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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Celebração das Deusas


Acho que já devo ter dito aqui, algo sobre o quanto eu adoro meu trabalho e todas as possibilidades que tenho de realizar mil coisas com ele. Já fui empregada da empresa privada e não aguentei, já fui funcionária pública concursada e também tive que sair senão ía morrer. Como psicoterapeuta e professora de yoga posso fazer tantas coisas diferentes....tenho tantos interesses e descubro sempre que posso produzir coisas com esses interesses se eu usar além do meu conhecimento, minha criatividade. Por isso, não posso ter um emprego, tenho que ser "dona" de mim mesma e ter a liberdade que vem daí.

Ontem encerrei mais um grupo que chamo de "Círculo das Deusas". É um trabalho com um grupo de mulheres, que procuram através da compreensão dos Arquétipos das Deusas Gregas e de como elas estão presentes nas nossas vidas (ou não) nos apropriarmos mais dos nossos poderes femininos.

Voces não tem idéia de como eu amo esse trabalho! Eu realmente amo muito esses encontros! Eu normalmente nem me preparo (tecnicamente) para eles. Eu sinto que apenas preciso abrir meu coração para as mulheres que lá estão e deixar que cada uma delas revele seus poderes. Sinto que a única coisa que faço nesse trabalho é autorizar cada uma delas a ser cada vez mais quem elas são em essência, e liberar seus desejos, saberes e poderes.

Passamos dois meses descobrindo a nossa porção Afrodite e como a nossa sexualidade teve que ser freiada e envolvida em culpas e sentimentos de inadequação; fazendo as pazes com a nossa Hera que não tem pruridos com relação ao poder; encontrando a nossa Ártemis e descobrindo o nosso amor pela natureza e pela liberdade; reconhecendo a Athena que mora em nós e que nascida da cabeça do pai luta contra as injustiças e ama o seu trabalho; acolhendo nossa Demeter que é mãe amorosa e que pode ser mãe de nós mesmas, e finalmente, descobrindo que podemos mergulhar fundo nas nossas dores como Perséfone e resgatar a nossa integração nos recônditos mais profundos da nossa alma.

Ontem encerramos essa jornada de resgate, reverenciando a nós mesmas.... brindando às Marilyns, às Fridas, às Anas Carolinas, às Priscilas, às Elianas, às Dôras, às Julianas, às Ângelas, às Ludmilas e a todas as Marias, brindamos aos batons, esmaltes, strasses, brilhos, livros; celebramos as delicadezas das fábulas, à coragem das guerreiras, ao prazer das cortezãs....rimos regadas a um bom vinho, uvas e claro, que não podia faltar, com chocolates.
Brindamos por cada orgasmo que teremos, por cada amiga que ainda faremos, pelos livros que publicaremos, pelos beijos que daremos, pelos homens que ainda abrirão portas de carro e trocarão nossos pneus e que nos amarão... e terão coragem de dar suporte aos nossos desejos e embarcarem neles... brindamos pelos filhos, pelas mães, irmãs e amigas que temos...brindamos por todas as mulheres das nossas vidas conhecidas ou não, mas que nos compõem....e nos ajudam a ser tudo que podemos ser.

Obrigada minhas lindas amigas, alunas, clientes...obrigada mulheres que me proporcionam uma experiencia como essa, que me dá uma noção muito linda de mim mesma. Acho que já disse que gosto muito de ser mulher, que gosto muito de mim mesma e da minha vida, mas quero mais uma vez agradecer, dizer o quanto sou grata por voces me darem esse prazer de rirmos e chorarmos juntas, de abrirmos a nossa alma uma para a outra e descobrir que podemos confiar. Confiar em nós mesmas, nos nossos desejos, intuições e sentimentos.



Namastê!


Ludmila
P.S. Escultura que mais amei no Museu D'Orsay em Paris

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Se eu posso isso, posso qualquer coisa!


