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sábado, 13 de fevereiro de 2016

ENCARAR O ESPELHO PARA SER FELIZ


Temos várias escolhas a fazer durante a nossa vida, e todas trarão consequências que teremos que encarar, querendo ou não. Podemos passar anos da nossa vida escolhendo tentar agradar os outros em detrimento de nós mesmos. Podemos também com esforço exaustivo, tentar fugir de nós mesmos, dos nossos anseios, das nossas necessidades, frustrações, medos, raivas, inseguranças .... podemos criar personagens que sob um olhar superficial, pareçam críveis, podemos até enganar a muitos, mas não a nós mesmos. Toda vez que estivermos a sós, diante do "espelho", teremos que encarar a verdade, pois ninguém pode sentir a sua dor, ninguém vai sentir o seu vazio, nem resolver os seus problemas, ninguém vai encarar os medos ou frustrações por você, nem vai ter que lidar com os seus fantasmas, cedo ou tarde você mesmo vai ter que fazer isso. Como psicóloga e como pessoa que acredita que tomar posse de si mesmo, por mais dolorosos que seja, sempre será a melhor escolha, torço para isso se dê o quanto antes, a tempo de vivermos uma vida de verdade.

Estar misturado e disfarçados em meio a multidão, ou fazendo coisas o tempo todo, pode até nos manter na ilusória distancia de nós mesmos. Podemos nos enganar por algum tempo, nos dizendo que as coisas vão bem, que temos lidado bem com as dificuldades porque vemos os dias passarem e nada de mais grave aconteceu, que temos sobrevivido apesar de tudo!

As mentiras dos personagens que criamos podem convencer muita gente, pessoas que talvez não tenham interesse sincero em saber quem nós realmente somos e o que temos passado de verdade, até mesmo porque também vivem suas mentiras, mas não conseguiremos mentir para nós mesmos por muito tempo, ou por todo o tempo ....

As máscaras perdem a eficiência principalmente naqueles dias que a alma nos pega de jeito, nos dias que as nossas verdades não aceitam tapeações e deixam nossas feridas expostas ... nesses dias, não há como fugir ...ou sucumbimos ou nos superamos, mas mentir, atuar ou fingir não é mais opção.

Olhar com honestidade para o espelho, em busca de livrar-nos das imposições externas, de expectativas externas....desfazer das máscaras, desmontar os personagens, reconhecer a diferença que existe entre a minha defesa e o aquilo que sou de verdade, é o primeiro passo para o "tomar posse de si mesmo". Apropriar-se da paz e da força que vem a partir do momento em que você descobre que não precisa fingir, que não precisa atender as expectativas externas violentando a si mesmo, é o grande ganho nisso! 

O processo terapêutico tem essa função. Servir de espelho. O terapeuta tem a função de nos ajudar a olhar esse espelho, descobrir que não há nada mais empoderador, e libertador que a verdade, ou o autoconhecimento. Não há nada mais incrível que descobrir que existe alguém de verdade, escondido atrás de personagens exaustivos, um alguém que pode amar e ser amado, que pode caminhar com as próprias pernas e ser produtivo, um alguém que pode ser feliz, feliz de verdade. 

Felicidade não é colocar, a todo custo, um sorriso eterno no rosto. Felicidade é sinônimo de libertação e de verdade.

É possível ser feliz apesar das dores e das faltas. 

É possível viver sem trair a si mesmo. 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

RELATIVIZANDO DORES E PERDAS (ALMA CHEGANDO)

Duas semanas ou três semanas sem postar...
Depois que cheguei do Brasil não tive tempo, nem energia ou inspiração pra isso. Sempre tenho a sensação, depois de uma viagem dessas, de que meu corpo chega, mas minha alma vem devagarinho...vai chegando aos poucos... Respeito isso.

Esses dias algumas pessoas começaram a me cobrar posts novos. De verdade não me sinto cobrada, nem tenho um impulso de escrever para atendê-las. Sei também que elas fazem isso com carinho, acho até bonitinho sentirem falta do meu blog. Agradeço e respondo que logo logo escreverei, mas espero meu tempo chegar... 

