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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Seja quente ou seja fria...


Na Bíblia existem muitas passagens que me tocam profundamente pelo seu aspecto simbólico. Estudei muito pouco a Bíblia, li quase nada do que eu acho que deveria. Li muito mais textos Védicos do que a Bíblia.

Hoje estava escrevendo pra esse blog quando recebi uma email de uma amigo muito amado que me lembrou de uma passagem que simplesmente adoro. Em algum momento da minha vida, essa passagem era a minha cara....eu a via como um lema!


é assim...


"Seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito".


Quando conheci essa passagem, ela ganhou um significado que talvez fosse muito pessoal, mas que eu amei...Já escrevi aqui sobre o quanto a passividade e a acomodação não fazem parte da minha vida. Já escrevi também sobre o quanto pra mim é importante fazer a diferença, e que pra isso precisamos encarar os nossos medos, encarar que os nossos maiores inimigos estão dentro de nós mesmos.


Não consigo ser bege, não consigo ser morna...embora ache que existe um enorme conforto nisso. Acho que as pessoas mornas, pensam muito mais em si mesmas do que aquelas que não o são. Elas estão preocupadas com os riscos que correrão, com as consequencias dos seus atos, das suas palavras e dos seus afetos. Elas pensam muito e encontram um lugar de contenção para as emoções, e para os desejos. Elas dificilmente seguem algum tipo de impulso, precisam também freiar arroubos de paixão e desejos. Precisam deixar de ter opinião a respeito das coisas. Não podem destoar e jamais contrariar.


Elas são mornas; não são frias, e muito menos quentes; elas são mornas.


Acho que deve ser muito confortável estar ao lado de alguém morno, porque não existem surpresas, porque elas são esperadas e planejadas, exatamente pra não causarem instabilidades . Não existem muitas turbulências.... acho que a vida fica mais leve.... muitas vezes quis ser morna, ou bege...muitas vezes até tentei isso.... Porém as pessoas mornas também são perigosas, por que elas tentam controlar a temperatura do outro. Acho que elas pensam: Poxa, se eu me controlo e me freio tanto.....quem é voce pra se permitir sentir tanto! Os mornos são controladores de temperatura. Eles freiam as expressões de calor...eles querem tudo bege, não aguentam muita intensidade...


Fiquei um pouco receiosa de publicar aqui no blog o meu poema "Por tras de mim". Ele fala exatamente dessa dualidade, que é quente e fria. As pessoas tendem a pensar que isso é um desequilibrio, que deveriamos encontrar um lugar no meio disso. Que deveriamos com o passar do tempo ir ficando mais bege, mais morna. Não tenho conseguido.


Com o passar dos anos, tenho me conhecido mais e mais, mas não tenho conseguido ficar morna. É bem verdade que não tenho tentado muito. Não tenho me empenhado nisso. Tenho buscado todas as nuances possíveis da minha alma e tenho conseguido não ser pega se surpresa por mim mesma. Sei que minhas emoções não me destruirão, nem me farão perder a consciencia de mim mesma, por mais intensas que sejam, mas elas não me tiram de mim, mas daí a ficar morna....tá difícil... o que consegui foi ter cada vez menos medo de mim.


Quando decidi publicar o poema "Por trás de mim", pensei que talvez algumas pessoas pudessem pensar algo de mim que não correspondesse a realidade, mas em seguida pensei: O que poderiam pensar de mim que não corresponda a realidade?...provavelmente sou, ou seria qualquer coisa que pensassem, me sinto livre pra sentir o sentimento que vier....se vier o medo, vou lá dentro, se vier a raiva..sinto e por isso, posso não atuar nela; se vier o desejo me entrego; se vier a descrença, a esperança, a fé, a alegria...
....qualquer coisa que vier de mim, eu viverei....., pois prefiro errar do que me omitir, eu prefiro sofrer do que não viver, eu prefiro ser quente ou ser fria, mas jamais serei vomitada à terra, por ser morna.
Ludmila
P.s. na foto, gesticulando muito numa aula...sempre repleta de emoções....

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Existe choro de amor?


Voltei pra Salvador hoje....peguei um vôo e, em 2,5h estava em casa. Aqui está quente, muito diferente de SP. Meus filhos me esperavam no aeroporto. Chorei muito quando os vi. Eles são muito especiais....são homens legais. Os escolheria como amigos, se não fossem meus filhos, e é sobre o sentimento que eles despertam em mim que quero escrever hoje, porque todas as pessoas que me conhecem sabem o quanto eu simplesmente os adoro.

Sou muito grata aos dois, por terem entrado na minha vida. Quando eles chegaram, senti como nunca antes havia sentido, que precisava ser uma pessoa melhor. A cada ano que passava e o contato deles com o mundo aumentava, eu sentia que precisava ser uma pessoa melhor. Eu queria que eles fossem pessoas legais, honestas consigo mesmos, conscientes dos seus sentimentos e que fossem buscadores. Eu achava, na minha "onipotência materna" , que se eu fosse assim, eles teriam mais chances de ser também, se eles vissem coisas boas em mim, eles buscariam isso para eles também. Queria filhos autônomos, corajosos e independentes. Queria que eles fossem leais aos amigos e justos com todos, mas que fossem fiés aos seus corações. Queria e quero para eles aquilo que eu acho que existe de melhor em um ser humano.

