sábado, 6 de julho de 2013

GRANDE DILEMA


Vivo um grande dilema. 

Em alguns meses o trabalho do meu marido o levará para a Arábia Saudita. Ele ficará envolvido com esse projeto, por alguns anos. Ou melhor dizendo, foi esse mesmo projeto que nos levou por dois anos a Houston e, também pelo mesmo motivo estamos há quase dois anos na Coréia do Sul.   


Morar no Texas foi uma experiência maravilhosa. Foi nossa primeira experiência de morar fora do nosso país. Descobrimos que temos curiosidade suficiente para nos encantarmos com o que é novo, e sabemos viver longe do conhecido e usual. Somos uma família desapegada e curiosa. Foi excelente descobrir isso na prática. 

Podemos viver sem nenhum sofrimento sem as coisas que sempre tivemos. Percebo pessoas sofrerem por falta de algum tipo de comida, por exemplo, nós não sofremos. Adorei descobrir cada restaurante novo, adorei viajar pelas maravilhosas estradas americanas, adorei poder voltar ao Brasil e matar saudades das pessoas, mas adorei cada volta para casa.

Os EUA foram nossa casa por dois anos, e quando mudamos para a Coréia, mudamos sem sofrimento, muito excitados pelo que conheceríamos e sem nenhuma tristeza. Sabia que voltaria incontáveis vezes, já que um filho estaria ficando, então não sentia que estava deixando os EUA, estava apenas me afastando temporariamente. Será diferente sair da Coréia. Não sei quando voltarei lá... isso aperta meu coração.

Sempre disse sobre a saudade do meu trabalho, e é verdadeira, mas descobrir que estudar e ir a museus, e fazer cursos, me preenchem muito bem. A saudade de trabalho, de estar no lugar de psicóloga, é uma constante, mas não me esmaga, por que sempre estive bem ocupada. Tenho aproveitado para resignificar a importancia do meu trabalho na minha vida, (uma capricorniana viciada em trabalho, tem dificuldades com isso).


A saudade dos filhos, essa sim é esmagadora. Choro sempre que penso no tempo que não vejo cada um deles. Pensar em Caio, que ficou no Brasil, é a minha grande dor, (por que o vejo muito menos que Lucas, que mora nos EUA), mas não acredito que exista vida sem dor, e sei que eles estão bem, e que não existe nada de errado em que os filhos cuidem de suas vidas e sigam seus caminhos. Não criei dois homens para viverem ao meu lado, e sim para caminharem com suas pernas e serem hábeis em resolverem seus problemas, e sei que eles são. 

Nada de errado em sentir saudade dos filhos e em momento nenhum penso que eles deveriam resolver esse problema que é meu. Adoro saber que eles precisam cada vez menos de nós, e que podemos nos relacionar não por necessidades e sim por amor. 


Morar na Coréia tem sido uma experiência inesquecível e impagável. Amo! Amo as suas comidas, adoro admirar o quanto os coreanos são lindos, elegantes e esbeltos. Adoro não entender nada do que eles falam e não sentir que tenho obrigação alguma de entender. Me divirto com o fato de não conseguir ler um cardápio em restaurante ou as placas nas lojas. Adoro pensar que terei para o resto da minha vida, histórias exóticas para contar, sobre esse país e sobre as viagens que fizemos pela Ásia. Conhecer países como Singapore, China, Hong Kong e Indonésia com certeza me fizeram uma outra pessoa. 

Mas agora, o marido vai para a Arábia Saudita. Não existe nada naquele país que me agrade, muito pelo contrário. O lugar da mulher nos países árabes me ofende, as questões dos direitos e liberdades, me deixam furiosa. Não consigo nem brincar com esse assunto. Não consigo pensar que terei que comprar aquelas roupas pretas. Não consigo falar, nem brincando, sobre o fato de que mulheres precisam de autorização do marido para saírem nas ruas. Mas, Judson vai estar lá....Não consigo ficar muito tempo longe dele. 

Esse é o dilema. 
O que fazer quando seu amor tem que estar num lugar em que você não consegue se imaginar? 

Bom...questões do amor.. 
Nessa hora é bom pensar que não tenho mais filhos pequenos que me prenderiam em um lugar que não quisesse ficar, e posso com liberdade me mover para onde meu coração mandar.

