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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

ACREDITANDO


Depois de quase dois meses fora da Korea, voltei.

no Espaço Mahatma Gandhi
Nesse tempo tantas coisas aconteceram que parece até que passei mais tempo fora. Sai daqui no calor, volto no frio, 5 graus me esperavam ... início de um inverno que promete. As malas precisam ser desarrumadas, e percebo que a maioria das roupas que ali estão, lá ficarão. Não as usarei por uns 3 meses. Outra coisa impactante é o horário, em dois meses vivi 3 fusos diferentes e a adaptação à mudança total que o fuso daqui me obriga não é fácil. 

Estava tentando lembrar das experiências externas que vivi nesse tempo que fiquei fora, vamos lá

  • Depois de um mês de extrema felicidade com meu filho Caio que veio de férias para a Korea viajei com ele de volta para os EUA.
  • nos EUA revi amigos, filho e nora. Reencontrei prima e sobrinhos.
  • vi meus dois filhos juntos.
  • ainda lá, veio a revisão dos exames do meu marido que acusaram, depois do terceiro ano após o fim da quimioterapia, que nenhuma reincidência do câncer apareceu no corpo dele. Momento de felicidade e alívio.
  • acompanhei no hospital uma amiga querida cuja filha luta contra o câncer. Essa é uma luta que conheço bem. Ver uma adolescente lutar não é fácil. Ver uma mãe cuja filha está nessa luta, é pior ainda. Tenho atualmente duas amigas nessa condição. 
  • Participei e vi emocionada a campanha Força Clara, criada por uma amiga dela para encoraja-la a ser ainda mais forte nessa luta.
  • Vi em Houston uma apresentação do Grupo de Dança de Déborah Colker (sempre quis ver). 
  • Fui para o Brasil. Reencontrei filho, nora, mãe, irmãs, cunhados, sobrinho e muito amigos queridos. 
  • Meu sobrinho casou numa cerimônia linda que me fez chorar muito.
  • Trabalhei. Dei aulas de yoga (estava morrendo de saudade) e conduzi uma vivência de Respiração. Estar no Espaço Mahatma Gandhi é sempre maravilhoso. Esse lugar me oferece um alimento especial para minha alma.
  • Fiz mais uma tatuagem.
  • Voltei para os EUA e estive lá quando Obama se reelegeu. Vi os gritos dos que comemoravam sua vitória. Gritei junto. Achei muito legal estar lá nesse momento.
  • Gravei mais vídeos para o site que estou montando sobre Sexualidade Feminina. Adoro esse projeto. Ainda falarei sobre ele aqui.
no casamento de Rafa & Priscila

com irmãs no casamento do meu sobrinho
com amigas que fiz em Houston

campanha "Força Clara"
meus filhos e sobrinhos reunidos nos EUA


As experiências que tive sob uma ótica subjetiva são incontáveis e tentarei resumir.

Senti nesse tempo alegria e tristeza, saudades, decepção e esperança, sensação de morte e renovação, sensação de perda e de ganhos, me senti forte e recebi um alerta para estar atenta aos invejosos (não sei se levo isso a sério); senti que a vida se renova o tempo inteiro e que não sei de muitas coisas, e que quando mais medito e observo, mais percebo que nada sei. Senti o quanto quero me ver livre dos apegos e da ignorância. 

Senti que "acreditar" é a grande força que nos motiva a caminhar. 
Acreditar na força das minhas pernas. Acreditar nos sonhos.
Acreditar que a vida tem um significado maior, me faz querer ser uma pessoa melhor. 
Acreditar que as experiências de dor e alegria podem me levar ao crescimento, me abre mais ainda para a vida. Acreditar mais uma vez que devo na minha intuição. 
Acreditar que a minha coragem pode conviver com o meu medo, mas que eu não posso conviver com a covardia. 
Acreditar que sou livre e preciso me justificar apenas para pouquíssimas pessoas, não mais que isso. Acreditar que a vida é justa, apesar das dores que parecem injustas. 
Acreditar que é melhor sofrer conscientemente, do que ser alegre na ignorância.  


minha mais nova tatuagem

Por tudo que eu acredito, essa é a minha nova tatuagem.  


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

CONFESSO QUE VIVI

Hoje foi meu último dia em Houston, estou mudando para Seul na Coréia.

Dois anos atrás eu chegava em Houston no Texas e me descobria apaixonada por aquela que seria minha casa por esse período. Houston é organizada, moderna, bela, limpa e fácil de se locomover. Adorei me perder e me achar nessa cidade imensa e cheia de viadutos e highways. É certo que nesses dois anos também fiz várias viagens ao Brasil, várias aqui dentro dos EUA e até a Europa. Foram 2 anos de muitas milhas de vôos, de descobertas de novos lugares, novas pessoas, novas paisagens e principalmente, foi um tempo de me descobrir capaz de viver em outras culturas e de sentir que posso estar e ser feliz independente do lugar.

Esse foi um tempo muito excitante para essa capricorniana que adorava uma rotina. Vivi na prática aquilo que sempre soube, que minha estabilidade, de verdade, é interna. Gostei imensamente disso. Me dou conta de uma sensação inebriante de liberdade no meu corpo e na minha alma quando penso nisso! Nunca me senti tão livre e tão expandida. A liberdade que vem do desapego e da meditação ( e como meditei nesses dois anos!!). A liberdade que nasce do aprendizado e da resignificação de muitas coisas. A liberdade que vem de uma nova ordem de prioridades e da certeza que tenho que não preciso manter na minha vida nada que me impeça de crescer e de ser feliz.