Hoje fiquei com uma pequenininha vontade de escrever...parece que por uma fresta pequena e ainda estreita minha alma começa a se instalar em mim outra vez. Aos pouquinhos estou ficando inteira de novo.

A alma que encontra meu corpo nessa volta do Brasil é uma alma com algumas marcas e mais sensível. A alma de quem perdeu o pai adorado ( me despedi dele três posts atrás). A alma de quem não sabe como é o  país que estará morando dentro de alguns mêses, a alma que sabe que em breve deixará para trás uma cidade que aprendeu a amar, amigos queridos que construiu ... A alma de quem se afastará geograficamente do segundo filho em breve, e terá que acostumar com os dois filhos longe...bem longe....

Tenho uma forma de lidar com as coisas que me parece interessante. Gosto de pensar no que vou aprender de novo. Gosto de pensar nos ganhos que terei ou tive me cada situação, mas não dá pra esquecer que tudo tem um preço. Não dá pra fazer de conta de que tudo são flores. Não sou assim, e nem conseguiria ser.

A próxima grande mudança na minha vida, que tudo indica que será para a Coréia do Sul, vai me colocar perto de vários países que tenho a maior curiosidade em conhecer, mas vai me deixar longe de muitas pessoas e coisas que amo. Estarei bem pertinho da China, Japão, Indonésia, Laos, Vietnan, Butão...enfim, tantos lugares que não conheço e sempre quis conhecer e estou excitada com isso.

Tenho a sensação clara de que vou porque tenho mais a ganhar do que a perder e, tentarei entender como afastamento e não como perda, aquilo que deixarei aqui quando for. Entendo que Houston e os amigos que fiz são uma expansão do meu território e das minhas conquistas e não como perdas que terei. Sinto que voltarei sempre que quiser e os verei de novo... bem diferente da perda do meu pai que não o verei mais quando voltar ao Brasil. Essa sim, uma perda de verdade.

Depois de lutar por dois anos ao lado do meu marido contra um câncer aprendi ainda mais a relativizar as dores e os problemas. Parece que muitas coisas perdem importância depois disso ou são redimensionadas. Depois da morte do meu pai, aprendi a relativizar as perdas. O que é realmente perda diante disso? Só as mães que perdem seus filhos continuam a me comover completamente sem que exista relativização possível na minha mente. As outras perdas que vejo amigos e pessoas queridas passarem, todas eles me deixam compassiva, mas não me provocam pena.

Bom...minha alma está fluindo....sem pressa vai chegando...

Obrigada a todos que me aguardaram e ainda aguardam...
.... estou chegando devagarinho....

Ludmila Rohr






sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Notícias e um tempo para a alma...


Foi assim...

Fomos a São Paulo. Estivemos com a médica que tratou Judson do 1º câncer e com o médico que o operou da metástase, Dra. Angelita Habr-Gama e Dr. Joaquim Gama. Eles são muito bons. Nos oferecem um tratamento absolutamente digno. Nos sentimos respeitados e atendidos com eficiencia. É muito fácil confiar no que eles dizem, eles passam tranquilidade e segurança no que estão fazendo. São além de médicos, pesquisadores, cientistas. Em nenhum momento nesse 1,5 ano senti nenhum tipo de insegurança com eles, ou a respeito deles e do que eles nos propunham em termos de tratamento.

Enretanto, essas consultas envolvem muita tensão, muita expectativa. Estávamos ansiosos por esse dia, mas ao mesmo tempo sem querer vivê-lo, porque o que queremos é apenas uma coisa. Não existe algo mais ou menos, ou próximo do que desejamos que nos satisfaça. Não há alternativa que nos dê satisfação, a não ser uma: Saber que tudo deu certo.

Deu certo.

Judson é considerado a partir de hoje por eles como um paciente em controle.
Ele fará, durante um ano, revisões de 3 em 3 mêses, que passarão em seguida para de 6 em 6 mêses...e ...enfim..continuarão tendo seus espaços dilatados até completarem 5 anos, quando o paciente de câncer é considerado em remissão.