Sei que ficar longe de Judson é muito ruim. Sei que ele também sofrerá por estar longe de mim, mas sei que ele não fará nenhuma objeção se eu não quiser ir, isso é claro entre nós dois. Pensamos em alternativas... viagens regulares...mas sabemos que não será fácil pra nenhum dos dois.

Acho que só saberei como ficaremos a medida que as situações acontecerem...um dia de cada vez.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

EXISTIRMOS, A QUE SERÁ QUE SE DESTINA?


Existirmos, a que será que se destina?
Essa é a pergunta que nunca se cala dentro de mim. Medito desde minha adolescência e não consigo sair desse tema: O sentido da existência. Parece deprimente, e as vezes até eu mesma gostaria de conseguir viver sem pensar. Acho que seria mais simples, mas não consigo. 

Queria muito acreditar que minha existência teria como fim, criar os meus filhos, ou cuidar da minha família, ou ser uma boa profissional, mas não consigo. Parece que isso não basta pra mim.


Queria muita acreditar que minha vida estaria completa e com suas finalidades realizadas, apenas por cuidar daquilo que diretamente me afeta. Mas não consigo, ou melhor dizendo, queria que muitas coisas não me afetassem, mas elas me afetam. 

Deveria ficar tranquila por que não preciso andar de ônibus no Brasil, por que não preciso pegar fila do SUS pra conseguir atendimento médico, por que não sou gay e nem tenho filhos gays e por isso não tenho que me importar com os "Felicanos" da vida, mas não consigo.

Não consigo pensar que minha vida se resume ao meu umbigo. Simplesmente não consigo.
Queria pensar que hoje meu maior problema é a saudade que sinto dos meus filhos, que estão longe, mas não consigo.

Penso demais. Penso demais na função da nossa existência. Penso demais no que acredito termos como missão nesse tempo que temos aqui. 

Não consigo acreditar que nasci para cuidar do que é meu, e depois morrer. Se assim fosse, viver não teria a menor graça. Se assim fosse, viver não teria o menor sentido. Pode ser que a vida seja apenas isso e eu não consiga me render. Não consigo com clareza responder qual o sentido da minha existência, mas com convicção posso afirmar que não se resume a cuidar apenas do que é meu.

Sei que minha existência pode não ser, e nem precisa ser grandiosa, mas sei também que minha existência não pode ser egoísta e focada exclusivamente no que me diz respeito. Quanto mais amplio o meu olhar saindo do meu umbigo, mais percebo que a dimensão do que é da minha conta se amplia também, muitas coisas que não me afetam diretamente, são da minha conta sim. 

É da minha conta se alguém leva 2 horas dentro de um ônibus super lotado pra chegar em casa depois de um dia de trabalho que não lhe garante um salário que mantenha sua família decentemente. É da minha conta e me ofende ver e escutar comentários e piadas racistas ou homofóbicas, apesar de ser branca e hétero. É da minha conta o que acontece nas ruas do Brasil, mesmo estando do outro lado do planeta. É da minha conta o que acontece com o mundo. É da minha conta que tanta injustiça aconteça o tempo todo. 

Não conseguiria ser diferente. 
Não conseguiria fechar os olhos diante da dor e do sofrimento alheio. 
Não conseguiria fechar os olhos diante de questões sociais.
Não conseguiria.

Não sei ainda a que se destina a minha existência, mas sei que ela não se resume a olhar para o meu umbigo, e isso não me faz melhor do que ninguém, talvez até me deixe com uma sensação de tristeza a meu respeito. Sinto como se estivesse imobilizada apesar de consciente. Isso, definitivamente não me leva a pensar que sou melhor que ninguém, muito pelo contrário, me sinto impotente e acomodada, apesar da inquietação.

Existir, a que será que se destina?





segunda-feira, 8 de abril de 2013

COM ASAS PARA VOAR!


Tenho voado muito, é verdade. 
No sentido literal, tenho voado muito mais do que gostaria, mas não estou reclamando.
Morando na Coréia do Sul, tendo um filho nos EUA e outro no Brasil, além de irmãs, mãe, sobrinho, amigos e meu meu trabalho, tenho voado muito tentando cobrir esses 3 pontos tão distantes entre si, mas tão juntinhos no meu coração. Tenho casa em vários lugares.

