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segunda-feira, 18 de abril de 2011

O BEIJO QUE OFENDEU

 Semana passada uma notícia me tocou bastante e me deixou profundamente indignada. Um casal gay foi colocado para fora de um Pub londrino depois de se beijar em público. Minha alma foi lavada em seguida, quando soube que um movimento Gay em Londres, organizou um beijo gay coletivo em frente ao mesmo Pub. Muito bom, mas não parei de me questionar sobre o porque desse beijo ter sido punido.

Estamos em pleno século 21. Muitos países civilizados reconhecem legalmente a união entre pessoas do mesmo sexo. Não existe uma só pessoa que não tenha ou em sua família ou no seu círculo de amigos e conhecidos,  alguém que seja homossexual. A medicina e a psicologia que até um tempo atrás classificavam a homossexualidade como patologia, já reconsiderou isso. É terminantemente proibido a qualquer psicólogo (no Brasil) tratar homossexualidade como psicopatologia, simplesmente porque não é. 

Minutos atrás, li sobre um assassinato a facadas de um travesti na Paraíba e sobre o assassinato de uma mulher por um noivo no dia do seu casamento. Ambos os chocantes casos aconteceram no Brasil. Fiquei tão chocada em pensar o quão monstruoso pode ser o ser humano. Como pode alguém dar 32 facadas em outro ser vivo? O que poderia irritar tanto um homem no dia do seu casamento que o levasse a assassinar alguém? Como essa pessoa no momento do seu casamento em que deveria estar feliz, leve, apaixonada e cheia de amor, pode ter assassinado alguém que nem conhecia, tomado pela raiva? Muito chocante pensar que nós humanos somos capazes de algo assim. Infelizmente, somos.

Ao ler essas notícias de ódio de hoje, fiquei pensando em como uma sociedade tão violenta pode punir o amor e qualquer expressão dele? Como isso é possível? Em meio a tanto ódio e violência, como alguém pode se sentir ofendido por um beijo? Que ousadia ou até mesmo insanidade se sentir ofendido por um simples beijo, enquanto tantas violências acontecem por aí? Como pode alguém classificar um beijo entre duas pessoas adultas como inapropriados ou indecentes, ou ofensivos? 

Isso parece tão absurdo que me faltam adjetivos. 

Sou uma pessoa que adora observar comportamentos. Tenho esse hábito de ficar olhando as pessoas. Observo como elas andam, falam, se expressam...observo seus corpos, sorrisos...faço isso o tempo todo. Adoro em restaurantes observar o comportamento de casais. Sempre olhei com muita pena para casais que passam a noite inteira sentados em uma mesa de restaurante sem trocar uma palavra sequer. Eles mal se olham. Fazem seus pedidos, comem...atendem celulares, pagam a conta e vão embora. 

É verdade que preciso conter um impulso grande de ir lá e perguntar porque esses casais ainda se mantém  juntos? Porque eles estão em um restaurante se lhes faltam assuntos para conversar? Me pergunto por que eles não conversam sobre o fato de estarem ali sem assunto ou sem interesse um no outro? Esses casais me incomodam profundamente...pelo desconforto que eles sentem com essa situação. Eles são muito desconfortáveis. Estão e são desconfortáveis. Confesso que tenho muita pena de casais que chegam a esse ponto. Sem interesse, sem tesão, sem excitação, sem olhares, sem afetos...sem assuntos....sem beijos.

Tenho pena de pessoas que não beijam. Tenho pena de casais que não se beijam mais.

Tenho certeza de que se eu fosse a dona desse Pub, eu preferiria ter no meu bar, casais que trocam beijos e olhares, a casais que passam a noite em silêncio. Com certeza ia preferir observar as expressões de amor, às expressões gélidas da indiferença. Eu ia querer ver em meu restaurantes mãos que se acariciam, que se tocam, ao invés de mãos rígidas sobre o colo, ou segurando celulares.


No meu "Pub", o AMOR sempre teria espaço. No meu pub, a ternura e os beijos iam ser aplaudidos. No meu pub, esse casal que se beijou e presenteou a todos com energia da sua paixão, não pagaria a conta, porque no meu "pub" o amor e sua expressões seriam vistos como bônus para todos que presenciaram. No meu "pub" o amor seria muito bem vindo e seria aplaudido.


Vamos beijar mais....muito mais.

Ludmila Rohr




segunda-feira, 12 de julho de 2010

Não foi apenas um beijo.....

