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terça-feira, 15 de novembro de 2016

VÁ TOMAR UM BANHO!


Não sei se acredito nisso porque nasci na Bahia, cidade quente e úmida, onde precisamos tomar uns 3 banhos por dia para nos sentirmos confortáveis;  ou se porque minha mãe é amazonense com forte influência indígena, mas o fato é que "tomar um banho", ou uma "chuveirada", tem um efeito medicinal e psicológico comprovado na minha vida. 

Cresci ouvindo, "vá tomar um banho" como recomendação para qualquer coisa. Vou explicar melhor.... Se o seu mal fosse uma dor de cabeça, por exemplo, na minha casa você receberia a recomendação de um banho frio. Dor de barriga, azia, febre, cansaço em geral.... um bom banho. 

Aprendi desde cedo que os banhos poderiam variar entre quente e frio, a depender do que você pretende curar, e podem ser rápidos ou demorados ... os rápidos são chamados de chuveiradas. As chuveiradas não exigem o uso do sabonete, servem apenas para jogar água no corpo, e eu acredito piamente que elas levariam embora o mal que nos afligem. Acredito realmente que as chuveiradas são calmantes, curadoras e relaxantes. 

Os poderes dos banhos alcançam níveis sutis em seus efeitos, eles são terapêuticos para a alma também. Crianças nervosas ou agitadas demais, falta de um bom banho. Crianças com dificuldade para dormir, ou resistindo ao sono : banho. Se você estivesse com raiva, triste, ansioso ou mau humorado : Banho! Criei meus filhos com muitos banhos. Ao acordar, banho. Muito agitado ou chegou na escola cansado, banho. Antes de dormir, banho. 

Meu marido ri das minhas recomendações de banho para tudo, eu replico dizendo que ele é europeu, e que europeus descobriram o banho quando descobriram o Brasil, e que se assustaram quando viram os índios molhados o tempo inteiro. Na crença dos europeus naquela época, os banhos poderiam fazer mal a saúde. Quem nasceu em país tropical sabe que sem eles, morreríamos. 


Gosto da água. Gosto de mergulhar, gosto de nadar, gosto de piscina e de mar. Não gosto muito de praia, ficar no calor, no sol ...isso não é muito minha cara, mas ficar na água, é. 

Sinto uma paz enorme quando estou nadando ou mergulhando. Gosto do som da minha respiração quando estou nadando ou mergulhando .... adoro o silêncio que encontramos dentro d'água ... gosto de fazer rituais pessoais na água ... de entrega, de limpeza, de renovação, de purificação .... 

O mergulho tem o poder de me levar a um estado meditativo. Encontro um estado de mente muito tranquilo e silencioso quando mergulho. Encontro o que mais se aproxima de um esvaziamento mental, quando mergulho. Mergulhar/nadar  e meditar são quase que sinônimos para mim.  Quem assistiu o filme "Imensidão azul" sabe sobre o que estou falando. A vontade é de mergulhar, mergulhar e  mergulhar  ....


então, se eu puder te dar um conselho ....

Tome um banho! 


terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Buda...Mahatma...fazer o que deve ser feito!


Muitos amigos escrevem querendo notícias de Judson, outros escrevem nos enviando dicas de livros legais pra ler, outros ainda nos mandam receitas de ervas e chás..etc.. Acho isso tão lindo! Criei uma pasta com essas informações, todas as dicas e livros... e vou passando pra ele...ele vai escolhendo. Nesse momento ele lê um livro chamado "Anticancer", e está gostando muito. Disse que esse livro vai ajudá-lo a mudar a alimentação e alguns hábitos e atitudes. Fico feliz.
Acredito do poder da nossa mente e da respiração. Sou uma professora de yoga, e realmente tenho essa experiencia. Poderia escrever muito sobre experiencias com a respiração e a meditação. Na verdade não está certo dizer que acredito nessas coisas, "Eu Sei". Uma vez perguntaram a Jung se ele acreditava em Deus, ele respondeu: "Eu não acredito, eu sei". Bom, eu sei do poder da meditação e da respiração.
Digo a Judson que o momento de tomar os remédios ou a quimio, é o momento de grandes meditações. Que ele deve visualizar esses medicamentos, sem rejeitá-los, entrando no seu corpo como energias luminosas e se espalhanso felizes por cada uma das suas células, e que essas células recebem abertas essa energia generosa que vem dos medicamentos; Digo pra ele que quando faz a inalação, que ele deve respirar aquele medicamento como se respirasse o sopro de Deus. que Deus está soprando em suas narinas algo muito sagrado que está entrando nos seus pulmões e curando-o; que a quimio quando goteja nas suas veias deve ser recebida como quem recebe uma seiva generosa e cheia de amor e energia curadora. Digo pra ele que a atitude mental dele pode dar um colorido todo especial a tudo que os médicos fazem. Que receber um remédio achando que é divino, faz uma diferença enorme de recebê-lo rejeitando-os, ou vendo-os como veneno.
Ne verdade essa atitude mental é a diferença na vida! A vida que temos é essa! Como disse ontem, não somos especiais, somos pessoas que vivem uma vida igual a de muitas outras pessoas, mas quando nos rendemos ao sagrado, a nossa vida fica muito especial. Nunca tive muita atração para o mágico, por isso mesmo me identifico tanto com o Budismo. Buda falou de forma muito pragmática sobre como devemos viver para rompermos com a roda do Karma que nos leva a tanto sofrimento, e nos ensinou como viver o Dharma, ou a nossa natureza. Buda falou de passos, de Verdades, ele não falou de mágicas, nem de sermos protegidos, nem muito menos de que existe um Deus para nos proteger se formos bons e uma pra nos castigar se formos maus. A doença não é um castigo, mas o sofrimento é próprio da vida kármica.
Eu tenho uma amiga, que amo muito, e que deve estar lendo esse blog, embora não tenha me escrito. Inge é uma dinamarquesa, que é baiana de coração, ela sabe até sambar (melhor qu eu!), nós passávamos muito tempo refletindo sobre karma, Dharma, Iluminação....temas budistas...adorávamos filosofar...e ela dizia que queria a iluminação e eu, brincando dizia, que não queria não, que gostava muito da minha vida.....riamos muito dessas conversas, que eram grandes brincadeiras, mas que sempre nos levavam a estudar o que Buda dizia.
Bom...continuo amando profundamente os ensinamentos de Buda, eles não tem nada de mágico, eles são práticos, falam da nossa mente e como tudo pode mudar a partir da forma como olhamos as coisas...ele fala de um caminho do meio...um caminho possível, já que apesar de ensinar sobre o Caminho, ele diz que o caminho não existe, que é construido a cada passo, a cada momento, a cada escolha que fazemos. Podemos errar e acertar...não existe pecados...existe cadeia de consequencias e Dharma. Continuo sem querer a iluminação, mas quero ter atitudes iluminadas, quero uma mente clara e cheia de luz pra fazer as melhores escolhas...quero que a luz brilhe através dos meus olhos e das minhas palavras...e das minhas mãos...
Bom...hoje dei a minha primeira injeção...apliquei injeção na barriga de Judson...lembrei do Mahatma e das minhas conversas com Inge...O Mahatma achava que deveriamos desenvolver autonomia, deveriamos aprender a fazer tudo que precisamos, que isso era uma condição para a liberdade...hoje dei uma injeção...seguindo o Mahatma, fiz o que devia ser feito....depois dei uma choradinha básica, mas tudo bem.
Acho que voltamos pra casa hoje! Vamos ver!
Namastê!
Ludmila Rohr