Mostrando postagens com marcador meditar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador meditar. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

SEM RECEITAS....

 Hoje tive um grande insight! 
Adoro quando isso acontece. Sabe aquelas sacações absolutamente simples que só a meditação produz? 
Pois é...Como meditar pra mim é estar inteira e atenta no exato instante que está acontecendo, as vezes meus insights aparecem em momentos bem inusitados. Eles são absolutamente comuns nas minhas práticas do yoga, mas também acontecem assim, como hoje.

Estava cozinhando...resolvi preparar uma sopa para o jantar. Nada planejado...só o tempero básico estava definido (cebola+alho+azeite doce) ...no mais, fui simplesmente fazendo como quem brinca de comidinha...A maioria das mulheres brincaram de comidinha quando crianças. Lá em Salvador, na minha época, chamávamos de "cozinhado". Então, fui colocando coisas..abrindo a geladeira e pegando as coisas com a panela já no fogo...fervendo.."fazendo a medida que fazia", ou criando enquanto fazia...

Voces podem estar pensando, como ela pode ter um insight em uma situação tão comum? Bom...é preciso esclarecer aos que não acompanham esse blog, que até me mudar para os EUA, eu nunca havia cozinhado nada. Nem um arroz sequer. Aprendi aqui, por conta da mudança de realidade..., ou seja, essa não é uma situação tão comum assim, mas de toda forma, essa não é uma meditação sobre cozinha, só meu insight veio a partir daí.

Percebi que me divertia fazendo aquilo...em algum momento pensei, que se eu comentasse que havia feito uma comida deliciosa, que minhas amigas me pediriam a receita, pois isso já aconteceu outras vezes, e eu não as tenho. Daí vem minha grande (ou pequena) sacação a meu respeito. Não suporto receitas. Não suporto ter que lidar com "receitas" na Vida. Não suporto ter que fazer algo que tenho uma única forma de fazer, ou uma forma já pronta. 

Percebi que cozinho da mesma forma que dirijo. Não tenho medo de me perder, ou pelo menos não tenho mais. Sempre que estou em um país, ou cidade diferente, tenho a sensação de que posso me perder, porque irei me achar. E que me acharei melhor (tem um post aqui sobre isso "Me perdendo para me achar melhor"). Sempre penso que por mais "perdida" que eu esteja, sempre estarei em algum lugar, pois não existe, o "Lugar Nenhum".

Quando cozinho de forma livre...sem receitas..qual a chance que tenho de ERRAR? Nenhuma. O erro pressupõe que exista uma única forma CERTA, mas se ela não existe, qual a chance do erro? Zero. É claro que a comida pode não ficar agradável ao meu paladar..rs..., mas isso significa que errei? Não pra mim.

Fui uma aluna diferente nas universidades que fiz (fiz duas). Nunca tinha caderno..detestava anotações...adorava ler, mas detestava e nem conseguia decorar nada. Sempre tinha alguma opinião a respeito dos assuntos, porque refletia sobre eles, mas não sabia nada decorado. Nunca conseguia decorar uma fórmula de nada. Mas..contava histórias como ninguém e tinha um poder de saber o que era importante, o que eu devia valorizar nos assuntos...nunca perdia tempo estudando coisas sem importância.  Alguns colegas diziam que eu era sortuda, pois só caia nas provas aquilo que eu havia estudado, mas eu não acredito em sorte (só quando jogo baralho)...na verdade, eu sempre tive uma noção bem legal a respeito das prioridades. É claro que me ferrava com os professores babacas (eles são muitos), professores que temem o diferente, ou que exigem que os alunos decorem as partes dos livros, ao invés de que saibam discutir ou dissertar sobre elas. 

No mundo concreto, por conta dessa minha forma de ser, acabo precisando delegar muitas coisas. Sempre tive quem cuidasse da minha agenda, quem tomasse conta do meu dinheiro, quem me lembrasse de compromissos e datas e outras coisas que não esperam que minha alma tenha "vontade" de realizar. Sempre valorizei muito as pessoas que cuidaram e cuidam de mim. Sinto uma falta imensa de Ane Rose, minha secretária/amiga no Espaço Mahatma Gandhi, clínica fundada por mim em Salvador, ela sempre foi minha fiel escudeira. Sinto falta de Nil, que sempre cuidou da minha casa pra que eu pudesse trabalhar e estudar (tudo que eu amo fazer), e é claro que sem Judson, nunca conseguiria fazer tantas coisas porque ele sempre me bancou nas minhas "viagens criativas e desprovidas de receita"....com certeza as consequências dos "erros" que fui cometendo com esse meu jeito, foram bastante amortecidas por essas pessoas...

Meu insight não é a respeito de uma forma de viver...exatamente por que não gosto de receitas...O meu insight diz respeito a "minha forma de viver a minha vida" ou sobre como cada um tem seu jeito próprio de fazer as coisas...e que se ainda não o reconheceu, deve buscá-lo urgentemente, sob pena de parecer uma cópia de alguém que nem ele sabe quem é.

