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domingo, 2 de outubro de 2016

UMA BOA SENSAÇÃO DE MIM MESMA


Quando comecei a praticar yoga, aos 16 anos, descobri uma sensação de pertencimento ao Universo. Isso foi mágico! A busca era sentir ser pertencente ao todo. A meta era buscar a sensação de unidade e encontro com tudo e todos. Busquei meditando anos a fio... Meditava, praticava samiami, yoga, Backti, Karma-yoga, jnani-yoga...e tudo que pudesse me conectar ainda mais fortemente com essa sensação preenchedora....

Não sei se tive sucesso, não sei se me tornei mais empática, talvez tenha me tornado mais impaciente com o que julgo sem importância... sei lá... não sei o que teria me tornado sem esse caminho que trilhei..... 

Mas, nesse anos de prática,  desenvolvi algo muito legal que foi a idéia de coletividade, a consciência das causas coletivas....aprendi a tirar o foco dos meus problemas pessoais, e ver "o todo" como muito mais importante.... as causas coletivas, ao invés das individuais. Buscando um significado maior para a existência....resolver problemas básicos do dia-a-dia parecia não fazer muito sentido, ou melhor dizendo, buscava uma vida que valesse a pena e que tivesse sentido.

Acho realmente que as lutas contra o racismo, homofobia, machismo são minhas causas e meus problemas. Penso até que poderia ter uma vida menos complicada, se não fosse tão complexa, mas pode também ser também que eu esteja me enganando esse tempo todo e tenha sempre pensado egoísticamente na minha "sensação de si mesmo", e esse tenha realmente sido minha meta todos os esses anos ... pode ser.... o que seria um autocentramento. 

Com a prática do Yoga e anos e anos de terapia, e estudo....a pergunta que sempre me acompanha é: "qual a minha sensação de mim mesma nesse momento?". Perceber como me sinto em relação a alguém, ou alguma situação ou problema, tem sido meu leme, e é isso que dá direção ao meu barco.... Essa sensação tem norteado meus movimentos, minhas escolhas, minhas decisões, meus "sims" e "nãos". Nem sempre elas me levam a favor da maré, muitas vezes sinto que remo contra ... o que há de se fazer? Se tenho uma boa sensação de mim mesma apesar do esforço ( as vezes solidão), de remar contra a maré, seguirei mesmo assim. Sigo.

Já percebi claramente como me arrependo quando me traio.... meus instintos não costumam falhar...minha voz interna...minha sensação de mim mesma não costuma falhar....

Acho que todo mundo sabe um pouco sobre o que estou falando...., mas se você ainda não escutou essa voz; se você ainda não se conectou com essa sensação ... pare um pouco e se escute.... é hora de ouvir o que vem de dentro. É hora de não mais se trair.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Minha caverna não me mete medo....

 Sabem quando nos deparamos com a sensação de que não conhecemos as pessoas com que nos relacionamos....? É uma sensação estranha...
Sempre que isso acontece, sei que na verdade, estou ME estranhando, não estou me reconhecendo...é como se eu me deparasse comigo mesma e não me reconhecesse. 

Acredito que o outro pode me espelhar, pode falar de mim. Os meus olhos vêem o que é possível ver. Enxergam na qualidade do que é possível para mim, então o que vejo tem mais a ver comigo do que com o outro..ou com o lado de fora..

Tenho uma boa intuição...tenho antenas que são muito sensíveis..consigo perceber com alguma lucidez a dinâmica nas coisas...por que sempre me treinei pra ver os fatos em sequência...encadeados...e nunca isolados... Sempre treinei minha mente pra perceber dinâmicas relacionais...ou seja, como as pessoas funcionam nas relações e como que as relações provocam mudanças nesse funcionamento. 

Isso é bem da Psicologia Sistêmica...gosto desse olhar, pois posso perceber o que eu provoco nas pessoas, e vice-versa. Elas não são necessariamente o que estou vendo...mas elas são assim na relação comigo. Esse olhar me coloca em um lugar de mais responsabilidade, posso ver a minha parte na história. 

Bom...esse é um momento específico pra mim...muitas datas importantes estão fazendo aniversário. Faço 47 anos em alguns dias, completo 25 anos de casada também e completo 1 ano morando em Houston. Além, claro, do próprio final de ciclo quando um ano se encerra.

