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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Isso é bom ou isso é ruim?


Como saber quando algo nos acontece se aquilo é bom ou ruim? Por teoria ou crença sempre tendo a pensar que as coisas são boas e ruins sempre. Que tudo tem em si a sua polaridade, ou mesmo que podemos fazer das coisas ruins algo bom e vice-versa. Conhecemos inúmeras histórias de pessoas que ganharam muito dinheiro e que tiveram suas famílias antes unida, destruida, ou mesmo que morreram...pessoas que perderam um emprego e que por causa do desemprego foram obrigadas a serem criativas e empreendedoras e se descobriram capazes disso. Bom o que não falta são histórias que nos levam a questionar se uma coisa é boa ou ruim...


Hoje era dia de quimioterapia do meu marido, todas as quartas de 15 em 15 dias é dia de quimioterapia. Essa seria a sexta sessão, ou seja, estariamos no meio desse caminho que parece longo demais. Chegando na clínica, descobrimos que a quimio não poderia acontecer. Sexta é feriado, a clínica não funcionará, não teriam como retirar a bomba com as drogas que ficam sendo gotejadas por 3 dias no corpo dele..., ai...que droga! - esse é o primeiro pensamento. Que raiva, que droga. Não podíamos nem ficar com raiva deles, porque de fato a quimio tava marcada para terça, nós é que não vimos pelo hábito de sempre ser quarta. Droga, droga....


Segundo momento....Hum...quem sabe isso não é o universo querendo nos dar uma folguinha...? No último fim-de-semana SIM, eu estava gripadíssima e nem podia ficar perto dele....hum...talvez o universo esteja nos oferecendo um cineminha, um teatro, um jantar sem enjôos...talvez o universo queira que a gente possa namorar um pouco e extendeu o periodo SIM por mais uma semana...uau! Isso pode ser muito bom!!!! Tem tempo que não temos dois finais de semana sem quimios!! Uau...estou convencida de que isso pode ser maravilhoso!


Terceiro momento....isso é bom ou ruim? provavelmente as duas coisas. O tratamento de Judson não será prejudicado. Esses adiamentos acontecem as vezes por conta das taxas de hemoglobina que estão baixas..etc. Mas, algum prejuízo terá. Ficaremos mais tempo em quimio...ai, ai, ai...
Hora da escolha: Escolho então não pensar nisso, no que poderia ser ruim! Agora não! Não há nada a ser feito! O que podemos fazer a não ser aproveitar o lado bom dessa história? Será que esquecer o feriado de sexta não foi um legítimo "ato falho" de duas pessoas que estão desejando tanto, mas tanto mesmo, dias de paz e amor? Deve ter sido... nossos inconscientes no fundo, no fundo devem ter desejado isso.....


Meus amigos! Não sou Poliana, (já falei sobre isso em outro post aqui desse blog), mas sou tântrica (já falei sobre isso também) e para o tantrismo o presente é que deve ser vivido com intensidade, pois é o único tempo que existe. E meu presente hoje, nesse exato momento, meu marido não está enjoado e nem ficará enjoado esse fim-de-semana. Posso antever dias de descanso merecido e de prazer amoroso, muito amor...e, acho que posso receber isso com prazer!
Então nesse momento, posso responder a pergunta que intitula esse post assim: É bom! Quero que seja muito bom!!!!!!!!
Eu mereço, ele merece, nós merecemos!!!
Namastê!
Ludmila
P.s. Foto sob um sol lindo em Veneza!!! uhhuuuuu!!!!!!

domingo, 15 de março de 2009

Sol, mar, celebração do amor e do prazer


Super fim de semana "Sim"! Almoço com filhos e noras...jantar na Praia do Forte e ... resolvemos dormir lá! Bom, Praia do Forte pra quem não conhece, é um dos lugares mais deliciosos e lindos aqui na Bahia. Adoro tudo lá. Adoro andar na areia, mergulhar na praia que são verdadeiras piscinas de agua quente, adoro comer, dormir, acordar, namorar...adoro tudo em Praia do Forte. Adoro ainda mais quando posso celebrar algo lá! Eu e Judson somos ótimas companhias um para o outro. Gostamos muito de ficar juntos e, a Praia do Forte tem sido um cenário muito presente nas nossas vidas.

Nao é difícil pra mim achar motivos para celebrar. Sou daquelas pessoas que vê o copo meio cheio, e não meio vazio. Sempre acho que podemos celebrar alguma coisa. E nesse momento da nossa vida, não é difícil celebrar, e ainda mais, acho que é primordial fazer isso. A energia da celebração é a energia da gratidão, e sempre acho que temos muito a agradecer. Viver um fim de semana como esse, de sol, amor e prazer em meio a tudo que estamos vivendo, pra mim, é mais do que motivo para agradecer e celebrar!

Bom...foi tudo isso mesmo! A Deusa Lakshimi nos envolveu e nos permitiu abundancia de amor e prazer. Sem horários, sem compromissos, sem amanhã, sem ontem...só eu e Judson naquele paraiso. Estávamos nos alimentando merecidamente da energia da água salgada do mar e do sol. Energias que preencheram, sem cerimonia, os nossos corpos e nas nossas almas.

