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domingo, 29 de janeiro de 2012

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO!

Nunca cansarei de dizer que cada dia que tenho vivido aqui na Coréia tem me deixado extremamente encantada! Alguém no twitter me perguntou se eu já conseguia ver coisas ruins nesse país, minha resposta foi que ainda estou muito apaixonada para vê-las. Sei que elas existem, não sou uma "Polyanna", longe disso, mas assim como quando morei nos EUA, meus olhos preferiam ver o que me encantava, aqui na Coréia, eles tem funcionado do mesmo jeito. Acho que sou uma pessoa apaixonada. Sofro da doença do encantamento. Espero que não tenha cura para esse "mal".

Seul é uma cidade imensa, e como já disse aqui, esse país renasceu das cinzas e muito rapidamente, por isso mesmo, quando contextualizo historicamente esse país, meu encantamento chega a níveis mais elevados ainda. Esse é realmente um mundo novo, dentro de um muito antigo.

Hoje quero mostrar pra voces mais alguns detalhes desse país incrível.

Robô recepcionista 

Tinha que fazer uma consulta médica. Dentre a lista de clínicas e hospitais que nos foi oferecido, escolhi um hospital Universitário porque eles diziam tinham médicos que atendiam em inglês. Pegamos o metrô (não tenho carro pela primeira vez na vida desde os meus 18 anos e não sinto falta), e chegamos facilmente ao local.
Chegando na recepção fomos surpreendidos por essa robô recepcionista. Gente, ela é linda!!!!! Olha nos olhos da gente enquanto fala, se mudarmos de posição os olhos dela nos acompanham! Ela oferece as primeiras informações sobre os serviços do hospital.

É claro que fiquei parecendo uma abestalhada tirando fotos da robô! Os coreanos passavam tranquilamente, mesmo os idosos, ninguém se espantava ou se surpreendia com ela, mas eu estava boba. Completamente boba. Mas me digam se vocês não ficariam também?  Admirável Mundo Novo!




Mas esse mesmo hospital conseguiu me encantar ainda mais, não só pela pontualidade do atendimento, nem pela qualidade dele, mas pelo que vi em seguida: Música clássica ao vivo para todos que ali estivessem. 

Pessoas que esperavam consultas ou faziam vistas, pacientes carregando seus soros e de roupas de internamento, todos sentados ouvindo música de qualidade e ao vivo!

As pessoas aplaudiam ao término de cada peça. Gente, me digam se isso não é lindo??? Me digam se isso não é absolutamente incrível? O mesmo hospital que lida com tecnologia avançada, lida com aspectos da alma que só a música acessaria de forma curadora. Não é pra se apaixonar? Admirável Mundo Novo!




cinema 4D
Uma informação que talvez vocês não tenham é de que a Coréia produz cinema de qualidade. Eles sempre estão exibindo em suas salas, as produções nacionais. Infelizmente pra mim, elas são inacessíveis devido ao idioma. Entretanto quando eu voava dos EUA para cá, pude assistir um filme coreano no avião já que tinha legenda em Inglês, e posso garantir, eles não são amadores, nem muito menos histriônicos como os indianos, eles fazem cinema que agradaria a qualquer público do ocidente.

Fomos ao cinema em um mega shopping center como em qualquer país ocidental, e lá soube que eles tem salas 4D. Devo ser a pessoa mais abestalhada desse mundo, mas eu nunca soube que essas salas existiam e nem fazia idéia do que era isso.

A sala 4D oferece sensações junto ao filme. Além dos efeitos tridimensionais que já estamos acostumados com os filmes 3D, a sala 4D tem cheiro, vento, muda a temperatura de acordo com o filme, as cadeiras balançam te levando a sentir o movimento que está nas telas ... ou seja, um loucura. Admirável Mundo Novo!



Os metrôs são para mim um grande motivo de inveja. Morro de inveja do Sistema Público de Transporte da Coréia. Metrôs que atendem 100% da cidade, com estações lindas, confortáveis e seguras me matam de inveja. Queria que Salvador tivesse 1/10 do que eles tem! 

