segunda-feira, 30 de agosto de 2010

SOBRE INVEJA

As pessoas costumam dizer que a inveja é um sentimento feio. Pra complicar ainda mais, ainda dizem que é feio sentir inveja.

Bom...a inveja é um sentimento como outro qualquer, e por isso mesmo, humano. Não existe inveja em outros reinos, que não o humano. 

Funciona dizer para alguém algo tipo, não ame essa pessoa, ou, não sinta raiva quando lhe fizerem isso; ou pra que ficar triste com aquilo? Os sentimentos surgem na nossa alma, e eles por si só não se constituem um problema. O problema dos sentimentos, não é o sentimento em sim, e sim o que fazemos com ele, ou pior ainda, quando não temos consciência dele, porque eles começam a nos levar a fazer coisas que nem percebemos.

A inveja é o sentimento mais negado de todos. É mais fácil assumir ódio, do que inveja. Assumir inveja é como assumir que não é boa o bastante, ou que existe alguém com algo que não tenho, ou que queria ter. É difícil porque é como assumir a falta. O invejoso é um faltante que não suporta saber disso. Tão narcísico que não suporta não ser pleno.

É bom deixar claro que todos nós somos faltantes, as coisas não são perfeitas e quase nunca temos tudo que queremos e quando queremos, mas isso não significa que todos nós sentiremos inveja de quem as tem, quando nós não a temos. 

Bom...pense, que vc quer muito algo e luta por aquilo, e aparece alguém na sua frente, que conseguiu aquilo que vc tanto quer. O que voce sente?

Algumas reações são muito comuns: Ficar feliz porque o outro conseguiu. Ficar triste porque voce não conseguiu. Ficar com raiva porque esse alguém conseguiu. Desmerecer o que o outro conseguiu, o que é o mesmo que criticar a forma como ele conseguiu, ou desqualificar o objeto de desejo...ele já não é tão bonito ou bom assim, ou pior ainda, dizer que a outra pessoa nem ficou bem com aquilo, ou que ela nem merece. No fundo, no fundo, exceto as duas primeiras reações..as outras são inveja pura.

O invejoso precisa desqualificar, destruir o objeto de desejo que o outro conseguiu e ele não. Por que não suporta reconhecer o valor do outro, pois pra ele isso, levaria imediatamente a se dar conta da sua falta. O invejoso fica preso nessa armadilha do próprio ego. Por desqualificar o outro, ele não pode assumir que também desejava aquilo e não fica livre para buscar o que deseja....ou melhor dizendo: Não fica livre para DESEJAR! Não é livre para dizer: Que bom que voce conseguiu, isso mostra que eu também posso!

Nesses anos de consultório tenho me dado conta de que o momento de se confrontar com a inveja, é algo que parece um 'Turn Point" na terapia. A pessoa sofre e resiste muito para admitir, mas quando consegue, dá uma virada incrível. Quando consegue admitir a inveja, se sente livre para desejar..e percebe que a inveja na maioria das vezes é um desejo negado. É uma falta que não pode ser espelhada pelo outro. Muitos abandonam a terapia antes disso, e dizem que o terapeuta não era muito bom.

Nem me lembro a última vez que senti inveja (ou pelo menos uma importante)...não que não as tenha, mas tenho tentado estar tão consciente dos meus desejos e me permitindo-os que acho que não existe muito espaço para elas. Nesse momento morro de inveja de quem perde peso facilmente, ou de quem faz uma viagem muito legal...ou (esse que é o mais difícil de confessar para o mundo) de quem não tem celulite.

As pessoas as vezes me advertem dizendo que eu me exponho demais, que eu falo sobre meu marido e filhos demais, que eu falo muito sobre as coisas boas que acontecem comigo. Dizem que eu posso atrair inveja. 

Bom....minha teoria é de que inveja faz muito mal pra quem a sente (minhas amigas que não tem celulite podem ficar tranqüilas, minha inveja não as fará aparecerem de repente nas suas pernas e bundas). Brincadeiras a parte...realmente não perco nenhum minuto da minha vida, nem gasto um segundo sequer me preocupando se alguém sente inveja de algo que tenho ou que eu seja. Quem me conhece, sabe bem disso. Sempre acho que isso nunca me atingirá de fato, a não ser que eu entre na mesma vibração, e daí, isso já seria minha responsabilidade.

Os invejosos por desqualificarem todos a sua volta, pensam que só eles estão andando e não percebem que na verdade, ele está ficando pra trás...os outros estão seguindo suas vidas..e eles ficando para trás..

Como acredito na perfeição da vida, como acredito em Karma e Dharma, acredito que só temos o que merecemos. Nunca me queixei da vida quando meu marido teve câncer. Nunca me queixei, nem achei injusto quando ele descobriu uma metástase, me aborrecia quando alguém dizia algo tipo: mas ele é tão legal...voces não merecem isso... Bom, merecemos sim, e merecemos tudo de bom que nos acontecem também! Tenho a crença tranqüila e firme na justiça perfeição da vida, mesmo que eu não entenda e nem consiga explicar, mas pra mim, é justo. Por isso, mesmo que detesto injustiças. Luto para que as verdades sempre venham à tona, e que seja sempre a última palavra.

Vocês podem estar se perguntando porque o tema do post de hoje é INVEJA. Nem sei responder pra vocês. Acho que as pessoas invejosas sofrem tanto...tenho pra mim, que a inveja é o pior sentimentos em termos de desconforto, ele causa um mal estar tão grande. Negá-la dá um trabalho tão imenso, é como fugir da própria sombra. Os invejosos sofrem muito. A partir do dia que um cliente conseguia falar sobre inveja, eu podia ver a transformação na sua vida...eles simplesmente ficavam mais felizes, podiam assumir os desejos sem culpa e podiam ficar felizes coma  felicidade do outro. A felicidade do outro não lhes pareciam mais um soco no estômago. Descobriam que era bom ver o ouro feliz, e que eles podiam ser também. Eles podiam rir de si mesmos também.

O invejoso por não assumir que sente inveja, atua com o sentimento. Isso sim é moralmente complicado. Sentir não é o problema, mas o que voce faz com o que sente, isso sim pode ser um problema. O invejoso, muitas vezes sabota e faz mal a alguém, e nem se dá conta de que está sendo movido pela inveja, já que nem pode reconhecer esse sentimento. Isso sim é muito complicado.

Bom...não moralizo nenhum sentimento. Não acho que um seja moralmente aceito e outro não. Somos humanos e na nossa alma cabem todas as vibrações. Não moralizar a inveja e apenas entendê-la como um sentimento que precisa ser conscientizado e trabalhado como outro qualquer, nos livraria de muito medo e dor... Não posso pensar em julgar alguém que assume a inveja, devo sim, parabenizá-la. Quem sabe esse é o "Turn Point" da sua vida???

Ludmila Rohr




domingo, 22 de agosto de 2010

O lugar perfeito!

Vim morar nos EUA porque meu marido está trabalhando aqui e porque achei que seria uma boa experiência passar um tempo fora. Após 8 mêses, passada a fase natural de encantamento, consigo ver defeitos..porque antes só via qualidades. 

Isso pra mim, não tem a menor importância, se um lugar tem defeitos...porque nunca tive alguma ilusão a respeito de pessoa alguma, quanto mais de lugares. Temos defeitos e qualidades, todos nós e todos os lugares, inclusive isso aqui.

Não suporto as construções todas serem de cor bege...todas as casas , todas as lojas são iguais e bege! Não suporto a mania que eles tem de colocar molho em tudo. A comida tem gosto dos molhos..detesto...Adoro o trânsito..a educação no trânsito é espetacular. Nada é mais lindo do que uma experiência no Stop Sign, as pessoas param em cruzamentos e saem uma de cada vez, por ordem de chegada. Lindo!

Poderia passar o dia fazendo listas do que gosto e do que não gosto daqui e muito mais ainda de Salvador, que é o lugar que eu conheço e que vivi minha vida toda! Mas essa não é a questão.

