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segunda-feira, 9 de maio de 2011

OTIMISMO x PESSIMISMO

Infelizmente não sou otimista.
Definitivamente não sou. Até gostaria de ser, mas não consigo. Tenho uma tendência desde que lembro de mim, a ser realista demais, para suportar a parcialidade dos otimistas e dos pessimistas. 

Era uma velha quando criança. Lembro de mim, preocupada com as coisas que a maioria das crianças nem se importavam. Na adolescência idem, acho que até fui meio "dark", não conseguia ser uma adolescente típica, era "profunda" demais pra minha idade. 

Acho que a maturidade até que me fez mais leve, e um pouco mais otimista que fui a vida toda. Quando criança, lembro de ter lido um livro chamado "Polyanna" e ter odiado. Odiava a "brincadeira do contente" da personagem principal que eu qualificava de toda sorte de descrições indelicadas. Achava que era a própria imbecilidade lidar com a vida como Polyanna, que eu julgava ser uma pessoa sem força e sem coragem para ver a realidade.

Preciso esclarecer que estou escrevendo sobre isso, porque uma pessoa que me segue no twitter e que é sempre tão educada e delicada, me perguntou sobre o que eu faço quando estou tomada pelo pessimismo.  Estava esperando a inspiração chegar para escrever o post dessa semana, quando essa pergunta chegou. Decidi na mesma hora que esse seria o tema dessa semana. Minha resposta para ela foi que eu escreveria aqui, já que no twitter, o limite de 140 caracteres me impediria de falar como eu gostaria sobre esse tema.

Antes que os apressados me julguem pelo começo do post, quero deixar claro que também não sou uma pessoa pessimista. Não lembro de mim sendo pessimista em nada na minha vida. Achando que as coisas vão dar errado ou com algum sentimento de desistência ou derrotismo. Muito pelo contrário. Sou muito construtiva e pró-ativa, e acho que se depender de mim, posso qualquer coisa.

Sempre me recusei a ter uma visão parcial das coisas, embora tenha a convicção de que estou muito longe de uma visão plena que os Budhas alcançam (confesso que essa é a minha meta). Mas, tentei por toda minha vida ampliar o máximo que pude a minha perspectiva das coisas, tentando incluir as mais variadas possibilidades e nuances de cores possíveis acho que até mesmo para ter menos chance de ser surpreendida (coisas de capricorniano), talvez até como uma defesa. 

Percebi isso claramente quando estava grávida do meu primeiro filho e por não saber o sexo do bebê as pessoas me diziam no maior amor: "Tudo bem ser menino ou menina, contanto que venha com saúde!". Eu ouvi essa frase algumas vezes até estourar num não muito educado: "E se não vier com saúde, devo jogar fora?" Para mim, estar gerando um bebê incluía qualquer possibilidade, inclusive aquela que as pessoas não querem nem pensar, como se evitando pensar nela, as fosse proteger de algo.

Quando meu marido teve câncer, a possibilidade da morte sempre existiu na minha mente. Por pior e mais sofrido que isso fosse, sabia que isso era uma possibilidade. Sempre dizia pra quem perguntasse por ele, que ele estava fazendo o melhor que podia, e era verdade, e que o resultado não nos pertencia. A nossa parte era fazer o melhor. E fizemos, porque em nenhum momento deixamos de pensar que a cura fosse uma possibilidade concreta também.

Ser OTIMISTA pra mim é aquele que só vê o lado bom das coisas, as boas possibilidades, sem pensar que aquilo que ele julga ser bom, de repente nem é bom de fato. A minha questão é: Como é possível ter certeza de que aquilo é realmente uma coisa boa? 

O inverso é verdadeiro também. Ser PESSIMISTA é pensar que só as coisas ruins podem acontecer. É sempre pensar no pior, ou que as coisas não darão certo. Assim como o otimista, o pessimista é tendencioso, vê apenas um lado. Julga as coisas pelas aparências ou pela sensação agradável ou desagradável que elas possuem. Um julgamento simplista. É agradável, então é bom; é desagradável, significa que é ruim. Sabemos que as coisas não são simples assim. Muitas coisas dolorosas e desagradáveis se revelam extremamente positivas e construtivas em nossas vidas, não é mesmo? Da mesma forma, muitas coisas deliciosas, se revelam entraves importantes no nosso crescimento.

Acho que as coisas são como são, e a grande diferença é o nosso olhar sobre elas. Normalmente não questiono as coisas, mas questiono a mim mesma. O que tenho feito com elas? Qual a minha parte nessa história? 

Mas....pensando bem....podemos fazer uma confusão entre PESSIMISMO e INTUIÇÃO. Todas as  vezes que me senti mal em relação a alguma coisa que estava prestes a fazer, ou mesmo algo que estava para acontecer, e me julguei sendo pessimista, depois descobri que havia tido uma intuição. Algo me avisando que não devia ir por aquele caminho. Algo dentro de mim sabia que aquilo não ia dar como eu desejava. Nem posso dizer que minha intuição me dizia que esse algo não ia dar certo, porque eu estaria me contradizendo. Acho que minha intuição apenas me dizia que eu estava a desejar algo que não aconteceria, ou que aquilo que não sairia como eu estava planejando. 

Acho que a nossa INTUIÇÃO é realmente nosso sexto sentido. Ela "vê", "sente" ou "prevê" aquilo que nossos olhos não querem ver, ou aquilo que nossos desejos impedem que nossa razão conclua. Toda vez que neguei minha intuição, percebi depois que errei. Devia ter dado atenção a ela. 

