Mostrando postagens com marcador amizade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amizade. Mostrar todas as postagens

sábado, 5 de dezembro de 2009

Eles são melhores que eu...Que bom!


Ontem à noite tivemos um momento lindo aqui em casa!

Um jantar organizado por Caio e Lucas (meus filhos). Eles convidaram os amigos e os pais dos amigos, e uma amiga que é Chef de cozinha para fazer o jantar. Bom, a comida estava uma delícia, o vinho, a sobremesa...as conversas, mas a minha reflexão durante a noite não foi sobre isso. Todo o tempo do jantar que acabou por volta de 2h da madrugada, foi sobre o quanto admiro e ainda me surpreendo com meus filhos.


Acho que inclusive devo pedir desculpas a eles. Tenho a sensação de que ontem eles conseguiram me surpreender positivamente, ou seja, como posso não esperar, ou ser surpreendida por algo tão simples e lindo que venha dos meus filhos? Eu não deveria conhecê-los melhor? Será que os julgo pela aparência também? Será que minhas expectativas sobre eles são grande demais?Embora sempre tenha achado que os dois são demais, eles conseguiram ontem uma proeza...me surpreenderam.


Ser mãe de Caio e Lucas sempre foi uma das coisas mais deliciosas da minha vida. Já falei deles aqui nesse blog inúmeras vezes. Sou uma mãe apaixonada, e acho que eles enfrentam com uma certa tranquilidade os pais que eles têm, e pra ser honesta, eles enfrentam uma grande dose de projeção nossa. Assim como todos os pais, tentamos nos ver em nossos filhos, então qualquer coisa que se afaste muito disso, nos causa algum desconforto. Por mais consciencia que tenha disso, acabo sendo uma mãe clássica como outra qualquer.


Sempre estimulei neles a autonomia, o exercício da responsabilidade e da expressão. E eles foram fazendo isso, e foram se separando para existirem. Entretanto me dou conta de a medida que eles foram crescendo, eles foram fazendo sua escolhas, foram sendo aquilo que eles são, o que acho lindo...mas com isso, fomos sendo adultos demais...e fomos trilhando vidas independentes, separadas apesar de juntas.


Essa é uma separação necessária para para que o filho possa se encontrar como pessoa, e vejo que eles são quase heróicos nisso. Os pais precisam "morrer" no sentido metafórico, para que os filhos possam se transformar em adultos. Os pais precisam ceder espaço, para que os filhos sejam melhores do que seus pais já foram um dia. Os pais precisam enxergar isso, e precisam aceitar isso!


Ontem descobri que meus filhos são mais legais do que eu imaginava. Isso me deixa muito feliz, mas também me obriga e pedir desculpas a eles. Vi isso ontem com muita alegria e algum espanto, e o meu desconforto é por causa desse meu espanto. Porque eu me espantei com a maturidade, alegria, beleza e seriedade com que eles organizaram esse jantar? Porque eu me espantei com a beleza dos seus amigos e dos pais deles? Porque eu me espantei de ouvir outros pais sabendo coisas sobre meus filhos que eu mesma não sei?


Tive acesso à vida adulta e privada deles e gostei. Reconheço isso. Gostei muito do que vi. Sinto que perdi algo, quando em algum momento eles foram crescendo...mas que ganhei algo muito melhor...a visão dos meus filhos exercitando a vida adulta e suas relações.


Sempre disse para eles algo que pode parecer até cruel. Eu dizia que eles podia fazer o que eles quisessem , mas que a minha única grande expectativa é que eles superassem a nós, os seus pais. Que eles fossem melhores que a gente foi um dia. Porque eles estavam sendo criados sobre esse legado.


Estou imensamente feliz pois ontem meus filhos me superaram em muito!

Eles cresceram e foram muito melhores que eu. Ontem vi dois rapazes com amigos lindos, que são queridos pelos pais desses amigos e por suas namoradas. Rapazes que são abertos e conectados aos seus sentimentos, pessoas integras e que sabem construir e cultivar relações de afeto importantes.


Eles têm bons amigos, e uma pessoa que sabe construir relações assim, com certeza têm mais chances de ser feliz!