Meu trabalho que antes era focado no consultório, teve que ganhar asas, tive que ser criativa e inventar uma nova firma de trabalhar. Criei um site sobre Sexualidade Feminina e escrevi um livro, além dos grupos de Respiração e Círculo das Deusas que fiz aqui em Houston que me alimentaram profundamente. Descobri que a forma e o lugar é o que menos interessa, que independente de onde eu esteja sempre terei algo para dar e muito para receber. Estou em paz com isso. Posso trabalhar em qualquer lugar e tenho certeza de que posso criar novas formas de fazer isso.

Minha família sofreu muitas mudanças. Caio, meu filho mais velho, ficou no Brasil....isso é o motivo de muita saudade no meu coração, mas nunca achei que algo estivesse errado, ele está seguindo com a vida dele, e isso é perfeito. Tenho confiança absoluta na sua capacidade de encarar o mundo. Ele é lindo, maduro, emocionalmente estável e consistente. Lucas, meu caçula, que veio conosco, está tendo a chance de estudar em uma universidade americana, com nossa ida, vai ter a chance de morar só e de cuidar da vida dele. Isso não é incrível? Quem não gostaria de ter uma chance dessa? Eu gostaria. Apesar da saudade, fico feliz e em paz com esses arranjos que a vida fez. Meus filhos são pessoas muito interessantes e são pessoas melhores que eu. 

Quando sai do Brasil não só deixei minha cidade, minha família e meu trabalho, deixei também amigos queridos. Nunca achei que teria problemas em fazer amigos, principalmente porque sei que amizade consiste em troca, em dar e receber, e como sou disponível para dar e aberta para receber, sempre penso que farei amigos em qualquer lugar. Mas essa estadia em Houston me possibilitou não apenas fazer amigos, mas ter encontros de alma, conheci pessoas que entraram na minha alma e deixaram marcas profundas, daquelas que o tempo não apagará. Pessoas incríveis que só posso concluir que minha alma mereceu encontra-las. Falarei delas em outro post, mas tenho certeza de que elas sabem dessa conexão que me refiro. Obrigada amigas serei grata por toda a vida, e tenham certeza de que gratidão é um dos sentimentos que mais adoro sentir! 
O Mundo é o meu lugar

Não seria capaz em apenas um post de dizer tudo que vivi e aprendi sobre mim e sobre a vida nesses dois anos. Anos que foram intensos com seus ganhos e perdas, e como sempre desejei estar inteira nas minhas experiências, como sempre quis vivê-las com intensidade e nunca pela metade, posso desde já afirmar que meus desejos foram atendidos.

Plagiando Neruda posso dizer: Confesso que vivi.

...e que venha TUDO que a VIDA preparou pra mim!!!

Coréia estou chegando!!

Ludmila Rohr

sexta-feira, 8 de julho de 2011

EU ERA FELIZ E SABIA !!!!

Tenho muita pena da pessoa que com pesar, constata que "Era feliz e não sabia"

Pra mim essa frase diz respeito a um arrependimento de não ter curtido ou mesmo valorizado algo que tinha, e que só percebeu quando perdeu e não a  tem mais. 

Não lembro de ter sentido isso na minha vida. Não lembro de ter usado essa expressão, de forma séria, alguma vez. A minha necessidade de viver cada dia como se fosse o único me coloca em contato com uma noção do presente e com uma vivência intensa dele. Não sobra espaço para arrependimentos de algo que não vivi por que fui descuidada ou por não ter valorizado o suficiente. 

Ontem nessa minha quarta semana em Salvador, fui a um restaurante em Itapuã que fez parte da minha vida por muitos anos. Eu e meu marido o freqüentávamos quase todas as semanas nos últimos 15 anos que moramos em Salvador. Conhecíamos todos os garçons, e escolhíamos nossos pratos sem nenhuma necessidade de olharmos o cardápio, de tão familiar que ele nos era. Desde que mudamos para os EUA, não tínhamos voltado lá. 

Além do atendimento e comidas perfeitas, esse lugar nos evoca tantas boas lembranças.... Quando saí do restaurante pensei que se eu tivesse que voltar a morar no Brasil hoje, eu voltaria feliz. Me dei conta de uma sensação deliciosa de alegria. A única frase que vinha na minha mente era: "Eu era feliz e sabia!" Sempre soube...

Uma vez ouvi um ensinamento indiano em forma de parábola. Era assim: 

"No portão que dava acesso a uma pequena vila na Índia, morava um sábio e seu discípulo. Cada pessoa que entrava na vila conversava com o sábio, as perguntas mais comuns eram a respeito de como eram as pessoas que viviam naquela vila. A essa pergunta, o sábio sempre oferecia uma outra pergunta como resposta. Dizia: Como eram as pessoas do lugar onde voce vivia? Algumas pessoas respondiam, - eram más, egoístas, invejosas...por isso saí de lá. Outras diziam: - Eram muito boas, amigas, companheiras, solidárias...foi uma pena deixá-las. A ambas as respostas, o sábio dizia a mesma coisa: - As pessoas daqui, são como as de lá. Seus discípulo ouvindo isso questionou o porquê do sábio "enganar" aqueles viajantes, o que ele respondeu com um ensinamento belíssimo, não as estou enganando, só podemos ver do lado de fora, aquilo que temos dentro de nós. As pessoas sempre encontrarão a si mesmas, independente do lugar que forem."

Quando eu cheguei em Houston, me peguei olhando com encantamento para tudo que a cidade tem de muito bom! Adoro aquela cidade, por mais que veja seus defeitos, não existe a menor chance de sair de lá com algum tipo de sensação de que vivi algo que não gostei, ou de que perdi tempo da minha vida. Adoro aquele lugar e sentirei saudades dele, assim como de todas as pessoas que conheci lá. Tenho certeza de que terei tantas histórias pra contar, tantas boas lembranças... sou feliz em Houston. 