Cada vez que pego uma linha de metrô diferente descubro estações que me impressionam. Vejam essa estação da foto. São lindas ... na maioria delas é possível encontrar cafés, Shoppings Undergrounds e mercados... elas são limpas, imensas e nos revelam uma Seoul underground. Seul existe em cima e embaixo, essa é uma constatação incrível. Temos duas cidades para conhecer, e as duas são lindas.

Admirável Mundo novo.

Estou apaixonada, é verdade. Sei que eles tem problemas importantes nesse país. Eles estão preocupados com os níveis crescentes de casos de "bullying"nas escolas, que é resultado de uma juventude extremamente competitiva. Eles precisam colocar os estudantes para fora das escolas porque os alunos simplesmente não querem parar de estudar. O nível de suicídio entre jovens aumenta, devido a dificuldade em lidar com o fracasso e as cobranças. Acho que existe um "gap"grande entre os velhos coreanos que viveram a pobreza e a miséria pós-guerra e a juventude que nasceu em um país rico e próspero. Isso provavelmente constitui um problema social aqui, mas para mim....uma estrangeira encantada...nada consegue diminuir meu encantamento e só aumentam as minhas questões com os caminhos sócio-econômicos do nosso Brasil.

Porque eles chegaram aqui e nós não? Alguém sabe responder?

Ludmila Rohr

domingo, 3 de abril de 2011

Ó paí, ó!!!

 Tô indo pra Salvador. Mais uma vez tô indo ver meus afetos...minha cidade, meus  lugares amados...
Em algumas horas embarco. Estou excitada com isso.
Essa não foi uma viagem planejada, foi decidida em cima da hora, foi decidida na emoção.
Não estou indo para trabalhar como nas outras vezes, embora como uma boa capricorniana, eu vá trabalhar também.
Tenho uma pequena agenda de trabalho no Espaço Mahatma Gandhi, já que essa será uma viagem de apenas 10 dias. Vou atender no consultório, vou dar duas palestras e farei Círculo das Deusas, mas na verdade estou indo pra ver meu pai. Deu uma saudade apertada dele. Ele perdeu seu irmão mais velho nesses dias, ficou triste...e meu coração apertou..Preciso vê-lo. Quero muito vê-lo.

Preciso ver meu filho. Na verdade essa não é uma necessidade..apenas quero muito. Poderia esperar até junho quando terei que ir ao Brasil mesmo, mas não consegui esperar. Tô indo agora...

Foi interessante organizar essa ida, comprar tudo que amigos e pessoas queridas me pediram daqui...me diverti fazendo isso. Levo uma listinha de coisinhas do Brasil que os amigos daqui pediram pra trazer. 
Aqui nos EUA, tive que comprar de chocolate Kit-Kat, Beef Jerky e chiclete Big Red, a máquina fotógráfica e perfumes...do Brasil trarei farinha de tapioca, carne de feijão, óleo de copaíba, alfazema...e café. Não é uma delícia?  Amei isso.

Na verdade, penso que poder ir no Brasil é uma delícia, mas sentir saudades de forma gostosa e sem grandes  sofrimentos, é um mérito.  Claro que tem dias aqui que sinto uma tristezinha...mas isso não é comum...o meu comum é estar bem. Sou aqui, como era no Brasil, uma pessoa de bem com minha vida e com meus dias.

Estou indo ao Brasil...estou indo a Salvador...minha cidade querida..onde cresci , me criei...tive meus filhos e os criei. Fico feliz de ter essas raízes...sou feliz e orgulhosa de ser baiana. Sempre acho que todo baiano é orgulhoso de ser baiano..e quem é de Salvador, ainda mais... Pode ser uma brincadeira da minha mente isso, mas é assim que penso. Ser baiana de Salvador é como nascer com um "plus". (rsrsrsr)

Bom....me despedindo...saindo para o aeroporto...e já com saudade de Houston...essa é uma cidade muito especial. Gosto muito de morar aqui. Em 10 dias estou de volta.., mas pelos próximos 10 dias, estarei na terra em que se fala "mainha e painho", que se exclama "afemaria" e "oxente", estarei na cidade que tem o melhor acarajé do mundo (é a única) , estarei na cidade que vende picolé Capelinha de tapioca e de "mindoim", vou tomar água de côco na praia e comer "bolinho de estudante"... Estarei numa cidade que se diz "aonde??" quando se quer dizer não, e se "Ó paí, ó" sem precisar ser em filme.

