quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Happy Thanksgiving, e o Rio?

 Hoje é feriado aqui nos EUA. É o Thanksgiving Day. Dia de agradecer. Acordei disposta a entrar no clima desse feriado norte-americano. Dei uma lida na história desse dia e de como ele foi se tornando um feriado importante para os estadosunidenses.

Gosto de vibrar gratidão, então pensei que seria muito fácil entrar nesse clima. A gratidão é um sentimento tão forte em mim que pensei que seria muito fácil permanecer com ele o dia inteiro.

Costumo dizer que Gratidão é o sentimento mais prazerosos para o corpo, ele é confortável. Toda vez que vibramos na sintonia da gratidão, nosso corpo relaxa e produz uma sensação confortável de prazer. Nada que pareça com a sensação corporal de um orgasmo, ou da paixão...ou mesmo até da alegria. A gratidão é confortável como um cobertor quentinho em dia de frio, ou um banho refrescante em dias de calor. As pessoas felizes, são necessariamente pessoas gratas, e as infelizes, com certeza são aquelas que não conseguem ser.

Pois é..acordei assim...tocada e conectada com essa vibração, e resolvi escrever sobre isso, até que liguei o computador e me deparei com a situação no Rio de Janeiro. Cenas chocantes, polícia, traficantes, uma verdadeira guerra ao vivo..sendo transmitida para a mundo. 

Na mesma hora, meu corpo ficou tenso..meu coração apertou...minha respiração deu uma travada..a desconfortavel sensação do medo e indignação me tomou. Indignação e apreensão..sentimentos que me trouxeram de volta pra o mundo real e duro que o Brasil vive agora.

Estou aqui tentando agradecer pela vida e pensando naquelas pessoas com seus filhos e seus velhos que moram nessas favelas agora.

Estou aqui tentando agradecer por minha mente lúcida que pode distinguir o bem e o mal, e pensando nas pessoas que estão em pânico no Rio nesse momento.

Estou aqui tentando agradecer pelos meus filhos lindos e saudáveis, e penso nas mães desses traficantes que não tiveram nenhuma chance de educá-los. Sem querer associar pobreza a marginalidade, pois marginal rico é o que não falta, assim como pessoas do bem que cresceram na maior absoluta pobreza. Entretanto, mãe é mãe. Penso nas mães dos policiais que sabem ter seus filhos em uma verdadeira guerra.

Estou aqui no meu conforto pensando em agradecer por isso e pensando nos moradores trabalhadores e do bem, que vivem nas favelas que estão sendo ocupadas pelos traficantes e pelos policiais e que são reféns dessa situação caótica.

Queria tanto hoje só agradecer...queria tanto hoje só falar de coisas lindas...do Amor, da Vida...essas coisas...mas só consigo pensar que a vida é muito dura nesse momento para as pessoas que vivem nas favelas do Rio e que torço muito para que os danos sejam os menores possíveis, e que as autoridades possam perceber que a Impunidade é o grande mal do nosso país,...com nossos políticos corruptos, com nossa sociedade rica que mantém o tráfico vivo, com a justiça lenta  que permite que criminosos estejam nas ruas... Sociedade sem educação e onde a impunidade é comum, não vai pra lugar algum!

Happy Thanksgiving!

Ludmila Rohr

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O Nó sem Fim - minha nova Tatuagem!

Essa é minha nova tatuagem: O Nó sem Fim!

Minhas tatuagens tem história, elas tem um motivo e um significado.
Essa é inspirada em um dos 8 Símbolos Auspiciosos do Budismo Tibetano, O Nó da Eternidade, ou o Nó sem Fim como prefiro chamá-lo.
Esse desenho indica a sabedoria e a compaixão ilimitadas.
Indica a continuidade da Vida.
Ele não tem começo, nem fim.
Essa é a minha linda tatuagem, pela qual estou apaixonada agora!

Falarei aqui sobre o que ela significa para mim. Não darei aulas de budismo, porque nem poderia e provavelmente um budista estudioso se arrepiará com minhas meditações, mas elas são as minhas meditações sobre esse símbolo! São minhas e sobre esse momento. Não entendam e nem aceitem esse post, como um ensinamento, por favor!!!

Bom...vamos às minhas meditações...Gosto dessa idéia de que algo que não começa do Zero. Para mim nada começa do zero. O nada, nada pode gerar! Temos sempre uma bagagem atrás que nos alimenta de alguma forma. As lutas que vivemos hoje foram alimentadas, ou iniciadas por gerações antes da nossa. Ou algo que recebemos da vida hoje, foi plantado em algum momento atrás. Gosto de pensar nas muitas gerações de mulheres que vieram antes de mim e que conquistaram tantas coisas que hoje posso fazer, realizar...gosto de pensar nisso e de alimentar uma gratidão por todos que vieram antes de mim.

Gosto de pensar a Vida como uma seqüencia infinita de começos e recomeços. Quando penso assim, entendo que nada do que fazemos fica escondido em algum canto qualquer. Esse símbolo me leva a pensar que teremos que rever tudo em algum momento, ou que reencontraremos com tudo e com todos em algumas dessas curvas da vida. Não há como fugir das nossas pendências. Não existe a menor chance de colocarmos algo debaixo do tapete e fazermos de conta que ele não existe ou nunca existiu.

Esse símbolo me lembra de que não conseguirei fugir das minhas sombras, elas virão atrás de mim em algum momento, ou elas simplesmente aparecerão diante de mim em alguma curva que a vida me levar a fazer. Esse símbolo me alerta de como é mais fácil viver de forma honesta, direta, clara, sem subterfúgios, sem dissimulações, sem tentativas de mostrar aquilo que não sou, pois a vida se encarregará de revelar...

Se toda a VIDA está girando nesse nó sem fim, não há rotas de fuga! Não há como fugir das Verdades. Não há possibilidade de fugir de mim mesma, quanto mais daquilo que preciso aprender! Se eu tento...posso até adiar a experiência, mas não por todo tempo..ela virá, em algum momento a experiência necessária chegará, e me conduzirá ao aprendizado que preciso.

Tenho algum tipo de arbítrio (mínimo) sobre o tempo, mas mesmo assim, é um pequeno poder, não é tão grande quanto eu quero acreditar. Posso arbitrar adiar uma experiência, mas nunca posso arbitrar sobre não ter aquele aprendizado, e nem posso imaginar adiar por todo o tempo que eu quiser...os giros da vida vem e nos colocam de volta ao mesmo lugar. Diante da mesma história. Talvez os personagens tenham mudado, mas os conteúdos não.

Isso não é um castigo. Os Budistas entendem como compaixão, como a suprema misericórdia, pois é a chance de nos revermos, de limparmos o que sujamos, de atualizarmos nossas experiências..de pedirmos desculpas, de reeditar algumas histórias, de fazermos o que fizemos antes, só que agora de uma forma mais decente, mais honesta, mas verdadeira, mais honrada. Isso é compaixão....a chance interminável de nos reconstruirmos. Bom, né?

Nem sempre as pessoas gostam muito dessa idéia. Principalmente quando o aprendizado mobiliza com a vaidade, com a imagem, e por não gostarem gastam uma energia imensa tentando fugir dela...ou tentado convencer a si mesma e ao outro que não tem nada a ver com isso, que aquela experiência não é sua, que ela é uma vítima de outro alguém...perda de tempo. Tudo é justo..e tudo que está no âmbito do seu "Nó", é seu! Só voce poderá viver! O que está no meu "Nó" é meu e só eu poderei viver!!! Sem vítimas, sem algozes!

Esse "Nó" pode ser entendido , pelos inconscientes, como um verdadeiro inferno...pois não há saídas..mas não é ..é justo..é na medida exata..nem mais, nem menos. Mas é um verdadeiro céu, no momentos em que estamos colhendo as frutas de boas sementes...

Transceder..precisaremos transcender! Essa é a forma de libertação...

Sobre isso, falei em um post antigo, motivado por uma outra tatuagem (essa aí) , vão lá ver!

Mas..por enquanto..tô aqui apaixonada pela minha nova tatuagem, e encantada com a vida.  encontrando as boas sementes (méritos) que plantei em algum lugar na minha vida e as sementes não tão boas assim..que também plantei! Tudo justo...tudo meu! Não há nada que colho, bom ou ruim que não tenha sido gerado por mim mesma em alguma curva desse NÓ!

Sem queixas vou colhendo meus frutos!

...e como me sinto feliz e em paz...devo ter plantado coisas boas por aí!

Namastê

Ludmila Rohr


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Minha alma está chegando....

  Estou de volta ao Texas após cinco semanas em Salvador. 
A demora em escrever um novo post, já que escrevo regularmente toda semana, é que minha alma estava a caminho...ela não chegou junto com o meu corpo. Como sempre escrevo com a alma, ficou impossível escrever enquanto ela não chegava...

Fico uns dias como se estivesse pela metade, incompleta, faltante, sem muita energia...É como se eu estive em um espaço paralelo, nem lá, nem cá. No limbo. Não tem desconforto, mas também não é confortável. Sensação sem nome, mas se tivesse uma cor, seria Bege. Não me reconheço quando estou assim, pois posso ser tudo, menos bege...entretanto, tenho meus dias bege...

