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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

SOFIA VIAJOU PARA O NEPAL, E O MUNDO GANHOU COM ISSO


Sofia é uma linda pre-adolescente que faz parte da minha vida desde que mudei para a Korea. Ela e sua família, moravam no mesmo hotel que a gente, fomos vizinhos por dois anos lá. Vi Sofia vencer desafios impressionantes. Ela saiu do Brasil, foi estudar em uma escola americana na Ásia aos 8 anos. Isso a colocou diante de situações-problemas que a fizeram lutar e chorar muitas vezes, mas que fizeram dela uma vencedora. 

Agora Sofia mora aqui na Arábia, mas não no mesmo compound que eu, não nos vemos todos os dias como nos víamos na Korea, mas a acompanho de pertinho, e sempre que a reencontro me supreendo como ela está crescendo! Sofia definitivamente entrou no meu coração pra nunca mais sair. Quero estar na sua formatura, e em datas importantes para ela, quero acompanhar seus momentos de dor e de alegria. 

A escola americana que ela estuda na Arábia, tem um programa de viagens com atividades, e esse ano ela entrou esse programa, foi sua primeira viagem, foi a primeira vez que ela viajou sem os pais, e para um lugar tão longe e desconhecido. Sua turma da escola embarcou com uma missão de ajudar um orfanato em Kathmandu. Eles recolheram muitas coisas para doar, inclusive computadores, brinquedos e roupas. 

Quem me conhece, sabe que eu já estive três vezes em Kathmandu,  e amo o Nepal, sofri muito com o terremoto que destruiu muitos lugares que amo tanto. Sabia que Sofia não encontraria um lugar lindinho e de fácil acesso. Sabia que essa viagem seria impactante para qualquer pessoa, ainda mais para uma menina ocidental.

Claro que não foi uma viagem fácil e simples. Muitas pessoas podem até achar que Sofia merecia ir a um lugar melhor, que ter escolhido ir pra Kathmandu foi um erro, ou que ela é muito nova pra ver essas coisas. Eu discordo. Acho sim que ela vai precisar de alguns anos para entender tudo que ela viveu, ela vai elaborar essa experiência aos poucos, mas acredito piamente que devemos mostrar o mundo de verdade aos nossos filhos. Criá-los em condomínios fechados protegidos de qualquer coisa que seja um pouco diferente da sua realidade, é uma forma de alienação.

Podemos criar nossos filhos alienados, despreparados, sem força para lidar com as dificuldades, com a dor, e que paralisam diante da falta; presos em uma bolha de proteção, que facilmente se rompe quando se depara com a realidade, mas podemos escolher criar nossos filhos conscientes de que o mundo não é cor-de-rosa, que a vida não vai acha-lo especial como nós pais os achamos, que ele é mais um nesse mundo que precisa de pessoas menos egoístas e mais solidárias, mundo que precisa de pessoas que não olhem apenas para os seus problemas pessoais e possam olhar mais para o outro. 

Ensinar isso aos nossos filhos, é fortalecê-los para lidar com o mundo. Acho que Sofia vai levar algum tempo para entender o quanto essa viagem vai fazer a diferença na vida dela enquanto adulta, mas ela vai entender, e ela só tem a ganhar com isso. Certamente essa experiencia fará com que ela seja um adulto mais consciente e forte. 

Sofia ganha com isso. O mundo ganha com isso.

Te amo, minha Sofi.

segunda-feira, 7 de março de 2011

O Melhor presente eu me dou!

 - "O Melhor presente eu me dou!"

Essa foi a lição que essa minha amiga me deu essa semana. Achei tão incrível e simples, e como amanhã é o Dia Internacional da Mulher resolvi escrever sobre isso!

Era véspera no aniversário dela e ela me contou que todo ano compra algo bem legal pra ela mesma, embala pra presente e guarda até a época do seu aniversário. Ela se dá esse presente nessa data. Estava com ela no dia que ela se deu um lindo presente e me contou dessa "tradição". Amei.

Vivemos dizendo coisas absolutamente comuns e que todo livro de auto-ajuda diz, como: Devemos nos amar se queremos ser amadas! ou que devemos reconhecer primeiro o nosso próprio valor se queremos que o outro também o faça!..ou, Se valorize! Frases simples que parecem tão clichê que nem levamos muito a sério.

Essa amiga é muito querida. Tem uma família linda, um ótimo marido, filhos lindos e queridos. Ela é amada por muitos amigos. Ela é respeitada e muito querida. Ela provavelmente ganhou muitos presentes no dia do seu aniversário, ganhou até uma festa surpresa, mas o MELHOR PRESENTE ela quis se dar! Não é lindo isso?

Ela reconhece que merece o melhor dela mesma. Ela cultiva alegria, mas sabe ser profunda. Tenho a nítida sensação que poderia conversar sobre qualquer assunto com ela, sem ser julgada e sem causar espanto algum. Ela é madura, mas é absolutamente jovem. Ela não se esconde. Mostra sua força, mas também também tem habilidade de falar sobre tristezas e dores. Ela cultiva amigos assim como cuida da sua família, com carinho e dedicação. A casa dela é acolhedora e parece que está sempre aberta. Ela naturalmente se torna o centro em qualquer lugar ou reunião. Ela é "Solar"! 

Ela tem uma qualidade que vale ouro e que reflete seu elevado auto-conhecimento: Ela sabe rir de si mesma! Ela se leva tão a sério que consegue fugir das atuações egóicas e vaidosas que nos impede de rir das nossas bobagens. Ela sabe rir sinceramente de si mesma, mas nunca a vi rindo de fraquezas alheias ou brincando de forma desrespeitosa com alguém.

Ela é uma pessoa do bem. Ela certamente é uma pessoa que acredita na Vida e na ARTE DE VIVER BEM! Ela realmente decidiu ser feliz. Acho que ela tem sido bem sucedida, embora a vida não tenho sido só de flores. Ela como poucas pessoas, conseguem falar das faltas, sem perder a beleza e sem se vitimizar.  Não a vejo moralizando nada. As coisas não são feias ou bonitas. Morais ou imorais. Ela consegue contextualizar e  ver o valor das pessoas e situações. Consegue mostrar fragilidade sem perder a força. Gosto dela.

Não a conhecia antes de vir morar em Houston. Seus filhos cresceram aqui, e ela tem uma filha que adoraria que fosse minha! Sempre brinco com ela que roubarei a filha dela, mas ela sabe que essa é uma forma indireta de elogiá-la. Sua filha é uma mulher linda !! 

Muitos anos se passaram desde que ela veio do Brasil com seu marido e dois filhos pequenos (um terceiro nasceu aqui depois)...., mas tenho a nítida sensação de que sentirei muita falta dela quando me for. Uma coisa tenho certeza...no meu próximo aniversário, eu me darei o meu melhor presente e lembrarei dela em todos os anos que vierem!!!

Obrigada amiga querida por partilhar comigo sua energia contagiante!

Ludmila Rohr

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Aos amigos que ainda vou conhecer...

