Mostrando postagens com marcador meditação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador meditação. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de novembro de 2016

VÁ TOMAR UM BANHO!


Não sei se acredito nisso porque nasci na Bahia, cidade quente e úmida, onde precisamos tomar uns 3 banhos por dia para nos sentirmos confortáveis;  ou se porque minha mãe é amazonense com forte influência indígena, mas o fato é que "tomar um banho", ou uma "chuveirada", tem um efeito medicinal e psicológico comprovado na minha vida. 

Cresci ouvindo, "vá tomar um banho" como recomendação para qualquer coisa. Vou explicar melhor.... Se o seu mal fosse uma dor de cabeça, por exemplo, na minha casa você receberia a recomendação de um banho frio. Dor de barriga, azia, febre, cansaço em geral.... um bom banho. 

Aprendi desde cedo que os banhos poderiam variar entre quente e frio, a depender do que você pretende curar, e podem ser rápidos ou demorados ... os rápidos são chamados de chuveiradas. As chuveiradas não exigem o uso do sabonete, servem apenas para jogar água no corpo, e eu acredito piamente que elas levariam embora o mal que nos afligem. Acredito realmente que as chuveiradas são calmantes, curadoras e relaxantes. 

Os poderes dos banhos alcançam níveis sutis em seus efeitos, eles são terapêuticos para a alma também. Crianças nervosas ou agitadas demais, falta de um bom banho. Crianças com dificuldade para dormir, ou resistindo ao sono : banho. Se você estivesse com raiva, triste, ansioso ou mau humorado : Banho! Criei meus filhos com muitos banhos. Ao acordar, banho. Muito agitado ou chegou na escola cansado, banho. Antes de dormir, banho. 

Meu marido ri das minhas recomendações de banho para tudo, eu replico dizendo que ele é europeu, e que europeus descobriram o banho quando descobriram o Brasil, e que se assustaram quando viram os índios molhados o tempo inteiro. Na crença dos europeus naquela época, os banhos poderiam fazer mal a saúde. Quem nasceu em país tropical sabe que sem eles, morreríamos. 


Gosto da água. Gosto de mergulhar, gosto de nadar, gosto de piscina e de mar. Não gosto muito de praia, ficar no calor, no sol ...isso não é muito minha cara, mas ficar na água, é. 

Sinto uma paz enorme quando estou nadando ou mergulhando. Gosto do som da minha respiração quando estou nadando ou mergulhando .... adoro o silêncio que encontramos dentro d'água ... gosto de fazer rituais pessoais na água ... de entrega, de limpeza, de renovação, de purificação .... 

O mergulho tem o poder de me levar a um estado meditativo. Encontro um estado de mente muito tranquilo e silencioso quando mergulho. Encontro o que mais se aproxima de um esvaziamento mental, quando mergulho. Mergulhar/nadar  e meditar são quase que sinônimos para mim.  Quem assistiu o filme "Imensidão azul" sabe sobre o que estou falando. A vontade é de mergulhar, mergulhar e  mergulhar  ....


então, se eu puder te dar um conselho ....

Tome um banho! 


domingo, 2 de outubro de 2016

UMA BOA SENSAÇÃO DE MIM MESMA


Quando comecei a praticar yoga, aos 16 anos, descobri uma sensação de pertencimento ao Universo. Isso foi mágico! A busca era sentir ser pertencente ao todo. A meta era buscar a sensação de unidade e encontro com tudo e todos. Busquei meditando anos a fio... Meditava, praticava samiami, yoga, Backti, Karma-yoga, jnani-yoga...e tudo que pudesse me conectar ainda mais fortemente com essa sensação preenchedora....

Não sei se tive sucesso, não sei se me tornei mais empática, talvez tenha me tornado mais impaciente com o que julgo sem importância... sei lá... não sei o que teria me tornado sem esse caminho que trilhei..... 

Mas, nesse anos de prática,  desenvolvi algo muito legal que foi a idéia de coletividade, a consciência das causas coletivas....aprendi a tirar o foco dos meus problemas pessoais, e ver "o todo" como muito mais importante.... as causas coletivas, ao invés das individuais. Buscando um significado maior para a existência....resolver problemas básicos do dia-a-dia parecia não fazer muito sentido, ou melhor dizendo, buscava uma vida que valesse a pena e que tivesse sentido.

Acho realmente que as lutas contra o racismo, homofobia, machismo são minhas causas e meus problemas. Penso até que poderia ter uma vida menos complicada, se não fosse tão complexa, mas pode também ser também que eu esteja me enganando esse tempo todo e tenha sempre pensado egoísticamente na minha "sensação de si mesmo", e esse tenha realmente sido minha meta todos os esses anos ... pode ser.... o que seria um autocentramento. 