Então, fico pacientemente esperando a alma chegar. Ela tem seu tempo...ela não vem de avião...ela vem com o vôo dos pássaros, ou vem montada num lindo cavalo, ela vem com os ventos...e vai chegando..Respeito esse tempo. Não me cobro muita coisa, pois fico lenta e mais contemplativa que normalmente já sou. Espero pacientemente pois adoro ver que o tempo tem vários giros ao mesmo tempo. É como se vários relógios em ritmos diferentes, girassem dentro de mim ao mesmo tempo...e, é assim mesmo.

Nos meus últimos dias em Salvador tive um encontro com o Lama Padma Samten, encontro inesperado, que mexeu bastante comigo, que resignificou essa minha estadia em Salvador. Entendi que eu estava ali, para ter esse encontro. Eu não tinha a menor idéia de que iria ver o Padma Samten até uma semana antes de voltar. A produção dele, ligou pedindo espaço no Salão do Mahatma Gandhi, para um palestra do Lama que estaria lançando um livro. O horário que eles precisavam, seria da minha última palestra em Salvador, da minha despedida. Não pensei um só instante..entendi que era o Lama que deveria estar lá. Sinto no meu coração que é sempre uma grande honra e mérito receber um Lama em minha casa, e ele veio.

O tema da Palestra e do seu novo livro é "A Roda da Vida". Esse é um tema do Budismo que me ensinou muito como  viver e aceitar os ritmos da vida. Aliás, o budismo é pra mim um manual simples e claro da psicologia do bem viver. Sem grandes surrealidades, o Budismo fala de coisas óbvias, e que de tão óbvias não costumamos enxergá-las. O Budismo fala da vida real, desse momento agora, e de como encontrar PAZ. O Budismo é um Manual de Encontro consigo mesmo e por consequência, com a Paz.

Ouvir o Lama mais uma vez foi um presente, creio que foi um mérito. Receber o olhar amoroso dele me alimentou. Receber alguns abraços carinhosos me tocaram na alma. Lembramos que ele esteve pela primeira vez no Espaço Mahatma Gandhi há 14 anos atrás!

Estou em Houston mais uma vez, é aqui que eu moro, é aqui que tenho que girar minha Roda da Vida agora, é aqui que tenho que exercitar o Amor e o Desapego. É aqui que tenho que ser feliz. Isso não me assusta, muito pelo contrário. Gosto de estar aqui e gosto das possibilidades que existem pra mim nessa terra. Gosto da minha casa, gosto do tempo que tenho para escrever, para trabalhar criando, imaginado...tendo idéias.. Realmente gosto de estar aqui. Quando chegar o dia de ir embora daqui, vou feliz também..vou ao encontro de novos amigos, novos aprendizados, novas experiências...

...mas por enquanto....só aguardo minha alma chegar...sinto que ela já está quase toda em mim...mas, paciência..ela vem com tempo e eu, apenas contemplo.

Namastê

Ludmila Rohr

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Quem é o povo brasileiro?

 Essa semana foi diferente. As eleições aconteceram..eu não votei, já que transferi meu título para Houston..fiquei de camarote vendo as coisas acontecerem, e não gostei de muita coisa que vi. Isso não tem nada a ver com o resultado das eleições. Não acredito em políticos. Nem ao menos acredito no "poder" deles... Sempre acreditei no povo..nas pessoas... 

Não suporto política e nunca achei que mudança alguma em um país se desse por causa de um político ou outro, ou mesmo graças a um partido ou outro. Acho que as mudanças sempre acontecem a partir do povo, os políticos apenas as reconhecem. Daí a minha tristeza.

Dilma sendo eleita, ou se Serra tivesse sido, para mim, (acreditem) não fazia a menor diferença. Nunca me dei ao trabalho de analisar as propostas de  nenhum dos dois. Podem me chamar de alienada, mas é verdade.

Eu gosto de pessoas. Sempre olhei mais para as pessoas, do que para seus discursos. Sempre olhei e acreditei mais no que seus corpos falavam, do que nas suas falas. Sou psicóloga...e tenho o vício de tentar ver as pessoas através dos seus movimentos corporais...do tom da sua voz, do brilho dos seus olhos.. E na campanha, nos debates..nenhum dos dois se pareciam pessoas, eram personagens, eram algo estranho...menos pessoas..então, não votaria em nenhum dos dois.

Entretanto a campanha presidencial revelou um povo com um comportamento cruel, xenófobo, racista, maniqueísta, homofóbico, preconceituoso, esperto (no pior dos significados), um povo disposto a pisar no seu igual...triste...muito triste...

Lembrei daquele livro..O Senhor das Moscas, em que amigos se transformam em inimigos por causa da sua sobrevivência e perdem a humanidade, lembrei de guerras recentes no leste europeu em que pessoas que antes eram vizinhos amigáveis, viraram inimigos por causa de suas diferenças étnicas. Pensei em como podemos ser sombrios e cruéis quando nos sentimos ameaçados.

O mesmo pessoal que reclama de roubalheiras no governo, de corrupção e tudo mais..é o mesmo que queria matar nordestinos, que acusou Dilma de ser "lésbica" (como se isso fosse uma ofensa), que se comportou de forma religiosa-fanática,.....É o mesmo povo que fura filas no trânsito, que invade sinal vermelho, que não respeita a faixa de pedestre, que dirige após beber, que não se intimidaria em não pagar impostos corretamente, que não se intimidaria em se apropriar do que não é seu se pudesse, que descuida dos idosos, dos animais, da natureza...Esse povo que "ESPERA" que algum governante resolva seus problemas, de fato não se enxerga de forma adulta, não percebe sua participação pessoal no estado que o Brasil se encontra.

Por isso, meus queridos conterrâneos, pra mim não interessa quem irá governar...por que seus governados serão os mesmos..e assim que tiverem chances de "se dar bem" , o farão! 

Adoro ser brasileira, nasci e vivi aqui minha vida toda...mas tenho vergonha da "esperteza" que faz parte da nossa cultura. Se tem um ditado popular que ODEIO e que descreve tanto essa característica do brasileiro é:  "Farinha pouca, meu pirão primeiro."

Enquanto pensarmos assim, nunca teremos como mérito, um presidente como o Mahatma Gandhi. Teremos que nos contentar com o reflexo do que somos e temos sido, pois isso é o que os nossos governantes são!

Ludmila Rohr

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Eu em Salvador 3

 Esses tem sido dias intensos! Farei um pequeno resumo hoje.
As minhas palestras são a minha grande paixão. Fiz algumas.

A primeira palestra foi sobre o Ahimsa e o Satyagraha, em homenagem ao Mahatma Gandhi, meu grande Mestre e que dá nome ao Espaço que criei e alimentei durante esses anos. O Ahimsa é a prática da não-violência, é a compreensão de que podemos viver agindo e não reagindo. A ação pacífica é sempre a melhor resposta à qualquer tipo de violência. O Ahimsa é diferente de omissão, ou de fechar os olhos para o mal... O praticante da violência, luta contra ela, mas luta com as armas da Paz..da denúncia pacífica e do Amor. O Satyagra é o Poder da Verdade. O Mahatma ensina sobre a Verdade, e como ela é poderosa, como ela transforma a vida, e nesses dias de mentiras institucionalizadas que vivemos falar em Verdade, parece ingenuidade, mas a Verdade é o único caminho..acreditem..é o único Caminho para a Liberdade! A mentira aprisiona e escraviza. A verdade Liberta!

Na segunda palestra falei sobre uma visão que desenvolvi sobre os Chakras como um Caminho, não li em livro algum, e certamente isso daria um livro que um dia escreverei. Os Chakras revelam um mapa precioso que nos indica um caminho de ascensão e crescimento pessoal e espiritual, mas como sou psicóloga não consigo deixar de analisar as coisas a partir desse olhar. A essa compreensão dos Chakras, nos indica também formas de solucionar problemas, de compreender sistemas relacionais e padrões emocionais. Essa foi uma palestra muito legal! Amei!

Na terceira palestra falei sobre "Concentração: O Poder de um mente focada!", fantástico esse assunto..amo pensar que se posso concentrar e se posso concentrar cada vez mais...posso também, expandir..concentração e expansão mental...grandes poderes que podemos desenvolver com práticas e exercícios simples que venho praticando ao longo desses 32 anos de Yoga! Essa foi uma palestra adorável, por que ainda pude conhecer amigos, que foram me ver e que só os conhecia virtualmente. 

Hoje darei outra palestra. O tema será : "O que voce busca, Alegria ou Felicidade?". Acho esse tema tão oportuno, porque vejo pessoas querendo encontrar Felicidade (todos querem), mas buscando alegria. Será que as pessoas sabem o que é SER FELIZ? Qual o SEGREDO DA FELICIDADE? ..acho que não, ou não acreditam nela..ou se contentam em pequenas alegrias vez ou outra... Veremos isso essa noite (27/10/10)!