Muitos ciclos se fechando ao mesmo tempo, percebem? Idade, casamento, mudança pra Houston e o ano de 2010! 

Tenho uma necessidade impressionante de ficar dentro de mim. Sou aparentemente extrovertida, porque tenho uma imagem de autoconfiança e o mundo externo não me invade, sinto que eu entro muito mais no mundo externo do que ele em mim, então, sou extrovertida. Mas adoro ficar dentro de mim...adoro e preciso muito de muitas horas em silêncio e meditação... Abrir mão disso é impossível....preciso ficar quieta, ter meus momentos diários de silêncio e meditação, em que fecho os olhos pra fora e os abro para dentro. Olho pra mim...não para o que sou ou preciso ser nas relações, mas para aquilo que sou de verdade..aquilo que sou no íntimo...aquilo que realmente sou.

Gosto de me deparar com os sentimentos, pensamentos, sensações, sonhos, idéias que surgem a partir daí... Me sinto fortalecida e centrada.... me sinto no eixo e "grounded"...enraizada...Essa sensação de enraizamento é vital para uma capricorniana...preciso sentir meu chão firme, e não espero que ele seja firme externamente, como algo imóvel,  mas que eu tenha uma sensação interna de firmeza e segurança, que saberá lidar com as modulações e turbulências externas.

Gosto de meditar. Meditar é um hábito antigo...ficar em mim....ficar comigo...

Estou bem...mas a minha caverna interna tem me convidado insistentemente para que eu a visite mais e mais...
será isso uma espécie de "inferno astral" por causa do meu aniversário que se aproxima? Bom...se é isso...gosto disso. 

Definitivamente, minha caverna não me mete medo.


Ludmila Rohr

P.S. na foto com um Sadhu na Índia...Ele vive a vida tocando e meditando....





segunda-feira, 30 de agosto de 2010

SOBRE INVEJA

As pessoas costumam dizer que a inveja é um sentimento feio. Pra complicar ainda mais, ainda dizem que é feio sentir inveja.

Bom...a inveja é um sentimento como outro qualquer, e por isso mesmo, humano. Não existe inveja em outros reinos, que não o humano. 

Funciona dizer para alguém algo tipo, não ame essa pessoa, ou, não sinta raiva quando lhe fizerem isso; ou pra que ficar triste com aquilo? Os sentimentos surgem na nossa alma, e eles por si só não se constituem um problema. O problema dos sentimentos, não é o sentimento em sim, e sim o que fazemos com ele, ou pior ainda, quando não temos consciência dele, porque eles começam a nos levar a fazer coisas que nem percebemos.

A inveja é o sentimento mais negado de todos. É mais fácil assumir ódio, do que inveja. Assumir inveja é como assumir que não é boa o bastante, ou que existe alguém com algo que não tenho, ou que queria ter. É difícil porque é como assumir a falta. O invejoso é um faltante que não suporta saber disso. Tão narcísico que não suporta não ser pleno.

É bom deixar claro que todos nós somos faltantes, as coisas não são perfeitas e quase nunca temos tudo que queremos e quando queremos, mas isso não significa que todos nós sentiremos inveja de quem as tem, quando nós não a temos. 

Bom...pense, que vc quer muito algo e luta por aquilo, e aparece alguém na sua frente, que conseguiu aquilo que vc tanto quer. O que voce sente?

Algumas reações são muito comuns: Ficar feliz porque o outro conseguiu. Ficar triste porque voce não conseguiu. Ficar com raiva porque esse alguém conseguiu. Desmerecer o que o outro conseguiu, o que é o mesmo que criticar a forma como ele conseguiu, ou desqualificar o objeto de desejo...ele já não é tão bonito ou bom assim, ou pior ainda, dizer que a outra pessoa nem ficou bem com aquilo, ou que ela nem merece. No fundo, no fundo, exceto as duas primeiras reações..as outras são inveja pura.

O invejoso precisa desqualificar, destruir o objeto de desejo que o outro conseguiu e ele não. Por que não suporta reconhecer o valor do outro, pois pra ele isso, levaria imediatamente a se dar conta da sua falta. O invejoso fica preso nessa armadilha do próprio ego. Por desqualificar o outro, ele não pode assumir que também desejava aquilo e não fica livre para buscar o que deseja....ou melhor dizendo: Não fica livre para DESEJAR! Não é livre para dizer: Que bom que voce conseguiu, isso mostra que eu também posso!