Não se fala em cura, mas em remissão.

Tenho me perguntado quais os sentimentos? O que tenho sentido nesse momento?

Não sei.

Às vezes um alívio..porém, às vezes me pego tensa como se ainda tivesse que viver uma próxima quimio na semana seguinte...às vezes nem lembro que tivemos um notícia boa assim...de verdade ainda não consegui ficar alegre. Queria tanto...mas acho que minha alma tá assustada ainda...assim meio desconfiada...sabe como alguém que esteve na prisão e que não confia muito na liberdade? Parece que uma parte da minha alma, da minha energia...da minha vida..esteve aprisonada..e agora tem que se acostumar com o brilho do sol..com o vento no rosto...com a vida!

Já me peguei desejando mais uma quimio...só mais uma, por favor! Como se ela fosse me salvar de algo...já refiz as contas das quimios...fico achando que a clínica contou errado e ainda falta uma...! ai..e se eles estiverem errados? e se ainda faltar uma?

Bom...acredito na cura da alma, sou terapeuta..cuido de almas feridas. Mas acredito que o tempo da alma é um tempo próprio...e que talvez a alma demore mais a se curar que o corpo.

Minha alma vai se curar, mas preciso de um tempo....

Sou grata a vibração e companhia, que recebemos, durante todo esse tempo, de todos!

Namastê!

Ludmila Rohr


quinta-feira, 2 de julho de 2009

Vivendo a noite escura... sem resistir....


Hoje parece um dia de sol, depois de uma longa noite escura!!!
Assim eu sinto!

Judson na segunda fez quimio, quase que não consegue fazer, por causa dos benditos leucócitos que ainda estavam abaixo do mínimo. Fez. Passou mal, quase desmaia, vomitou, e teve febre! A febre é um fantasma pra quem está em quimio...ela não pode acontecer...febre significa infecção...leucócitos baixos significa baixa imunidade...péssima combinação...dias difíceis...

Nada a ser feito!
Esperar com serenidade e sabedoria. Só temos que esperar...

Acredito que tudo que aprendi na vida até hoje, me preparou para momentos como esse. A não-resistência é um grande aprendizado. Simplesmente poder estar, onde devo estar. Deixar a minha mente e o meu coração onde é possível estar. Não brigar com isso.

Nesse momento, não a há nada a ser feito, a não ser esperar. Esperar a "noite escura" passar. Esperar com serenidade...e isso não significa, sem dor...mas com serenidade. Eu posso fazer isso.

Sei que posso fazer isso, porque o que tenho uma certeza inquestionável dentro do meu coração. É uma crença inabalável. Sei que as noites tem um tempo de durar. Elas, assim como tudo na vida, não são eternas. São impermanentes, são finitas. Então, basta esperar!

Outra crença inabalável na minha vida, e que me ajuda nessa espera, é que depois de cada "noite", tem um "dia de sol"...eu sei disso. Sei porque nunca perco o contato com esse "Sol interno"...ele é perene...brilha sempre...mesmo quando estamos na noite...ele só está no meu outro lado...esperando a vida virar de novo...

Sei que preciso estar com a minha mente e o meu coração, no mesmo lugar onde meu corpo está. Isso me protege das ansiedades tão comuns quando nos deslocamos de onde temos que estar... e nos repartimos..nos fragmentamos. Isso aprendi com o yoga e com a meditação.

Outra coisa que aprendi faz tempo, é que a mente precisa estar no único tempo que existe, e que é esse que vivemos. Não devo estar no futuro, nem no passado. As ansiedades nascem assim. O tempo é o presente.

Bom, nessas "noites escuras", preciso apenas estar inteira. Com os medos que surgem e desaparacem. Com a perdas e mudanças que precisam ser feitas. Desapegando daquilo que na arrogancia humana havia programado...e esperar....o dia virá...e enquanto não vem....que a noite seja uma energia feminina de transformação que me envolve...não lutarei contra ela.

Recebo a noite no meu corpo e alma....e me despeço dela....tá na hora do Sol brilhar outra vez!


