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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Mudança interna...e mudança chegando..



Viemos morar em Houston no Texas, no dia 22 de dezembro de 2009, ou seja, quase 2 mêses atrás. Viemos no dia do meu aniversário. Quis isso. Escolhi simbolizar meu aniversário, com a mudança, desapego, renovação, recomeço...etc....

De lá pra cá muitas coisas aconteceram, e não posso negar que estou amando essa experiência. Essa é uma cidade incrível. Tudo é absolutamente organizado, espaçoso, grande...o Texas tem essa fama: Everything is big in Texas! Gosto disso. Sou espaçosa também!

As lojas são imensas, as ruas, as avenidas e os infinitos viadutos...os carros são imensos...as porções de comida...enfim..tudo é grande.

Bom...as coisas são baratas também, e eles vendem absolutamente tudo que voce nem sabia que precisava, mas no momento que conhece, não consegue mais se imaginar sem elas! Coisinhas que criam necessidades e que facilitam a vida, já que aqui temos que fazer tudo... cuidar da casa, roupas, comida.

Aqui temos que rever hábitos brasileiros de bagunçar as coisas, porque lá no Brasil, sabemos que alguém vai arrumar depois, aqui, o melhor é nem sujar, o melhor é nem bagunçar nada, porque voce terá que arrumar depois. Hábitos de praticidade vão sendo criados, e olha que eu sou uma pessoa extremamente prática, mas sem prática nenhuma com as coisas da casa que estou descobrindo agora. Confesso que estou amando aprender a cuidar da minha casa.

Bom...hoje estou aqui, esperando minha mudança que chega em alguns instantes do Brasil. Estou meio assustada, pois não consigo lembrar do que enviei pra cá, e mais assustada ainda, pois nesse exato momento, eu não preciso de NADA! Nada (coisas) me falta aqui!!

A reflexão que faço nesse momento é sobre o acúmulo de coisas que fazemos. Como é possível que há 2 mêses atrás, aquelas coisas que enviei lá do Brasil, serem extremamente necessárias, e 2 mêses após, descubro que vivo muito bem sem elas? Como essa questão das "necessidades" é delicada. Do que é que realmente preciso? O que é que me faz falta?

O Mahatma Gandhi foi eliminando suas posses, e no fim da sua vida, possuia 2 panos de algodão com os quais se enrolava, o livro sagrado Bhagavag Gita que ele lia todos os dias, o colchão que dormia no chão, duas tijelinhas onde colocava sua comida, chinelo e seus óculos. Eu mesma tenho lá na minha clínica uma foto desses pertences. Ele dizia que era tudo que ele precisava, e de fato devia ser mesmo.

Digo para meus alunos em muitas meditações que conduzo, que o que precisamos naquele momento, nós temos: ar em abundância para respirar e a terra para sustentar nosso peso. Isso é verdade! mas agora, minha casa será tomada por muitas caixas que estão vindo do Brasil, com coisas que provavelmente vou ficar muito feliz em rever, mas que certamente (sei disso) não necessito delas pra viver!

Bom...nesse momento de reflexão...receberei coisas que têm valor sentimental, mas que essas lembranças já estão dentro de mim e que não preciso de coisas pra lembrá-las; outras, descobrirei que não têm valor algum e que serão um estorvo aqui..enfim...são coisas.

De fato do que eu preciso para viver em qualquer lugar, é da minha mente lúcida e tranquila e do meu coração aberto. Assim farei amigos e com certeza, terei condição de resolver problemas que surjam e desafios que a vida me colocar....e como disse no começo, o símbolo dessa viagem desde o seu início, foi transformação, renovação e desapego...

Talvez, quem sabe? Eu descubra que muitas mudanças já aconteceram na minha vida nesses 2 mêses, e que nem preciso mais dessa "mudança"! Entretanto, estou aberta. Que venham as mudanças! Sejam elas, quais forem.

Ludmila Rohr

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Mudando para os EUA!