Esse momento de comunhão com a natureza nos favorece o contato com a nossa infinitude. Quando nos unimos a essa beleza infinita, somos infinitos. Quando nos identificamos com toda a perfeição da criação, somos perfeitos. Quando reconhecemos que tudo que precisamos, ali está, nos damos conta de que nada nos falta!

Assim nos sentimos hoje! Nada nos falta. Temos a coragem que precisamos. Temos o amor que precisamos. Temos a força que precisamos. Temos o sol, o mar, o amor um do outro, temos nossos filhos que amam também. Temos a Centelha Divina no nosso coração que nos lembra que pertencemos a um plano maior que sempre nos indicará o caminho do nosso crescimento. Temos a leveza de quem sabe que faz a sua parte da melhor forma possível... assim caminharemos para essa semana que começa, que será mais uma semana de quimio ou menos uma semana de quimio...ou "a" semana da quimio, com a certeza de que ainda iremos celebrar muito mais!

Namastê!

Ludmila Rohr

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Começando o tratamento....


Hoje foi um dia longo..... consulta com médicos para determinar como será a quimioterapia. No outro câncer, tudo foi feito em SP, radio, quimio...consultas, dessa vêz tudo mudou; cirurgia em SP e quimio aqui em Salvador. Gostei da médica que o acompanhará aqui, apesar de estar acostumada com os de SP, acho que ela foi ressonante com o nosso sofrimento. Tenho a tendência a pensar que é coisa de baiano, embora ao escrever isso, me sinta injusta com a forma maravilhosa que fomos tratados em SP, mas aqui, eu estou em casa, acho que isso faz diferença.

Enquanto aguardava na sala de espera, olhava as pessoas; fazia isso no ano passado em SP também. Nas salas de espera de quimio e radio vi minhas fantasias a respeito de pacientes oncológicos serem reafirmadas e completamente transformadas também. Conheci em SP , durante o tratamento do primeiro câncer, o paciente oncológico das minhas piores fantasias e das melhores também. Vi pessoas com raiva, com medo, sentindo-se sozinhas...vi velhos, adolescentes.... e vi pessoas guerreiras, esperançosas e corajosas.

Essa experiencia de ser acompanhante de paciente de câncer é muito forte. Eu estou lá com o meu marido, e as vêzes penso que não pertenço àquele lugar... ainda acho que ele é diferente, que a doença dele é diferente, que com a gente a história é diferente. Bobagem....ali, somos iguais....todos estão ou enfrentando uma doença que ninguém gostaria de enfrentar na vida, ou estamos sofrendo porque alguém querido nosso está fazendo isso. Nossos medos são os mesmos. Temos medo do sofrimento e da morte. Eu tenho.

Olho as pessoas e vejo que algumas mulheres usam perucas, outras usam chapéus e ainda há aquelas que exibem naturalmente a cabeça careca. Elas têm todas as idades, são mães, avós e filhas, são amigas de alguém. Os homens mostram a careca. Tudo bem, eles podem fazer isso sem chamar atenção.

Meu marido iniciará um tratamento de seis mêses de quimio. Nesse momento, as estatíticas são favoraveis a ele. A médica olha pra mim e diz solidária: Muitas mudanças, né? e eu choro....eu simplesmente choro, porque de fato são muitas mudanças, são mudanças incomensuráveis, são mudanças que ainda nem me dei conta....tudo mudou, nada está do mesmo jeito. Minha percepção das coisas mudou, as prioridades mudaram, a noção de tempo mudou, a relação com a comida, com o ar que respiro, com minhas crenças e até com a minha prática espiritual...tudo mudou....é como se de repente o chão debaixo dos meus pés ficasse o tempo inteiro em movimento. Acho que em algum momento poderei me acostumar a isso, mas por enquanto.... sinto medo.

O mais incrível é se deparar com a ilusão de que pensávamos, antes da doença, que tínhamos algum controle sobre alguma coisa. De fato, nunca tivemos controle sobre nada, a única coisa que podemos exercitar algum controle, é sobre a nossa mente, e isso muda tudo. Se controlo os meus pensamentos, posso manter a noção de realidade.

No caminho do yoga, nos ensinamentos Vedantas e no Budismo, aprendemos a não nos identificarmos com os fenômenos e, isso é libertador, pois se não me identifico com o câncer, apesar de não negá-lo (muito pelo contrário), olho pro meu marido e vejo nele, o mesmo homem de sempre, o homem que é justo, batalhador, pais dos meus filhos, lindo e que me ama muito....isso não mudou...isso é o que ele é. O que muda, é que esse homem, agora tem diante dele uma batalha pela vida, e terá que enfrentá-la com as mesmas virtudes que viveu até agora e outras tantas que ele terá que descobrir que já existiam dentro dele e que agora precisam ser reveladas.

Sinceramente acredito que temos em nós tudo aquilo que precisamos pra enfrentar nossos desafios. Se em algum momento não sentimos assim é porque nos afastamos daquilo que realmente somos. E nós...além de sermos abençoados com o melhor tratamento possível, temos ainda uma família linda e amigos, muitos amigos que rezam, oram e vibram por nós!

Namastê!

Ludmila Rohr
P.S. obrigada a todas as pessoas que me mandam emails. e vibram por nós...vcs não têm idéias de como isso nos alimenta.