É bem verdade que tenho voado bastante a passeio. Tenho conhecido lugares na Ásia que jamais imaginara conhecer. Nunca sonhei conhecer Singapura, ou Hong Kong, ou mesmo a Indonésia, mas já conheci esses lugares, mesmo sem ter sonhado com isso. Nunca havia sonhado, não por que achasse impossível, pra ser mais sincera, achava improvável.  Já fui 3 vezes a Índia e ao Nepal, mas essas viagens foram sonhadas desde o dia que nasci. Foram viagens planejadas e desejadas nos mínimos detalhes, ou pelo menos a primeira delas. Acho que nas outras duas, eu apenas peguei o embalo dos sonhos, somando com os desejos e a certeza de que seria possível. Enfim, realizei esse sonho por 3 vezes, sendo que em uma delas, fomos a família toda. Puder ver meus filhos na Índia.

Tenho realizado coisas que nem ao menos ousava sonhar, como ver um show de Elton John. Já fui a dois shows dele, e olha que quando assisti ao primeiro, eu pensei: Já posso morrer! Chamei de Momento Orgástico! Depois disso como posso duvidar da energia que colocamos nos sonhos? Como poderia não acreditar que as coisas que desejamos são possíveis. Como não imaginar que o que sonhamos com vontade, se realiza? Um sonho alimenta outro. Como se um impulsionasse o outro. Como se pegássemos o embalo!



Além dos vôos literais, sou uma pessoa que sonha. Sempre achei que podia sonhar e me permitia sonhar o que quisesse. Acho que nunca encontrei ninguém ( que realmente importasse) pra me dizer que eu não devia sonhar, ou que os meus sonhos eram demais. Muito pelo contrário. Meus pais nos davam permissão para isso, e além da permissão, acho que eles autorizavam e alimentavam isso. Embora tenha nascido em uma família simples e sem dinheiro, minha família era ousada. Ousavam muito. Meu pai era um sindicalista que sonhava, e minha mãe era uma professora que amava o que fazia, mas era uma mulher que começou faculdade com 3 filhos pequenos e se formou recém-parida do quarto filho. Era uma mulher ousada e corajosa. Tive bons exemplos.


Nunca achei que os limites me seriam impostos de fora pra dentro. Nunca acreditei que alguém ou algo externo a mim, pudesse me dar limites. Sempre estive ciente de que apenas eu, teria esse poder. Acreditava e acredito no meu poder sobre mim. Acreditei por toda a vida no meu poder de decidir e de fazer escolhas, e tive muito pouco medo de ousar, de errar ou até mesmo de me machucar, e olha que já errei e me machuquei muito.

Sempre voei. Embora seja uma capricorniana de livro, com raízes extremamente profundas, percebo que minhas raízes me pertencem, e não ao lugar. Todo lugar que estou consigo finca-las, todo lugar que vou, consigo sentir que poderia fincá-las se assim quisesse.  

Me reconheço em qualquer lugar. Se entro em conflito com isso, medito, respiro, me questiono, confronto a mim mesma, até que me reconheça outra vez. Percebo como é fácil para mim, me reconhecer quando estou na minha terra, no Espaço Mahatma Gandhi *. Sei exatamente quem eu sou quando estou no meu consultório ou na sala de yoga; mas também não é difícil, embora seja sofrido, me reconhecer longe deles.

Tenho raízes. Tenho asas. 

Exatamente por que tenho raízes, posso ter asas. Posso ter asas cada vez mais poderosas, e que voam cada vez mais alto e distante. Posso ir, sem medo de me perder. Posso arriscar sem medo de errar. Posso me perder e errar. Simplesmente posso. Não tenho medo de estar perdida, muito menos de errar. Tenho permissão interna para me perder, pois confio que sempre me acharei de volta, assim como tenho certeza de que errarei, simplesmente por que é impossível não errar.

Tenho medo sim, e imenso, de cortar minhas asas. 
Tenho medo de impedir a mim mesma de voar, de acreditar, de sonhar, de ousar, de sentir, de rir e de chorar... tenho um medo grande de que por algum motivo que hoje não reconheço, de eu mesma cortar minhas asas, por que só eu tenho esse poder, ele me foi conferido, e a responsabilidade seria toda minha. 



A vida voa, o tempo voa...


.... a boa notícia é que nós somos o piloto desse vôo, e assumir o controle disso, é sair do lugar de vítima e assumir que faz escolhas e que não terá ninguém para responsabilizar. 

As asas são suas. 

