades concretas de sermos felizes e nos transformamos em algo tão distante da nossa natureza, só para que as ilusões e farsas não se desmanchem. Será que vale a pena? Responda sinceramente, tem valido a pena?

Uma vida de Verdade, ao contrario da vida de ilusões, também tem dores e prazeres de verdade, mas nos oferece um chão seguro para caminharmos, nos oferece consistência. No chão seguro da realidade, podemos operar as mudanças que queremos na nossa vida, sentiremos nossos pés pisando em terreno firme, e teremos condição de caminhar com passos seguros, ao contrario das areis movediças da ilusão. Dessa forma podemos desenvolver mais autoconfiança, que é um sentimento interno que fala nos nossos Ouvidos, a partir do nosso coração, e diz: “Você pode! Acredite em você!”.

Depois das desilusões quero te desejar também uma vida que não seja “bege”!
Vamos lá, vamos entender o que é uma vida bege, ou o que é uma pessoa bege, ou que se transformou em alguém bege.
Eu chamo ter uma vida bege, aquelas pessoas que não fazem a menor diferença, elas não contribuem em muita coisa, elas são bege, ou seja, qualquer cor combina com ela, ela se adéqua a qualquer ambiente, como se não tivesse personalidade ou desejos próprios. O bege não tem desejos, quem determina é o vermelho, ou o verde, ou o preto. O bege está ali para compor. Ninguém vai sentir falta, por que ele também não se posiciona.

Não seja bege! No nosso coração, na nossa alma cabem todas as nuances das cores. Temos vários momentos diferentes e com muita variação de cor. Os nossos sentimentos e desejos determinam isso. Podemos vibrar intensamente nossa alma a ponto dela ganhar vibração e cor! Podemos sair dos tons pastel, numa boa, podemos até ter emoções com cores que não combinem muito...mas não devemos passar pela vida sendo bege!! Merecemos uma vida como uma grande tela que comporte nossas emoções, que caibam os nossos pensamentos e opiniões, merecemos uma vida em que a nossa expressão tenha um significado e uma importância. Não seja bege!

A nossa alma pode descongelar, ou sair da anestesia e vibrar! Deixar a vida de verdade entrar nela! Não dá pra viver a vida colocando os sentimentos debaixo do tapete. Voce pode chorar, rir, gozar, amar, ter medo e arriscar. Entretanto, quando abrimos a alma para os sentimentos e para os desejos, nos damos conta de que nem tudo são flores, que existem as frustrações, existem as decepções, existem as dores próprias da vida. Se você está esperando uma vida só de prazeres, comece a rever isso, pois quando abrimos ou descongelamos nossos corações, estaremos nos abrindo para SENTIR, sentir tudo que é pra ser sentido. Sentir as dores e os prazeres de ser quem você é! Isso é estar inteiro e consciente de si mesmo e conectado com os sentimentos.

A terceira e última coisa que quero desejar pra você nesse ano que começa é: RESPIRE! Isso mesmo que você está lendo: Respire! Ao inspirar abra a o peito e deixe o ar entrar com vontade! Ao Expirar deixe o ar velho sair. Faça isso, conscientemente várias vezes ao dia! A sua respiração não vai parar se você não fizer isso. Seu corpo vai continuar respirando. Eu estou falando de respirar porque quer e não apenas porque precisa! Respire profundamente querendo respirar, e descubra o imenso prazer que existe nisso!

As pessoas se assustam quando eu recomendo que respirem. Muitos clientes no consultório se espantam quando eu interrompo uma fala que está automatizada e digo: respire! Respire, e fale isso outra vez! Respire e SINTA isso! Elas reagem: “mas eu estou respirando!”, eu digo: “não, você não está. Seu corpo está respirando, mas você não está”.  Respirar possibilita o sentir!

A respiração é o melhor, e mais eficiente instrumento que temos (e de graça) para nos colocar no único tempo que existe: o presente. Quando respiramos conscientemente, nossa mente que vagueia entre o passado (depressão, melancolia) e o futuro (ansiedades), volta imediatamente para o presente. Respirar querendo respirar traz paz e quietude, nos coloca no tempo em que isso é possível, o AGORA!

O que de melhor posso desejar para as pessoas é que as desilusões se desfaçam, que as cores voltem a brilhar na sua alma, que a vida de verdade apareça, e que cada um deles possa contar com os amigos de verdade, mas que acima de tudo cada um deles possa contar com sua energia interna, com o Deus que habita seu coração, com a força que pulsa nas suas vísceras, com sua mente lúcida, determinada e assertiva...e que RESPIREM! Respirem com o peito aberto para o Ano Novo que está chegando!

Feliz Ano Novo de Verdade!
Ludmila Rohr
* Esse texto foi publicado na edição de dezembro da Revista do Yacht Club da Bahia

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O Nó sem Fim - minha nova Tatuagem!

Essa é minha nova tatuagem: O Nó sem Fim!

Minhas tatuagens tem história, elas tem um motivo e um significado.
Essa é inspirada em um dos 8 Símbolos Auspiciosos do Budismo Tibetano, O Nó da Eternidade, ou o Nó sem Fim como prefiro chamá-lo.
Esse desenho indica a sabedoria e a compaixão ilimitadas.
Indica a continuidade da Vida.
Ele não tem começo, nem fim.
Essa é a minha linda tatuagem, pela qual estou apaixonada agora!

Falarei aqui sobre o que ela significa para mim. Não darei aulas de budismo, porque nem poderia e provavelmente um budista estudioso se arrepiará com minhas meditações, mas elas são as minhas meditações sobre esse símbolo! São minhas e sobre esse momento. Não entendam e nem aceitem esse post, como um ensinamento, por favor!!!

Bom...vamos às minhas meditações...Gosto dessa idéia de que algo que não começa do Zero. Para mim nada começa do zero. O nada, nada pode gerar! Temos sempre uma bagagem atrás que nos alimenta de alguma forma. As lutas que vivemos hoje foram alimentadas, ou iniciadas por gerações antes da nossa. Ou algo que recebemos da vida hoje, foi plantado em algum momento atrás. Gosto de pensar nas muitas gerações de mulheres que vieram antes de mim e que conquistaram tantas coisas que hoje posso fazer, realizar...gosto de pensar nisso e de alimentar uma gratidão por todos que vieram antes de mim.

Gosto de pensar a Vida como uma seqüencia infinita de começos e recomeços. Quando penso assim, entendo que nada do que fazemos fica escondido em algum canto qualquer. Esse símbolo me leva a pensar que teremos que rever tudo em algum momento, ou que reencontraremos com tudo e com todos em algumas dessas curvas da vida. Não há como fugir das nossas pendências. Não existe a menor chance de colocarmos algo debaixo do tapete e fazermos de conta que ele não existe ou nunca existiu.

Esse símbolo me lembra de que não conseguirei fugir das minhas sombras, elas virão atrás de mim em algum momento, ou elas simplesmente aparecerão diante de mim em alguma curva que a vida me levar a fazer. Esse símbolo me alerta de como é mais fácil viver de forma honesta, direta, clara, sem subterfúgios, sem dissimulações, sem tentativas de mostrar aquilo que não sou, pois a vida se encarregará de revelar...

Se toda a VIDA está girando nesse nó sem fim, não há rotas de fuga! Não há como fugir das Verdades. Não há possibilidade de fugir de mim mesma, quanto mais daquilo que preciso aprender! Se eu tento...posso até adiar a experiência, mas não por todo tempo..ela virá, em algum momento a experiência necessária chegará, e me conduzirá ao aprendizado que preciso.

Tenho algum tipo de arbítrio (mínimo) sobre o tempo, mas mesmo assim, é um pequeno poder, não é tão grande quanto eu quero acreditar. Posso arbitrar adiar uma experiência, mas nunca posso arbitrar sobre não ter aquele aprendizado, e nem posso imaginar adiar por todo o tempo que eu quiser...os giros da vida vem e nos colocam de volta ao mesmo lugar. Diante da mesma história. Talvez os personagens tenham mudado, mas os conteúdos não.

Isso não é um castigo. Os Budistas entendem como compaixão, como a suprema misericórdia, pois é a chance de nos revermos, de limparmos o que sujamos, de atualizarmos nossas experiências..de pedirmos desculpas, de reeditar algumas histórias, de fazermos o que fizemos antes, só que agora de uma forma mais decente, mais honesta, mas verdadeira, mais honrada. Isso é compaixão....a chance interminável de nos reconstruirmos. Bom, né?

Nem sempre as pessoas gostam muito dessa idéia. Principalmente quando o aprendizado mobiliza com a vaidade, com a imagem, e por não gostarem gastam uma energia imensa tentando fugir dela...ou tentado convencer a si mesma e ao outro que não tem nada a ver com isso, que aquela experiência não é sua, que ela é uma vítima de outro alguém...perda de tempo. Tudo é justo..e tudo que está no âmbito do seu "Nó", é seu! Só voce poderá viver! O que está no meu "Nó" é meu e só eu poderei viver!!! Sem vítimas, sem algozes!