Existe uma chance grande de mudarmos em breve para Seul na Korea. Essa mudança não me assusta, muito pelo contrário, fico extremamente excitada em pensar que poderei passar um tempo conhecendo países asiáticos. Daquele continente apenas conheço a Índia e o Nepal. Morando lá, terei chances de conhecer Japão, China, Laos, Cambodja, Vietnan... só em pensar nisso fico animadíssima. Embora muitas pessoas achem estranho minha animação e tentem me deixar preocupada por ser um país de uma cultura tão diferente da nossa, não consigo deixar de achar que terei experiências incríveis lá. 

Vivi toda minha vida em Salvador na Bahia, nasci e cresci nessa cidade que amo. Conheço seus defeitos. Acreditem, não sou bairrista a ponto de ficar cega para eles, assim como não sou deslumbrada com os EUA para não perceber que assim como aqui, eles também têm seus problemas. Diferentes dos nossos, mas eles também os têm. 

Realmente acredito no ensinamento da parábola do sábio indiano. Acho que o lugar é apenas um lugar, e que não adianta mudar de lugar tentando fugir de algo, pois seus conteúdos e seus olhos irão junto com voce. A simples mudança geográfica não muda a sua forma de lidar com as coisas que estão do lado de fora. É preciso uma reflexão profunda e um reconhecimento da sua responsabilidade pessoal nisso para que algo realmente mude. Conheço pessoas que fugiram do estresse das cidades grandes, em busca de uma vida bucólica no campo, e que vivem muito estressadas com os ruídos dos sapos e das corujas. Mudanças externas precisam vir acompanhadas de mudanças internas para que de fato funcionem. 

Me dou conta de que amo Salvador e que poderei voltar a morar aqui e serei feliz. Amo Houston, ficarei com saudades de lá...amarei Seul...tenho certeza disso, porque um dos meus mantras pessoais e que me definem é: "O que existe aqui, existe lá. Se não existe aqui, não existe em lugar algum."

Eu era feliz em Salvador, sempre soube e disso. Sou feliz em Houston, (apesar dos dias de saudade imensa) não podia ser diferente. Serei feliz em Seul ou em qualquer lugar que eu for.

Ludmila Rohr

segunda-feira, 21 de março de 2011

GENTILEZA gera GENTILEZA

 Amo esse mantra: "Gentileza gera Gentileza" porque de fato acredito nele. Acredito nos ensinamentos do Mahatma Gandhi sobre o AHIMSA (não-violência), que muitas pessoas confundem com passividade, mas que é um movimento ativo de Ser Não-violento. 

Conheço pouco do "Profeta Gentileza" do Rio de Janeiro. Sei que essa era uma das suas frases preferidas...sei também que nesse mundo nosso, ele era um "louco" ou alguém que não se encaixava nos padrões que as pessoas são consideradas sãs. Ele acreditava que ações gentis gerariam mais gentilezas e que o mundo seria melhor assim e pregava isso. Acreditava que podíamos multiplicar essa energia com nossas ações, ao invés de multiplicarmos a inveja, a ganância e a violência. Era um louco, assim como Mahtama Gandhi poderia ser considerado também.

No último fim-de-semana tivemos uma lua especial, era a maior lua dos últimos 20 anos. Quis vê-la da rua. Moro em uma cidade grande, Houston no Texas. Decidimos ir a um parque público. Passava das 9. Era tarde para os padrões americanos. Fomos para o centro da cidade. Estacionamos o carro em um lugar que meu marido achou suspeito. Estava ermo, ninguém por perto. Nosso padrão brasileiro acostumados com a insegurança, deixou todos os nossos sensores de medo em estado de alerta. Tínhamos um certo grau de tensão. Não conhecíamos aquele parque. Resolvemos que seria melhor, por medida de segurança, deixar a bolsa no carro, mas levei minha câmera fotográfica. Situação impensável em Salvador, andar em um parque público, à noite e com uma máquina fotográfica.

Ao entrarmos percebemos que era um parque público para praticantes de skate. Muitas pistas e rampas. Iluminado e super bonito. Poucos adultos. Relaxamos. Vimos crianças brincando de skate. Alguns pais acompanhando-as. Muitos adolescentes. Resolvemos andar. A lua realmente estava linda. Andávamos por uma trilha. Silêncio, noite fresca. Tirei o iPhone do bolso da calça para fotografar a lua e poder enviar fotos imediatamente para o Twitter. De repente um adolescente que estava distante vem na nossa direção. Uma certa apreensão típica de "gato escaldado" toma conta de mim. Ele se aproxima e gentilmente me avisa que algum papel  havia caido do meu bolso quando eu peguei o iPhone.

Foto da Lua que possibilitou essa experiência
Eu meio boba e envergonhada, agradeço. 

Sou extremamente grata a esse garoto que andava de skate nesse praça a noite. Obrigada pela gentileza imensa que me fez chorar. Obrigada pela gentileza simples que me deixou envergonhada. Obrigada por ter me deixado sem ação. Obrigada por produzir em mim um estado em que a única coisa a ser dita era: Thank you! Thank you so much! 

O que havia caido no chão era um papelzinho sem importância, uma nota de uma loja que foi em seguida para o lixo, mas o que esse garoto provocou em mim com sua gentileza, não tem preço.

GENTILEZA gera GENTILEZA!

Ludmila Rohr

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Minha alma está chegando....