Passei 10 dias em Houston, grande cidade do Texas nos EUA. É pra lá que estou mudando com toda a família em dezembro. Fui encontrar Judson que já está lá. Fui escolher casa, móveis e tudo mais. Nossa vida em breve terá esse novo cenário.


Judson foi transferido para um projeto dentro da própria compania que ele trabalha, que está sendo detalhado em Houston, e lá é seu endereço agora.


Nunca pensei em morar fora do Brasil, ou mesmo em outro lugar que não Salvador. Adoro minha casa, adoro meu trabalho, adoro minha vida. Adoro acordar e dirigir olhando o mar, moro em frente a praia, nunca vou nela, isso é fato, mas adoro ver o mar...sentir seu cheiro.


Olho toda essa mudança por vários prismas. Tento perceber o que deixo aqui...o que perco, e o que encontrarei lá. É preciso fazer um exercício de desapego nesse momento. Tem sido fácil me desapegar de muitas coisas, mas de outras, não.
Tenho sofrido muito em deixar meus clientes e alunos. Isso tem sido o mais difícil pra mim. Ver a expressão de cada um deles que de alguma forma sentem que estão sendo abandonados, isso é duro pra mim. Normalmente choro quando penso nisso. Alguns não conseguem acreditar nisso, outros não conseguem conversar sobre isso. É uma separação que ninguém imaginou, e que tem sido dificil para os dois lados.


Tem os meus pais. Eles são queridos, e acho que sentirão muito a falta dos netos. Eles têm três netos, e dois estarão indo pra longe. Tem os meus funcionários, que são verdadeiros amigos, pessoas que trabalham comigo há muito tempo, e que me são muito fiés. Sentirei muita falta deles.


Amigos queridos ficarão aqui...mas não sou apegada a nenhum deles. Tenho vínculos tão fortes com alguns que sinto que nada mudará com esse afastamento. Tenho uma segurança interna grande, acho que realmente posso me afastar e voltar...e retomar minha vida aqui na hora que eu quiser ou assim for preciso.


Então eu começo a olhar pre frente!...e penso que essa é uma excelente mudança! Experimentaremos enquanto família algo muito legal. Morar em outro país, juntos. Meus filhos já moraram lá por um ano cada um, mas juntos, nós quatro!? Será muito bom! Poder estudar alguma coisa legal. Poder ir a shows, fazer viagens, assistir jogos da NBA (rsss, vi um e amei!), organizar nossas vidas, contar um com o outro...desbravar...enfrentar as dificuldades...sei lá!


Encontrei minha casa americana, ela é linda....é agradável e aconchegante. Moraremos em um lugar muito legal, perto do centro de Houston que é uma cidade grande e rica. Ela tem muitos museus, muitas coisas pra estudar...universidades, e claro muita coisa pra comprar! Acho que teremos uma vida de qualidade material muito boa.


Estamos animados e confiantes de que podemos fazer dessa experiencia algo emocional e espiritualmente rico! Estamos confiantes de que esse tempo fisicamente distantes daqui nos ajudará a crescer como pessoas. Não sabemos ainda como será, e nem poderíamos, mas temos sentido muita excitação com isso.


Farei 46 anos em dezembro, pela númerologia estarei em 2010 entrando em um ano 1, ou seja, estou saindo de um ano 9, fechando um ciclo. Bom momento para mudanças e recomeços. Depois de tudo que vivemos nesses dois últimos anos na luta contra o câncer, acho que essa sensação de recomeço, nos dá uma força enorme para seguir com o que vier a nossa frente!


A vida é surpreendente e definitivamente temos que nos colocar abertos para o que vier.


Sempre peço que a vida seja inteira pra mim, que ela venha e que eu possa estar inteira em cada experiencia!


Assim seja!


Namastê!