Definitivamente não foi só um beijo. Nem durou muito, nem veio acompanhado de afagos. Nem foi profundo...foi rápido. Nenhuma palavra ou declaração foi feita, nada foi dito. Foi furtivo. Foi um beijo roubado. O beijo que Casillas deu na namorada jornalista não foi apenas um beijo. Foi muito mais do que isso, foi a realização de uma fantasia feminina.

Que mulher não imaginou um dia ser surpreendida por uma demonstração espontânea e explosiva de paixão? Acho que a imensa maioria desejou ou deseja isso. Esse beijo entrou pra história e, nesse momento, poucas mulheres no mundo não devem estar morrendo de inveja da felizarda Sara Carbonero que recebeu essa demonstração explícita e arrebatadora de paixão!

O incrível é que havia lido alguns dias antes, críticas de pessoas que achavam que ela  podia estar atrapalhando-o, estando no campo enquanto ele jogava, que ela podia distraí-lo ou algo assim. Ela chegou a ser cogitada como vilã de uma derrota da Espanha. A mulher sempre é culpada...incrível, não? Sendo bonita, pior ainda, sua culpa ainda é maior. Ela com sua beleza destruidora, teria o poder de destruir o goleiro da seleção espanhola. Ainda bem que eles ganharam, senão teríamos mais uma vilã. 

Acho até que se eles perdessem ela poderia levar alguma culpa, e mesmo se eles ganhassem, poderiam dizer que ganharam, apesar dela. Mas, depois desse beijo...ninguém ousará dizer nada! Ela foi consagrada. Ela foi alçada a um lugar muito especial. Ela não é mais só uma mulher linda que estava ela seduzindo o herói, ela foi reconhecida por ele. Ninguém ousará falar mal dela. No nosso mundo machista e patriacal, esse reconhecimento não pode ser contestado.

Quando vi o vídeo, fiquei meio boba, depois que a bobeira passou...comecei a pensar, nos motivos pelos quais essa cena encantou a nós mulheres. São tantas as fantasias que se mostram semelhantes. 

A repórter alçou um lugar muito especial nesse momento, um lugar típico dos Contos de Fadas. Ela foi  vingada e ratificada por um homem, mas não por um homem qualquer, por um príncipe, ou melhor ainda nos tempos modernos, por um Campeão Mundial de Futebol. 

Não importa se aquele homem agiu de forma tão passional, (o que não é uma característica masculina), por que ele havia acabado de se sagrar campeão do mundo de futebol,  importa é que ele não conseguiu conter (conter é uma característica masculina)  sua emoção e a explicitou! 

Não sei se esse homem faria isso, se não estivesse naquele contexto. Também não sei se aquele beijo seria tão impactante e significativo se não estivesse naquele contexto. O fato é que ele a beijou, e ele a beijou pra que o mundo visse! Ele expressou sua felicidade naquele momento beijando-a e mostrando sua paixão. 

Bom...acho que pra mim, o mais lindo daquela cena, foi o instante (segundos) que pude perceber que Cassilas tentou não beijá-la, ele vacilou por uma fração de segundo...mas não suportou conter aquilo. Ele não suportou conter aquela emoção toda...e deixou sair na forma de um beijo que ficou eternizado.

Emoção é assim mesmo, como água...e precisa fluir...
Que venham os beijos...que venham os amores...que venha a Vida!!!

Ludmila Rohr
P.S.1. Escrevi um tempo atrás, nesse blog, sobre beijo, leiam. 

P.S 2. Beijo recebido sob o olhar do magnífico Taj Mahal! Eu mereço!


sábado, 8 de agosto de 2009

Entre netos e cachorros...


Sou clichê. Já disse isso aqui.

Não conseguiria deixar de falar do meu pai, hoje, véspera do Dia dos Pais.

Todos que me conhecem sabem do orgulho imenso que sinto por ser filha dele. Tenho admiração e respeito. Meu pai é alguém muito especial, mas não é porque ele é meu pai. Acho que ele é realmente especial. No mínimo, ele é muito diferente. Ele sempre foi muito diferente dos outros pais.


Meu pai era comunista na época da ditadura. Foi preso político em 64, logo após meu nascimento. Perdeu emprego e teve direitos cassados. Ele foi anistiado muitos anos depois junto com outros tantos brasileiros. Foi sindicalista e teve uma vida muito dura. Nasceu em uma família muito humilde, perdeu o pai quando era uma criança.

Meu pai, era o único pai (que eu conhecia), que tinha viajado à União Soviética (ainda existia) e à Cuba. Era exótico isso. Todos os outros íam pra Europa. Ele não.