Esse "Nó" pode ser entendido , pelos inconscientes, como um verdadeiro inferno...pois não há saídas..mas não é ..é justo..é na medida exata..nem mais, nem menos. Mas é um verdadeiro céu, no momentos em que estamos colhendo as frutas de boas sementes...

Transceder..precisaremos transcender! Essa é a forma de libertação...

Sobre isso, falei em um post antigo, motivado por uma outra tatuagem (essa aí) , vão lá ver!

Mas..por enquanto..tô aqui apaixonada pela minha nova tatuagem, e encantada com a vida.  encontrando as boas sementes (méritos) que plantei em algum lugar na minha vida e as sementes não tão boas assim..que também plantei! Tudo justo...tudo meu! Não há nada que colho, bom ou ruim que não tenha sido gerado por mim mesma em alguma curva desse NÓ!

Sem queixas vou colhendo meus frutos!

...e como me sinto feliz e em paz...devo ter plantado coisas boas por aí!

Namastê

Ludmila Rohr


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Mudando para os EUA!


Passei 10 dias em Houston, grande cidade do Texas nos EUA. É pra lá que estou mudando com toda a família em dezembro. Fui encontrar Judson que já está lá. Fui escolher casa, móveis e tudo mais. Nossa vida em breve terá esse novo cenário.


Judson foi transferido para um projeto dentro da própria compania que ele trabalha, que está sendo detalhado em Houston, e lá é seu endereço agora.


Nunca pensei em morar fora do Brasil, ou mesmo em outro lugar que não Salvador. Adoro minha casa, adoro meu trabalho, adoro minha vida. Adoro acordar e dirigir olhando o mar, moro em frente a praia, nunca vou nela, isso é fato, mas adoro ver o mar...sentir seu cheiro.


Olho toda essa mudança por vários prismas. Tento perceber o que deixo aqui...o que perco, e o que encontrarei lá. É preciso fazer um exercício de desapego nesse momento. Tem sido fácil me desapegar de muitas coisas, mas de outras, não.
Tenho sofrido muito em deixar meus clientes e alunos. Isso tem sido o mais difícil pra mim. Ver a expressão de cada um deles que de alguma forma sentem que estão sendo abandonados, isso é duro pra mim. Normalmente choro quando penso nisso. Alguns não conseguem acreditar nisso, outros não conseguem conversar sobre isso. É uma separação que ninguém imaginou, e que tem sido dificil para os dois lados.


Tem os meus pais. Eles são queridos, e acho que sentirão muito a falta dos netos. Eles têm três netos, e dois estarão indo pra longe. Tem os meus funcionários, que são verdadeiros amigos, pessoas que trabalham comigo há muito tempo, e que me são muito fiés. Sentirei muita falta deles.


Amigos queridos ficarão aqui...mas não sou apegada a nenhum deles. Tenho vínculos tão fortes com alguns que sinto que nada mudará com esse afastamento. Tenho uma segurança interna grande, acho que realmente posso me afastar e voltar...e retomar minha vida aqui na hora que eu quiser ou assim for preciso.


Então eu começo a olhar pre frente!...e penso que essa é uma excelente mudança! Experimentaremos enquanto família algo muito legal. Morar em outro país, juntos. Meus filhos já moraram lá por um ano cada um, mas juntos, nós quatro!? Será muito bom! Poder estudar alguma coisa legal. Poder ir a shows, fazer viagens, assistir jogos da NBA (rsss, vi um e amei!), organizar nossas vidas, contar um com o outro...desbravar...enfrentar as dificuldades...sei lá!


Encontrei minha casa americana, ela é linda....é agradável e aconchegante. Moraremos em um lugar muito legal, perto do centro de Houston que é uma cidade grande e rica. Ela tem muitos museus, muitas coisas pra estudar...universidades, e claro muita coisa pra comprar! Acho que teremos uma vida de qualidade material muito boa.


Estamos animados e confiantes de que podemos fazer dessa experiencia algo emocional e espiritualmente rico! Estamos confiantes de que esse tempo fisicamente distantes daqui nos ajudará a crescer como pessoas. Não sabemos ainda como será, e nem poderíamos, mas temos sentido muita excitação com isso.


Farei 46 anos em dezembro, pela númerologia estarei em 2010 entrando em um ano 1, ou seja, estou saindo de um ano 9, fechando um ciclo. Bom momento para mudanças e recomeços. Depois de tudo que vivemos nesses dois últimos anos na luta contra o câncer, acho que essa sensação de recomeço, nos dá uma força enorme para seguir com o que vier a nossa frente!


A vida é surpreendente e definitivamente temos que nos colocar abertos para o que vier.


Sempre peço que a vida seja inteira pra mim, que ela venha e que eu possa estar inteira em cada experiencia!


Assim seja!


Namastê!


Ludmila


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Parabéns meu amor!



Gosto de contar a história de como conheci Judson. Acho linda a nossa história. Acreditem, mas desde pequena eu sonhava com ele.


Não sabia que era ele, mas eu sonhava com o cara que eu amaria e que me amaria muito.


Eu sonhava com a aparencia dele. Nos meus sonhos, o meu amor era um homem magro, usava óculos, era louro de olhos claros...eu via Judson. Eu sabia que o encontraria em algum momento.


Quando meu pai comprou o apartamento, onde ele mora até hoje, eu pensei que seria lá que eu o encontraria. Lembro de olhar a lista com o nome dos proprietários e tentar imaginar em que apartamento ele estaria morando.


Quando nos mudamos, logo no primeiro dia de mudança, lembro que eu e minha irmã arrumávamos nosso quarto e resolvemos descer pra piscina...era final de tarde...quando caminhávamos pra piscina....eu o vi....ele vinha caminhando....eu o reconheci!


Eu disse pra minha irmã: "Vou casar com esse cara!"...ela riu, nós rimos...


Um mês depois nós namorávamos...dois anos depois, nós estávamos casados...


Casamos no dia 14 de dezembro de 1985...eu tinha 21 anos...e nós nos amávamos muito!


Caio nasceu em 88, Lucas em 90...e completávamos nossa família.


Eu sou uma pessoa com muitas certezas...pelo menos era. Não as tenho mais. Muitas certezas se foram, mas o amor de Judson por mim sempre foi uma certeza imensa. Quando descobrimos em 2008 que ele estava com câncer, comecei a viver dentro de uma perspectiva nunca antes pensada...Nunca imaginei minha vida sem Judson. Nunca passou pela minha cabeça que eu não fosse envelhecer ao lado dele. Sempre achei que ele estaria me amando por toda a minha vida!


Ele cantava isso pra mim: Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida...eu vou te amar!
Eu acreditava nisso...mas nunca pensei que ele podia não estar por toda a minha vida.


Sou egoísta. Adoro ser amada por ele. Temos um casamento legal. Temos vidas independentes. Somos muito diferentes, mas nos amamos muito.


Judson é um pai preocupado, um filho atencioso, um genro muito querido.


A luta dele contra o câncer tem sido um grande exemplo...se eu o admirava antes, agora, o admiro infinitamente mais. Ele foi corajoso, ele enfrentou tratamentos dolorosos com tanta dignidade. Ele nunca reclamou de nada. Ele fazia o que devia ser feito. Ele foi focado, determinado...eu só o acompanhava. Ele não se identificou com a doença. Ele tentou ser durante todo o tempo, ele mesmo, e não um paciente de câncer. A descoberta da metástase trouxe medo e mais dores, cirurgia, tratamentos, mais químios...ele continuou forte...mas, ele chorou...O incrível, é que eu sempre reclamava dele nunca chorar. Nos anos todos que estivemos juntos, nunca o vi chorar! Achava isso um problema. Como alguém viver sem chorar? mas.. com a metástase no fígado, ele chorou...nós choramos juntos...abraçadinhos...nos sentimos tão ameaçados nos nossos sonhos...tudo parecia tão assutador...




Há um mês o tratamento acabou...ele fará controle por muito tempo. O fantasma dessa doença ainda nos perseguirá, mas ele não parou...mesmo em tratamento ele não se vitimizou, trabalhava quase normalmente e se transferiu para os EUA. Apostou em novos projetos...acreditou na vida!



Quero falar sobre Judson hoje. É o aniversário dele. Ele faz 50 anos!


Ele está longe de mim agora. Ele está em Houston, no Texas...onde estaremos morando a partir de dezembro. Ele está iniciando um novo período da sua carreira profissional, e está nos esperando lá.


Fico muito triste de não estarmos juntos nesse aniversário que por si só, já é muito especial, 5 décadas!! e ainda mais depois de tudo que passamos...vamos comemorar atrasados...dia 29 estarei chegando lá...vamos escolher juntos nossa nova casa...onde moraremos nesse novo momento das nossas vidas.




Parabéns meu amor!
Feliz aniversário!
Voce sabe que eu te amo muito!


Que voce tenha muitos anos de vida...e, ao meu lado!

Ludmila

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Dançando....mudando...libertando....