Além das Palestras outra paixão é o CÍRCULO DAS DEUSAS! Trabalho que amo realizar. Grupo de mulheres em um círculo ouvindo através de um oráculo o que as Deusas Tem a nos dizer! Deusas de várias épocas e civilizações..aspectos femininos de Divindades sob o olhar da psicologia arquetípica. Esse não é um trabalho religioso, é um trabalho de crescimento e de auto-conhecimento. Eles me alimentam e me deixam cada vez mais integrada com o Feminino. Me reconheço em cada umas das mulheres que compõem os Círculos e aprendo com elas. Lindo trabalho! Sou muito feliz por realizá-lo

Essa minha estada em Salvador tem sido muito boa., por tudo que já comentei nos posts anteriores...mas..hoje eu estou faltante, saudosa...hoje é o aniversário do meu marido...do meu grande amor, do meu grande amigo, do pai dos meus filhos, a pessoa que quero viver junto e envelhecer junto. Nos conhecemos há 27 anos atrás...esse ano faremos Bodas de Prata, e nesse aniversário dele..eu estou aqui e ele está em Houston, onde moramos... Estou Feliz por tudo que tenho feito aqui, mas estou triste porque estou com muita saudade dele...

Bom, minha alma sabe conviver com várias nuances de emoções diferentes ao mesmo tempo...sei lidar com isso...tenho feito isso como prática consciente durante toda minha vida adulta. Perceber os diferentes sentimentos..um ao lado do outro e sem deixar que um contamine o outro. Posso continuar excitada e feliz por estar em Salvador fazendo o que amo, e posso estar triste por estar longe daquele que amo. Dou conta da minha alma ... rica e VIVA!!!!

Que os dias em Salvador continuem produtivos e me causando essa maravilhosa sensação de FELICIDADE!

Ludmila Rohr

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Estou em Salvador 2

 Amo estar aqui, e já disse isso. Amo porque faço tudo que sei fazer...e gosto de fazer...revejo pessoas e me sinto na cidade que nasci e me criei..estou em casa.

Entretanto estar em Salvador me coloca em contato com situações de tensão que jamais experimentei em Houston. Não dá pra negar o caos assustador e aterrorizador do trânsito, nem consigo lembrar de como eu antes dirigia aqui, sem me estressar! Agora cada fechada que eu levo, levo um susto também. As pessoas definitivamente encaram seus carros como armas. Elas dirigem de forma agressiva, e descarregam energias horrendas no trânsito. Nenhum sinal de trânsito é respeitado...Saudade do educadíssimo trânsito de Houston...

Mas...por outro lado...ver gente na rua é lindo! Ando de carro e vejo pessoas por todos os lugares...botequinhos em cada esquina, música por todo lado, pessoas comendo acarajé ali...paradas conversando acolá.. Acho que só quem mora em uma cidade como Houston pode entender o que estou falando... Em Houston não vemos uma viva alma nas ruas..ninguém anda a pé, ninguém atravessa ruas...ninguém espera ônibus no ponto...e a noite acaba cedo...

Adoro morar em Houston...mas Salvador tem uma coisa que mexe comigo...me sinto tão viva aqui..sinto que cada célula minha vibra. Faço palestras e sou escutada com tanta atenção...recebo tanta energia de volta. Dou aulas..As pessoas são vibrantes e rapidamente partem de uma conversinha informal para uma conversa íntima e profunda. 

Essa disponibilidade de conhecer pessoas..de se interessar pelo outro...de apesar de estarmos em um ambiente hostil, mas ainda assim sermos abertos e receptivos...isso é encantador. 

Fiz muitos amigos pelo twitter..só os conhecia de lá...mas hoje conheço muitos pessoalmente. Já fomos a encontro de twitteiros em um bar, ninguém se conhecia e ficamos tão amigos. Já tivemos um caruru (tuirú) para amigos do Twitter...e lá conheci mais pessoas ainda.. Ontem na minha palestra tinham várias pessoas do Twitter..e eles também não se conheciam pessoalmente e lá se conheceram... Um amigo tuiteiro levou o pai para a minha palestra, que descobrimos ser amigo de um amigo meu! Uma amiga tuiteira levou outra amiga, e como o mundo é muito pequeno..eu a conheci desde a barriga da sua mãe! 

Uau..é disso que estou falando...Em salvador..o mundo parece menor..as pessoas parecem mais próximas...abertas...afetivas...Pessoas desconhecidas viram amigas rapidamente. 

Hoje vou ao teatro...amanhã vou a um show de Jazz  no MAM que é um dos lugares mais lindos do mundo..tenho convite de ver malabares no Rio Vermelho...e comer um acarajé.. Tenho uma feijoada no domingo... Tenho muitas pessoas que ainda nem encontrei...e quero muito revê-las... 

Sei que Salvador tem problemas graves...muito graves, mas temos uma coisa que sem querer cair no clichê, ninguém mais tem...temos uma alegria e uma disponibilidade..uma abertura que também nunca vi em lugar nenhum do mundo.

Fora tudo isso, em Salvador ...TEM ACARAJÉ!!!!!!!!!!

Axé!

Ludmila Rohr

domingo, 10 de outubro de 2010

Estou em Salvador


Cheguei na minha cidade! 

Acho muito legal ter raízes e por mais que saiba que viverei bem em qualquer lugar deste mundo, chegar no lugar que nasci e vivi a vida toda, me parece mágico... 

Sei dos defeitos de Salvador, mas nesse momento só quero ver as qualidades. Quero ver a praia linda, quero comer acarajé e moqueca de camarão... Quero beber água de coco..e quero trabalhar.

Hoje me perguntaram se eu estava de férias. Não, não estou. Morando nos EUA, sinceramente, eu não tiraria férias e viria para cá. Tem muitos lugares no país que moro agora que viriam como prioridade para férias. Os EUA são fascinantes. Muitos lugares absolutamente incríveis na minha lista de interesse. Não gastaria um só dia das minhas férias vindo para o Brasil, muito menos para Salvador. 

Salvador é minha casa, tirar férias é sair de casa. Conheço os podres da minha casa, e quando tiramos férias queremos o belo, o lindo...aquilo que pode nos oferecer novidades em termos de experiências. Venho pra cá para trabalhar. Tenho uma longa programação de trabalho no Espaço Mahatma Gandhi, com palestras, grupos de mulheres, aulas e atendimentos no consultório. Amo o meu trabalho e esse é o meu grande álibi e motivo de estar aqui. 

Hoje fui pra praia. Quando eu morava aqui, nem ia. Passava mêses sem ir a praia, apesar de morar em frente a ela. Hoje comi acarajé. Adoro acarajé!  ..mas assim como a praia, passava meses sem comer um. Hoje bebi água de coco..deliciosa. Vocês podem imaginar que nos EUA não possamos encontrar água de coco gostosa em lugar algum? Pois é. Não tem..e quando achamos é horrível. 

Parece que agora que moro longe, posso lidar com o que essa cidade oferece de melhor! Amo estar aqui sem precisar pensar no trânsito embora me assuste o tempo todo com a forma agressiva que se dirige nessa terra! Posso ficar aqui sem me preocupar em como as coisas são caras e como os serviços são péssimos. Posso ficar aqui sem pensar em como temos que trabalhar tanto pra ganhar tão pouco! Posso ficar aqui sem pensar em como as coisas são difíceis, como qualquer idéia de realizar algo aqui, parece que já nasce tendo que remar contra a maré.

Posso ficar aqui sem estar de férias, mas como se fosse uma turista. Só com o bom! ..e confesso...que estando aqui assim, não consigo ter saudades de morar aqui, não consigo nem ter vontade de voltar a morar aqui outra vez! Nunca pensei que um dia sentiria isso, mas...é assim que sinto hoje! Amo Salvador, porque aqui estão todas as minhas histórias, porque a cidade é uma cidade viva, mas penso que morar aqui, produzir honestamente aqui, crescer honesta e decentemente aqui é muito difícil e que precisamos estar em esforço contínuo e muito desgastante.

Como é possível estar feliz e adorando estar aqui, e ao mesmo tempo feliz porque não moro (pelo menos nesse momento) mais aqui? pois é..Salvador pra mim se transformou num grande enigma...algo que não consigo entender...e nem quero mais... 

Quero estar aqui, dar minhas palestras, fazer meus atendimentos...ir a praia..comer acarajé..ver amigos amados....Quero estar aqui inteira, com o prazer que tem me movido e motivado a voltar, e depois, retornar ao lugar que é a minha casa agora... e penso...que essa é minha realidade nesse momento...e como vivo um dia de cada vez...assim será.

Minha experiência em Houston é bem sucedida por que usei dessa mesma estratégia. Não foquei no que existe de ruim lá. Não foquei naquilo que deixei pra trás aqui. Olhei um dia de cada vez e busquei aquilo que serviria para mim. Assim sei viver.

Bom..quero convidar todos que moram em Salvador para as minhas palestras no Espaço Mahatma Gandhi. Toda a programação voces podem encontrar no http://espacomahatmagandhi.blogspot.com ou www.mahatmagandhi.com.br

Adorarei compartilhar, com todos que forem, as minhas experiências...

por enquanto..um dia de cada vez...sendo feliz e vivendo em paz, pois esse é meu lema.