Nesses anos de consultório tenho me dado conta de que o momento de se confrontar com a inveja, é algo que parece um 'Turn Point" na terapia. A pessoa sofre e resiste muito para admitir, mas quando consegue, dá uma virada incrível. Quando consegue admitir a inveja, se sente livre para desejar..e percebe que a inveja na maioria das vezes é um desejo negado. É uma falta que não pode ser espelhada pelo outro. Muitos abandonam a terapia antes disso, e dizem que o terapeuta não era muito bom.

Nem me lembro a última vez que senti inveja (ou pelo menos uma importante)...não que não as tenha, mas tenho tentado estar tão consciente dos meus desejos e me permitindo-os que acho que não existe muito espaço para elas. Nesse momento morro de inveja de quem perde peso facilmente, ou de quem faz uma viagem muito legal...ou (esse que é o mais difícil de confessar para o mundo) de quem não tem celulite.

As pessoas as vezes me advertem dizendo que eu me exponho demais, que eu falo sobre meu marido e filhos demais, que eu falo muito sobre as coisas boas que acontecem comigo. Dizem que eu posso atrair inveja. 

Bom....minha teoria é de que inveja faz muito mal pra quem a sente (minhas amigas que não tem celulite podem ficar tranqüilas, minha inveja não as fará aparecerem de repente nas suas pernas e bundas). Brincadeiras a parte...realmente não perco nenhum minuto da minha vida, nem gasto um segundo sequer me preocupando se alguém sente inveja de algo que tenho ou que eu seja. Quem me conhece, sabe bem disso. Sempre acho que isso nunca me atingirá de fato, a não ser que eu entre na mesma vibração, e daí, isso já seria minha responsabilidade.

Os invejosos por desqualificarem todos a sua volta, pensam que só eles estão andando e não percebem que na verdade, ele está ficando pra trás...os outros estão seguindo suas vidas..e eles ficando para trás..

Como acredito na perfeição da vida, como acredito em Karma e Dharma, acredito que só temos o que merecemos. Nunca me queixei da vida quando meu marido teve câncer. Nunca me queixei, nem achei injusto quando ele descobriu uma metástase, me aborrecia quando alguém dizia algo tipo: mas ele é tão legal...voces não merecem isso... Bom, merecemos sim, e merecemos tudo de bom que nos acontecem também! Tenho a crença tranqüila e firme na justiça perfeição da vida, mesmo que eu não entenda e nem consiga explicar, mas pra mim, é justo. Por isso, mesmo que detesto injustiças. Luto para que as verdades sempre venham à tona, e que seja sempre a última palavra.

Vocês podem estar se perguntando porque o tema do post de hoje é INVEJA. Nem sei responder pra vocês. Acho que as pessoas invejosas sofrem tanto...tenho pra mim, que a inveja é o pior sentimentos em termos de desconforto, ele causa um mal estar tão grande. Negá-la dá um trabalho tão imenso, é como fugir da própria sombra. Os invejosos sofrem muito. A partir do dia que um cliente conseguia falar sobre inveja, eu podia ver a transformação na sua vida...eles simplesmente ficavam mais felizes, podiam assumir os desejos sem culpa e podiam ficar felizes coma  felicidade do outro. A felicidade do outro não lhes pareciam mais um soco no estômago. Descobriam que era bom ver o ouro feliz, e que eles podiam ser também. Eles podiam rir de si mesmos também.

O invejoso por não assumir que sente inveja, atua com o sentimento. Isso sim é moralmente complicado. Sentir não é o problema, mas o que voce faz com o que sente, isso sim pode ser um problema. O invejoso, muitas vezes sabota e faz mal a alguém, e nem se dá conta de que está sendo movido pela inveja, já que nem pode reconhecer esse sentimento. Isso sim é muito complicado.

Bom...não moralizo nenhum sentimento. Não acho que um seja moralmente aceito e outro não. Somos humanos e na nossa alma cabem todas as vibrações. Não moralizar a inveja e apenas entendê-la como um sentimento que precisa ser conscientizado e trabalhado como outro qualquer, nos livraria de muito medo e dor... Não posso pensar em julgar alguém que assume a inveja, devo sim, parabenizá-la. Quem sabe esse é o "Turn Point" da sua vida???

