
Ontem acordei estranha....a vida continuando....trabalho, pessoas, compromissos e, os amigos que sentiram que eu não estava bem ontem, ou que leram o blog, me ligando. Uma pessoa me disse: Voce precisa se cuidar. Apesar de sentir que estou me cuidando, tive que refletir sobre essa recomendação, pois não me sentia nos melhores dias. Estava triste, mas não estava mal...apenas triste, e como uma convalescente, precisando ficar quieta. Ouvi a recomendação. Não escrevi no blog ontem, fiquei quieta, calada e, à noite, dei aula de yoga, que amo muito, e em casa, chorei um choro que simplesmente vinha, como se aquelas lágrimas, simplesmente quisessem sair....lavando algo...levando algo....
Uma coisa ficou muito clara pra mim hoje de manhã quando acordei ao lado do meu marido. Sinto muita falta dele. Sinto falta de abraçá-lo, sinto falta do contato físico. Meu corpo e minha alma sentem essa falta. Ontem na minha tristeza ou estranheza, eu precisava simplesmente abraçá-lo, sentir seu corpo colado ao meu, mas isso nesse momento é impossível. Temos uma cicatriz imensa entre nós dois...uma cicatriz que está no corpo dele e atravessa de leste a oeste o seu abdomem. Cada dia que passa, ela está melhor, por que o tempo faz isso...o tempo passa...e as coisas vão acontecendo....as coisas vão cicatrizando.....
Eu também estou cicatrizando....mas tem um tempo pra isso. Minha aura ontem tinha um buraco...sentia falta do meu companheiro, do meu amor. Sentia falta do contato, de ficar juntinho, quietinho, mas juntinho. Ele me ofereceu o ombro, eu recebi, mas queria mais, muito mais. Sempre quero muito. Nossas áuras caminham juntas há muito tempo.
Nesse momento preciso estar conectada a muitas virtudes da minha alma, e uma delas é a paciência. É preciso ter paciência pra aceitar o ritmo das águas que correm independente das nossas vontades. É preciso ter paciência, fé e gratidão. É preciso estar recolhido para lamber as feridas, mas nem tanto, para não nos transformarmos em pessoas fechadas em suas dores, pessoas que não conseguem olhar para os lados, pessoas que se incomodam com a alegria alheia.
É preciso reconhecer que o que existe no mundo e, que é meu também. Assim como quando estamos alegres não podemos fechar egoísticamente os olhos para as dores do mundo; ao estarmos tristes, não podemos excluir as alegrias e expressões de excitação que existem e que sempre existirão, para nos lembrar o quanto a vida é cíclica, dinâmica e que não para...sempre anda.....Não posso cobrar paciência das pessoas, mas eu preciso ter paciência comigo e respeitar os meus limites...
Quero contar hoje pra voces, sobre Simba. Ele é um cachorro poodle, que nasceu pra nossa família 16 anos atrás, ou seja, ele agora é um senhor idoso, muito idoso...e ele está morrendo... está cego, não anda mais e esses dias parou de comer....ontem à noite quando cheguei em casa, Caio veio me falar assustado que acha que chegou a hora de Simba ir, e sinto que é verdade. Seu nome foi dado em homenagem a Simba, O Rei Leão, desenho da Disney, da época e ele realmente era um guerreiro, valente...nos defendia (apesar de ser um poodle). Acho que ele nunca entendeu que era um poodle, ele se achava algo maior como um dobermam, ou algo assim...Quando Caio e Lucas moraram nos EUA, Simba enlouqueceu de saudade, fazia xixi no quarto dos meninos, ficava por lá...Ele hoje, nem de longe lembra o nosso "Simba", é um velhinho que viveu muito bem, correu livre tudo que pôde (sempre moramos em casa com quintal), teve muitas namoradas, defendeu a nossa casa de todos que passavam diante dela...e nos amou muito....mas agora teremos que ajudá-lo a ir embora, sem dor, sem grandes sofrimentos para ele.
Só de escrever sobre isso choro muito....não vai ser fácil me despedir de Simba, ele viveu tantas coisas conosco e agora não deveria simplesmente desaparecer, mas o ciclo dele está se concluindo, e como Judson me lembrou ontem...ele foi muito, muito feliz... Acho que se ele pudesse avaliar a sua vida, ele diria que não se arrepende de nada e que viveu tudo que tinha que viver... Um dia, quem sabe eu consiga escrever algumas histórias sobre ele pra que voces o conheçam, mas sem dúvida nenhuma, ele jamais será esquecido por nós....Nesse momento sinto uma dor em pensar que ele esteja se sentindo sozinho, que ele pense que nos esquecemos dele, ou que queremos nos livrar dele...Acho que a casa não será mais a mesma sem Simba, e Zack ,nosso outro poodle idoso, vai sofrer muito com sua partida...eles eram inseparáveis e pareciam siamêses quando corriam sempre juntos...Já a algum tempo Zack não tem seu companheiro de corridas e acho que hoje, ele o perderá pra sempre.
Hora de despedida...ciclos que se fecham....perdas que deixam marcas e lágrimas que lavam a alma....
Namastê!
Ludmila Rohr
P.S. Esse é um símbolo do Budismo Tibetando...o Nó da Eternidade...ele nos fala sobre esse giro que transforma, mas que nos mantém sempre no ambiente da criação....tudo que um dia foi criado...de fato, gira nesse ciclo da eternidade. Nada de fato desaparece!