Sou capricorniana. Sempre tive muitas metas, e nunca tive medo delas. Metas ambiciosas para alguns, mas não para mim, sempre achei que o que eu de verdade quisesse, eu poderia alcançar.

Fiz isso com muitas coisas que desejei. Não temia as experiencias, não temia o fracasso...nem o sucesso. Por incrível que pareça às vezes até temia o sucesso. Estranho mais é verdade!


Cheguei numa idade que eu amo! Farei 46 anos! Me sinto madura, adulta e cada dia mais livre. Cada dia mais livre de mim mesma! Isso é que é legal! Não tive pais repressores...e nem posso culpar ninguém por nada que eu não tenha feito...se houve algo que deixei pra trás, foi fruto de mim mesma...o freio estava em mim!


Estou para viver uma grande mudança da minha vida! Viverei a partir de dezembro por algum tempo nos EUA. Vamos a família toda! Judson já está lá. Tudo indica que em dezembro estarei também. Penso em estudar, penso em trabalhar...me pego com tantos desejos...Não sinto medo. Sinto uma excitação grande quando penso nessa mudança.


A medida que as pessoas que me conhecem vão sabendo disso, ficam espantadas. Como posso deixar o Espaço Mahatma Gandhi (http://www.mahatmagandhi.com.br/)? Como posso deixar pra trás as coisas que plantei aqui? Clientes, alunos..casa...amigos...?? Não sinto que deixo nada pra trás...mas sinto que a vida faz essas coisas...e nós temos que escutar e sentir esses movimentos..


Depois de ter enfrentado, ao lado do meu marido, um câncer durante esses dois anos, sinto que me liberei de muitas coisas...se já me sentia uma pessoa livre...agora me sinto mais ainda...; se já não tinha muitos medos, agora então...Essa doença, me ajudou a perder algumas ilusões...de segurança e estabilidade...se a impermanência já era um tema pra mim, agora virou uma verdade!!!


Em setembro viajei pra Europa, estava na Alemanha, quando me percebi estava apaixonada pela ordem de lá, tudo funcionava, tudo era tão perfeito...depois de alguns dias, aquela perfeição começou a me incomodar...não é possível pra mim que a vida esteja tão sob controle como eles tentam mostrar, ou até mesmo acreditar!! Procurava o caos naquela ordem e não achava.


Um dia, estava em Köln, cidade linda, em frente a famosa catedral, lugar muito lindo...muitos turistas...todos muito educados, nenhuma bagunça...tudo limpo...tudo em ordem...escuto um som jamaicano. Era um artista de rua, um homem negro, jamaicano, cantando Bob Marley..as pessoas escutavam..colocavam moedinhas..e continuavam a andar...ele tocava e cantava...


Nesse momento, eu vi o caos!

Onde estava a expressão? O que aquelas pessoas sentiam? Não é possível que aquilo não provocasse nenhuma reação. Elas estavam gostando..por que colocavam moedinhas...mas onde estava o corpo delas? porque elas não expressavam nada?


Aquilo me incomodou...eu não queria aquilo pra mim..foi tão simbólico...algo se descortinou diante dos meus olhos...então, comecei a dançar!!! Eu dançava sozinha no meio da rua!!!


Don't worry about the things...cause every little things is gonna be all right! ...e eu dançava!

No woman no cry....e eu dançava....dançava sozinha...no meio da rua!!!


O jamaicano adorou! acho que ele se deu conta da solidão dele naquele momento...

As pessoas na rua reagiam de forma diferente...algumas tiravam fotos....outras olhavam com espanto..e outras nem viam! Eu não estava nem aí...vi isso, depois nas fotos que minha mãe tirava...acho que ela se espantou também! acho que ela desejou fazer aquilo também!

Eu dancei no meio da rua em meio àquela "ordem" toda! Parecia que eu de alguma forma, quebrava aquela ordem aparente...balançava a estrutura...trazia vida àquele lugar!


Uma energia enorme tomou conta de mim! Senti em todo meu corpo a liberdade possível! Entendi no meu corpo porque muitos Deuses indianos são representados dançando!!

Senti que o que me aprisiona, é aquilo que eu quero e deixo que me aprisione...

Nenhum olhar pode me aprisionar.


Ninguém pode aprisionar minha alma, assim como ninguém pode libertá-la!


Ludmila Rohr



sexta-feira, 17 de julho de 2009

Não sejamos sobreviventes!!!!


Digo paras as pessoas quando as ensino a respirar que elas precisam querer respirar! Digo que não é bastante respirar porque precisa, mas que é urgente respirar por que se quer!
O corpo cumpre a obrigação básica de respirar o suficiente para SOBREVIVER. O corpo não quer morrer, então ele sobrevive. Mas a mente pode RESPIRAR para VIVER, e isso faz muita diferença.
Essa é a questão importante. Queremos o mínimo para sobreviver? o que significa apenas que não queremos morrer, ou em algum momento vamos decidir que queremos mais? muito mais. Precisamos querer respirar não preocupados simplesmente com a manutenção da vida, mas sim com a qualidade da vida! Respirar não apenas para não morrer, mas sim, respirar para viver!


Sou professora de yoga, então é claro que sou professora de respiração. A nossa respiração consciente mobiliza o Prana, que é a energia da vida, o "Hálito Vital", o "Sopro Divino"...movemos vida quando respiramos! Então, nossa vida pode ser rasa e curta, se assim for a nossa respiração; e pode ser profunda e longa...se assim respiramos...pode ser vibrante, expandida, ou pesada e tensa..

Bom adoro o tema RESPIRAÇÃO, já apresentei trabalho em congresso de psicologia com esse tema, falo de respiração todos os dias com alunos, clientes...criei meus filhos pedindo para eles repirarem quando sentiam algo....isso em algum momento se voltou contra mim, pois quando eu estava brigando com eles, eles diziam: mamãe, respire!!
Apesar de me sentir em casa com esse tema, hoje na verdade o tema é outro. Quero refletir sobre a diferença entre VIVER e SOBREVIVER.

Fiquei muito incomodada, porque alguem chamou meus companheiros de luta contra o câncer de "sobreviventes"...e parei pra refletir..dei até uma lida na psicologia dos sobreviventes...mas minha experiencia com Respiração Yogue foi quem mais me ajudou nessa reflexão.

Sobreviver é ser levado...nada lhe cabe mais em termos de ação consciente, a pessoa entende que é um sobrevivente, e deve no máximo ser grato por isso. Os sobreviventes não têm desejos, eles não acionam a vida na direção desses desejos...os sobreviventes apenas sobrevivem...cada dia em relação àquilo que os ameaçaram na sua vida.
Se eles sobreviveram a um acidente ou a um câncer...a vida passa a funcionar em torno disso... tudo gira em torno da manutenção da sua sobrevivencia...a vida foi ameaçada, agora é preciso ter muito cuidado, viver como se "pisasse em ovos", sem barulho, sem chamar atenção pra que o monstro não seja despertado outra vez...os sobreviventes vivem assutados...vivem delicadamente mantendo a sobrevida...com medo, tensos...e por isso não podem viver! Os sobreviventes apenas respiram pra manter a vida!

Viver é o oposto disso. Viver envolve riscos, emoções, amores e dores...sonhos, planos, ideais. Pra viver é preciso respirar grande, expandir os limites, expandir a alma, abrir o coração...Viver é intenso...é pisar em todos os ovos e, quebrá-los logo pra não sobrar nenhuma tensão...pra viver é preciso coragem, é preciso saber virar páginas, é preciso encerrar histórias e iniciar novas...é preciso estar aberto para o novo...Esse novo não tem garantias...a vida não nos oferece garantias...então é encarar o novo com todas as possibilidades...


Viver depois de um câncer é preciso!...é preciso sentir que se é um VENCEDOR e não um SOBREVIVENTE! Alguém que vence e pode celebrar a vitória. Alguém que vence e pode partir pra outra. Partir para a vida, que sempre existiu cheias de desafios...sempre foi assim...e continuará sendo...então será preciso encará-los...não há um lugar especial para ex-pacientes de câncer. É preciso abrir mão da ilusão desse lugar especial, que nem existe.

Aqueles que se foram durante essa batalha coletiva, não são perdedores...são vitoriosos também...não é a não-morte que indica um vencedor...vencedor é aquele que vive intensamente e luta sem desistir...eles ajudaram na luta, eles contribuiram na batalha...

Assim como soldados que vêem seus amigos cairem, e querem vencer ainda mais a guerra para honrá-los...precisamos fazer isso! Precisamos honrar aqueles que se foram. Precisamos honrar a Lili, o Ivan, a Suu, o pai da Katy, o Pai da Criss, o pai da Patsy, o pai da Marcela, a neta da Bertilha, o marido da Élida, da Rai..precisamos honrá-los e a única forma eficiente de fazer isso é VIVENDO!!!


Lugar de ex-paciente de câncer é na VIDA! e não na sobrevida!
Vamos respirar grande, vamos respirar vida...abrir o peito e dar espaço para a vida entrar! é de muita vida que temos sede e fome!