Namastê

Ludmila Rohr







domingo, 3 de outubro de 2010

Tô chegando..só uma despedida..só uma ida..

Hoje embarco para o Brasil..chego em São Paulo e vou direto para Salvador..
Nem sei o que estou sentindo...

Me despeço de Houston, cidade que é minha também...É incrível isso, mas devo dizer que não tive nenhuma dificuldade para amar Houston.. É uma cidade limpa, as coisas funcionam...as pessoas são educadas, o trânsito é maravilhoso (inadjetivável de tão bom!) ..fiz amigos muito legais...Minha casa é uma delícia, é acolhedora, parece comigo...Aqui conheci o despertar da primavera, árvores secas renascendo..flores coloridas por todas as ruas..e agora começo a ver o outono chegando... Definitivamente, adoro Houston.

Quero deixar um grande beijo para todos os amigos daqui..para o grupo de respiração...me aguardem..já já tô de volta!

Vou pra Salvador..aquele caos maravilhoso..pessoas que amo..e onde cada esquina tenho uma história pra contar. Amo Salvador..amo o cheiro..a comida, as pessoas..amo o jeito baiano de ser...amo o Espaço Mahatma Gandhi, amo meu trabalho...lá estão minhas irmãs, meu sobrinhos, meus pais...gato, cachorro...lá está minha história...

Sou uma pessoa privilegiada...amo meus lugares...realmente amo..e não é um amor cego. Sei exatamente o que eu detesto em Salvador..posso fazer uma lista imensa...e em Houston também...mas amar não é isso? Amo apesar dos defeitos..

Bom..tem uma parte especial nessa viagem...vou ver meu filho Caio...estou morrendo de saudades dele..ele foi embora de Houston em junho...voltou pra Salvador...ele atualmente é a parte de Salvador que mais amo..

Enfim..tô indo hoje e pretendo trabalhar muito, estou animada para as palestras e aulas...(vejam minha agenda de trabalho  no blog do Espaço  http://espacomahatmagandhi.blogspot.com ) ..

Venham me ver..quero ver vocês..e se algum amigo virtual resolver aparecer lá, por favor..se paresente..adorarei conhecer ao vivo, quem eu só conheço por meio virtual..

Um dia aqui..outro lá...depois aqui outra vez...assim é a vida...nos levando para onde precisamos ir...

A sensação é que tudo é muito impermanente..que a nossa realidade muito o temo todo..e que amanhã estarei em Salvador..embora nesse momento esteja aqui no sofá da minha sala em Houston... que seja assim. Um dia de cada vez e que o meu espírito consiga acompanhar meu corpo..pra que eu possa estar inteira em cada momento..Esse é o meu pedido agora!

Namastê

Ludmila Rohr

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Malibu....Salvador...amores...

Estive na Califórnia esses dias.. Especificamente em Malibu.....Fiquei diante do Pacífico pela primeira vez. Adoro o mar...não gosto de praia..Adoro o mar!

Sentir o cheiro do mar nas vésperas da minha viagem para Salvador, alimentou minha alma..

Esse é o cheiro da minha infância..cresci na Barra...no Porto da Barra...esse é o perfume da minha adolescência...pois a Barra, era o "point" da paquera nessa minha idade... 
O cheiro do mar lembra todas as fases da minha vida...Meus filhos cresceram em frente ao mar de Salvador... Lembro do primeiro banho de mar de Caio...e de Lucas... Lembro com saudade dos castelos de areia que Judson fazia para eles...

Moro em frente a praia (em Salvador)...vejo o mar todos os dias, indo e vindo do trabalho.
Cresci amando ver o mar..cresci amando ver o pôr-do-Sol na Barra...amo ver a Lua nascendo sobre o mar de Itapuã quando voltava para casa...

Malibu é linda...tem o Oceano pacífico na sua frente..as pessoas vivem em função dessa beleza imensa. Lá senti minha alma sendo invadida pelo mar..pelo céu azul...Fui invadida sem nenhuma reverência. Aquela natureza simplesmente me arrebatou..me tomou...Ali, eu não precisava de mais nada...ficaria assim, ...vendo o mar...e lembrando de tantas coisas que vivi tendo o mar como testemunha.

Estou chegando em Salvador. Vou trabalhar..vou ver amigos...vou abraçar pessoas...vou ver meu filho (não aguento mais de saudades), minha família...Vou conhecer pessoas novas.. Vou ver o mar de Salvador...

Estou chegando em Salvador...mas sei que uma parte minha já pertence aos EUA..a Houston...agora sou assim...sou de muitos lugares..sou de muitas pessoas...meu coração expandido pertence a muita gente...pois as deixei entrar, sem reservas...simplesmente, deixei Houston entrar em mim...deixei os amigos novos entrarem no meu coração...não coloquei porteiro, não coloquei defesas ou reservas...Dei licença e as pessoas foram entrando..os lugares foram entrando......deixei todo mundo entrar...comumente faço isso..vou deixando o coração aberto e as pessoas e os lugares vão entrando..

...por isso, meu coração vai crescendo..expandindo e cabendo cada vez mais pessoas e lugares... Pertenço também a Houston agora, Malibu também ganhou um lugar em mim, assim como os lugares que já fui e amei.. Assim como a Índia e o Nepal..Veneza..Paris..NY...Itacaré...Capão....não conseguiria fazer uma lista dos lugares a qual eu já pertenço...

Bom...em Salvador, estarei muito tempo no Espaço Mahatma Gandhi.., uma das minhas casas mais queridas..Estarei lá...fácil de ser achada...apareçam..venham me ver...amarei conhecer voces...Amarei sentir meu coração sendo expandido ainda mais, para caber mais gente que amarei...e que se juntarão aos que já amo!

Ludmila Rohr

P.S. Programação de trabalho em Salvador no http://espacomahatmagandhi.blogspot.com

domingo, 19 de setembro de 2010

Eu de novo em Salvador!!!

  Estou mais uma vez indo para o Brasil...A última vez que estive na minha cidade foi em abril desse ano.
Estava com muita saudade de trabalhar...saudade do Espaço Mahatma Gandhi..Saudade dos clientes, dos alunos, dos meus amigos...saudade de tudo....família, irmãs...cachorro, gato...

Agora tô pior ainda..(ou melhor ainda!). Estou com muito mais saudade e com muito mais vontade de trabalhar, de abraçar meus amigos queridos, de rever pessoas importantes...e de ver meu filho que agora está morando aí, longe de mim...ou melhor, eu que estou longe dele...

O incrível é que gosto muito da minha vida aqui. Gosto muito dos trabalhos que tenho desenvolvido, e se alguém me perguntar se quero voltar para casa agora, minha resposta será, não. Ainda não. Não está na hora...tenho muito o que aprender ainda com essa experiência.

Parece que daqui de longe da minha casa, e tendo construído uma casa nova, uma rotina nova...novas relações de amizade e de trabalho...posso me perceber com horizontes ampliados...tenho uma sensação boa que todo capricorniano ama, de que posso muito mais....de que posso ser uma pessoa e um profissional melhor do que já tenho sido....

...e nessa energia de grande excitação, porém uma excitação enraizada, tenho me sentido bem confiante para fazer algumas coisas que venho procrastinando...uma delas é concluir o meu livro. Parir o meu livro. Compartilhar com aqueles que queiram fazer parte dessa história...

Uma coisa que aconteceu e que mexeu muito comigo, e não contei para vocês aqui nesse espaço, apenas no twitter, foi que o meu amigo Marcos Pontes, o astronauta, acabou de escrever um livro e me pediu para ajudá-lo na revisão...claro que aceitei esse convite honrada, e fiz a revisão (uma psicologizada) com grande alegria. O que não me deu muito trabalho, o livro dele será um sucesso. Contudo.... fazer isso me colocou de frente com o "meu" livro que está pronto e que precisa apenas que eu decida que ele está pronto...e me coloque diante das dificuldades que todo escritor tem, conseguir publicá-lo.

Estou chegando em Salvador e darei uma série de palestras..e contarei o que tenho feito...sobre os mergulhos que meu espírito tem sido conduzido a dar, por conta desse momento.

Contarei sobre meu novo site em inglês e destinado as mulheres americanas, sobre Sexualidade Feminina.  Descobri vivendo aqui, que como mulher, psicóloga e brasileira, como uma pessoa com uma história de uma intensa corporalidade, que tinha muito a dizer para as mulheres daqui. Estou excitada com esse novo projeto.

Enfim...decidimos, eu e Tatiana, (irmã e atual diretora do Mahatma) criar um blog para o Espaço Mahatma Gandhi. Lá vocês poderão acessar informações da nossa agenda e eventos. Poderão saber de tudo que acontece, aconteceu e acontecerá durante a minha estadia em Salvador e depois dela...

Estou feliz com as coisas...não tenho tido muito tempo...mas, quero chegar e compartilhar com vocês essa Ludmila que tem aprendido e vivido coisas novas...e que tem amado cada vez mais estar nessa VIDA!

