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segunda-feira, 8 de abril de 2013

COM ASAS PARA VOAR!


Tenho voado muito, é verdade. 
No sentido literal, tenho voado muito mais do que gostaria, mas não estou reclamando.
Morando na Coréia do Sul, tendo um filho nos EUA e outro no Brasil, além de irmãs, mãe, sobrinho, amigos e meu meu trabalho, tenho voado muito tentando cobrir esses 3 pontos tão distantes entre si, mas tão juntinhos no meu coração. Tenho casa em vários lugares.

É bem verdade que tenho voado bastante a passeio. Tenho conhecido lugares na Ásia que jamais imaginara conhecer. Nunca sonhei conhecer Singapura, ou Hong Kong, ou mesmo a Indonésia, mas já conheci esses lugares, mesmo sem ter sonhado com isso. Nunca havia sonhado, não por que achasse impossível, pra ser mais sincera, achava improvável.  Já fui 3 vezes a Índia e ao Nepal, mas essas viagens foram sonhadas desde o dia que nasci. Foram viagens planejadas e desejadas nos mínimos detalhes, ou pelo menos a primeira delas. Acho que nas outras duas, eu apenas peguei o embalo dos sonhos, somando com os desejos e a certeza de que seria possível. Enfim, realizei esse sonho por 3 vezes, sendo que em uma delas, fomos a família toda. Puder ver meus filhos na Índia.

Tenho realizado coisas que nem ao menos ousava sonhar, como ver um show de Elton John. Já fui a dois shows dele, e olha que quando assisti ao primeiro, eu pensei: Já posso morrer! Chamei de Momento Orgástico! Depois disso como posso duvidar da energia que colocamos nos sonhos? Como poderia não acreditar que as coisas que desejamos são possíveis. Como não imaginar que o que sonhamos com vontade, se realiza? Um sonho alimenta outro. Como se um impulsionasse o outro. Como se pegássemos o embalo!



Além dos vôos literais, sou uma pessoa que sonha. Sempre achei que podia sonhar e me permitia sonhar o que quisesse. Acho que nunca encontrei ninguém ( que realmente importasse) pra me dizer que eu não devia sonhar, ou que os meus sonhos eram demais. Muito pelo contrário. Meus pais nos davam permissão para isso, e além da permissão, acho que eles autorizavam e alimentavam isso. Embora tenha nascido em uma família simples e sem dinheiro, minha família era ousada. Ousavam muito. Meu pai era um sindicalista que sonhava, e minha mãe era uma professora que amava o que fazia, mas era uma mulher que começou faculdade com 3 filhos pequenos e se formou recém-parida do quarto filho. Era uma mulher ousada e corajosa. Tive bons exemplos.


Nunca achei que os limites me seriam impostos de fora pra dentro. Nunca acreditei que alguém ou algo externo a mim, pudesse me dar limites. Sempre estive ciente de que apenas eu, teria esse poder. Acreditava e acredito no meu poder sobre mim. Acreditei por toda a vida no meu poder de decidir e de fazer escolhas, e tive muito pouco medo de ousar, de errar ou até mesmo de me machucar, e olha que já errei e me machuquei muito.

Sempre voei. Embora seja uma capricorniana de livro, com raízes extremamente profundas, percebo que minhas raízes me pertencem, e não ao lugar. Todo lugar que estou consigo finca-las, todo lugar que vou, consigo sentir que poderia fincá-las se assim quisesse.  

Me reconheço em qualquer lugar. Se entro em conflito com isso, medito, respiro, me questiono, confronto a mim mesma, até que me reconheça outra vez. Percebo como é fácil para mim, me reconhecer quando estou na minha terra, no Espaço Mahatma Gandhi *. Sei exatamente quem eu sou quando estou no meu consultório ou na sala de yoga; mas também não é difícil, embora seja sofrido, me reconhecer longe deles.

Tenho raízes. Tenho asas. 

Exatamente por que tenho raízes, posso ter asas. Posso ter asas cada vez mais poderosas, e que voam cada vez mais alto e distante. Posso ir, sem medo de me perder. Posso arriscar sem medo de errar. Posso me perder e errar. Simplesmente posso. Não tenho medo de estar perdida, muito menos de errar. Tenho permissão interna para me perder, pois confio que sempre me acharei de volta, assim como tenho certeza de que errarei, simplesmente por que é impossível não errar.

Tenho medo sim, e imenso, de cortar minhas asas. 
Tenho medo de impedir a mim mesma de voar, de acreditar, de sonhar, de ousar, de sentir, de rir e de chorar... tenho um medo grande de que por algum motivo que hoje não reconheço, de eu mesma cortar minhas asas, por que só eu tenho esse poder, ele me foi conferido, e a responsabilidade seria toda minha. 



A vida voa, o tempo voa...


.... a boa notícia é que nós somos o piloto desse vôo, e assumir o controle disso, é sair do lugar de vítima e assumir que faz escolhas e que não terá ninguém para responsabilizar. 

As asas são suas. 

Se quiser voe!

Quando quiser, voe!



*  www.mahatmagandhi.com.br 

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Seja quente ou seja fria...


