terça-feira, 31 de maio de 2011

SOU DOCE?

Antes da picada número 3 - SOU DOCE?
 Ontem fui picada por uma abelha.
Acho que elas me amam. Não é a primeira vez que passo por isso.
A primeira vez que isso aconteceu, descobri que sou alérgica a elas, fui inchando...meu corpo enlouqueceu com coceiras em questão de segundos...comecei a ter dificuldade de respirar e graças a um amigo que era estudante de medicina, não fiz um quadro mais grave.

Na segunda vez meu marido estava comigo, estávamos em Paria do Forte, lugar que mais amo estar na Bahia. Meu rosto começou a inchar, ele percebeu e fomos saindo rápido em busca de uma farmácia.
A picada número 3, foi a mais interessante de todas, eu estava na Índia, com meu marido e filhos, havíamos acordado cedo na cidade de Agra para ver o Taj Mahal ao amanhecer. Fui picada lá. Eu estava como responsável por um grupo. Fiquei tensa imaginando ter que ir para um hospital na Índia. Respirei tanto....nunca coloquei minha mente tão focada em um trabalho de cura...o braço foi inchando...fiz marcas ao redor da picada para visualizar a expansão da reação e mentalizava respirando...e comecei a caminhar saindo do Taj Mahal, voltando para o ônibus. A marca cresceu, cresceu...e parou...Relaxei e continuei na Taj como se nada houvesse acontecido!!! Poucas pessoas do grupo souberam.

A picada número 4 foi a mais dolorosa de todas. Estava na piscina da casa de amigos aqui no Texas. Muita gente conversando e rindo na piscina. Uma abelha e muita gente. Eu sou a escolhida mais uma vez. A picada doeu na hora, mas doeu infinitamente mais depois quando cheguei em casa. Fui parar numa emergência. Não aguentei a dor, e costumo dizer que não sou fresca em relação a dor. Pari meu dois filhos por via natural e sem anestesia, e achei tranquilo fazer isso, mas aquela picada doeu de verdade...e diferente do parto, que era um momento de felicidade, me perguntava qual a felicidade em ser picada por uma abelha mais uma vez? Nenhuma.

Em quatro dias embarco para o Brasil e tenho mil coisas pra fazer antes disso. Três capítulos de um livro novo sobre a última  palestra que dei em Salvador (As Três Certezas Libertadoras) para serem escritos, três vídeos para gravar para meu novo site sobre Sexualidade Feminina que será em Inglês. Além de todas as providências que temos que tomar antes de ir passar cinco semanas no Brasil.

Bom....um amigo lindo me disse que as Abelhas têm Bom Gosto. Tive que rir. Outras pessoas disseram que sou doce ou docinha, que é por isso que elas me escolhem. Também ri. Uma outra disse que as abelhas queriam um pouco do meu astral  "zen". Fofos. Amo meus amigos. O que seria de mim sem eles.

Ok...Sou doce (também) e estou indo em alguns dias mais uma vez para o Brasil...para a Bahia... Pode alguém querer algo mais doce que isso?

Estou feliz...e quero convidar a quem lá estiver para assistir minhas palestras. Darei 4 palestras no Espaço Mahatma Gandhi *, atenderei no consultório e farei alguns "Círculo das Deusas". Minha agenda já está com as secretárias, todos podem ter acesso. O Mahatma Gandhi lá em Salvador é o lugar mais doce que conheço, é o lugar mais doce para mim...Aprendi lá muitas coisas que me ajudam a viver bem e de forma amorosa e compassiva, tenho tentado passar isso adiante. 

A dor que senti com a picada da abelha perde toda a dimensão de sofrimento, por que ela é apenas dor. As "dores" não necessariamente significam sofrimentos, a maioria delas são simplesmente dores e ficam longe da minha alma. 

Vou acreditar nos meus amigos lindos...que me disseram que sou doce.
Sou doce como mel (também) ...e estou indo para Salvador ...
(mais um detalhe, toda minha família estará em Salvador. Inclusive Judson.)

Que mais posso esperar da vida?

Beijos...espero voces no Mahatma Gandhi.

Ludmila Rohr

* Espaço Mahatma Gandhi, Rua Rio de Janeiro, 694, Pituba, Salvador -BA, 41.830-400
(71) 3248-7533 www.mahatmagandhi.com.br 


quarta-feira, 25 de maio de 2011

ELA SE FOI......


Minha amiga era sábia. Se chamava Soufia...não era por acaso esse nome.
De fato ela era uma deusa... alguém que emanava uma energia muito especial.
Ela sabia brincar na dor.
Ela sabia amar com simplicidade.
Ela sorria com delicadeza. Sua voz era doce e querida.
Minha amiga foi muito amada e amou muito.
Teve três filhos lindos..e se dedicou à sua família.
Ele teve um só amor..e o amou muito por toda a vida.
Acho realmente que ela viveu pouco. Pessoas como ela deviam viver muito, muito mais.
O mundo perdeu Vera Soufia. O mundo nem sabia dela..., mas a perdeu.
Conheci essa amiga em momento de dor, mas rimos juntas...
Falávamos besteira e ríamos. Falávamos coisas sérias e chorávamos.
Minha amiga sabia que estava partindo...ela lutou bravamente contra o câncer por muitos anos...,
mas ela sabia que essa luta estava chegando ao fim e que ela ia descansar.
Na nossa última conversa falamos sobre a morte. Filosofamos.
Nunca tive muito medo de morrer...sempre tive medo de viver pouco ou de sofrer em vão.
Ela sentia que seu sofrimento estava acabando..e que já havia entendido o significado da sua vida.
Ela me disse que sua missão era ser esposa e mãe. Ela foi. Certamente muito especial.
Uma pessoa que cumpriu sua missão com beleza e com brilho.
Tenho certeza que Sagi, seu amor, e seus três filhos lindos, sentirão muito a falta dela.
...e essa falta não vai acabar...essa saudade não vai passar nunca..
Tenho certeza que seus pais não mereciam passar por isso pela segunda vez...perder a segunda filha para essa doença louca é impensável para qualquer ser humano.
Mas também tenho certeza de que minha amiga, onde estiver, está em paz.
Ela era sábia.
Ela já era luz.
Agora é pura luz e nos ilumina.
Obrigada Verinha por sua amizade....
chorando me despeço...mas não a esquecerei....

