Semana passada uma notícia me tocou bastante e me deixou profundamente indignada. Um casal gay foi colocado para fora de um Pub londrino depois de se beijar em público. Minha alma foi lavada em seguida, quando soube que um movimento Gay em Londres, organizou um beijo gay coletivo em frente ao mesmo Pub. Muito bom, mas não parei de me questionar sobre o porque desse beijo ter sido punido.
Estamos em pleno século 21. Muitos países civilizados reconhecem legalmente a união entre pessoas do mesmo sexo. Não existe uma só pessoa que não tenha ou em sua família ou no seu círculo de amigos e conhecidos, alguém que seja homossexual. A medicina e a psicologia que até um tempo atrás classificavam a homossexualidade como patologia, já reconsiderou isso. É terminantemente proibido a qualquer psicólogo (no Brasil) tratar homossexualidade como psicopatologia, simplesmente porque não é.
Minutos atrás, li sobre um assassinato a facadas de um travesti na Paraíba e sobre o assassinato de uma mulher por um noivo no dia do seu casamento. Ambos os chocantes casos aconteceram no Brasil. Fiquei tão chocada em pensar o quão monstruoso pode ser o ser humano. Como pode alguém dar 32 facadas em outro ser vivo? O que poderia irritar tanto um homem no dia do seu casamento que o levasse a assassinar alguém? Como essa pessoa no momento do seu casamento em que deveria estar feliz, leve, apaixonada e cheia de amor, pode ter assassinado alguém que nem conhecia, tomado pela raiva? Muito chocante pensar que nós humanos somos capazes de algo assim. Infelizmente, somos.
Ao ler essas notícias de ódio de hoje, fiquei pensando em como uma sociedade tão violenta pode punir o amor e qualquer expressão dele? Como isso é possível? Em meio a tanto ódio e violência, como alguém pode se sentir ofendido por um beijo? Que ousadia ou até mesmo insanidade se sentir ofendido por um simples beijo, enquanto tantas violências acontecem por aí? Como pode alguém classificar um beijo entre duas pessoas adultas como inapropriados ou indecentes, ou ofensivos?
Isso parece tão absurdo que me faltam adjetivos.
Sou uma pessoa que adora observar comportamentos. Tenho esse hábito de ficar olhando as pessoas. Observo como elas andam, falam, se expressam...observo seus corpos, sorrisos...faço isso o tempo todo. Adoro em restaurantes observar o comportamento de casais. Sempre olhei com muita pena para casais que passam a noite inteira sentados em uma mesa de restaurante sem trocar uma palavra sequer. Eles mal se olham. Fazem seus pedidos, comem...atendem celulares, pagam a conta e vão embora.
É verdade que preciso conter um impulso grande de ir lá e perguntar porque esses casais ainda se mantém juntos? Porque eles estão em um restaurante se lhes faltam assuntos para conversar? Me pergunto por que eles não conversam sobre o fato de estarem ali sem assunto ou sem interesse um no outro? Esses casais me incomodam profundamente...pelo desconforto que eles sentem com essa situação. Eles são muito desconfortáveis. Estão e são desconfortáveis. Confesso que tenho muita pena de casais que chegam a esse ponto. Sem interesse, sem tesão, sem excitação, sem olhares, sem afetos...sem assuntos....sem beijos.
Tenho pena de pessoas que não beijam. Tenho pena de casais que não se beijam mais.
Tenho certeza de que se eu fosse a dona desse Pub, eu preferiria ter no meu bar, casais que trocam beijos e olhares, a casais que passam a noite em silêncio. Com certeza ia preferir observar as expressões de amor, às expressões gélidas da indiferença. Eu ia querer ver em meu restaurantes mãos que se acariciam, que se tocam, ao invés de mãos rígidas sobre o colo, ou segurando celulares.


No meu "Pub", o AMOR sempre teria espaço. No meu pub, a ternura e os beijos iam ser aplaudidos. No meu pub, esse casal que se beijou e presenteou a todos com energia da sua paixão, não pagaria a conta, porque no meu "pub" o amor e sua expressões seriam vistos como bônus para todos que presenciaram. No meu "pub" o amor seria muito bem vindo e seria aplaudido.
Vamos beijar mais....muito mais.
Ludmila Rohr