Sejamos VIVENTES dessa vida e não sobreviventes!!!!
Namastê

Ludmila Rohr

domingo, 28 de junho de 2009

TRATAMENTO DIGNO


Desde que Judson descobriu que estava com câncer, descobrimos também o quanto estávamos bem assistidos. Ele fez todos os tratamentos que precisou, nunca esperou absolutamente nada pra conseguir uma consulta ou pra ter algum exame liberado. Escolheu onde fazer a radioterapia, porque podíamos fazer onde fosse melhor, com os melhores equipamentos, com as melhores equipes. Ele recebe o que existe de melhor, as drogas mais modernas, os tratamentos..tudo que existe de melhor. Ele sofre todos os medos e dores de um tratamento como esse, mas é tranquilo por que sabe que está recebendo o melhor.

Alguém uma vez, em uma comunidade de câncer, perguntou se o dinheiro vence o câncer, e eu respondi nesse debate que não. Continuo achando que o dinheiro não vence o câncer. Acabamos de ver a Farrah Fawcett morrer depois de uma luta contra o câncer que envolveu muito dinheiro. Ela se tratou com o que existia de melhor....e não conseguiu vencer essa doença horrorosa. O Câncer não tem cura. Muitas pessoas conseguem se livrar dele, por toda a vida e morrem até de outras coisas..mas se o câncer tivesse cura, todos seriam curados.

Bom..mas a questão dessa minha reflexão hoje é sobre dinheiro e câncer. Qual a diferença quando se tem uma assistência decente como a que meu marido vem tendo e a da realidade contrária? Aliás, o que é isso? Apesar de que sempre soube do quanto o nosso Sistema de Saúde Pública é ofensivo e assassino, e o quanto ele mata, pelo descaso com a vida e dignidade das pessoas, mas depois que me aproximei, fiquei estarrecida com o descaso. A realidade de muitos convênios particulares de saúde não é muito diferente.

Ontem ouvi de uma pessoa no chat que participo, contar que quando descobriu o tumor, ele estava com 2cm, os exames e tratamentos demoraram tanto para serem liberados (pelo convenio!) que quando iniciou o tratamento o tumor estava com 8cm! Fiquei horrorizada.

A nossa ministra descobriu o seu tumor bem no início, iniciou o seu bem sucedido tratamento imediatamente. Até aí, tudo bem! Mas ela foi pra TV alertar que os brasileiros que façam seus exames preventivos regularmente, que se cuidem, que o tumor descoberto no inicio é mais fácil ser vencido... bla, bla bla...parece uma piada de mau gosto pra quem luta meses pra conseguir uma consulta!

Senti como se a ministra, nessa fala, desse tapas na cara de todos que estão lutando bravamente, pra conseguir uma tomografia, brigam com convênios que pagaram a vida toda pra conseguirem uma cintilografia...pet scan, nem pensar...juntam dinheiro, para fazer, dividem no cartão em seis vezes...quem pode..., por que uma parte imensa do nosso Brasil, verão seus filhos, pais, amigos, irmãos, mortos sem conseguir um tratamento adequado! O que a ministra recebeu está certo, queremos apenas as mesmas chances.

E quando se está em tratamento, mas sabendo que existem tratamentos mais modernos. Que aquele que voce está sendo submetido é ultrapassado? Vejo as pessoas, perguntando quais drogas estão usando? Quando falei que meu marido usa o Avastim, alguns lamentaram que seus plano não cobriam! Como tratar um filho, um pai, um irmão ou a si mesmo sabendo que existe coisa melhor? E quando os Hospitais entram em greve, e adiam sessões de radio ou quimioterapia?

Farrah Fawcett para quem não lembra foi uma das Panteras na TV nos anos 70-80. Ela morreu no mesmo dia do Michael Jackson e por isso sua morte não teve nenhuma repercussão, mas ela lutou muito. Sofreu muito nessa luta, e expôs a sua luta com muita dignidade e bravura ao mundo quando gravou um documentário sobre o seu tratamento. Essa doença é uma estupidez para todos, para quem tem dinheiro e pra quem não tem, mas certamente ela fica uma luta menos injusta quando sabemos que estamos usando todas as armas disponíveis.

A ministra Dilma pode até pensar que o brasileiro é relaxado e displicente com a saúde, e que ela não foi e por isso ela vencerá a doença. Ela pode até querer acreditar que esse é um mérito dela, e que os brasileiros são preguiçosos e irrsponsáveis com a própra vida. Sem desmerecê-la na sua luta, pois acho que o tratamento do câncer é horrível para todos, mas tentando honrar os pais e filhos que lutam por um exame no SUS ou nos seus convênios, preciso dizer que fiquei muito ofendida.

Farrah Fawcett morreu. Ivan morreu. Lili morreu. O pai da Katy morreu, o marido da Élida, da Rai morreram. Jaqueline resistiu, Silvia resistiu, Fefa resistiu, a Cris também... Day está lutando, Otávio, Carin, Judson, a mãe da Criss, da Gabi e da Dani, o pai da Patsy, Marcelo estão lutando......tantos lutam....uns sucumbirão outros não, mas todos são vencedores nessa luta contra um inimigo que parece imortal.

Farrah Fawcett tentou mostrar ao mundo o quanto essa doença é cruel. O quanto que as pessoas que a encaram já são vencedores e heróis. A luta da pantera, assim como a do meu marido e dos meus amigos é heróica. Não precisamos de ninguém contra nós, nem convênios, nem SUS...o nosso inimigo já é o bastante. Precisamos só saber que estamos entrando nessa luta com as chances possíveis de vencer, e que nada nem ninguém será contra nós. Que seremos respeitados e instrumentalizados para essa guerra. Que nada do que já existe para vencer esse inimigo, nos será sonegado. Só isso.

Quero dizer aos meus amigos que fico muito honrada em participar dessa luta ao lado de vocês. Vocês são merecedores de toda a minha admiração!

Namastê!

Ludmila


terça-feira, 23 de junho de 2009

um dia "Não".... pelo menos até agora....


Judson não pôde fazer a sessão de quimioterapia hoje. Essa deveria ser seu 8º ciclo. Não foi. Os leucócitos estavam abaixo do nível que permite uma quimio. Essa é uma notícia ruim. Dentro das nossas perspectivas, é ruim. Estamos com muita vontade de acabar isso tudo. Então sem nenhum tipo de filosofia, e reflexões a respeito da sabedoria da vida, de que existe um plano para tudo...só com o olhar da minha perspectiva humana e simples...é uma notícia ruim.

Claro que não ficaremos aqui chorando ou lamentando, mas não podemos também fazer de conta que nada aconteceu. Mas o que é pior nessa notícia é que as taxas do exame de sangue estejam baixas... é se dar conta de qua algo acontece no nosso corpo sem que tenhamos nenhuma percepção e controle sobre isso. Ele se sente bem...nenhum mal estar...vai fazer a quimio sem nenhuma sensação de que algo poderia estar errado e no entanto, está.

Segundo as pessoas que estão em tratamento semelhante isso é comum...isso acontece...e não é o acontecido que estou questionando, mas sim a nossa total falta de controle e de conhecimento a respeito do que nos acontece. Sabemos muito pouco sobre nós mesmos...que coisa...!

Assim que começo a eleborar essa notícia, me deparo com outra bem pior... IVAN morreu. Assim como muitos dos amigos que fiz nesse ano, ele mais um que eu só conhecia pela internet. A prima dele me escreveu avisando...fiquei em choque. Falei com ele ontem! Não é possível!

Ivan era um rapaz...recem formado em Psicologia, morava em pernambuco...e estava lutando contra a recidiva de um tumor...esteve bem deprimido quando descobriu que o tumor tinha voltado, mas nesses últimos dias estava engraçado, conversando...animado...Ontem ele me escreveu e ontem ele morreu! Como posso acreditar nisso? Ele me disse que estava lendo o meu blog e estava gostando muito....! ele morreu...

Bom...uma notícia dessas deixa a todos muito abalados. Aqueles que têm fé em Deus, se agarram nele. Eu que acredito que a vida sempre está certa, que eu não sei de nada...e que apenas tenho que lidar da melhor forma com o que acontece...vou tentando fazer isso. Sem questionar, apenas tentando me organizar e não me deixar tomar pelo desanimo e pela tristeza.

Esses acontecimentos reforçam minha crença de que a vida que temos é agora...é essa...que não sabemos de nada, e que apenas temos que viver cada instante de forma plena e verdadeira. É nisso que acredito, que a vida é essa mesmo, que quando entramos nela, é como aceitar entrar em um jogo, não podemos mais questionar as regras do jogo quando estamos dentro dele.

Em nossa defesa podemos até alegar que não sabiamos as regras antes do jogo começar, mas quem abriria mão da vida ao sabê-las? Bom...eu não abro...eu quero a vida assim mesmo...apesar das dores e perdas que nos são impostas.

Acho que não tenho do que me queixar...apesar de tudo, amo a maioria dos meus dias...