Quase nunca faço orações na minha vida. Não tive esse hábito quando criança. Nunca soube rezar ou orar. Muito pelo contrário. Quando eu era criança, recordo que algumas vezes tentei fazer orações na hora de dormir (porque todos faziam), e sempre que eu tentava, eu tinha pesadelos. Sério. Eu achava que isso acontecia porque eu não era batizada, ou porque eu não tinha religião nenhuma, e até mesmo, porque meu pai era comunista. Ser filha de comunista, ex-preso político da ditadura, tinha um peso grande nos anos 70.

Com o meu mergulho no mundo do Yoga, mergulhei na minha espiritualidade e encontrei a possibilidade de fazer orações sem palavras, com as vibrações dos Mantras...O mantra OM era o meu companheiro..o som divino..o nome de Deus. Simplesmente entoava o OM..e meu coração e mente, diziam tudo que as palavras não conseguiam dizer.

Quando comecei a ministrar aulas de yoga, desenvolvi o ritual de no fim de cada aula, agradecer por toda a energia que havíamos movimentado, produzido e recebido naquela aula, e encerrava compartilhando essa energia com todos que dela precisassem, em toda parte do planeta. Mentalizava as pessoas que não sabiam amar, as pessoas que desistiram dos seus sonhos; mentalizava as crianças famintas de comida e amor, os adultos mau-humorados..Vibrava para todo o planeta e com muita gratidão para todas as pessoas que dedicavam a vida a cuidar do planeta, da natureza, das pessoas que sofrem injustiças...

Nas minhas orações  nunca peço nada, só agradeço. Parece que ainda não me sinto no direito de pedir nada, talvez porque nem saiba a quem estaria pedindo, pois minha definição a respeito de Deus, ainda é meio confusa, então só agradeço...é mais seguro. Talvez ainda tenha um certo medo dos pesadelos e de que, como dizem os indianos: "Cuidado com o que desejas, pois quando os Deuses querem se vingar, eles atendem!"

Em uma das minhas orações comuns, eu envio energia para os amigos que eu ainda irei fazer. Penso que no mundo..em todos os lugares, existem pessoas que eu ainda vou conhecer e que vão ser meus amigos. Penso e imagino tantas pessoas interessantes que existem por aí, e que eu ficaria muito encantada em conhecer. Vibro muito por essas pessoas, como se pedisse ao universo que as coloque em meu caminho, e que eu possa reconhecê-las..

Por isso, amo conhecer pessoas...por isso que quando conheço alguém interessante acho que foram as minhas orações que a trouxeram para a minha vida...e sou muito grata por isso!

Então..esse texto é uma homenagem a todas as pessoas que ainda conhecerei. É uma homenagem a aqueles que conheço virtualmente e que irei conhecer (quando o universo decidir) pessoalmente. Acredito no amor à distancia..acredito na amizade virtual...acredito que as afinidades ultrapassam os espaços, os tempos...e se encontram em algum momento. Quero manter minha mente aberta, meu coração bem disponível para receber cada pessoa que o Universo coloque na minha vida, pois tenho certeza que tenho muito a dar, e muito a receber!

Que venham os novos amigos!

Ludmila 



sábado, 28 de novembro de 2009

Um recado aos que leem esse blog..


Ainda fico muito impressionada quando leio algum comentário que alguém fez aqui no blog. Não tenho nenhuma dimensão do alcance dele. Sempre penso que ninguém vai ler...ainda não me acostumei muito com o fato de que o que escrevo pode ser acessado por pessoas de qualquer parte do mundo e que nunca me viram. Sei, por exemplo, que minha mãe lê o meu blog, sei que Uli, minha querida Uli lá em SP lê o meu blog, e essas duas nunca comentam nada...por isso meu espanto feliz quando leio algum comentário...parece que alguém, além dessas queridas, leu!


Outro dia, Judson estava no supermercado, e foi abordado por uma pessoa que lhe perguntou se ele era Judson, marido de Ludmila. Ele confirmou. Ela disse que o conhecia através do meu blog e que acompanhava a nossa história e nos desejou tudo de bom! Achei isso incrível!


As pessoas me alertam sobre os perigos da exposição, ou de serem vítimas de alguma coisa ruim. Posso até entender, mas isso nunca me aconteceu. Pessoas já discordaram de mim nos comentários. Uma vez que falei sobre minha Religião, uma pessoa chegou a dizer que não entendia como alguém inteligente como eu, podia escrever aquilo, mas achei tudo muito normal. Não espero unanimidade, aliás, confesso que nunca espero nada, nem que alguém o leia! Por isso o meu enorme encantamento quando percebo que alguém leu o que escrevi.

Meu funcionamento era mais ou menos assim: quando um post tem 4 contários, penso que quatro pessoas leram, se não tem nenhum...ninguém leu! Descobri que a matemática não é essa. Muitas pessoas devem ler sem comentar, assim como minha mãe e Uli.


Esse blog tem sido pra mim um querido companheiro...um momento de meditação...um espaço sagrado e querido. Sempre acreditei que não devo reservar o melhor, que tenho que compartilhá-lo. Nunca consegui entender quando as pessoas me falavam que eu não devia falar ou mostrar tanto aquilo que eu tinha de bom ou até de frágil. Alegavam que as pessoas poderiam usar contra mim. Não entendo isso. Não sou assim. Acredito no Poder da Verdade e do Amor. Acho no fundo do meu coração que a verdade sempre prevalecerá , que a verdade funciona e é viável.

Outra coisa legal, foi que descobri que nunca me preocupei em me explicar pra ninguém. Meus pais nunca foram de exigir explicações para os meus atos, eu também nunca as dei. Desde muito cedo entendi que minhas escolhas trariam consequencias para a minha vida e sempre senti e assumi essa responsabilidade, então não sou de esperar aprovação, nem de me abater com desaprovação. Entendi que meus amigos sempre colocarão fé em mim, e que não preciso me preocupar com aqueles que ainda não são meus amigos, talvez um dia eles venham a ser, talvez não.


Bom...estou escrevendo sobre isso pra dizer primeiramente, que amo escrever...e que adoro pensar que esse é um lugar de liberdade, que pessoas que nunca me viram podem falar comigo, que pessoas podem ler e concordar ou discordar, que o que escrevi pode ser relevante ou não. Quero dizer também que adoro quando leio um comentário, parece que alguém se tornou visível pra mim naquele momento.


Estou escrevendo isso também, para dizer aos leitores invisíveis que eu já consigo imaginar que voces existem e que sou muito grata por me acompanharem silenciosamente. Acho que se eu conseguir apurar minha sensibilidade, talvez possa conseguir sentir a energia que voces me passam. Talvez eu já sinta essa energia e só não sabia ainda de onde vinha.


Sou grata e muito contente por voces me acompanharam e por alguns serem até seguidores!
Muito obrigado!

Namastê

Ludmila Rohr

sábado, 15 de agosto de 2009

Eu sou V.I.P.?


Saiu uma entrevista comigo em uma revista virtual daqui da Bahia em uma coluna que chama-se "Entrevista VIP".
Dar essa entrevista para Nilza Barude foi muito agradavel. Ela é uma jornalista apaixonada. Na verdade foi mais uma conversa...uma longa conversa...

Nem ía comentar sobre essa entrevista, mas hoje eu estava lendo um site de notícias e li sobre uma lista de VIPs famosos...fiquei curiosa....


