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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

VENDENDO SONHOS!



Hoje soube de uma tradição linda da infância aqui da Coréia e tenho que contar para vocês.
Me contaram que as crianças vendem os sonhos ...  e que os adultos os compram.

Vou explicar.
Algo bem simples... coisa de criança, mas eu me apaixonei por essa história.

Quando uma criança tem um sonho bom e conta para os pais, tios ou mesmo avós, eles pagam algum dinheiro, coisa pouca, o dinheiro na verdade não tem a menor importância. A tradição apenas manda que eles paguem pelo sonho. 

Ao compra-lo, o adulto carrega aquela sorte, aquela energia. É como se a criança tivesse trazido de algum nível superior uma energia de boa sorte! Quando algo de bom acontece à pessoa que o comprou, eles acreditam que a energia do sonho foi responsável. 

A mesma coisa acontece com os sonhos maus. 
Uma criança que acorda assustada por conta de um pesadelo e o conta para seus pais, ou adultos próximos, esses adultos costumam comprar esses maus sonhos. Com isso, eles pretendem livrar a criança daquele medo, daquela sensação com que ela acordou. Pagam em dinheiro pelo pesadelo... a criança feliz guarda seu dinheiro e livra-se daquele mau sonho.

Minhas colegas coreanas me contaram isso. Todas tinham alguma história de infância com seus sonhos. Todas lembravam de uma situação em que venderam seus bons ou maus sonhos.  Elas ficaram encantadas e surpresas pelo meu encantamento. Não imaginavam que isso seria uma novidade para mim. Elas tentavam me explicar que o dinheiro não tinha importância, temiam que eu pensasse o contrário. Entendi perfeitamente que isso não era importante. 



Acho que entendi a magia da coisa. 
Acho que entendi o encanto dessa tradição. 

Sonhava muito quando era criança. Tinha muitos pesadelos também. Tive sonhos tão marcantes na minha infância, que lembro de muitos deles até hoje com detalhes. 

Também lembro de várias vezes acordar chorando por conta de algum pesadelo. Passava algum tempo tentado imaginar o que era aquilo e por que sonhava aquelas coisas....

Sonhos bons e sonhos maus. 
Adoraria te-los trocado por magia.


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Minha caverna não me mete medo....

 Sabem quando nos deparamos com a sensação de que não conhecemos as pessoas com que nos relacionamos....? É uma sensação estranha...
Sempre que isso acontece, sei que na verdade, estou ME estranhando, não estou me reconhecendo...é como se eu me deparasse comigo mesma e não me reconhecesse. 

Acredito que o outro pode me espelhar, pode falar de mim. Os meus olhos vêem o que é possível ver. Enxergam na qualidade do que é possível para mim, então o que vejo tem mais a ver comigo do que com o outro..ou com o lado de fora..

Tenho uma boa intuição...tenho antenas que são muito sensíveis..consigo perceber com alguma lucidez a dinâmica nas coisas...por que sempre me treinei pra ver os fatos em sequência...encadeados...e nunca isolados... Sempre treinei minha mente pra perceber dinâmicas relacionais...ou seja, como as pessoas funcionam nas relações e como que as relações provocam mudanças nesse funcionamento. 

Isso é bem da Psicologia Sistêmica...gosto desse olhar, pois posso perceber o que eu provoco nas pessoas, e vice-versa. Elas não são necessariamente o que estou vendo...mas elas são assim na relação comigo. Esse olhar me coloca em um lugar de mais responsabilidade, posso ver a minha parte na história. 

Bom...esse é um momento específico pra mim...muitas datas importantes estão fazendo aniversário. Faço 47 anos em alguns dias, completo 25 anos de casada também e completo 1 ano morando em Houston. Além, claro, do próprio final de ciclo quando um ano se encerra.

Muitos ciclos se fechando ao mesmo tempo, percebem? Idade, casamento, mudança pra Houston e o ano de 2010! 

Tenho uma necessidade impressionante de ficar dentro de mim. Sou aparentemente extrovertida, porque tenho uma imagem de autoconfiança e o mundo externo não me invade, sinto que eu entro muito mais no mundo externo do que ele em mim, então, sou extrovertida. Mas adoro ficar dentro de mim...adoro e preciso muito de muitas horas em silêncio e meditação... Abrir mão disso é impossível....preciso ficar quieta, ter meus momentos diários de silêncio e meditação, em que fecho os olhos pra fora e os abro para dentro. Olho pra mim...não para o que sou ou preciso ser nas relações, mas para aquilo que sou de verdade..aquilo que sou no íntimo...aquilo que realmente sou.