Com a prática do Yoga e anos e anos de terapia, e estudo....a pergunta que sempre me acompanha é: "qual a minha sensação de mim mesma nesse momento?". Perceber como me sinto em relação a alguém, ou alguma situação ou problema, tem sido meu leme, e é isso que dá direção ao meu barco.... Essa sensação tem norteado meus movimentos, minhas escolhas, minhas decisões, meus "sims" e "nãos". Nem sempre elas me levam a favor da maré, muitas vezes sinto que remo contra ... o que há de se fazer? Se tenho uma boa sensação de mim mesma apesar do esforço ( as vezes solidão), de remar contra a maré, seguirei mesmo assim. Sigo.

Já percebi claramente como me arrependo quando me traio.... meus instintos não costumam falhar...minha voz interna...minha sensação de mim mesma não costuma falhar....

Acho que todo mundo sabe um pouco sobre o que estou falando...., mas se você ainda não escutou essa voz; se você ainda não se conectou com essa sensação ... pare um pouco e se escute.... é hora de ouvir o que vem de dentro. É hora de não mais se trair.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

EXISTIRMOS, A QUE SERÁ QUE SE DESTINA?


Existirmos, a que será que se destina?
Essa é a pergunta que nunca se cala dentro de mim. Medito desde minha adolescência e não consigo sair desse tema: O sentido da existência. Parece deprimente, e as vezes até eu mesma gostaria de conseguir viver sem pensar. Acho que seria mais simples, mas não consigo. 

Queria muito acreditar que minha existência teria como fim, criar os meus filhos, ou cuidar da minha família, ou ser uma boa profissional, mas não consigo. Parece que isso não basta pra mim.


Queria muita acreditar que minha vida estaria completa e com suas finalidades realizadas, apenas por cuidar daquilo que diretamente me afeta. Mas não consigo, ou melhor dizendo, queria que muitas coisas não me afetassem, mas elas me afetam. 

Deveria ficar tranquila por que não preciso andar de ônibus no Brasil, por que não preciso pegar fila do SUS pra conseguir atendimento médico, por que não sou gay e nem tenho filhos gays e por isso não tenho que me importar com os "Felicanos" da vida, mas não consigo.

Não consigo pensar que minha vida se resume ao meu umbigo. Simplesmente não consigo.
Queria pensar que hoje meu maior problema é a saudade que sinto dos meus filhos, que estão longe, mas não consigo.

Penso demais. Penso demais na função da nossa existência. Penso demais no que acredito termos como missão nesse tempo que temos aqui. 

Não consigo acreditar que nasci para cuidar do que é meu, e depois morrer. Se assim fosse, viver não teria a menor graça. Se assim fosse, viver não teria o menor sentido. Pode ser que a vida seja apenas isso e eu não consiga me render. Não consigo com clareza responder qual o sentido da minha existência, mas com convicção posso afirmar que não se resume a cuidar apenas do que é meu.

Sei que minha existência pode não ser, e nem precisa ser grandiosa, mas sei também que minha existência não pode ser egoísta e focada exclusivamente no que me diz respeito. Quanto mais amplio o meu olhar saindo do meu umbigo, mais percebo que a dimensão do que é da minha conta se amplia também, muitas coisas que não me afetam diretamente, são da minha conta sim. 

É da minha conta se alguém leva 2 horas dentro de um ônibus super lotado pra chegar em casa depois de um dia de trabalho que não lhe garante um salário que mantenha sua família decentemente. É da minha conta e me ofende ver e escutar comentários e piadas racistas ou homofóbicas, apesar de ser branca e hétero. É da minha conta o que acontece nas ruas do Brasil, mesmo estando do outro lado do planeta. É da minha conta o que acontece com o mundo. É da minha conta que tanta injustiça aconteça o tempo todo. 

Não conseguiria ser diferente. 
Não conseguiria fechar os olhos diante da dor e do sofrimento alheio. 
Não conseguiria fechar os olhos diante de questões sociais.
Não conseguiria.

Não sei ainda a que se destina a minha existência, mas sei que ela não se resume a olhar para o meu umbigo, e isso não me faz melhor do que ninguém, talvez até me deixe com uma sensação de tristeza a meu respeito. Sinto como se estivesse imobilizada apesar de consciente. Isso, definitivamente não me leva a pensar que sou melhor que ninguém, muito pelo contrário, me sinto impotente e acomodada, apesar da inquietação.

Existir, a que será que se destina?





segunda-feira, 27 de agosto de 2012

BELEZA, MEDITAÇÃO E PRAZER


Já contei dois posts atrás que estou fazendo aulas de Hanji. 
Essa é uma linda arte coreana com papéis. 
Contei que estou apaixonada, mas não contei o quanto estou apaixonada e que dessa paixão já nasceu meu primeiro filho. Vocês o conhecerão agora!  

