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terça-feira, 5 de abril de 2016

ESCOLHAS - uma breve reflexão


Se você não fizer suas escolhas, farão por você. Se você não sabe o que quer, alguém vai querer por você. Ser passivo na vida é uma escolha cômoda. Escolher muitas vezes significa ir contra a maré, desagradar, romper, mas é o único caminho da liberdade, individuação e autonomia. 


O conforto de não fazer escolhas, é poder culpar alguém quando elas dão errado, a vitimização tem suas glórias. O ganho em fazer suas escolhas e tomar suas decisões, é ser adulto e livre, o que significa apropriar-se de si mesmo. 

Muitas pessoas foram educadas para não desejarem, não quererem; então elas esperam que alguém queiram por elas, que alguém escolha por elas. Abrir mão do desejo, é abrir mão de uma força poderosa, força que move a vida. Sem ela, nossa vida é movida pelo desejo dos outros....do pai, do marido, da esposa, dos filhos, dos amigos, dos colegas.... 

Saber o que se quer, o que deseja, o que não quer, e o que não deseja, é um passo importante no processo de libertação. Ser adulto tem custo, teremos que assumir o preço disso, que é desagradar, e muitas vezes encarar solidão, mas não se esqueçam que desagradar é uma certeza na vida, e a solidão também. 

Precisamos apenas encontrar paz nisso.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

ENCARAR O ESPELHO PARA SER FELIZ


Temos várias escolhas a fazer durante a nossa vida, e todas trarão consequências que teremos que encarar, querendo ou não. Podemos passar anos da nossa vida escolhendo tentar agradar os outros em detrimento de nós mesmos. Podemos também com esforço exaustivo, tentar fugir de nós mesmos, dos nossos anseios, das nossas necessidades, frustrações, medos, raivas, inseguranças .... podemos criar personagens que sob um olhar superficial, pareçam críveis, podemos até enganar a muitos, mas não a nós mesmos. Toda vez que estivermos a sós, diante do "espelho", teremos que encarar a verdade, pois ninguém pode sentir a sua dor, ninguém vai sentir o seu vazio, nem resolver os seus problemas, ninguém vai encarar os medos ou frustrações por você, nem vai ter que lidar com os seus fantasmas, cedo ou tarde você mesmo vai ter que fazer isso. Como psicóloga e como pessoa que acredita que tomar posse de si mesmo, por mais dolorosos que seja, sempre será a melhor escolha, torço para isso se dê o quanto antes, a tempo de vivermos uma vida de verdade.

Estar misturado e disfarçados em meio a multidão, ou fazendo coisas o tempo todo, pode até nos manter na ilusória distancia de nós mesmos. Podemos nos enganar por algum tempo, nos dizendo que as coisas vão bem, que temos lidado bem com as dificuldades porque vemos os dias passarem e nada de mais grave aconteceu, que temos sobrevivido apesar de tudo!

As mentiras dos personagens que criamos podem convencer muita gente, pessoas que talvez não tenham interesse sincero em saber quem nós realmente somos e o que temos passado de verdade, até mesmo porque também vivem suas mentiras, mas não conseguiremos mentir para nós mesmos por muito tempo, ou por todo o tempo ....

As máscaras perdem a eficiência principalmente naqueles dias que a alma nos pega de jeito, nos dias que as nossas verdades não aceitam tapeações e deixam nossas feridas expostas ... nesses dias, não há como fugir ...ou sucumbimos ou nos superamos, mas mentir, atuar ou fingir não é mais opção.

Olhar com honestidade para o espelho, em busca de livrar-nos das imposições externas, de expectativas externas....desfazer das máscaras, desmontar os personagens, reconhecer a diferença que existe entre a minha defesa e o aquilo que sou de verdade, é o primeiro passo para o "tomar posse de si mesmo". Apropriar-se da paz e da força que vem a partir do momento em que você descobre que não precisa fingir, que não precisa atender as expectativas externas violentando a si mesmo, é o grande ganho nisso! 