Namastê

Ludmila

terça-feira, 5 de maio de 2009

Chove chuva....chove sem parar....




Quem nos disse que temos que correr da chuva?


O que a chuva me traz? O que ela leva de mim?


veio a água.... muita água...energia da alma... dos sentimentos, que assim como a água, podem congelar, endurecendo...podem evaporar mas continuam a existir...podem fever...esquentar, esfriar...podem fluir... Nesse momento a água cai com força e leva com força aquilo que estiver no seu caminho.... tem um rio de chuva me envolvendo agora...

Que venha a chuva....quero ficar quietinha...a chuva me leva pra dentro, num lugar quentinho dentro de mim.


Que venha a chuva e que venha purificando, lavando, levando....levando tudo que não me serve mais e que a terra que é uma mãe amorosa, receba isso e transforme tudo em amor, coragem, sabedoria...


Que venha a chuva e que me deixe mais leve...que leve todos os medos, todas as dúvidas, dores..


Que venha a chuva e traga o que ela quiser me dar.


Que venham as gotas delicadas e as fortes também, as enchurradas.

Que atravessem o meu corpo, a minha áura, a minha casa... e que meu coração aberto não resista, apenas se entregue.


A chuva é uma mãe amorosa ou uma mãe severa?


O som da chuva me aninha ...a som da chuva me acolhe e me encolhe também... sinto medo, parece um medo de criança....mas descubro que não há nada há ser feito... fico menor com a chuva, encolhida, acolhida e aninhada não tenho defesas ...devo ficar quietinha...escutar o meu coração...sentir a água caindo...lavando...lavando....


Não há nada a ser feito...não existe a possibilidade de resistir ao poder da chuva...da água...podemos apenas respirar e esperar, esperar pra saber o que ela levou e, como ficou o que ela não levou.



Chove chuva...chove sem parar....

Ludmila






terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O descanso enquanto caminho.....


Ontem uma aluna escreveu, falando do quanto ela foi tocada pelo blog e por minhas reflexões e que isso a levou a se expressar também. Isso tem acontecido sempre e me leva a um sentimento muito lindo de leveza e de preenchimento. Senti meu coração muito grato por receber tantas demonstrações de afeto. Adoro meus alunos, eles são lindos! Adoro meus amigos, clientes, família....todas as pessoas que me escrevem...simplesmente adoro!

Acredito no poder dos sentimentos....sei o quanto as manifestações e expressões deles tem o poder de formar uma rede, de abraçar e tocar as pessoas nas suas almas. Os sentimentos criam laços e vínculos profundos, por isso não temo expressá-los. Não temo o que eles possam produzir nas outras pessoas, muito pelo contrário...espero sinceramente afetar as pessoas. Acredito que expressar sentimentos alivia a alma e é extremamente curador, além de abrir uma porta muito sagrada, que é a porta do coração.

O nosso coração tem um poder enorme de estabelecer vínculos com outros corações a partir da expressão sincera dos sentimentos. É uma conexão que ultrapassa qualquer barreira, que vence qualquer defesa e resistência, rompe diferenças culturais, sociais, econômicas.....a linguagem do coração é universal. Toda vez que nosso coração fala, outro coração, em algum lugar, escuta. Esse campo energético simplesmente acontece....é simplesmente assim! Os corações simplesmente são atraídos....e se encontram....é um encontro que muitas vêzes é silencioso e invisível, mas sempre é nutridor e multiplicador.

Além desse poder de conexão, sinto que a expressão dos meus sentimentos autoriza outras pessoas ao mesmo. É como se as pessoas que são tocadas pelas minhas palavras se sentissem autorizadas, liberadas para o mesmo. Cria-se uma egrégora de confiança, uma sensação de pertencimento, uma rede multiplicadora de energia amorosa que une corações e almas nas dores e nas alegrias, e não nos deixa sós.

