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terça-feira, 2 de junho de 2015

ELA SEGUIU O DESEJO



Hoje quero usar o espaço do meu blog para homenagear uma amiga que faz aniversário. Primeiro preciso dizer que apesar de termos uma imensa conexão e carinho uma pela outra, nunca a encontrei pessoalmente.

Nós duas vivíamos momentos de muita dor quando nos conhecemos em um grupo virtual de pessoas que tinham parentes com câncer. Nosso encontro foi inundado em dor e  em esperança. Era um grupo  em que nossas dores, medos, inseguranças eram acolhidos e entendidos por pessoas que passavam ou já haviam passado por situação semelhante.

Fiz amigos queridos nessa época. Nós nos chamávamos de "amigas de infância", embora nunca tenhamos nos encontrado. Eu morava na Bahia, ela no RJ.  Chamávamos o câncer de "meleca de doença", e ríamos em meio a dor das perdas, e em meio as lágrimas da esperança. Ficamos amigas....amigas de infância.

Certa vez fui ao Rio para um congresso de psicologia, e ela tentou me achar no aeroporto, nos desencontramos em meio a engarrafamentos, e celulares descarregados. Não era pra ser.

Sempre a imaginei como alguém de extrema maturidade e responsabilidade. Ela é filha única e perdeu os pais para a "meleca da doença". É uma pessoa que cuidava de si mesma, e assumia suas responsabilidades sozinha, assim como as consequências das suas ações. Ela sempre alto-astral, não reclamava de nada, a não ser do latido do cachorro do vizinho que a acordava cedo nos fins de semana. Cris se bancava e era dona da vida e " do nariz" dela.

Um dia ela me disse que precisava conversar comigo, queria tomar algumas decisões, e eu não imaginava do que se tratava, mas ela adiantou que estava num dilema entre seguir o sonhos que seus pais haviam tido para a vida dela, ou seguir seus sonhos e desejos. Ela queria ouvir minha opinião.

Não entrarei em detalhes sobre seus projetos ou sobre as mudanças que ela pretendia naquela época, mas posso dizer que ela as fez!! Ela mudou! Ela foi atrás do seu desejo, da vida que ela sonhava, dos desejos que ela tinha pra si mesma. Ela fez o que a maioria das pessoas passam a vida desejando fazer. Ela fez aquilo que os outros podem achar que foi loucura, ela trouxe os desejos para o nível real e os vive agora.

Nada na vida é de graça, e não sabemos quanto tempo teremos para viver essa vida, mas o fato é que minha querida amiga de infância seguiu seu coração e arca com todas as dores e delicias de ser quem ela é.
Mas não é pra isso que estamos aqui?

Parabéns minha amiga!
Parabéns por você se responsabilizar por si mesma e seguir seu coração!
Feliz aniversário! 
da sua amiga de infância que nunca te viu, mas que sempre te amou. 


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Sexualizando....

Quero continuar a refletir sobre desejo.

Quero também deixar claro que quando falo de desejo, não faço nenhuma referencia direta, ao desejo sexual, embora toda energia que move os desejos, sejam energias de natureza sexual, mas não no sentido genital!
Quando pensamos em sexualidade, somos levados imediatamente a pensar em genitalidade, em ato sexual, ou mesmo em desejos sexuais, fantasias...e por aí vai..


Sexualidade é muito mais que isso! A nossa sexualidade ultrapassa os limites das nossas zonas erógenas e alcança todo o nosso corpo; ultrapassa os limites do corpo e avança na nossa alma, na nossa áura, e na nossa mente... a nossa sexualidade é a porta de acesso ao nosso espírito!


Essa energia é tão poderosa que tem o poder de nos conectar com o que existe de mais mundano, mas também com o que existe de mais sagrado! Os indianos chamam de Kundalini...a energia da vida..que nos leva em direção aos desejos e/ou à sabedoria e conhecimento. A tradição indiana milenar, conseguiu, ao contrário da nossa, unir o mundano ao sagrado...o sexo é visto como sagrado. A união de corpos e o orgasmo são visto como um momento que imita a criação do universo, como o momento em que mais estaríamos próximos de Deus.


Conheci na Índia inúmeros templos que são adornados por imagens de atos sexuais explícitos. Muitos Deuses e Deusas são representados com seus genitais expostos, com seios fartos. Conheci templos onde no centro estavam a figura do Linga (pênis), e Ione (vagina). Eles nos colocam em choque com as nossas imagens santas, com seus corpos cobertos e negados.


Digo com muita convicção que precisamos sexualizar a vida. Se queremos uma vida intensa e prazerosa, precisamos buscar as sensações das coisas, sair de um estado de anestesia que normalmente se vive e buscar SENTIR. Entretanto, devemos fazer isso desapegadamente. Precisamos estar abertos e inteiros no contato com nossas sensações e sentimentos, mas precisamos nos desapegar..deixar passar...não tentar retê-los por mais tempo que o necessário.. por que dái vem o sofrimento.