O primeiro passo foi escolher o projeto. Defini cheia de ansiedade que queria fazer um pequeno móvel com gavetinhas para guardar coisinhas pequenas, tipo anéis, colares..etc...

Cheia de paixão por esse projeto me comprometi com aulas no estúdio da professora. Essas aulas, são quase que privadas e posso passar o dia inteiro no estúdio trabalhando com a supervisão dela.  Assim aconteceu. Dois dias inteiros de 10 as 19h .., colando, retocando, pincelando..respirando...



O incrível para mim foi perceber passo a passo as coisas acontecendo... de um amontoado de papelão, uma forma começando a surgir. 

Cada momento foi vivido com concentração e prazer. Me pegava feliz ... uma felicidade ingênua e despretenciosa. Respirando e com vontade de rir.

De vez em quando suspirava profundo e ria .... assim, ... do nada.




A carinha do filho começa a aparecer... o projeto começa a se estruturar... apaixonada e rindo começo a ver as folhas de papel ganharem a forma que planejei... 

A minha alegria, mesclada com muita excitação me toma por completo... 

Começo a ver que estou rendida a esse prazer.







Detalhes feitos com cuidado.

Passo a passo que deve ser respeitado.

Não dá para acelerar o tempo ... muito pelo contrário, preciso estar inteira a cada instante, sob pena de fazer algo errado. Erros que acontecem, e que sempre vem acompanhados de um  suspiro grande ... mas nada que não possa consertar.






A primeira gavetinha.... cortando...colando....
Muitas e muitas piceladas de cola....
Dentro e fora feitas com carinho. Cada cantinho bem cortado, bem colado.


A face dela... 
Digam se não é pra se apaixonar mesmo?

Digam se é possível fazer algo assim sem estar concentrada, encantada e apaixonada? 








Minhas quadrigêmeas!

Lindas...idênticas...

4 gavetinhas mágicas!


  

Forrada dentro e fora...

Cada canto, cada quina..

Cada detalhe feito enquanto respiro...

Meditações, reflexões acontecem o tempo todo. 

Acho que estou encontrando dentro de mim uma Deusa diferente ... uma qualidade quase que maternal que confere paciência para cuidar dos detalhes sem pressa. Sem querer apressar nada... só curtindo cada momento. Bem diferente da deusa Athena de quem sou muito íntima. 

Só rindo... sorrindo... colando...



Apresento-vos meu primeiro projeto concluído de Hanji.

Esse é fruto de mais de 17h de trabalho, meditação e respiração. 

O mais encantador foi trazê-lo para casa. Como moro em hotel, fui chegando e apresentando-o para as meninas lindas que trabalham no desk. Eu dizia: I made It!!! Elas encantadas exclamavam: "you made It???? 

Ele ainda está em cima da mesa da sala. Não consegui coloca-lo num lugar funcional...ele ainda não é apenas um móvel de guardar bijouterias, ele ainda é uma arte, um filho especial.

Hoje a senhora que arruma meu apartamento o viu em cima da mesa, ela o tocou , olhando e admirando... deixei que ela o olhasse antes de dizer que eu o havia feito... nem sei por que, mas acho que queria ver o espanto dela... e vi. Ela sorria e falava misturando coreano com inglês... acho que tentou dizer com um sorriso alegre: "Parabéns!!! Ele é lindo!!!" .

Estou de parabéns ... essa qualidade feminina que traz beleza e delicadeza está viva em mim!
Estou feliz. 




segunda-feira, 13 de agosto de 2012

RESPIRO, ... E SOU LIVRE


Comecei aulas de Hanji aqui na Coréia. Pra quem não sabe o que é isso (provavelmente a maioria), Hanji é uma arte que usa papeis e é tradicional aqui na Coréia. As pessoas constroem de simples bandejas, até móveis e gaveteiros, usando papel e cola. Os papéis são lindos e coloridos. É uma arte apaixonante. Essas aulas são gratuitas e oferecidas pelo governo coreano para estrangeiros que aqui moram. Eles oferecem aulas de coreano, culinária típica e outras coisas também. Entrei nessas aulas aceitando o convite de Cristina Oshiro, uma brasileira/japonesa que conheci aqui, depois de muita insistência dela. Confesso que fui para a primeira aula, com uma sensação total de incompetência e sem muita convicção de que seria possível vence-la. 

Bom...quando eu era criança fiz aulas de pintura. Pintei muitos quadros. Adorava isso. Quando parei de pintar, nunca mais fiz nada artístico ou artesanal na minha vida. Nem sei porque, mas provavelmente por falta de tempo e por ter um foco muito voltado para o trabalho. Não tinha tempo para isso ou não tive chance...ou mesmo vontade. Na verdade nada nunca me atraiu. 