Na Bíblia existem muitas passagens que me tocam profundamente pelo seu aspecto simbólico. Estudei muito pouco a Bíblia, li quase nada do que eu acho que deveria. Li muito mais textos Védicos do que a Bíblia.

Hoje estava escrevendo pra esse blog quando recebi uma email de uma amigo muito amado que me lembrou de uma passagem que simplesmente adoro. Em algum momento da minha vida, essa passagem era a minha cara....eu a via como um lema!


é assim...


"Seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito".


Quando conheci essa passagem, ela ganhou um significado que talvez fosse muito pessoal, mas que eu amei...Já escrevi aqui sobre o quanto a passividade e a acomodação não fazem parte da minha vida. Já escrevi também sobre o quanto pra mim é importante fazer a diferença, e que pra isso precisamos encarar os nossos medos, encarar que os nossos maiores inimigos estão dentro de nós mesmos.


Não consigo ser bege, não consigo ser morna...embora ache que existe um enorme conforto nisso. Acho que as pessoas mornas, pensam muito mais em si mesmas do que aquelas que não o são. Elas estão preocupadas com os riscos que correrão, com as consequencias dos seus atos, das suas palavras e dos seus afetos. Elas pensam muito e encontram um lugar de contenção para as emoções, e para os desejos. Elas dificilmente seguem algum tipo de impulso, precisam também freiar arroubos de paixão e desejos. Precisam deixar de ter opinião a respeito das coisas. Não podem destoar e jamais contrariar.


Elas são mornas; não são frias, e muito menos quentes; elas são mornas.


Acho que deve ser muito confortável estar ao lado de alguém morno, porque não existem surpresas, porque elas são esperadas e planejadas, exatamente pra não causarem instabilidades . Não existem muitas turbulências.... acho que a vida fica mais leve.... muitas vezes quis ser morna, ou bege...muitas vezes até tentei isso.... Porém as pessoas mornas também são perigosas, por que elas tentam controlar a temperatura do outro. Acho que elas pensam: Poxa, se eu me controlo e me freio tanto.....quem é voce pra se permitir sentir tanto! Os mornos são controladores de temperatura. Eles freiam as expressões de calor...eles querem tudo bege, não aguentam muita intensidade...


Fiquei um pouco receiosa de publicar aqui no blog o meu poema "Por tras de mim". Ele fala exatamente dessa dualidade, que é quente e fria. As pessoas tendem a pensar que isso é um desequilibrio, que deveriamos encontrar um lugar no meio disso. Que deveriamos com o passar do tempo ir ficando mais bege, mais morna. Não tenho conseguido.


Com o passar dos anos, tenho me conhecido mais e mais, mas não tenho conseguido ficar morna. É bem verdade que não tenho tentado muito. Não tenho me empenhado nisso. Tenho buscado todas as nuances possíveis da minha alma e tenho conseguido não ser pega se surpresa por mim mesma. Sei que minhas emoções não me destruirão, nem me farão perder a consciencia de mim mesma, por mais intensas que sejam, mas elas não me tiram de mim, mas daí a ficar morna....tá difícil... o que consegui foi ter cada vez menos medo de mim.


Quando decidi publicar o poema "Por trás de mim", pensei que talvez algumas pessoas pudessem pensar algo de mim que não correspondesse a realidade, mas em seguida pensei: O que poderiam pensar de mim que não corresponda a realidade?...provavelmente sou, ou seria qualquer coisa que pensassem, me sinto livre pra sentir o sentimento que vier....se vier o medo, vou lá dentro, se vier a raiva..sinto e por isso, posso não atuar nela; se vier o desejo me entrego; se vier a descrença, a esperança, a fé, a alegria...
....qualquer coisa que vier de mim, eu viverei....., pois prefiro errar do que me omitir, eu prefiro sofrer do que não viver, eu prefiro ser quente ou ser fria, mas jamais serei vomitada à terra, por ser morna.
Ludmila
P.s. na foto, gesticulando muito numa aula...sempre repleta de emoções....

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Exaustos, mas felizes....


Muitos anos atrás, os meninos eram pequenos ainda, em uma das idas a Lençois, na Chapada Diamantina aqui na Bahia, lugar inesquecível, (quem conhece certamente irá concordar comigo), estávamos numa pousada, que organizava trilhas e passeios para os hóspedes e as divulgavam em um mural, e lá estava escrito que no dia seguinte o passeio seria uma trilha longa pra uma daquelas cachoeiras inesquecíveis...e dizia, além de todas as recomendações..: "Voltaremos exaustos, mas felizes!"

Nunca esqueci dessa frase...e foi exatamente assim que voltamos de SP ontem, completamente exaustos, mas absolutamente felizes...

Chegamos em SP depois de uma viagem de madrugada, fomos para o Hcor, e às 08:30h, Judson entrou por uma porta, de onde só saiu às 12h, com uma expressão linda e leve no rosto, que já dizia tudo e que me fez desabar num choro de alívio. O que havia acontecido lá dentro eu não sabia, mas sabia pela carinha dele, que iria ouvir, o que desejei muito ouvir: não foi detectado nenhuma célula cancerosa pelo PetScan.