Namastê


Ludmila Rohr

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ninguém é insubstituível. Como assim????

Tenho vivido momentos bem delicados....muitas despedidas que me emocionam muito, e que são muito dificeis.
Encerrar processos terapeuticos dos clientes no consultório tem sido especialmente dolorosos, sinto as lágrimas molharem meus olhos em muitos momentos em que os ouço falar desse "abandono".
Muitos alunos de yoga estão comigo por tanto tempo que nem sei mais, tenho imenso carinho por eles e tenho ouvido alguns depoimentos de pessoas que me agradecem por coisas que nem eu mesma sabia que as tinha feito.

Percebo a minha importancia na vida de muitas pessoas e posso assumir que isso foi intencional. Sempre quis ter importancia, e vou explicar bem isso pra que não pareça outra coisa qualquer.

Sempre dei muita importancia às pessoas que me procuravam como terapeuta ou como professora de yoga, elas entravam na minha vida e eu reconhecia a importancia de cada uma delas... achava incrível alguém querer fazer uma aula comigo, sentia que elas estavam me dando um presente e era muito grata, pensava que isso era algo muito incrível! Poxa...ela tá fazendo aula comigo!! Sai de casa, do trabalho...pega engarrafamentos e vem fazer uma aula ou uma sessão comigo!?!
Usei o verbo no passado, mas ainda sinto isso! Sinto uma felicidade em pensar que cada uma das pessoas que saem das suas casas pra receber algo que acreditam que eu tenha a dar e que me ajudaram a descobrir que eu realmente tinha muito para dar!!!

Me comovo com os clientes e sou grata a cada uma dessas pessoas que compartilharam comigo dores e histórias que estavam guardadas nas suas almas em algum lugar bem protegido...pessoas que choraram comigo, que abriram o coração, que abriram gavetas bem escondidas com lembranças fechadas a 7 chaves, que acreditarem e si mesmas e na companhia que eu oferecia nessa jornada de apropriação de si mesmas e de descoberta dos seus poderes e fragilidades, de descoberta das suas feridas e da sua humanidade.

Então, não está sendo fácil pra mim, sei que também não esteja sendo para eles, mas certamente não está sendo nada fácil para mim!

Essa semana em papo filosófico com Albertinho, aluno antigo e muito amado, sobre a frase tão popular que diz que Ninguém é insubstituível, chegamos a conclusão de que ela é um grande engano, é uma grande mentira. Não somos substituíveis! Ninguém é! Talvez suas funções sejam, mas as pessoas são únicas e insubstituíveis!

Acho que ele quis dizer que o que eu havia representado para ele nesses anos, não será substituido por ninguém. Essa é uma relação única e intransferível. Concordo com ele. Sei que me dediquei muito a minha vida e a tudo que fiz, isso não poderá ser substituido por ninguém, mas a tendencia é que fique na história, que a cada dia que passe, comece a ficar cada vez mais na lembrança...e é assim mesmo, é assim que tem que ser! O triste seria não permitir que isso aconteça e não conseguir viver o momento seguinte...as pessoas que virão....as novas experiencias, por que se está apegado por demais a uma expriencia boa mas que pertence ao passado.

Quero dizer a Albertinho, meu aluno querido, que ele é insubstituível na minha vida! Que o lugar dele, assim como de todos que um dia entraram no meu coração não será substituído por ninguém, pois não preciso fazer isso, porque descobri muito tempo atrás, que meu coração só cresce, que tem espaço para amar muito e amar muitas pessoas. Descobri que não preciso substituí-las, que posso apenas expandir o espaço da minha alma e ceder para o novo, para quem chegar, sem precisar abrir mão de nenhum amor, mesmo que eles façam parte da história, mas certamente será uma história de muito amor!

Namastê!

Ludmila Rohr






sexta-feira, 19 de junho de 2009

Histórias de AMOR


Estou comovida hoje...muitas emoções. Duas mortes me deixaram assim. Não conheço, os personagens principais dessas histórias, não conheço ninguém próximos a essas pessoas...pelo menos pessoalmente.