Aqui na Coréia tenho tempo. O Hanji apareceu diante de mim e me colocou diante dessa minha dificuldade de fazer arte, de fazer algo com as mãos. Resolvi aceitar esse desafio e me abrir para a beleza e a delicadeza dessa arte. 

Descobri logo de cara (com os erros que me fizeram rasgar os papéis) que preciso ser muito mais delicada e ter movimentos muito mais leves. É necessário fazer conexão com uma energia muito feminina para conseguir trabalhar como Hanji. Mãos leves, movimentos pacientes e muita concentração. Adorei. 

Tenho estado muito meditativa nesses tempos. Tenho estado cada vez mais quieta e reflexiva; num lugar dentro de mim de silencio e quietude em que posso observar meus pensamentos, e refletir conscientemente sobre questões relativas a projetos, e ao sentido da minha vida. O Hanji apareceu como mais uma ferramenta que me leva a concentração e que abre uma porta de meditação. Ficar pincelando suavemente cola sobre o papel, numa ação silenciosa e repetitiva, imediatamente me coloca nesse estado. Percebo que minha respiração desacelera a tal ponto que de vez em quando dou um suspiro grande, como se deixara de respirar por um tempo. Percebo minhas ansiedades e percebo o quanto elas são inúteis. Percebo meus medos e reflito o quanto eles são desnecessários. Percebo a respiração e me dou conta de que tudo é uma grande respiração. 


Respiro o sorriso acolhedor da minha professora que sem comunicação verbal alguma, entende que estou enfrentando a mim mesma para estar ali.

Não serei uma artesã. Estar na aula de Hanji para mim é como uma meditação, por isso respiro e me deixo levar!

Respiro e percebo meus medos. 
Respiro e percebo minhas ansiedades. 
Respiro e me liberto delas. 
Respiro e sou arte. 
Respiro e sou beleza. 
Respiro e sou livre. 

quarta-feira, 18 de julho de 2012

ME ENSINA A MEDITAR?

Recebi esse pedido esses dias. Não foi a primeira vez que alguém me pediu isso. Aliás, esse é um pedido constante que recebo de várias pessoas, e provavelmente já escrevi sobre isso aqui, não lembro bem. 

Desde que comecei minha prática do yoga, quando tinha 16 anos (já se passaram 32 desde então), descobri que as pessoas desejam muito meditar, mas percebi também que elas querem isso em cima de uma fantasia do que seja meditação. Não sei exatamente o que as motiva, mas percebo pelo nível de ansiedade que sempre acompanha o pedido, que elas não estão bem. 

A meditação aparece como uma possível salvação dentro de um momento de confusão, de cansaço ou mesmo quando as pessoas se vêem sozinhas com seus problemas. 

A minha resposta sempre é a mesma: "Não se ensina a meditar, no máximo podemos ensinar a concentrar".

Mas tenham calma, vou explicar melhor, antes de vocês percam as esperanças com relação à meditação. Meditar é um acontecimento natural para uma pessoa que pratica a concentração. Na verdade, a prática deve ser da concentração, e a partir dela, naturalmente a mente, um dia, entraria no estado meditativo.

Quando alguém diz que vai para aula de meditação, na verdade está indo para alguma prática de concentração. Ela vai provavelmente concentrar em alguma imagem, ou na respiração, ou até mesmo em algum mantra, ou questão. Ela está se propondo a pensar, ou focar em algo. Ela está se propondo a concentrar em alguma coisa. 

Aprender a concentrar é o caminho. Ter uma mente concentrada é libertador. Uma mente focada é uma mente poderosa. Imagine você poder concentrar em algo que precisa fazer, com a força da sua vontade, apesar das interferências internas (sono, tristeza, fome, dor, cansaço) e das interferências externas (ruídos, calor, tempo). Aprender a concentrar e desenvolver a capacidade de concentração deveria ser uma das nossas maiores metas dentro do yoga e na vida, pelos menos foi o que mais o Yoga me ensinou. Aprendi que uma pessoa que tem capacidade de concentração desenvolvida, certamente é uma pessoa que consegue com muito mais facilidades alcançar seus objetivos, sejam eles quais forem. 

Então o que vem a ser Meditar? 
Encontrar esse estado de mente, uma mente que medita, é o resultado natural da concentração. A meditação se daria ao encontrarmos a vacuidade mental. Um espaço de tempo em que os pensamentos desaparecem e se encontra o vácuo, um vazio que é de absoluta paz e silêncio, um vazio que imediatamente é preenchido pela luz, pela sabedoria, pelo mundo espiritual, que nos levaria o passo seguinte que é o Samadhi, a sensação absoluta de integração com o universo. Esse estado não acontece pelo esforço, ao contrário da concentração, ele acontece pela entrega, pela total ausência de ansiedades, de buscas e de metas. Nada a pensar...o encontro com o Nada...o encontro com o Tudo.