Quero contar que fiz e senti nessas 3 horas e meia que fiquei no hospital, sem notícias e sem ninguém fisicamente ao meu lado, até chegar a esse momento de alegria.

Achei que conseguiria passar o tempo vendo TV ou lendo algo, mas não foi possível...o relógio simplesmente não andava... estava no 2º sub-solo e por isso sem sinal do celular...resolvi andar um pouco pelo hopital, e fui até a lanchonete tomar um café e descobri que em frente a lanchonete tinha uma capela ecumênica, entrei... silencio....estava sozinha....sentei... e chorei....chorei muito. Era um choro muito profundo...

Vivi um momento de muita espiritualidade...de mergulho nas águas profundas do oceano da minha alma....quanto mais eu mergulhava, mais silencioso ficava. Algumas pessoas entraram e sairam da capela, mas eu estava ali, com o meu silencio interior, com o meu Deus. O meu Deus é um lugar, é um lugar dentro de mim, é um estado de alma. Mergulhei nesse lugar, encontrei esse estado e fiquei lá...ouvia meu choro, ouvia minha respiração...não conseguia pedir nada, não havia nada a ser pedido...só fiquei nesse lugar primitivo, em que somos por natureza sós...e absolutamente acompanhada e preenchida pelo meu Deus interno.
Experimentar essa solidão preenchida foi libertador. Não me sentia sozinha...mas era uma constatação irrefutavel de que sou só, porque existe um lugar na minha alma que só é possível ser acessado por mim mesma e, como eu não sentia pena de mim e pude me render a isso, podia sentir Deus, podia sentir as dores e alegria de todas as pessoas que ali estavam naquele momento...podia sentir algo absolutamente transcendental, algo que transcendia os meus medos e as minhas necessidades. Pude ver uma perfeição naquele instante. Entrei em estado meditativo...a vida e a existência eram muito maiores do que o meu mundo pessoal....a vida (assim que eu chamo Deus) era perfeita, e nada me faltava...fiquei quieta e em paz.

Depois de tantas experiencia internas, desci para o 2º sub-solo...e sabia que tinha que esperar o meu amor sair do exame, quando ouço meu nome ser chamado por uma voz feminina, olhei, não sabia quem era aquela mulher, ela me diz: "Sou Patsy, da comunidade" ... "soube que Judson vai sair daqui a 5 minutos".....demorei algum tempo para processar...havia sido encontrada por um anjo, uma pessoa linda da comunidade de "parentes de vítimas de câncer"...ela foi lá me ver, ela, assim como toda a comunidade, sabiam que eu estava ali...eles vibravam, rezavam, oravam por mim...sabia que isso estava contecendo...mas de repente, isso ganha um aspecto físico, ela estava ali...e nos abraçamos...e choramos...


Patsy presenciou aquele que foi um dos melhores momentos da minha vida...alguém que eu nunca havia visto, mas que sabe das minhas dores...foi lá...simplesmente apareceu pra me lembrar da imensa rede de proteção que nos envolve o tempo todo. Patsy era um símbolo, ela foi a presença simbólica de todos os meus alunos queridos, dos meu clientes, amigos, dos meus pais e irmãs, dos meus amigos das duas comunidades que faço parte...Patsy representou a realidade protetora que me envolve e que posso até não ver, mas que está ali...por isso posso até estar só, mas nunca estou sozinha!!!


Amo a vida...não sei o que é ser infeliz...sei o que é estar triste e com medo, mas não sei o que é ser infeliz...Estamos exaustos, mas muito, muito felizes!!!


Obrigada a todos que simplesmente nos amam e torcem por nós!

Namastê
Ludmila



P.S. na foto...na Toscana, nem um pouco exaustos e muito felizes.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Por trás de mim....


Viajo essa madrugada. Vamos pra São Paulo. Judson fará um Petscan, esse é um exame que escaneia todo o corpo a procura de células malignas. Foi esse mesmo exame que em janeiro detectou a metástase no fígado.
Muitos sentimentos....medo, ansiedade, que se alternam com tranquilidade, serenidade...

Nesse momento não há nada a ser feito...tudo que podíamos fazer...fizemos.
Fantasmas nos assombram e assombrarão, por muito tempo ainda...assim é essa doença.

Uma confiança serena, me invade, mas não é sufcientemente forte para espantar o medo....

Sou assim....essa contradição.


Lembrei de uma coisa que escrevi em 2004 e quero compartilhar.




Por trás de mim


Por trás da dureza que mostro tem algo muito delicado e sensível.
Por trás de toda certeza e convicção existem medos e inseguranças.
Por trás de todo esse tamanho existe uma miniatura.
Por trás de todo preenchimento tem um imenso vazio.
Por trás de tanta propriedade existe um nada.
Por trás de tanta fé, a mais total descrença.
Por trás da paz, um caos.
Por trás de tanta vitalidade, uma vontade enorme de sumir.
Por trás da coragem, a vontade de pedir ajuda.
Por trás da firmeza, vacilo.
Por trás da resiliência, uma vontade de desistir.
Por trás de todo o planejamento, uma grande desorganização.
Por trás de toda a minha lucidez, uma vontade de enlouquecer.
Por trás de tanta expansividade, muita retração.
Por trás de toda determinação, uma vontade de sucumbir.
Por trás da mulher segura existe uma menina assustada.
Por trás daquilo que conheço de mim, uma total desconhecida.
Por trás de mim, só existe a mim mesma.
Então essa sou eu inteira,
Frente e costas,
Sou inteira essas duas e muito mais.