Se quiser voe!

Quando quiser, voe!



*  www.mahatmagandhi.com.br 

terça-feira, 2 de abril de 2013

O MUNDO NO MEU CAFÉ DA MANHÃ


Moro desde do início de dezembro de 2011 em um hotel em Seoul, capital da Korea. Essa tem sido uma experiência fantástica, e me refiro a os dois aspectos da minha declaração inicial. Morar na Korea e morar em um hotel.  
criança coreana

Tenho falado nesse blog sobre várias experiências impagáveis e inesquecíveis que tenho tido por viver nesse país que cresce absurdamente, que tem uma comida exótica, que tem o melhor sistema de metrô do mundo, que tem um povo que acredita na educação como o grande agente transformador de uma nação. Amo e sou grata à vida por ter me dado essa chance, nunca imaginada de morar na Ásia. 

Moro em um hotel. Moro em um hotel na Ásia. Nunca imaginei que um dia fosse morar em um hotel, e muito menos que esse hotel fosse desse lado de cá do planeta. Fizemos a escolha de morar em um hotel porque pensamos ser mais prático e excitante. Poderíamos morar em um apartamento, como muitos amigos escolheram morar quando mudaram pra cá, mas preferimos um hotel e não nos arrependemos em um só segundo da nossa escolha. Nosso hotel fica em uma área turística de Seoul, um bairro famoso, por suas ruas movimentadas, pelos bares e vida noturna, pela enorme opção de restaurantes e lojas. Adoro esse lugar e sentirei muita falta daqui quando for embora.

no lobby com meu filho quando nos visitou

Todos os dias, desço para o café da manhã e me deparo com o mundo diante de mim. Além das inúmeras famílias que moram aqui, temos a população flutuante de turistas e homens de negócio. Adoro observar a todos. Passo o tempo de meu café observando os tipos que ali circulam ou moram. Tentarei descrever alguns deles aqui.

Temos uma família australiana cuja filhinha nasceu aqui. Vi sua mãe grávida e vi quando a bebê começou a andar. Vejo todos os dias os funcionários do hotel babarem diante dessa menininha lourinha, extremamente simpática e com olhos azuis sedutores. Eles a pegam no colo e levam pra cozinha, ela passa de colo em colo, deixando cada funcionário mais bobo que o outro. No dia que ela andou pela primeira vez no café, quase que não temos o que comer, todos pararam de trabalhar para admira-la com suspiros e exclamações em coreano. Nesse dia, faltou ovo, o suco acabou...mas ninguém reclamou. 

Temos uma família inglesa com 3 crianças lindas. Preciso dizer que só vejo os pais nos fins de semanas, quando eles não trabalham, durante a semana, só vejo apenas as mães e as crianças. Recentemente chegou uma família nova, a mãe é francesa, o pai holandês e eles tem uma coisinha gorda e loura que simplesmente para o hotel. A menina é linda e a mãe está grávida. Não sei se ainda estarei aqui quando o novo bebê chegar.  

Temos ainda as crianças mais velhas, que só vejo nos fins de semana, porque estudam e tomam café muito cedo, entre elas está Sofia, meu grande amor. Sofia é filha de brasileiros e seu pai é colega do meu marido. Ela roubou meu coração e sou completamente apaixonada por ela, nossa relação é mais que de vizinhas, ela me chama de Tia Lu, e eu babo apaixonada. 
Sofia na piscina do hotel com crianças coreanas

Turistas japoneses, chineses, filipinos, indianos, e vindos de toda parte da Ásia, circulam aos montes, principalmente na alta estação. Sou capaz de reconhecer quem é japonês ou chinês, o que era impossível quando aqui cheguei.

Homens de negócios são europeus, americanos, árabes e indianos. As famílias indianas são simpáticas, sorridentes e amistosas. Puxam conversa e se relacionam com todos, assim são as crianças. Entretanto as famílias árabes e muçulmanas são aversas a contatos. As mulheres usam burcas ou véus, sentam de costas para todo o restaurante para poderem comer (não sei como conseguem), com seus véus. Eles (na sua imensa maioria) não sorriem, não nos cumprimentam e se relacionam entre eles. Eu os  estranho, e confesso que tomo sustos quando entro no elevador e vejo aquelas mulheres de preto. Não os entendo, eles tem uma cultura fechada, o que dificulta essa compreensão, mas tenho uma ligeira sensação de que eles não estão nem aí para isso. 