Amo Salvador e é pra lá que tô indo...

Beijos

Ludmila Rohr
P.S. Quem estiver por lá nesses 10 dias, vá me ver no Mahatma. Darei palestras abertas!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Impunidade NÃO!

 Estou chocada com as imagens do que aconteceu em Porto Alegre (cidade no sul do Brasil) com os ciclistas do movimento "Massa Crítica" que faziam uma "pedalada" pedindo menos carros e mais bicicletas nas ruas. Manifestação que deveria ser marcada pela descontração, leveza e alegria. Pessoas de todas as idades. Tudo parecia que seria mais um encontro de pessoas que buscam e desejam mais qualidade para suas vidas..até que foram interrompidas por um ato de extrema violência. Foram atropeladas de forma estúpida e inesperada por um motorista violento que usou seu carro como arma e como forma de descarregar sua ira, amparado pelo sentimento de impunidade que sustenta atos dessa natureza no nosso país.

Bom..o resto acho que todos viram ...o desenrolar horrendo desse evento, provavelmente está fresco na memória dos brasileiros..., já que aconteceu na última sexta (dia 25/02), e espero que continue vivo até que se faça justiça em um país acostumado a impunidades.

Refletirei sobre CIVILIDADE e IMPUNIDADE nesse post. 
Quando me mudei para os EUA, não estava a busca de nada, muito menos querendo deixar algo para trás. Não vim morar aqui por que não queria morar no Brasil. Adorava minha vida no Brasil. Confesso que sinto falta dela. Meu marido foi transferido, então aqui estou e nem sei por quanto tempo. Já que aqui estou, decidi que ia conhecer essa cultura e esse país.

Muitas coisas me chamaram atenção. Algumas pelo aspecto negativo. Não gosto da forma defensiva e pouco tolerante que as pessoas se relacionam aqui. Acho que falta intimidade, acho que os americanos são normalmente "protocolares", "by the book". Não suporto muitas questões relativas ao consumo exagerado, ao gasto absurdo e desnecessário de energia e o profundo desconhecimento que eles tem a respeito do mundo. Poderia fazer uma lista de coisas que não gosto aqui...

....mas também posso fazer uma imensa lista do que realmente admiro nesse país...

O trânsito foi o meu primeiro motivo de encantamento. Moro em Houston, cidade imensa e sem um serviço abrangente de transporte público. Os texanos amam carros, eles tem carros imensos, eles vão em seus carros para todos os lugares. Carro ocupado por duas pessoas, já é considerado "High Occupation". Eles amam estacionamentos imensos e vagas enormes... Ninguém quer ir a um lugar que não tenha vaga para seu carro.  Pensar em uma cidade assim é pensar em engarrafamentos enormes e trânsito louco, com meu "back ground" brasileiro, essa seria a conclusão lógica. Mas, não é isso que vemos...

O trânsito é organizado e as pessoas seguem as regras. Elas param no "Stop Sign" e só avançam por ordem de chegada. Se uma semáforo quebra, por incrível que pareça para mim que sou brasileira, essa regra funciona, mesmo em horário de "rush". Os motoristas não invadem sinal, não buzinam, e não ultrapassam pelo acostamento. Não acho que eles sejam bons motoristas, muito pelo contrário, acho que eles são péssimos. Tenho visto batidas tão idiotas que jamais existiriam com motoristas brasileiros. Mas, eles respeitam regras. Eles temem a punição que certamente viria após o descumprimento delas.

Eles não são superiores a nós brasileiros, mas certamente respeitam muito mais suas próprias regras do que nós. Regras criadas por eles mesmos para facilitar a vida em grupo. Quanto maior o grupo, mais regras são estabelecidades, e quebrá-las significa ameaçar toda a existência desse grupo, ou o banimento dele. Como ninguém quer ser banido ou extinguido, preferem respeitar as regras.