Tenho visto durante esses anos que lido com pessoas, que elas foram aos poucos e por conta da dores da vida, se anestesiando! Tentando fugir das dores, e por acreditarem que podiam selecionar o que não queriam sentir...foram aos poucos ficando cada vez mais distantes de suas almas..Não se pode dizer pra alma que não quer sentir mais dor. Quando se diz isso... a alma entende, que voce não quer mais SENTIR....e aos poucos...voce vai passando a não sentir nada! A alma vai adormecendo..e passa a ter medo de qualquer coisa que ameace essa falsa estabilidade, que mais se parece com a MORTE do que com a VIDA.


Tenho visto também, como a sexualidade e o desejo ficaram reduzidos à genitalidade, e como foram associados apenas aos prazeres momentâneos e carnais (que são deliciosos), mas é como se voce pudesse ter e viver algo muito especial e mágico, e escolhesse ficar apenas com a parte menor que aquilo pode oferecer.


Bom...esse é um assunto vasto e profundo..e não quero ser leviana...vamos andando..vamos caminhando com ele. Participem....escrevam seus pontos de vista, façam seus comentários..indiquem para outras pessoas...vamos movimentar essa energia!


Ludmila Rohr



segunda-feira, 4 de maio de 2009

Não quero nada pela metade!


Recebi um email que falava sobre o como nos acostumamos a receber tudo pela metade. Falava sobre o fato de que vamos nos acostumando a receber cada vez menos e achar que está bom. A medida que eu lia, meu primeiro movimento era de concordar com tudo que ali estava sendo dito. Já falei aqui outras vezes sobre o quanto eu desejo na vida. Já falei em outros posts sobre a minha falta de pruridos em assumir que quero sempre muito, ou que quero muito aquilo que quero, assumo também que sei que as coisas não contecem exatamente como eu quero, então sei que devo me preparar para as frustrações também.


As coisas nem sempre acontecem como eu quero, sei disso. O fato de meu marido estar travando uma batalha contra o câncer nos anos que poderiam ser, os melhores anos das nossas vidas, prova isso. Não temos poder sobre tudo, não temos poder sobre a maioria das coisas. Então quando falo sobre os meus desejos, não falo com uma visão onipotente, que tem todas as garantias, falo de um lugar de quem sabe que muitas coisas não estão sob a determinação da minha vontade, que existe algo muito maior, uma "vontade" muito maior que podemos não entender, mas teremos que nos render.


Assumir o que quero e que não quero pela metade, me leva a um lugar onde tenho que me implicar nos meus desejos na medida que els são importantes pra mim. Se não quero algo pela metade, também não posso estar pela metade, tenho que me implicar inteiramente. Tenho que me expor, tenho que me instrumentalizar, tenho que saber como chegar lá, tenho que descobrir caminhos e formas de alcançar aquilo que desejo e mais ainda, talvez a parte mais importante: não posso ter medo denão conseguir o que desejo e, muito menos de conseguir o que desejo.


Parece uma contradição. Como pode alguém desejar uma coisa e ter de medo de alcançá-la? Isso infelizmente é muito mais comum do que podemos imaginar. Muitas pessoas andam nas suas vidas como se estivessem com um pé no acelerador e a mão no frio de mão! Com medo, freiando...sem saber se querem mesmo que aconteça...com medo de ser feliz, de gozar as delicias de conseguir algo que batalhou muito! Outras temem tanto a frustração que se dão pela metade, como se isso garantisse uma frustração pelo meio também....pessoas que se contentam com metade das coisas, um parceiro mais ou menos bom, um trabalho mais ou menos bom, uma vida mais ou menos boa...um amor pela metade, sonhos pela metade...Ainda dizem que não tem o queriam , mas se contentam com o que a vida deu!


Contentamento e desejos parecem conflitantes, mas pra mim não são. Já escrevi sobre isso aqui também. Posso ser uma pessoa que tem contentamento ( e sou), mas que tem muitos desejos e metas, que tem muitos sonhos e aspirações.


Bom...acredito que somos feridos nesse caminho de busca pelo que desejo...acredito até que alguns pedaços são arrancados, mas acredito que não existe outra forma melhor de estar na vida, que não seja a de estar inteira, e isso significa: Consciente de mim! querendo os meus desejos realizados e me implicando inteiramente na realização dos mesmos....se eles não acontecem, posso chorar minhas dores até que elas acabem...chorar plenamente...e continuar....


Namastê!


Ludmila

P.S. Foto - sendo coroada por uma Deusa! rsrsrsrsr (Museu D'Orsay- Paris)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Vento em cima, Trovão embaixo


Esse é o meu I Ching hoje, Vento em cima, Trovão embaixo. Não se assustem.....porque pelo nome parece algo diferente das águas tranquilas de ontem, mas ele fala de "Oportunidades Infinitas"! O Livro das Mutações Chinês me diz que esse é um momento de grandes oportunidades, que muitas coisas planejadas e desejadas poderão acontecer. Diz ainda que eu tenho que ser muito clara em expressar os meus desejos, que muitas vêzes as coisas não acontecem porque não as assumimos como desejo, e às vêzes nem sabemos que as desejamos.