Quem me conhece sabe que eu não sou VIP no sentido conhecido dessa sigla. Não sou uma socialite, não frequento lugares badalados, não tenho pais ricos, nunca casei e me separei de um milionário...não coloquei silicone nos seios, não sou uma ex-BBB, nem modelo, nem atriz...bom não saio em colunas sociais, trabalho muito.... definitivamente não sou uma pessoa VIP!


Ser V.I.P. significa ser uma "Very Important Person"..ou, em português: uma "pessoa muito importante"!


Conheço muitas pessoas importantes, e provavelmente eu sou uma pessoa muita importante para algumas pessoas. Acho que devo ser importante para meus alunos. Eles aprenderam a respirar comigo... ensinei pra eles alguma coisas bem legais que com certeza os fazem mais felizes. Devo ser importante para amigos meus. Com certeza sou muito importante para meus filhos, marido, pais, irmãs...


Não tenho problemas com minha auto-estima. Tenho uma noção bem legal de mim mesma. Não tenho nenhum tipo de falsa modestia. Sei do meu valor. Talvez ainda me assuste ao receber um elogio, ou mesmo um agradecimento, mas tenho noção do que faço e do que sou. Não faço as coisas esperando elogios, e nem acho que eles sejam muito importantes, talvez até porque eu não tenha dificuldade alguma de receber olhares de afeto e carinho. Eles me alimentam mais do que elogios.


A coluna VIP do jornal que li hoje falava de alguma atriz que tinha diminuido o tamanho do silicone de 385ml para 260ml. Outra VIP havia dado um "lance" e mostrado a calcinha em uma festa que estava provavelmente amontoada de pessoas VIPs, e uma outra tinha ido a um jantar na casa de alguém com muito dinheiro. Esses eram os VIPs de hoje, desse jornal.


Bom, não preciso dizer que nao sou VIP.


Nilza Barude viu algo de importante em mim e me colocou em sua coluna. Ela viu algo que não tem a ver com dinheiro, posição social, festas e jantares....Não sei se o que tenho de importante, importará para as pessoas tradicionalmente VIPs...mas, quero aqui deixar registrado que estou ao lado de muitas pessoas importantes e elas são muito importantes para mim.


Essa é a lista de VIPs da minha vida:

Meus companheiros da comunidade "Faço quimio e sou feliz",

da comunidade "Parentes de vítimas de câncer",

meus alunos,

meus clientes,

minha família,

meus amigos queridos...


Sem voces eu não seria nada!


Namastê!


Ludmila Rohr


o site que saiu a minha entrevista caso alguém queira ler:

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Caminhar Juntos


Ontem fui procurada por um homem cuja filha está com câncer. Ele soube de mim através de uma amiga com quem tenho uma longa história de trabalhos voluntários de ajuda ao próximo. Fizemos parte por longos de incríveis 18 anos de um serviço que se chamava Plantão da Fraternidade, atendíamos 24 h por dia, pelo telefone, pessoas que estivessem precisando de algum tipo de orientação, acolhimento..etc.. Esse pai precisa de ajuda nesse momento. Me senti extremamente honrada ao ser procurada por ele. Ser reconhecida como alguém que tem algo pra dar , me faz sentir uma felicidade no fundo do meu coração e percebo que tudo que tenho vivido junto com minha família não tem sido em vão!

Aprendi também nesses anos, que quando uma pessoa ajuda a outra, nesse momento está sendo ajudada também. Minhas ilusões a respeito de que fazendo aquilo eu seria uma pessoa boazinha, caíram por terra imediatamente quando percebia a cada atendimento do Plantão da Fraternidade, que podiam ser pela madrugada, sábado, domingo e feriados, em que eu saia tão feliz, tão alimentada. Descobri muito cedo que na verdade eu me ajudava, quando ajudava alguém. Eu me alimentava na alma, quando escutava as dores da alma de alguém. Aprendi que quanto mais dou, mais recebo. Essa é a única forma de aprendermos sobre Generosidade e Fraternidade.

Descobri que a fome maior vem do isolamento, e a minhas duas maiores descobertas foram:

"É dando que se recebe" e "Amar é mais importante que ser amado".

Nunca me senti perdendo nada quando eu estava dando. Nunca me senti mais rica, do que quando eu estava tirando de mim para dar a quem mais precisasse. Nunca me senti mais preenchida de amor, do que quando eu estava amando.

Amar vale a pena. Sempre ganhamos quando amamos.

Com a doença de Judson tenho entrado em contato com dores que não conhecia, pessoas que não conhecia, e por incrível que pareça chegam pra mim pessoas que estão com câncer ou têm parentes com câncer também no consultório.

Acho que no momento que entro num caminho, não fico sozinha. Aparecem outras pessoas que eu posso ajudar, e que vão caminhar comigo, e me farão companhia. Um empurra o outro. Um puxa o outro. Um dá suporte ao outro.

Uma amiga me disse, que eu devia evitar tanto envolvimento, me perguntou porque eu estou me martirizando? Disse que me envolver com essas pessoas iam me deixar mal. Nunca senti isso. Desde que tornei pública a luta de Judson, só encontrei pessoas que me ajudassem, caminhando comigo, não me deixando sentir solidão nunca. Com elas falo a mesma linguagem, o mesmo idioma, me sinto tão entendida..acho que ninguém que não tenha vivido isso poderia me entender tão bem! Não sei como isso pode ser um martírio.

Essas pessoas que parece que estou ajudando, é que na verdade me ajudam. Elas me tiram de qualquer possibilidade egoísta de me fechar em mim mesma, ou de ter pena de mim mesma.

Não me sinto fraca diante de alguém que luta contra o câncer, muito pelo contrário. Pessoas que lutam, que fraquejam, que querem desistir, que adorariam poder desistir, mas não conseguem. Pessoas com muitas chances, pessoas com poucas chances, mas que lutam, e são vencedoras..

A grande derrota é não lutar. A grande derrota é aceitar simplesmente sobreviver. A grande derrota é passar um dia após o outro sem valorizar o poder que nos foi concedido de sermos vencedores!

Quero muito ouvir esse pai com sua filha que está com câncer. Quero muito descobrir por que eles me procuraram, o que eu tenho pra dar. Quero muito caminhar junto com cada vez mais pessoas, dando as mãos, caindo e levantando...é assim que eu quero, é assim que eu sei!

Namastê

Ludmila Rohr


terça-feira, 2 de junho de 2009

Felicidade é amizade!!!

Essa semana darei uma palestra..o tema será FELICIDADE....então tenho passado os dias, desde que decidi por esse tema...refletindo sobre o que é ser Feliz.
Sou uma pessoa feliz...me lembro de dores, mas não de sensação de infelicidade...realmente sou uma pessoa feliz e por incrível que possa parecer, já que esse é o momento mais difícil que já vivi na vida..., esse tem sido também o momento das maiores felicidades...


Tenho buscado, para a pelestra, sinônimos de felicidade, e tenho refletido sobre o que precisamos pra ser feliz....reflito sobre contentamento, resiliencia, amizade, aceitação, amor, compaixão...e sinto que tudo isso são sinônimos de felicidade.