02/10/2004



sábado, 28 de fevereiro de 2009

Alguém bem melhor....


Hoje de tarde fui beber uma água de coco no Jardim de Alah com Juliana, uma amiga querida. Eu já falei dela aqui em outros momentos. Tenho um carinho especial por ela. Ela é jovem e linda. Apesar de estarmos em momentos bem diferentes da vida, nos encontramos nesse universo feminino sem fronteiras, e nos identificamos em muitas coisas. Sinto que muitas dores e angustias que ela vive, eu de alguma forma já vivi. Tento lhe dizer da minha experiencia...tento lhe passar mais confiança, mais segurança, mais coragem.... enfim, dizer da vida que tenho vivido...

Sempre fui muito corajosa e batalhadora. Acho que até muitas vezes, enfrentei guerras que nem existiam de fato, confrontei pessoas sem a menor necessidade, vi desafios em momentos em que poderia estar descansando, falei coisas que me levaram a situações dificeis e quando poderia ter ficado calada... acho que muitas vêzes compliquei minha vida sem a menor necessidade. Lembro de muitas situações em que fui "bucha de canhão", ou até mesmo "bode expiatório" por ter escolhido ficar nesse lugar, ou por não ter feito nada para evitá-lo, muito pelo contrário.

Meu marido sempre me dizia que eu precisava ser mais política, mais conciliatória, mas eu achava que tinha que expôr as sombras, revelar as feridas, as falhas e as mentiras, não só minhas como de todos. Reconheço que em muitas situações na minha vida, agi como uma kamikase, algo meio orgulhoso e infantil. Tratava de forma dura e severa as fraquezas. minhas e dos outros. Não tinha paciência com as inseguranças e com os medos, nem meus, muito menos dos outros.

A vida vai nos ensinando. Hoje me trato com muito mais carinho, e aos outros também. Tenho paciência com meus medos e com os dos outros também. Ainda tenho alguma dificuldade em receber todo tipo de ajuda, por que ainda é dificil reconhecer minha fragilidade, ou também por não gostar de todo tipo de oferta de ajuda, mas isso hoje já é possível. Sei que não gosto do tipo de ajuda, piegas e melosa, muitas vezes, prefiro a companhia silenciosa e o apoio expresso de forma simples e direta. Sou assim. É difícil pra mim ser piegas, mas sou boa em ajudar fortalecendo, escutando e mostrando-me disponível.

Devo essa transformação ao meu marido, meus filhos, meus clientes, alunos e aos amigos, como Juliana; que compartilham suas vidas comigo e deixam à mostra seus corações e almas, e dessa forma vão me oferecendo histórias e vivencias preciosas que me transformaram e continuam a me transformar cada dia em alguém muito melhor!

Acredito na vida! Acredito em uma sabedoria divina que tudo rege...acredito principalmente, no poder do amor e da amizade.

Namastê!

Ludmila Rohr
P.S. Foto sobre a Laxma Jhula (ponte sobre o Rio Ganges) , em Rishikesh, uma das cidades que mais amo na Índia.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Sobre Coragem


Já tive nesses 20 anos em que ensino yoga, muitos alunos, uma quantidade tão grande que nem posso imaginar. Algumas pessoas vem fazer yoga esperando uma mágica, que o yoga dê um jeito nelas e em suas vidas, como se fosse um remédio, essas podem até descobrir em algum momento da prática que não é bem assim e assumirem as suas responsabilidades no processo; outras buscam uma atividade física inteligente e até descobrem que o yoga é muito mais que isso; e outras veem buscando um caminho..se reconhecem como um ser integral e buscam no yoga algo que possa ajudá-las nesse caminhar em direção ao auto conhecimento.

Tento gravar o nome de todos os alunos, as vêzes não consigo, mas me esforço muito pra isso, quero ver cada um como uma pessoa diferente, com seus corpos que revelam suas histórias, suas emoções....quero ver cada um individualmente. Infelizmente nem sempre consigo.

Preciso dizer que sinto um carinho muito grande por todos eles, pois eles me fazem uma pessoa muito melhor. Não suporto o lugar de "Mestre" e sempre dou um jeito de escapulir dessas projeções. Aprendo tanto em cada aula que dou, aprendo tanto com cada aluno que vem conversar comigo, como posso ser um mestre? Nesse lugar (de mestre) me sentiria uma charlatã, gosto do meu lugar de alguém que ensina yoga, mas que reconhece que sabe muito pouco ainda.