O processo terapêutico tem essa função. Servir de espelho. O terapeuta tem a função de nos ajudar a olhar esse espelho, descobrir que não há nada mais empoderador, e libertador que a verdade, ou o autoconhecimento. Não há nada mais incrível que descobrir que existe alguém de verdade, escondido atrás de personagens exaustivos, um alguém que pode amar e ser amado, que pode caminhar com as próprias pernas e ser produtivo, um alguém que pode ser feliz, feliz de verdade. 

Felicidade não é colocar, a todo custo, um sorriso eterno no rosto. Felicidade é sinônimo de libertação e de verdade.

É possível ser feliz apesar das dores e das faltas. 

É possível viver sem trair a si mesmo. 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

COM ASAS PARA VOAR!


Tenho voado muito, é verdade. 
No sentido literal, tenho voado muito mais do que gostaria, mas não estou reclamando.
Morando na Coréia do Sul, tendo um filho nos EUA e outro no Brasil, além de irmãs, mãe, sobrinho, amigos e meu meu trabalho, tenho voado muito tentando cobrir esses 3 pontos tão distantes entre si, mas tão juntinhos no meu coração. Tenho casa em vários lugares.

É bem verdade que tenho voado bastante a passeio. Tenho conhecido lugares na Ásia que jamais imaginara conhecer. Nunca sonhei conhecer Singapura, ou Hong Kong, ou mesmo a Indonésia, mas já conheci esses lugares, mesmo sem ter sonhado com isso. Nunca havia sonhado, não por que achasse impossível, pra ser mais sincera, achava improvável.  Já fui 3 vezes a Índia e ao Nepal, mas essas viagens foram sonhadas desde o dia que nasci. Foram viagens planejadas e desejadas nos mínimos detalhes, ou pelo menos a primeira delas. Acho que nas outras duas, eu apenas peguei o embalo dos sonhos, somando com os desejos e a certeza de que seria possível. Enfim, realizei esse sonho por 3 vezes, sendo que em uma delas, fomos a família toda. Puder ver meus filhos na Índia.

Tenho realizado coisas que nem ao menos ousava sonhar, como ver um show de Elton John. Já fui a dois shows dele, e olha que quando assisti ao primeiro, eu pensei: Já posso morrer! Chamei de Momento Orgástico! Depois disso como posso duvidar da energia que colocamos nos sonhos? Como poderia não acreditar que as coisas que desejamos são possíveis. Como não imaginar que o que sonhamos com vontade, se realiza? Um sonho alimenta outro. Como se um impulsionasse o outro. Como se pegássemos o embalo!



Além dos vôos literais, sou uma pessoa que sonha. Sempre achei que podia sonhar e me permitia sonhar o que quisesse. Acho que nunca encontrei ninguém ( que realmente importasse) pra me dizer que eu não devia sonhar, ou que os meus sonhos eram demais. Muito pelo contrário. Meus pais nos davam permissão para isso, e além da permissão, acho que eles autorizavam e alimentavam isso. Embora tenha nascido em uma família simples e sem dinheiro, minha família era ousada. Ousavam muito. Meu pai era um sindicalista que sonhava, e minha mãe era uma professora que amava o que fazia, mas era uma mulher que começou faculdade com 3 filhos pequenos e se formou recém-parida do quarto filho. Era uma mulher ousada e corajosa. Tive bons exemplos.


Nunca achei que os limites me seriam impostos de fora pra dentro. Nunca acreditei que alguém ou algo externo a mim, pudesse me dar limites. Sempre estive ciente de que apenas eu, teria esse poder. Acreditava e acredito no meu poder sobre mim. Acreditei por toda a vida no meu poder de decidir e de fazer escolhas, e tive muito pouco medo de ousar, de errar ou até mesmo de me machucar, e olha que já errei e me machuquei muito.

Sempre voei. Embora seja uma capricorniana de livro, com raízes extremamente profundas, percebo que minhas raízes me pertencem, e não ao lugar. Todo lugar que estou consigo finca-las, todo lugar que vou, consigo sentir que poderia fincá-las se assim quisesse.  