Vinte e um anos atrás, nesse exato momento que escrevo, eu estava parindo o meu primeiro filho e começando a viver a maior e mais incrível experiência da minha vida. Caio nasceu antes do tempo previsto, mas nasceu com 4kg, era um bebê enorme, gordo e eu o achava lindo, perfeito....ele era tudo! Era como se de repente nada mais no mundo tivesse importancia, eu só olhava pra ele, eu vivia pra ele...eu acompanhava com o olhar e com o coração cada movimento mínimo que ele fazia, cada ruido que ele produzia...eu estava completamente apaixonada e assustada com o tamanho daquela experiencia....eu acabava de completar 24 anos e tinha um bebê e, era pra toda a vida! Meu Deus! Como voltar a vida normal agora que Caio tinha chegado?

Bom....pra quem não conhece Caio..., preciso dizer que ele sobreviveu a esse excesso de mãe. Ele é um homem lindo e como já falei antes, um cara muito legal. Ele é um bom amigo e penso que um bom namorado também! E preciso dizer que eu também sobrevivi à maternidade. Consegui com o passar do tempo voltar a ser uma pessoa, uma amiga, uma profissional, uma colega... alguém com muitos interesses pessoais, consegui voltar a ser um indivíduo além da maternidade. Embora entendo que não passamos incólumes por essa experiência.

Normalmente acho um saco o discurso de mulheres que afirmam que a experiência da maternidade é algo mágico ou insubstituível, porque apesar de ser completamente apaixonada pelos meus filhos, eu nunca fui muito uma mãe estilo Deméter (Deusa grega da maternidade), eu sempre fui uma mãe Athena ou Árthemis...sempre valorizei a autonomia e independência deles, (discurso de uma mãe Athena) porém tenho que concordar, em parte, com a descrição fantástica dessa experiência.

A experiência de parir (normal) foi demarcadora na minha vida. A conexão que fiz com minha natureza animal foi algo que nunca antes havia experimentado com tamanha intensidade. Adorei parir. Senti uma força tão grande que vinha dentro de mim, que nunca consegui esquecer. Ao contrário do que muitas mulheres fazem, me entreguei a essa força e senti que isso era eu. Eu era forte assim! A primeira frase que disse quando Caio nasceu foi: Se eu sou soubesse que era isso, tinha uma filho por ano!; e a segunda frase foi: Se eu posso isso, posso qualquer coisa!

Bom....adorei parir, mas não tive um filho por ano, minha insanidade foi temporária, meu juízo voltou aos poucos, a medida que as noites passavam sem que conseguisse pregar o olho! Mas...a conexão que fiz com meu poder, essa não desapareceu. Sei que não posso tudo! Mas sei que posso muito! A experiência de conexão com esse aspecto animal, vísceral, que faz força, muita força e ajuda um filho a nascer, a vir ao mundo...essa eu não perdi.

Infelizmente as mulheres estão cada vêz menos querendo parir, elas têm medo dessa força e resistem a ela. Quando algo que vem com tanta força sofre resistência, a dor aparece. Não me lembro de sentir dor. Lembro de fazer força. Lembro que quanto mais força eu fazia, mais forte eu me sentia, e eu podia mais, cada vez mais...

Muitas mulheres não conseguiram ser mães, ou não quiseram viver essa experiência. Como não sou uma mãe tipo Deméter, acho isso completamente possível. Não acho que sou mais feliz ou plena, do que elas. O amor que sinto por meus filhos, é o amor que todos nós podemos exercitar....podemos viver esse sentimento de várias formas na nossa vida, mas a experiência de parir, essa eu acredito ser insubstituível...talvêz escalar o Everest, ou soltar de paraquedas...produzam uma sensação corporal semelhante...sei lá! e quando escrevo isso dou risada de mim mesma, pois esse é uma comparação típica de uma mãe Ártemis. Amei a experiência corporal de parir...sentir algo tão forte como as contrações de um parto, e além de sentir isso, poder me entregar a essa força.

Caio veio ao mundo em 88 e, de lá pra cá sou mais forte e mais feliz!
Obrigado meu filho!

Namastê!

Ludmila Rohr
P.S. Foto de Caio em Khajuraho na Índia em 2007!