...não o dia de hoje....pelo menos até aqui...

Namastê!

Ludmila


quarta-feira, 17 de junho de 2009

Onde está Gatão....?


No ano passado um lindo gato foi atropelado em frente do Espaço Mahatma Gandhi...onde eu trabalho. Procuramos por toda a vizinhança o seu dono, sem sucesso. Ele estava muito mal, completamente paralisado do lado esquerdo do corpo...estava morrendo...trouxe pra casa.

Nessa época eu tinha 2 cachorros..um morreu de velhice e voces que acompanham o blog desde o começo, devem lembrar de ter lido sobre isso. Estavam aqui em casa também uma gata de rua com seus seis filhotinhos paridos aqui em casa...Uma loucura!

Levei o gato pra o veterinário, que constatou traumatismo craniano, passou um tratamento e não deu muitas esperanças. Passei muitos dias dando leite de seringa, remédios e mais remédios....cuidando do estresse que a sua chegada provocou em todo o Zoologico daqui de casa...Era uma dedicação que tinha que ter, não escolhi isso...ele simplesmente parou nas minhas mãos. Ele não tinha nome, chamávamos de GATÃO. Era o nosso Gatão. Aos poucos foi melhorando, e ficou absolutamente lindo e saudável. Engordou e se apaixonou por Caio. Esse amor foi recíproco. Todos da casa amavam Gatão, mas Caio formava com ele uma dupla inseparável.

Começamos a entender os gatos....eles são nobres, altivos, não são carentes e submetidos, são elegantes e poderosos, estávamos apaixonados por Gatão. Caio, quando em casa, passava o tempo com Gatão no colo e fazendo mil torções no seu corpo maravilhosamente elástico. Encantado sempre me chamava pra ver...eu já sem saco, ía ver pela insistencia dele.

Bom...Gatão sumiu...tem dois dias que ele sumiu...não sabemos mais onde procurá-lo...sinto muita saudade dele....parece que falta algo em casa....embora ele fosse absolutamente silencioso e passasse o dia inteiro dormindo. Não sabemos o que pode ter acontecido com ele....se perdeu? Foi roubado? morreu? está por aí sem conseguir voltar pra casa? Essa última hipótese me assusta muito. Ele é muito lindo...mas muito bobo também. Não sei se consegue se virar sozinho...muito mimado. Fico torcendo pra que alguém tenha se apaixonado por ele e levado-o pra casa...

Essa história pode parecer boba, mas acreditem, tem muitos significados pra mim....Me diz mais uma vez sobre o quanto a vida é fugáz..o quanto que o que existe é só esse momento. Se tenho que dizer algo pra alguém deve ser agora. Não me lembro se a última vez que Caio me chamou pra ver gatão, se eu fui...não consigo lembrar, embora saiba que a insistencia de Caio me fazia levantar de onde eu estivesse para vê-lo...mas não tenho certeza...

Não quero deixar coisas pendentes na minha vida...não quero deixar coisas não ditas...não quero que as pessoas ou eu mesma, desapareça sem dizer ou fazer o que tenho vontade...Gatão sumiu...ele não está aqui e nem sei onde ele está...diferente de Simba e Nagan|(nossos cachorros) que enterramos, não sei onde está Gatão...essa é uma sensação estranha...acho que o primeiro dono dele deve ter sentido a mesma coisa que sinto agora...espero que agora ele tenha achado alguém que cuide dele, como eu cuidei...

Essa minha postagem pode parecer boba, mas é sinceramente o que sinto nesse momento...é de verdade esse sentimento...tô triste por que não sei onde anda Gatão ...

Namastê

Ludmila




segunda-feira, 18 de maio de 2009

Seja quente ou seja fria...


Na Bíblia existem muitas passagens que me tocam profundamente pelo seu aspecto simbólico. Estudei muito pouco a Bíblia, li quase nada do que eu acho que deveria. Li muito mais textos Védicos do que a Bíblia.

Hoje estava escrevendo pra esse blog quando recebi uma email de uma amigo muito amado que me lembrou de uma passagem que simplesmente adoro. Em algum momento da minha vida, essa passagem era a minha cara....eu a via como um lema!


é assim...


"Seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito".


Quando conheci essa passagem, ela ganhou um significado que talvez fosse muito pessoal, mas que eu amei...Já escrevi aqui sobre o quanto a passividade e a acomodação não fazem parte da minha vida. Já escrevi também sobre o quanto pra mim é importante fazer a diferença, e que pra isso precisamos encarar os nossos medos, encarar que os nossos maiores inimigos estão dentro de nós mesmos.


Não consigo ser bege, não consigo ser morna...embora ache que existe um enorme conforto nisso. Acho que as pessoas mornas, pensam muito mais em si mesmas do que aquelas que não o são. Elas estão preocupadas com os riscos que correrão, com as consequencias dos seus atos, das suas palavras e dos seus afetos. Elas pensam muito e encontram um lugar de contenção para as emoções, e para os desejos. Elas dificilmente seguem algum tipo de impulso, precisam também freiar arroubos de paixão e desejos. Precisam deixar de ter opinião a respeito das coisas. Não podem destoar e jamais contrariar.


Elas são mornas; não são frias, e muito menos quentes; elas são mornas.


Acho que deve ser muito confortável estar ao lado de alguém morno, porque não existem surpresas, porque elas são esperadas e planejadas, exatamente pra não causarem instabilidades . Não existem muitas turbulências.... acho que a vida fica mais leve.... muitas vezes quis ser morna, ou bege...muitas vezes até tentei isso.... Porém as pessoas mornas também são perigosas, por que elas tentam controlar a temperatura do outro. Acho que elas pensam: Poxa, se eu me controlo e me freio tanto.....quem é voce pra se permitir sentir tanto! Os mornos são controladores de temperatura. Eles freiam as expressões de calor...eles querem tudo bege, não aguentam muita intensidade...


Fiquei um pouco receiosa de publicar aqui no blog o meu poema "Por tras de mim". Ele fala exatamente dessa dualidade, que é quente e fria. As pessoas tendem a pensar que isso é um desequilibrio, que deveriamos encontrar um lugar no meio disso. Que deveriamos com o passar do tempo ir ficando mais bege, mais morna. Não tenho conseguido.


Com o passar dos anos, tenho me conhecido mais e mais, mas não tenho conseguido ficar morna. É bem verdade que não tenho tentado muito. Não tenho me empenhado nisso. Tenho buscado todas as nuances possíveis da minha alma e tenho conseguido não ser pega se surpresa por mim mesma. Sei que minhas emoções não me destruirão, nem me farão perder a consciencia de mim mesma, por mais intensas que sejam, mas elas não me tiram de mim, mas daí a ficar morna....tá difícil... o que consegui foi ter cada vez menos medo de mim.


Quando decidi publicar o poema "Por trás de mim", pensei que talvez algumas pessoas pudessem pensar algo de mim que não correspondesse a realidade, mas em seguida pensei: O que poderiam pensar de mim que não corresponda a realidade?...provavelmente sou, ou seria qualquer coisa que pensassem, me sinto livre pra sentir o sentimento que vier....se vier o medo, vou lá dentro, se vier a raiva..sinto e por isso, posso não atuar nela; se vier o desejo me entrego; se vier a descrença, a esperança, a fé, a alegria...
....qualquer coisa que vier de mim, eu viverei....., pois prefiro errar do que me omitir, eu prefiro sofrer do que não viver, eu prefiro ser quente ou ser fria, mas jamais serei vomitada à terra, por ser morna.
Ludmila
P.s. na foto, gesticulando muito numa aula...sempre repleta de emoções....

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Isso é bom ou isso é ruim?


Como saber quando algo nos acontece se aquilo é bom ou ruim? Por teoria ou crença sempre tendo a pensar que as coisas são boas e ruins sempre. Que tudo tem em si a sua polaridade, ou mesmo que podemos fazer das coisas ruins algo bom e vice-versa. Conhecemos inúmeras histórias de pessoas que ganharam muito dinheiro e que tiveram suas famílias antes unida, destruida, ou mesmo que morreram...pessoas que perderam um emprego e que por causa do desemprego foram obrigadas a serem criativas e empreendedoras e se descobriram capazes disso. Bom o que não falta são histórias que nos levam a questionar se uma coisa é boa ou ruim...


Hoje era dia de quimioterapia do meu marido, todas as quartas de 15 em 15 dias é dia de quimioterapia. Essa seria a sexta sessão, ou seja, estariamos no meio desse caminho que parece longo demais. Chegando na clínica, descobrimos que a quimio não poderia acontecer. Sexta é feriado, a clínica não funcionará, não teriam como retirar a bomba com as drogas que ficam sendo gotejadas por 3 dias no corpo dele..., ai...que droga! - esse é o primeiro pensamento. Que raiva, que droga. Não podíamos nem ficar com raiva deles, porque de fato a quimio tava marcada para terça, nós é que não vimos pelo hábito de sempre ser quarta. Droga, droga....