  Estou de volta ao Texas após cinco semanas em Salvador. 
A demora em escrever um novo post, já que escrevo regularmente toda semana, é que minha alma estava a caminho...ela não chegou junto com o meu corpo. Como sempre escrevo com a alma, ficou impossível escrever enquanto ela não chegava...

Fico uns dias como se estivesse pela metade, incompleta, faltante, sem muita energia...É como se eu estive em um espaço paralelo, nem lá, nem cá. No limbo. Não tem desconforto, mas também não é confortável. Sensação sem nome, mas se tivesse uma cor, seria Bege. Não me reconheço quando estou assim, pois posso ser tudo, menos bege...entretanto, tenho meus dias bege...

Então, fico pacientemente esperando a alma chegar. Ela tem seu tempo...ela não vem de avião...ela vem com o vôo dos pássaros, ou vem montada num lindo cavalo, ela vem com os ventos...e vai chegando..Respeito esse tempo. Não me cobro muita coisa, pois fico lenta e mais contemplativa que normalmente já sou. Espero pacientemente pois adoro ver que o tempo tem vários giros ao mesmo tempo. É como se vários relógios em ritmos diferentes, girassem dentro de mim ao mesmo tempo...e, é assim mesmo.

Nos meus últimos dias em Salvador tive um encontro com o Lama Padma Samten, encontro inesperado, que mexeu bastante comigo, que resignificou essa minha estadia em Salvador. Entendi que eu estava ali, para ter esse encontro. Eu não tinha a menor idéia de que iria ver o Padma Samten até uma semana antes de voltar. A produção dele, ligou pedindo espaço no Salão do Mahatma Gandhi, para um palestra do Lama que estaria lançando um livro. O horário que eles precisavam, seria da minha última palestra em Salvador, da minha despedida. Não pensei um só instante..entendi que era o Lama que deveria estar lá. Sinto no meu coração que é sempre uma grande honra e mérito receber um Lama em minha casa, e ele veio.

O tema da Palestra e do seu novo livro é "A Roda da Vida". Esse é um tema do Budismo que me ensinou muito como  viver e aceitar os ritmos da vida. Aliás, o budismo é pra mim um manual simples e claro da psicologia do bem viver. Sem grandes surrealidades, o Budismo fala de coisas óbvias, e que de tão óbvias não costumamos enxergá-las. O Budismo fala da vida real, desse momento agora, e de como encontrar PAZ. O Budismo é um Manual de Encontro consigo mesmo e por consequência, com a Paz.

Ouvir o Lama mais uma vez foi um presente, creio que foi um mérito. Receber o olhar amoroso dele me alimentou. Receber alguns abraços carinhosos me tocaram na alma. Lembramos que ele esteve pela primeira vez no Espaço Mahatma Gandhi há 14 anos atrás!

Estou em Houston mais uma vez, é aqui que eu moro, é aqui que tenho que girar minha Roda da Vida agora, é aqui que tenho que exercitar o Amor e o Desapego. É aqui que tenho que ser feliz. Isso não me assusta, muito pelo contrário. Gosto de estar aqui e gosto das possibilidades que existem pra mim nessa terra. Gosto da minha casa, gosto do tempo que tenho para escrever, para trabalhar criando, imaginado...tendo idéias.. Realmente gosto de estar aqui. Quando chegar o dia de ir embora daqui, vou feliz também..vou ao encontro de novos amigos, novos aprendizados, novas experiências...

...mas por enquanto....só aguardo minha alma chegar...sinto que ela já está quase toda em mim...mas, paciência..ela vem com tempo e eu, apenas contemplo.

Namastê

Ludmila Rohr

domingo, 3 de outubro de 2010

Tô chegando..só uma despedida..só uma ida..

Hoje embarco para o Brasil..chego em São Paulo e vou direto para Salvador..
Nem sei o que estou sentindo...

Me despeço de Houston, cidade que é minha também...É incrível isso, mas devo dizer que não tive nenhuma dificuldade para amar Houston.. É uma cidade limpa, as coisas funcionam...as pessoas são educadas, o trânsito é maravilhoso (inadjetivável de tão bom!) ..fiz amigos muito legais...Minha casa é uma delícia, é acolhedora, parece comigo...Aqui conheci o despertar da primavera, árvores secas renascendo..flores coloridas por todas as ruas..e agora começo a ver o outono chegando... Definitivamente, adoro Houston.

Quero deixar um grande beijo para todos os amigos daqui..para o grupo de respiração...me aguardem..já já tô de volta!

Vou pra Salvador..aquele caos maravilhoso..pessoas que amo..e onde cada esquina tenho uma história pra contar. Amo Salvador..amo o cheiro..a comida, as pessoas..amo o jeito baiano de ser...amo o Espaço Mahatma Gandhi, amo meu trabalho...lá estão minhas irmãs, meu sobrinhos, meus pais...gato, cachorro...lá está minha história...

Sou uma pessoa privilegiada...amo meus lugares...realmente amo..e não é um amor cego. Sei exatamente o que eu detesto em Salvador..posso fazer uma lista imensa...e em Houston também...mas amar não é isso? Amo apesar dos defeitos..

Bom..tem uma parte especial nessa viagem...vou ver meu filho Caio...estou morrendo de saudades dele..ele foi embora de Houston em junho...voltou pra Salvador...ele atualmente é a parte de Salvador que mais amo..

Enfim..tô indo hoje e pretendo trabalhar muito, estou animada para as palestras e aulas...(vejam minha agenda de trabalho  no blog do Espaço  http://espacomahatmagandhi.blogspot.com ) ..