Gosto de me deparar com os sentimentos, pensamentos, sensações, sonhos, idéias que surgem a partir daí... Me sinto fortalecida e centrada.... me sinto no eixo e "grounded"...enraizada...Essa sensação de enraizamento é vital para uma capricorniana...preciso sentir meu chão firme, e não espero que ele seja firme externamente, como algo imóvel,  mas que eu tenha uma sensação interna de firmeza e segurança, que saberá lidar com as modulações e turbulências externas.

Gosto de meditar. Meditar é um hábito antigo...ficar em mim....ficar comigo...

Estou bem...mas a minha caverna interna tem me convidado insistentemente para que eu a visite mais e mais...
será isso uma espécie de "inferno astral" por causa do meu aniversário que se aproxima? Bom...se é isso...gosto disso. 

Definitivamente, minha caverna não me mete medo.


Ludmila Rohr

P.S. na foto com um Sadhu na Índia...Ele vive a vida tocando e meditando....





segunda-feira, 4 de maio de 2009

Não quero nada pela metade!


Recebi um email que falava sobre o como nos acostumamos a receber tudo pela metade. Falava sobre o fato de que vamos nos acostumando a receber cada vez menos e achar que está bom. A medida que eu lia, meu primeiro movimento era de concordar com tudo que ali estava sendo dito. Já falei aqui outras vezes sobre o quanto eu desejo na vida. Já falei em outros posts sobre a minha falta de pruridos em assumir que quero sempre muito, ou que quero muito aquilo que quero, assumo também que sei que as coisas não contecem exatamente como eu quero, então sei que devo me preparar para as frustrações também.


As coisas nem sempre acontecem como eu quero, sei disso. O fato de meu marido estar travando uma batalha contra o câncer nos anos que poderiam ser, os melhores anos das nossas vidas, prova isso. Não temos poder sobre tudo, não temos poder sobre a maioria das coisas. Então quando falo sobre os meus desejos, não falo com uma visão onipotente, que tem todas as garantias, falo de um lugar de quem sabe que muitas coisas não estão sob a determinação da minha vontade, que existe algo muito maior, uma "vontade" muito maior que podemos não entender, mas teremos que nos render.


Assumir o que quero e que não quero pela metade, me leva a um lugar onde tenho que me implicar nos meus desejos na medida que els são importantes pra mim. Se não quero algo pela metade, também não posso estar pela metade, tenho que me implicar inteiramente. Tenho que me expor, tenho que me instrumentalizar, tenho que saber como chegar lá, tenho que descobrir caminhos e formas de alcançar aquilo que desejo e mais ainda, talvez a parte mais importante: não posso ter medo denão conseguir o que desejo e, muito menos de conseguir o que desejo.


Parece uma contradição. Como pode alguém desejar uma coisa e ter de medo de alcançá-la? Isso infelizmente é muito mais comum do que podemos imaginar. Muitas pessoas andam nas suas vidas como se estivessem com um pé no acelerador e a mão no frio de mão! Com medo, freiando...sem saber se querem mesmo que aconteça...com medo de ser feliz, de gozar as delicias de conseguir algo que batalhou muito! Outras temem tanto a frustração que se dão pela metade, como se isso garantisse uma frustração pelo meio também....pessoas que se contentam com metade das coisas, um parceiro mais ou menos bom, um trabalho mais ou menos bom, uma vida mais ou menos boa...um amor pela metade, sonhos pela metade...Ainda dizem que não tem o queriam , mas se contentam com o que a vida deu!


Contentamento e desejos parecem conflitantes, mas pra mim não são. Já escrevi sobre isso aqui também. Posso ser uma pessoa que tem contentamento ( e sou), mas que tem muitos desejos e metas, que tem muitos sonhos e aspirações.


Bom...acredito que somos feridos nesse caminho de busca pelo que desejo...acredito até que alguns pedaços são arrancados, mas acredito que não existe outra forma melhor de estar na vida, que não seja a de estar inteira, e isso significa: Consciente de mim! querendo os meus desejos realizados e me implicando inteiramente na realização dos mesmos....se eles não acontecem, posso chorar minhas dores até que elas acabem...chorar plenamente...e continuar....


Namastê!


Ludmila

P.S. Foto - sendo coroada por uma Deusa! rsrsrsrsr (Museu D'Orsay- Paris)