Nunca me senti tão feliz como nessa época de grandes dores e preocupações, e acho que isso se deve ao fato de que eu encontrei aquilo que não tinha a menor dúvida que encontraria...AMIGOS!!!...eu sempre soube deles, e agora sei mais ainda..., tenho amigos e por isso recebo muito. Dou muito, e por isso tenho amigos. Planto e colho esses amigos. Faço isso com muito carinho.

Tenho os amigos que escrevem, que ligam, que mandam emails, que mandam recados...tem os amigos que nem me procuram, mas nunca os senti tanto como agora...é verdade...sei que sou amada por eles, e que eles estão pensando em mim e em Judson nesse momento...


Mas hoje quero falar mais uma vez sobre amigos especiais...amigos virtuais... Tenho falado muito dessas pessoas que conheci na internet por conta dessa doença maluca que se desenvolveu em nossas vidas.. Hoje eles me fizeram chorar muito...choro desde a hora que acordei...choro com minha alma, com meu corpo...choro tomada por um amor profundo...choro de muita felicidade...e gratidão.

Não quero escrever muito hoje por que quero que voces ASSISTAM o motivo do meu choro, e tenho certeza que voces irão se emocionar muito também. Ganhamos esse presente de Jaque e do João Vítor, eles aparecem nas imagens também...mas já foram eternizados no meu coração.


Obrigado meus amores!! Muito obrigado!



Esse é o presente, assistam em:



Namastê

Ludmila

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Exaustos, mas felizes....


Muitos anos atrás, os meninos eram pequenos ainda, em uma das idas a Lençois, na Chapada Diamantina aqui na Bahia, lugar inesquecível, (quem conhece certamente irá concordar comigo), estávamos numa pousada, que organizava trilhas e passeios para os hóspedes e as divulgavam em um mural, e lá estava escrito que no dia seguinte o passeio seria uma trilha longa pra uma daquelas cachoeiras inesquecíveis...e dizia, além de todas as recomendações..: "Voltaremos exaustos, mas felizes!"

Nunca esqueci dessa frase...e foi exatamente assim que voltamos de SP ontem, completamente exaustos, mas absolutamente felizes...

Chegamos em SP depois de uma viagem de madrugada, fomos para o Hcor, e às 08:30h, Judson entrou por uma porta, de onde só saiu às 12h, com uma expressão linda e leve no rosto, que já dizia tudo e que me fez desabar num choro de alívio. O que havia acontecido lá dentro eu não sabia, mas sabia pela carinha dele, que iria ouvir, o que desejei muito ouvir: não foi detectado nenhuma célula cancerosa pelo PetScan.

Quero contar que fiz e senti nessas 3 horas e meia que fiquei no hospital, sem notícias e sem ninguém fisicamente ao meu lado, até chegar a esse momento de alegria.

Achei que conseguiria passar o tempo vendo TV ou lendo algo, mas não foi possível...o relógio simplesmente não andava... estava no 2º sub-solo e por isso sem sinal do celular...resolvi andar um pouco pelo hopital, e fui até a lanchonete tomar um café e descobri que em frente a lanchonete tinha uma capela ecumênica, entrei... silencio....estava sozinha....sentei... e chorei....chorei muito. Era um choro muito profundo...

Vivi um momento de muita espiritualidade...de mergulho nas águas profundas do oceano da minha alma....quanto mais eu mergulhava, mais silencioso ficava. Algumas pessoas entraram e sairam da capela, mas eu estava ali, com o meu silencio interior, com o meu Deus. O meu Deus é um lugar, é um lugar dentro de mim, é um estado de alma. Mergulhei nesse lugar, encontrei esse estado e fiquei lá...ouvia meu choro, ouvia minha respiração...não conseguia pedir nada, não havia nada a ser pedido...só fiquei nesse lugar primitivo, em que somos por natureza sós...e absolutamente acompanhada e preenchida pelo meu Deus interno.
Experimentar essa solidão preenchida foi libertador. Não me sentia sozinha...mas era uma constatação irrefutavel de que sou só, porque existe um lugar na minha alma que só é possível ser acessado por mim mesma e, como eu não sentia pena de mim e pude me render a isso, podia sentir Deus, podia sentir as dores e alegria de todas as pessoas que ali estavam naquele momento...podia sentir algo absolutamente transcendental, algo que transcendia os meus medos e as minhas necessidades. Pude ver uma perfeição naquele instante. Entrei em estado meditativo...a vida e a existência eram muito maiores do que o meu mundo pessoal....a vida (assim que eu chamo Deus) era perfeita, e nada me faltava...fiquei quieta e em paz.

Depois de tantas experiencia internas, desci para o 2º sub-solo...e sabia que tinha que esperar o meu amor sair do exame, quando ouço meu nome ser chamado por uma voz feminina, olhei, não sabia quem era aquela mulher, ela me diz: "Sou Patsy, da comunidade" ... "soube que Judson vai sair daqui a 5 minutos".....demorei algum tempo para processar...havia sido encontrada por um anjo, uma pessoa linda da comunidade de "parentes de vítimas de câncer"...ela foi lá me ver, ela, assim como toda a comunidade, sabiam que eu estava ali...eles vibravam, rezavam, oravam por mim...sabia que isso estava contecendo...mas de repente, isso ganha um aspecto físico, ela estava ali...e nos abraçamos...e choramos...


Patsy presenciou aquele que foi um dos melhores momentos da minha vida...alguém que eu nunca havia visto, mas que sabe das minhas dores...foi lá...simplesmente apareceu pra me lembrar da imensa rede de proteção que nos envolve o tempo todo. Patsy era um símbolo, ela foi a presença simbólica de todos os meus alunos queridos, dos meu clientes, amigos, dos meus pais e irmãs, dos meus amigos das duas comunidades que faço parte...Patsy representou a realidade protetora que me envolve e que posso até não ver, mas que está ali...por isso posso até estar só, mas nunca estou sozinha!!!


Amo a vida...não sei o que é ser infeliz...sei o que é estar triste e com medo, mas não sei o que é ser infeliz...Estamos exaustos, mas muito, muito felizes!!!


Obrigada a todos que simplesmente nos amam e torcem por nós!

Namastê
Ludmila



P.S. na foto...na Toscana, nem um pouco exaustos e muito felizes.

domingo, 19 de abril de 2009

Encontro de histórias...num espaço virtual!


Faço parte de uma comunidade no Orkut frequentada por Parentes de vítimas de câncer. Lá estão pessoas que perderam alguém muito querido com essa doença louca. Lá estão pessoas que estão acompanhando alguém que luta contra essa doença louca. Alguns estão caminhando no sentido da vitória, outros sabem que é uma questão de tempo. Todos sofrem, e isso foi o que deu inicio a nossa união.


Uns sofrem saudades, de quem já foi. Outros sofrem por verem seus pais, maridos, filhos, avós sofrerem dores e as consequências do tratamento. Outros sofrem com os fantasmas que essa doença traz....enfim nos encontramos nessa vibração de alma.