Adoro comprar tudo que compro aqui, roupas, botas, sapatos, maquiagem, cremes, perfumes..Adoro!...adoro minha geladeira americana enorme linda, adoro o fogão que é elétrico, enorme, maravilhoso...mas, sinceramente, NADA disso me faz feliz, nada disso faz ninguém feliz! 

Sou uma pessoa feliz porque me busco..e não quero me auto-enganar. Gosto de mim apesar dos meus defeitos...não quero deixar de vê-los! Assim como amo Salvador, apesar de todos os defeitos dela...amo e pronto!

Alguém não precisa ser perfeito pra que tenha o meu amor...um lugar também não precisa. O lugar bom, é aquele onde me realizo...onde me sinto útil, onde sinto que estou crescendo. Posso fazer isso em qualquer lugar ou não. Enquanto esse for um lugar que me propicie algum crescimento, aqui será um bom lugar. No dia que eu entender que nada aqui me faz crescer...que meu coração não está em paz...não há geladeira, perfumes e sapatos que me convença a ficar!

Hoje estou triste. Hoje sinto falta de tudo da minha vida que eu amo lá em Salvador. Sinto falta de ser útil e produtiva. Sinto falta de sair pra trabalhar e voltar cansada. Sinto falta dos dengos que Nil me fazia, sinto falta de ver o mar e as cores que lá existem e que aqui não. Se estou infeliz? Não, não estou. Hoje estou triste. Hoje estou em contato com a falta. Posso lidar com isso, sem achar que é infelicidade, da mesma forma que posso adorar passar um dia em um lindo Mall, e não confundir isso com felicidade.

A tristeza da falta não me deixa infeliz, assim como a opulência do consumo não me faz uma pessoa feliz.

Hoje...o que eu queria..ter acordado em Salvador, na minha casa que eu amo e que meus filhos foram criados...ficar lá sem fazer nada...sair pra dar uma volta de carro de tarde e ver o pôr-do-sol no lugar mais lindo que existe no mundo...o Farol da Barra...beber uma água de coco geladinha, passar no Rio Vermelho e comer a melhor Pizza que existe no mundo e voltar pra casa...

Simples e perfeito assim.

Ludmila 




terça-feira, 17 de agosto de 2010

Não tenho paciência para queixas...

Imagino que todos querem a felicidade. Certo.
Imagino que todos fariam qualquer coisa pela felicidade. Errado.

Sou psicóloga..tenho muitos anos de consultório. Nesses anos vi muitas pessoas crescerem, enfrentarem suas dificuldades, atravessarem seus medos, suas sombras, seus fantasmas, tudo porque desejavam , buscavam a felicidade.

Vi pessoas crescendo, por se superarem. Por conseguirem coisas que supunham não serem capazes. Essas pessoas conseguiam entender que o "inimigo" estava nelas mesmas...elas se enfrentavam...saiam da queixa, abandonavam o lugar de vítima e pagavam o preço que fosse para serem felizes. 

Algumas largavam empregos ruins, rompiam casamentos falidos, cortavam relações com pessoas destrutivas, diziam coisas duras, mas necessárias para filhos e amores, mudavam comportamentos negativos... Normalmente, eram altos os preços, mas elas pagavam...e conseguiam.

Nunca tive muita paciência com queixas. Uma coisa é o desabafo..outra é a queixa. O queixoso, se alimenta disso. Ele se alimenta da própria queixa. Ele se alimenta da atenção ou piedade que a queixa desperta no outro. Ele goza nesse lugar especial de vítima.

Nunca tive muita paciência com queixosos, nem ao menos sou boa em ouvi-los. Quando sinto que na verdade, eles não pretendem uma mudança, quando sinto que eles de fato não querem receber uma orientação e nem estão dispostos a ouvi-la, percebo que o que de fato eles querem é a piedade e a admiração da platéia enternecida com quanto eles sofrem. Nesse momento, eu saio da platéia. Não consigo alimentar esse comportamento, porque não suporto a inércia e principalmente, porque acho que pagaria qualquer coisa para ser feliz. Faria qualquer coisa pra não ser vítima, e nem suportaria o olhar de pena sobre mim.

Essa semana visitei aqui em Houston, uma unidade prisional feminina, que é intermediária entre a prisão e a liberdade. Mulheres e meninas estão ali. Fiquei chocada em ver garotas de 17 anos presas, com roupas de prisão, mas aqui é os EUA, e assim é a lei. Conheci um trabalho voluntário que ajuda essas pessoas a encontrarem nelas mesmas forças e recursos para voltar ao mundo aqui fora. Elas estavam aprendendo a respirar e a ficar dentro delas mesmas... No fundo, esse trabalho visa mostrar que elas tem um lugar dentro delas, que é um lugar de poder, um lugar de força, e que nesse lugar elas podem encontrar energia para enfrentar as dificuldades do mundo real.

Esse trabalho não as transformam em vítimas da sociedade, muito pelo contrário..me pareceu que não existe lugar pra queixas, e sim para a responsabilidade sobre si mesmas. Elas aprendem a não serem vítimas e serem agentes da própria mudanças. Provavelmente algumas conseguirão e outras não. É assim. Quem idealiza um trabalho desse sabe que o sucesso é sempre relativo e não absoluto. Aprende também a achar que nesse relatividade está o absoluto.

Não tenho paciência para queixas...tenho muita energia de acolhimento, mas muito pouca para receptáculo de lamentações. Não sei se isso é bom ou ruim, mas sou assim....e acho que se tiver que cortar uma parte de mim fora, pra ser feliz...eu faria. 

Torço muito por aquelas meninas que vi na prisão, especialmente por uma que usava trancinhas e que tinha  uma carinha que podia ser minha filha. Não aceitem o papel viciante e grudento de vítimas, sejamos todos agentes ativos da nossa própria vida e felicidade!

Ludmila Rohr

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Eu e eu mesma!

Gosto de ser quem eu sou...algo sempre inacabado...sempre em movimento... 
Gosto de ser mulher..e de pensar nos poderes que eu tenho. As vezes isso me parece algo meio narcísico, mas gosto de brincar com o meu narcisismo.
Gosto da permissão cultural que nós mulheres, temos de acessar nossos sentimentos. Não que os homens não possam fazer isso, mas a nós mulheres foi dada uma permissão cultural e social de fazer isso com mais liberdade.

Podemos falar de política, podemos ganhar dinheiro, trabalhar e produzir em qualquer área, mas podemos tranquilamente falar sobre sentimentos, podemos buscar subjetividade e significado nas coisas...em todas as coisas... e eu gosto muito de fazer isso.

Gosto de passar tempo com amigas subjetivando...falando sobre impressões, sobre percepções das coisas.. sobre como me sinto em relação a isso ou a aquilo...subjetivar é delicioso para mim...e acho isso tão feminino...Adoro as imensas nuances que existem na minha alma, uma mudança mínima em um tom, muda toda a composição....isso é tão feminino...Gosto de buscar significados, como se tudo tivesse um.

A psicologia Arquetípica me fascina, porque ela é cheia de símbolos e significados. Já falei sobre isso aqui algumas vezes. Muito tempo atrás, descobri  faces de seis Deusas gregas em mim. Adoro perceber dias em que estou mais Perséfone, dias que estou mais Afrodite, dias que estou mais Athena...assim como perfumes e roupas.. Gosto de perceber quando quero colocar um salto vermelho, e dias que quero colocar uma sandália rasteira, me permito isso...sei escutar essas diferenças na minha alma...assim como a escolha do perfume...adoro perfumes e tenho vários...e os escolho a partir da minha alma...sempre subjetivando...Sou assim. Isso é tão complexo..adoro essa complexidade. 

Descobri que tenho em mim a força e inteligência de Athena, que me instrumentaliza para as guerras diárias, que me coloca em contato com o mundo dos negócios, do trabalho, que me dá disciplina e me coloca fortalecida diante dos desafios do mundo masculino. Nasci uma Athena, nasci para estudar e trabalhar. Esse sempre foi o discurso dos meus pais:  "Estude muito, assim voce ganha o mundo".