Minha agenda de consultório, palestras e grupos de mulheres (Círculo das Deusas), pode ser encontrada no Espaço Mahatma Gandhi (71) 3248-7533 e no blog do Espaço que é:

 http://espacomahatmagandhi.blogspot.com

...entrem lá e nos sigam de perto!!!

Namastê

Ludmila Rohr

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

um tipo de luto...Gu foi pra outro lugar....

Amigos queridos...e seguidores desse blog.

Essa semana não consigo escrever...porque se fosse escrever, teria que ser pra falar sobre a Vida e a "morte" do meu amigo Gustavo. Ainda não consigo falar sobre isso sem chorar. Se eu fosse escrever um post de verdade, teria que abrir meu coração e falar sobre o quanto ele foi importante pra mim enquanto lutava ao lado do meu marido contra essa doença maluca. Embora tenha falado sobre isso em muitos posts anteriores, agora que Gu se foi, acho que seria tão difícil pra mim...

Gu, voces conhecem, pois falei sobre a luta dele contra o câncer no post "Respeito é Bom e é Curador" , por favor, releiam, é importante que a luta dele seja conhecida. Muitos passam por situações semelhantes no nosso Brasil! http://mulheremcrescimento.blogspot.com/2010/02/respeito-e-bom-e-e-curador.html 

Gu, nos deixou, nesse plano. Quero muito ter certeza que agora ele olha por mim de um lugar especial..sem dores...sem sofrimento.. Quero tanto, que acabo sentindo presença dele ao meu lado..e acho que ele está mesmo...Sentíamos muito amor um pelo outro.

A morte devido ao câncer, de uma garoto lindo, bom e inteligente, Mestrando em Ciências da Computação deve ficar registrada nos nossos corações. Devia ser uma notícia importante para o Brasil...Devia estar no JN, ou similar, mas não é assim...muitas pessoas morrer  por causa dessa doença louca, e uma grande parte, por causa de atendimentos precários e diagnósticos e tratamentos mal feitos...Coisas do Brasil...

Gu, sempre foi pra mim muito querido e especial...entrou no meu coração e me chamava de sua mãe baiana...(começo a chorar agora)..
Ele teve um luta muito corajosa..e sua mãe a linda Waleska foi uma guerreira ao seu lado.
Ainda estou de luto por essa perda.., mas sinto tanto a presença dele..que parece que a qualquer momento uma janelinha do msn vai abrir e ele vai escrever "Buuuuuuuuuuuuuuuuuuu", como ele sempre fazia! Por que sempre que eu o via entrar no msn, eu escrevia : Guuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu...

Vá em paz querido..e tenha a certeza de que voce nunca será esquecido!

Esse texto não tem pretensão de ser um post, mas é um comunicado.
Queria pedir que voces lêssem também o post : "Quando todos puderem beber água da torneira". Esse post fala da nossa luta contra o câncer, no Brasil!
Segue o link'


Beijos...Guuuuuuuuuuuuuuuuuuu, descanse em Paz.
Waleska...sei que agora, voce sobreviverá um dia de cada vez, mas saiba que amamos muito seu filho!

Ludmila Rohr

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

SOBRE INVEJA

As pessoas costumam dizer que a inveja é um sentimento feio. Pra complicar ainda mais, ainda dizem que é feio sentir inveja.

Bom...a inveja é um sentimento como outro qualquer, e por isso mesmo, humano. Não existe inveja em outros reinos, que não o humano. 

Funciona dizer para alguém algo tipo, não ame essa pessoa, ou, não sinta raiva quando lhe fizerem isso; ou pra que ficar triste com aquilo? Os sentimentos surgem na nossa alma, e eles por si só não se constituem um problema. O problema dos sentimentos, não é o sentimento em sim, e sim o que fazemos com ele, ou pior ainda, quando não temos consciência dele, porque eles começam a nos levar a fazer coisas que nem percebemos.

A inveja é o sentimento mais negado de todos. É mais fácil assumir ódio, do que inveja. Assumir inveja é como assumir que não é boa o bastante, ou que existe alguém com algo que não tenho, ou que queria ter. É difícil porque é como assumir a falta. O invejoso é um faltante que não suporta saber disso. Tão narcísico que não suporta não ser pleno.

É bom deixar claro que todos nós somos faltantes, as coisas não são perfeitas e quase nunca temos tudo que queremos e quando queremos, mas isso não significa que todos nós sentiremos inveja de quem as tem, quando nós não a temos. 

Bom...pense, que vc quer muito algo e luta por aquilo, e aparece alguém na sua frente, que conseguiu aquilo que vc tanto quer. O que voce sente?

Algumas reações são muito comuns: Ficar feliz porque o outro conseguiu. Ficar triste porque voce não conseguiu. Ficar com raiva porque esse alguém conseguiu. Desmerecer o que o outro conseguiu, o que é o mesmo que criticar a forma como ele conseguiu, ou desqualificar o objeto de desejo...ele já não é tão bonito ou bom assim, ou pior ainda, dizer que a outra pessoa nem ficou bem com aquilo, ou que ela nem merece. No fundo, no fundo, exceto as duas primeiras reações..as outras são inveja pura.

O invejoso precisa desqualificar, destruir o objeto de desejo que o outro conseguiu e ele não. Por que não suporta reconhecer o valor do outro, pois pra ele isso, levaria imediatamente a se dar conta da sua falta. O invejoso fica preso nessa armadilha do próprio ego. Por desqualificar o outro, ele não pode assumir que também desejava aquilo e não fica livre para buscar o que deseja....ou melhor dizendo: Não fica livre para DESEJAR! Não é livre para dizer: Que bom que voce conseguiu, isso mostra que eu também posso!

Nesses anos de consultório tenho me dado conta de que o momento de se confrontar com a inveja, é algo que parece um 'Turn Point" na terapia. A pessoa sofre e resiste muito para admitir, mas quando consegue, dá uma virada incrível. Quando consegue admitir a inveja, se sente livre para desejar..e percebe que a inveja na maioria das vezes é um desejo negado. É uma falta que não pode ser espelhada pelo outro. Muitos abandonam a terapia antes disso, e dizem que o terapeuta não era muito bom.

Nem me lembro a última vez que senti inveja (ou pelo menos uma importante)...não que não as tenha, mas tenho tentado estar tão consciente dos meus desejos e me permitindo-os que acho que não existe muito espaço para elas. Nesse momento morro de inveja de quem perde peso facilmente, ou de quem faz uma viagem muito legal...ou (esse que é o mais difícil de confessar para o mundo) de quem não tem celulite.

As pessoas as vezes me advertem dizendo que eu me exponho demais, que eu falo sobre meu marido e filhos demais, que eu falo muito sobre as coisas boas que acontecem comigo. Dizem que eu posso atrair inveja. 

Bom....minha teoria é de que inveja faz muito mal pra quem a sente (minhas amigas que não tem celulite podem ficar tranqüilas, minha inveja não as fará aparecerem de repente nas suas pernas e bundas). Brincadeiras a parte...realmente não perco nenhum minuto da minha vida, nem gasto um segundo sequer me preocupando se alguém sente inveja de algo que tenho ou que eu seja. Quem me conhece, sabe bem disso. Sempre acho que isso nunca me atingirá de fato, a não ser que eu entre na mesma vibração, e daí, isso já seria minha responsabilidade.

Os invejosos por desqualificarem todos a sua volta, pensam que só eles estão andando e não percebem que na verdade, ele está ficando pra trás...os outros estão seguindo suas vidas..e eles ficando para trás..

Como acredito na perfeição da vida, como acredito em Karma e Dharma, acredito que só temos o que merecemos. Nunca me queixei da vida quando meu marido teve câncer. Nunca me queixei, nem achei injusto quando ele descobriu uma metástase, me aborrecia quando alguém dizia algo tipo: mas ele é tão legal...voces não merecem isso... Bom, merecemos sim, e merecemos tudo de bom que nos acontecem também! Tenho a crença tranqüila e firme na justiça perfeição da vida, mesmo que eu não entenda e nem consiga explicar, mas pra mim, é justo. Por isso, mesmo que detesto injustiças. Luto para que as verdades sempre venham à tona, e que seja sempre a última palavra.

Vocês podem estar se perguntando porque o tema do post de hoje é INVEJA. Nem sei responder pra vocês. Acho que as pessoas invejosas sofrem tanto...tenho pra mim, que a inveja é o pior sentimentos em termos de desconforto, ele causa um mal estar tão grande. Negá-la dá um trabalho tão imenso, é como fugir da própria sombra. Os invejosos sofrem muito. A partir do dia que um cliente conseguia falar sobre inveja, eu podia ver a transformação na sua vida...eles simplesmente ficavam mais felizes, podiam assumir os desejos sem culpa e podiam ficar felizes coma  felicidade do outro. A felicidade do outro não lhes pareciam mais um soco no estômago. Descobriam que era bom ver o ouro feliz, e que eles podiam ser também. Eles podiam rir de si mesmos também.

O invejoso por não assumir que sente inveja, atua com o sentimento. Isso sim é moralmente complicado. Sentir não é o problema, mas o que voce faz com o que sente, isso sim pode ser um problema. O invejoso, muitas vezes sabota e faz mal a alguém, e nem se dá conta de que está sendo movido pela inveja, já que nem pode reconhecer esse sentimento. Isso sim é muito complicado.