Sendo REALISTA, acho que para morrer basta estar vivo. Sendo realista, acho que existe chance de algo dar errado, isso pode acontecer. Sendo realista, não consigo deixar de pensar que tudo é possível. Inclusive aquilo que aparentemente é impossível. Sendo realista acho que as coisas mais improváveis são possíveis, e as mais deliciosas também. 

Sempre quis uma vida inteira e nada pela metade. Não posso querer ver uma parte das coisas. Não posso escolher apenas aquilo que satisfaz meu ego ou minha vaidade.

Sendo REALISTA acho que "NADA é impossível e TUDO é possível".
Gosto de viver assim.

Ludmila Rohr



sábado, 18 de abril de 2009

Realismo? Talvez?


Feriadão e "Fim-de-semana NÃO" juntos... pra começar me preparei tomando um chopinho com uma amiga na sexta e pegando um cineminha (Divã, vão assistir!!!!!). Achei que assim estaria mais preparada para o que viesse....

Bom sou uma pessoa muito reflexiva, reflito sobre tudo...sempre tenho que compreender as coisas na sua subjetividade, ou na sua profundidade, ou elas precisam fazer sentido...eu analiso os significados..as consequencias, o que elas representam...etc. Não sou uma chata analítica, muito pelo contrário, sou seguidora do coração, escuto os meus desejos como poucas pessoas e me entrego bastante aos meus sentimentos. O que consigo com isso, com essa aparente contradição, é muita consciencia...sinto que tenho muita (aquela que consigo alcançar) consciencia das minhas dinâmicas internas, daquilo que me governa, daquilo que posso ser, ou não, até onde posso ir ou não. Acredito em mim e sinto que sou consistente e de verdade. Gosto disso.

Sou uma pessoa forte também, pelo menos assim me considero. Isso não significa que eu não chore e não queira de vez em quando comer uma torta de chocolate inteira. Mas tenho relativa consciencia e controle de mim mesma. Gosto disso, porque dificilmente me sinto vítima de qualquer coisa. No máximo posso ser vítima de mim mesma, mas não de algo fora de mim.

Tenho reletido muito sobre três conceitos: o de pessimista, otimista e realista. Tenho uma implicancia básica com os otimistas. Mas passei a questionar qual o meu conceito de otimista, pra evitar os preconceitos. Pra mim eles são aqueles que não querem, ou não conseguem ver o que está dando, ou deu errado; aquilo que é feio, sombrio, frustrante, eles tem dificuldade com as decepções e só querem ver a luz. Querem ver o bem, como se o mal não existisse, querem ver a luz como se ela própria não produzisse a sombra. Bom...otimista pode não ser isso, e aqueles que o são, provavelmente vão defender aqui seus conceitos, mas se é isso, isso eu definitivamente não sou.

Penso nos pessimistas como aqueles que não conseguem ver a luz. Tudo já se perdeu, e se houver alguma chance de algo dar errado (e sempre tem), dará. Eles tem uma dificuldade ou impossibilidade com o sonho, com a beleza, com a leveza...as pessoas são capazes do pior sempre, e em algum momento elas vão mostrar isso. A vida sempre está tentando nos punir e é difícil para um pessimista fazer planos, acreditar, ter fé... Bom, não sou pessimista. Faço planos e sonho bastante e sempre acredito neles.

Sobram os realistas. Esse é o mais difícil de conceituar. O budismo me ensinou que "Tudo é Ilusão". Se tudo é ilusão onde está a realidade dos realistas? O budismo me diz que, se conseguíssemos retirar todos os véus de Maya (ilusão) que teimam em cobrir os nossos olhos, poderiamos ver a realidade pura. Fica difícil imaginar o que sobraria...mas vamos lá.

Acho que ser realista é desenvolver um olhar mais central a respeito da vida. Um olhar que não saia do meu centro, do meu umbigo ou das minhas necessidades. Um olhar que conseguisse ver as coisas além das aparencias. Um olhar que pudesse ver por um angulo não pessoal, mas que alcançasse uma visão de 360º . Esse é o olhar do Buda, ou de Jesus. Um olhar de uma realidade ampla, não a realidade dos meus desejos egoístas, e muitas vezes legítimos, mas não menos egoístas. Uma visão da realidade total poderia se dar conta da luz e da sombra; do prazer e da dor; do bem e do mal; das perdas e dos ganhos; da vida e da morte...ao mesmo tempo e inseparáveis.

Tento ser uma pessoa realista e, se verdadeiramente fosse, não classificaria meus fins de semana como SIM e NÃO, porque eles são sim e não ao mesmo tempo. O Não pode ser sim, e vice-versa. Uma pessoa realista não faria afirmações categóricas a respeito de nada, porque tudo pode ser, ou não. As pessoas podem ser boas e não, ao mesmo tempo. Um evento pode ser bom e não, ao mesmo tempo.

Bom...que venha o talvez para a minha vida. Quero mais talvez e menos SIM e NAO. Quero estar aberta para vida com tudo que ela tem de possibilidades. O meu talvez não significa dúvida, pois dificilmente fico em dúvida....por exemplo: quando tenho que escolher algo pra comer num cardápio, simplesmente escolho, sem medo do sentimento de perda em relação a tudo que não irei escolher...realmente não tenho medo das escolhas, porque sempre tenho a convicção de que posso retornar, e que talvez eu queira diferente da outra vez. O meu TALVEZ significa, QUEM SABE? O meu talvez significa abertura para a possibilidade...sem negar que as coisas podem dar errado ou certo e tavez isso seja bom ou ruim....

Bom, eu não sei de nada. Quem sabe?

Namastê

Ludmila Rohr

P.S. Foto: Perdidos numa estrada na Toscana, Quem poderia imaginar onde ela nos levaria?