Ele escolheu os nomes russos dos seus 4 filhos. Eu, Vladimir, Tatiana e Larissa. Todos os nomes tinham uma história. Ele lia muito sobre guerras, sobre história... e lia pra gente.


O pouco dinheiro que ele ganhava, não era pra guardar..ele vivia. Nos proporcionava coisas que não poderiamos ter. Sempre estudamos em boas escolas. Junto com minha mãe, lembro da dureza pra manter finaceiramente essa família grande. Mas ele, achava que era importantíssimo nos levar pra tomar sorvete nos domingos. Ele achava fundamental que fôssemos aos domingos assistir a matinê no cinema. Ele achava que valia a pena sonhar.


Teria muitas histórias sobre ele pra contar, aliás, eu poderia fazer uma palestra muito incrível sobre ele, mas hoje só quero falar de duas coisas.


A primeira é a relação deles com os 3 netos, e a outra sobre a relação dele com os cachorros. Isso mesmo: netos e cachorros.


O amor a a paciencia dele para com os netos e para com os animais é algo incomensurável. Ele verdadeiramente os ama. Meu pai nunca reclamou de absolutamente nada que os netos e os cachorros tenham feito. Ele é completamente permissivo e apaixonado por todos. Ele não dedica nem uma ínfima parte disso pra ninguém mais. Acho que não tem mais saco pra ninguém (exceto nós, os filhos), mas os netos e os cachorros merecem, da parte dele, toda a deferencia e isso é recíproco.


Convidá-lo para um lugar onde ele não possa levar os cachorros é uma ofensa. Ele até vai, mas arranja um jeito de voltar logo. Ele, aos olhos de alguém que entende de cachorro, estraga os bichinhos. Ele faz todas as vontades. Ele dá a própria comida a eles. Não preciso dizer que os cachorros acabam hipertensos e acima do peso (como ele). Ele adora qualquer cachorro. Os meus, da minha irmã, os deles...e qualquer um que chegue perto. Ele simplesmente encanta os cachorros, e os cachorros o amam também.


Voces podem até estar pensando que ele entende alguma coisa sobre cachorro...que ele possa ter técnicas para lidar com eles. Não, não tem. Ele é absolutamente permissivo..e os cachorros ficam completamente mal educados com ele. E ele se diverte muito com isso. Ele faz com os cachorros, o mesmo que fazia com a gente. Permitia tudo. Nos tirava de castigos que minha mãe colocava, nos autorizava a transgredir e a quebrar regras. Nos autorizava a ser aquilo que podíamos ser. A seguir nossa natureza. Assim ele é com os cachorros. Ele não pretende que um cachorro haja como um ser humano adulto, mesmo porque, ele acha que os cachorros são superiores aos humanos. Ele simplesmente os aceita, e por isso é venerado pelos mesmos.


E os netos? Não existe pessoas mais importantes para meu pais que os netos. Ele os chama de "os catitos", são homens barbados, mas para ele, são "os catitos". Eles podem tudo. Ele fará qualquer coisa por eles. Ele não estranha nada que eles façam. Apesar da idade, ele não critica os cabelos longos dos meus filhos. Ainda diz que se Jesus era cabeludo, porque os netos dele não podem ser? Quando Caio pintou o cabelo de azul, e, ele soube por minha mãe, que estava meio assustada, ele disse: Se voce pode pintar de "amarelo" por que ele não pode pintar de azul?


Ele acha um barato as namoradas dos meninos e, nunca fez nenhuma crítica a eles, nem aos seus hábitos, roupas, cabelos e amigos. Não interfere em nada, apoia absolutamente tudo. Os netos e os cachorros são os seus amores. Max (o atual cachorro), Rafael, Caio e Lucas contam com o apoio irrestrito do meu pai. Eles contam com a maior defesa que alguém pode desejar.


Ninguém pode brigar com um cachorro na sua frente, assim como ninguém pode falar mal dos seus netos, (nem nós,os pais).


Essa é uma história de aceitação da natureza. Meu pai aceita os cachorros como cachorros que são. Não cobra, nem espera nada que eles não tenham na sua natureza canina pra dar. Ele aceita os netos como são. Cada um do seu jeito. Ele vê as diferenças entre eles, mas simplesmente os aceita.


Acho que nenhum cachorro poderia ter um dono melhor.

Acho que ninguém poderia ter um avô melhor.


Namastê


Ludmila


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Mulheres poderosas....muita alma....muitos sentimentos...