Não tenho medo de me mostrar, porque não tenho medo dos vínculos que isso possa gerar. Quero relações profundas na minha vida. Seria uma falácia se eu dissesse que não quero que gostem de mim. É bom ser querida. É muito bom, mas não preciso que gostem de mim pelo que pareço, mas sim pelo que sou, e o que sou ainda está em construção, cada dia se transforma, estará em contrução sempre, mas uma coisa já sei , aliás, tenho certeza, que o meu coração é o meu centro. Por onde tudo irá circular, de onde tudo irá partir e chegar, onde todas as relações e experiências deixarão as suas marcas. O meu coração é o centro....pulsa e dá o rítmo à minha vida.

Ontem passei muitas horas no hospital. Judson foi fazer um procedimento cirúrgico de implantação de um portcater para a aplicação da quimio que começa na quarta-feira. Portcater é um acesso venoso permanente instalado na região do pescoço, onde os medicamentos serão injetados, pra não precisar ser furado a cada quimio, e também por que dessa vêz a quimio acontecerá por 3 dias ininterruptos a cada 15 dias. A médica nos explicou que ele ficará nesses dias da quimio, com um recipiente pendurado numa bolsa com o medicamento sendo injetado por uma bomba. Segundo ela é tranquilo e até Ana Maria Braga já fez isso (eu ri com essa informação) e apareceu na tv assim. Iniciar o tratamento nos dá uma boa sensação, embora tudo isso seja muito cansativo, mas tenho a sensação que o início nos dará algum tipo de descanso, é como se colocássemos o pé na estrada e descansássemos enquanto caminhamos.

Do fundo do meu coração.....muito grata, muito grata por me proporcionarem um descanso nessa caminhada!

Namastê!

Ludmila
P.S. Foto no Templo em forma de lótus da fé Bahai em New Delhi na Índia.



segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Mulheres poderosas....muita alma....muitos sentimentos...


Duas pessoas muito queridas para mim, estão vivendo momentos bem fortes em suas vidas e embora desejem, têm muita dificuldades de me procurar, dizem que é por causa do meu momento. Uma delas está muito feliz, apaixonada, vivendo um amor; ela está leve, bonita, animada e cheia de energia. Me confessou que é complicado para ela dividir comigo sua felicidade, pois sente-se egoísta, sente que meu momento é mais importante. A outra está se separando, está oscilando entre a raiva por estar sendo sacaneada pelo ex-marido e o mêdo de tantas mudanças. Sente-se mal e sozinha pra enfrentar tudo, e também acha que não devia me incomodar, pois os meus problemas são maiores.

Bom....se não consigo olhar para fora de mim, esse meu quadro daqui a pouco iria me enlouquecer. Como já disse antes aqui no blog, não me sinto especial, porque estou vivendo um momento especial. Não preciso ser poupada da vida, porque estou inundada, imersa nela; se eu não conseguir me comover com a vida, se eu não conseguir me afetar com as histórias das pessoas, que pessoa egocentrada eu seria.

Às vêzes, como já disse aqui também, tenho a sensação de que estou fora da vida, como se estivesse em outro ritmo ou outra dimensão, mas isso passa. Cada vêz que me aproximo de alguém e ouço uma história, isso me tráz de volta à realidade. Eu sempre soube que "olhar pro outro, me ajuda a reconhecer os meus limites", o outro é o meu limite, a dor do outro dá limite a minha, a alegria do outro também! e isso é fantástico, porque se não houvesse esse limite....como nos sentiriamos? sem bordo...num vazio que não ajuda a estabelecer forma, ou possibilidade.

Ouvir uma mulher apaixonada, me coloca em contato com essa porção que existe em mim...posso sentir essa energia vibrando no meu coração e por todo o meu corpo. Pedi pra ela, para não ser excluida desse seu momento, que eu estou achando lindo...e que fico muito feliz por ela. Sou uma pessoa intrínsecamente feliz, e a felicidade do outro não me assusta, nem me causa desconforto. Gosto de ver alguém feliz, e vibro por isso. Ela está irradiando luz, brilho, sexualidade, alegria, excitação....pode existir um momento tão lindo quanto esse?