Venham me ver..quero ver vocês..e se algum amigo virtual resolver aparecer lá, por favor..se paresente..adorarei conhecer ao vivo, quem eu só conheço por meio virtual..

Um dia aqui..outro lá...depois aqui outra vez...assim é a vida...nos levando para onde precisamos ir...

A sensação é que tudo é muito impermanente..que a nossa realidade muito o temo todo..e que amanhã estarei em Salvador..embora nesse momento esteja aqui no sofá da minha sala em Houston... que seja assim. Um dia de cada vez e que o meu espírito consiga acompanhar meu corpo..pra que eu possa estar inteira em cada momento..Esse é o meu pedido agora!

Namastê

Ludmila Rohr

sábado, 29 de maio de 2010

All we need is love....

Ainda levarei algum tempo até conseguir falar sobre o que vivi em Salvador durante as últimas 3 semanas. Como voces sabem moro em Houston no Texas desde dezembro de 2009 e essa foi a primeira vez que vim ao Brasil depois dessa mudança. A primeira conclusão é que não ficarei mais tanto tempo assim sem vir aqui, sem estar no Espaço Mahatma Gandhi.

A intenção dessa viagem era trabalhar. Queria dar aulas de yoga e atender no consultório. Queria ver meus clientes e os alunos. Queria trabalhar. Fiz isso e falarei sobre isso em algum momento, mas agora quero contar uma experiência incrível que vivi aqui na minha relação com o trânsito de Salvador. Essa experiência pode ser simplesmente entendida como uma metáfora que explica a diferença da minha vida aqui e da minha vida lá nos EUA.

Logo que cheguei, quis dirigir, peguei o carro de minha mãe e saí do aeroporto dirigindo...além de estranhar as diferenças entre os carros..o meu lá é muito grande e sem marcha, sem embreagem...levei um tempo pra me adaptar...a loucura do trânsito me deixou completamente assustada. Cheguei a sentir medo..o trânsito era agressivo, as pessoas não respeitavam as regras básicas, os motoristas dirigiam como se estivessem numa guerra. 

Passei algum tempo falando mal, reclamando de tudo...mas principalmente da falta de respeito às regras básicas e às leis. Vi policiais quebrando regras...bom,...nada que eu já não tivesse visto antes, mas agora o choque era grande demais. Nada piorou no trânsito de Salvador nesses 5 mêses que moro fora, eu é que me acostumei a parar diante de uma placa de "Stop", a respeitar filas, a dar a vez para quem chegou antes de mim...coisas que tenho visto do educadíssimo trânsito de Houston.

Sei que não posso comparar uma coisa boa de um país com uma coisa ruim do outro. Não é justo. Não dá pra comparar um país com outro, muito menos uma cultura com outra. Cada lugar tem suas coisas boas e ruins. Entretanto no quesito trânsito estive durante essas 3 semanas muito assustada e com muita saudade de Houston. Até que algo aconteceu...

Parei no posto pra colocar água e gasolina no carro e o capô do carro não foi bem fechado, não percebi e descobri da melhor forma possível e que me ajudou a entender e amar ainda mais estar em Salvador. 

Depois que sai do posto, a cada 100 m que dirigia, alguém tocava a buzina e me apontava, tentando me dizer algo...confesso que os primeiros a buzinar e apontar pra mim, me assustaram, me senti ameaçada, mas depois entendi que eles tentavam me avisar algo...e foi assim que descobri que o capô do carro estava aberto. As pessoas continuavam a me avisar, eu agradecia e pensava: isso jamais aconteceria nos EUA. As pessoas lá jamais veriam e se vissem jamais me avisariam. Penso eu.

O baiano..o brasileiro...tem a mania de se meter na vida dos outros...isso pode ser um defeito, mas o excesso de respeito a privacidade e o individualismo gritante dos americanos, chega a parecer descaso para quem foi acostumada a ser vista e invadida como nós somos aqui no Brasil.

Não sei ao certo o porquê, mas esse dia me deixou tocada...e sentindo que, nós brasileiros temos algo de especial. Temos mais acesso um ao outro, somos mais chegados e íntimos...existe um calor humano aqui, que acho que nunca vi em lugar nenhum que tenha estado...e de verdade, esse calor alimenta a nossa alma com algo muito sagrado e especial.

Estou voltando pra Houston e com muita vontade de voltar, sinto saudades da minha vida lá...da minha família e das minhas amigas...e com isso reforço uma sensação que já me acompanha...no fundo, no fundo,  All we need is love!!! O resto a gente tira de letra!

Ludmila


terça-feira, 18 de maio de 2010

Dançando a música que tocar...

Sabem aquele tradição dos antigos índios norte-americanos que dizem que quando fazemos uma longa viagem, nosso corpo chega, mas nosso espírito demora um pouco mais?

Bom..cheguei em Salvador, depois de 5 meses morando no Texas. Cheguei no lugar que eu nasci, cheguei na minha casa...saí do aeroporto e fui ver meu gato, meu cachorro e Nil...e me dei conta que meu espírito havia chegado junto com meu corpo. 

Chorei...chorei....eu estava ali inteira, com certeza.

Chegar em casa foi muito bom, mas descobri que sinto saudade de casa. Sinto saudade da minha vida em Houston. 

Algumas coisas me causaram muito estranhamento. O trânsito me deixou em quase estado de pânico. Muitos carros e uma impressão de que as pessoas dirigem com muita agressividade e sem paciência alguma. Confesso que fiquei assustada com os engarrafamentos e com a falta de espaço, de regras e de respeito...me senti bastante invadida e ameaçada.