No próximo post escreverei melhor sobre concentração e começarei a ensinar alguns exercícios. 
Escrevam, contem suas experiências com os exercícios de concentração que vocês praticam.
Aguardo.

Namastê

Ludmila Rohr

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Minha caverna não me mete medo....

 Sabem quando nos deparamos com a sensação de que não conhecemos as pessoas com que nos relacionamos....? É uma sensação estranha...
Sempre que isso acontece, sei que na verdade, estou ME estranhando, não estou me reconhecendo...é como se eu me deparasse comigo mesma e não me reconhecesse. 

Acredito que o outro pode me espelhar, pode falar de mim. Os meus olhos vêem o que é possível ver. Enxergam na qualidade do que é possível para mim, então o que vejo tem mais a ver comigo do que com o outro..ou com o lado de fora..

Tenho uma boa intuição...tenho antenas que são muito sensíveis..consigo perceber com alguma lucidez a dinâmica nas coisas...por que sempre me treinei pra ver os fatos em sequência...encadeados...e nunca isolados... Sempre treinei minha mente pra perceber dinâmicas relacionais...ou seja, como as pessoas funcionam nas relações e como que as relações provocam mudanças nesse funcionamento. 

Isso é bem da Psicologia Sistêmica...gosto desse olhar, pois posso perceber o que eu provoco nas pessoas, e vice-versa. Elas não são necessariamente o que estou vendo...mas elas são assim na relação comigo. Esse olhar me coloca em um lugar de mais responsabilidade, posso ver a minha parte na história. 

Bom...esse é um momento específico pra mim...muitas datas importantes estão fazendo aniversário. Faço 47 anos em alguns dias, completo 25 anos de casada também e completo 1 ano morando em Houston. Além, claro, do próprio final de ciclo quando um ano se encerra.

Muitos ciclos se fechando ao mesmo tempo, percebem? Idade, casamento, mudança pra Houston e o ano de 2010! 

Tenho uma necessidade impressionante de ficar dentro de mim. Sou aparentemente extrovertida, porque tenho uma imagem de autoconfiança e o mundo externo não me invade, sinto que eu entro muito mais no mundo externo do que ele em mim, então, sou extrovertida. Mas adoro ficar dentro de mim...adoro e preciso muito de muitas horas em silêncio e meditação... Abrir mão disso é impossível....preciso ficar quieta, ter meus momentos diários de silêncio e meditação, em que fecho os olhos pra fora e os abro para dentro. Olho pra mim...não para o que sou ou preciso ser nas relações, mas para aquilo que sou de verdade..aquilo que sou no íntimo...aquilo que realmente sou.

Gosto de me deparar com os sentimentos, pensamentos, sensações, sonhos, idéias que surgem a partir daí... Me sinto fortalecida e centrada.... me sinto no eixo e "grounded"...enraizada...Essa sensação de enraizamento é vital para uma capricorniana...preciso sentir meu chão firme, e não espero que ele seja firme externamente, como algo imóvel,  mas que eu tenha uma sensação interna de firmeza e segurança, que saberá lidar com as modulações e turbulências externas.

Gosto de meditar. Meditar é um hábito antigo...ficar em mim....ficar comigo...

Estou bem...mas a minha caverna interna tem me convidado insistentemente para que eu a visite mais e mais...
será isso uma espécie de "inferno astral" por causa do meu aniversário que se aproxima? Bom...se é isso...gosto disso. 

Definitivamente, minha caverna não me mete medo.


Ludmila Rohr

P.S. na foto com um Sadhu na Índia...Ele vive a vida tocando e meditando....





segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Chama Sagrada que me guia!


Aqui nos EUA somos convidados a consumir o tempo inteiro. Muitas coisas lindas e baratas. É realmente para enlouquecer qualquer um. Roupas, objetos de casa...e coisas que nem imaginava existir....eles vendem, são bons nisso...Eles vendem e nós compramos.

Eles são muito bons também em criar necessidades, de repente me pego caindo na armadilha de pensar que "preciso" muito de algo que eles me oferecem de forma ostensiva e sedutora. De repente, algo que nunca imaginei existir e que poderia passar a vida sem, passa em um segundo a ter uma necessidade impressionante.