Segundo momento....Hum...quem sabe isso não é o universo querendo nos dar uma folguinha...? No último fim-de-semana SIM, eu estava gripadíssima e nem podia ficar perto dele....hum...talvez o universo esteja nos oferecendo um cineminha, um teatro, um jantar sem enjôos...talvez o universo queira que a gente possa namorar um pouco e extendeu o periodo SIM por mais uma semana...uau! Isso pode ser muito bom!!!! Tem tempo que não temos dois finais de semana sem quimios!! Uau...estou convencida de que isso pode ser maravilhoso!


Terceiro momento....isso é bom ou ruim? provavelmente as duas coisas. O tratamento de Judson não será prejudicado. Esses adiamentos acontecem as vezes por conta das taxas de hemoglobina que estão baixas..etc. Mas, algum prejuízo terá. Ficaremos mais tempo em quimio...ai, ai, ai...
Hora da escolha: Escolho então não pensar nisso, no que poderia ser ruim! Agora não! Não há nada a ser feito! O que podemos fazer a não ser aproveitar o lado bom dessa história? Será que esquecer o feriado de sexta não foi um legítimo "ato falho" de duas pessoas que estão desejando tanto, mas tanto mesmo, dias de paz e amor? Deve ter sido... nossos inconscientes no fundo, no fundo devem ter desejado isso.....


Meus amigos! Não sou Poliana, (já falei sobre isso em outro post aqui desse blog), mas sou tântrica (já falei sobre isso também) e para o tantrismo o presente é que deve ser vivido com intensidade, pois é o único tempo que existe. E meu presente hoje, nesse exato momento, meu marido não está enjoado e nem ficará enjoado esse fim-de-semana. Posso antever dias de descanso merecido e de prazer amoroso, muito amor...e, acho que posso receber isso com prazer!
Então nesse momento, posso responder a pergunta que intitula esse post assim: É bom! Quero que seja muito bom!!!!!!!!
Eu mereço, ele merece, nós merecemos!!!
Namastê!
Ludmila
P.s. Foto sob um sol lindo em Veneza!!! uhhuuuuu!!!!!!

domingo, 26 de abril de 2009

Ano 9


Estou num ano 9. Na numerologia esse é o meu ano 9, ou seja, é o último ano de um ciclo de 9 anos. É portanto, um ano de fechamento, de conclusão, de avaliar o que aconteceu nesse último ciclo e de planejar o próximo. No ano 9 temos que pensar que o ano seguinte será um ano 1, um ano de recomeçar, ou de começar. Então nesse ano não só fazemos um balanço, como também começamos a fazer planos...uma coisa naturalmente puxa a outra. Quando avalio o que fiz, o que deu certo, o que deu errado, o que aprendi, o que conquistei, e o que perdi, imediatamente penso no que preciso mudar, é inevitável isso. Esse tem sido um ano assim, de fechamento, de organização para um novo ciclo.


Não sou uma pessoa surperticiosa (longe disso), nem vivo consultando oráculos, nem gurus, nem zodíacos...nem numerologias...nem nada parecido. Nada contra, muito pelo contrário, gosto até. Gosto muito do I Ching, oráculo chinês de sabedoria milenar. O I Ching sempre me diz coisas interessantes, já falei dele aqui antes. Me identifico muito com meu signo, sou capricorniana com ascendente em áries e lua em peixe. Não me consulto muito em nenhum desses meios por preguiça e talvez por sentir que não preciso que nada nem ninguém me fale sobre meu futuro. Não tenho grandes ansiedades em saber sobre futuro, primeiro por que acredito na construção diária do meu futuro, e na possibilidade constante de transformá-lo, então acabo achando que ganho mais se ficar atenta ao meu presente do que se olhar para o meu futuro.


Sempre tive muita visão de futuro olhando para o presente. Quando eu era uma jovem eu dizia com tranquilidade como estaria minha vida em 5, 10, 15 anos....eu dizia naturalmente como eu achava que as coisas estariam....falava de mim, de como eu estaria e queria estar. Acho que minhas previsões não falharam. Eram prognósticos baseados no presente. Nunca esperei que nada caisse do céu, e sempre me senti responsável por minhas escolhas, por isso mesmo dificilmente culpei ou culpo alguém por algo que tenha me acontecido.


Tenho hoje 45 anos. Estou na meia idade. Íncrivel, mas será realmente minha meia idade, se eu viver até os 90 anos, o que pretendo, mas, se eu viver mesnos, talvez já tenha passdo da minha meia idade. Como saber? Mas de qualquer forma, é a minha meia idade, no sentido de "turn point", um ponto ou momento de virada...não sei ainda que tipo de virada, nem pra onde irei, nem o que farei, mas com certeza esse fechamento de ciclo será uma virada.


Não sou mais jovem, embora me sinta muito melhor hoje do que em qualquer outro tempo. Não tenho problema com os sinais da idade no meu corpo e se os tiver, não terei pudor nenhum em aliviá-los... me sinto emocionalmente madura, com muito menos conhecimento do que pretendo, mas muito mais do que muitas pessoas da minha idade. Com uma vivência intensa de vida que me garante estabilidade emocional para enfrentar muitas coisas, e o melhor, com muita coragem para enfrentar a mim mesma, porque se ao chegar nessa idade não conseguimos entender que o nosso maior inimigo está dentro de nós, perdemos muito tempo de vida sem aprender o mais importante.


Gosto de mim e nesse ano 9, posso começar a concluir que vivi muito intensamente, que aprendi muitas coisas e que apesar de todas as dores que tenho vivido, quando me dou um tempo pra me sentir ou pra meditar concluo que a sensação que tenho de mim mesma é boa, muito boa.


Não tenho do que me queixar, por mais que tenha tido problemas, não me faltou felicidade.


Namastê


Ludmila Rohr


sexta-feira, 24 de abril de 2009

Contentamento


Recebi alguns emails de pessoas reclamando da minha demora em postar algo novo, ou mesmo preocupados se algo havia acontecido....achei isso incrível. Nada de errado aconteceu meus queridos....e de fato voces teem razão...tem tempo que não escrevo, mas tenho meditado muito...


Essa semana refleti muito sobre Contentamento, que os yogues chamam de Santosha. Esse estado da alma que não queixa, que não lamenta, que não reclama, o estado de alma das pessoas que podem estar simplesmente, contentes, independente de quaisquer condição. Esse é conceito difícil de ser compreendido por nós ocidentais.


Bom...fui criada para não me "contentar" com menos do que fosse o meu desejo, pra não me contentar com pouco, a não ser se meu esforço e dedicação tivesse sido pouco também. Fui educada para achar que quem se "contenta" aceita qualquer coisa, e pode até ficar sem nada. Fui educada a ser competitiva, a lutar por minhas ambições e desejos. Aprendi muito bem isso. Realizei isso na maioria das vezes. Simplesmente não me contentava e, buscava... brigava....batalhava por aquilo que eu queria. Achava isso lindo em mim! Me julgava corajosa e tinha orgulho dessas características minhas.


Tenho mudado de uns anos pra cá. Tenho me percebido com menos ambições. Tenho me sentido Contente com menos coisas, e sem tanto esforço. Tenho sentido muito prazer com coisas simples. Tenho ficado contente apenas na contemplação. A meditação na vida me deixa contente. A contemplação na respiração me deixa contente. Tenho conseguido depois de muitos anos estudando yoga, começar a entender o Santosha.


Santosha é a simplificação da vida. É o contentamento não por ter alcançado tudo que queria, mas sim, por descobrir que se quer muito menos do que imaginava. Santosha é o contentamento por descobrir que nenhum esforço nos tira daquilo que é maior que nós mesmos, que é o Dharma (aquilo que deve ser feito; a Lei)...o contentamento é possível onde há confiança, e onde não há medo. Santosha é sinônimo de felicidade e não está relacionado ou condicionado a nada, apenas a uma entrega àquilo que as pessoas chamam de Deus, e que eu chamo de vida.


A vida tem sabedoria. A vida tem um fluxo próprio de energia...e por maior que seja o nosso "livre arbítrio", tem algo maior que nem entendemos, mas ao qual precisamos nos entregar.


Quando eu era pequena comecei a ter um sonho recorrente que se repetiu até a idade adulta. Era o mesmo sonho por muitos anos, se repetindo...repetindo...Era assim: No sonho eu sempre era uma criança de mais ou menos 3 - 4 anos, sentada na balaustrada da praia do Farol da Barra (aqui em Salvador). Eu olhava o mar, que de repente começava a se retrair até que desaparecia totalmente. De repente todo o mar que havia se retraido, voltava como uma imensa onda que de tão grande, escurecia o sol. A onda começava a cair sobre mim...arrastava tudo... eu me agarrava nas colunas onde estava sentada...acordava desesperada.


Sonhei incontáveis vezes e por muitos anos esse sonho. Fiz inúmeras análises dele, segundo várias abordagens da psicologia. Deixei de sonhá-lo, mas nunca o esqueci, nem da sua sensação. Não esqueço do espanto de ver o mar desaparecendo, do pânico de ver a onda imensa e do desespero de tentar me agarrar pra me salvar.