Confesso que amo a facilidade que podemos conectar com as pessoas aqui...elas nos olham, aceitam conversas...não se assustam...realmente nós somos lindos nisso.

Recebi abraços, olhares de saudade..reencontrei pessoas tão queridas...
Reencontrei um lugar que tem a minha energia...cheguei no Espaço Mahatma Gandhi...minha casa...meu templo...meu local sagrado de trabalho e de crescimento.

Sou feliz aqui. Sou feliz me sentindo útil, fazendo coisas que sei e que amo. Sou feliz e sinto meu coração cheio de amor.
Estar aqui inteira, faz parte de um novo momento da minha vida, minha família não está aqui, meus filhos não estão aqui..eu estou, uma parte importante de mim está. Minha história também. 

Gosto da idéia de construir uma história lá em Houston, gosto muito de me deparar com o desafio de fazer algo que entendo como importante, num lugar onde ninguém me conhece, gosto desse lugar onde sou conhecida também. 

Na verdade, entendo que gosto de viver...e da dança fantástica que a vida me convida a dançar...novos ritmos, novas músicas, antigas músicas com novos ritmos....músicas novas, com antigos ritmos. 

No fim, sempre música e sempre dança!

Preciso apenas respirar e dançar....

Ludmila 





segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sou Tântrica ou, Minhas vísceras vibram!!!!








Estou num momento bem interessante da minha vida. Essa semana volto a Salvador pela primeira vez desde nossa mudança para os EUA em dezembro. Nunca fiquei tanto tempo longe da minha cidade. Nunca fiquei tanto tempo longe das pessoas que amo e do meu trabalho. Hoje já não acho que foi muito tempo...nem tenho noção desse tempo...hoje acho que só existe o hoje.

Me sinto feliz aqui em Houston. Tive pouquíssimos momentos de tristeza ou de falta desde que cheguei aqui, e isso devo a minha forma de encarar a vida. Sou Tântrica. Definitivamente sou Tântrica.

Existe uma frase que amo muito que define o Tantrismo. Ela é assim: "O que existe aqui, existe lá. O que não existe aqui, não existe em lugar algum."....Adoro essa frase...penso exatamente assim. Por que pensar que minha felicidade está em outro lugar que não esse que estou? Não é um perda de tempo pensar que a vida seria melhor se fosse assim..ou assado...se estivesse ali, ou acolá...? Não é estupidez pensar que existe alguma coisa que me faria feliz ou completa, que não esteja aqui e agora? 

Penso que o Tântra me deu uma visão muito clara de realidade, desfazendo ilusões e fantasias de algo que seja melhor do que aquilo que tenho ou que posso fazer agora.

Pensar assim, não me faz uma pessoa pobre de sonhos..sonho muito...desejo até mais do que gostaria, muito pelo contrário...exatamente porque tenho uma noção (que penso ser boa) de realidade, posso sonhar sonhos possíveis..e posso desejar muito...

Quem me conhece sabe que nunca penso pequeno..é estranho dizer isso, mas é verdade. Nunca acho nada inalcansável ou impossível. Não existe nada que eu não pense ser possível realizar. As vezes fico aborrecida e até mesmo entediada quando vejo pessoas colocando dificuldade na realização de coisas tão simples....acho um desperdício de energia, pensar nas dificuldades..sempre penso nas possibilidades...sou assim.

O Tântra me ensinou que não existe lugar mais completo e perfeito que esse aqui, esse agora. Esse é o lugar da realização, esse é o lugar da força e do Poder.  Tudo só é possível a partir desse lugar...e se concentro minhas forças nele..tudo mais se desenrola...tudo mais, como uma Rede (essa é tradução da palavra Tântra)...como uma Teia...Trama...vai se construindo em todas as direções...e para sempre...porque o sempre é hoje..o sempre é agora.

Hoje filosofava virtualmente com uma amiga sobre a necessidade de  se "trocar de pele", de não nos prendermos a aparências ou mesmo a rótulos e adjetivos. Sempre tive muita aversão a isso. É muito comum estar vestida de saia indiana de manhã e à tarde com scarpin vermelho..., ou quando alguém faz um comentário dizendo algo tipo: "Você é calma!" , ou, "Como você é corajosa!"..e eu sempre respondo: "Também!"..Essa é minha resposta libertadora. Dizer que sou "também", me libera da obrigação de ser aquilo. Por que no fundo no fundo..quero poder ser qualquer coisa..quero poder ser o meu hoje, o meu presente..o meu agora.. 

No fundo não quero me sentir na obrigação de ser qualquer coisa que seja projeção do outro sobre mim, quero ser eu mesma, e ser eu mesma, é ser um dia de cada vez...ou melhor, um momento de cada vez.

O meu presente agora, é que descobri que tenho duas casas..que moro em Salvador e também em Houston..que tenho muitas amigas lá e aqui também...que posso ser feliz aqui, acolá..em qualquer lugar!!!

Meu coração e minhas vísceras estão nesse momento muito excitadas, por que amo viver assim, porque tenho uma excelente sensação a meu respeito...minhas vísceras falam de mim agora..e elas dizem que estou feliz!

Namastê

Ludmila



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Me perdendo...pra me achar muito melhor!


Uma coisa deliciosa nessa experiência aqui em Houston é dirigir...sair por aí...adoro isso! Bom...preciso confessar que tenho GPS no carro, e a qualquer momento posso teclar no "Go home" e ele me leva sã e salva pra casa....mas mesmo assim...é uma delícia. Outra confissão é que Houston é uma cidade completamente organizada, o trânsito é espetacular, mas mesmo assim, posso viver essa experiência interna!