Ludmila Rohr




quinta-feira, 2 de julho de 2009

Vivendo a noite escura... sem resistir....


Hoje parece um dia de sol, depois de uma longa noite escura!!!
Assim eu sinto!

Judson na segunda fez quimio, quase que não consegue fazer, por causa dos benditos leucócitos que ainda estavam abaixo do mínimo. Fez. Passou mal, quase desmaia, vomitou, e teve febre! A febre é um fantasma pra quem está em quimio...ela não pode acontecer...febre significa infecção...leucócitos baixos significa baixa imunidade...péssima combinação...dias difíceis...

Nada a ser feito!
Esperar com serenidade e sabedoria. Só temos que esperar...

Acredito que tudo que aprendi na vida até hoje, me preparou para momentos como esse. A não-resistência é um grande aprendizado. Simplesmente poder estar, onde devo estar. Deixar a minha mente e o meu coração onde é possível estar. Não brigar com isso.

Nesse momento, não a há nada a ser feito, a não ser esperar. Esperar a "noite escura" passar. Esperar com serenidade...e isso não significa, sem dor...mas com serenidade. Eu posso fazer isso.

Sei que posso fazer isso, porque o que tenho uma certeza inquestionável dentro do meu coração. É uma crença inabalável. Sei que as noites tem um tempo de durar. Elas, assim como tudo na vida, não são eternas. São impermanentes, são finitas. Então, basta esperar!

Outra crença inabalável na minha vida, e que me ajuda nessa espera, é que depois de cada "noite", tem um "dia de sol"...eu sei disso. Sei porque nunca perco o contato com esse "Sol interno"...ele é perene...brilha sempre...mesmo quando estamos na noite...ele só está no meu outro lado...esperando a vida virar de novo...

Sei que preciso estar com a minha mente e o meu coração, no mesmo lugar onde meu corpo está. Isso me protege das ansiedades tão comuns quando nos deslocamos de onde temos que estar... e nos repartimos..nos fragmentamos. Isso aprendi com o yoga e com a meditação.

Outra coisa que aprendi faz tempo, é que a mente precisa estar no único tempo que existe, e que é esse que vivemos. Não devo estar no futuro, nem no passado. As ansiedades nascem assim. O tempo é o presente.

Bom, nessas "noites escuras", preciso apenas estar inteira. Com os medos que surgem e desaparacem. Com a perdas e mudanças que precisam ser feitas. Desapegando daquilo que na arrogancia humana havia programado...e esperar....o dia virá...e enquanto não vem....que a noite seja uma energia feminina de transformação que me envolve...não lutarei contra ela.

Recebo a noite no meu corpo e alma....e me despeço dela....tá na hora do Sol brilhar outra vez!


Namastê

Ludmila

terça-feira, 5 de maio de 2009

Chove chuva....chove sem parar....




Quem nos disse que temos que correr da chuva?


O que a chuva me traz? O que ela leva de mim?


veio a água.... muita água...energia da alma... dos sentimentos, que assim como a água, podem congelar, endurecendo...podem evaporar mas continuam a existir...podem fever...esquentar, esfriar...podem fluir... Nesse momento a água cai com força e leva com força aquilo que estiver no seu caminho.... tem um rio de chuva me envolvendo agora...

Que venha a chuva....quero ficar quietinha...a chuva me leva pra dentro, num lugar quentinho dentro de mim.


Que venha a chuva e que venha purificando, lavando, levando....levando tudo que não me serve mais e que a terra que é uma mãe amorosa, receba isso e transforme tudo em amor, coragem, sabedoria...


Que venha a chuva e que me deixe mais leve...que leve todos os medos, todas as dúvidas, dores..


Que venha a chuva e traga o que ela quiser me dar.


Que venham as gotas delicadas e as fortes também, as enchurradas.

Que atravessem o meu corpo, a minha áura, a minha casa... e que meu coração aberto não resista, apenas se entregue.


A chuva é uma mãe amorosa ou uma mãe severa?


O som da chuva me aninha ...a som da chuva me acolhe e me encolhe também... sinto medo, parece um medo de criança....mas descubro que não há nada há ser feito... fico menor com a chuva, encolhida, acolhida e aninhada não tenho defesas ...devo ficar quietinha...escutar o meu coração...sentir a água caindo...lavando...lavando....