Duas pessoas muito queridas para mim, estão vivendo momentos bem fortes em suas vidas e embora desejem, têm muita dificuldades de me procurar, dizem que é por causa do meu momento. Uma delas está muito feliz, apaixonada, vivendo um amor; ela está leve, bonita, animada e cheia de energia. Me confessou que é complicado para ela dividir comigo sua felicidade, pois sente-se egoísta, sente que meu momento é mais importante. A outra está se separando, está oscilando entre a raiva por estar sendo sacaneada pelo ex-marido e o mêdo de tantas mudanças. Sente-se mal e sozinha pra enfrentar tudo, e também acha que não devia me incomodar, pois os meus problemas são maiores.

Bom....se não consigo olhar para fora de mim, esse meu quadro daqui a pouco iria me enlouquecer. Como já disse antes aqui no blog, não me sinto especial, porque estou vivendo um momento especial. Não preciso ser poupada da vida, porque estou inundada, imersa nela; se eu não conseguir me comover com a vida, se eu não conseguir me afetar com as histórias das pessoas, que pessoa egocentrada eu seria.

Às vêzes, como já disse aqui também, tenho a sensação de que estou fora da vida, como se estivesse em outro ritmo ou outra dimensão, mas isso passa. Cada vêz que me aproximo de alguém e ouço uma história, isso me tráz de volta à realidade. Eu sempre soube que "olhar pro outro, me ajuda a reconhecer os meus limites", o outro é o meu limite, a dor do outro dá limite a minha, a alegria do outro também! e isso é fantástico, porque se não houvesse esse limite....como nos sentiriamos? sem bordo...num vazio que não ajuda a estabelecer forma, ou possibilidade.

Ouvir uma mulher apaixonada, me coloca em contato com essa porção que existe em mim...posso sentir essa energia vibrando no meu coração e por todo o meu corpo. Pedi pra ela, para não ser excluida desse seu momento, que eu estou achando lindo...e que fico muito feliz por ela. Sou uma pessoa intrínsecamente feliz, e a felicidade do outro não me assusta, nem me causa desconforto. Gosto de ver alguém feliz, e vibro por isso. Ela está irradiando luz, brilho, sexualidade, alegria, excitação....pode existir um momento tão lindo quanto esse?

Minha outra amiga, está com raiva....muita raiva, às vêzes muito medo e quase sempre, muita solidão. Ela é linda. É realmente uma mulher linda. Ela é inteligente, sensível, confiavel e boa amiga. Adoro a beleza dela. Acho que muitas mulheres podem ter problemas com ela, por ser tão linda e inteligente, e num momento como esse, ela esquece de quem ela é. Ela se vê sempre frágil, sozinha, sem recursos internos, com medo...ela vive um momento meio negro...sem conseguir olhar pra frente, se acha sem saída, sem possibilidades, com medo de ser uma fracasso....Digo pra ela que isso é impossível. Ela não será uma fracassada, só por que algumas coisas estão fracassando....., ela conversa comigo, mas também se sente mal em me incomodar.

Adoro essas duas pessoas e sinto que jamais estaria fechada para elas...aliás sinto que sempre que me coloco diante da dimensão humana, me sinto tão mais inteira, sem mais, nem menos; do meu tamanho. O sentimento do outro faz com que a minha dor, ganhe um tamanho e uma forma, não fique difusa, espalhada pela minha vida. Tem um lugar na minha vida, mas não é minha vida. Elas são poderosas, apesar de viverem momentos opostos, são mulheres poderosas, por poderem se entregar aos seus sentimentos, por não temerem suas próprias almas. Adoro isso!

Quanto mais mergulho nos meus sentimentos, mais próxima de todos que sentem eu conseguirei estar. Certamente seria difícil ouvir qualquer pessoa com suas histórias de alma, se eu estivesse tentando fugir da minha. Se eu tivesse tentando negar a minha alma, eu não suportaria alguém na minha vida que me levasse ao encontro dela.

Deméter é uma Deusa grega cujo nome significa, "porta de entrada para o feminino Misterioso". Ela sempre ilumina os nossos caminhos pelos labirintos das emoções e dos sentimentos. É uma linda Deusa que certamente vai nos ajudar a entrar nesses labirintos e honestamente olhar para os nossos sentimentos...sem negá-los e vivenciando cada um deles.

Então, obrigada minhas queridas, por me incluirem e me deixarem participar das suas vidas e dos seus corações.

Namastê!
Ludmila Rohr
P.S. na ilustração...Deméter...linda, poderosa e com o peito (alma) exposta!