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domingo, 4 de outubro de 2009

Desejando............sem culpa?

Tenho uma amiga virtual linda. Torço pra que um dia possa abraçá-la de verdade. Ela é uma guerreira na luta contra o câncer. Ele me chama de Diva! Acho que temos uma afinidade intelectual..de almas..e de desejos...guardando as devidas proproções da idade..ela é uma jovem e linda mulher e eu sou uma linda mulher! Já vivi muito mais que ela...mas a admiro muito.


Bom...um dia após muita conversa, filosofando sobre a vida.e principalmente sobre o Amor e Desejo...questionando o quanto vale a pena adiar a vivencia desses amores e desejos...falamos sobre ousadia, liberdade...sobre Ser Mulher...sobre se apropriar do nosso corpo e dos nossos desejos... sobre o quanto tememos os nossos próprios desejos...e sobre muitas outras variações do mesmo tema...



Devo dizer que posso passar horas conversando sobre esses temas femininos com mulheres interessantes e questionadoras. Adoro mulheres que ousam questionar o poder patriarcal e não aceitam os comportamentos misóginos.. adoro conversar com mulheres que reconhecem o seu poder, ou o buscam!! Poderia fazer workshops e palestras infindáveis sobre isso! A "mulher" é o meu tema preferido!! Sempre me apaixono e tenho energia quando o tema é esse! Não sou feminista...não acho que os homens são inferiores, nem nada parecido...mas acho que os homens são mais monótonos, monocromáticos...tem menos apelo pra minha alma de terapeuta e de escritora...


Sou casada e tenho dois filhos homens...adoro eles..acho os homens lindos e não quero fazer nenhum manifesto pró-mulheres..só quero falar da minha paixão pelo tema feminino! Até nesse blog, tenho escrito muito sobre esse tema.



Bom..minha amiga me perguntou se é possível viver assumindo os desejos e sem culpa? Pergunta difícil né? Acho que nem vou conseguir responder só nessa postagem...voces terão que me acompanhar alguns dias até que eu possa organizar isso no meu corpo e mente.



O que me vem em primeiro lugar é uma pergunta: por que colocamos essa condição para viver o desejo? Porque ele precisa vir sem um preço? não podemos pagar esse preço? e se a culpa for nossa companheira, não podemos lidar com ela? Será que se o desejo for bom mesmo, não valeria a pena pagar um preço por ele, seja ele qual for?



Depois eu começo a pensar se existe vida sem culpa. Não sei...acho que não. A culpa é uma nuance da nossa alma, em algum nível, penso que a sentiremos sim.


Em seguida me pergunto: mas porque culpa associada a desejo? Estaríamos traindo que ordem? Estariamos quebrando algum paradigma? Estariamos provocando alguma ruptura profunda na humanidade ou mesmo nas famílias, se assumimos os nossos desejos? Por que os nossos desejos assustam tanto os homens, as famílias...e até as própria mulheres?


Outra coisa: Precisamos realizar todos os desejos? ou precisamos pelo menos assumir todos eles? Tomar consciencia dos meus desejos já não seria uma grande conquista? Por que algumas mulheres não querem nem pensar nos próprios desejos? não querem nem saber! Temem que apenas por os tornarem conscientes, a vida fique insustentável após isso.


Culpa está associado a erro. O desejo feminino na cultura cristã está associado a um grande erro. A primeira mulher que desejou, foi culpada e punida. Nascemos com essa imagem atávica impregnada nas nossas mentes e corpos...


Não concluirei nada nessa postagem..e talvez em nenhuma outra..mas prometo que voltarei a esse tema, logo...hoje só quero levantar essa questão..


Quem puder e quiser..comente essa postagem...seguirei com esse tema outras vezes...repassem pra outras mulheres...vamos tentar enriquecer esse debate!


Mulheres, desejem!!!


Beijos


Ludmila Rohr

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

É VERDADE, QUERO TUDO!

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Hoje quero começar falando sobre uma amiga e, sobre nossa relação, talvez vocês compreendam o porquê disso no final dessa reflexão, talvez eu também venha a compreender. Somos muito diferentes, absolutamente diferentes. Eu não consigo, por exemplo, comprar uma roupa e não usá-la imediatamente, ela guarda coisas para um dia usar, eu comumente saio da loja vestindo ou calçando o que comprei; as coisas que não uso, não tem a menor importancia pra mim, e ela perde (eu acho) muito tempo arrumando coisas que não tem utilidade, por que um dia poderão vir a ter. Eu acho que esse é o momento que existe, ela espera o momento chegar. Bom...mas somos amigas, temos confiança e afeto uma pela outra. Ela questiona a forma que eu vivo, e eu questiono a dela, mas somos amigas e nos apoiamos.

Bom..tenho uma lembrança de uma sensação de quando eu era uma criança. Meu pai ficou orfão de pai quando tinha 5 anos, e viveu a vida achando que poderia morrer cedo e deixar os filhos crianças, o que ele não queria. Como ele achava que poderia morrer a qualquer momento, ele era uma pessoa que vivia intensamente cada momento, como se fosse o último. Ele não tinha dinheiro, mas quando sobrava algum, ele levava os flhos pra tomar sorvete. Ele trabalhava muito e não tinha muito tempo, mas quando sobrava algum tempo, ele fazia o que gostava. Ele não passava muito tempo pensando no amanhã, porque esse era o momento!

 Então eu cresci com uma sensação de que eu não devia desperdiçar tempo da minha vida. Que eu não podia jogar fora nenhuma oportunidade que a vida me desse de experiementar uma coisa nova, conhecer alguém ou viver algo diferente. Desenvolvi desde cedo uma sensação de que é um desperdicio imperdoavel jogar qualquer segundo da vida fora. Bom...preciso esclarecer que adoro ficar sem fazer nada também, adoro ficar com os meus pensamentos, adoro ficar quieta, tenho um ritmo de vida bem tranquilo, o que não suporto é a idéia de ADIAR, de procrastinar, de deixar de fazer algo que pode ser feito hoje, pra amanhã. É sobre isso que estou falando!

O que me assusta é pensar que quis muito algo, quis muito experiementar alguma coisa e não fiz por conta da fantasia de que posso deixar pra amanhã! Tenho um desejo muito grande de no final da minha vida (que nunca sabemos quando será), eu tenha uma boa sensação de ter feito tudo ou quase tudo que desejei, e que posso até não ter conseguido, mas que tentei fazer; quero ter a sensação de que não joguei tempo fora, que reverenciei a vida em cada segundo, de que honrei a energia vital que existe em mim....

Bom...meu pai me ensinou isso (acho que ele nem sabe disso)....a simplificar as coisas e simplesmente viver! Essa minha forma às vêzes me dá a sensação que tenho um ritmo diferente, que tenho uma ânsia pela vida, e uma vez uma amigo me disse: - Poxa Ludmila, Voce quer tudo! e eu respondi: Quero! quero tudo que eu puder! Qual o problema? Nem sempre consigo, é claro, e pra isso tive que aprender a lidar com a frustração, mas de fato isso é uma verdade! Quero tudo, quero muito! e não é de posses que falo, não tenho ansiedades de possuir muitas coisas, mas tenho uma vontade enorme de viver muitas coisas!

Então eu e minha amiga temos uma diferença grande em relação ao tempo. Acho que ela, assim como eu, tem muito desejo de viver; a diferença é que minha vida é agora, e acho que não tenho tempo a perder!

Namastê!

Ludmila Rohr