Alguns alunos chegam mais junto, se fazem presentes, participam da atividades extra-aula, opinam, fazem perguntas, se mostram, se implicam no caminho e uma forma mais explícita, não que os mais calados e silenciosos não estejam implicados também, mas é mais fácil pra mim reconhecer aqueles que se mostram mais, que buscam uma relação mais íntima, que se tornam amigos. esses ultrapassam a fronteira professor/aluno e se tornam pessoas tão queridas, tão amigas. Compartilham suas vidas, suas dúvidas...eles trocam de forma mais clara, dão e querem receber.

Rita é uma antiga e querida aluna de yoga e me mandou por email essa frase de Guimarães Rosa: "O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem." Adorei!

Falei outro dia sobre coragem. Me sinto uma pessoa muito corajosa, não me lembro de situações em que eu tenha ficado paralisada por causa do medo. Sinto medo é claro, mas a minha coragem é sempre maior que os meus medos. Em vários momentos da vida senti muito medo, mas a minha coragem estava lá ao meu lado, me conduzindo, movendo as minhas pernas, me dizendo que eu precisava fazer algo, ou que seria mais corajoso não fazer nada. De fato sou uma pessoa corajosa e não tenho nenhum problema em falar isso. Acho que todos que me conhecem diriam o mesmo de mim.

As vêzes sou até contra-fóbica, ou seja, uma situação de medo, eu me meto logo, faço o que tem que ser feito, pra nem dar tempo de deixar o medo crescer e tomar conta de mim. Já cuidei disso em terapia. às vêzes o medo me faz ter comportamentos meio insanos, como nos assaltos que sofri e que enfrentei os ladrões, como se eles não pudessem fazer nada comigo. Bom...devo dizer que a cada episódio desses eu passei depois algum tempo chorando na terapia, ou com amigos....

Tenho medo de altura, e só pude reconhecer isso há poucos anos atrás...eu sofria horrores, mas não sabia que tinha medo, um dia eu estava no alto de um trapézio de um circo, quando me dei conta de que tinha medo de altura e que não precisava me expor a esse medo se não quisesse. Afinal de contas eu não sou trapezista!!!Voces não podem imaginar o quanto isso foi transformador na minha vida. Desse dia em diante pude tranquilamente recusar todos os convites pra descer montanhas amarradas numa corda e coisas semelhantes..ufa....

Mas quero voltar à frase de Guimarães Rosa que Rita me mandou...ele fala sobre a vida, o vai e vem da vida, os altos e baixos, as mudanças de estação que a vida tem.....pra isso sou muito corajosa, sinto medo em alguns momentos, mas posso me considerar uma pessoa corajosa diante da vida. Acho que já andei bastante e vivi muitas coisas, e quero viver muitas ainda. Nunca achei que a vida devesse ser mansa, a vida é o que deve ser, e preciso ser corajosa pra não paralisar nos momentos que preciso me mover, mas preciso ser corajosa pra não deixar meu ego e vaidade se apossarem de mim naqueles momentos em que tudo sossega, pois nesses momentos temos muito o que fazer, mesmo que seja contemplar!

Obrigada meus alunos queridos, por achar que posso ensinar algo a voces e sem saber estão me ensinando tanto...Obrigada Rita, por Guimarães Rosa.

Om...Shanti....

Ludmila Rohr
P.S. Essa foto foi tirada em Delhi (Índia) no maior templo muçulmano de New Delhi. É lindo...voltaremos lá em 2010. Preparem -se!!!!

sábado, 24 de janeiro de 2009

MEU EGOÍSMO...MAS, MUITO OBRIGADO!


Hoje foi (está sendo) um dia longo....hoje foi o dia da cirurgia de retirada do tumor que se desenvolveu no fígado do meu marido....ontem dormimos (tentamos) em silencio...quietos....nunca vivi algo igual na minha vida..... Judson com mêdo. Nessa relação, eu sou a emoção, eu sou o mêdo, a coragem, a excitação, a tristeza, a alegria...eu sou as turbulencias, as cores, os cheiros.....Judson é a razão...ele estrutura, ele pensa...., mas hoje e nesses dias, ele está com mêdo. Ele chora por estar nos causando dor, ele sente por que está fazendo os filhos sofrerem....ele é só emoção! Ele me abraça, e diz que me ama, ele me ama...ele sente muitas coisas e diz que é bom que eu esteja do lado dele.....tudo se inverteu!

Eu cuido dele, eu dou segurança, eu explico, eu compreendo...e ele sente, ele expressa o que sente...e choramos juntos...choramos muito juntos....Eu sou uma chorona, isso é natural, mas agora eu choro junto com ele...isso é novo!

Essa é uma dança nova...estou estranha, tudo é novo pra mim...Estou em um lugar estranho de tanto sofrimento que me sinto forte...me sinto organizada e forte.

Quando ele é levado do quarto para o Centro Cirúrgico algo se rompe dentro de mim....uma dor...uma dor estranha. Me dou conta de que tem 25 anos que Judson toma conta de mim, me dou conta que é a primeira vêz que estou sem ele, nesse tempo todo que nos conhecemos. Ele estará anestesiado...ele não estará me olhando, me amando e cuidando de mim...estou sem ele!