Tem dias que alguém está mais feliz, algo de bom aconteceu, as vezes nem precisa algo bom ou ruim acontecer...simplesmente ficamos emotivos, felizes ou tristes, raivosos ou exaustos....as vibrações da alma vem e vão, se alternam como marés, florescem e desaparecem.... somos muita alma, e parecem que nossos corpos estão com a pele bem fina, alguns em carne viva, mas todos muito sensíveis, então as emoções são transbordantes, mas ali, encontramos bordo, acolhimento, continência. As emoções podem aparecer, porque é um lugar acolhedor e onde não há julgamentos.


Já nos conhecemos. Isso é incrível, mas é verdade. Sabemos um pouco da história um do outro. Visitamos nossos perfis, vemos nossas fotos, deixamos recadinhos um pro outro, nos queremos bem mesmo. Formamos uma turma, um grupo, nos entendemos. Nenhuma barreira de qualquer espécie é importante aqui, (o que seria na vida), não temos barreiras sociais, culturais, religiosas...só falamos coisas boas um pro outro, nos damos força, acolhemos e torcemos um pro outro. Fazemos papel de amigos, de mães, de filhas e filhos, de netas e netos uma da outra. Por sinal temos uma avó de todos lá. O colo dela é muito disputado, mas é bem grande, sempre cabe mais um.


Poucos dias atrás, soubemos que uma de nós está grávida (a mãe dela está com câncer), estamos felizes. Parece que essa gravidez foi um presente para todos nós do grupo. É como se estivéssemos sendo lembrados que a vida renasce a cada dia. Que a única coisa permanente que existe nessa vida de impermanencias, é o poder que a vida tem de se renovar.


Queria homenagear, nesse post, meus amigos virtuais. Meus queridos amigos que caminham junto comigo e que como poucas pessoas, me permitem desmontar e me ajudam a levantar de novo.

Sou grata a voces!


Namastê!


Ludmila Rohr

domingo, 22 de março de 2009

Compartilhando...


Menos um fim-de semana de efeitos da quimio. Judson começa a sair da prostração e até quer comer alguma coisa. Apesar de não sair de casa, e de ficar ao lado dele esperando que ele precisasse de mim pra alguma coisa, muitas coisa aconteceram nesse fim-de-semana; aliás, nunca mais tinha vivido dias com tantas emoções, com tantas experiencias e trocas. Saio desse fim-de-semana muito diferente de quando entrei e sou muito grata à vida por ter me proporcionado isso.

Entrando em comunidades do orkut dedicadas a pessoas com câncer ou parentes de pessoas com câncer, conheci muitas histórias de pessoas que lutam contra essa doença. Pessoas de verdade que sentem medo, esperança, raiva, coragem, fraqueza, certeza, ansiedade, dor, dúvida...e que confessam seus sentimentos numa tentaiva de sentirem-se melhor, mais acompanhadas e de fazerem outras pessoas se sentirem melhor.

Li muitas histórias de pessoas de todas as idades, de muitos credos, de muitas partes do país, pessoas que se desnudam e generosamente oferecem seus testemunhos e confissões para todos que quiserem compartilhar suas dores e esperanças.

Pequenas alegrias, grandes esperanças, tensões, medos e ansiedades comuns a todos. O resultado de um exame que veio bom e permitiu a quimio, é motivo de uma grande celebração; a contagem regressiva das quimios, os kg ganhos ou perdidos, a fome exagerada ou a falta de apetite, os cabelos que caem e os cabelos que voltam a crescer, o intestino que solta ou que prende, a relação com os pais, os filhos, os maridos, as esposas, os amigos... a notícia da morte de alguém e a notícia da cura de alguém....

As pessoas são diferentes, mas os fantasmas são os mesmos, os medos também... as esperanças também...

Um grande obrigada a todos os meus amigos virtuais que me acompanharam esse fim-de semana e que certamente estarão ao meu lado nessa jornada de cura que farei ao lado do meu marido.

Namastê

Ludmila Rohr


quarta-feira, 11 de março de 2009

Sou forte....

Ontem senti cansaço...muito cansaço. Acho que quando Judson melhora, me dou ao luxo de me sentir cansada. Chorei muito. Chorei ouvindo música italiana no carro. Chorei ao pensar nos meus filhos. Chorei com saudade de ter alguém que cuidasse de mim...enfim, fiz um contato com minhas carências. Não é saudável negá-las. Tenho sido forte e corajosa, mas sou uma pessoa como outra qualquer. Tenho medos e carencias. É bem verdade que normalmente não mostro isso, por que acho que devo me organizar, que tenho instrumentos internos pra isso...aí eu respiro, medito, reflito...sinto meu corpo e de fato consigo me equilibrar, consigo me conectar com minhas forças, com minha coragem e com tudo que tenho dentro de mim que me sustenta nessas horas.

Algumas pessoas reclamam que sou forte demais, questionam isso. Me dizem que eu não mostro minhas fraquezas. Não acho isso. Sou forte mesmo e construi essa força ao longo dos anos e com muita prática de yoga, meditação e muita terapia. Me conheço bastante e também consigo me organizar internamente. Não me sinto desintegrada, ou desesperada. Não conheço isso, pois estou buscando manter a minha integração e lucidez todo tempo e sempre, independente da situação. Essa é a prática rotineira da minha vida nas mínimas coisas e nas máximas também. Isso é o que significa incluir a meditação e o yoga na vida, e não só em alguns momentos da vida. Realmente acredito nisso, acredito na minha prática pessoal. Acredito porque sinto que funciona, não porque está escrito em algum lugar.

Mas não tem sido fácil. Conto com amigas queridas com quem posso chorar. Conto com minha mãe e meu pai, com quem eu evito chorar para não preocupá-los, mas eles me conhecem muito e me ajudam mesmo sem eu pedir. Conto com minhas irmãs. Conto com tantas pessoas. Mas certa ou errada, eu sempre achei que tinha que contar comigo mesma, esse foi o meu aprendizado. Não suporto o lugar da vítima. Lembrei que em uma situação em um treinamento na minha formação como Analista Bioenergética, vivi um enfrentamento com uma pessoa que hoje é uma amiga muito querida, mas na época, ela reclamava da minha força, daquilo que ela chamava de excesso de energia, dizia que se sentia ameaçada pelo meu jeito de ser que ela julgava muito duro...enfim, ela chorava muito e eu não. Todos do grupo a acolheram e a mim, não. Lembro de ter dito pra ela e para o grupo, que preferia o lugar de algóz que ela estava me colocando, do que o lugar horroroso de vítima que ela estava se colocando, mesmo me sentindo só e dolorida com as acusações públicas, falei isso. Claro que fiquei mais sozinha ainda. Parece que as pessoas tem mais facilidade de acolher aqueles que se fragilizam e dificuldade em ver que os que não se fragilizam também sentem.

Bom...não sou mais tão dura assim. Hoje já choro e consigo mostrar minha alma feminina. Haja vista tantas manifestações amorosas que recebo o tempo todo de várias formas. Isso pode significar que eu estou mais exposta na minha vulnerabilidade humana. Mas ainda acho que tenho que dar conta da minha vida. Já entendi em terapia e nas minhas buscas que tenho orgulho da minha força, isso é bom ou ruim? Não sei. Provavelmente bom e ruim ao mesmo tempo. Devo mudar isso? Não sei também. Mas sei que essa é a minha forma de estar na vida.