Quebrar regras aqui na minha cidade (Houston), significa ir preso. Sem atenuantes. A lei oferece para alguma regras de trânsito ao serem quebradas, o benefício do pagamento de multas, que são revertidas para o bem daquele grupo, mas em outros casos, a prisão e a suspensão/perda da licença é o resultado.

Percebi rapidinho que seguir regras de trânsito em Houston traz uma ótima sensação de segurança. Nunca me senti uma otária por ficar em filas esperando minha vez, porque vi motoristas impacientes serem multados logo após "furarem" uma fila. Nunca me senti ridícula por ficar presa no engarrafamento enquanto o acostamento está completamente livre, pois é fácil perceber a punição rápida pra quem comete um delito dessa ordem. Nunca me senti boba, por manter minha velocidade nos 30, 40, 50 milhas por hora, como mandam as placas, porque cada vez que alguém me ultrapassou com velocidade acima do permitido, vi minutos depois seus carros sendo parados por algum carro de polícia um pouco a frente.

Muitas vezes, no Brasil, me senti sendo punida por estar sendo correta. Muitas vezes me senti "a otária" por fazer o que mandam as regras; por muitas vezes me senti "a babaca" por fazer o certo. Quem ia pelo acostamento se "safava" de quilômetros de engarrafamento e nada lhe acontecia, enquanto que eu perdia horas por não querer fazer o errado.

Descobri morando aqui em Houston, que no Brasil, a SENSAÇÃO de IMPUNIDADE criou uma geração de pessoas que destroem a si mesmas. Elas perdem a civilidade, transformam-se em monstros. Monstros que matam, destroem, violentam e roubam sem nenhum problema com suas consciências, muito menos com  algum tipo de punição que possam vir a sofrer.

Os nossos governantes fazem isso. Os nossos políticos e juízes também. Os nossos jovens e os nossos velhos. A impunidade afeta todos aqueles que NÃO se amparam em suas consciências. Eles são deuses destruídores que ferem e matam com a certeza de que NADA acontecerá contra eles.

Precisamos dizer NÃO ....precisamos acabar com a IMPUNIDADE!!!
Precisamos dizer IMPUNIDADE NÃO!

Gostaria de acreditar que esse crime do Rio Grande do Sul será investigado com critério e punido conforme a lei, mas infelizmente, não acredito.

Ludmila Rohr









quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Happy Thanksgiving, e o Rio?

 Hoje é feriado aqui nos EUA. É o Thanksgiving Day. Dia de agradecer. Acordei disposta a entrar no clima desse feriado norte-americano. Dei uma lida na história desse dia e de como ele foi se tornando um feriado importante para os estadosunidenses.

Gosto de vibrar gratidão, então pensei que seria muito fácil entrar nesse clima. A gratidão é um sentimento tão forte em mim que pensei que seria muito fácil permanecer com ele o dia inteiro.

Costumo dizer que Gratidão é o sentimento mais prazerosos para o corpo, ele é confortável. Toda vez que vibramos na sintonia da gratidão, nosso corpo relaxa e produz uma sensação confortável de prazer. Nada que pareça com a sensação corporal de um orgasmo, ou da paixão...ou mesmo até da alegria. A gratidão é confortável como um cobertor quentinho em dia de frio, ou um banho refrescante em dias de calor. As pessoas felizes, são necessariamente pessoas gratas, e as infelizes, com certeza são aquelas que não conseguem ser.

Pois é..acordei assim...tocada e conectada com essa vibração, e resolvi escrever sobre isso, até que liguei o computador e me deparei com a situação no Rio de Janeiro. Cenas chocantes, polícia, traficantes, uma verdadeira guerra ao vivo..sendo transmitida para a mundo. 

Na mesma hora, meu corpo ficou tenso..meu coração apertou...minha respiração deu uma travada..a desconfortavel sensação do medo e indignação me tomou. Indignação e apreensão..sentimentos que me trouxeram de volta pra o mundo real e duro que o Brasil vive agora.