Sou uma capricorniana, ou seja, adoro a segurança, mas sou de áries como ascendente...gosto de aventurar. Quando me libero da tensão do capricórnio, acho a liberdade uma delícia. Sou ambiciosa, no sentido de que sempre quero mais e acho que tenho um excesso de autoconfiança, porque sempre acho que vou dar conta e sempre acho que posso. Penso também que não dou conta da mesmice dos dias que seguem simplesmente, quero sempre me dar a chance de viver coisas novas...de me abrir para a possibilidade de que elas aconteçam! Acredito que tenho poder de interferir e fazer escolhas!

Uma vez em Paris, eu e Judson, nos perdemos no metrô, era noite, estava muito frio, com vontade de fazer xixi, e perdidos nos infindáveis caminhos subterrâneos de Paris...rodamos..rodamos..lemos muitos mapas e nos achamos..ai que delicia...Foi uma delícia voltar pro quentinho do hotel, mas foi mais delicioso ainda a sensação interna de me achar, de saber que podia me perder, que eu podia me aventurar em novos caminhos, porque eu certamente me acharia depois. Essa foi uma experiência muito minha...no dia seguinte, eu queria andar pelos metrôs outra vez, porque aquele conhecimento já me pertencia..eu tinha poder sobre aquilo...eu havia vencido um medo...eu tinha ampliado minha alma!

Outra coisa que me ajuda, além de não ter medo de me perder, é não ter medo de perder! Não tenho medo de perder quase nada. Acho que só tenho medo de perder as pessoas que amo, só isso...

Nas mínimas coisas da vida...eu sinto que posso mudar e me aventurar, por que não tenho medo de perder..por isso acabo ganhando muito. Um exemplo simples, é estar diante de um cardápio e escolher um prato. Nunca entro em sofrimento por isso...vejo pessoas lendo e relendo...elas parecem que tentam fazer a melhor escolha, como se isso garantisse que elas não perderiam, ou mesmo como se houvesse a existência de uma melhor escolha. Penso assim: o cardápio tem 90 pratos, eu só vou comer um, então eu já perdi 89 pratos...então pra que sofrer com isso...faço uni-duni-tê e pego qualquer um...ou pego o primeiro que meus olhos se encantarem...nem olho o resto...nem quero saber do que perdi...fico feliz com o que ganhei.

Poder me perder e poder perder...esses são dois aprendizados que tive na vida e sou muito grata, pois não me sinto presa e nem limitada por esses medos. Posso me perder, por que sei que vou me achar depois e terei descoberto novos caminhos, terei aventurado e enriquecido minha alma; e posso perder, porque essa é uma garantia que temos na vida, sempre vamos perder algo! Se escolho ir pela direita, perderei tudo que a esquerda poderia me oferecer, a solução para isso seria ficar parado, passivo na vida, ou abrir mão da idéia de que não pode perder nada e escolher, traçar seus caminhos e desapegar do que perdeu.

Posso também abrir mão de uma imagem...posso ser quem eu sou...não quero estar preso à segurança ofertada por nenhum rótulo....todos eles cobram muito caro! Pra estar segura em um rótulo, tenho que abrir mão das minhas infinitas possibilidades de SER, então prefiro perder! Abro mão de qualquer rótulo, porque todos eles são como gaiolas de ouro. Lindas, mais aprisionantes. Perco, mas saio ganhando...assim eu sinto!

Nesse meu caminho...me perco e me acho. Perco pra poder ganhar.

Poder se perder e poder perder...essas são lições libertadoras e produzem boas reflexões...acreditem!

Namastê

Ludmila

domingo, 10 de janeiro de 2010

Bobó de camarão, Blues, Joias Fabergé ...esse foi meu trabalho!


Dias intensos...

Dias corridos em Houston...

Muita coisa pra fazer, muita coisa pra aprender...e entender...

Tudo novo, pessoas novas, caminhos novos, ritmos novos... Estamos adaptando nossos corpos e almas para tanta mudança, mas temos nos divertido muito. De vez em quando rola algum stress, mas no geral, estamos bem e com certeza estamos adorando essa experiencia, que será um super temporada de crescimento pra mim e para minha família.


Algumas pessoas me perguntam se eu vou trabalhar, ou como vou fazer pra ficar aqui sem trabalhar, já que sabem que adoro tanto meu trabalho. Me dei conta de que sempre estou trabalhando, só tenho feito isso, a cada dia, a cada segundo...


Na minha vida, entendi um dia, que eu não podia ser empregada, eu não suportava ter emprego, chefe, horários, essas coisas...trabalhei dessa forma por poucos anos, até que me demiti de um emprego público concursado, e passei a trabalhar da forma como eu sempre quis. Sou dona do meu trabalho, sou dona do meu tempo e meu trabalho sempre tem que estar associado ao prazer...precisa ser muito prazeroso pra mim!


Meu trabalho mais importante, é ser uma pessoa inteira, de verdade e intensa. Tenho feito isso aqui!

Meu trabalho é viver de forma cada vez mais consciente e me superar, tenho feito isso aqui!

Meu trabalho é vencer meus medos, é conhecer muitas coisas, é ter muitas informações...eu tenho possbilidade disso aqui!

Meu trabalho é saber cada vez mais e desaprender tudo que não me serve de verdade! Me desapegar de tudo que me impedir de crescer e ser uma pessoa aberta ao novo e reverente ao passado. Posso fazer isso aqui ou em qualquer lugar!


Nunca associei trabalho à dinheiro...embora goste muito do que o dinheiro pode me proporcionar, mas de fato esse nunca foi meu interesse. Todos os meus trabalhos que fiz com questão financeira como principal motivação, não deram certo! Eu sabia inclusive, que não dariam. Eu dizia sempre que essa não era a motivação correta! Isso seria consequencia, mas nunca motivação para iniciar um trabalho.


