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terça-feira, 16 de novembro de 2010

O Nó sem Fim - minha nova Tatuagem!

Essa é minha nova tatuagem: O Nó sem Fim!

Minhas tatuagens tem história, elas tem um motivo e um significado.
Essa é inspirada em um dos 8 Símbolos Auspiciosos do Budismo Tibetano, O Nó da Eternidade, ou o Nó sem Fim como prefiro chamá-lo.
Esse desenho indica a sabedoria e a compaixão ilimitadas.
Indica a continuidade da Vida.
Ele não tem começo, nem fim.
Essa é a minha linda tatuagem, pela qual estou apaixonada agora!

Falarei aqui sobre o que ela significa para mim. Não darei aulas de budismo, porque nem poderia e provavelmente um budista estudioso se arrepiará com minhas meditações, mas elas são as minhas meditações sobre esse símbolo! São minhas e sobre esse momento. Não entendam e nem aceitem esse post, como um ensinamento, por favor!!!

Bom...vamos às minhas meditações...Gosto dessa idéia de que algo que não começa do Zero. Para mim nada começa do zero. O nada, nada pode gerar! Temos sempre uma bagagem atrás que nos alimenta de alguma forma. As lutas que vivemos hoje foram alimentadas, ou iniciadas por gerações antes da nossa. Ou algo que recebemos da vida hoje, foi plantado em algum momento atrás. Gosto de pensar nas muitas gerações de mulheres que vieram antes de mim e que conquistaram tantas coisas que hoje posso fazer, realizar...gosto de pensar nisso e de alimentar uma gratidão por todos que vieram antes de mim.

Gosto de pensar a Vida como uma seqüencia infinita de começos e recomeços. Quando penso assim, entendo que nada do que fazemos fica escondido em algum canto qualquer. Esse símbolo me leva a pensar que teremos que rever tudo em algum momento, ou que reencontraremos com tudo e com todos em algumas dessas curvas da vida. Não há como fugir das nossas pendências. Não existe a menor chance de colocarmos algo debaixo do tapete e fazermos de conta que ele não existe ou nunca existiu.

Esse símbolo me lembra de que não conseguirei fugir das minhas sombras, elas virão atrás de mim em algum momento, ou elas simplesmente aparecerão diante de mim em alguma curva que a vida me levar a fazer. Esse símbolo me alerta de como é mais fácil viver de forma honesta, direta, clara, sem subterfúgios, sem dissimulações, sem tentativas de mostrar aquilo que não sou, pois a vida se encarregará de revelar...

Se toda a VIDA está girando nesse nó sem fim, não há rotas de fuga! Não há como fugir das Verdades. Não há possibilidade de fugir de mim mesma, quanto mais daquilo que preciso aprender! Se eu tento...posso até adiar a experiência, mas não por todo tempo..ela virá, em algum momento a experiência necessária chegará, e me conduzirá ao aprendizado que preciso.

Tenho algum tipo de arbítrio (mínimo) sobre o tempo, mas mesmo assim, é um pequeno poder, não é tão grande quanto eu quero acreditar. Posso arbitrar adiar uma experiência, mas nunca posso arbitrar sobre não ter aquele aprendizado, e nem posso imaginar adiar por todo o tempo que eu quiser...os giros da vida vem e nos colocam de volta ao mesmo lugar. Diante da mesma história. Talvez os personagens tenham mudado, mas os conteúdos não.

Isso não é um castigo. Os Budistas entendem como compaixão, como a suprema misericórdia, pois é a chance de nos revermos, de limparmos o que sujamos, de atualizarmos nossas experiências..de pedirmos desculpas, de reeditar algumas histórias, de fazermos o que fizemos antes, só que agora de uma forma mais decente, mais honesta, mas verdadeira, mais honrada. Isso é compaixão....a chance interminável de nos reconstruirmos. Bom, né?

Nem sempre as pessoas gostam muito dessa idéia. Principalmente quando o aprendizado mobiliza com a vaidade, com a imagem, e por não gostarem gastam uma energia imensa tentando fugir dela...ou tentado convencer a si mesma e ao outro que não tem nada a ver com isso, que aquela experiência não é sua, que ela é uma vítima de outro alguém...perda de tempo. Tudo é justo..e tudo que está no âmbito do seu "Nó", é seu! Só voce poderá viver! O que está no meu "Nó" é meu e só eu poderei viver!!! Sem vítimas, sem algozes!

Esse "Nó" pode ser entendido , pelos inconscientes, como um verdadeiro inferno...pois não há saídas..mas não é ..é justo..é na medida exata..nem mais, nem menos. Mas é um verdadeiro céu, no momentos em que estamos colhendo as frutas de boas sementes...

Transceder..precisaremos transcender! Essa é a forma de libertação...

Sobre isso, falei em um post antigo, motivado por uma outra tatuagem (essa aí) , vão lá ver!

Mas..por enquanto..tô aqui apaixonada pela minha nova tatuagem, e encantada com a vida.  encontrando as boas sementes (méritos) que plantei em algum lugar na minha vida e as sementes não tão boas assim..que também plantei! Tudo justo...tudo meu! Não há nada que colho, bom ou ruim que não tenha sido gerado por mim mesma em alguma curva desse NÓ!

Sem queixas vou colhendo meus frutos!