Estou aqui tentando agradecer pela vida e pensando naquelas pessoas com seus filhos e seus velhos que moram nessas favelas agora.

Estou aqui tentando agradecer por minha mente lúcida que pode distinguir o bem e o mal, e pensando nas pessoas que estão em pânico no Rio nesse momento.

Estou aqui tentando agradecer pelos meus filhos lindos e saudáveis, e penso nas mães desses traficantes que não tiveram nenhuma chance de educá-los. Sem querer associar pobreza a marginalidade, pois marginal rico é o que não falta, assim como pessoas do bem que cresceram na maior absoluta pobreza. Entretanto, mãe é mãe. Penso nas mães dos policiais que sabem ter seus filhos em uma verdadeira guerra.

Estou aqui no meu conforto pensando em agradecer por isso e pensando nos moradores trabalhadores e do bem, que vivem nas favelas que estão sendo ocupadas pelos traficantes e pelos policiais e que são reféns dessa situação caótica.

Queria tanto hoje só agradecer...queria tanto hoje só falar de coisas lindas...do Amor, da Vida...essas coisas...mas só consigo pensar que a vida é muito dura nesse momento para as pessoas que vivem nas favelas do Rio e que torço muito para que os danos sejam os menores possíveis, e que as autoridades possam perceber que a Impunidade é o grande mal do nosso país,...com nossos políticos corruptos, com nossa sociedade rica que mantém o tráfico vivo, com a justiça lenta  que permite que criminosos estejam nas ruas... Sociedade sem educação e onde a impunidade é comum, não vai pra lugar algum!

Happy Thanksgiving!

Ludmila Rohr

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Quem é o povo brasileiro?

 Essa semana foi diferente. As eleições aconteceram..eu não votei, já que transferi meu título para Houston..fiquei de camarote vendo as coisas acontecerem, e não gostei de muita coisa que vi. Isso não tem nada a ver com o resultado das eleições. Não acredito em políticos. Nem ao menos acredito no "poder" deles... Sempre acreditei no povo..nas pessoas... 

Não suporto política e nunca achei que mudança alguma em um país se desse por causa de um político ou outro, ou mesmo graças a um partido ou outro. Acho que as mudanças sempre acontecem a partir do povo, os políticos apenas as reconhecem. Daí a minha tristeza.

Dilma sendo eleita, ou se Serra tivesse sido, para mim, (acreditem) não fazia a menor diferença. Nunca me dei ao trabalho de analisar as propostas de  nenhum dos dois. Podem me chamar de alienada, mas é verdade.

Eu gosto de pessoas. Sempre olhei mais para as pessoas, do que para seus discursos. Sempre olhei e acreditei mais no que seus corpos falavam, do que nas suas falas. Sou psicóloga...e tenho o vício de tentar ver as pessoas através dos seus movimentos corporais...do tom da sua voz, do brilho dos seus olhos.. E na campanha, nos debates..nenhum dos dois se pareciam pessoas, eram personagens, eram algo estranho...menos pessoas..então, não votaria em nenhum dos dois.

Entretanto a campanha presidencial revelou um povo com um comportamento cruel, xenófobo, racista, maniqueísta, homofóbico, preconceituoso, esperto (no pior dos significados), um povo disposto a pisar no seu igual...triste...muito triste...

Lembrei daquele livro..O Senhor das Moscas, em que amigos se transformam em inimigos por causa da sua sobrevivência e perdem a humanidade, lembrei de guerras recentes no leste europeu em que pessoas que antes eram vizinhos amigáveis, viraram inimigos por causa de suas diferenças étnicas. Pensei em como podemos ser sombrios e cruéis quando nos sentimos ameaçados.

O mesmo pessoal que reclama de roubalheiras no governo, de corrupção e tudo mais..é o mesmo que queria matar nordestinos, que acusou Dilma de ser "lésbica" (como se isso fosse uma ofensa), que se comportou de forma religiosa-fanática,.....É o mesmo povo que fura filas no trânsito, que invade sinal vermelho, que não respeita a faixa de pedestre, que dirige após beber, que não se intimidaria em não pagar impostos corretamente, que não se intimidaria em se apropriar do que não é seu se pudesse, que descuida dos idosos, dos animais, da natureza...Esse povo que "ESPERA" que algum governante resolva seus problemas, de fato não se enxerga de forma adulta, não percebe sua participação pessoal no estado que o Brasil se encontra.