Uma vêz, sofri um acidente de carro e eu liguei pra Judson...ele estava nos EUA! Ele pensou em vir me acudir, ele tinha acabado de chegar nos EUA e pensou em vir me ajudar, me ver! Ele é assim! Esse é o meu marido! e agora ele estará anestesiado...eu não o terei pensando e olhando pra mim....por muitas e muitas horas....sou egoísta e mimada, sou mal acostumada a ser amada por um homem assim!

Pra todos que estão acompanhando esse momento, a cirurgia foi um sucesso, o tumor era único mesmo, foi retirado com margem boa de segurança, ele perdeu muito pouco sangue....e em aproximadamente 3h descerá para o quarto. Eu estou feliz, com sono, exausta....meio grogue....mas estou completamente chocada com o meu egoísmo. Sou egoísta, sou muito, muito egoísta. Quero Judson de volta na minha vida....não sei como seria minha vida sem ele.

Minha sogra acha que Deus nos dá mais do que merecemos, e diz muito emocionada que acha que não merece essa graça, que se sente pequena. Eu penso diferente...acho a vida justa, as dores e as graças são para serem vividas. Assim como não questiono o porquê desses eventos dolorosos na minha vida e os aceito, eu aceito também as graças e não as questiono. Então nesse momento, sinto que mereço essa boa notícia....

Obrigado a todos os Deuses...que me ampararam no tempo interminável da cirurgia, obrigado a todos os seres de Luz que iluminaram as mãos dos médicos que cuidaram de Judson...Obrigado a todos no Mahtama e em toda parte que hoje criaram um círculo de vibração de cura para ele.

Obrigado!
Namastê!

Ludmila Rohr

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Minha caverna de dor e quietude


Estamos em SP.....está muito frio....15º! Íncrível que ninguém tenha avisado a essa terra que estamos em janeiro! É verão! Devia estar quentinho.....e com céu azul e com um sol sobre as nossas cabeças...devia, mas não está. Está frio.

Quando saimos ontem do consultório do médico que irá operar Judson, sentimos tanto frio, queriamos beber um vinho e ficar bem agarradinhos...bem pertinhos um do outro....a minha necessidade era de me fundir com ele, me de tornar uma só pessoa, que ele pudesse entrar em mim e eu nele. Sentia como se não pudesse me separar dele, que minha alma precisava ficar grudadinha na dele.

Sou uma espiritualista praticante, medito e sempre busco significados pras coisas, sempre tento me entregar ao sagrado que existe na vida....já vivi algumas coisas difíceis e dolorosas que me deixaram muito assustada mas que testaram minha força, algumas dessas situações são inesquecíveis como um naufrágio no Rio Amazonas que pensei que ía morrer, quando Caio despencou de um poço de elevador, quando minha casa foi inundada por uma enchente e perdemos quase tudo que tínhamos, quando sofri um aborto, quando Lucas foi operado, quando soubemos do primeiro câncer de Judson...fora a situação que nem lembro, mas que sei que vivi e que deve ter deixado marcas na minha alma, meu pai foi preso pela ditadura militar quando eu era um bebê de 3 mêses....bom...sempre que olho pra essas história e outras da minha vida....sinto que elas me construiram, que sou forte por causa delas....nunca sinto que fui vítima de nada...conto essas histórias e a forma como as atravessei com um certo orgulho, mas hoje....

....hoje estou triste....estou muito triste.....tenho chorado muito....nesse momento estou no lobby do hotel, escrevendo e chorando....não questiono as coisas, nunca passa pela minha cabeça coisas do tipo: Por quê eu? Por quê com ele? Definitivamente não tenho afinidades com o papel da vítima. Sinto muita dor, acho que nesse momento todo o meu corpo doi, minha alma doi, mas não consigo me sentir vítima de nada....acho que sairemos dessa de alguma forma e que serei uma pessoa melhor, terei mais histórias pra contar e poderei ajudar mais pessoas ainda com o meu trabalho e com a minha vida.

Tenho duas sensações muito presentes e constantes nesse momento: dor e quietude. Tudo doi, mas ao mesmo tempo me sinto quieta, num lugar tranquilo da minha alma, num lugar muito profundo da minha alma. Em alguns momentos sinto como se estivesse numa caverna profunda, em outros, parece que meu tempo e ritmo estão diferentes, como se eu estivesse funcionando em outra dimensão. Esse é um lugar de muita solidão, mas é o lugar que sinto uma união profunda com o Sagrado.

Essa minha minha caverna é muito conhecida, já tive muito mêdo dela, mas depois de tanto visitá-la, depois de tantos mergulhos, em que, em uns, reconheço que fui levada pela vida, quando percebi já estava lá, e, em outros a busquei conscientemente. Agora não tenho mais mêdo algum...tenho paz e me entrego...é um lugar que sinto que posso estar sem esforço algum...só sentindo......nesse momento sinto dor e quietude...e choro...choro muito..., choro sem reservas, tento lavar a minha alma e deixar a a água levar o que tiver que levar.

Bom.....conto com vibrações de todos...amanhã....

Namastê!
Ludmila Rohr

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

contradições?