Namastê!

Ludmila Rohr
P.S. Yoga! aquilo que faz com que eu experimente no corpo as voltas que a vida dá.


quinta-feira, 5 de março de 2009

Tocada no corpo e na alma...


Ganhei uma massagem de presente. Não foi a primeira vêz. Sempre ganho massagens de presente da minha amiga Lídia. Ela é uma massoterapeuta de primeira qualidade, também é psicóloga, e minha colega no Espaço Mahatma Gandhi e da vida. Ela sempre manisfesta o seu amor por mim (que é recíproco) de várias formas. Ela me faz rir como poucas pessoas conseguem, ela me ouve, ela compartilha comigo suas histórias....nós confiamos uma na outra. Sinto que ela me compreende e com certeza, ela se sente compreendida por mim. Ela é uma amiga do coração, e ela sabe disso!

Receber uma massagem é um presente delicioso para mim, pois adoro minhas experiências corporais, principalmente quando elas me colocam em contato direto com minha alma. Tenho experiências muito agradáveis com meu corpo. Ele não é um fardo para mim, muito pelo contrário. Normalmente não tenho dores e sinto o meu corpo como um espaço sagrado onde minha alma se expressa, onde meus sentimentos se revelam. Por isso adoro o yoga, sinto isso quando o pratico. Por isso acho que receber uma massagem feitas por mãos de quem me ama, e me quer bem é algo impagável! Não tem preço. É um presente muito especial.

Hoje minha amiga mais uma vêz entrou na minha alma através do meu corpo... e tocou minhas histórias, porque é isso que uma massoterapeuta faz...toca nas histórias através do corpo. As minhas lágrimas simplesmente saiam... brotavam....rolavam sem a menor cerimônia, e como eu estava em ótimas mãos...não fazia nenhum esforço para controlá-las...elas lavavam minha alma e eu permitia....sou feliz por isso!

Quem já recebeu uma massagem assim (no corpo e na alma) sabe do que estou falando. Saimos leves, como se tivéssemos mergulhado numa cachoeira...ou no mar num dia de sol. Alimentados e tranquilos. E foi assim, nesse estado de contentamento, que vivi outra experiencia de muito amor. Me deparei com Valéria, uma aluna de yoga que não via desde o ano passado e que voltou pro yoga, agora está grávida e linda! Ela é realmente linda...e ao me ver....me abraçou, chorou, disse que lia meu blog....e linda, grávida e emocionada, me tocou outra vêz muito profundamente...me deu carinho e me emocionou com sua emoção....A gravidez é muito sagrada para mim, já falei sobre o quanto me senti feliz , linda e poderosa as duas vêzes que vivi essa experiência....Essa mulher linda, que me abraçou com sua linda barriga, me tocou com sua energia transbordante e de muito poder...A linguagem do coração é muito poderosa.

Obrigada Lídia e Valéria, sei que voces vão ler esse blog...portanto preciso dizer que hoje voces fizeram desse dia, um dia especial de demonstrações de amor e carinho. Voces são a prova do quanto a vida se renova, e do quanto que a vida é generosa comigo. Sou feliz e grata!

Namastê!

Ludmila Rohr
P.S. Na foto estou com Lídia!



sábado, 28 de fevereiro de 2009

Alguém bem melhor....


Hoje de tarde fui beber uma água de coco no Jardim de Alah com Juliana, uma amiga querida. Eu já falei dela aqui em outros momentos. Tenho um carinho especial por ela. Ela é jovem e linda. Apesar de estarmos em momentos bem diferentes da vida, nos encontramos nesse universo feminino sem fronteiras, e nos identificamos em muitas coisas. Sinto que muitas dores e angustias que ela vive, eu de alguma forma já vivi. Tento lhe dizer da minha experiencia...tento lhe passar mais confiança, mais segurança, mais coragem.... enfim, dizer da vida que tenho vivido...

Sempre fui muito corajosa e batalhadora. Acho que até muitas vezes, enfrentei guerras que nem existiam de fato, confrontei pessoas sem a menor necessidade, vi desafios em momentos em que poderia estar descansando, falei coisas que me levaram a situações dificeis e quando poderia ter ficado calada... acho que muitas vêzes compliquei minha vida sem a menor necessidade. Lembro de muitas situações em que fui "bucha de canhão", ou até mesmo "bode expiatório" por ter escolhido ficar nesse lugar, ou por não ter feito nada para evitá-lo, muito pelo contrário.

Meu marido sempre me dizia que eu precisava ser mais política, mais conciliatória, mas eu achava que tinha que expôr as sombras, revelar as feridas, as falhas e as mentiras, não só minhas como de todos. Reconheço que em muitas situações na minha vida, agi como uma kamikase, algo meio orgulhoso e infantil. Tratava de forma dura e severa as fraquezas. minhas e dos outros. Não tinha paciência com as inseguranças e com os medos, nem meus, muito menos dos outros.

A vida vai nos ensinando. Hoje me trato com muito mais carinho, e aos outros também. Tenho paciência com meus medos e com os dos outros também. Ainda tenho alguma dificuldade em receber todo tipo de ajuda, por que ainda é dificil reconhecer minha fragilidade, ou também por não gostar de todo tipo de oferta de ajuda, mas isso hoje já é possível. Sei que não gosto do tipo de ajuda, piegas e melosa, muitas vezes, prefiro a companhia silenciosa e o apoio expresso de forma simples e direta. Sou assim. É difícil pra mim ser piegas, mas sou boa em ajudar fortalecendo, escutando e mostrando-me disponível.

Devo essa transformação ao meu marido, meus filhos, meus clientes, alunos e aos amigos, como Juliana; que compartilham suas vidas comigo e deixam à mostra seus corações e almas, e dessa forma vão me oferecendo histórias e vivencias preciosas que me transformaram e continuam a me transformar cada dia em alguém muito melhor!

Acredito na vida! Acredito em uma sabedoria divina que tudo rege...acredito principalmente, no poder do amor e da amizade.

Namastê!

Ludmila Rohr
P.S. Foto sobre a Laxma Jhula (ponte sobre o Rio Ganges) , em Rishikesh, uma das cidades que mais amo na Índia.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Começando o tratamento....


Hoje foi um dia longo..... consulta com médicos para determinar como será a quimioterapia. No outro câncer, tudo foi feito em SP, radio, quimio...consultas, dessa vêz tudo mudou; cirurgia em SP e quimio aqui em Salvador. Gostei da médica que o acompanhará aqui, apesar de estar acostumada com os de SP, acho que ela foi ressonante com o nosso sofrimento. Tenho a tendência a pensar que é coisa de baiano, embora ao escrever isso, me sinta injusta com a forma maravilhosa que fomos tratados em SP, mas aqui, eu estou em casa, acho que isso faz diferença.

Enquanto aguardava na sala de espera, olhava as pessoas; fazia isso no ano passado em SP também. Nas salas de espera de quimio e radio vi minhas fantasias a respeito de pacientes oncológicos serem reafirmadas e completamente transformadas também. Conheci em SP , durante o tratamento do primeiro câncer, o paciente oncológico das minhas piores fantasias e das melhores também. Vi pessoas com raiva, com medo, sentindo-se sozinhas...vi velhos, adolescentes.... e vi pessoas guerreiras, esperançosas e corajosas.