Bom...não moralizo nenhum sentimento. Não acho que um seja moralmente aceito e outro não. Somos humanos e na nossa alma cabem todas as vibrações. Não moralizar a inveja e apenas entendê-la como um sentimento que precisa ser conscientizado e trabalhado como outro qualquer, nos livraria de muito medo e dor... Não posso pensar em julgar alguém que assume a inveja, devo sim, parabenizá-la. Quem sabe esse é o "Turn Point" da sua vida???

Ludmila Rohr




domingo, 22 de agosto de 2010

O lugar perfeito!

Vim morar nos EUA porque meu marido está trabalhando aqui e porque achei que seria uma boa experiência passar um tempo fora. Após 8 mêses, passada a fase natural de encantamento, consigo ver defeitos..porque antes só via qualidades. 

Isso pra mim, não tem a menor importância, se um lugar tem defeitos...porque nunca tive alguma ilusão a respeito de pessoa alguma, quanto mais de lugares. Temos defeitos e qualidades, todos nós e todos os lugares, inclusive isso aqui.

Não suporto as construções todas serem de cor bege...todas as casas , todas as lojas são iguais e bege! Não suporto a mania que eles tem de colocar molho em tudo. A comida tem gosto dos molhos..detesto...Adoro o trânsito..a educação no trânsito é espetacular. Nada é mais lindo do que uma experiência no Stop Sign, as pessoas param em cruzamentos e saem uma de cada vez, por ordem de chegada. Lindo!

Poderia passar o dia fazendo listas do que gosto e do que não gosto daqui e muito mais ainda de Salvador, que é o lugar que eu conheço e que vivi minha vida toda! Mas essa não é a questão.

Adoro comprar tudo que compro aqui, roupas, botas, sapatos, maquiagem, cremes, perfumes..Adoro!...adoro minha geladeira americana enorme linda, adoro o fogão que é elétrico, enorme, maravilhoso...mas, sinceramente, NADA disso me faz feliz, nada disso faz ninguém feliz! 

Sou uma pessoa feliz porque me busco..e não quero me auto-enganar. Gosto de mim apesar dos meus defeitos...não quero deixar de vê-los! Assim como amo Salvador, apesar de todos os defeitos dela...amo e pronto!

Alguém não precisa ser perfeito pra que tenha o meu amor...um lugar também não precisa. O lugar bom, é aquele onde me realizo...onde me sinto útil, onde sinto que estou crescendo. Posso fazer isso em qualquer lugar ou não. Enquanto esse for um lugar que me propicie algum crescimento, aqui será um bom lugar. No dia que eu entender que nada aqui me faz crescer...que meu coração não está em paz...não há geladeira, perfumes e sapatos que me convença a ficar!

Hoje estou triste. Hoje sinto falta de tudo da minha vida que eu amo lá em Salvador. Sinto falta de ser útil e produtiva. Sinto falta de sair pra trabalhar e voltar cansada. Sinto falta dos dengos que Nil me fazia, sinto falta de ver o mar e as cores que lá existem e que aqui não. Se estou infeliz? Não, não estou. Hoje estou triste. Hoje estou em contato com a falta. Posso lidar com isso, sem achar que é infelicidade, da mesma forma que posso adorar passar um dia em um lindo Mall, e não confundir isso com felicidade.

A tristeza da falta não me deixa infeliz, assim como a opulência do consumo não me faz uma pessoa feliz.

Hoje...o que eu queria..ter acordado em Salvador, na minha casa que eu amo e que meus filhos foram criados...ficar lá sem fazer nada...sair pra dar uma volta de carro de tarde e ver o pôr-do-sol no lugar mais lindo que existe no mundo...o Farol da Barra...beber uma água de coco geladinha, passar no Rio Vermelho e comer a melhor Pizza que existe no mundo e voltar pra casa...

Simples e perfeito assim.

Ludmila 




terça-feira, 17 de agosto de 2010

Não tenho paciência para queixas...

Imagino que todos querem a felicidade. Certo.
Imagino que todos fariam qualquer coisa pela felicidade. Errado.

Sou psicóloga..tenho muitos anos de consultório. Nesses anos vi muitas pessoas crescerem, enfrentarem suas dificuldades, atravessarem seus medos, suas sombras, seus fantasmas, tudo porque desejavam , buscavam a felicidade.

Vi pessoas crescendo, por se superarem. Por conseguirem coisas que supunham não serem capazes. Essas pessoas conseguiam entender que o "inimigo" estava nelas mesmas...elas se enfrentavam...saiam da queixa, abandonavam o lugar de vítima e pagavam o preço que fosse para serem felizes. 

Algumas largavam empregos ruins, rompiam casamentos falidos, cortavam relações com pessoas destrutivas, diziam coisas duras, mas necessárias para filhos e amores, mudavam comportamentos negativos... Normalmente, eram altos os preços, mas elas pagavam...e conseguiam.

Nunca tive muita paciência com queixas. Uma coisa é o desabafo..outra é a queixa. O queixoso, se alimenta disso. Ele se alimenta da própria queixa. Ele se alimenta da atenção ou piedade que a queixa desperta no outro. Ele goza nesse lugar especial de vítima.

Nunca tive muita paciência com queixosos, nem ao menos sou boa em ouvi-los. Quando sinto que na verdade, eles não pretendem uma mudança, quando sinto que eles de fato não querem receber uma orientação e nem estão dispostos a ouvi-la, percebo que o que de fato eles querem é a piedade e a admiração da platéia enternecida com quanto eles sofrem. Nesse momento, eu saio da platéia. Não consigo alimentar esse comportamento, porque não suporto a inércia e principalmente, porque acho que pagaria qualquer coisa para ser feliz. Faria qualquer coisa pra não ser vítima, e nem suportaria o olhar de pena sobre mim.

Essa semana visitei aqui em Houston, uma unidade prisional feminina, que é intermediária entre a prisão e a liberdade. Mulheres e meninas estão ali. Fiquei chocada em ver garotas de 17 anos presas, com roupas de prisão, mas aqui é os EUA, e assim é a lei. Conheci um trabalho voluntário que ajuda essas pessoas a encontrarem nelas mesmas forças e recursos para voltar ao mundo aqui fora. Elas estavam aprendendo a respirar e a ficar dentro delas mesmas... No fundo, esse trabalho visa mostrar que elas tem um lugar dentro delas, que é um lugar de poder, um lugar de força, e que nesse lugar elas podem encontrar energia para enfrentar as dificuldades do mundo real.

Esse trabalho não as transformam em vítimas da sociedade, muito pelo contrário..me pareceu que não existe lugar pra queixas, e sim para a responsabilidade sobre si mesmas. Elas aprendem a não serem vítimas e serem agentes da própria mudanças. Provavelmente algumas conseguirão e outras não. É assim. Quem idealiza um trabalho desse sabe que o sucesso é sempre relativo e não absoluto. Aprende também a achar que nesse relatividade está o absoluto.

Não tenho paciência para queixas...tenho muita energia de acolhimento, mas muito pouca para receptáculo de lamentações. Não sei se isso é bom ou ruim, mas sou assim....e acho que se tiver que cortar uma parte de mim fora, pra ser feliz...eu faria. 

Torço muito por aquelas meninas que vi na prisão, especialmente por uma que usava trancinhas e que tinha  uma carinha que podia ser minha filha. Não aceitem o papel viciante e grudento de vítimas, sejamos todos agentes ativos da nossa própria vida e felicidade!

Ludmila Rohr

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Eu e eu mesma!

Gosto de ser quem eu sou...algo sempre inacabado...sempre em movimento... 
Gosto de ser mulher..e de pensar nos poderes que eu tenho. As vezes isso me parece algo meio narcísico, mas gosto de brincar com o meu narcisismo.
Gosto da permissão cultural que nós mulheres, temos de acessar nossos sentimentos. Não que os homens não possam fazer isso, mas a nós mulheres foi dada uma permissão cultural e social de fazer isso com mais liberdade.

Podemos falar de política, podemos ganhar dinheiro, trabalhar e produzir em qualquer área, mas podemos tranquilamente falar sobre sentimentos, podemos buscar subjetividade e significado nas coisas...em todas as coisas... e eu gosto muito de fazer isso.

Gosto de passar tempo com amigas subjetivando...falando sobre impressões, sobre percepções das coisas.. sobre como me sinto em relação a isso ou a aquilo...subjetivar é delicioso para mim...e acho isso tão feminino...Adoro as imensas nuances que existem na minha alma, uma mudança mínima em um tom, muda toda a composição....isso é tão feminino...Gosto de buscar significados, como se tudo tivesse um.

A psicologia Arquetípica me fascina, porque ela é cheia de símbolos e significados. Já falei sobre isso aqui algumas vezes. Muito tempo atrás, descobri  faces de seis Deusas gregas em mim. Adoro perceber dias em que estou mais Perséfone, dias que estou mais Afrodite, dias que estou mais Athena...assim como perfumes e roupas.. Gosto de perceber quando quero colocar um salto vermelho, e dias que quero colocar uma sandália rasteira, me permito isso...sei escutar essas diferenças na minha alma...assim como a escolha do perfume...adoro perfumes e tenho vários...e os escolho a partir da minha alma...sempre subjetivando...Sou assim. Isso é tão complexo..adoro essa complexidade. 