A minha vida foi me revelando poderes de outras Deusas em mim! Encontrei a minha porção Perséfone, mergulhando nas meditações, desenvolvendo minha intuição, me conectando com os saberes da minha alma. Essa Deusa me fez uma pessoa profunda, não consigo ser rasa em nada, e não tenho muita paciência com as pessoas rasas. Talvez por isso, tenha detestado ser adolescente. Gosto muito mais de mim adulta, do que quando era jovem. Sempre quero intimidade e profundidade nas minhas relações. Adoro também o silêncio... tenho épocas de silêncio, de recolhimento...as pessoas acham que estou triste, mas não estou...só estou mais pra dentro...

A outra Deusa que fui tornando cada vez mais consciente, foi Árthemis. Essa Deusa me coloca em contato com o meu corpo, com a força dele, com a natureza visceral do meu poder. Encontro força respirando, encontro poder no contato com minhas pernas e minha coluna. Encontro força no sol, na terra, nos alimentos. Reconheço essa Deusas quando caminho e sinto meus músculos, quando me alongo e sinto cada parte do meu corpo. Gosto da sensação do meu corpo..e da força dele...O Yoga me conecta profundamente com minha porção Perséfone e Árthemis.

Descobri Deméter com a maternidade, estar grávida, parir e amamentar me colocou em contato com algo extremamente poderoso. Nunca me senti tão bela e poderosa, como me senti nesses momentos. Um poder muito especial. Gostei muito disso. Gosto de saber que vivi essa experiência, mas entendo que Deméter  está de sobreaviso, a partir do momento que vi meus filhos crescerem...Ela naturalmente vai ganhando uma outra dimensão, fica em mim como memória, como recordação... não preciso tanto dela como antes...

Afrodite é a Deusa do Amor e da Beleza...Como adoro essa Deusa. Sedução, leveza, beleza... Minha Athena ainda briga com Afrodite, mas cada vez mais posso me apropriar das delicias da Afrodite que quer mesmo é ser amada e desejada. Minha Afrodite ainda se sente julgada pela Athena que sou, mas tenho dado espaço pra ela..e na maturidade, ela não me parece tão fútil, descubro que ela pode ser bela, sedutora e feliz..., mas com certeza essa não é a Deusa que tenho mais intimidade, tenho problemas em me entregar a ela. No fundo ainda a julgo pela futilidade.

Entretanto Hera, é a Deusa que ainda me intriga. Gosto do poder de Hera, mas reconheço que é a Deusa desse panteão, que eu menos gosto, que eu menos me identifico. Tenho problemas em ser reconhecida como a esposa de alguém, e esse é o orgulho de Hera. Tenho problemas em viver em função da carreira e do sucesso de um marido, e esse é a grande meta das Heras. Tenho alguns problemas com reuniões de esposas...Sempre acho que estou meio deslocada. Se me comparo com outras esposas, sempre acho que sou Athena demais.Talvez eu precise de mais algumas encarnações para me conectar com ela, mas acho que só o fato de ter vindo morar aqui nos EUA, por causa da carreira do meu marido, já foi uma grande concessão que fiz a ela. 

A energia dessas Deusas e o espaço que elas tomam na minha vida, faz uma composição única, cujo resultado sou eu. Completa e incompleta. Preenchida e faltante. Sempre estou buscando me conhecer, porque sempre estou pensando em como eu posso dar conta de mim mesma, pois a parte que é só minha, é muito maior que a parte que é de todos... como uma Perséfone, meu mundo interno é vasto...meus pensamentos e sentimentos são imensos e ocupam muito de mim...Na verdade, nunca tenho uma dimensão do quanto de mim, eu consigo trazer pra fora. Não sei do quanto de mim o outro consegue perceber.

Porque estou escrevendo sobre isso, eu ainda não sei..., mas acho que é uma tentativa de trazer um pouco pra fora, desse imenso mundo interno que as vezes me pego mergulhada. Me reconheço muito mais naquilo que só eu sinto e vejo de mim mesma, do que no que o outro percebe. O lugar dentro de mim, é sempre muito confortável e extremamente rico. Minhas referências mais confiáveis são internas. O grande exercício é trazer esse mundo para fora. Tenho sempre a sensação de que não sou eficiente nisso. Sem o meu trabalho, me sinto sem o meu melhor instrumento. Sem o meu trabalho, me sinto sem a melhor forma de falar sobre mim mesma. Por isso escrevo. Porque no fundo acho que sou como qualquer pessoa, preciso ser vista e entendida.

Ludmila Rohr




segunda-feira, 2 de agosto de 2010

É da minha conta sim!

Fico bastante indignada com muitas coisas que acontecem e me sinto na obrigação de abrir a boca, de reclamar e de mostrar a minha indignação. Nunca acho que as coisas que acontecem não são da minha conta, sempre acho que se aconteceu pra que eu visse, ou pra que eu soubesse, é porque me diz respeito.

Gostaria, as vezes, de ficar na minha vida confortável, aqui nos EUA. Temos uma vida tranqüila e podermos viajar alguma vezes durante o ano..., moro em um lugar extremamente seguro. Nunca me senti ameaçada na minha segurança pessoal por nada. Poderia ir ao mercado e me diverti, ir as compras e de me divertir...poderia estar preocupada com novas receitas e com lançamentos da estação, mas essa não seria eu. Poderia estar estudando e escrevendo, psicologizando a vida...mas não consigo ser apenas uma psicóloga, tenho que ser uma ativista.

Não reclamo da vida que tenho, adoro..., mas sou filha de sindicalista, acho no fundo do meu coração que tudo que acontece de injusto, eu tenho que me meter, tudo que acontece que ameaça alguma minoria desprotegida, eu tenho obrigação de me envolver. Assim funciona a minha consciência.

Sou alta, branca, não sou gorda, sou hetero, sou casada, tenho boa condição financeira, tenho dois filhos, sempre fui extrovertida, não fujo a nenhum padrão de beleza, nunca tive problemas pra fazer amigos, ou seja...não pertenço a nenhuma categorias que são constantemente espezinhadas e humilhadas.

Vejo os movimentos homofóbicos e racistas e me sinto pessoalmente ofendida, dói em mim...e isso não deveria provocar nenhum espanto...afinal, são pessoas como eu que estão sendo vítimas. Se aceito que um ser humano como eu seja vítima de qualquer ação de discriminação, estou sendo conivente com ela. Não quero ser e nem serei. 

Essa semana me aborreci profundamente com agressões que o movimento HOMOFOBIA NÃO comumente  recebe via twitter, vinda de rapazes violentos que falam coisas agressivas..eles são homofóbicos, mas são misóginos também...eles devem esconder atrás de tanto ódio um desejo não revelado...Ninguém pode odiar tanto pessoas que nem conhece, simplesmente porque elas são homossexuais. Mas eles também desqualificam as mulheres são misóginos e altamente narcísicos.

Não consigo entender porque odiar tanto alguém só porque ela é negra..., ou porque tem uma religião diferente da sua, ou porque se veste de forma diferente da sua. O preconceito é fruto da ignorância e não pode ser proibido, não existe fórmula, nem lei que proíba o preconceito, mas podemos sim, proibir a discriminação e lutar por direitos, pela igualdade. Aí é que me sinto na obrigação de atuar.

É da minha conta sim quando alguém no mundo sofre...vítima de outro ser humano. São duas partes de mim que estão ali representadas. Se sou humana, em algum lado eu devo estar..não posso estar em lado algum, não posso me esconder na omissão, pois esse lado não existe, afinal, quem cala consente, não é?

Não posso consentir calada que muitas violências sejam cometidas. Tenho que no mínimo falar. Deixar claro o meu descontentamento e minha reprovação. Não quero de hipótese alguma pertencer ao grupo que cala, que diz amém a tudo, achando que estão protegidos. 