Por isso, meus queridos conterrâneos, pra mim não interessa quem irá governar...por que seus governados serão os mesmos..e assim que tiverem chances de "se dar bem" , o farão! 

Adoro ser brasileira, nasci e vivi aqui minha vida toda...mas tenho vergonha da "esperteza" que faz parte da nossa cultura. Se tem um ditado popular que ODEIO e que descreve tanto essa característica do brasileiro é:  "Farinha pouca, meu pirão primeiro."

Enquanto pensarmos assim, nunca teremos como mérito, um presidente como o Mahatma Gandhi. Teremos que nos contentar com o reflexo do que somos e temos sido, pois isso é o que os nossos governantes são!

Ludmila Rohr

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Já tô chegando....


Estou no período que antecede minha primeira viagem ao Brasil desde que vim morar aqui em Houston, nos EUA. Estou excitada. Experimento um misto de apreensão e excitação. É inevitável refletir sobre o "estar aqui". É impossível não avaliar a minha vida aqui, quando estou prestes de ir ao Brasil.

Gosto da minha vida em Houston. Gosto de estar com minha família. Nunca tivemos tanta chance de estarmos juntos como aqui. Gosto de conhecer coisas novas, lugares novos...a cidade é linda, organizada, moramos em um lugar muito legal e temos acesso a coisas muito legais. Fazemos pequenas viagens e já fomos a lugares bem interessantes.

Quando estou dirigindo aqui em Houston, penso que não suportarei viver a falta de educação do trânsito da Bahia, que não suportarei viver a desorganização das coisas lá e da ineficiência dos serviços e de tudo mais, entretanto não é bem assim...amo a minha casa...o Brasil é minha casa...a Bahia é minha casa.

Aqui no Texas existem alguns grupos, e por incrível que pareça, não pertenço a nenhum deles. A população do Texas é composta pelos brancos (que são os americanos de pele clara), os afro-americans (pretos que nasceram aqui), latinos (pessoas que falam espanhol) e asiáticos, árabes, indianos, muçulmanos... 


Enquanto estou calada, parece que pertenço ao grupo dos brancos...mas, quando falo alguma coisa, descubro que não sou de grupo algum...sou alguma coisa que eles não sabem exatamente o que é, nem eu! Acho que gosto disso...combina com minha natureza libertária, meio rebelde...meio transgressora...

Sou latina, eu sei. Mas ser latino para eles significa falar espanhol. Os latinos vivem aqui falando espanhol, eles não precisam falar inglês (são 30% da população). Quando falo, sabem que o que falo não  é espanhol, mas não sabem o que é. Perguntam se falo francês...perguntam de onde eu sou...me divirto.

Bom..essa questão até agora não é um problema para mim. Não tenho questões importantes acerca de pertencimento, ou algo parecido. Estar aqui e não pertencer totalmente a esse lugar não me causa desconforto, não abala minha auto-estima, muito menos me coloca em um lugar de inferioridade, mesmo porque não tenho essas questões em mim, muito pelo contrário, me sinto sempre com direito de estar onde eu estiver.

Tenho experimentado uma sensação muito boa de segurança e de centramento que só pude experimentar por estar fora da minha zona de conforto. Tenho experimentado na prática algo que achava ter conquistado e que de fato acho que conquistei. Uma sensação de ter um lugar dentro de mim que é perene, que é meu, estável, constante. Uma sensação de que posso estar em qualquer lugar, que irei fazer amigos e que irei encontrar uma forma de ser útil e de servir...e acreditem, ser útil é vital para mim.