Eles se tornaram pessoas legais, eles são realmente muito legais, mas acho que as minhas altas expectativas são um peso pra eles. Eles dizem que não podem simplesmente ser o que são, eles precisam ser os filhos de Ludmila. Os meus filhos idealizados. Acho que eles têm razão....acho que isso pode ser um peso, e pode ser que um dia eles precisem trabalhar isso em terapia...tudo bem, mas vejo com orgulho que eles conseguem me dar limite. Como eu adoro saber que tenho vida própria, individualidade e privacidade e, eles também gostam disso, eles me dão limites nas suas vidas e eu tento respeitar isso, mais até como uma necessidade minha de ser respeitada do que de respeitá-los. Novamente meu egoísmo!

Voei de SP até Salvador com o meu coração apertado porque estava deixando o meu amor lá. Em alguns momentos do vôo eu chorei, chorei de saudade, chorei por tudo que estamos passando...., e que ainda passaremos. Chorei por que me dou conta de que sou uma pessoa cheia de amor! Chorei por perceber que amo tanto...amo muito....o meu coração vibra muito amor, e de repente percebi que não chorava de tristeza, chorava por saber que amo tanto...que sou amada, mas principalmente por que amo muito. Meu choro era um choro de amor....Será que existe isso?

Não sei se existe esse choro, mas de fato eu sou uma chorona e amo muito. Além de amar minha família, amo meu trabalho, amo acordar, amo meus alunos, clientes, amigos....amo conhecer pessoas novas, amo enormemente a vida!

Então...voltando aos meus filhos...e tentando fechar essa reflexão, o amor que sinto por eles é um termômetro, é como um padrão...funciona mais ou menos assim: sentir um amor desse , que sinto por eles me fez e faz tão bem, que quero sentir isso cada vez mais e por mais e mais pessoas. Quero muito amor na minha vida! Sou grata a eles dois! Eles me ensinaram que amar é uma delícia e que não devemos ser econômicos nisso!

Namastê!

Ludmila Rohr

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O que queremos, Felicidade ou Alegria?


Desde que chegamos em SP que chove! Aqui simplesmente esqueceram que é verão, que estamos em janeiro, que devia estar quentinho...como é possível viver um janeiro tão cinza? Bom...gosto muito de SP, gosto da idéia de poder encontrar aqui tudo que precisamos, tantos lugares pra ir, teatro, restaurantes, lojas que vendem tudo!! Aqui eu encontraria todos os cursos que tenho vontade de fazer, com certeza encontraria livrarias e templos de todas as religiões, mas...pra que tanto? pra que tanta correria e mais ainda, quem disse que precisamos de tantas coisas?


Não sei se voces sabem, mas um dos segredos da felicidade é se ter tudo que se necessita, entretanto a compreensão disso é muito deturpada e, as pessoas começam a correr pra ter cada vez mais, por que a lista das necessidades vai aumentando de forma exponencial a medida que os anos vão passando. Acho que SP retrata isso melhor que qualquer lugar do Brasil. As pessoas aqui precisam de muitas coisas, correm o tempo inteiro...e o pior é que acreditam que a vida é assim. Como se não houvesse outra forma possível de viver.


Um fenômeno interessante acontece quando as pessoas daqui descobrem que sou da Bahia, de Salvador....elas produzem imediatamente um suspiro. Acho que no imaginário dos paulistas...viver em Salvador, é exatamente o contrário de viver em SP. Alguns acham isso fascinante, outros acham isso assustador, ou no mínimo estranho. Talvez eu perceba também algum tipo de julgamento ou desqualificação...como se não trabalhássemos o bastante...ou se vivêssemos de uma ilusão...sei lá...., sem nenhuma pretensão de fazer uma reflexão sociológica ou etnocêntricas, muito menos bairrista, mesmo porque apesar de adorar Salvador, às vêzes me sinto completamente irritada com seu ritmo e com sua obrigação de ser "alegre"....quero apenas refletir sobre necessidades, ou sobre as falsas necessidades que nos fazem correr o tempo todo e que especialmente nesse momento da minha vida me chamam atenção.


Se é verdade que para sermos felizes precisamos ter tudo que precisamos, penso que teremos que rever as nossas necessidades....talvêz reduzindo as necessidades estariamos mais felizes, ou isso seria mais possível. O Mahatma Gandhi questionou durante toda a sua vida, o que realmente era necessário...o que de fato precisamos? Dificilmente chegariamos a viver com tão pouco quanto o Mahatma conseguiu viver. No final da sua vida, ele havia reduzido tão drásticamente suas necessidades que quase não possuia nada além dos seus óculos que o permitiam ler o Bhagavad Gita, seu livro sagrado.


Poderiamos também começar a questionar o que é felicidade, pois talvêz exista uma confusão entre felicidade e alegria. Felicidade é fruto de uma Paz que é sentida dentro, no coração e na mente. Felicidade não está associada a nada especificamente....as pessoas felizes, simplesmente são felizes...elas não são felizes por que conseguiram alguma coisa, ou por que possuem algo...elas são felizes porque simplificaram a vida e o conceito de felicidade. Elas sentem paz.


Sou uma pessoa feliz...embora possua muitas coisas além do necessário, e tenha muitos desejos...sou uma pessoa naturalmente feliz....sinto que sou feliz mesmo quando estou triste, estranho né? mas é verdade! Acho que não sou muito alegre, mas sou feliz! Sou feliz por muitas coisas, ou por nada....e nesse momento, sou feliz porque meu marido foi ao banheiro e fêz cocô! (ele vai me matar quando ler isso!).
Namastê!
Ludmila
P.S. Estou no Taj Mahal nessa foto!!!! Uhhuuuu!!!