Não há nada a ser feito...não existe a possibilidade de resistir ao poder da chuva...da água...podemos apenas respirar e esperar, esperar pra saber o que ela levou e, como ficou o que ela não levou.



Chove chuva...chove sem parar....

Ludmila






terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O descanso enquanto caminho.....


Ontem uma aluna escreveu, falando do quanto ela foi tocada pelo blog e por minhas reflexões e que isso a levou a se expressar também. Isso tem acontecido sempre e me leva a um sentimento muito lindo de leveza e de preenchimento. Senti meu coração muito grato por receber tantas demonstrações de afeto. Adoro meus alunos, eles são lindos! Adoro meus amigos, clientes, família....todas as pessoas que me escrevem...simplesmente adoro!

Acredito no poder dos sentimentos....sei o quanto as manifestações e expressões deles tem o poder de formar uma rede, de abraçar e tocar as pessoas nas suas almas. Os sentimentos criam laços e vínculos profundos, por isso não temo expressá-los. Não temo o que eles possam produzir nas outras pessoas, muito pelo contrário...espero sinceramente afetar as pessoas. Acredito que expressar sentimentos alivia a alma e é extremamente curador, além de abrir uma porta muito sagrada, que é a porta do coração.

O nosso coração tem um poder enorme de estabelecer vínculos com outros corações a partir da expressão sincera dos sentimentos. É uma conexão que ultrapassa qualquer barreira, que vence qualquer defesa e resistência, rompe diferenças culturais, sociais, econômicas.....a linguagem do coração é universal. Toda vez que nosso coração fala, outro coração, em algum lugar, escuta. Esse campo energético simplesmente acontece....é simplesmente assim! Os corações simplesmente são atraídos....e se encontram....é um encontro que muitas vêzes é silencioso e invisível, mas sempre é nutridor e multiplicador.

Além desse poder de conexão, sinto que a expressão dos meus sentimentos autoriza outras pessoas ao mesmo. É como se as pessoas que são tocadas pelas minhas palavras se sentissem autorizadas, liberadas para o mesmo. Cria-se uma egrégora de confiança, uma sensação de pertencimento, uma rede multiplicadora de energia amorosa que une corações e almas nas dores e nas alegrias, e não nos deixa sós.

Não tenho medo de me mostrar, porque não tenho medo dos vínculos que isso possa gerar. Quero relações profundas na minha vida. Seria uma falácia se eu dissesse que não quero que gostem de mim. É bom ser querida. É muito bom, mas não preciso que gostem de mim pelo que pareço, mas sim pelo que sou, e o que sou ainda está em construção, cada dia se transforma, estará em contrução sempre, mas uma coisa já sei , aliás, tenho certeza, que o meu coração é o meu centro. Por onde tudo irá circular, de onde tudo irá partir e chegar, onde todas as relações e experiências deixarão as suas marcas. O meu coração é o centro....pulsa e dá o rítmo à minha vida.

Ontem passei muitas horas no hospital. Judson foi fazer um procedimento cirúrgico de implantação de um portcater para a aplicação da quimio que começa na quarta-feira. Portcater é um acesso venoso permanente instalado na região do pescoço, onde os medicamentos serão injetados, pra não precisar ser furado a cada quimio, e também por que dessa vêz a quimio acontecerá por 3 dias ininterruptos a cada 15 dias. A médica nos explicou que ele ficará nesses dias da quimio, com um recipiente pendurado numa bolsa com o medicamento sendo injetado por uma bomba. Segundo ela é tranquilo e até Ana Maria Braga já fez isso (eu ri com essa informação) e apareceu na tv assim. Iniciar o tratamento nos dá uma boa sensação, embora tudo isso seja muito cansativo, mas tenho a sensação que o início nos dará algum tipo de descanso, é como se colocássemos o pé na estrada e descansássemos enquanto caminhamos.

Do fundo do meu coração.....muito grata, muito grata por me proporcionarem um descanso nessa caminhada!

Namastê!

Ludmila
P.S. Foto no Templo em forma de lótus da fé Bahai em New Delhi na Índia.



segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Mulheres poderosas....muita alma....muitos sentimentos...