Me reconheço em qualquer lugar. Se entro em conflito com isso, medito, respiro, me questiono, confronto a mim mesma, até que me reconheça outra vez. Percebo como é fácil para mim, me reconhecer quando estou na minha terra, no Espaço Mahatma Gandhi *. Sei exatamente quem eu sou quando estou no meu consultório ou na sala de yoga; mas também não é difícil, embora seja sofrido, me reconhecer longe deles.

Tenho raízes. Tenho asas. 

Exatamente por que tenho raízes, posso ter asas. Posso ter asas cada vez mais poderosas, e que voam cada vez mais alto e distante. Posso ir, sem medo de me perder. Posso arriscar sem medo de errar. Posso me perder e errar. Simplesmente posso. Não tenho medo de estar perdida, muito menos de errar. Tenho permissão interna para me perder, pois confio que sempre me acharei de volta, assim como tenho certeza de que errarei, simplesmente por que é impossível não errar.

Tenho medo sim, e imenso, de cortar minhas asas. 
Tenho medo de impedir a mim mesma de voar, de acreditar, de sonhar, de ousar, de sentir, de rir e de chorar... tenho um medo grande de que por algum motivo que hoje não reconheço, de eu mesma cortar minhas asas, por que só eu tenho esse poder, ele me foi conferido, e a responsabilidade seria toda minha. 



A vida voa, o tempo voa...


.... a boa notícia é que nós somos o piloto desse vôo, e assumir o controle disso, é sair do lugar de vítima e assumir que faz escolhas e que não terá ninguém para responsabilizar. 

As asas são suas. 

Se quiser voe!

Quando quiser, voe!



*  www.mahatmagandhi.com.br 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

QUANTO VALE A LIBERDADE?


Seoul moderna
 Para mim, as questões relativas à liberdade sempre pertenceram ao campo subjetivo. Achava realmente que a liberdade dizia respeito a minha mente, e ao auto-controle. O yoga me ensinou que ser livre, significava ser dona de mim mesma, ser um "swami", não ser dominada pelos meus pensamentos, emoções e sensações. Buscar essa liberdade sempre foi uma meta para mim, e o caminho para isso sempre foi a meditação.

Seoul rica


Entretanto, acabei de assistir a um documentário português chamado "LIBERDADE OU MORTE"  , que retrata a fuga de um grupo de pessoas da Coréia do Norte em direção a sua irmã, Coréia do Sul. Apesar dos dois países serem fronteiriços, eles precisam atravessar a China, a selva do Laos, pra alcançar a Tailândia e lá, conseguirem abrigo como refugiados na Embaixada Sul-Coreana e poderem partir para a Coréia do Sul.

A fronteira entre as duas Coréias é a região mais vigiada do planeta. Não existe a menor possibilidade de atravessa-la sem ser visto. A política chinesa é extremamente cruel com fugitivos da Coréia do Norte, se eles são descobertos, são devolvidos para o país, e lá são presos e torturados, quando não são mortos. 

Esse tipo de história é comum aqui na Coréia, onde moro desde dezembro de 2011. Estava aqui quando Kim Jong Il, ditador norte-coreano morreu. Soube que existe um Ministério da Reunificação aqui na Coréia do Sul, preparado para uma possível queda da vizinha do norte. Descobri também que a maior base militar americana fora dos EUA, está aqui na Coréia do Sul. Embora a vida aqui seja muito tranquila, essa é uma região tensa do planeta. 

Seoul tradicional
Andar pelas ruas ricas de Seoul e pensar que ao lado, na Coréia do Norte, as pessoas passam fome, é assustador. É difícil pensar que esses dois países, com realidades tão opostas, eram um só. Pensar que essas pessoas que foram divididas pela política e pela estupidez da guerra, eram um só povo. Pensar que a União Soviética acabou, as Alemanhas se reunificaram, mas as Coréias continuam separadas, é desolador. 

Bom...depois de assistir a esse documentário, continuo pensando que a Liberdade é uma questão mental para nós que crescemos com a liberdade de ir e vir,  podendo expressar opiniões sem medo de sermos presos. Minha liberdade de ser o que sou, custa muito pouco diante do que custa para essas pessoas (que vi no vídeo).