Estou meio paralisada com as compras. Gosto de comprar, sempre gostei, mas quando vejo muita coisa, muita oferta, fico meio confusa, fico quieta, parece que meu desejo desaparece...consigo ver como aquilo é demais e desnecessário, e consigo me reconhecer vivendo e existindo tranquilamente sem aquilo.

Bom...preciso confessar algo nesse pais, do consumo escancarado, me fisgou.

Estou completamente seduzida, encantada e cooptada pela idéia das velas. Eles vendem muitas velas aqui...elas são lindas, perfumadas...maravilhosas. Existe um sentido para eles gostarem tanto de velas, de fato nem sei se eles gostam...não entrei em casa de americanos, mas eles vendem muitas velas...eles precisam delas. As casas aqui ficam o tempo todo fechadas e as velas aromatizam os ambientes...elas são de fato importantes. Entretanto, eu só entendi essa "necessidade" depois de ter sido completamente seduzida por elas...eu de fato não sabia porque eles usam tantas velas...e comecei a comprá-las e a acendê-las..

Compro velas em todos os lugares. Passo muito tempo na seção de velas nas lojas. Compro suportes diferentes para elas, copinhos lindos e de várias formas e cores....comprei acendedor (nunca vi fósforos aqui)...e hoje comprei um instrumento para apagá-las também.

Tenho uma história com as velas que começou na minha adolescencia. A 1ª técnica de meditação que pratiquei na vida (com 16 anos) foi o Samiami, que consistia simplesmente em focar a visão na chama de uma vela e observar de forma atenta tudo que acontecia com a minha mente. Eu simplesmente passei muito tempo contemplando a chama de uma vela.

Pratiquei por muitos anos, diariamente essa técnica que me deu um excelente nível de concentração, que me ajuda hoje em tudo na minha vida. A contemplação passiva da chama de uma vela, vai aquietando a mente, desacelerando os pensamentos e as atividades corporais também. Podemos chegar a um ponto de atenção plena e alta concentração.

As velas trazem para mim um sentido simbólico também. Elas representam o calor e a luz em meio a escuridão. Sinto como se elas sempre estivessem me sinalizando para onde ir, elas sempre me acalmam e me levam a introspectar. Não consigo ver uma vela acessa sem que algo dentro de mim seja despertado. Elas são mágicas para mim!

Continuarei a comprar velas, porque sinto que elas me conectam com a minha chama interna, com a luz que existe em mim, com a centelha divina que mora nas camadas mais profundas do meu coração. Elas me levam para um lugar dentro de mim no qual preciso de um guia...um lugar escuro e quieto...quentinho e aconchegante...um lugar que só posso chegar sozinha e certamente com uma chama sagrada fica muito melhor!

Namastê!

Ludmila

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Isso é bom ou ruim? Mente contemplativa!


Uma coisa pode ser boa e outra pode ser ruim?
Essa é uma questão importante, pois a partir de como compreendemos a forma como nos ligamos às "coisas", poderemos entender também os nossos apegos e aversões.
Segundo Buda, nada por si só teria a característica de ser bom ou ruim, mas que a forma como nos ligamos a elas sim, faria toda a diferença.

Milhões de pessoas não vacilariam em afirmar que ganhar um prêmio de loteria milionário é algo muito bom. Tenho lá minhas dúvidas, sei de casos de pessoas que tiveram suas vidas destruidas pelo excesso de dinheiro, que perderam amigos, família e que foram até assassinadas. Mas isso nos levaria a pensar que ganhar esse prêmio é algo ruim? Também não. Sabemos de inúmeras histórias de pessoas que conseguiram transformar suas vidas após um prêmio desse. Não só as suas vidas, mas da sua família, amigos, sua comunidade, etc. Então isso é bom ou ruim?

Perguntaram certa vez numa comunidade de câncer, se ter tido câncer foi bom ou ruim? Foi um alvoroço...pessoas ficaram indgnadas e ofendidas com a pergunta, outras falaram dos benefícios que o câncer havia trazido para suas vidas...Bom não consigo pensar que o câncer é algo bom. O câncer pra mim é uma praga, é um limão muito azedo, é algo doloroso e assustador, mas apesar disso, acredito sim, que a ligação que faremos com ele pode ter várias qualidades diferentes.

Tenho desde os 16 anos a prática de meditar, não exatamente de sentar e fechar os olhos, embora faça muito isso, mas tenho a prática de olhar a vida e as coisas com a MENTE CONTEMPLATIVA, que é uma qualidade da nossa mente que é absolutamente oposta à mente habitual que normalmente é discriminativa, que normalmente está julgando, comparando, criando aversões e paixões, e com isso gerando sofrimento.