Viajarei pra SP nessa quinta, meu marido será operado no sábado (24), estamos organizando vibrações e orações em diversos lugares, mas principalmente no Espaço Mahatma Gandhi. Acredito que quando pessoas se reunem e colocam suas mentes e corações voltados para um objetivo, elas conseguem gerar uma força poderosa.

Nesse mesmo final de semana, as bandas de Caio e Lucas (meus filhos) irão tocar. As duas bandas irão tocar num mesmo show! isso é inédito. Os dois desde que montaram bandas, nunca se encontram, moraram fora do Brasil por um ano, cada um no seu tempo, e isso os desencontrava, agora estão juntos, cada um tem sua banda, e pela primeira vez vão tocar as duas bandas no mesmo show! Eles estão muito excitados, muito animados! Eles estavam contando com a nossa presença nesse show, por que diziam que dessa vez seria em um lugar legal, que nós poderíamos ir numa boa!

Meu marido vai ser operado de um câncer e meus filhos se apresentarão com suas bandas. O que isso tem a ver? É exatamente sobre essa contradiçao que quero falar hoje!

A nossa alma é tão incrível que tem a possibilidade de conviver com emoções o"aparentemente" opostas. Podemos sentir alegria e mêdo ao mesmo tempo, podemos estar tristes e sentir prazer o mesmo tempo, podemos sentir dor e tranquilidade ao mesmo tempo.

Fico olhando pros meninos (são homens!), e vendo que eles estão completamente excitados com o show, ensaios toda hora...não falam de outra coisa....mas estão convivendo com algo que é doloroso. O pai vai estar operado em SP enquanto eles estiverem cantando. O pai não estará no show, com a cara de horror de sempre (ele acha o som do Death Metal horrível, bom...eu também!), nós não estaremos aqui...nesse momento que para eles tem grande significado.

Às vêzes a excitação em casa fica excessiva pra mim, às vêzes chega a me irritar por que estou muito recolhida, quieta, mas acho que eles estão certos...acho lindo essa convivencia de todas as faces da vida, que ocorrem ao mesmo tempo, que parecem contraditórias, mas não são. Isso é a própria complementariedade da vida! Isso é a riqueza da nossa alma, que não precisa ficar presa a uma só vibração, pode circular por outras nuances, mesmo em um momento de dor.

Entendo que esse é um momento de muita alegria para eles, e por que não viver isso?! Isso não diminue o amor e a preocupação com o pai, mas por que eles deveria estar contritos e com caras de tristes? Me dou conta de como isso aconteceu várias vêzes na minha vida, de esperarem que eu estivesse com a aparência abatida triste por algo que estivesse vivendo, mas apesar da minha tristeza eu conseguia ver outras coisas na vida, eu conseguia me alegrar por outras coisas e algumas pessoas não entendiam. Mesmo na dor, não consigo me sentir uma "pessoa triste", definitivamente não sou um pessoa triste!

Posso estar muito triste preocupada com o meu marido, mas posso estar alegre com o que acontece com meus filhos, ou posso ficar excitada por que o dia está lindo, ou por que vou beber um vinho gostoso à noite.....posso estar triste e alegre.....entretanto a aparente contradição que mais confunde as pessoas é Coragem/Mêdo. É muito comum achar que esses sentimentos são opostos, mas não são. O oposto da coragem é a covardia e não o mêdo. Então posso tranquilamente estar com mêdo e coragem ao mesmo tempo! Aliás...assim eu levei minha vida....tive muitos mêdos, muitos mesmos, mas me considero alguém com uma coragem imensa...e a minha coragem nunca me deixava paralisar diante dos mêdos, ela me fez e faz com que eu me mova, com que eu saia do lugar e caminhe na direção do que desejo...

Bom...sou corajosa, desejo imensamente que meus filhos sejam e principalmente que meu marido seja nesse momento. Que apesar do mêdo, a coragem prevaleça!

Moro em Salvador e é verão, faz sol....vou pra praia! vou mergulhar na praia do Porto! Vou lavar minha alma....vou sentir um prazer enorme nisso! Vou me alegrar muito em viver numa cidade como essa, de morar em frente a praia....vou sentir muita alegria nesse momento de trsiteza!
Eu mereço!

Ludmila Rohr
P.S. Agradeço a todas as pessoas que estão fazendo comentários...sinto que estou acompanhada...amo muito isso! bjos

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

É VERDADE, QUERO TUDO!

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Hoje quero começar falando sobre uma amiga e, sobre nossa relação, talvez vocês compreendam o porquê disso no final dessa reflexão, talvez eu também venha a compreender. Somos muito diferentes, absolutamente diferentes. Eu não consigo, por exemplo, comprar uma roupa e não usá-la imediatamente, ela guarda coisas para um dia usar, eu comumente saio da loja vestindo ou calçando o que comprei; as coisas que não uso, não tem a menor importancia pra mim, e ela perde (eu acho) muito tempo arrumando coisas que não tem utilidade, por que um dia poderão vir a ter. Eu acho que esse é o momento que existe, ela espera o momento chegar. Bom...mas somos amigas, temos confiança e afeto uma pela outra. Ela questiona a forma que eu vivo, e eu questiono a dela, mas somos amigas e nos apoiamos.