Somos nosso próprio mapa. Somos nosso próprio mestre. Somos nossa própria receita. Acho que é por isso que me identifico tanto com o tântrismo. Somos únicos, esse momento é único. Nenhuma receita conseguirá reproduzi-lo, portanto...vamos aproveitá-lo e viver cada momento como o único e do nosso jeito.

Já que estou no momento das frases, vou repetir uma que define o Tantrismo.

"O que existe aqui, existe lá. Se não existe aqui, é porque não existe em lugar nenhum."

Vivendo assim, qual a chance de errarmos? Nenhuma.*

Namastê

Ludmila Rohr

*Quem lê esse blog, sabe que quando falo que não existe chance de errar, não estou me referindo a não desagradar!!!
** Para os curiosos. A sopa ficou deliciosa! Nenhuma chance de reproduzi-la. Única. Finita. Assim como a vida! Só é possível aproveitá-la sabendo que nunca mais farei outra igual, praticando o desapego e o tântrismo. Momento único.




sábado, 6 de junho de 2009

Libertação é Felicidade!!!


Muitas pessoas certamente concordariam comigo, quando digo que a Felicidade não impôe condições para existir. Que para sermos felizes não precisamos de nada especificamente, e que por isso mesmo, nada concretamente poderia nos garantir felicidade.

Pessoas ricas podem ser felizes e infelizes, as pobres também, pessoas casadas, solteiras, com ou sem filhos, pessoas que sofreram perdas podem ser felizes, pessoas que nunca perderam nada nem ninguém podem ser felizes ou infelizes.

Quero deixar claro que não estou falando de "alegria" e muito menos sobre "Ausência de sofrimento". Felicidade não tem nada a ver com isso. Podemos esatr em sofrimento e até mesmo tristes e ao mesmo tempo sermos pessoas felizes.

Embora eu não consiga explicar a Felicidade, adoro olhar para esse sentimento com carinho e curiosidade, e gosto muito de pessoas felizes, é claro! É uma delícia estar ao lado delas, elas têm um brilho especial, são leves e adoram ver as outras pessoas felizes também. Elas exalam felicidade mesmo quando estão sofridas. Isso aparece em forma de confiança, de centramento, de serenidade, de sabedoria, de compreensão...muitas formas..

Uma caracteristica comum das pessoas felizes é a generosidade. Elas são generosas, nunca são econômicas naquilo que elas têm de melhor. Elas distribuem de forma generosa suas experiencias, seus sentimentos, seus saberes e seus poderes...elas simplesmente compartilham.

Elas também são destemidas. Não se sentem ameaçadas pelo outro, nem acham que alguém ou algo possa ameaçar sua felicidade, porque já sentiram que a felicidade que sentem não está atrelada a nada...então, nada pode ameaçá-la. Generosidade e destemor são características das pessoas felizes.

Aprendi com o Budismo que se queremos a Felicidade teremos que praticá-la, e que a Felicidade está amparada em 4 pilares: AMAR, SERVIR, DOAR e MEDITAR. Isso fez muito sentido pra mim, nunca mais esqueci. Realmente acredito que a prática do amor nos leva a um lugar de felicidade. O Amor liberta, o amor nos aproxima do outro, encurta as distancias. O amor compreende e aquece a vida. Isso é Bhakti Yoga. O Yoga do amor, da devoção. Ver Deus em tudo e em todos, ou melhor dizendo pra mim que ainda não compreendo bem Deus: Tudo e Todos são Deus.

O Servir e o Doar fazem parte do karma Yoga. O caminho que nos revela que temos muito a dar. essa descoberta trás como efeito colateral, a felicidade. Saber que tenho algo a dar, algo que alguém precisa...e realizar isso, trás paz e Felicidade. Isso é Karma Yoga. As pessoas que SERVEM e DOAM, não aquilo que lhes sobra (isso é importante, não é de restos que estou falando), mas aquilo que lhe é muito precioso, essas pessoas são felizes por isso.

E por fim o MEDITAR. A meditaçãqo que é o Raja Yoga, nos levaria par dentro de nós, não para aprendermos algo, mas para redescobrirmos algo. A meditação nos ajudaria a encontrar aquilo que sempre existiu dentro de nós, aquilo que sempre esteve ao nosso alcance, aquilo que de fato é o nosso estado básico, a vibração primeira da nossa alma.... a meditação nos levaria a refazer a conexão genuína com a Felicidade que existe dentro de nós, que sempre existiu e sempre existirá...a meditação nos faria sentir que em essência somos felizes, porque nada nos falta. Temos tudo que precisamos. Somos plenos e inteiros. Isso é Moksha, a LIBERTAÇÃO da sensação de carência, que nos impede de sermos felizes agora! Moksha é o que o yoga pretende nos fazer alcançar. Ser feliz agora, por que nada me falta!!!!

Namastê!

Ludmila