Descobri que tenho em mim a força e inteligência de Athena, que me instrumentaliza para as guerras diárias, que me coloca em contato com o mundo dos negócios, do trabalho, que me dá disciplina e me coloca fortalecida diante dos desafios do mundo masculino. Nasci uma Athena, nasci para estudar e trabalhar. Esse sempre foi o discurso dos meus pais:  "Estude muito, assim voce ganha o mundo".

A minha vida foi me revelando poderes de outras Deusas em mim! Encontrei a minha porção Perséfone, mergulhando nas meditações, desenvolvendo minha intuição, me conectando com os saberes da minha alma. Essa Deusa me fez uma pessoa profunda, não consigo ser rasa em nada, e não tenho muita paciência com as pessoas rasas. Talvez por isso, tenha detestado ser adolescente. Gosto muito mais de mim adulta, do que quando era jovem. Sempre quero intimidade e profundidade nas minhas relações. Adoro também o silêncio... tenho épocas de silêncio, de recolhimento...as pessoas acham que estou triste, mas não estou...só estou mais pra dentro...

A outra Deusa que fui tornando cada vez mais consciente, foi Árthemis. Essa Deusa me coloca em contato com o meu corpo, com a força dele, com a natureza visceral do meu poder. Encontro força respirando, encontro poder no contato com minhas pernas e minha coluna. Encontro força no sol, na terra, nos alimentos. Reconheço essa Deusas quando caminho e sinto meus músculos, quando me alongo e sinto cada parte do meu corpo. Gosto da sensação do meu corpo..e da força dele...O Yoga me conecta profundamente com minha porção Perséfone e Árthemis.

Descobri Deméter com a maternidade, estar grávida, parir e amamentar me colocou em contato com algo extremamente poderoso. Nunca me senti tão bela e poderosa, como me senti nesses momentos. Um poder muito especial. Gostei muito disso. Gosto de saber que vivi essa experiência, mas entendo que Deméter  está de sobreaviso, a partir do momento que vi meus filhos crescerem...Ela naturalmente vai ganhando uma outra dimensão, fica em mim como memória, como recordação... não preciso tanto dela como antes...

Afrodite é a Deusa do Amor e da Beleza...Como adoro essa Deusa. Sedução, leveza, beleza... Minha Athena ainda briga com Afrodite, mas cada vez mais posso me apropriar das delicias da Afrodite que quer mesmo é ser amada e desejada. Minha Afrodite ainda se sente julgada pela Athena que sou, mas tenho dado espaço pra ela..e na maturidade, ela não me parece tão fútil, descubro que ela pode ser bela, sedutora e feliz..., mas com certeza essa não é a Deusa que tenho mais intimidade, tenho problemas em me entregar a ela. No fundo ainda a julgo pela futilidade.

Entretanto Hera, é a Deusa que ainda me intriga. Gosto do poder de Hera, mas reconheço que é a Deusa desse panteão, que eu menos gosto, que eu menos me identifico. Tenho problemas em ser reconhecida como a esposa de alguém, e esse é o orgulho de Hera. Tenho problemas em viver em função da carreira e do sucesso de um marido, e esse é a grande meta das Heras. Tenho alguns problemas com reuniões de esposas...Sempre acho que estou meio deslocada. Se me comparo com outras esposas, sempre acho que sou Athena demais.Talvez eu precise de mais algumas encarnações para me conectar com ela, mas acho que só o fato de ter vindo morar aqui nos EUA, por causa da carreira do meu marido, já foi uma grande concessão que fiz a ela. 

A energia dessas Deusas e o espaço que elas tomam na minha vida, faz uma composição única, cujo resultado sou eu. Completa e incompleta. Preenchida e faltante. Sempre estou buscando me conhecer, porque sempre estou pensando em como eu posso dar conta de mim mesma, pois a parte que é só minha, é muito maior que a parte que é de todos... como uma Perséfone, meu mundo interno é vasto...meus pensamentos e sentimentos são imensos e ocupam muito de mim...Na verdade, nunca tenho uma dimensão do quanto de mim, eu consigo trazer pra fora. Não sei do quanto de mim o outro consegue perceber.

Porque estou escrevendo sobre isso, eu ainda não sei..., mas acho que é uma tentativa de trazer um pouco pra fora, desse imenso mundo interno que as vezes me pego mergulhada. Me reconheço muito mais naquilo que só eu sinto e vejo de mim mesma, do que no que o outro percebe. O lugar dentro de mim, é sempre muito confortável e extremamente rico. Minhas referências mais confiáveis são internas. O grande exercício é trazer esse mundo para fora. Tenho sempre a sensação de que não sou eficiente nisso. Sem o meu trabalho, me sinto sem o meu melhor instrumento. Sem o meu trabalho, me sinto sem a melhor forma de falar sobre mim mesma. Por isso escrevo. Porque no fundo acho que sou como qualquer pessoa, preciso ser vista e entendida.

Ludmila Rohr




segunda-feira, 2 de agosto de 2010

É da minha conta sim!

Fico bastante indignada com muitas coisas que acontecem e me sinto na obrigação de abrir a boca, de reclamar e de mostrar a minha indignação. Nunca acho que as coisas que acontecem não são da minha conta, sempre acho que se aconteceu pra que eu visse, ou pra que eu soubesse, é porque me diz respeito.

Gostaria, as vezes, de ficar na minha vida confortável, aqui nos EUA. Temos uma vida tranqüila e podermos viajar alguma vezes durante o ano..., moro em um lugar extremamente seguro. Nunca me senti ameaçada na minha segurança pessoal por nada. Poderia ir ao mercado e me diverti, ir as compras e de me divertir...poderia estar preocupada com novas receitas e com lançamentos da estação, mas essa não seria eu. Poderia estar estudando e escrevendo, psicologizando a vida...mas não consigo ser apenas uma psicóloga, tenho que ser uma ativista.

Não reclamo da vida que tenho, adoro..., mas sou filha de sindicalista, acho no fundo do meu coração que tudo que acontece de injusto, eu tenho que me meter, tudo que acontece que ameaça alguma minoria desprotegida, eu tenho obrigação de me envolver. Assim funciona a minha consciência.

Sou alta, branca, não sou gorda, sou hetero, sou casada, tenho boa condição financeira, tenho dois filhos, sempre fui extrovertida, não fujo a nenhum padrão de beleza, nunca tive problemas pra fazer amigos, ou seja...não pertenço a nenhuma categorias que são constantemente espezinhadas e humilhadas.

Vejo os movimentos homofóbicos e racistas e me sinto pessoalmente ofendida, dói em mim...e isso não deveria provocar nenhum espanto...afinal, são pessoas como eu que estão sendo vítimas. Se aceito que um ser humano como eu seja vítima de qualquer ação de discriminação, estou sendo conivente com ela. Não quero ser e nem serei. 

Essa semana me aborreci profundamente com agressões que o movimento HOMOFOBIA NÃO comumente  recebe via twitter, vinda de rapazes violentos que falam coisas agressivas..eles são homofóbicos, mas são misóginos também...eles devem esconder atrás de tanto ódio um desejo não revelado...Ninguém pode odiar tanto pessoas que nem conhece, simplesmente porque elas são homossexuais. Mas eles também desqualificam as mulheres são misóginos e altamente narcísicos.

Não consigo entender porque odiar tanto alguém só porque ela é negra..., ou porque tem uma religião diferente da sua, ou porque se veste de forma diferente da sua. O preconceito é fruto da ignorância e não pode ser proibido, não existe fórmula, nem lei que proíba o preconceito, mas podemos sim, proibir a discriminação e lutar por direitos, pela igualdade. Aí é que me sinto na obrigação de atuar.

É da minha conta sim quando alguém no mundo sofre...vítima de outro ser humano. São duas partes de mim que estão ali representadas. Se sou humana, em algum lado eu devo estar..não posso estar em lado algum, não posso me esconder na omissão, pois esse lado não existe, afinal, quem cala consente, não é?

Não posso consentir calada que muitas violências sejam cometidas. Tenho que no mínimo falar. Deixar claro o meu descontentamento e minha reprovação. Não quero de hipótese alguma pertencer ao grupo que cala, que diz amém a tudo, achando que estão protegidos. 

Tenho muito respeito à liberdade de todas as pessoas, porque prezo imensamente pela minha. Aceito as diferenças e não suporto ver ninguém sendo humilhado. Quero viver num mundo onde as pessoas possam se expressar e serem respeitadas... Quero viver num mundo em que as pessoas não precisem ser todas iguais para não serem vistas como uma ameaça a segurança do outro. Quero viver num mundo PLURAL e que possamos simplesmente ser o que somos! Com LIBERDADE e com RESPEITO ao próximo!


Ludmila Rohr

P.S. Na foto, entre pessoas tão diferentes e tão iguais.



segunda-feira, 26 de julho de 2010

Um lugar bom de morar!