Minha outra amiga, está com raiva....muita raiva, às vêzes muito medo e quase sempre, muita solidão. Ela é linda. É realmente uma mulher linda. Ela é inteligente, sensível, confiavel e boa amiga. Adoro a beleza dela. Acho que muitas mulheres podem ter problemas com ela, por ser tão linda e inteligente, e num momento como esse, ela esquece de quem ela é. Ela se vê sempre frágil, sozinha, sem recursos internos, com medo...ela vive um momento meio negro...sem conseguir olhar pra frente, se acha sem saída, sem possibilidades, com medo de ser uma fracasso....Digo pra ela que isso é impossível. Ela não será uma fracassada, só por que algumas coisas estão fracassando....., ela conversa comigo, mas também se sente mal em me incomodar.

Adoro essas duas pessoas e sinto que jamais estaria fechada para elas...aliás sinto que sempre que me coloco diante da dimensão humana, me sinto tão mais inteira, sem mais, nem menos; do meu tamanho. O sentimento do outro faz com que a minha dor, ganhe um tamanho e uma forma, não fique difusa, espalhada pela minha vida. Tem um lugar na minha vida, mas não é minha vida. Elas são poderosas, apesar de viverem momentos opostos, são mulheres poderosas, por poderem se entregar aos seus sentimentos, por não temerem suas próprias almas. Adoro isso!

Quanto mais mergulho nos meus sentimentos, mais próxima de todos que sentem eu conseguirei estar. Certamente seria difícil ouvir qualquer pessoa com suas histórias de alma, se eu estivesse tentando fugir da minha. Se eu tivesse tentando negar a minha alma, eu não suportaria alguém na minha vida que me levasse ao encontro dela.

Deméter é uma Deusa grega cujo nome significa, "porta de entrada para o feminino Misterioso". Ela sempre ilumina os nossos caminhos pelos labirintos das emoções e dos sentimentos. É uma linda Deusa que certamente vai nos ajudar a entrar nesses labirintos e honestamente olhar para os nossos sentimentos...sem negá-los e vivenciando cada um deles.

Então, obrigada minhas queridas, por me incluirem e me deixarem participar das suas vidas e dos seus corações.

Namastê!
Ludmila Rohr
P.S. na ilustração...Deméter...linda, poderosa e com o peito (alma) exposta!


domingo, 8 de fevereiro de 2009

A Lua quase cheia....


Hoje teve um almoço aqui em casa. Quisemos comemorar o aniversário de Caio. Nessa época do ano sempre tenho estado na Índia e, no ano passado Caio me perguntou se em algum ano dali pra frente, ele teria um aniversário com toda a família? Bom, estamos juntos esse ano, porque não comemorar?

Estive estranha durante a festa, me sentia estranha, parecia estar em outra velocidade, ou outra dimensão. A sensação é de que as pessoas eram estranhas, mas na verdade, eu estava. Tudo estava.

Uma pergunta vem em forma de sensação. O que está acontecendo? Judson está se recuperando, mas parece que eu vivo uma espécie de ressaca. Uma ressaca da dor que vivemos. Os dias passam, as pessoas falam, as coisas acontecem, mas parece que algo em mim parou em algum lugar ou tempo, e que tenta voltar mas ainda não consegue.

Os índios norte-americanos diziam que depois de uma viagem deviamos ficar quietos, esperando a alma voltar. Eles diziam que, o corpo chega, mas a alma leva algum tempo pra chegar. É assim que me sinto. Parece que meu corpo chegou aqui na vida de todo dia, mas minha alma tá chegando aos poucos.

A viagem que fiz à caverna que existe dentro de mim (falei outro dia sobre isso), ainda repercute....parece que em alguns momentos estou inteira....em outros não. Hoje não.

Não tenho dúvidas sobre a minha capacidade de recuperação. Sou realmente uma pessoa resiliente. Me recupero, e tenho me recuperado. Sinto esse descompasso com o ambiente externo em alguns momentos e aí, fico esperando...me dou um tempo....tento não me deixar afetar pelas cobranças....e tranquilamente, no tempo que minha alma quer, no tempo que é possível para o meu coração...vou voltando....

Hoje foi um dia estranho.... no céu, uma lua quase cheia... e eu, quase aqui....