Ludmila


sexta-feira, 20 de março de 2009

Arrumando o guarda-roupa


Uma amiga me disse ontem que eu estou mudada.... que eu estou diferente. Imediatamente respondi, que pra mim parecia óbvio que eu estivesse em algum nível diferente, minha vida está diferente... e a vida tem me pedido muitas mudanças! Respondi que mudar é preciso, que se não mudamos, cristalizamos, enrijecemos....Mas em seguida parei pra refletir sobre o que ela estava falando, que mudanças ela estava sinalizando e se realmente eu estou mudada. Achei que minha resposta foi defensiva, rápida demais, ou teórica demais. Realmente espero mudanças constantes em mim, pois sempre procuro o crescimento... a necessidade de mudar é óbvia, mas não fiquei muito convencida de mim mesma. Quero sempre mudar, mas será que tenho conseguido?

O que será que está mudado em mim? Penso agora que não são muitas coisas, mas talvez sejam pequenas coisas que refletem em todas as outras. Minha crença de que a vida é agora, não mudou. Penso assim faz tempo...tem tempo que sinto no meu coração e corpo que não posso jogar fora nenhum segundo da vida, que não devo procrastinar decisões, nem pedidos de desculpas, nem demonstrações de amor; sei já faz tempo, que a vida pode ser simples, que existem coisas que nos fazem sofrer, mas que na verdade não tem importância alguma; sei também que os amigos valem a pena, que os sentimentos de verdade valem a pena, que meus sonhos valem a pena, que meus filhos valem a pena, que meu Amor vale a pena, sei que mergulhar para dentro de mim e descobrir coisas que as vezes nem gosto muito, vale a pena!... Tenho tentado estar atenta ao que vale a pena e ao que não vale a pena, e fazer boas escolhas sobre onde quero investir energia!

Acho que quando essa amiga falou que eu estava mudada, talvez ela estivesse falando do fato de que a cada dia que passa, tenho mais consciencia de que eu não quero mais nada na minha vida sobrando. Não quero acumular nada que não tenha um sentido, que não faça sentido, ou que eu saiba que não vai me levar a lugar algum... ela falou isso quando eu disse que precisava arrumar meu guarda-roupa, que precisava me livrar e doar muitas coisas que lá estão acumuladas e que não me servem mais. Servem pra alguém, mas não pra mim...não preciso guardar o que não me serve, não preciso ter energias paradas na minha vida.

Sempre gostei de arrumar guarda-roupa. Arrumar guarda-roupa é de um simbolismo imenso! Toda vez que arrumo o meu, me dou conta de que muitas coisas não estavam lá da última vêz! Como consegui comprar tantas coisas nesse tempo? Ou, quanto tempo tem que não arrumo meu guarda-roupa? Pra que guardar tantas coisas? Adoro fazer isso! Adoro sentir que poucas coisas que ali estão, realmente tem importância e que preciso de muito menos do que tenho! Arrumar guarda-roupa é uma faxina simbólica e concreta também! Sinto leveza ao me desfazer de tantas coisas acumuladas, ocupando espaço e paralisando energias... Sinto a leveza e felicidade imediatas que o desapego produz. Sinto no meu quarto e na minha alma.

Lembro imediatamente de uma cena na minha 1ª viagem à Índia, quando, em uma estação de trem em Jhansi, vi indianos esquálidos, carregando as nossas incontáveis e pesadíssimas malas... senti naquele momento muita vergonha de carregar tantas coisas. Pensei que eles, os carregadores, deviam estar perplexos com a quantidade de coisas que tínhamos. Pensei que provavelmente o conteudo de apenas uma daquelas malas, seria equivalente a tudo que eles juntos possuiam durante toda uma vida! E o que é pior...pensei que além de acumularmos tanto peso, ainda queremos que alguém carregue por nós! Senti tanta vergonha naquele dia que chorei.

Bom acho que não mudei muito, mas de qualquer forma.....vou arrumar meu guarda-roupa e me livrar de algumas coisas que não fazem mais sentido!

Namastê!

Ludmila Rohr
P.S. Carregadores das nossas malas na estação de trem em Jhansi na Índia.