Vejo pessoas, vejo personagens, vejo caricaturas, vejo arquétipos, vejo estereótipos. 
Moro em um hotel e vejo muita gente todo dia no meu café da manhã. 
Vejo o mundo enquanto tomo minhas canecas de um forte café preto. 



segunda-feira, 4 de março de 2013

ENTRE GATOS E FIGAS


Sempre tivemos cachorros em casa. Tinha uma idéia preconcebida de que não gostava de gatos, até mesmo por que é comum pensar que quem gosta de cachorro não gosta de gatos e vice-versa. Em 2008 minha casa foi invedida por uma gata (vira-lata) , ela entrou no nosso telhado e pariu lá mesmo uma ninhada de 7 gatinhos.  Essa gata nos deu um trabalhão, por que era super arisca, não nos deixava chegar perto dos gatinhos que cresciam entre a laje o telhado. Fio impossível tirá-los de lá. Eles cresceram, começaram a brincar no telhado. Era uma cena linda de se apaixonar. Comumente as crianças do nosso condomínio ficavam paradas na calçada vendo os gatinhos aprontarem tudo lá em cima. Um dia, sem nos avisar, todos foram embora, menos a mãe, que descobrimos estar grávida de novo. 

Ficamos de olhos nela, porque como ela era muito arisca, sabíamos que ela ía parir novamente no telhado. Esperamos os gatinhos nascerem, esperamos que ela saísse para comer e ainda recém-nascidos, os pegamos e colocamos pra baixo, numa caixa de papelão na sala da nossa casa. Ela enfureceu, tentou carrega-los para cima, mas não permitimos. Ela teve que se render e ficar conosco em casa. Essa ninhada, porque pudemos ter contato com os filhotes desde que nasceram, eram bem mansinhos e aprenderam a receber nosso carinho. Colocamos nomes em cada um deles e arrajamos casa e donos para todos eles, assim que foram desmamados. 

Durante esse mesmo tempo "Gatão"chegou lá em casa ( Já contei a história de "Gatão" aqui no post "Onde está Gatão" ). Ele é um siamês que foi atropelado na frente da minha clínica em Salvador, e que demos socorro e que nunca conseguimos achar seus donos. Ele tinha um prognóstico reservado, mas não morreu. Ficou bom e lindo, e passou a morar lá em casa também. Nossa casa que tinha dois cachorros, passou a ter também 2 gatos adultos e sete filhotes. Um caos total. Eles se odiavam. Os cachorros não suportavam a gata e seus filhotes e tiveram que receber Gatão, que ainda por cima estava com traumatismo craniano e ficava no meu colo quase que o dia todo. 

Nessa época uma amiga me disse que quando gatos chegam em nossas vidas, chegam por que precisamos que eles limpem nossa casa de energias que não estamos dando conta. Verdade ou não, (nunca saberemos), eles chegaram exatamente na época que meu marido foi diagnosticado com câncer e se submetia a um tratamento doloroso. Descobri que eu amava os gatos. Eles tinham a independência e autonomia que eu admirava. Ficou claro para mim que minha "praia" são os gatos e não os cachorros que sempre amei. 

Toda essa história para contar que quando cheguei aqui na Korea, descobri uma linha de bolsas,  necessaire, carteiras e capas de celular, agendas e etc... lindíssimas, com gatos! Claro que caí de amores e comprei várias coisas, inclusive algumas necessaires que me apaixonei. Quando voltei do Brasil em outubro passado, dei por falta de uma necessaire estampada com um desses gatinho. Do jeito que sou desapegada e esquecida, penso que só senti falta dessa necessaire especificamente, por causa dos gatinhos. Procurei por toda parte e não a encontrava, já havia esquecido dela quando até semana passada (4 mêses após), arrumando algumas coisas, descobri que ela havia caído atrás de um móvel e tinha ficado lá todo esse tempo. Ao abri-la descobri que estava lá, um colar de minha mãe, com uma figa de ouro. Não sei por que esse colar foi parar lá. Talvez minha mãe tenha colocado lá dentro para me fazer uma surpresa; talvez tenha caído lá, porque enquanto estive no Brasil dormi com minha mãe na cama dela, e a necessaire ficava ao lado da cama. Sei lá, e tenho que lembrar de perguntar pra ela na próxima vez que nos falarmos. 

