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sexta-feira, 10 de abril de 2009

O Jesus que eu amo!


Primeiro preciso confessar que o título desse post é um plágio. O Mahatma Gandhi escreveu um texto lindo que se chamava assim. Ele confessava ter passado a vida sem conhecer Jesus, como a maioria dos indianos. Nesse texto ele diz que não entendia bem a fé cristã, com tantos pecados e culpas. Não entendia a relação de inferno e céu, mas que achava Jesus incrível. Ele dizia que se todas as escrituras sagradas do mundo se perdessem e sobrasse apenas o Sermão da Montanha, tudo estaria salvo! Ele conheceu Jesus já adulto, era um hinduísta e tinha o Bhagavah Gita como livro sagrado.

Eu cresci sabendo muito pouco sobre Jesus. Não tive uma educação religiosa. Aliás, eu não sabia o que era Deus ou Jesus...não entendia essas coisa de religião. Nunca fui batizada, nunca frequentei nenhuma Igreja, nunca fiz aulas de religião nem nada parecido. Meus pais vinham de famílias extremamente religiosas, acho que quando se casaram deixaram pra trás uma vida inteira de fé imposta e cheia de dogmas. Meu pai era (é ainda), um comunista praticante, líder sindical, preso político em 64...ou seja...crescemos longe das religiões, que ele chamava de ópio do povo! Mas nunca o ouvi falar mal de Jesus, muito pelo contrário...Jesus era o "companheiro Jesus". Cresci achando que Jesus tinha sido um homem digno de ser imitado, admirado e que tínhamos muito a aprender com o companheiro! Jesus não era inalcançavel para mim, era um homem possível!

O Jesus que eu conhecia era esse. Um homem possível. Alguém que conseguiu chegar num lugar e, em uma condição que todos nós deveriamos tentar chegar. Alguém que tinha o compromisso com a verdade e com a justiça!

Com 16 anos comecei a praticar yoga. Estudei muitas escrituras hinduístas, budistas, livros da tradição Védica e Tântrica. Conheci e desenvolvi a minha espiritualidade nesse caminho. Tudo que eu estudava reforçava mais o meu amor e admiração por Jesus. Achava muito incrível compreender a jornada de Jesus através do olhar de um Yogue. Jesus foi um Yogue. Alguém que praticou a ética, alguém que desenvolveu controle sobre os sentidos, concentração, capacidade de meditação e reflexão, alguém que alcançou o Samadhi, (para os yogues), ou iluminação, (para os hinduistas) ou para os budistas, o Nirvana. Ele trilhou todo o caminho que os yogues descrevem como o caminho da iluminação. Jesus é um Buda, alguém que se realizou completamente, alguém que cumpriu plenamente o Karma e conseguiu viver o Dharma (a Lei). Jesus é UM com o PAI! Jesus é um unificado! Encontrei Jesus estudando Yoga e o amei muito, do fundo do meu coração!

Certa vez na Índia, eu estava em Delhi e o motorista que me servia, me pediu pra que eu falasse um pouco sobre Jesus, ele queria conhecê-lo, nunca tinha lido nada, mas era curioso. Tentei falar de Jesus, contar alguma passagem...não consegui, mas quando disse para ele que Jesus para nós do ocidente, era como Rama, como Krishna, como Vishnu, ou Shiva, ou Buda....que Jesus era como um Deus deles, ele que ouvia respeitosamente, se emocionou e silenciosamente disse que entendia, que os Deuses eram todos iguais e que estavam sempre tentando nos ensinar a sermos melhores do que nós somos e alcançar a liberação do Karma e que Jesus devia ser assim para nós também.

Jesus tenta me ensinar a ser limpa de coração...assim como as crianças que confiam e se entregam. Jesus tenta me ensinar que o amor e a simplicidade são o caminho para a paz. Jesus tenta me ensinar que tenho apenas que confiar e nada a pedir, que tenho que fazer a minha parte e que o resto virá como acréscimo.... Esse Jesus eu amo e me toca profundamente o coração!

Amor e Paz para todos!
Namastê!

Ludmila

P.S. Foto tirada em Delhi no dia que conversei com o tal motorista. Ele quem me levou nesse lugar lindo!



sábado, 14 de fevereiro de 2009

Multiplico quando compartilho?