Tenho muito respeito à liberdade de todas as pessoas, porque prezo imensamente pela minha. Aceito as diferenças e não suporto ver ninguém sendo humilhado. Quero viver num mundo onde as pessoas possam se expressar e serem respeitadas... Quero viver num mundo em que as pessoas não precisem ser todas iguais para não serem vistas como uma ameaça a segurança do outro. Quero viver num mundo PLURAL e que possamos simplesmente ser o que somos! Com LIBERDADE e com RESPEITO ao próximo!


Ludmila Rohr

P.S. Na foto, entre pessoas tão diferentes e tão iguais.



segunda-feira, 26 de julho de 2010

Um lugar bom de morar!


Sou uma observadora de corpos..adoro ver as pessoas em movimento. Adoro as expressões corporais. Simplesmente amo observar os corpos se moverem nos esportes, nas danças, mas também na vida, nas ações rotineiras da vida. Adoro descobrir as imensas e incomensuráveis possibilidades que o nosso corpo tem de se mover e de se expressar.

Sou corporalmente expressiva. Sempre falo usando os braços, as expressões faciais, quando não, todo o corpo! Minha professora de inglês aqui nos EUA, evita me olhar quando eu não sei uma palavra, porque na dificuldade de expressão verbal, eu escapo do desafio linguístico usando o meu corpo. Digo que falo a linguagem universal da mímica e por isso, nunca tenho medo de viajar para lugares em que não conheço o idioma. Sei que me farei ser compreendida sem muita dificuldade.

Adoro ler corpos..adoro tentar entender o que eles estão falando...o que o corpo revela das pessoas, que nem elas mesmas as vezes estão conscientes. O corpo fala o que a nossa boca ou a nossa consciência nem sempre conseguem falar. Adoro ver os corpos sexualizados, cheios de energia, vitalizados e tenho muita dó de ver corpos esquecidos, desqualificados ou negados!

Sou professora de yoga...acho que todos sabem disso. O yoga entrou na minha vida quando eu tinha 16 anos..lá se vão quase 31 anos de prática. O yoga sempre foi a minha forma mais eficiente de meditar e de me conectar com o sagrado, com a divindade. O movimento corporal consciente sempre me ajudou a organizar idéias, a ter insights, a compreender melhor o que eu estava sentindo...

Como psicóloga gosto também da linguagem do corpo. Sou Analista Bioenergética. O corpo além de falar, oferece acessos rápidos a sentimentos e  lembranças. Gosto muito de incluir o corpo e a sua expressão no meu trabalho psicoterapêutico.

De uns anos pra cá, tenho me dedicado a observar corpos femininos, pois meu interesse profissional específico é a Sexualidade Feminina. Meu livro é sobre esse tema, e tenho alguns projetos profissionais dentro dessa temática.

O nosso corpo nos oferece uma possibilidade incrível de acessarmos a nossa existência interna, assim como pode nos manter no mundo exterior como numa prisão, porque ele nos oferece a chance de através das nossas sensações conhecermos um pouco mais de nós mesmos, mas também pode nos manter presos a aparência dele. Como uma via de duas mãos, o nosso corpo nos leva para dentro e para fora de nós mesmos.

Quando falo em beleza corporal nunca tenho como padrão as nossas indefectíveis modelos e manequins. As vejo como manequins (algo que serve para pendurar roupas) e não como mulheres. Sem querer desqualificá-las como trabalhadoras, porque penso que deve ser duro ser uma modelo ou manequim, mas elas não podem ser vistas como modelo de corpo saudável e feliz!! Elas para mim são padrão de doença e desvitalização. Elas (ou a grande maioria delas) não me parecem em paz com seus corpos...elas não ao menos parecem mulheres adultas...parecem algo como uma menina com medo de ser mulher. Muitas tem ombros caídos para frente, numa atitude de cansaço ou desânimo..e acho que nem sabem mais qual a sensação de morar no corpo delas...o corpo me parece um campo de atuação.

Bom...tenho conversado muito com mulheres que estão o tempo todo preocupadas com seus corpos ou melhor, com a aparência deles, e tenho dito a cada uma delas aquilo que realmente acredito. Digo para que elas busquem gostar verdadeiramente de morar nos seus corpos, pois se existe alguma forma deles transmitirem beleza e luz, independente do tempo e da idade, é sentindo-os como um lugar seguro e prazeroso de morar!

Ludmila Rohr




segunda-feira, 19 de julho de 2010

Homofobia NÃO!

 Li esses dias uma matéria do jornalista Jefferson Lessa sobre o "Bullying Homofóbico" que ele vem sofrendo. Ler esse relato doloroso de humilhação e sofrimento me deixou louca. Sinto muita raiva nessas situações. A humilhação das minorias, ou das diferenças me deixa com vergonha de pertencer a nossa espécie. Nesses momentos tenho muita vontade de ter "voz" e gritar muito até que todos possam ouvir o quão absurdo é isso.

Bullying é o nome que se dá a processos de humilhação personalizada...normalmente ligado a escolas e à adolescência, em que os "fortes" espezinham os "fracos". 

Quem nunca presenciou ou sofreu nas escolas algum tipo de pirraça? ou apelidos que não suportávamos? As meninas lindas que podiam tudo e os rapazes espertos que se davam bem e sacaneavam aqueles que não se davam?...entretanto nesses tempos, o bullying tem se expandido e se aprimorado. Deixaram de ser brincadeiras com toques de perversão para serem problemas sociais que revelam o caráter perverso da nossa sociedade. Saíram dos muros das escolas e foram para as ruas...para as comunidades..para a vida.

Esse jornalista expõe com muita delicadeza o seu sofrimento. Impossível não ser solidário a ele. Bom...talvez não seja impossível, sei lá.

Tenho refletido muito sobre bullying e tenho procurado ler alguma coisa, já que sou psicóloga. 
Pensavam os estudiosos, a princípio, que se a vítima do Bullying ficasse quieta, não "se importasse" com a humilhação, isso seria passageiro. Diziam que o que alimentava o comportamento dos agressores, era a reação das vítimas. Era (ainda é) comum a orientação de que a vítima devia "deixar prá lá", e tudo passaria com o tempo..os agressores a esqueceriam. Ou seja, toda a responsabilidade sobre a continuidade ou não dos ataque era da vítima. A psicologia do "Deixa pra lá" não deu certo. Nunca deu certo...acho que os agressores podiam até parar, porque teriam perdido a graça de espezinhar aquela pessoa, mas achariam uma próxima vítima.

Depois surgiu a idéia de que as vítimas tinham que se preparar para enfrentar os agressores. Eles precisavam mudar, ser mais agressivos, aprender a lutar a se defender...etc...Mais uma vez, uma teoria que colocava na vítima a responsabilidade de acabar com as agressões sofridas, mais um erros. Os agressores sentindo-se afrontados, ficaram mais agressivos ainda. Massacraram suas vítimas, que solitárias, sucumbiram.

Por fim, os psicólogos e sociólogos começaram a pensar que esse não podiam ser um fenômeno produzido por esse binômio (vítima-agressor)...tinha mais gente nessa história: e começaram a lançar um olhar sobre os "espectadores silenciosos", ou seja: a maioria de nós. Se houvesse alguma possibilidade de alguma mudança acontecer em um quadro de bullying, só poderia partir da imensa maioria que apenas assiste a isso.

Em uma escola, os que assistem, são a maioria. Numa comunidade qualquer, vítimas de bullying e seus agressores são minoria, o resto apenas assiste calado...com medo de ser visto, acuados...amedrontados..e (deviam) também, envergonhados.

Como pode, moradores de uma rua inteira, ao ver o jornalista (que motivou esse post) ser humilhado por filhinhos-de-papais e se calarem? Como é possível? Será que nós que assistimos pensamos que estamos a salvo? Que nunca chegará a nossa vez de estar no lugar da vítima? Como podem alunos de uma escola inteira, silenciarem diante de abuso de seus colegas por outros? Como podemos ficar quietos, calados e coniventes com tudo isso?? Vergonha...muita vergonha deveríamos sentir. 