A mente contemplativa é uma mente que não julga, apenas vê, apenas contempla, escuta, sente, mas não discrimida, se é bom ou ruim, se é pior ou melhor, se estou ganhando ou perdendo, se sou maior ou menos....essas são habilidades imbecis da nossa mente sofredora. A mente contemplativa apenas observa, ela não sabe o que é bom ou ruim, pois ela sabe que as duas respostas são possíveis...e porque isso vai depender não do fato em si, mas de como nos ligamos ao fato, às coisas.

Então conheço pessoas que tiveram ou estão com câncer e que estão se descobrindo como pessoas melhores, estão descobrindo forças que não sbiam que tinham, estão encontrando amigos, aprendendo a abrir o coração....elas estão fazendo algo muito bom com o câncer, a ligação é muito positiva, mas isso faz do câncer algo bom? certamente não. Essas pessoas se ligaram de forma positiva a ele e conseguiram fazer desse limão uma limonada. Conseguiram transformar DOR em AMOR.

Enquanto outras passam muito tempo reclamando, sentindo-se vítimas injustiçadas, chegam a perguntar porque Deus não deu uma doença dessa a um assassino? A forma como se ligaram ao câncer foi essa. Negativa e vitimizada.

Acho que existe estudos que mostram que os positivos vencem mais essa batalha, mas isso não tem a menor importancia pra mim, pois não consigo pensar na morte ou na não-morte. O importante é pensar na vida. O quanto estamos infelizes agora, nesse dia. O quanto estamos felizes agora, nesse dia. Isso depende de mim, depende exclusivamente da forma como eu me conecto às coisas, aos fatos, porque eles por si só não são nem bons, nem ruins.

A mente contemplativa é a única liberdade possível, com ela nos liberariamos das prisões que nós mesmos nos encerramos, a prisão imbecil da comparação, que nos leva ou para a vaidade de ser melhor, ou para a inferioridade de ser menor, pior, menos. Ambos são lugares aprisionantes.

A mente contemplativa que a meditação nos oferece, nos tiraria dos apegos, pois eles são gerados pela paixão e pela aversão. Tudo que eu temo perder (paixão), e tudo que luto para evitar (aversão), esses são os meus grilhões, são os cadeados que me mantem prisioneira de mim mesma!

A Mente Contemplativa observa, livre, independente....sabe que tudo tem um sentido...que nada é bom ou ruim, que a perfeição está em tudo, que só existe o presente...ela é livre, e isso é felicidade!

Namastê

Ludmila Rohr

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Vivendo a noite escura... sem resistir....


Hoje parece um dia de sol, depois de uma longa noite escura!!!
Assim eu sinto!

Judson na segunda fez quimio, quase que não consegue fazer, por causa dos benditos leucócitos que ainda estavam abaixo do mínimo. Fez. Passou mal, quase desmaia, vomitou, e teve febre! A febre é um fantasma pra quem está em quimio...ela não pode acontecer...febre significa infecção...leucócitos baixos significa baixa imunidade...péssima combinação...dias difíceis...

Nada a ser feito!
Esperar com serenidade e sabedoria. Só temos que esperar...

Acredito que tudo que aprendi na vida até hoje, me preparou para momentos como esse. A não-resistência é um grande aprendizado. Simplesmente poder estar, onde devo estar. Deixar a minha mente e o meu coração onde é possível estar. Não brigar com isso.

Nesse momento, não a há nada a ser feito, a não ser esperar. Esperar a "noite escura" passar. Esperar com serenidade...e isso não significa, sem dor...mas com serenidade. Eu posso fazer isso.

Sei que posso fazer isso, porque o que tenho uma certeza inquestionável dentro do meu coração. É uma crença inabalável. Sei que as noites tem um tempo de durar. Elas, assim como tudo na vida, não são eternas. São impermanentes, são finitas. Então, basta esperar!

Outra crença inabalável na minha vida, e que me ajuda nessa espera, é que depois de cada "noite", tem um "dia de sol"...eu sei disso. Sei porque nunca perco o contato com esse "Sol interno"...ele é perene...brilha sempre...mesmo quando estamos na noite...ele só está no meu outro lado...esperando a vida virar de novo...

Sei que preciso estar com a minha mente e o meu coração, no mesmo lugar onde meu corpo está. Isso me protege das ansiedades tão comuns quando nos deslocamos de onde temos que estar... e nos repartimos..nos fragmentamos. Isso aprendi com o yoga e com a meditação.

Outra coisa que aprendi faz tempo, é que a mente precisa estar no único tempo que existe, e que é esse que vivemos. Não devo estar no futuro, nem no passado. As ansiedades nascem assim. O tempo é o presente.

Bom, nessas "noites escuras", preciso apenas estar inteira. Com os medos que surgem e desaparacem. Com a perdas e mudanças que precisam ser feitas. Desapegando daquilo que na arrogancia humana havia programado...e esperar....o dia virá...e enquanto não vem....que a noite seja uma energia feminina de transformação que me envolve...não lutarei contra ela.