Bom..tenho uma lembrança de uma sensação de quando eu era uma criança. Meu pai ficou orfão de pai quando tinha 5 anos, e viveu a vida achando que poderia morrer cedo e deixar os filhos crianças, o que ele não queria. Como ele achava que poderia morrer a qualquer momento, ele era uma pessoa que vivia intensamente cada momento, como se fosse o último. Ele não tinha dinheiro, mas quando sobrava algum, ele levava os flhos pra tomar sorvete. Ele trabalhava muito e não tinha muito tempo, mas quando sobrava algum tempo, ele fazia o que gostava. Ele não passava muito tempo pensando no amanhã, porque esse era o momento!

 Então eu cresci com uma sensação de que eu não devia desperdiçar tempo da minha vida. Que eu não podia jogar fora nenhuma oportunidade que a vida me desse de experiementar uma coisa nova, conhecer alguém ou viver algo diferente. Desenvolvi desde cedo uma sensação de que é um desperdicio imperdoavel jogar qualquer segundo da vida fora. Bom...preciso esclarecer que adoro ficar sem fazer nada também, adoro ficar com os meus pensamentos, adoro ficar quieta, tenho um ritmo de vida bem tranquilo, o que não suporto é a idéia de ADIAR, de procrastinar, de deixar de fazer algo que pode ser feito hoje, pra amanhã. É sobre isso que estou falando!

O que me assusta é pensar que quis muito algo, quis muito experiementar alguma coisa e não fiz por conta da fantasia de que posso deixar pra amanhã! Tenho um desejo muito grande de no final da minha vida (que nunca sabemos quando será), eu tenha uma boa sensação de ter feito tudo ou quase tudo que desejei, e que posso até não ter conseguido, mas que tentei fazer; quero ter a sensação de que não joguei tempo fora, que reverenciei a vida em cada segundo, de que honrei a energia vital que existe em mim....

Bom...meu pai me ensinou isso (acho que ele nem sabe disso)....a simplificar as coisas e simplesmente viver! Essa minha forma às vêzes me dá a sensação que tenho um ritmo diferente, que tenho uma ânsia pela vida, e uma vez uma amigo me disse: - Poxa Ludmila, Voce quer tudo! e eu respondi: Quero! quero tudo que eu puder! Qual o problema? Nem sempre consigo, é claro, e pra isso tive que aprender a lidar com a frustração, mas de fato isso é uma verdade! Quero tudo, quero muito! e não é de posses que falo, não tenho ansiedades de possuir muitas coisas, mas tenho uma vontade enorme de viver muitas coisas!

Então eu e minha amiga temos uma diferença grande em relação ao tempo. Acho que ela, assim como eu, tem muito desejo de viver; a diferença é que minha vida é agora, e acho que não tenho tempo a perder!

Namastê!

Ludmila Rohr


sábado, 17 de janeiro de 2009

Medo de quê?


Uma vez, eu estava na Índia em um templo, onde havia o costume dos visitantes fazerem pedidos. É um templo muçulmano, onde um homem santo havia sido enterrado. Dizem os fiés e seguidores desse santo, que ele é muito poderoso, que ele realmente atende aos nossos pedidos.

Não tenho o hábito de fazer pedidos, na verdade nem gosto de fazê-los. Na Índia é comum dizer que "Quandos os Deuses querem se vingar, eles atendem os nossos pedidos". Acho que isso se deve ao fato de que não sabemos desejar, ou que desejamos aquilo que de fato não seria o melhor pra o nosso crescimento. Muitas vêzes desejamos aquilo que nos daria satisfação, mas nem sempre isso é representa o melhor pra gente.....bom, cabe mil reflexões aqui....

Como era a minha segunda vêz nesse templo na Índia e no ano anterior havia desejado voltar ali com os meus filhos e, eu naquele ano estava ali com os meus filhos!!!, resolvi respeitar esse santo e cuidar muito bem do que eu iria desejar a partir daquele momento....

Pensei, pensei muito....achei inclusive que não devia desejar nada...que o universo sabia exatamente o que seria bom pra mim e que seria desnecessário fazer pedidos.....quando estava pra sair do templo, escuto uma voz que me sopra no meu ouvido qual deveria ser o meu desejo....
Ela dizia: "deseje nunca ter medo de você mesma!

Uau! não pude deixar de escutar isso! E esse foi o meu desejo naquele ano, naquele templo mulçumano na Índia. Eu pedi para não ter medo de mim mesma! Eu entendi que eu podia até ter mêdo de coisas fora de mim, mas que não queria a apertir daquele momento ter mêdo de nada que viesse de dentro de mim!

Quero olhar com verdade para os meus sentimentos, desejos, pulsões, pensamentos, sensações...quero ententer e conhecer tudo que brota em mim, mesmo que elas pareçam feias, desagradaveis ou diferentes do que os outros esperam de mim, mesmo assim eu quero aceitá-las porque quero ser cada vez mais consciente e em paz comigo mesma!

Bom....tenho tentado.....

Namastê

Ludmila Rohr
p.S. foto tirada no encantador Taj Mahal