O pai de Katy morreu. Ela é uma jovem mulher, e uma linda filha da comunidade de Parentes de vítimas de câncer. Ela é muito querida por todos. Sempre muito atenciosa e carinhosa. Nas fotos sempre com um sorriso quase infantil...leve...sei lá...assim eu percebia seu sorriso. Falei com ela uma vez ...ficamos emocionadas no telefone, meio bobas.

Katy, não tem uma vida fácil..ela trabalha, estuda, tem uma filha...e ajudava a cuidar do pai. Amava muito esse pai. Nos fez amá-lo também. Acompanhamos de perto toda a sua luta, sofrimento e dor. Dias melhores, outros piores, mas sempre lutando....O pai da Katy descansou, assim dizem quando alguém morre. Eu tenho essa sensação com relação à morte. Katy e sua família terão que conviver com a saudade, mas eles sabiam que essa hora ía chegar....ele estava sofrendo muito.

Aílton morreu também. Nunca havia ouvido falar nele. Soube dele ontem. Ele tinha leucemia e fez um curso universitário enquanto lutava contra essa doença. Ele conheceu seu amor enquanto lutava contra essa doença. A ironia é que ambos lutavam contra a leucemia. Um amou o outro. Um ajudou o outro. Um fortaleceu o outro. Agora o seu amor terá que lutar contra e leucemia e ainda lidar com a dor e a saudade de tê-lo perdido. Triste não?

Eu fiquei sabendo dessa história do Aílton através de uma pessoa muito linda e é sobre ela que quero falar hoje. Ela chama-se Jaqueline, a conheci em uma comunidade de pessoas que fazem quimioterapia, e hoje é minha amiga em um chat também.

Falar de Jaqueline é falar sobre a vida. Ela é uma carioca linda. Torce pro Vasco (a perdoem por isso!). Eu a descrevi uma vez (pra ela mesma), como uma pessoa leal e passional. Ela concordou. Ela é muito leal e muito apaixonada. Parece que tudo com ela fica vivo...ela é uma pessoa viva, engraçada, esquentada, faz bolos e pudins e ainda vai a festas, dança e bebe caipiroska estragada..., passa mal e depois passa bem! Parece que ela é uma leoa...tenho a certeza de que ,se algum dia eu precisar de alguém pra me defender, gostaria de ter a Jaque junto de mim.

Jaqueline teve câncer quando era uma adolescente. Foi desenganada. Os médicos não tinham esperança. Ela lutou muito e venceu. Essa história daria um livro, mas não é essa a história que quero contar, mas sim sobre o que ela fez depois de vencer o câncer. Ela se engajou. Ela se apaixonou por essa causa. Ela recolhe assinaturas para enviar à Globo sobre transplante de medula. Ela conhece e ajuda muitas pessoas que estão nessa batalha. Ela vira amiga dessas pessoas. Ela se envolve, se implica, a luta é dela. Ela nos contou sobre Aílton. Não conhecíamos no chat, mas ela nos fez conhecer mais essa história, assim como a sua história, assim como a de Melissa, uma menininha por quem ela se apaixonou e por quem luta também!

Fiz amigos queridos depois do câncer de meu marido...eles abrem meus olhos pra uma vida que eu não conhecia...e não é uma vida de dor, como voces podem a principio imaginar, mas é uma vida de esperança, de amor, cumplicidade, bondade, generosidade, dedicação e compaixão.

Katy e Jaque....amo voces do fundo do meu coração. Voces fazem parte da minha vida e estão enriquecendo-a com exemplos de amor e generosidade.

Namastê!

Ludmila

Ps. Jaque com Melissa na foto.
Esse é o link para a campanha que a Jaque movimenta para divulgar o Transplante de medula, por favor assinem.

abaixoassinado.org/webroot/assinaturas/abaixoassinado/4162



sábado, 31 de janeiro de 2009

Amigos que me nutrem!


Preciso começar hoje falando sobre algo que tem sido um alimento pra minha ama. Tenho recebido emails, SMS, comentários no blog e no orkut. Tantas as pessoas me alimentando amorosamente com reflexões, recadinhos amorosos, orações e tudo mais. Sou tão imensamente grata a todos vocês. Acho que voces não tem a menor idéia de como é acolhedor ler algo de alguém comentando o que escrevi. Alimenta a minha alma, me sinto acompanhada e querida, e nesses momentos isso é muito!