Essa experiencia de ser acompanhante de paciente de câncer é muito forte. Eu estou lá com o meu marido, e as vêzes penso que não pertenço àquele lugar... ainda acho que ele é diferente, que a doença dele é diferente, que com a gente a história é diferente. Bobagem....ali, somos iguais....todos estão ou enfrentando uma doença que ninguém gostaria de enfrentar na vida, ou estamos sofrendo porque alguém querido nosso está fazendo isso. Nossos medos são os mesmos. Temos medo do sofrimento e da morte. Eu tenho.

Olho as pessoas e vejo que algumas mulheres usam perucas, outras usam chapéus e ainda há aquelas que exibem naturalmente a cabeça careca. Elas têm todas as idades, são mães, avós e filhas, são amigas de alguém. Os homens mostram a careca. Tudo bem, eles podem fazer isso sem chamar atenção.

Meu marido iniciará um tratamento de seis mêses de quimio. Nesse momento, as estatíticas são favoraveis a ele. A médica olha pra mim e diz solidária: Muitas mudanças, né? e eu choro....eu simplesmente choro, porque de fato são muitas mudanças, são mudanças incomensuráveis, são mudanças que ainda nem me dei conta....tudo mudou, nada está do mesmo jeito. Minha percepção das coisas mudou, as prioridades mudaram, a noção de tempo mudou, a relação com a comida, com o ar que respiro, com minhas crenças e até com a minha prática espiritual...tudo mudou....é como se de repente o chão debaixo dos meus pés ficasse o tempo inteiro em movimento. Acho que em algum momento poderei me acostumar a isso, mas por enquanto.... sinto medo.

O mais incrível é se deparar com a ilusão de que pensávamos, antes da doença, que tínhamos algum controle sobre alguma coisa. De fato, nunca tivemos controle sobre nada, a única coisa que podemos exercitar algum controle, é sobre a nossa mente, e isso muda tudo. Se controlo os meus pensamentos, posso manter a noção de realidade.

No caminho do yoga, nos ensinamentos Vedantas e no Budismo, aprendemos a não nos identificarmos com os fenômenos e, isso é libertador, pois se não me identifico com o câncer, apesar de não negá-lo (muito pelo contrário), olho pro meu marido e vejo nele, o mesmo homem de sempre, o homem que é justo, batalhador, pais dos meus filhos, lindo e que me ama muito....isso não mudou...isso é o que ele é. O que muda, é que esse homem, agora tem diante dele uma batalha pela vida, e terá que enfrentá-la com as mesmas virtudes que viveu até agora e outras tantas que ele terá que descobrir que já existiam dentro dele e que agora precisam ser reveladas.

Sinceramente acredito que temos em nós tudo aquilo que precisamos pra enfrentar nossos desafios. Se em algum momento não sentimos assim é porque nos afastamos daquilo que realmente somos. E nós...além de sermos abençoados com o melhor tratamento possível, temos ainda uma família linda e amigos, muitos amigos que rezam, oram e vibram por nós!

Namastê!

Ludmila Rohr
P.S. obrigada a todas as pessoas que me mandam emails. e vibram por nós...vcs não têm idéias de como isso nos alimenta.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

VOCÊ NÃO É ESPECIAL!


Recebi por email essa oração de Tagore (no fim desse post). A pessoa que me enviou está passando por algo semelhante, o filho foi operado do coração, aqui em SP também. O interessante é que somos conhecidas, fomos colegas de uma Instituição de psicologia, mas não da mesma turma. Vivemos algumas histórias difíceis nesse grupo que nos aproximaram e depois nunca mais nos vimos. Ela leu meu blog, soube do meu marido, me contou do filho dela e nos identificamos nesse momento. Isso é incrível, né?
Isso tem acontecido muito. Recebo muitos emails, ou até alguns comentários no blog de pessoas que sabem o que estou passando, e sentem-se muito próximas de mim por conta disso. Acho essa dinâmica da vida fantástica. Eu me encontro com essas pessoas nesse momento pela dor, pela esperança, pela fé, pela experiência...e por mais que não venhamos a nos encontrar, nos sentimos muito próximas umas das outras.
Essa é uma rede de grande alcance, que só é possível acontecer quando há uma exposição. E quando isso acontece, imediatamente outras pessoas aparecem...outras que viveram , ou estão vivendo algo semelhante. Saimos da solidão e do isolamento instantaneamente, é fantástico!
Bom...ontem estava no avião lendo um livro do rabino Nilton Bonder, chama-se "Sagrado", o livro é muito bom...e posso dizer que ele traduz o meu pensamento. Fala do "Sagrado" e não do "segredo", fala da vida sagrada e de tudo que faz com que sejamos seres humanos normais diante de tudo que é sagrado. Em um capítulo que se chama "Você não é especial", ele além de incrível, consegue nos tirar um peso...o peso do ser especial...Não há nada de especial acontecendo comigo ou com meu marido, nada que já não tenha acontecido com milhões de pessoas que são iguais a mim. Não há nada de especial acontecendo com essa amiga e com o seu filho, milhares de mães já passaram por isso e continuarão a passar.
Não há nada de especial, por isso mesmo....não éxiste nenhum segredo....nada mágico. Devemos manter a nossa mente tranquila, o coração aberto, cuidar do corpo e orar, rezar, vibrar para acessarmos Deus em nós, mas...nada disso é único ou especial...Por isso mesmo não estamos sozinhos. Não precisamos ser "protegidos", precisamos ter coragem.
Abrir mão de ser especial em um momento como esse nos leva diretamente pra onde a oração de Tagore evoca; para um lugar de coragem e de realismo, de um contato profundo com a vida e com o Sagrado.

"Rezo, não para ser protegido do perigo,
mas, para não recear enfrentá-lo;
rezo, não para que minha dor se acalme,mas para que eu tenha coragem de vencê-la;
rezo, não para ter aliados nas batalhas da vida,mas sim força de travá-las;
não quero suplicar com ânsia apavorada para ser salvo,
mas espero ter paciência para conquistar minha liberdade;
Concedei-me a graça de não ser covarde,
sentindo a vossa misericórdia apenas ao ser bem sucedido;
Mas, apertai a minha mão quando eu fracassar."
- Rabindranath Tagore -

Bom...Judson está bem...voltamos pra casa no máximo quarta-feira. Obrigada Ana, espero que seu filho esteja bem, sei o quanto voce é corajosa, me identifico com isso.
Obrigada a todas as Anas e Ludmilas que estão por aí em algum lugar unindo-se a nós nesse campo de força para ajudar a recuperar nossos maridos, filhos, irmãos, pais, mães, amigos....

Namastê
Ludmila Rohr
P.S. Essa foto foi tirada em uma das vêzes que sobrevoei o Himalaya...essa experiência nos dá uma dimensão incrível da nossa insignificância e do Sagrado! Lá no fundo em forma de Pirâmide está o Everest!

sábado, 31 de janeiro de 2009

Amigos que me nutrem!