Namastê!

Ludmila Rohr


sábado, 31 de janeiro de 2009

Amigos que me nutrem!


Preciso começar hoje falando sobre algo que tem sido um alimento pra minha ama. Tenho recebido emails, SMS, comentários no blog e no orkut. Tantas as pessoas me alimentando amorosamente com reflexões, recadinhos amorosos, orações e tudo mais. Sou tão imensamente grata a todos vocês. Acho que voces não tem a menor idéia de como é acolhedor ler algo de alguém comentando o que escrevi. Alimenta a minha alma, me sinto acompanhada e querida, e nesses momentos isso é muito!

Quem é meu aluno de yoga já deve ter visto no final da aula, no momento em que faço uma oração de agradecimento, e quando compartilhamos a energia que certamente acumulamos no nosso corpo e na sala com as pessoas que precisarem dessa energia, que de vez em quando eu peço que voces mentalizem que essa energia está alcançando todos "aqueles que não tem amigos".

Desde o primeiro episódio de câncer do meu marido, tenho feito isso com mais frequencia, pois sinto que algo mudou na minha relação com os meus amigos. Não na relação em si, mas na minha percepção da importancia dessas relações. Adoro pessoas, gosto muito dos meus amigos, mas quando se vive algo como isso, eles ganham uma dimensão muito especial. Cada email que recebo, cada telefonema, cada SMS, scrap no orkut ou comentário no blog, me deixam tão animada. Pareço uma criança, sinto que sou querida, embora eu saiba disso, mais nesse momento, eu reconheço e confesso que não basta gostar de mim, eu preciso saber que voces pensam em mim. Confesso minha necessidade!

Meu I Ching de hoje me disse: "Montanha em cima, Trovão embaixo", que fala sobre a nutrição do corpo e da alma. Nutrição em todos os níveis. Me recomendava que eu cuidasse disso que eu reconhecesse e valorizasse tudo que me nutria verdadeiramente.

Algumas vêzes na minha vida, pessoas me disseram que eu passo uma idéia de que não preciso de nada; muitas pessoas já me disseram que sentem dificuldade em se paroximar para me ajudar, mesmo sabendo que eu estou precisando. Bom...vou explicar uma coisa: Cresci acreditando que tinha que me bastar, que tinha que me virar, que não podia ficar esperando ajuda; cresci acreditando que isso me fortalecia, que isso me construia. Bom....muitas águas passadas, terapias e reflexões.... continuo achando que não posso esperar por ajuda, que preciso ser forte e ter capacidade de me organizar sozinha, mas hoje reconheço que quando elas chegam, eu devo aceitá-las, devo abrir meu coração e simplesmente receber...hoje sou muito grata, por cada vez qua alguém me liga, ou me conecta de alguma forma, sou fascinada pela imensidão de formas para encontrar alguém que existem hoje em dia, não existe nenhuma desculpa para não encontrar alguém com tantos recursos...Amo isso!

Então meus queridos amigos que me escrevem, que me ligam, que enviam torpedos, scraps, comentarios no blog....AMO VOCES!!!!! Amo muito e me sinto muito alimentada por isso! Muito obrigada...muito grata! Tenho uma amiga querida (Ana Teresa) que quando me vê ou fala comigo me diz: Vc sabe que estou te acompanhando no meu silêncio, não sabe? E é verdade, eu sinto isso, ela é assim, e como já vivemos muitas dores juntas, sei como ela reage, mas adoro quando ela me diz isso! Uma outra amiga, Inge, que sei que está comigo e Judson na mente o tempo todo, apesar de não ligar muito, eu sinto a presença dela, sei o quanto ela deve sofrer com essa história porque ela gosta muito da gente como casal. Parece que desenvolvemos depois de uns 25 anos de amizade uma comunicação telepática. Tenho a sensação nítida do acompanhamento dela.