Nossa liberdade pode nos custar no máximo inimizades e desagrados, e mesmo assim muita gente prefere não pagar. Muita gente prefere se esconder atrás dos medos, pra não ter que encarar o preço da liberdade, e olhe que nossa liberdade pode até parecer cara, mas nunca custará a nossa vida. 

Depois de ver no documentários, pessoas dizerem que preferem a morte a continuarem prisioneiros da ditadura; pessoas que atravessam selva a pé e com fome; pessoas que enfrentam situações concretas de privação de liberdade que nunca jamais pensamos em viver, a pergunta que não quer calar é: Quanto estou disposta a pagar pela minha liberdade? 


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Dançando....mudando...libertando....


Sou capricorniana. Sempre tive muitas metas, e nunca tive medo delas. Metas ambiciosas para alguns, mas não para mim, sempre achei que o que eu de verdade quisesse, eu poderia alcançar.

Fiz isso com muitas coisas que desejei. Não temia as experiencias, não temia o fracasso...nem o sucesso. Por incrível que pareça às vezes até temia o sucesso. Estranho mais é verdade!


Cheguei numa idade que eu amo! Farei 46 anos! Me sinto madura, adulta e cada dia mais livre. Cada dia mais livre de mim mesma! Isso é que é legal! Não tive pais repressores...e nem posso culpar ninguém por nada que eu não tenha feito...se houve algo que deixei pra trás, foi fruto de mim mesma...o freio estava em mim!


Estou para viver uma grande mudança da minha vida! Viverei a partir de dezembro por algum tempo nos EUA. Vamos a família toda! Judson já está lá. Tudo indica que em dezembro estarei também. Penso em estudar, penso em trabalhar...me pego com tantos desejos...Não sinto medo. Sinto uma excitação grande quando penso nessa mudança.


A medida que as pessoas que me conhecem vão sabendo disso, ficam espantadas. Como posso deixar o Espaço Mahatma Gandhi (http://www.mahatmagandhi.com.br/)? Como posso deixar pra trás as coisas que plantei aqui? Clientes, alunos..casa...amigos...?? Não sinto que deixo nada pra trás...mas sinto que a vida faz essas coisas...e nós temos que escutar e sentir esses movimentos..


Depois de ter enfrentado, ao lado do meu marido, um câncer durante esses dois anos, sinto que me liberei de muitas coisas...se já me sentia uma pessoa livre...agora me sinto mais ainda...; se já não tinha muitos medos, agora então...Essa doença, me ajudou a perder algumas ilusões...de segurança e estabilidade...se a impermanência já era um tema pra mim, agora virou uma verdade!!!


Em setembro viajei pra Europa, estava na Alemanha, quando me percebi estava apaixonada pela ordem de lá, tudo funcionava, tudo era tão perfeito...depois de alguns dias, aquela perfeição começou a me incomodar...não é possível pra mim que a vida esteja tão sob controle como eles tentam mostrar, ou até mesmo acreditar!! Procurava o caos naquela ordem e não achava.


Um dia, estava em Köln, cidade linda, em frente a famosa catedral, lugar muito lindo...muitos turistas...todos muito educados, nenhuma bagunça...tudo limpo...tudo em ordem...escuto um som jamaicano. Era um artista de rua, um homem negro, jamaicano, cantando Bob Marley..as pessoas escutavam..colocavam moedinhas..e continuavam a andar...ele tocava e cantava...


Nesse momento, eu vi o caos!

Onde estava a expressão? O que aquelas pessoas sentiam? Não é possível que aquilo não provocasse nenhuma reação. Elas estavam gostando..por que colocavam moedinhas...mas onde estava o corpo delas? porque elas não expressavam nada?


Aquilo me incomodou...eu não queria aquilo pra mim..foi tão simbólico...algo se descortinou diante dos meus olhos...então, comecei a dançar!!! Eu dançava sozinha no meio da rua!!!


Don't worry about the things...cause every little things is gonna be all right! ...e eu dançava!

No woman no cry....e eu dançava....dançava sozinha...no meio da rua!!!


O jamaicano adorou! acho que ele se deu conta da solidão dele naquele momento...