Nada disso teria nenhuma importância se nesse mesmo dia em que achei a necessaire de gatinho com a figa de ouro da minha mãe, eu não tivesse tido uma conversa com uma amiga que me alertou sobre inveja. Ela me dizia que eu era muito ingênua em pensar que a inveja ( que ela pensa) que algumas pessoas sentiam de mim, não pudesse me fazer mal. Até escrevi uma vez aqui no blog sobre o que penso a esse respeito no post " SOBRE INVEJA " .  Essa amiga me contou que havia sonhado comigo e que no sonho, ela me dizia pra que eu me cuidasse melhor em relação a essas energias. 

Bom...não sei o que pensar dessas coisas. Nesse dia, até abri uma discussão na minha página do facebook, que acabou sendo bem interessante sobre "o poder da inveja". Queria ver o que as pessoas pensam sobre isso. Não tenho uma opinião formada, mas uma coisa eu fiz: Coloquei o colar com a figa de ouro da minha mãe no meu pescoço. Acho que depois que minha mãe ler essa história, ela nem vai querer que eu o tire mais. 

Os gatos sempre me trouxeram muitas coisas boas. Se eles nos ajudaram naquela época dolorosa das nossas vidas, eu não sei, mas eu os adoro. A figa está aqui, se ela vai me proteger de algo, também não sei, mas aqui ela vai ficar. 

Ludmila Rohr

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A BELEZA DO CORPO HUMANO



Adoro a estética do corpo humano. 

Adoro assistir provas esportivas, independente do esporte, para poder admirar a beleza dos corpos dos atletas. Adoro os corpos dos atletas e dos dançarinos. Simplesmente adoro. Posso passar o dia admirando pessoas exercitando seus corpos. Imagens em "slow motion" são as minhas preferidas.  Adoro descobrir o que é possível fazer com o nosso corpo. Penso que se alguém pode fazer algo com o corpo, em tese, todos nós poderíamos fazer o mesmo. Gosto principalmente dos atletas da natação e atletismo. Em dias de provas olímpicas praticamente não consigo sair da frente da TV. Adoro ver os músculos, a força, a graciosidade, o alongamento, a elasticidade, a capacidade e a plasticidade do corpo humano.

Me encanto com os corpos dos dançarinos. Adoro vê-los ensaiando e treinando exaustivamente seus movimentos. Adoro ver a execução das coreografias. Recentemente pude ver, nos EUA, um espetáculo da incrível coreógrafa brasileira Deborah Colker. Ela é o máximo. Seu grupo é estupendo. Suas coreografias nos proporcionam um show absurdo sobre o nosso poder corporal. Fantástico. Já tive também a chance de ver alguns espetáculos do Cirque Du Soleil. Nem preciso dizer que simplesmente adoro. Adoro a beleza do corpo humano. 


Um tempo atrás escrevi um post chamado  "Um bom lugar de morar" , em que falo sobre como adoro morar no meu corpo. Como adoro as sensações de prazer que ele me proporciona, e sobre como o yoga entrou na minha vida favorecendo a construção de uma relação muito saudável e consciente entre meu corpo e minha mente. Brinco muitas vezes sobre perder peso, digo que estou acima do peso (o que é uma verdade), mas na verdade, no meu íntimo isso não é um grande problema, pois mesmo bem acima do meu peso "normal", continuo com uma sensação muito boa de morar no meu corpo.




Tenho um problema em entender pessoas que abandonam seus corpos. Pessoas que não possuem uma atividade física. Pessoas gordas ou magras que se descuidam de seus corpos e se entregam ao "ferrugem" que provoca doenças e dores. Definitivamente acho uma pena isso. Acho um desperdício de algo incrível e sagrado. Acho uma pena pessoas esquecerem que precisam cuidar de seus corpos ou que não percebem a importância disso, ou mesmo aquelas que nunca sentiram o prazer de morar em seus corpos. Adoro a visão que o Yoga traz do corpo. O corpo sagrado, o templo sagrado que precisa ser bem cuidado e reverenciado como um veículo da nossa alma.