Tenho uma sensação boa de que posso, mesmo aqui nos EUA ou em qualquer outro lugar, mesmo não pertencendo a esse lugar, fazer coisas legais para alguém. Penso assim porque sempre acho que o que tenho dentro de mim tem muito valor e serventia, e que sempre existirá alguém em algum momento que vai precisar do que eu tenho, e que eu estarei aberta para dar.

Entretanto, apesar dessa sensação, fico muito feliz de pensar que vou ao Brasil. Não vou passear, vou trabalhar. Vou rever os amigos que amo e vou estar no Espaço Mahatma Gandhi (www.mahatmagandhi.com.br), que é certamente o lugar que mais gosto de estar no planeta, além da minha casa. 

Estar no "Mahatma" pra mim, é estar num lugar muito especial...Penso nos clientes, nos amigos, nos alunos...as vezes chego a pensar que não preciso realmente de nada no Brasil que não esteja ligado ao Mahatma. 

Vou dar aulas de yoga (morro de saudades), vou atender no consultório, vou fazer workshops para Mulheres, vou TRABALHAR!!! 

Bom...preciso confessar que nessa viagem me permitirei muitos prazeres sensoriais e da alma. Quero comer acarajé da Cyra, moqueca de camarão com vatapá do Yemanjá, quero tomar uma cerveja com minha amiga Ana Teresa, quero ouvir muitas histórias de Juliana, quero abraçar minhas irmãs, quero contorcer meu gato, quero ver meu cachorro pulando nas minhas pernas, quero gritar por Marinalva e tomar seu cafezinho, quero que Ane Rose me dê ordens,  quero ver o mar....quero ver essa bagunça que me encanta e que me pertence também.

ai que saudade tenho da Bahia...
Toda menina baiana tem um jeito que Deus dá...

Já tô chegando....
Afemaria!


Ludmila Rohr
P.S. minha agenda em Salvador já está disponível na secretaria do Mahatma (71) 3248-7533



segunda-feira, 29 de março de 2010

AFEMARIA!!!!

Sempre ouvi essa história sobre brasileiros que moram fora do Brasil, e que se emocionam toda vez que escutam ou veem qualquer coisa relativa ao nosso país. Nessa última sexta, fomos ao show de Gilberto Gil aqui em Houston. Estávamos super animados...compramos nossos ingressos com antecedência. Gil...além de brasileiro é baiano!! Afe!!! ou seja, minha casa, minha adolescência, minhas memórias...afemaria!

O primeiro impacto da noite foi o teatro! Afemaria...coisa linda! Imenso (como tudo no Texas), magnífico...demais! O segundo impacto foi a quantidade de pessoas falando português juntas aqui nos EUA. Afe! Nem dava pra lembrar que estávamos longe do Brasil! Acho que todos os sotaques estavam lá representados. O terceiro impacto foi a quantidade de americanos!! Muita gente daqui foi ver Gil! Não era um show para saudosistas brasileiros...ele falava em Inglês e prestigiava seu público! Era um show de um grande artista cujo público ultrapassa as nossas fronteiras.

...e por fim...Gil!

Ele do alto da sua experiência e maturidade! Simples, como só os bons podem ser. Simples, como só aqueles que sabem o que fazem podem ser. Claro, límpido...ser artifícios...como só um artista experiente pode ser! Ele...de branco...com o violão...ele, Gil...tranquilo e animado...com toda sua baianidade...lindo!

Acompanhado apenas por dois músicos (um deles o próprio filho). Ele, Gilberto Gil.

Perguntou quem tava com saudade da Bahia? Gritei: EU!!! ele responde: eu também!

Anunciou que ia cantar Caetano. Eu gritei: Afemaria!!!

canta...canta ...
até que vem: Andar com fé eu vou...que a fé não costuma faiá!!

É verdade, a fé nunca faia. Afemaria!!!!


sábado, 20 de fevereiro de 2010

RESPEITO É BOM E É CURADOR!


Sou uma pessoa pragmática!
As coisas, pra mim, precisam funcionar. Eu acredito no que funciona!
Já testei a funcionabilidade de muitas coisas subjetivas e sobre as quais as pessoas fazem referencia com não sendo pertencentes à vida prática, por exemplo:
Já testei a funcionabilidade de uma expressão genuína de amor em momento de raiva. Funciona!
Já testei a tolerância e a não-violência, elas funcionam!! É comum desarmarmos discursos violentos com a prática da não-violência.