Bom...sempre fui de deixar minhas metas e desejos muito explícitos. Sempre caminhei na direção deles...não traçava muito as metas e caminhos, eu não avaliava tudo que precisava até alcançar meus objetivos...pois eu tinha uma convicção (que beirava a arrogância ou ingenuidade) que me dizia que eu devia contar com a força do universo e com a certeza de que as coisas sempre dão certo. Achava que o caminhar me revelaria as encruzilhadas, e que meu coração, na hora certa, me indicaria a melhor escolha....sempre trabalhei muito...porque eu tinha em vista onde eu queria chegar, mas o meu caminho sempre foi mais intuitivo do que calculado.

Eu tenho uma amiga, Juliana, que diz que a música dos Titãs que fala: "O acaso vai me proteger, enquanto eu andar distraida..." é a minha cara, que as coisas vão dando certo pra mim, e que eu sou sortuda, que mesmo distraida as coisas vão acontecendo.... bom...acho que eu não sou exatamente uma pessoa distraída, sou muito atenta, sou extremamente intuitiva, confio nos meus sentimentos, e sei avaliar o que é de fato importante, daí eu ser seletiva, não coloco energia naquilo que não acho importante, ou que minha intuição diz que não vale a pena....coloco energia naquilo que seleciono, naquilo que sinto que tem a ver com as minhas metas, e mais ainda...aquilo que tem a ver com a minha meta maior...sei cortar, sei abrir mão daquilo que não tem nada a ver com o que quero, não perco muito tempo dando voltas....ser capricorniana me dá uma praticidade e um pragmatismo que gosto muito. Então parece que sou distraída, mas na verdade sou muito seletiva, e penso que sei onde colocar minha energia.

Nesse momento que vivo, ler o I Ching me dizer que é uma época de oportunidade, me leva a fazer contato com a minha meta maior, que é ser uma pessoa de Verdade, alguém que pode estar na vida sem muitos atenuantes e paliativos....quero ver a vida com olhos cada vez mais ampliados...sair de um olhar maniqueísta do Bem e do Mal, me livrar de um olhar cristão de pecado, de culpa, de certo e errado. Quero, quero muito....um olhar cada vez mais ampliado...um olhar de Buda (estou muito longe disso), que vê em 360 graus, que sempre vê a perfeição em tudo, e se ainda não conseguiu isso, é porque não viu tudo ainda....

Esse de fato é o momento de grande oportunidade....enquanto isso acontece....esse processo de ampliação infinita da consciência, vou escrevendo e confesso publicamente o meu desejo de ser escritora....que aqui começou como uma grande brincadeira, a brincadeira de fazer uma diário de adolescente...mas de fato esse é um dos meus desejos...

Bom...Judson está bem...passou uma noite tranquila, já se alimentou....e está muito incomodado com a cama, isso é uma bom sinal!

Namastê!
Ludmila Rohr

P.S. foto com monges no maior templo em forma de estupa do Nepal.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Medo de quê?


Uma vez, eu estava na Índia em um templo, onde havia o costume dos visitantes fazerem pedidos. É um templo muçulmano, onde um homem santo havia sido enterrado. Dizem os fiés e seguidores desse santo, que ele é muito poderoso, que ele realmente atende aos nossos pedidos.

Não tenho o hábito de fazer pedidos, na verdade nem gosto de fazê-los. Na Índia é comum dizer que "Quandos os Deuses querem se vingar, eles atendem os nossos pedidos". Acho que isso se deve ao fato de que não sabemos desejar, ou que desejamos aquilo que de fato não seria o melhor pra o nosso crescimento. Muitas vêzes desejamos aquilo que nos daria satisfação, mas nem sempre isso é representa o melhor pra gente.....bom, cabe mil reflexões aqui....

Como era a minha segunda vêz nesse templo na Índia e no ano anterior havia desejado voltar ali com os meus filhos e, eu naquele ano estava ali com os meus filhos!!!, resolvi respeitar esse santo e cuidar muito bem do que eu iria desejar a partir daquele momento....

Pensei, pensei muito....achei inclusive que não devia desejar nada...que o universo sabia exatamente o que seria bom pra mim e que seria desnecessário fazer pedidos.....quando estava pra sair do templo, escuto uma voz que me sopra no meu ouvido qual deveria ser o meu desejo....
Ela dizia: "deseje nunca ter medo de você mesma!

Uau! não pude deixar de escutar isso! E esse foi o meu desejo naquele ano, naquele templo mulçumano na Índia. Eu pedi para não ter medo de mim mesma! Eu entendi que eu podia até ter mêdo de coisas fora de mim, mas que não queria a apertir daquele momento ter mêdo de nada que viesse de dentro de mim!

Quero olhar com verdade para os meus sentimentos, desejos, pulsões, pensamentos, sensações...quero ententer e conhecer tudo que brota em mim, mesmo que elas pareçam feias, desagradaveis ou diferentes do que os outros esperam de mim, mesmo assim eu quero aceitá-las porque quero ser cada vez mais consciente e em paz comigo mesma!

Bom....tenho tentado.....

Namastê

Ludmila Rohr
p.S. foto tirada no encantador Taj Mahal