Estou falando sobre isso porque essa semana me envolvi em uma polêmica quando expus minha opinião sobre o corpo (horrendo, ao meu ver) de uma Rainha de Bateria do carnaval do RJ, chamada Gracyanne. Ela é o oposto de tudo que gosto na estética corporal. Apesar de adorar os músculos e a força dos atletas, ela consegue me causar um extremo desconforto. Para mim, ela conseguiu destruir o próprio corpo. Ela nem parece mais uma mulher. Ela é feia, bizarra e beira ao grotesco. Não consigo ver nenhuma beleza no corpo que ela construiu, nem consigo ver sinal de saúde. Não poderia fazer elogios ao corpo dela, porque o acho feio. Assim como acho feio toda a desproporcionalidade dos corpos das "mulheres frutas" que estão se proliferando no Brasil. Peitos imensos, bundas desproporcionais, coxas masculinas ... um festival de bizarrices ao meu ver. 

Gosto de músculos, mas gosto deles em um tamanho normal. Gosto de músculos que me lembram saúde, vitalidade, força. Não gosto da estética dos fisioculturistas. Não acho homens fortões sexy, muito pelo contrário, acho que eles ficam bregas, feios e desconfortáveis vestidos com tantos músculos. Penso que gosto de corpos harmônicos, sensuais e leves. Gosto de corpos vitalizados e não de muralhas duras.

Desculpem todos que apreciam essa estética que a Sra Gracyanne exibe, mas eu simplesmente acho o fim. 

sábado, 26 de janeiro de 2013

PORTAIS


Adoro a imagem de portas.


Tenho uma tendência incrível de tirar fotos de portas, assim como de janelas. Também dedico algum tempo em procura-las e coleciona-las.


Guardo fotos de portas, janelas, pontes e de outras coisas que me levam a reflexões.

Gosto quando imagens viram, na minha mente, histórias.

De simples imagens, posso sentir o cheiro, posso escutar os sons e me conectar com os sentimentos que elas me evocam.

É muito comum me pegar "viajando"nessas imagens. Vejo cenas, me vejo nelas e sempre me pergunto o que encontraria do outro lado.



Portas abertas e fechadas.
Algumas me levariam para dentro de lugares...outras me levariam para fora...


Portas engraçadas, diferentes, pobres e ricas, exóticas e comuns; portas tristes e portas alegres, portas enigmáticas e outras bem óbvias.

É claro que adoro as portas que fogem do comum. Aquelas que são diferentes. Parecem que essas me levariam a lugares diferentes, lugares que nunca fui.
Algumas parecem que me levariam a histórias diferentes, ou mesmo a sensações inusitadas.

Gosto disso. Realmente gosto de portas.





Algumas dessas imagens me provocam uma curiosidade especial.

Penso nas pessoas que a atravessam todos os dias. Penso no tipo de vida que as pessoas que vivem atrás daquela porta teriam.
Será que ali moram crianças?

Como é o resto daquela casa? O que comem lá dentro. Que música escutam?
Pra onde essa porta me levaria?




Quem pintou essa porta?

O que queriam dizer? Ela me levaria a um bar? Que música estaria tocando?
Seria um teatro abandonado? Ou um estúdio de tatuagem...









   
Como as pessoas que passam todos os dias diante dessas portas, as percebem?


Será que os vizinhos aprovaram essa arte?


Adoro portas ...  simples e delicadas...


Porta Francesa...

Portas que amam ...


Porta torta... sem simetria...


Portas que contam história ...


Porta liláz!!!

Porta Santa ...


Porta urso....

Portas que nos convidam aos gritos para entrar!!!


Portas tristes e abandonadas...


Porta verde na Índia (essa vi pessoalmente) ...


Porta com Mosaico...


Porta que tem olhos...


Portas gêmeas e fofas ...


Portas redondas saídas de um filme mágico...


Portas cheias de alma ...


Portas delicadas...

Portas suntuosas...

Portas antigas...

Portas estranhas...
Portas curiosas..

Porta do Nepal (essa vi pessoalmente)

Portas em Veneza ... amei cada uma delas...


Portas felizes....

Portas que engolem...

Portas que brilham...

Portas maravilhosas...


Porta poderosa ....


Porta medieval ...

Portas abraçadas pelo verde ...

Porta para o céu ...

Porta linda ....



Portas com cachorros que aguardam ansiosos a sua chegada...


Portas que gostaria de ter na frente minha casa..


Coleciono tantas portas que fica muito difícil escolher o que mostrar pra vocês...
Essas são algumas delas... mas sintam-se à vontade para entrar (ou sair!) .