Entretanto sentir vergonha não nos leva a ação. Precisamos entender que o poder de mudar isso, está na mão dos que calam. Precisamos falar...precisamos parar os agressores, precisamos dizer que não queremos isso nas nossas escolas, nas nossas ruas, na nossa vizinhança...é preciso dizer NÃO.

Não sou uma agressora, não me lembro de ter praticado bullying em tempo algum da minha vida. Tampouco sou uma vítima dessas agressões. Fora ter recebido alguns apelidos na infância por ser magra e alta, não lembro de ter sofrido bullying.

 Então, só me restaria assumir que tenho pertencido ao terceiro grupo, os que silenciaram. Mas não é verdade, pertenço com muito orgulho ao quarto grupo, dos que falam, dos que gritam, dos que se indignam, dos que defendem as minorias, dos que reconhecem agressores e não os suporta. Sempre disse NÃO, e continuarei dizendo NÃO. Não quero e não permitirei agressões perto de mim, e onde estiver ao meu alcance. Escrevei e me posicionarei ao lado daqueles que lutam contra qualquer tipo de discriminação.

Nesse momento minha bandeira é: NÃO A HOMOFOBIA!! Não aos agressores de Jefferson Lessa. Não aos homofóbicos que torturaram e mataram o garoto Alexandre, de 14 anos, no Rio e continuam caçando os homossexuais. Não quero vocês na minha cidade, na minha rua e em lugar nenhum.  Preconceito se combate com informação, pois é fruto da ignorância, mas discriminação e bullying se combate com Justiça e punição. Abaixo a IMPUNIDADE. Abaixo a HOMOFOBIA!

Ludmila Rohr

P.S. Segue o link da matéria do Jefferson Lessa pra quem ainda não leu!.


segunda-feira, 12 de julho de 2010

Não foi apenas um beijo.....

Definitivamente não foi só um beijo. Nem durou muito, nem veio acompanhado de afagos. Nem foi profundo...foi rápido. Nenhuma palavra ou declaração foi feita, nada foi dito. Foi furtivo. Foi um beijo roubado. O beijo que Casillas deu na namorada jornalista não foi apenas um beijo. Foi muito mais do que isso, foi a realização de uma fantasia feminina.

Que mulher não imaginou um dia ser surpreendida por uma demonstração espontânea e explosiva de paixão? Acho que a imensa maioria desejou ou deseja isso. Esse beijo entrou pra história e, nesse momento, poucas mulheres no mundo não devem estar morrendo de inveja da felizarda Sara Carbonero que recebeu essa demonstração explícita e arrebatadora de paixão!

O incrível é que havia lido alguns dias antes, críticas de pessoas que achavam que ela  podia estar atrapalhando-o, estando no campo enquanto ele jogava, que ela podia distraí-lo ou algo assim. Ela chegou a ser cogitada como vilã de uma derrota da Espanha. A mulher sempre é culpada...incrível, não? Sendo bonita, pior ainda, sua culpa ainda é maior. Ela com sua beleza destruidora, teria o poder de destruir o goleiro da seleção espanhola. Ainda bem que eles ganharam, senão teríamos mais uma vilã. 

Acho até que se eles perdessem ela poderia levar alguma culpa, e mesmo se eles ganhassem, poderiam dizer que ganharam, apesar dela. Mas, depois desse beijo...ninguém ousará dizer nada! Ela foi consagrada. Ela foi alçada a um lugar muito especial. Ela não é mais só uma mulher linda que estava ela seduzindo o herói, ela foi reconhecida por ele. Ninguém ousará falar mal dela. No nosso mundo machista e patriacal, esse reconhecimento não pode ser contestado.

Quando vi o vídeo, fiquei meio boba, depois que a bobeira passou...comecei a pensar, nos motivos pelos quais essa cena encantou a nós mulheres. São tantas as fantasias que se mostram semelhantes. 

A repórter alçou um lugar muito especial nesse momento, um lugar típico dos Contos de Fadas. Ela foi  vingada e ratificada por um homem, mas não por um homem qualquer, por um príncipe, ou melhor ainda nos tempos modernos, por um Campeão Mundial de Futebol. 

Não importa se aquele homem agiu de forma tão passional, (o que não é uma característica masculina), por que ele havia acabado de se sagrar campeão do mundo de futebol,  importa é que ele não conseguiu conter (conter é uma característica masculina)  sua emoção e a explicitou! 

Não sei se esse homem faria isso, se não estivesse naquele contexto. Também não sei se aquele beijo seria tão impactante e significativo se não estivesse naquele contexto. O fato é que ele a beijou, e ele a beijou pra que o mundo visse! Ele expressou sua felicidade naquele momento beijando-a e mostrando sua paixão. 

Bom...acho que pra mim, o mais lindo daquela cena, foi o instante (segundos) que pude perceber que Cassilas tentou não beijá-la, ele vacilou por uma fração de segundo...mas não suportou conter aquilo. Ele não suportou conter aquela emoção toda...e deixou sair na forma de um beijo que ficou eternizado.

Emoção é assim mesmo, como água...e precisa fluir...
Que venham os beijos...que venham os amores...que venha a Vida!!!

Ludmila Rohr
P.S.1. Escrevi um tempo atrás, nesse blog, sobre beijo, leiam. 

P.S 2. Beijo recebido sob o olhar do magnífico Taj Mahal! Eu mereço!


quarta-feira, 7 de julho de 2010

MORREMOS UM POUCO NESSA HORA....

Uma mulher foi assassinada. Ela foi assassinada por alguém famoso. Ela só ficou famosa, por causa disso. 10 mulheres são assassinadas todos os dias no Brasil. No dia que Eliza foi assassinada, outras 9 também foram. Quem as matou, ninguém sabe. Quem são elas, ninguém saberá também. Eliza terá sua morte investigada, porque seu provável algoz é famoso, e não porque uma mulher foi assassinada.

Eliza era filha de alguém, ela era mãe de uma criança, ela era amiga, vizinha e colega de alguém. Ela agora é uma vadia. Tem sua vida sexual devassada. Tem sua sombra revirada. Procuram algo que justifique seu assassinato. Tudo isso porque, se Eliza foi assassinada é porque ela fez algo para merecer isso. Dizem: "Quem procura, acha."

A nossa sociedade é tão machista que acolhe bem esses crimes. As mulheres que são assassinadas são sempre vadias. Elas buscaram de alguma forma esse destino. Eram as amantes, ou prostitutas, garotas de programa e afins... Os homens usam essas mulheres e descartam. Eles podem fazer isso. Eles não serão julgados por sua vida sexual, aliás serão até bem vistos. Coisas de macho.Os homens podem ter a vida sexual que desejarem,  não serão mortos por isso, mas as mulheres, se assim fizerem, merece o castigo maior...

Quando uma mulher é assassinada, estuprada, humilhada....todas nós somos também. É o feminino que é mais uma vez ferido. É o feminino que é mais uma vez julgado e condenado. O feminino que é destituído do seu poder. Todas nós perdemos e somos feridas.

Tenho estado muito indignada com essa história. Ela não é uma história inédita. Nem precisamos pesquisar muito para encontrar vários casos mulheres mortas dessa mesma forma. Entretanto é preciso ficar indignado sempre. Não podemos nos acostumar com isso nunca. 

Na China e índia, fetos de meninas são abortados. Em países africanos mulheres tem seus clitóris extirpados. Mulheres são espancadas por seus pais e maridos em todas as culturas e países. As mulheres são as primeiras a serem demitidas em tempos de crise. Os salários das mulheres é menor que o dos homens em funções semelhantes. Até pouco tempo, no Brasil, legalmente era aceitável um homem matar sua esposa, se sua honra tivesse sido ferida. Mulheres estupradas são acusadas de terem provocado seus estupros ao usarem roupas que atiçaram os machos.....

