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sábado, 13 de fevereiro de 2016

ENCARAR O ESPELHO PARA SER FELIZ


Temos várias escolhas a fazer durante a nossa vida, e todas trarão consequências que teremos que encarar, querendo ou não. Podemos passar anos da nossa vida escolhendo tentar agradar os outros em detrimento de nós mesmos. Podemos também com esforço exaustivo, tentar fugir de nós mesmos, dos nossos anseios, das nossas necessidades, frustrações, medos, raivas, inseguranças .... podemos criar personagens que sob um olhar superficial, pareçam críveis, podemos até enganar a muitos, mas não a nós mesmos. Toda vez que estivermos a sós, diante do "espelho", teremos que encarar a verdade, pois ninguém pode sentir a sua dor, ninguém vai sentir o seu vazio, nem resolver os seus problemas, ninguém vai encarar os medos ou frustrações por você, nem vai ter que lidar com os seus fantasmas, cedo ou tarde você mesmo vai ter que fazer isso. Como psicóloga e como pessoa que acredita que tomar posse de si mesmo, por mais dolorosos que seja, sempre será a melhor escolha, torço para isso se dê o quanto antes, a tempo de vivermos uma vida de verdade.

Estar misturado e disfarçados em meio a multidão, ou fazendo coisas o tempo todo, pode até nos manter na ilusória distancia de nós mesmos. Podemos nos enganar por algum tempo, nos dizendo que as coisas vão bem, que temos lidado bem com as dificuldades porque vemos os dias passarem e nada de mais grave aconteceu, que temos sobrevivido apesar de tudo!

As mentiras dos personagens que criamos podem convencer muita gente, pessoas que talvez não tenham interesse sincero em saber quem nós realmente somos e o que temos passado de verdade, até mesmo porque também vivem suas mentiras, mas não conseguiremos mentir para nós mesmos por muito tempo, ou por todo o tempo ....

As máscaras perdem a eficiência principalmente naqueles dias que a alma nos pega de jeito, nos dias que as nossas verdades não aceitam tapeações e deixam nossas feridas expostas ... nesses dias, não há como fugir ...ou sucumbimos ou nos superamos, mas mentir, atuar ou fingir não é mais opção.

Olhar com honestidade para o espelho, em busca de livrar-nos das imposições externas, de expectativas externas....desfazer das máscaras, desmontar os personagens, reconhecer a diferença que existe entre a minha defesa e o aquilo que sou de verdade, é o primeiro passo para o "tomar posse de si mesmo". Apropriar-se da paz e da força que vem a partir do momento em que você descobre que não precisa fingir, que não precisa atender as expectativas externas violentando a si mesmo, é o grande ganho nisso! 

O processo terapêutico tem essa função. Servir de espelho. O terapeuta tem a função de nos ajudar a olhar esse espelho, descobrir que não há nada mais empoderador, e libertador que a verdade, ou o autoconhecimento. Não há nada mais incrível que descobrir que existe alguém de verdade, escondido atrás de personagens exaustivos, um alguém que pode amar e ser amado, que pode caminhar com as próprias pernas e ser produtivo, um alguém que pode ser feliz, feliz de verdade. 

Felicidade não é colocar, a todo custo, um sorriso eterno no rosto. Felicidade é sinônimo de libertação e de verdade.

É possível ser feliz apesar das dores e das faltas. 

É possível viver sem trair a si mesmo. 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

CONTAGEM REGRESSIVA, ou MAIS UMA DESPEDIDA...


Mais uma vez estou de mudança. Para os que me acompanham por este blog, estou bem atrasada nas informações. Deixei a Korea, onde vivi por dois anos e estou no Brasil há 5 meses, esperando meu visto para encontrar o meu amor que agora está na Arábia Saudita. Isso mesmo, meu marido já está lá, e eu estou indo morar uma parte do ano nesse país, ao lado dele.   


 Quando as pessoas sabem que irei pra lá, perguntam logo se terei que usar burca. Bom, terei que usar uma abaya, que é uma roupa preta que cobre todo o corpo, mas não cobre o rosto, nem cabelos. Perguntam também se estou incomodada com isso, respondo que não. As diferenças culturais não me incomodam. Vestir uma roupa diferente do que estou acostumada, não me incomodará. Assim como, comidas diferentes, sons diferentes, cheiros diferentes e idiomas diferentes não me incomodam. Na verdade, gosto muito de experimentar essas diferenças. Morar em outros países com culturas tão diferentes, me diverte.

Ficar longe de Judson por muito tempo só não tem sido um esforço imenso, porque estou em minha casa e com meu trabalho. Voltar a atender no consultório, dar aulas de yoga e estar no Espaço Mahatma Gandhi, alimentam uma parte importante do meu ser. Sou psicóloga e amo ser. Amo meu trabalho e isso me alimenta na minha essência. 

Então, tenho me dado conta de que minha vida, assim será por algum tempo ( não sei quanto ). Terei que buscar uma sensação de completude, mesmo na falta. Quando estiver com meu amor, não terei meu trabalho, e vice-versa. Tenho experimentado esse contentamento mesmo na falta de algo, e tenho conseguido, e com grande satisfação. Posso estar completa, na falta (essa não é a única forma de completude possível?). 

Nesse momento a única coisa que quero, é estar ao lado dele. Isso é uma certeza. Quero estar com ele o mais rápido que for possível. Nunca ficamos tanto tempo afastados um do outro, e a saudade é imensa. Em uma semana estarei deixando Salvador em direção aos EUA, onde verei meu filho e minha nora, para em seguida voar para a Turquia onde passarei uns dias com ele, antes de entrar na Arábia. 


Tenho poucas certezas na vida. Felizmente com a idade, fui desconstruindo a maioria das certezas que a arrogância da juventude construiu, mas entre as que restaram, uma é : Não posso ficar longe do meu amor por muito tempo.

Ele é meu amor, meu amigo e a pessoa com quem quero envelhecer. Nos alimentamos fisicamente, emocionalmente e espiritualmente, um do outro. Interagimos com amor, desejo, paixão e companheirismo. Ficar sem ele, é ficar sem uma parte de mim mesma…. então, estou de partida….me aguardem, volto em breve!