Quem é meu aluno de yoga já deve ter visto no final da aula, no momento em que faço uma oração de agradecimento, e quando compartilhamos a energia que certamente acumulamos no nosso corpo e na sala com as pessoas que precisarem dessa energia, que de vez em quando eu peço que voces mentalizem que essa energia está alcançando todos "aqueles que não tem amigos".

Desde o primeiro episódio de câncer do meu marido, tenho feito isso com mais frequencia, pois sinto que algo mudou na minha relação com os meus amigos. Não na relação em si, mas na minha percepção da importancia dessas relações. Adoro pessoas, gosto muito dos meus amigos, mas quando se vive algo como isso, eles ganham uma dimensão muito especial. Cada email que recebo, cada telefonema, cada SMS, scrap no orkut ou comentário no blog, me deixam tão animada. Pareço uma criança, sinto que sou querida, embora eu saiba disso, mais nesse momento, eu reconheço e confesso que não basta gostar de mim, eu preciso saber que voces pensam em mim. Confesso minha necessidade!

Meu I Ching de hoje me disse: "Montanha em cima, Trovão embaixo", que fala sobre a nutrição do corpo e da alma. Nutrição em todos os níveis. Me recomendava que eu cuidasse disso que eu reconhecesse e valorizasse tudo que me nutria verdadeiramente.

Algumas vêzes na minha vida, pessoas me disseram que eu passo uma idéia de que não preciso de nada; muitas pessoas já me disseram que sentem dificuldade em se paroximar para me ajudar, mesmo sabendo que eu estou precisando. Bom...vou explicar uma coisa: Cresci acreditando que tinha que me bastar, que tinha que me virar, que não podia ficar esperando ajuda; cresci acreditando que isso me fortalecia, que isso me construia. Bom....muitas águas passadas, terapias e reflexões.... continuo achando que não posso esperar por ajuda, que preciso ser forte e ter capacidade de me organizar sozinha, mas hoje reconheço que quando elas chegam, eu devo aceitá-las, devo abrir meu coração e simplesmente receber...hoje sou muito grata, por cada vez qua alguém me liga, ou me conecta de alguma forma, sou fascinada pela imensidão de formas para encontrar alguém que existem hoje em dia, não existe nenhuma desculpa para não encontrar alguém com tantos recursos...Amo isso!

Então meus queridos amigos que me escrevem, que me ligam, que enviam torpedos, scraps, comentarios no blog....AMO VOCES!!!!! Amo muito e me sinto muito alimentada por isso! Muito obrigada...muito grata! Tenho uma amiga querida (Ana Teresa) que quando me vê ou fala comigo me diz: Vc sabe que estou te acompanhando no meu silêncio, não sabe? E é verdade, eu sinto isso, ela é assim, e como já vivemos muitas dores juntas, sei como ela reage, mas adoro quando ela me diz isso! Uma outra amiga, Inge, que sei que está comigo e Judson na mente o tempo todo, apesar de não ligar muito, eu sinto a presença dela, sei o quanto ela deve sofrer com essa história porque ela gosta muito da gente como casal. Parece que desenvolvemos depois de uns 25 anos de amizade uma comunicação telepática. Tenho a sensação nítida do acompanhamento dela.

Tenho notícias boas: Judson teve alta do hospital, já está na casa de uma prima, estou voltando pra SP domingo e voltaremos pra casa na terça! A evolução cirurgica foi rápida e excelente. Ele iniciará em 15 dias a luta com as células cancerosas, com a quimio, essa é uma batalha que levará 6 mêses...mas, vamos viver a "cada dia o seu bem e o seu mal", e hoje temos a comemorar que ele está fora do Hospital, que em breve voltará para casa e que TEMOS MUITOS AMIGOS!!

Um beijo no coração de cada um de voces!

Ludmila Rohr
P.S Essa foto é o amanhecer no Rio Ganges na cidade Sagrada de Varanasi na Índia. Cada vez que fui nesse lugar, senti um alimento precioso que alimentou meu espírito para enfrentar todas as jornadas da vida. Voltaremos lá em 2010!