Recebo a noite no meu corpo e alma....e me despeço dela....tá na hora do Sol brilhar outra vez!


Namastê

Ludmila

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Yoga....o meu caminho!


Ontem foi meu primeiro dia em Salvador depois que retornamos de SP. Adoro isso aqui! mas na verdade, o que gosto mesmo é de tudo que faço. Adoro meu trabalho. Adoro minha rotina, sou uma pessoa que adora acordar e saber que terei o meu dia diante de mim.

Ontem dei minha primeira aula de yoga desde que me despedi dos alunos avisando que iria pra SP acompanhar meu marido. E eu quero muito falar sobre isso. Comecei a fazer yoga com 16 anos, (tenho 45 agora). Eu já era apaixonada pelo yoga, mesmo sem conhecer, dizia que queria fazer yoga, mesmo sem saber do que se tratava. O Yoga entrou na minha vida e nunca mais saiu. Praticava muito, estudava muito (muito mais que hoje), lia os textos sagrados, fazia praticas duas vêzes ao dia, meditações diárias...enfim, mergulhei com meu corpo e minha alma nesse universo que trouxe sentido a minha existência.

A Hatha-yoga me colocou diante da possibilidade de um corpo saudável..um corpo feliz. E de fato, tenho uma relação muito boa com meu corpo, ele me dá prazer, não tenho histórias na minha vida de dores no meu corpo. Claro que já fiquei doente e certamente ainda ficarei, mas meu corpo, produz muito mais prazer do que dor. Ele é um lugar muito agradável de se morar. Vejo pessoas reclamando de dores, pessoas saudáveis, inclusive que malham, que correm...eu normalmente não tenho dores....acho realmente que o meu corpo tem sido um bom lugar para morar.

Quando descobri a respiração, descobri o prazer simples de respirar, e o quanto a respiração me conectava com o meu corpo, mas o quanto que através da respiração eu conseguia alterar meus estados mentais. A respiração se tornou o meu grande remédio e companheira. Respiro conscientemente em todas as situações que preciso estar mais inteira, mais forte, mais calma, mais centrada....mais aberta....a respiração me leva pra dentro de mim, a lugares profundos, mas também me coloca aberta para o mundo, para as pessoas...sou muito grata ao yoga, por ter me apresentado esse instrumento valioso.

Bom...ontem reencontrei meus alunos....voltei pra minha sala de aula... e comprovo o quanto amo o que faço...o quanto o yoga me faz bem. A prática corporal do yoga organiza o meu corpo, me sinto leve e feliz, mas enche o meu coração de muito amor....é...sinto um amor imenso quando pratico yoga, sinto que sou uma pessoa melhor (do que de fato sou), me conecto com aquilo que é sagrado em mim...e fico muito feliz!

O outro lado lindo do yoga são os alunos, eu sou muito apaixonada por eles...vejo a busca, a confrontação com as dificuldades, os corpos que aos poucos vão desenferrujando, a felicidade em conseguir fazer algo que não conseguiam antes, uns são fiés, persistentes, permanecem anos após anos, já incluiram o yoga em suas vidas, outros são flutuantes, vem e vão, somem e novamente aparecem....mesmo assim os adoro, fico imensamente feliz quanto vejo um ex-aluno retornar!

Ontem dei minha primeira aula de yoga depois que retornei e quero hoje agradecer aos alunos que lá estavam. Obrigado...obrigado por me acompanharem nessa viagem de auto-organização, nesse processo de nutrição da minha alma. E o melhor de tudo isso, é me dar conta de que esse é o meu trabalho!!!! Sou tão grata a vida, porque penso que sou uma pessoa abençoada, que pode trabalhar com aquilo não só que ama, mas com aquilo que cuida de mim, que me faz uma pessoa melhor, que me alimenta....

Uma vêz um professor de psicologia me falou que iria chegar a hora em que eu teria que escolher entre a psicologia e o yoga, eu achei aquele comentário meio bobo, por que em nenhum momento uma prática concorre com a outra, muito pelo contrário. O fato de ser prof de yoga sempre me fez uma terapeuta melhor. O fato de meditar e cuidar de mim e dos meus alunos em vários níveis, sempre me possibilitou uma visão mais ampla da psicologia. Amo tudo que faço, amo a psicologia, o consultório, mas o yoga é a minha vida. Se esse professor tivesse razão, se eu tivesse que escolher, a escolha já estava feita, pois o yoga com certeza foi escolhido pelo meu espírito milênios atrás. Nessa vida eu só o reencontrei!

Namastê!

Ludmila Rohr