Duas pessoas muito queridas para mim, estão vivendo momentos bem fortes em suas vidas e embora desejem, têm muita dificuldades de me procurar, dizem que é por causa do meu momento. Uma delas está muito feliz, apaixonada, vivendo um amor; ela está leve, bonita, animada e cheia de energia. Me confessou que é complicado para ela dividir comigo sua felicidade, pois sente-se egoísta, sente que meu momento é mais importante. A outra está se separando, está oscilando entre a raiva por estar sendo sacaneada pelo ex-marido e o mêdo de tantas mudanças. Sente-se mal e sozinha pra enfrentar tudo, e também acha que não devia me incomodar, pois os meus problemas são maiores.

Bom....se não consigo olhar para fora de mim, esse meu quadro daqui a pouco iria me enlouquecer. Como já disse antes aqui no blog, não me sinto especial, porque estou vivendo um momento especial. Não preciso ser poupada da vida, porque estou inundada, imersa nela; se eu não conseguir me comover com a vida, se eu não conseguir me afetar com as histórias das pessoas, que pessoa egocentrada eu seria.

Às vêzes, como já disse aqui também, tenho a sensação de que estou fora da vida, como se estivesse em outro ritmo ou outra dimensão, mas isso passa. Cada vêz que me aproximo de alguém e ouço uma história, isso me tráz de volta à realidade. Eu sempre soube que "olhar pro outro, me ajuda a reconhecer os meus limites", o outro é o meu limite, a dor do outro dá limite a minha, a alegria do outro também! e isso é fantástico, porque se não houvesse esse limite....como nos sentiriamos? sem bordo...num vazio que não ajuda a estabelecer forma, ou possibilidade.

Ouvir uma mulher apaixonada, me coloca em contato com essa porção que existe em mim...posso sentir essa energia vibrando no meu coração e por todo o meu corpo. Pedi pra ela, para não ser excluida desse seu momento, que eu estou achando lindo...e que fico muito feliz por ela. Sou uma pessoa intrínsecamente feliz, e a felicidade do outro não me assusta, nem me causa desconforto. Gosto de ver alguém feliz, e vibro por isso. Ela está irradiando luz, brilho, sexualidade, alegria, excitação....pode existir um momento tão lindo quanto esse?

Minha outra amiga, está com raiva....muita raiva, às vêzes muito medo e quase sempre, muita solidão. Ela é linda. É realmente uma mulher linda. Ela é inteligente, sensível, confiavel e boa amiga. Adoro a beleza dela. Acho que muitas mulheres podem ter problemas com ela, por ser tão linda e inteligente, e num momento como esse, ela esquece de quem ela é. Ela se vê sempre frágil, sozinha, sem recursos internos, com medo...ela vive um momento meio negro...sem conseguir olhar pra frente, se acha sem saída, sem possibilidades, com medo de ser uma fracasso....Digo pra ela que isso é impossível. Ela não será uma fracassada, só por que algumas coisas estão fracassando....., ela conversa comigo, mas também se sente mal em me incomodar.

Adoro essas duas pessoas e sinto que jamais estaria fechada para elas...aliás sinto que sempre que me coloco diante da dimensão humana, me sinto tão mais inteira, sem mais, nem menos; do meu tamanho. O sentimento do outro faz com que a minha dor, ganhe um tamanho e uma forma, não fique difusa, espalhada pela minha vida. Tem um lugar na minha vida, mas não é minha vida. Elas são poderosas, apesar de viverem momentos opostos, são mulheres poderosas, por poderem se entregar aos seus sentimentos, por não temerem suas próprias almas. Adoro isso!

Quanto mais mergulho nos meus sentimentos, mais próxima de todos que sentem eu conseguirei estar. Certamente seria difícil ouvir qualquer pessoa com suas histórias de alma, se eu estivesse tentando fugir da minha. Se eu tivesse tentando negar a minha alma, eu não suportaria alguém na minha vida que me levasse ao encontro dela.

Deméter é uma Deusa grega cujo nome significa, "porta de entrada para o feminino Misterioso". Ela sempre ilumina os nossos caminhos pelos labirintos das emoções e dos sentimentos. É uma linda Deusa que certamente vai nos ajudar a entrar nesses labirintos e honestamente olhar para os nossos sentimentos...sem negá-los e vivenciando cada um deles.

Então, obrigada minhas queridas, por me incluirem e me deixarem participar das suas vidas e dos seus corações.

Namastê!
Ludmila Rohr
P.S. na ilustração...Deméter...linda, poderosa e com o peito (alma) exposta!