Uma amiga me perguntou o porquê de eu estar me expondo tanto nesse momento da minha vida. A princípio não entendi bem o sentido da pergunta, porque me parece óbvio que escrever me organiza. Quando era criança, eu tinha diários e mais diários, escrevia cartas e mais cartas para os amigos...adorava escrever sobre o que estava sentindo ou pensando. Talvez ela esteja querendo saber por que faço isso agora em um blog, onde muitas pessoas terão acesso, e pessoas que nem conheço. Vou tentar entender enquanto escrevo e quem sabe eu consiga respondê-la.

Desde 1988 dou aulas de yoga, e nesse tempo era costume que em toda aula prática tratássemos de algum tema teórico do yoga. Hoje fazemos isso apenas uma vêz por mês, mas lembrando bem, sempre me coloquei de forma muito evidente nessas aulas e palestras. Sempre coloco minhas histórias, meus sentimentos e minhas idéias. Nunca me escondi, nem evitei exposição, e sempre me impliquei nas coisas. Não consigo ser simplesmente teórica, acabo contando casos e exemplificando, e só posso fazer isso, com minhas histórias. Então, essa exposição que minha amiga questiona não é uma novidade na minha vida.

Nas viagens pra Índia sempre fiz diários. Contava detalhes dos lugares, mas acima de tudo, falava dos meus sentimentos, do que a Índia provocava em mim, e de como era a interação com as pessoas. Esses diários eram (e ainda são) lidos por muitas pessoas que nos acompanhavam nessa aventura. De vêz em quando alguém me escreve dizendo que leu os diários e ficou cheio de encantamento. Eles estão disponíveis no site do Espaço Mahatma Gandhi.

Sou assim....não sei como responder a questão da minha amiga, a não ser dizendo que isso funciona para mim. Eu fico mais inteira. Não sei se funcionaria para todas as pessoas, mas em mim, produz um bem enorme. Com certeza é uma forma de meditação, e com mais certeza ainda posso afirmar que consigo algumas coisas muito boas com isso, para mim e para outras pessoas.

Uma delas é que nunca me sinto só com os meus pensamentos, estou compartilhando, trocando, e isso me enriquece, pois abro o leque, saio do meu umbigo, e a consequencia imediata disso é que ajudo e sou ajudada. Algumas pessoas adoram ler o que escrevo e sentem-se animadas, identificadas e outras pessoas, me ajudam...escrevem pra mim, me dão força, desejam coisas boas e enviam vibrações positivas. Adoro isso!!

O I ching (oráculo chinês) me disse hoje que quem compartilha, multiplica! Acredito nisso! Compartilhando, dando, ou seja, abrindo minhas histórias e sentimentos...estou multiplicando, e sem problema nenhum com minha vaidade, acho que tenho muito o que multiplicar e compartilhar. Por que sempre me sinto muito rica! Essa é uma sensação que me sustenta, sempre acho que tenho muito pra dar....mesmo nos momentos mais dolorosos, acho que tenho muito pra dar. Dificilmente tenho a sensação de ser uma pessoa pobre ou com pouco pra dar e me sinto generosa e aberta.

Buda conta em uma das suas histórias, que um "intocável" na Índia pede esmola pra ele, era uma pessoa absolutamente pobre, e acostumada a pedir esmolas. Ele achava que não tinha nada e simplesmente pedia. Nesse dia que encontrou com Buda, fez muitas reverencias e pediu. Buda não deu e disse: Você é quem terá que me dar algo! Mas eu não tenho nada, disse o pobre homem! Buda diz: tem, encontre e me dê! O pobre homem que sentia que não tinha nada, vasculha suas roupas, que eram trapos e encontra um grão de arroz. Era a única coisa que tinha! Olha pra Buda e lhe oferece seu único grão de arroz, que eram todas as suas posses! Naquele momento, o homem alcança a iluminação!

É dando que se recebe! Jesus ensina. Acredito nisso. Realmente acredito que quanto mais damos sem esperar retribuição, simplesmente damos, porque é muito bom dar, compartilhar, mais nos sentimos ricos, plenos.

Bom...muito distante e ao mesmo muito perto de Buda e de Jesus, porque adoro as retribuições e confesso que as aguardo com o coração aberto, me sinto bem quando escrevo, porque acho que estou dando aquilo que tenho de mais precioso, que são as minhas meditações e os meus sentimentos!

Espero minha amiga, que eu tenha conseguido responder sua pergunta...

Namastê!

Ludmila Rohr
P.S. foto de bandeiras de orações em um templo Budista no Nepal. Eles penduram orações em forma de bandeirolas para que o vento as multiplique e as leve para todos os lugares.