Adoro ser mulher e adoraria ser mãe de uma. Entretanto, não tive filhas, só filhos. Amo saber que meus filhos cuidam bem de suas namoradas. Amo saber que meus filhos respeitam suas amigas, assim como me respeitam. Nunca ouvi meus filhos falando de forma desrespeitosa de nenhuma mulher. Acho que eu e meu marido conseguimos criar dois homens dignos que respeitam as mulheres, assim como respeitam a vida. Acho muito improvável que um dia um filho meu seja violento com alguma mulher, assim como penso que não seriam violentos com ninguém. Fico feliz por isso.

Estou triste. Uma parte de mim é Eliza agora. Uma parte de mim é a mãe dela também.
Algo em mim está chorando por todas nós que morremos um pouco nessa hora.

Ludmila Rohr





segunda-feira, 28 de junho de 2010

Aos amigos que ainda vou conhecer...

Quase nunca faço orações na minha vida. Não tive esse hábito quando criança. Nunca soube rezar ou orar. Muito pelo contrário. Quando eu era criança, recordo que algumas vezes tentei fazer orações na hora de dormir (porque todos faziam), e sempre que eu tentava, eu tinha pesadelos. Sério. Eu achava que isso acontecia porque eu não era batizada, ou porque eu não tinha religião nenhuma, e até mesmo, porque meu pai era comunista. Ser filha de comunista, ex-preso político da ditadura, tinha um peso grande nos anos 70.

Com o meu mergulho no mundo do Yoga, mergulhei na minha espiritualidade e encontrei a possibilidade de fazer orações sem palavras, com as vibrações dos Mantras...O mantra OM era o meu companheiro..o som divino..o nome de Deus. Simplesmente entoava o OM..e meu coração e mente, diziam tudo que as palavras não conseguiam dizer.

Quando comecei a ministrar aulas de yoga, desenvolvi o ritual de no fim de cada aula, agradecer por toda a energia que havíamos movimentado, produzido e recebido naquela aula, e encerrava compartilhando essa energia com todos que dela precisassem, em toda parte do planeta. Mentalizava as pessoas que não sabiam amar, as pessoas que desistiram dos seus sonhos; mentalizava as crianças famintas de comida e amor, os adultos mau-humorados..Vibrava para todo o planeta e com muita gratidão para todas as pessoas que dedicavam a vida a cuidar do planeta, da natureza, das pessoas que sofrem injustiças...

Nas minhas orações  nunca peço nada, só agradeço. Parece que ainda não me sinto no direito de pedir nada, talvez porque nem saiba a quem estaria pedindo, pois minha definição a respeito de Deus, ainda é meio confusa, então só agradeço...é mais seguro. Talvez ainda tenha um certo medo dos pesadelos e de que, como dizem os indianos: "Cuidado com o que desejas, pois quando os Deuses querem se vingar, eles atendem!"

Em uma das minhas orações comuns, eu envio energia para os amigos que eu ainda irei fazer. Penso que no mundo..em todos os lugares, existem pessoas que eu ainda vou conhecer e que vão ser meus amigos. Penso e imagino tantas pessoas interessantes que existem por aí, e que eu ficaria muito encantada em conhecer. Vibro muito por essas pessoas, como se pedisse ao universo que as coloque em meu caminho, e que eu possa reconhecê-las..

Por isso, amo conhecer pessoas...por isso que quando conheço alguém interessante acho que foram as minhas orações que a trouxeram para a minha vida...e sou muito grata por isso!

Então..esse texto é uma homenagem a todas as pessoas que ainda conhecerei. É uma homenagem a aqueles que conheço virtualmente e que irei conhecer (quando o universo decidir) pessoalmente. Acredito no amor à distancia..acredito na amizade virtual...acredito que as afinidades ultrapassam os espaços, os tempos...e se encontram em algum momento. Quero manter minha mente aberta, meu coração bem disponível para receber cada pessoa que o Universo coloque na minha vida, pois tenho certeza que tenho muito a dar, e muito a receber!

Que venham os novos amigos!

Ludmila 



sexta-feira, 18 de junho de 2010

Quando todos puderem beber água da torneira!!!!!

Acho que esse seria o momento de falar sobre a Copa, sobre minha estada no Brasil....mas não quero. Estou muito mobilizada com um antigo assunto, e que deu origem a esse blog. Me desculpem, mas falarei sobre câncer mais uma vez!

Hoje minha sobrinha me contou pelo Twitter que estava triste e chocada, pois um amigo de 21 anos acabara de descobrir um câncer. Ela comentava, que ele era muito novo...sensação normal para uma adolescente. Nessa idade, somos imortais, ou melhor, nunca pensamos na morte. Vivemos com a ilusão da imortalidade. 

Nesses últimos dias, fiquei bastante indignada com uma entrevista de Hebe Camargo na TV e em revistas falando sobre câncer. Na verdade, ela falava sobre "essa doença", ela não fala a palavra câncer. Tempos atrás fiquei muito indignada também com a postura da candidata a presidência do Brasil, ela passou um "sabão" nos brasileiros que não fazem seus exames preventivos e por isso quando descobrem o câncer, esse já está em estado avançado.

Bom...todos voces sabem que meu marido luta contra um câncer com metástase, e sua luta tem sido bem sucedida. Todos sabem que ele teve o que existe de melhor em termos de atenção médica. Ele recebeu tratamento de primeiro mundo durante todas as fases. Pudemos fazer tratamento em SP, pudemos escolher os melhores médicos, tivemos acesso a informações de pesquisas recentes, e hoje ele é acompanhado, aqui nos EUA, no maior centro de pesquisa e tratamento de câncer do mundo, o MD Anderson. 

Sei que Judson teve e tem muito mais chances de vencer essa "meleca de doença" (como uma amiga linda que perdeu os pais pra essa doença, chama o câncer) , que qualquer outra pessoa que não tenha tido as mesmas condições de tratamento. Embora saiba que mesmo recebendo esse tratamento, não estávamos garantidos de nada, sabiamos que estávamos lutando com as melhores armas que existiam. Isso nos deu uma tranquilidade absurda.

Entretanto pude ver e acompanhar de perto, pessoas incríveis, que lutaram muito contra o câncer e que sucumbiram. Vi pessoas com excelentes tratamentos que sucumbiram. Vi pessoas que não tiveram chance nenhuma, pois além de lutarem contra o câncer, lutavam também contra o descaso do nosso sistema de saúde, lutavam contra péssimas condições de tratamento, lutavam contra máquinas de radioterapia que quebravam e não tinha prazo de retorno, lutavam sabendo que existiam armas muito melhores na medicina, mas que elas não tinham e não teriam acesso. Muito triste lutar, sabendo que não dispões dos instrumentos já existentes para essa guerra!

Bom...a Sra. Dilma parece que está vencendo essa luta também, mas humildade que é bom, ela não tem nenhuma. Ela desrespeita a todos que batalham por uma consulta no SUS, e esperam meses por uma tomografia, ela desrespeita a todos que precisam sair dos seus estados e cidades em busca de algum tratamento, mesmo sem qualidade, por que em suas cidades não teriam tratamento algum. Ela acusa os brasileiros por serem descuidados com sua saúde!

A Sra Hebe, que provavelmente agora, já acredita na imortalidade, diz que o câncer não é um monstro! Claro que não. Ele não teve que implorar por uma vaga nas imensas filas para receber Radioterapia que existem nesse país. Ela não teve que lidar com funcionários despreparados, unidades de saúde imundas, hospitais onde faltam até gaze, quanto mais quimioterápicos. Ela não precisou entrar numa fila de mêses para ser operada.

As senhoras Hebe e Dilma, tiveram exatamente o que meu marido teve. Tratamento de qualidade, tratamento de primeiro mundo. Elas tiveram aquilo que todo mundo deveria ter. Elas foram tratadas com respeito e atenção. Elas receberam tratamento com presteza e rapidez, exatamente como deve receber alguém que tem diagnóstico de câncer. Nada de errado com o que elas receberam. Isso talvez seja a razão para a "cura" tão rápida delas, e espero sinceramente que seja com o meu marido também.