...e como me sinto feliz e em paz...devo ter plantado coisas boas por aí!

Namastê

Ludmila Rohr


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Impermanência...Shiva e Kali...fazendo tudo passar...


A vida é realmente interessante! Várias rodas, giram ao mesmo tempo...Ontem enterramos o nosso Simba, ele estava bem velhinho, Caio e Lucas o levaram à clínica para ser sacrificado...não havia mais o que esperar...era a hora dele......Meus filhos voltaram dessa situação completamente devastados, choraram muito....Caio que tem mais facilidade em demonstrar os sentimentos simplesmente deixava as lágrimas soltas...estávamos todos muito tristes....mas sabiamos que o nosso Simbica tinha vivido uma vida muito linda...e que a partir dalí não seria mais ele.

As coisas tem o seu tempo certo....isso é uma verdade....entender a Impermanência é compreender a própria vida! Quando estudei no Budismo sobre a Impermanência, senti que estava tendo acesso a algo que transformaria a minha vida. Buda ensina que tudo tem seu tempo, que tudo absolutamente tudo passa. Não adianta nos apegarmos às paixões, porque elas vão passar, e quando algo está nos causando dor, também isso vai passar. Tudo cumpre o seu tempo, e querer prolongar o tempo de algo que já morreu, é causar dor desnecessária.

Os filhos crescem, e temos que vê-los como adultos...aquelas crianças não existem mais. Os amigos de um momento podem não ser de outro, e outras pessoas podem surgir. Amores aparecem e trazem um alimento, mas se o ciclo encerra e insistimos em manter algo que não mais existe, ou se não conseguimos perceber que aquilo ou aquela pessoa já não é mais a mesma, e cegamente continuamos e nos relacionar como se fosse, algo começa a se deteriorar.

A vida muda....mas a Lei da Impermanencia não. Tudo é impermanente.....absolutamente tudo. O que não é impermanente é a manifestação da vida, em todas as suas formas....a vida é permanente.

No hinduísmo a impermanência é representada pelo Deus Shiva que é o Deus da morte, da transformação, aquele que ceifa, que diz que o tempo acabou, sua manifestação feminina é a Deusa kali, que destroi para purificar.....e nos ensina que esse aspecto (destruição/purificação), por mais que nos assustem, garantem a própria vida...garantem o ciclo interminável e permanente da vida! Essa sim, permanente, não em forma, mas em essência!

Ganhei de presente da minha amiga Rosa uma agenda que na capa tem escrito, " Tudo o que é bom, dura o tempo necessário para ser inesquecível...". É verdade...porque se nos apegamos tentando fazer com que algo dure mais do que o necessário, geraremos muito sofrimento na nossa vida. Buda ensina que apego e aversão são faces de uma mesma atitude. Nos apegamos muito a algo que julgamos prazeroso e queremos a todo custo que aquilo continue em nossas vidas, não conseguimos abrir mão quando chega a hora, e nem conseguimos perceber quando aquilo que amávamos tanto, nem existe mais. Por outro lado, a aversão produz algo semelhante com as situações e pessoas desagradáveis. Por estarmos tão reativos, evitamos algo, ou fugimos e, dessa forma nos mantemos ligados, nos esforçando para não encarar algo que se tivéssemos vivido simplesmente, provavelmente já teria passado. Dessa forma arrastamos alguns sofrimentos por um tempo além do necessário em nossas vidas.

O Budismo e o Yoga falam que a saida para isso é a contemplação. Nem apego, nem aversão...contemplação. A pergunta básica é: O que isso quer me ensinar? O que essa dor quer me ensinar? O que esse prazer quer me ensinar? Se respondemos essa pergunta e de fato aprendemos com aquilo....essa história chega ao fim. Esse ciclo gira, e (psicologizando) essa gestalt se fecha.

Essa atitude contemplativa não nos tornará pessoas insensíveis, que não se afetam com as dores e prazeres, mas certamente nos ajudará a não estarmos tão identificados com as situações. tão apegados a elas, na tentativa vã e inútil de parar a vida, impedindo que as rodas girem e que novas experiências aconteçam.

Os meus filhotinhos lindos cresceram...por mais que eu quisesse que o tempo em algum momento parasse e eles continuassem a me achar a melhor e a mais linda mãe do mundo! Esse tempo passou. Meu cachorro morreu....o tempo dele passou...e a dor que sinto hoje, também vai passar, deixará uma lembrança, mas vai passar. Judson está melhorando, e isso que estamos vivendo agora vai passar....viveremos outras histórias, mas "essa" vai passar.

O grande aprendizado é: " A cada dia, o seu bem e o seu mal". Basta isso....viver uma dia após o outro com intensidade e verdade....contemplando, aprendendo, conhecendo...desapegando....e amando, amando muito o que realmente existe....e o que existe é o exato momento que vivemos...um segundo atrás não existe mais, um segundo à frente ainda não existe....

Bom....Simba existe em nossas lembranças e em fotos, mas a sua energia continua a existir nesse momento na natureza...aquilo que de fato ele foi...continua existindo....nada se perde, tudo se transforma e a vida continua....

Namastê

Ludmila Rohr
P.S. Fotos de Caio e Lucas (quando me achavam a melhor mãe do mundo...rsrsrsr) com Simba!!