Qual a relação desse sonho com Santosha? Bom...sei hoje, sinto no meu corpo e na minha alma, que não quero me agarrar a nada pra me "salvar". Não quero me agarrar nem a idéia de Deus! embora ela me dê muita paz...mas não quero me segurar desesperadamente a nada, pelo simples motivo que não há nada a ser salvo.


Santosha vem da entrega e do desapego. Santosha nasce na nossa alma no momento que começamos a nos entregar e relaxamos, saimos da luta e do esforço, e é complicado falar sobre isso já que aparentemente estamos "lutando" contra um câncer, pois poderia levar a interpretações errôneas de que quero "entregar os pontos". Nada disso. Quero fazer tudo que precisa ser feito. Quero valorizar a vida sagrada que temos. Mas não quero desespero na minha vida, nem na minha morte. Quero Santosha!


Experimentei Santosha 15 anos atrás, quando (no sonho) larguei as colunas nas quais tentava agarrar e me deixei levar deliciosamente pelas águas poderosas daquela onda que passou a vida me chamando e, a partir daquele dia, nunca mais o sonhei. Não tinha nenhum medo da onda, da força das águas...e por isso, não precisava mais sonhá-lo.


Santosha é entender que não estamos lutando contra um câncer e sim nos entregando à vida.

Não preciso ter medo das ondas da vida, elas estão dentro de mim também. Não preciso ter medo de nada que está dentro de mim. Não preciso ter medo de mim, e por isso posso estar contente. Essa onda é Deus, essa onda é a vida, essa onda sou eu repleta de contentamento e poder.


Namastê


Ludmila Rohr

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Aquilo que se foi...aquilo que ficou...


Estou me dando conta de uma coleção de perdas repetitivas na minha vida. Não sei como elas me afetam diretamente, mas sei que são importantes.


Quando eu era uma criança, um carro de meu pai, pegou fogo, nele estavam álbuns de fotos de todos os filhos, muitas foram queimadas, algumas poucas foram reaproveitadas. Não sei o que os álbuns estavam fazendo lá, mas isso aconteceu.


Quando Salvador viveu a pior chuva da sua história, o rio que passa perto da minha casa transbordou, a enchente inundou muitas casas, inclusive a minha, perdemos muitas coisas, que foram repostas com o tempo, mas perdemos fotos, fotos do meu casamento, fotos das crianças ainda bebês...muitas fotos simplesmente desapareceram...nem sei o que perdi de fato.


Agora meu notebook deu um xilique...algo aconteceu com ele...e eu tive que gastar dinheiro para tê-lo de volta. Ele voltou, mas sem as fotos que eu armazenava lá. Inclusive todas as fotos da nossa viagem a Europa no ano passado. Algumas estão no orkut, mas perdi muitas fotos e assim como na inundação, nem sei de fato o que perdi.


Quando lembro do meu casamento fico triste em não ter fotos, eu casei em 1985, tinha 21 anos e casei numa cerimonia diferente. Eu estava vestida de Sari (traje típico das mulheres na Índia), descalça....acho que eu estava linda...., mas de fato essa fotos não me fazem falta, lembro de cada instante daquele dia.


As fotos dos meus filhos pequenos que foram perdidas doem, mas eu vivi tanto cada momento deles, vi cada dentinho nascer, vivi cada passo que foi dado e poderia contar em detalhes, poderia escrever um livro sobre isso...


A viagem para a Europa em 2008! Uau! Não existe nem ao menos um segundo dessa viagem que eu tenha esquecido...posso relembrar de tudo. Estávamos celebrando a vitória com o 1º câncer de Judson. Nos divertimos, nos amamos, choramos, brindamos, brigamos, fizemos as pazes...tudo está registrado no meu corpo e alma.


Quando era adolescente li um livro autobiográfio de Neruda "Cofesso que vivi". Confesso que não lembro de nada mais que li nesse livro, mas não consigo esquecer o título. Confesso que vivi.


Hoje, nesse exato instante meu marido está com drogas sendo injetadas no seu corpo pra tentar aniquilar célular cancerosas que ainda podem estar lá. Não tenho fotos de tudo que estamos passando desde abril do ano passado por causa desse câncer, mas não existe nada mais nítido na minha mente que isso.


Confesso que casei vestida como uma indiana.

Confesso que meus filhos fizeram muitas coisas lindas nas suas infancias.

Confesso que experiementei prazeres inesquecíveis na Europa em 2008.

Confesso que tenho vivido minha vida com muita intensidade que nenhum fogo ou água, ou problemas tecnológicos podem apagar.

Confesso que vivi, e viverei muitas experiencias intensas nessa vida e as contarei, contarei muitas vezes...contarei aos meus amigos, a quem quiser ouvir ou ler.

Confesso que muitas coisa se foram e eu tive que apreder a aceitar isso..., mas não há nada que realmente eu tenha, que algo ou alguém possa tirar de mim, pois elas me compõem, elas estão presentes na pessoa que sou, elas me construiram...


Confesso que vivi e viverei muito mais ainda...


Namastê


Ludmila Rohr
P.S. foto sobrevivente do meu casamento

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Tememos a morte ou a vida?

Fui apresentada à Irmandade da Boa Morte, através de um documentário realizado por uma amiga que é jornalista (Cláudia Bonatte). Essa irmandade, famosa na Bahia, sempre me chamara atenção por causa do seu nome. Achava curioso uma irmandade chamar-se de Boa Morte! Acho que esse documentário, infelizmente nunca foi exibido pela TV, mas graças a essa minha amiga, eu pude conhecer um pouco da história desse grupo de mulheres negras que vivem na cidade de Cachoeira na Bahia e soube que elas praticam uma religiosidade, assim como muitas comunidades que tiveram origem nos escravos ou seus descendentes, que mistura o candomblé com o catolicismo.

Lembro perfeitamente de assistir no documentário, uma das "irmãs", que era bem velhinha, mas perfeitamente lúcida e com uma alegria contagiante, explicar um pouco do significado desse nome tão forte. Minha amiga perguntava na entrevista o porquê desse nome e ela explicava de forma absolutamente simples, que elas não cultuavam a morte como alguns pensavam, muito menos que elas passavam a vida pensando na morte, mas afirmava ela, que todas as "irmãs" queriam e tinham uma boa morte, uma morte tranquila e, quando minha amiga perguntava qual era o segredo disso, ela dizia rindo parecendo surpresa com a pergunta: ter uma boa vida!

A sabedoria daquela mulher aparecia nos vincos do seu rosto idoso, na simplicidade e generosidade das suas palavras. Nunca a esquecerei! Bom...me dei conta naquele momento que a morte não tinha menor importancia para elas... entretanto, a vida, essa sim, era cultuada e vista como sagrada, única. Segundo essas irmãs, se vivêssemos bem e tranquilamente, certamente teriamos muita chance de, na hora da nossa morte, estarmos tranquilos e entregues.

Para os hinduístas o momento da morte tem muita importancia, eles acreditam que se na hora da morte, a pessoa chamar o nome de Deus..., estaria revelando o seu desapego das coisas materiais, elevando a mente a um nível espiritual e poderia assim, romper uma cadeia de prisão kármica, desencarnando livremente e em paz. Os indianos contam que na hora da morte, o Mahatma Gandhi chamou Rama(o nome de Deus).

Amo muito a vida! Amo muito a minha vida...amo as coisas que faço, as coisas que aprendo, as pessoas que conheço e não consigo me ver diferente disso. Acredito na vida em todos os seus momentos, acredito no poder soberano da vida que nos ensina a renascer sempre e a prreservá-la, mas reconheço que a morte no ocidente é um assunto evitado. Sempre que pensamos em morte, pensamos em dor, sofrimento e perdas. Penso que nossa cultura é pouco reverente à vida, por isso teme tanto a morte. Acho tambem que só morrendo várias mortes em vida, não temeriamos a última morte...

As perguntas que ficam nessa reflexão são: que mortes são essas que teríamos que experimentar em vida? O que teria que morrer em nós para que pudéssemos viver plenamente e sem temer a morte?

E finalmente, já que a morte faz parte da vida..., tememos a morte ou tememos a vida?

Namastê!

Ludmila Rohr

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O Rei Leão se despedindo....


Ontem acordei estranha....a vida continuando....trabalho, pessoas, compromissos e, os amigos que sentiram que eu não estava bem ontem, ou que leram o blog, me ligando. Uma pessoa me disse: Voce precisa se cuidar. Apesar de sentir que estou me cuidando, tive que refletir sobre essa recomendação, pois não me sentia nos melhores dias. Estava triste, mas não estava mal...apenas triste, e como uma convalescente, precisando ficar quieta. Ouvi a recomendação. Não escrevi no blog ontem, fiquei quieta, calada e, à noite, dei aula de yoga, que amo muito, e em casa, chorei um choro que simplesmente vinha, como se aquelas lágrimas, simplesmente quisessem sair....lavando algo...levando algo....