Uma vez li, alguém dizendo que algumas pessoas podem pensar que viver no primeiro mundo é poder beber água Perrier, mas que não era nada disso, a grande diferença em viver num país de primeiro mundo, é que todos podem beber água da torneira!!!! 

Ficarei feliz se um dia, todos no Brasil, possam receber o mesmo tratamento que meu marido, Hebe e  Dilma  receberam e recebem. 

Ludmila Rohr

P.S. Esse texto é uma homenagem a alguns amigos que se foram nessa luta e especialmente para o Gustavo que luta corajosamente contra essa doença maluca!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Quando o tempo for propício....

Tenho um tempo interno...o meu tempo pessoal. Preciso elaborar as coisas....normalmente sou rápida nisso, mas, as vezes não.
Cheguei da minha viagem ao Brasil, onde passei 3 semanas trabalhando...
Fiz 4 palestras que me deram muito prazer, uma inclusive na faculdade que me formei em psicologia. Ministrei muitas aulas de Hatha-yoga no meu amado Espaço Mahatma Gandhi, atendi clientes no consultório, fiz quatro Círculo das Deusas....além de ver minhas irmãs, meus pais, Nil, meu gato, meu cachorro e meus amigos queridos, que não via há 5 mêses. 

Depois dessa viagem, decidi que não ficarei tanto tempo assim sem voltar a Salvador. Preciso do meu trabalho, preciso dele, como preciso respirar. Amo tanto o que faço que sinto que esse é um alimento vital pra mim...sem ele perco meu brilho...sem ele, sinto que fico longe da minha alma..da minha essência...e, isso seria demais pra mim. 

Não acredito em sacrifícios...acredito em escolhas. Estou em Houston por que escolhi estar. Meu marido veio transferido, mas eu não precisava vir. Eu vim porque tinha algo a ganhar, por que escolhi isso, e não por que estava me sacrificando. Ficar sem meu trabalho seria um sacrifício que ninguém me pediu, nem ele, e que ninguém ganharia nada. Então está decidido, volto ao Mahatma Gandhi mais vezes, troco energias poderosas e volto pra cá...onde é minha casa agora!

Algumas pessoas podem pensar que vou a Salvador de férias...Férias de que?? Vou é trabalhar..acordei as 6h todas as manhãs..ou estava dando aulas de yoga ou estava no consultório atendendo.. essa sempre foi minha maior diversão...trabalhar. Tenho tanto prazer nisso...tanto....sinto que sou tão útil e boa no que faço...

Quando estou trabalhando tenho sempre uma excelente sensação a meu respeito. Normalmente tenho isso...tenho uma boa auto-estima, mas quando trabalho, gosto mais ainda de mim.

Cheguei em Houston..estava na hora de voltar...comecei a sentir saudades de tudo aqui...e ainda não tive tempo e condição de me organizar...Meu filho viajou pro Brasil no outro dia após minha chegada, nem pude  vê-lo direito.... e recebi visitas dois dias depois...minha alma que estava a caminho, demorou um pouco pra aterrissar.. preciso de uma rotina pra isso...preciso de tempo e espaço pra isso...

Encontrei uma Houston que não conhecia ainda....calor...chuvas fortes...raios , trovoadas...Hurricane Season...tudo é novo...

Bom....tempo, tempo, tempo tempo..., compositor de destinos, tambor de todos os ritmos, tempo, tempo, tempo, tempo, Entro num acordo contigo, tempo, tempo, tempo, tempo...

Tempo..tu que és um dos Deuses mais lindos, ouves bem o que te digo. Peço-te o prazer legítimo e o movimento preciso, quando o tempo for propício. De modo que meu espírito, ganhe um brilho definido, e eu espalhe benefícios....

Faço uma oração ao tempo plagiando Caetano,( mas quem não fez isso antes?), e respiro..e espero pra entender o que o tempo vai me ensinar....

Ludmila 
P.S. na foto, meu encontro com Gatão (é o nome do meu gato)


sábado, 29 de maio de 2010

All we need is love....

Ainda levarei algum tempo até conseguir falar sobre o que vivi em Salvador durante as últimas 3 semanas. Como voces sabem moro em Houston no Texas desde dezembro de 2009 e essa foi a primeira vez que vim ao Brasil depois dessa mudança. A primeira conclusão é que não ficarei mais tanto tempo assim sem vir aqui, sem estar no Espaço Mahatma Gandhi.

A intenção dessa viagem era trabalhar. Queria dar aulas de yoga e atender no consultório. Queria ver meus clientes e os alunos. Queria trabalhar. Fiz isso e falarei sobre isso em algum momento, mas agora quero contar uma experiência incrível que vivi aqui na minha relação com o trânsito de Salvador. Essa experiência pode ser simplesmente entendida como uma metáfora que explica a diferença da minha vida aqui e da minha vida lá nos EUA.

Logo que cheguei, quis dirigir, peguei o carro de minha mãe e saí do aeroporto dirigindo...além de estranhar as diferenças entre os carros..o meu lá é muito grande e sem marcha, sem embreagem...levei um tempo pra me adaptar...a loucura do trânsito me deixou completamente assustada. Cheguei a sentir medo..o trânsito era agressivo, as pessoas não respeitavam as regras básicas, os motoristas dirigiam como se estivessem numa guerra. 

Passei algum tempo falando mal, reclamando de tudo...mas principalmente da falta de respeito às regras básicas e às leis. Vi policiais quebrando regras...bom,...nada que eu já não tivesse visto antes, mas agora o choque era grande demais. Nada piorou no trânsito de Salvador nesses 5 mêses que moro fora, eu é que me acostumei a parar diante de uma placa de "Stop", a respeitar filas, a dar a vez para quem chegou antes de mim...coisas que tenho visto do educadíssimo trânsito de Houston.

Sei que não posso comparar uma coisa boa de um país com uma coisa ruim do outro. Não é justo. Não dá pra comparar um país com outro, muito menos uma cultura com outra. Cada lugar tem suas coisas boas e ruins. Entretanto no quesito trânsito estive durante essas 3 semanas muito assustada e com muita saudade de Houston. Até que algo aconteceu...

Parei no posto pra colocar água e gasolina no carro e o capô do carro não foi bem fechado, não percebi e descobri da melhor forma possível e que me ajudou a entender e amar ainda mais estar em Salvador. 

Depois que sai do posto, a cada 100 m que dirigia, alguém tocava a buzina e me apontava, tentando me dizer algo...confesso que os primeiros a buzinar e apontar pra mim, me assustaram, me senti ameaçada, mas depois entendi que eles tentavam me avisar algo...e foi assim que descobri que o capô do carro estava aberto. As pessoas continuavam a me avisar, eu agradecia e pensava: isso jamais aconteceria nos EUA. As pessoas lá jamais veriam e se vissem jamais me avisariam. Penso eu.

O baiano..o brasileiro...tem a mania de se meter na vida dos outros...isso pode ser um defeito, mas o excesso de respeito a privacidade e o individualismo gritante dos americanos, chega a parecer descaso para quem foi acostumada a ser vista e invadida como nós somos aqui no Brasil.

Não sei ao certo o porquê, mas esse dia me deixou tocada...e sentindo que, nós brasileiros temos algo de especial. Temos mais acesso um ao outro, somos mais chegados e íntimos...existe um calor humano aqui, que acho que nunca vi em lugar nenhum que tenha estado...e de verdade, esse calor alimenta a nossa alma com algo muito sagrado e especial.

Estou voltando pra Houston e com muita vontade de voltar, sinto saudades da minha vida lá...da minha família e das minhas amigas...e com isso reforço uma sensação que já me acompanha...no fundo, no fundo,  All we need is love!!! O resto a gente tira de letra!