As pessoas na rua reagiam de forma diferente...algumas tiravam fotos....outras olhavam com espanto..e outras nem viam! Eu não estava nem aí...vi isso, depois nas fotos que minha mãe tirava...acho que ela se espantou também! acho que ela desejou fazer aquilo também!

Eu dancei no meio da rua em meio àquela "ordem" toda! Parecia que eu de alguma forma, quebrava aquela ordem aparente...balançava a estrutura...trazia vida àquele lugar!


Uma energia enorme tomou conta de mim! Senti em todo meu corpo a liberdade possível! Entendi no meu corpo porque muitos Deuses indianos são representados dançando!!

Senti que o que me aprisiona, é aquilo que eu quero e deixo que me aprisione...

Nenhum olhar pode me aprisionar.


Ninguém pode aprisionar minha alma, assim como ninguém pode libertá-la!


Ludmila Rohr



domingo, 11 de outubro de 2009

Símbolo de Poder e Liberdade!


Terei que dar uma pausa no tema da sexualidade que vinha desenvolvendo, mas ele voltárá logo. Não se preocupem. Mas, preciso fazer isso, porque nesse instante conversando com uma amiga no msn...nem me lembro como o assunto começou, mas de repente estávamos falando sobre o simbolismo dos cabelos, sobre nossa visão a respeito de "cabelo"!


Bom, meu filme preferido de toda a vida, chama-se "Hair", já o assisti umas mil vezes. Ele tem tudo a ver com uma época da minha vida, mas que não fica pra trás nunca..sempre me acompanha.


Semana passada, meu filho Lucas que tinha os cabelos muito longos (na cintura), resolveu raspá-los. Acho que ele começou a se sentir preso a uma imagem. Não interfiro nisso, mas me deu uma dor vê-lo raspando a cabeça. Ele tá lindo sem eles também, e acho que foi um momento de ruptura importante pra ele..sinto que é como se ele dissesse que não precisa dos cabelos pra se conectar com o poder dele. Que ele se basta.


Tenho lidado nesses últimos 2 anos, por conta do câncer do meu marido, com pessoas que perderam os cabelos por causa da químio...tenho visto como para a grande maioria é uma grande dor.


Meus cabelos são longos e cacheados....digo sempre que sou uma espécie em extinção...que em algum momento irão me fotografar pra provar que existiam mulheres que tinham cabelos cacheados. As mulheres hoje são todas iguais com seus cabelos lisos.


Sempre que vou ao salão alguém me pergunta se não quero defrizá-lo, ou fazer uma escova progressiva, japonesa...afe...nem sei mais os nomes. Sempre respondo com uma pergunta: Voce por acaso está com medo dos meus cabelos? Porque eu não tenho.


Em uma passagem de Hair, um personagem confronta a mãe indignada que o cabelo dele, com a seguinte pergunta: Maria aceitava os cabelos longos de Jesus, por que voce não aceita os meus?


Os cabelos estão ligados a muitas tradições espirituais. Os Sikhs na Índia não cortam o cabelo nunca durante toda a vida. Jesus, Budha, Khrisna, metres, gurus, rishis....todos tem cabelos longos... até quando alguém tenta transformar Deus em um homem, esse homem é personificado com cabelos e barbas longas. Todos conhecem a história de Sansão que perdeu a força quando cortou os cabelos. Raspar a cabeça em várias culturas, tem o significado de sacrifício, de abnegação, ou de ritos de passagem.


Mas, os meus cabelos cacheados mexem com as pessoas não porque são longos, mas porque os deixo naturais, como eles são. Domar, controlar, conter, reduzir, desbastar..são verbos usados quando querem me propor algo. Dai eu penso: Será que eles tão falando mesmo do meu cabelo? Qual a fantasia de ameaça que ele produz que precisa de tanta contenção?


Cabelos são incontroláveis. Eles tem vida própria, e humor também. Eles se rebelam e fazem não o que queremos, mas o que eles querem. Eles representam pra mim, um poder que vem de dentro de mim. Poder que só posso ter, quando me rendo a ele. Estar rendida à minha natureza, é assumir o meu poder. Não quero nada me controlando, nem me domando, muito menos me reduzindo...quero expansão, quero apropriação, quero todo poder que meu corpo tem pra me dar.