Tenho notícias boas: Judson teve alta do hospital, já está na casa de uma prima, estou voltando pra SP domingo e voltaremos pra casa na terça! A evolução cirurgica foi rápida e excelente. Ele iniciará em 15 dias a luta com as células cancerosas, com a quimio, essa é uma batalha que levará 6 mêses...mas, vamos viver a "cada dia o seu bem e o seu mal", e hoje temos a comemorar que ele está fora do Hospital, que em breve voltará para casa e que TEMOS MUITOS AMIGOS!!

Um beijo no coração de cada um de voces!

Ludmila Rohr
P.S Essa foto é o amanhecer no Rio Ganges na cidade Sagrada de Varanasi na Índia. Cada vez que fui nesse lugar, senti um alimento precioso que alimentou meu espírito para enfrentar todas as jornadas da vida. Voltaremos lá em 2010!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Minha caverna de dor e quietude


Estamos em SP.....está muito frio....15º! Íncrível que ninguém tenha avisado a essa terra que estamos em janeiro! É verão! Devia estar quentinho.....e com céu azul e com um sol sobre as nossas cabeças...devia, mas não está. Está frio.

Quando saimos ontem do consultório do médico que irá operar Judson, sentimos tanto frio, queriamos beber um vinho e ficar bem agarradinhos...bem pertinhos um do outro....a minha necessidade era de me fundir com ele, me de tornar uma só pessoa, que ele pudesse entrar em mim e eu nele. Sentia como se não pudesse me separar dele, que minha alma precisava ficar grudadinha na dele.

Sou uma espiritualista praticante, medito e sempre busco significados pras coisas, sempre tento me entregar ao sagrado que existe na vida....já vivi algumas coisas difíceis e dolorosas que me deixaram muito assustada mas que testaram minha força, algumas dessas situações são inesquecíveis como um naufrágio no Rio Amazonas que pensei que ía morrer, quando Caio despencou de um poço de elevador, quando minha casa foi inundada por uma enchente e perdemos quase tudo que tínhamos, quando sofri um aborto, quando Lucas foi operado, quando soubemos do primeiro câncer de Judson...fora a situação que nem lembro, mas que sei que vivi e que deve ter deixado marcas na minha alma, meu pai foi preso pela ditadura militar quando eu era um bebê de 3 mêses....bom...sempre que olho pra essas história e outras da minha vida....sinto que elas me construiram, que sou forte por causa delas....nunca sinto que fui vítima de nada...conto essas histórias e a forma como as atravessei com um certo orgulho, mas hoje....

....hoje estou triste....estou muito triste.....tenho chorado muito....nesse momento estou no lobby do hotel, escrevendo e chorando....não questiono as coisas, nunca passa pela minha cabeça coisas do tipo: Por quê eu? Por quê com ele? Definitivamente não tenho afinidades com o papel da vítima. Sinto muita dor, acho que nesse momento todo o meu corpo doi, minha alma doi, mas não consigo me sentir vítima de nada....acho que sairemos dessa de alguma forma e que serei uma pessoa melhor, terei mais histórias pra contar e poderei ajudar mais pessoas ainda com o meu trabalho e com a minha vida.

Tenho duas sensações muito presentes e constantes nesse momento: dor e quietude. Tudo doi, mas ao mesmo tempo me sinto quieta, num lugar tranquilo da minha alma, num lugar muito profundo da minha alma. Em alguns momentos sinto como se estivesse numa caverna profunda, em outros, parece que meu tempo e ritmo estão diferentes, como se eu estivesse funcionando em outra dimensão. Esse é um lugar de muita solidão, mas é o lugar que sinto uma união profunda com o Sagrado.

Essa minha minha caverna é muito conhecida, já tive muito mêdo dela, mas depois de tanto visitá-la, depois de tantos mergulhos, em que, em uns, reconheço que fui levada pela vida, quando percebi já estava lá, e, em outros a busquei conscientemente. Agora não tenho mais mêdo algum...tenho paz e me entrego...é um lugar que sinto que posso estar sem esforço algum...só sentindo......nesse momento sinto dor e quietude...e choro...choro muito..., choro sem reservas, tento lavar a minha alma e deixar a a água levar o que tiver que levar.

Bom.....conto com vibrações de todos...amanhã....

Namastê!
Ludmila Rohr