O Mahatma Gandhi escreveu sua autobiografia que se chama: "Minha vida e minhas experiências com a Verdade!"..ele era um pragmático, e testou a funcionabilidade da VERDADE (Satyagraha) e da NÃO-VIOLÊNCIA (Ahimsa)..ele testou de forma intensa e desenvolveu a certeza interna (convicção) de que elas funcionam!

Não sou uma pessoa crente de graça! Preciso acreditar que as coisas funcionam para de fato acreditar. Sou assim. Se elas funcionam, eu acredito como ninguém. Talvez não pratique tanto, mas acredito. Assim é a minha FÉ! Assim é a minha religiosidade.

Hoje eu estava me preparando pra escrever pra voces e contar como foi meu primeiro trabalho aqui nos EUA, meu primeiro Grupo de Mulheres, mas algo aconteceu no Brasil que me deixou muito louca de raiva! Meu lindo e muito querido amigo Gustavo, que luta contra uma segunda recidiva de um câncer, lá na Paraíba, teve sua cirurgia adiada mais uma vez.

Eles souberam na véspera da cirurgia, que ela não iria acontecer. Qualquer um que já teve alguém próximo vivendo uma situação como essa pode entender sobre o que eu estou falando. Quem nunca viveu algo assim, pode ser empático nesse momento e se dar conta da quantidade de emoções que são envolvidas numa luta como essa. Voces podem imaginar o que ele vive, ou o que sua mãe, que é uma guerreira, vive!

Tiramos forças do fundo na nossa alma, pra lutar contra o câncer. Eu sei disso. Tentamos manter as esperanças em alto nível, porque ainda nos dizem que isso é importante para a cura acontecer! Mas...quando algo assim acontece, o que fazemos com os nossos pensamentos de raiva, indignação e revolta? Ainda dizem: que esses sentimentos fazem mal (e é verdade), mas o desrespeito e o descaso fazem mais mal ainda.

Abro o jornal (virtual) do Brasil hoje, e ainda existem notícias sobre carnaval...Ivete, escolas de Samba..mulheres nuas e BBB!!! É inacreditável, mas nesse momento, a cirurgia de um rapaz extremamente inteligente, de 23 anos e que cursa o Mestrado em computação...e que foi adiada por um sistema que se acostumou a desrespeitar a vida humana...não tem a menor importância! O que importa é o saldo do carnaval e o BBB!

Muitos rapazes, moças, crianças, pais e mães morrem nesse país que se acostumou a desrespeitar e a ser desrespeitado! Essa minha postagem nesse blog, provavelmente não terá repercussão alguma...ninguém vai comentá-lo...ninguém vai saber do Gu...

Algumas pessoas disseram para a mãe dele pra ela se conformar, pois Deus quis assim e que a cirurgia vai acontecer em outro dia, ou quando Deus quiser. Não quero questionar a Fé de ninguém, mas preciso dizer que ESSE NÃO É O MEU DEUS. O meu Deus é sinônimo de justiça e respeito. O meu Deus me diz que devo lutar por Justiça e respeito e nunca aceitar injustiça e desrespeito!

... preciso dizer que RESPEITO funciona, é bom e funciona! Respeito cura! Respeito não deixa as pessoas sofrendo sem necessidade..respeito é bom e todo mundo devia gostar e exigir! Estou aprendendo um pouco sobre respeito morando aqui nos EUA. Esse é um país com defeitos como qualquer outro, mas é um país onde as pessoas não aceitam cordeiramente serem desrespeitadas. Gosto disso.

Gu...amo voce! Voce mora no meu coração! e penso em voce todos os dias! e ...agora quando escrevo isso...estou chorando...por não poder fazer por voce, nada além de escrever sobre esse descaso!


Ludmila
P.S. Se voce se sentiu tocado por essa postagem, recomende pra alguém! Passe adiante, a idéia de que não devemos aceitar o desrespeito!