Então, pra explicar o título dessa postagem, devo contar que ontem nós fomos a uma festa com amigos brasileiros e comemos um Bobó de Camarão!! Aqui, no Texas!!! O meu trabalho foi, me divertir..conhecer pessoas, rir muito...e me deliciar com a vida! Viver aquele momento que parecia comum e por isso mesmo era extraordinário!


Amanhecemos hoje e fomos comer um brunch num lugar sensacional chamado "House of Blues", comemos e assistimos a um show de Gospel! Ver aqueles artistas negros, com aquelas vozes maravilhosas..e sentir que estavamos dentro de um filme, abriu minha alma para uma vibração de muito prazer e alegria!!! esse foi meu trabalho! Celebrar o extraordinário!!


Depois fomos ao Nature Science Museum conhecer a exposição de joias Fabergé, que pertenceram a família do Czar da Rússia! Incrível!!! Quando teria outra chance como essa??? Esse foi um lindo trabalho! Conhecer o extraordinário!!!


Para ser a psicóloga e prof de Yoga que acho que devo ser, tenho trabalhado muito na construção da pessoa que sou e dos meus valores, conhecimentos e experiencias! Tenho buscado muito viver cada momento com intensidade, e sei que poderei ensinar e ajudar muitas pessoas com isso!


Então, se voce é meu cliente ou meu aluno...ou se é um leitor desse blog, tenham certeza de que tenho trabalhado muito...e tenho acrescentado à minha alma coisas muito legais que me farão uma pessoa que terá cada vez mais o que oferecer ao mundo!
Não sejamos ordinários...a vida é extraordinária!!!


Namastê!


Ludmila Rohr


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Mudando para os EUA!


Passei 10 dias em Houston, grande cidade do Texas nos EUA. É pra lá que estou mudando com toda a família em dezembro. Fui encontrar Judson que já está lá. Fui escolher casa, móveis e tudo mais. Nossa vida em breve terá esse novo cenário.


Judson foi transferido para um projeto dentro da própria compania que ele trabalha, que está sendo detalhado em Houston, e lá é seu endereço agora.


Nunca pensei em morar fora do Brasil, ou mesmo em outro lugar que não Salvador. Adoro minha casa, adoro meu trabalho, adoro minha vida. Adoro acordar e dirigir olhando o mar, moro em frente a praia, nunca vou nela, isso é fato, mas adoro ver o mar...sentir seu cheiro.


Olho toda essa mudança por vários prismas. Tento perceber o que deixo aqui...o que perco, e o que encontrarei lá. É preciso fazer um exercício de desapego nesse momento. Tem sido fácil me desapegar de muitas coisas, mas de outras, não.
Tenho sofrido muito em deixar meus clientes e alunos. Isso tem sido o mais difícil pra mim. Ver a expressão de cada um deles que de alguma forma sentem que estão sendo abandonados, isso é duro pra mim. Normalmente choro quando penso nisso. Alguns não conseguem acreditar nisso, outros não conseguem conversar sobre isso. É uma separação que ninguém imaginou, e que tem sido dificil para os dois lados.


Tem os meus pais. Eles são queridos, e acho que sentirão muito a falta dos netos. Eles têm três netos, e dois estarão indo pra longe. Tem os meus funcionários, que são verdadeiros amigos, pessoas que trabalham comigo há muito tempo, e que me são muito fiés. Sentirei muita falta deles.


Amigos queridos ficarão aqui...mas não sou apegada a nenhum deles. Tenho vínculos tão fortes com alguns que sinto que nada mudará com esse afastamento. Tenho uma segurança interna grande, acho que realmente posso me afastar e voltar...e retomar minha vida aqui na hora que eu quiser ou assim for preciso.


Então eu começo a olhar pre frente!...e penso que essa é uma excelente mudança! Experimentaremos enquanto família algo muito legal. Morar em outro país, juntos. Meus filhos já moraram lá por um ano cada um, mas juntos, nós quatro!? Será muito bom! Poder estudar alguma coisa legal. Poder ir a shows, fazer viagens, assistir jogos da NBA (rsss, vi um e amei!), organizar nossas vidas, contar um com o outro...desbravar...enfrentar as dificuldades...sei lá!


Encontrei minha casa americana, ela é linda....é agradável e aconchegante. Moraremos em um lugar muito legal, perto do centro de Houston que é uma cidade grande e rica. Ela tem muitos museus, muitas coisas pra estudar...universidades, e claro muita coisa pra comprar! Acho que teremos uma vida de qualidade material muito boa.


Estamos animados e confiantes de que podemos fazer dessa experiencia algo emocional e espiritualmente rico! Estamos confiantes de que esse tempo fisicamente distantes daqui nos ajudará a crescer como pessoas. Não sabemos ainda como será, e nem poderíamos, mas temos sentido muita excitação com isso.


Farei 46 anos em dezembro, pela númerologia estarei em 2010 entrando em um ano 1, ou seja, estou saindo de um ano 9, fechando um ciclo. Bom momento para mudanças e recomeços. Depois de tudo que vivemos nesses dois últimos anos na luta contra o câncer, acho que essa sensação de recomeço, nos dá uma força enorme para seguir com o que vier a nossa frente!


A vida é surpreendente e definitivamente temos que nos colocar abertos para o que vier.


Sempre peço que a vida seja inteira pra mim, que ela venha e que eu possa estar inteira em cada experiencia!


Assim seja!


Namastê!


Ludmila