Assim como eu sempre achei que meus partos naturais, me levaram a uma conexão profunda com algo da minha natureza animal, meus cabelos também me levam a isso.


Não existem cabelos feios. Existem cabelos mal cuidados, ou mal entendidos.
As pessoas não são iguais, então porque querem cabelos iguais?
Chris Rock, comediante americano, e negro, fez um documentário sobre cabelos, e a grande pergunta dele, era por que as pessoas queria ficar iguais a todas as outras? Com uma imagem homogênea e pasteurizada?


Bom...nada contra a absolutamente nada que as pessoas façam ou queiram fazer pra se sentirem melhor, ou mais belas, mas...meus cabelos continuarão aqui, enquanto for do meu desejo...e serão (pra mim) um símbolo do meu poder e liberdade! E recomendo que assistam Hair, se ainda não o assistiram. É um lindo filme!
Ludmila
P.S. Na foto com Lucas, antes de abrir mão dos cabelos, vendo por-do-sol no Farol da Barra.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Só....mas nunca sozinha!


Bom....hoje foi um dia difícil...dei minha primeira aula de yoga depois que soube desse novo diagnóstico do meu marido. Então tive que compartilhar com meus alunos queridos esse meu momento. Em 2008, eles foram uma companhia constante, eles foram amorosos, solidários...choraram comigo quando soubemos do câncer, e se alegraram quando soubemos que o tumor havia desaparecido. Hoje tive que começar a contar que teremos que passar por isso outra vez.

Uma vêz ouvi um ditado (acho que chinês): "Quanto maiores forem os seus segredos, maior é a sua prisão", gostei tanto disso, teve tanto significado pra mim....Sinto que quando abro meu coração e exponho o que sinto, ou que estou passando, encontro apoio, ressonância...recebo muito....e mais ainda, me sinto livre!

Bom...sou professora de yoga, e desde sempre fujo de um rótulo muito comum, no imaginário de algumas pessoas, de que ser prof de yoga significa ser Zen (do senso comum), ou seja , alguém que está acima do bem e do mal. É muito comum, a associação dos professores de yoga com alguém que não se abala, professores de yoga cuidam do corpo e do espírito, as emoções ficam para os não praticantes. Uma vêz ouvi de alguém, que para um professor de yoga eu era muito alegre! uau! Fiquei pensando o que essa pessoa acharia de mim como prof de yoga, se me visse com raiva ou com mêdo?

Sou professora de yoga, e tento ensinar que devemos estar inteiros, e quanto mais livres dos condicionamentos melhor! Ser uma praticante do yoga me fez compreender que posso me desidentificar dos fatos, das sensações e das emoções. Eu não sou a dor, eu tenho uma dor. Eu não sou o mêdo, mas eu estou sentindo isso.

Quando penso dessa forma, não há espaço para o desespero, me mantenho livre, eu estou aqui...essa dor existe, mas EU estou aqui. Essa compreensão eu devo ao yoga. A prática constante, não só com o corpo, mas também com a alma, me permitem hoje sentir tudo que minha alma produz, ou que a vida me coloca diante, mas posso contemplar, apesar da dor, posso observar, perceber algo maior naquilo, algo que me faz crescer...que me ajuda a ser uma pessoa melhor.

É verdade que terei que falar com todos os meus alunos, clientes, amigos...e ver os meus sentimentos refeltidos no rosto de cada um, terei que ver expressões de frustração e de dor de cada um deles, por que sei que ninguém quer me ver passar por isso outra vêz, e eu muito menos. Mas....terei que viver todas as dores e prazeres que me cabem nesse momento.

Não me sinto só....a minha sensação é que estou completamente acompanhada, e isso me dá muito conforto, mas sei também que posso ficar só, que tenho o direito de ficar só, que tenho essa liberdade, que posso me permitir esses momentos que me ajudam a escutar meu mestre interno, escutar meu coração....nunca sozinha, mas só! Isso só é possível quando estou só, em contato íntimo com um lugar de muito silêncio e paz que sempre existe dentro de mim!

Namastê!

Ludmila