Preciso começar hoje falando sobre algo que tem sido um alimento pra minha ama. Tenho recebido emails, SMS, comentários no blog e no orkut. Tantas as pessoas me alimentando amorosamente com reflexões, recadinhos amorosos, orações e tudo mais. Sou tão imensamente grata a todos vocês. Acho que voces não tem a menor idéia de como é acolhedor ler algo de alguém comentando o que escrevi. Alimenta a minha alma, me sinto acompanhada e querida, e nesses momentos isso é muito!

Quem é meu aluno de yoga já deve ter visto no final da aula, no momento em que faço uma oração de agradecimento, e quando compartilhamos a energia que certamente acumulamos no nosso corpo e na sala com as pessoas que precisarem dessa energia, que de vez em quando eu peço que voces mentalizem que essa energia está alcançando todos "aqueles que não tem amigos".

Desde o primeiro episódio de câncer do meu marido, tenho feito isso com mais frequencia, pois sinto que algo mudou na minha relação com os meus amigos. Não na relação em si, mas na minha percepção da importancia dessas relações. Adoro pessoas, gosto muito dos meus amigos, mas quando se vive algo como isso, eles ganham uma dimensão muito especial. Cada email que recebo, cada telefonema, cada SMS, scrap no orkut ou comentário no blog, me deixam tão animada. Pareço uma criança, sinto que sou querida, embora eu saiba disso, mais nesse momento, eu reconheço e confesso que não basta gostar de mim, eu preciso saber que voces pensam em mim. Confesso minha necessidade!

Meu I Ching de hoje me disse: "Montanha em cima, Trovão embaixo", que fala sobre a nutrição do corpo e da alma. Nutrição em todos os níveis. Me recomendava que eu cuidasse disso que eu reconhecesse e valorizasse tudo que me nutria verdadeiramente.

Algumas vêzes na minha vida, pessoas me disseram que eu passo uma idéia de que não preciso de nada; muitas pessoas já me disseram que sentem dificuldade em se paroximar para me ajudar, mesmo sabendo que eu estou precisando. Bom...vou explicar uma coisa: Cresci acreditando que tinha que me bastar, que tinha que me virar, que não podia ficar esperando ajuda; cresci acreditando que isso me fortalecia, que isso me construia. Bom....muitas águas passadas, terapias e reflexões.... continuo achando que não posso esperar por ajuda, que preciso ser forte e ter capacidade de me organizar sozinha, mas hoje reconheço que quando elas chegam, eu devo aceitá-las, devo abrir meu coração e simplesmente receber...hoje sou muito grata, por cada vez qua alguém me liga, ou me conecta de alguma forma, sou fascinada pela imensidão de formas para encontrar alguém que existem hoje em dia, não existe nenhuma desculpa para não encontrar alguém com tantos recursos...Amo isso!

Então meus queridos amigos que me escrevem, que me ligam, que enviam torpedos, scraps, comentarios no blog....AMO VOCES!!!!! Amo muito e me sinto muito alimentada por isso! Muito obrigada...muito grata! Tenho uma amiga querida (Ana Teresa) que quando me vê ou fala comigo me diz: Vc sabe que estou te acompanhando no meu silêncio, não sabe? E é verdade, eu sinto isso, ela é assim, e como já vivemos muitas dores juntas, sei como ela reage, mas adoro quando ela me diz isso! Uma outra amiga, Inge, que sei que está comigo e Judson na mente o tempo todo, apesar de não ligar muito, eu sinto a presença dela, sei o quanto ela deve sofrer com essa história porque ela gosta muito da gente como casal. Parece que desenvolvemos depois de uns 25 anos de amizade uma comunicação telepática. Tenho a sensação nítida do acompanhamento dela.

Tenho notícias boas: Judson teve alta do hospital, já está na casa de uma prima, estou voltando pra SP domingo e voltaremos pra casa na terça! A evolução cirurgica foi rápida e excelente. Ele iniciará em 15 dias a luta com as células cancerosas, com a quimio, essa é uma batalha que levará 6 mêses...mas, vamos viver a "cada dia o seu bem e o seu mal", e hoje temos a comemorar que ele está fora do Hospital, que em breve voltará para casa e que TEMOS MUITOS AMIGOS!!

Um beijo no coração de cada um de voces!

Ludmila Rohr
P.S Essa foto é o amanhecer no Rio Ganges na cidade Sagrada de Varanasi na Índia. Cada vez que fui nesse lugar, senti um alimento precioso que alimentou meu espírito para enfrentar todas as jornadas da vida. Voltaremos lá em 2010!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Águas tranquilas....


Essa foi uma noite difícil...mas uma noite que a vida começa a se revelar em seus detalhes. Antes era algo que parecia com a morte....sem dores, sem mêdos, sem incômodos...meio anestesiado, mais para um outro lado....agora, vieram as dores, as sensações de desconforto, os enjôos...e tudo aquilo que nos lembra que nosso corpo é uma fonte de dores e prazeres.

Essa é uma reflexào importante, porque pensar em morte é pensar em ausência de sensações e não em sensações desagradáveis. As pessoas normalmente fogem das sensações desagradáveis por que acham que elas fazem alusão à morte.....sensação, seja ela qual for, é sinônimo de vida...quando, na tentativa de fugir daquilo que é desagradável, fechamos o nosso corpo e a nossa alma para a dor, estaremos fechando o nosso corpo e a nossa alma para a vida!

Então voces podem entender a minha celebração quando Judson começa a sair da anestesia e dos efeitos dos medicamentos que o mantém meio dopado e começa a sentir! que venham todas as sensações...só a partir dessa experiência real, poderemos perceber sua evolução! A realidade é essa,...dor e evolução lenta...

Agora será um dia após o outro...esperar o rio correr no ritmo que tiver que ser....esperar o apetite voltar...esperar o sono voltar....esperar a vida que conhecemos voltar...estou calma....estou tranquila. Muitas pessoas me escrevem perguntando isso. Estou bem, estou exercitando me entregar ao ritmo que as coisas pedem...esperar e me entregar....

De certa forma estou ativa nesse processo.....mentalizo o fígado do meu marido sendo envolvido por muita luz, imagino que cada vez que respiro, muita energia se desloca na sua direção....energia de cura...de força e coragem...Vibro mantras, medito e atraio o que existe de melhor no universo. Ele está melhor...já caminha, já tomou um banho e em breve tomará uma sopinha....! As águas do rio nesse momento correm lentas e cada conquista é festejada...

Temos recebido tantas ligações de amigos, tantos emails, tanto carinho....esse é uma momento de muito encantamento também....Sou grata o tempo todo...sinto a energia amorosa que conquistamos dos nossos amigos, o quanto que cada um deles quer que isso passe...me sinto amada e acolhida...

Nesse momento o que de melhor pode acontecer é que as águas desse rio que nos leva, continuem tranquilas...limpas...e claras....e é nesses águas que seguimos boiando...amparados pelos Deuses e pela Mãe Ganga....

continuem vibrando!

Namastê!
Ludmila Rohr

P.S. Foto das águas límpidas e tranquilas do Rio Ganges, rio sagrado da Índia, em sua nascente...nas montanhas...