Uma coisa ficou muito clara pra mim hoje de manhã quando acordei ao lado do meu marido. Sinto muita falta dele. Sinto falta de abraçá-lo, sinto falta do contato físico. Meu corpo e minha alma sentem essa falta. Ontem na minha tristeza ou estranheza, eu precisava simplesmente abraçá-lo, sentir seu corpo colado ao meu, mas isso nesse momento é impossível. Temos uma cicatriz imensa entre nós dois...uma cicatriz que está no corpo dele e atravessa de leste a oeste o seu abdomem. Cada dia que passa, ela está melhor, por que o tempo faz isso...o tempo passa...e as coisas vão acontecendo....as coisas vão cicatrizando.....


Eu também estou cicatrizando....mas tem um tempo pra isso. Minha aura ontem tinha um buraco...sentia falta do meu companheiro, do meu amor. Sentia falta do contato, de ficar juntinho, quietinho, mas juntinho. Ele me ofereceu o ombro, eu recebi, mas queria mais, muito mais. Sempre quero muito. Nossas áuras caminham juntas há muito tempo.


Nesse momento preciso estar conectada a muitas virtudes da minha alma, e uma delas é a paciência. É preciso ter paciência pra aceitar o ritmo das águas que correm independente das nossas vontades. É preciso ter paciência, fé e gratidão. É preciso estar recolhido para lamber as feridas, mas nem tanto, para não nos transformarmos em pessoas fechadas em suas dores, pessoas que não conseguem olhar para os lados, pessoas que se incomodam com a alegria alheia.
É preciso reconhecer que o que existe no mundo e, que é meu também. Assim como quando estamos alegres não podemos fechar egoísticamente os olhos para as dores do mundo; ao estarmos tristes, não podemos excluir as alegrias e expressões de excitação que existem e que sempre existirão, para nos lembrar o quanto a vida é cíclica, dinâmica e que não para...sempre anda.....Não posso cobrar paciência das pessoas, mas eu preciso ter paciência comigo e respeitar os meus limites...


Quero contar hoje pra voces, sobre Simba. Ele é um cachorro poodle, que nasceu pra nossa família 16 anos atrás, ou seja, ele agora é um senhor idoso, muito idoso...e ele está morrendo... está cego, não anda mais e esses dias parou de comer....ontem à noite quando cheguei em casa, Caio veio me falar assustado que acha que chegou a hora de Simba ir, e sinto que é verdade. Seu nome foi dado em homenagem a Simba, O Rei Leão, desenho da Disney, da época e ele realmente era um guerreiro, valente...nos defendia (apesar de ser um poodle). Acho que ele nunca entendeu que era um poodle, ele se achava algo maior como um dobermam, ou algo assim...Quando Caio e Lucas moraram nos EUA, Simba enlouqueceu de saudade, fazia xixi no quarto dos meninos, ficava por lá...Ele hoje, nem de longe lembra o nosso "Simba", é um velhinho que viveu muito bem, correu livre tudo que pôde (sempre moramos em casa com quintal), teve muitas namoradas, defendeu a nossa casa de todos que passavam diante dela...e nos amou muito....mas agora teremos que ajudá-lo a ir embora, sem dor, sem grandes sofrimentos para ele.

Só de escrever sobre isso choro muito....não vai ser fácil me despedir de Simba, ele viveu tantas coisas conosco e agora não deveria simplesmente desaparecer, mas o ciclo dele está se concluindo, e como Judson me lembrou ontem...ele foi muito, muito feliz... Acho que se ele pudesse avaliar a sua vida, ele diria que não se arrepende de nada e que viveu tudo que tinha que viver... Um dia, quem sabe eu consiga escrever algumas histórias sobre ele pra que voces o conheçam, mas sem dúvida nenhuma, ele jamais será esquecido por nós....Nesse momento sinto uma dor em pensar que ele esteja se sentindo sozinho, que ele pense que nos esquecemos dele, ou que queremos nos livrar dele...Acho que a casa não será mais a mesma sem Simba, e Zack ,nosso outro poodle idoso, vai sofrer muito com sua partida...eles eram inseparáveis e pareciam siamêses quando corriam sempre juntos...Já a algum tempo Zack não tem seu companheiro de corridas e acho que hoje, ele o perderá pra sempre.

Hora de despedida...ciclos que se fecham....perdas que deixam marcas e lágrimas que lavam a alma....

Namastê!

Ludmila Rohr

P.S. Esse é um símbolo do Budismo Tibetando...o Nó da Eternidade...ele nos fala sobre esse giro que transforma, mas que nos mantém sempre no ambiente da criação....tudo que um dia foi criado...de fato, gira nesse ciclo da eternidade. Nada de fato desaparece!




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Yoga....o meu caminho!


Ontem foi meu primeiro dia em Salvador depois que retornamos de SP. Adoro isso aqui! mas na verdade, o que gosto mesmo é de tudo que faço. Adoro meu trabalho. Adoro minha rotina, sou uma pessoa que adora acordar e saber que terei o meu dia diante de mim.

Ontem dei minha primeira aula de yoga desde que me despedi dos alunos avisando que iria pra SP acompanhar meu marido. E eu quero muito falar sobre isso. Comecei a fazer yoga com 16 anos, (tenho 45 agora). Eu já era apaixonada pelo yoga, mesmo sem conhecer, dizia que queria fazer yoga, mesmo sem saber do que se tratava. O Yoga entrou na minha vida e nunca mais saiu. Praticava muito, estudava muito (muito mais que hoje), lia os textos sagrados, fazia praticas duas vêzes ao dia, meditações diárias...enfim, mergulhei com meu corpo e minha alma nesse universo que trouxe sentido a minha existência.

A Hatha-yoga me colocou diante da possibilidade de um corpo saudável..um corpo feliz. E de fato, tenho uma relação muito boa com meu corpo, ele me dá prazer, não tenho histórias na minha vida de dores no meu corpo. Claro que já fiquei doente e certamente ainda ficarei, mas meu corpo, produz muito mais prazer do que dor. Ele é um lugar muito agradável de se morar. Vejo pessoas reclamando de dores, pessoas saudáveis, inclusive que malham, que correm...eu normalmente não tenho dores....acho realmente que o meu corpo tem sido um bom lugar para morar.

Quando descobri a respiração, descobri o prazer simples de respirar, e o quanto a respiração me conectava com o meu corpo, mas o quanto que através da respiração eu conseguia alterar meus estados mentais. A respiração se tornou o meu grande remédio e companheira. Respiro conscientemente em todas as situações que preciso estar mais inteira, mais forte, mais calma, mais centrada....mais aberta....a respiração me leva pra dentro de mim, a lugares profundos, mas também me coloca aberta para o mundo, para as pessoas...sou muito grata ao yoga, por ter me apresentado esse instrumento valioso.

Bom...ontem reencontrei meus alunos....voltei pra minha sala de aula... e comprovo o quanto amo o que faço...o quanto o yoga me faz bem. A prática corporal do yoga organiza o meu corpo, me sinto leve e feliz, mas enche o meu coração de muito amor....é...sinto um amor imenso quando pratico yoga, sinto que sou uma pessoa melhor (do que de fato sou), me conecto com aquilo que é sagrado em mim...e fico muito feliz!

O outro lado lindo do yoga são os alunos, eu sou muito apaixonada por eles...vejo a busca, a confrontação com as dificuldades, os corpos que aos poucos vão desenferrujando, a felicidade em conseguir fazer algo que não conseguiam antes, uns são fiés, persistentes, permanecem anos após anos, já incluiram o yoga em suas vidas, outros são flutuantes, vem e vão, somem e novamente aparecem....mesmo assim os adoro, fico imensamente feliz quanto vejo um ex-aluno retornar!

Ontem dei minha primeira aula de yoga depois que retornei e quero hoje agradecer aos alunos que lá estavam. Obrigado...obrigado por me acompanharem nessa viagem de auto-organização, nesse processo de nutrição da minha alma. E o melhor de tudo isso, é me dar conta de que esse é o meu trabalho!!!! Sou tão grata a vida, porque penso que sou uma pessoa abençoada, que pode trabalhar com aquilo não só que ama, mas com aquilo que cuida de mim, que me faz uma pessoa melhor, que me alimenta....

Uma vêz um professor de psicologia me falou que iria chegar a hora em que eu teria que escolher entre a psicologia e o yoga, eu achei aquele comentário meio bobo, por que em nenhum momento uma prática concorre com a outra, muito pelo contrário. O fato de ser prof de yoga sempre me fez uma terapeuta melhor. O fato de meditar e cuidar de mim e dos meus alunos em vários níveis, sempre me possibilitou uma visão mais ampla da psicologia. Amo tudo que faço, amo a psicologia, o consultório, mas o yoga é a minha vida. Se esse professor tivesse razão, se eu tivesse que escolher, a escolha já estava feita, pois o yoga com certeza foi escolhido pelo meu espírito milênios atrás. Nessa vida eu só o reencontrei!

Namastê!

Ludmila Rohr