Ludmila


terça-feira, 18 de maio de 2010

Dançando a música que tocar...

Sabem aquele tradição dos antigos índios norte-americanos que dizem que quando fazemos uma longa viagem, nosso corpo chega, mas nosso espírito demora um pouco mais?

Bom..cheguei em Salvador, depois de 5 meses morando no Texas. Cheguei no lugar que eu nasci, cheguei na minha casa...saí do aeroporto e fui ver meu gato, meu cachorro e Nil...e me dei conta que meu espírito havia chegado junto com meu corpo. 

Chorei...chorei....eu estava ali inteira, com certeza.

Chegar em casa foi muito bom, mas descobri que sinto saudade de casa. Sinto saudade da minha vida em Houston. 

Algumas coisas me causaram muito estranhamento. O trânsito me deixou em quase estado de pânico. Muitos carros e uma impressão de que as pessoas dirigem com muita agressividade e sem paciência alguma. Confesso que fiquei assustada com os engarrafamentos e com a falta de espaço, de regras e de respeito...me senti bastante invadida e ameaçada.

Confesso que amo a facilidade que podemos conectar com as pessoas aqui...elas nos olham, aceitam conversas...não se assustam...realmente nós somos lindos nisso.

Recebi abraços, olhares de saudade..reencontrei pessoas tão queridas...
Reencontrei um lugar que tem a minha energia...cheguei no Espaço Mahatma Gandhi...minha casa...meu templo...meu local sagrado de trabalho e de crescimento.

Sou feliz aqui. Sou feliz me sentindo útil, fazendo coisas que sei e que amo. Sou feliz e sinto meu coração cheio de amor.
Estar aqui inteira, faz parte de um novo momento da minha vida, minha família não está aqui, meus filhos não estão aqui..eu estou, uma parte importante de mim está. Minha história também. 

Gosto da idéia de construir uma história lá em Houston, gosto muito de me deparar com o desafio de fazer algo que entendo como importante, num lugar onde ninguém me conhece, gosto desse lugar onde sou conhecida também. 

Na verdade, entendo que gosto de viver...e da dança fantástica que a vida me convida a dançar...novos ritmos, novas músicas, antigas músicas com novos ritmos....músicas novas, com antigos ritmos. 

No fim, sempre música e sempre dança!

Preciso apenas respirar e dançar....

Ludmila 





sábado, 8 de maio de 2010

Venham me ver...quero ver voces!


Estarei no Brasil do dia 11 até 30 de maio. 
Trabalhando no Espaço Mahatma Gandhi e revendo amigos..
Tento entender meus sentimentos e ainda não consigo. Tenho um misto de muitas emoções vibrando na minha barriga e no meu coração.
Quero chegar...
Venham me ver.

Segue minha agenda.





12/05 - 19h - Palestra - Conexão com o presente - O Caminho para a Felicidade!
Ingresso: 2 latas de leite em pó.
15/05 - 08h - Yoga com café da manhã
Quem vier deve trazer algo para partilharmos em um delicioso café da manhã!
19/05 - 19h - Samiama - Técnica de meditação
ingresso: 2 latas de leite em pó.
26/05 - 19h - Respirando - Universo Interno e Universo Externo em Harmonia.
ingresso: 2 latas de leite em pó.
22 e 23/05 - WORKSHOP para Mulheres
" Como se tornar uma Mulher Sexualmente Adulta"  
09:00 às 17:00h
Nesse Workshop trabalharemos questões que nos impede de estarmos plenamente de posse das energias que movimentam a sexualidade.
Trabalhos corporais e vivenciais intercalarão temas discutidos e partilhados.
Para Mulheres de todas as idades.
Custo: R$280,00
13, 20 e 27/05 - de 19 as 21h (3 noites)
"Círculo das Deusas"
Nesse trabalho faremos conexão com aspectos femininos representados por 6 Deusas Gregas. Descobriremos como elas estão presentes ou não, nas nossas vidas!
8 vagas
valor: R$ 150,00
Para marcação de consultas/sessões individuais - Ver horários na secretaria.

Espaço Mahatma Gandhi
Rua Rio de Janeiro, 694, Pituba
Salvador-BA
(71) 3248-7533

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sou Tântrica ou, Minhas vísceras vibram!!!!








Estou num momento bem interessante da minha vida. Essa semana volto a Salvador pela primeira vez desde nossa mudança para os EUA em dezembro. Nunca fiquei tanto tempo longe da minha cidade. Nunca fiquei tanto tempo longe das pessoas que amo e do meu trabalho. Hoje já não acho que foi muito tempo...nem tenho noção desse tempo...hoje acho que só existe o hoje.

Me sinto feliz aqui em Houston. Tive pouquíssimos momentos de tristeza ou de falta desde que cheguei aqui, e isso devo a minha forma de encarar a vida. Sou Tântrica. Definitivamente sou Tântrica.

Existe uma frase que amo muito que define o Tantrismo. Ela é assim: "O que existe aqui, existe lá. O que não existe aqui, não existe em lugar algum."....Adoro essa frase...penso exatamente assim. Por que pensar que minha felicidade está em outro lugar que não esse que estou? Não é um perda de tempo pensar que a vida seria melhor se fosse assim..ou assado...se estivesse ali, ou acolá...? Não é estupidez pensar que existe alguma coisa que me faria feliz ou completa, que não esteja aqui e agora? 

Penso que o Tântra me deu uma visão muito clara de realidade, desfazendo ilusões e fantasias de algo que seja melhor do que aquilo que tenho ou que posso fazer agora.

Pensar assim, não me faz uma pessoa pobre de sonhos..sonho muito...desejo até mais do que gostaria, muito pelo contrário...exatamente porque tenho uma noção (que penso ser boa) de realidade, posso sonhar sonhos possíveis..e posso desejar muito...

Quem me conhece sabe que nunca penso pequeno..é estranho dizer isso, mas é verdade. Nunca acho nada inalcansável ou impossível. Não existe nada que eu não pense ser possível realizar. As vezes fico aborrecida e até mesmo entediada quando vejo pessoas colocando dificuldade na realização de coisas tão simples....acho um desperdício de energia, pensar nas dificuldades..sempre penso nas possibilidades...sou assim.

O Tântra me ensinou que não existe lugar mais completo e perfeito que esse aqui, esse agora. Esse é o lugar da realização, esse é o lugar da força e do Poder.  Tudo só é possível a partir desse lugar...e se concentro minhas forças nele..tudo mais se desenrola...tudo mais, como uma Rede (essa é tradução da palavra Tântra)...como uma Teia...Trama...vai se construindo em todas as direções...e para sempre...porque o sempre é hoje..o sempre é agora.

Hoje filosofava virtualmente com uma amiga sobre a necessidade de  se "trocar de pele", de não nos prendermos a aparências ou mesmo a rótulos e adjetivos. Sempre tive muita aversão a isso. É muito comum estar vestida de saia indiana de manhã e à tarde com scarpin vermelho..., ou quando alguém faz um comentário dizendo algo tipo: "Você é calma!" , ou, "Como você é corajosa!"..e eu sempre respondo: "Também!"..Essa é minha resposta libertadora. Dizer que sou "também", me libera da obrigação de ser aquilo. Por que no fundo no fundo..quero poder ser qualquer coisa..quero poder ser o meu hoje, o meu presente..o meu agora.. 

No fundo não quero me sentir na obrigação de ser qualquer coisa que seja projeção do outro sobre mim, quero ser eu mesma, e ser eu mesma, é ser um dia de cada vez...ou melhor, um momento de cada vez.

O meu presente agora, é que descobri que tenho duas casas..que moro em Salvador e também em Houston..que tenho muitas amigas lá e aqui também...que posso ser feliz aqui, acolá..em qualquer lugar!!!

Meu coração e minhas vísceras estão nesse momento muito excitadas, por que amo viver assim, porque tenho uma excelente sensação a meu respeito...minhas vísceras falam de mim agora..e elas dizem que estou feliz!

Namastê

Ludmila