Sou uma observadora de corpos..adoro ver as pessoas em movimento. Adoro as expressões corporais. Simplesmente amo observar os corpos se moverem nos esportes, nas danças, mas também na vida, nas ações rotineiras da vida. Adoro descobrir as imensas e incomensuráveis possibilidades que o nosso corpo tem de se mover e de se expressar.

Sou corporalmente expressiva. Sempre falo usando os braços, as expressões faciais, quando não, todo o corpo! Minha professora de inglês aqui nos EUA, evita me olhar quando eu não sei uma palavra, porque na dificuldade de expressão verbal, eu escapo do desafio linguístico usando o meu corpo. Digo que falo a linguagem universal da mímica e por isso, nunca tenho medo de viajar para lugares em que não conheço o idioma. Sei que me farei ser compreendida sem muita dificuldade.

Adoro ler corpos..adoro tentar entender o que eles estão falando...o que o corpo revela das pessoas, que nem elas mesmas as vezes estão conscientes. O corpo fala o que a nossa boca ou a nossa consciência nem sempre conseguem falar. Adoro ver os corpos sexualizados, cheios de energia, vitalizados e tenho muita dó de ver corpos esquecidos, desqualificados ou negados!

Sou professora de yoga...acho que todos sabem disso. O yoga entrou na minha vida quando eu tinha 16 anos..lá se vão quase 31 anos de prática. O yoga sempre foi a minha forma mais eficiente de meditar e de me conectar com o sagrado, com a divindade. O movimento corporal consciente sempre me ajudou a organizar idéias, a ter insights, a compreender melhor o que eu estava sentindo...

Como psicóloga gosto também da linguagem do corpo. Sou Analista Bioenergética. O corpo além de falar, oferece acessos rápidos a sentimentos e  lembranças. Gosto muito de incluir o corpo e a sua expressão no meu trabalho psicoterapêutico.

De uns anos pra cá, tenho me dedicado a observar corpos femininos, pois meu interesse profissional específico é a Sexualidade Feminina. Meu livro é sobre esse tema, e tenho alguns projetos profissionais dentro dessa temática.

O nosso corpo nos oferece uma possibilidade incrível de acessarmos a nossa existência interna, assim como pode nos manter no mundo exterior como numa prisão, porque ele nos oferece a chance de através das nossas sensações conhecermos um pouco mais de nós mesmos, mas também pode nos manter presos a aparência dele. Como uma via de duas mãos, o nosso corpo nos leva para dentro e para fora de nós mesmos.

Quando falo em beleza corporal nunca tenho como padrão as nossas indefectíveis modelos e manequins. As vejo como manequins (algo que serve para pendurar roupas) e não como mulheres. Sem querer desqualificá-las como trabalhadoras, porque penso que deve ser duro ser uma modelo ou manequim, mas elas não podem ser vistas como modelo de corpo saudável e feliz!! Elas para mim são padrão de doença e desvitalização. Elas (ou a grande maioria delas) não me parecem em paz com seus corpos...elas não ao menos parecem mulheres adultas...parecem algo como uma menina com medo de ser mulher. Muitas tem ombros caídos para frente, numa atitude de cansaço ou desânimo..e acho que nem sabem mais qual a sensação de morar no corpo delas...o corpo me parece um campo de atuação.

Bom...tenho conversado muito com mulheres que estão o tempo todo preocupadas com seus corpos ou melhor, com a aparência deles, e tenho dito a cada uma delas aquilo que realmente acredito. Digo para que elas busquem gostar verdadeiramente de morar nos seus corpos, pois se existe alguma forma deles transmitirem beleza e luz, independente do tempo e da idade, é sentindo-os como um lugar seguro e prazeroso de morar!

Ludmila Rohr




segunda-feira, 19 de julho de 2010

Homofobia NÃO!

 Li esses dias uma matéria do jornalista Jefferson Lessa sobre o "Bullying Homofóbico" que ele vem sofrendo. Ler esse relato doloroso de humilhação e sofrimento me deixou louca. Sinto muita raiva nessas situações. A humilhação das minorias, ou das diferenças me deixa com vergonha de pertencer a nossa espécie. Nesses momentos tenho muita vontade de ter "voz" e gritar muito até que todos possam ouvir o quão absurdo é isso.

Bullying é o nome que se dá a processos de humilhação personalizada...normalmente ligado a escolas e à adolescência, em que os "fortes" espezinham os "fracos". 

Quem nunca presenciou ou sofreu nas escolas algum tipo de pirraça? ou apelidos que não suportávamos? As meninas lindas que podiam tudo e os rapazes espertos que se davam bem e sacaneavam aqueles que não se davam?...entretanto nesses tempos, o bullying tem se expandido e se aprimorado. Deixaram de ser brincadeiras com toques de perversão para serem problemas sociais que revelam o caráter perverso da nossa sociedade. Saíram dos muros das escolas e foram para as ruas...para as comunidades..para a vida.

Esse jornalista expõe com muita delicadeza o seu sofrimento. Impossível não ser solidário a ele. Bom...talvez não seja impossível, sei lá.

Tenho refletido muito sobre bullying e tenho procurado ler alguma coisa, já que sou psicóloga. 
Pensavam os estudiosos, a princípio, que se a vítima do Bullying ficasse quieta, não "se importasse" com a humilhação, isso seria passageiro. Diziam que o que alimentava o comportamento dos agressores, era a reação das vítimas. Era (ainda é) comum a orientação de que a vítima devia "deixar prá lá", e tudo passaria com o tempo..os agressores a esqueceriam. Ou seja, toda a responsabilidade sobre a continuidade ou não dos ataque era da vítima. A psicologia do "Deixa pra lá" não deu certo. Nunca deu certo...acho que os agressores podiam até parar, porque teriam perdido a graça de espezinhar aquela pessoa, mas achariam uma próxima vítima.

Depois surgiu a idéia de que as vítimas tinham que se preparar para enfrentar os agressores. Eles precisavam mudar, ser mais agressivos, aprender a lutar a se defender...etc...Mais uma vez, uma teoria que colocava na vítima a responsabilidade de acabar com as agressões sofridas, mais um erros. Os agressores sentindo-se afrontados, ficaram mais agressivos ainda. Massacraram suas vítimas, que solitárias, sucumbiram.

Por fim, os psicólogos e sociólogos começaram a pensar que esse não podiam ser um fenômeno produzido por esse binômio (vítima-agressor)...tinha mais gente nessa história: e começaram a lançar um olhar sobre os "espectadores silenciosos", ou seja: a maioria de nós. Se houvesse alguma possibilidade de alguma mudança acontecer em um quadro de bullying, só poderia partir da imensa maioria que apenas assiste a isso.

Em uma escola, os que assistem, são a maioria. Numa comunidade qualquer, vítimas de bullying e seus agressores são minoria, o resto apenas assiste calado...com medo de ser visto, acuados...amedrontados..e (deviam) também, envergonhados.

Como pode, moradores de uma rua inteira, ao ver o jornalista (que motivou esse post) ser humilhado por filhinhos-de-papais e se calarem? Como é possível? Será que nós que assistimos pensamos que estamos a salvo? Que nunca chegará a nossa vez de estar no lugar da vítima? Como podem alunos de uma escola inteira, silenciarem diante de abuso de seus colegas por outros? Como podemos ficar quietos, calados e coniventes com tudo isso?? Vergonha...muita vergonha deveríamos sentir. 

Entretanto sentir vergonha não nos leva a ação. Precisamos entender que o poder de mudar isso, está na mão dos que calam. Precisamos falar...precisamos parar os agressores, precisamos dizer que não queremos isso nas nossas escolas, nas nossas ruas, na nossa vizinhança...é preciso dizer NÃO.

Não sou uma agressora, não me lembro de ter praticado bullying em tempo algum da minha vida. Tampouco sou uma vítima dessas agressões. Fora ter recebido alguns apelidos na infância por ser magra e alta, não lembro de ter sofrido bullying.

 Então, só me restaria assumir que tenho pertencido ao terceiro grupo, os que silenciaram. Mas não é verdade, pertenço com muito orgulho ao quarto grupo, dos que falam, dos que gritam, dos que se indignam, dos que defendem as minorias, dos que reconhecem agressores e não os suporta. Sempre disse NÃO, e continuarei dizendo NÃO. Não quero e não permitirei agressões perto de mim, e onde estiver ao meu alcance. Escrevei e me posicionarei ao lado daqueles que lutam contra qualquer tipo de discriminação.

Nesse momento minha bandeira é: NÃO A HOMOFOBIA!! Não aos agressores de Jefferson Lessa. Não aos homofóbicos que torturaram e mataram o garoto Alexandre, de 14 anos, no Rio e continuam caçando os homossexuais. Não quero vocês na minha cidade, na minha rua e em lugar nenhum.  Preconceito se combate com informação, pois é fruto da ignorância, mas discriminação e bullying se combate com Justiça e punição. Abaixo a IMPUNIDADE. Abaixo a HOMOFOBIA!

Ludmila Rohr

P.S. Segue o link da matéria do Jefferson Lessa pra quem ainda não leu!.