Ludmila Rohr

P.S. Desculpe Sagi, mas ela teve dois amores. Voce, claro, mas ela também amava Bono Vox do U2. Essa é pra voce amiga querida! 

segunda-feira, 16 de maio de 2011

"SER FELIZ É UMA RESPONSABILIDADE MUITO GRANDE..."

 Essa é uma frase da incrível Clarice Lispector. Na verdade ela ainda completa e diz que : "Poucos tem coragem". 

Concordo. Parece uma ironia, já que o que mais se fala, e se busca é a felicidade. As pessoas gastam dinheiro com livros e mais livros de auto-ajuda em busca da felicidade. Fazem cursos de meditação, fazem psicoterapia e muitas outras coisas, em busca da felicidade. 

Cientistas pesquisam os hormônios relacionados a felicidade. Tentam criar medicamentos que ofereçam algum prazer as pessoas. Palestrantes ganham dinheiro ensinando as fórmulas da tão sonhada felicidade. 

É comum a associação de felicidade com beleza, riqueza, saúde, magreza, sucesso, casamento, filhos...etc.. Mas existem pessoas ricas e bem sucedidas, lindas, magras, saudáveis, casadas, com filhos e ainda assim, infelizes. Elas nos ajudam a desconstruir  essa crença.

As pessoas costumam reagir com estranhamento diante da notícia de que um famoso, ou um lindo que comete o suicídio, ou está deprimido, ou com Síndrome do pânico. Dizem: mas como pode? ele é tão lindo! ou , como pode uma pessoa rica e linda ser infeliz

Por outro lado também é comum nas falas prontas que afirmam que felicidade é incondicional. Que ser feliz é uma condição interna. Que as pessoas felizes são as desapegadas, ou as que não guardam mágoas, ou aquelas que tem uma capacidade de se renovar, a famosa resiliência. Que pra ser feliz nada é preciso, basta amar. 

Bom...acho que tudo isso deve ser verdade. Acho também que é muito complicado falar sobre Felicidade devido a simplicidade que isso exige.

Invariavelmente, no consultório, as pessoas me procuravam por que não estavam felizes. Reclamavam dos casamentos, dos empregos, das profissões, do país, da condição financeira...e por aí vai. Queixas de infelicidade justificada de várias formas. Percebia também que as pessoas que mais rapidamente começavam a fazer contato com a tal felicidade, eram aquelas que mais coragem e disposição tinham para mudar.

Aquelas que se apegavam às queixas ou que culpavam o outro por sua infelicidade, eram as que mais dificuldade tinham. Parecia que tinham um "gozo" na queixa. Sempre que eu oferecia alguma alternativa por via de perguntas, que pudessem levá-las a algum lugar diferente, elas respondiam que já haviam tentado, ou que eu não havia compreendido a dimensão do problema delas, ou que aquilo não ia funcionar. Facilmente a culpa era minha, como terapeuta de não haver entendido bem a questão, e escorregavam da terapia.

As pessoas que encaravam algumas mudanças, errando ou/e acertando, relatavam que se sentiam melhor, que sentiam-se mais fortes, mais animadas, mais encorajadas. Elas, pelo simples fato de fazerem algum movimento em suas vidas, sentiam-se mais felizes. Parece que o ato de "tomar as rédeas" da própria vida e serem agentes transformadores, trazia essa sensação.

Por isso tenho que concordar com Clarice, quando ela diz que nem todos tem coragem, por que é realmente preciso de coragem para ser feliz. É preciso coragem para assumir a responsabilidade pelas mudanças necessárias. É preciso coragem para deixar as queixas de lado e fazer o que deve ser feito. É preciso coragem para abrir mão das fantasias de completude, e ser feliz com o que se é. Deixar o "leite derramado" pra trás e ser feliz apesar das faltas, apesar das dores.

Quando perguntado sobre o que era Felicidade, o Dalai Lama responde: "Que morram os avós, os pais e os filhos. Nessa ordem". Isso é felicidade, que a vida corra seu percurso natural. Simples assim.


Ludmila Rohr

segunda-feira, 9 de maio de 2011

OTIMISMO x PESSIMISMO

Infelizmente não sou otimista.
Definitivamente não sou. Até gostaria de ser, mas não consigo. Tenho uma tendência desde que lembro de mim, a ser realista demais, para suportar a parcialidade dos otimistas e dos pessimistas. 

Era uma velha quando criança. Lembro de mim, preocupada com as coisas que a maioria das crianças nem se importavam. Na adolescência idem, acho que até fui meio "dark", não conseguia ser uma adolescente típica, era "profunda" demais pra minha idade. 

Acho que a maturidade até que me fez mais leve, e um pouco mais otimista que fui a vida toda. Quando criança, lembro de ter lido um livro chamado "Polyanna" e ter odiado. Odiava a "brincadeira do contente" da personagem principal que eu qualificava de toda sorte de descrições indelicadas. Achava que era a própria imbecilidade lidar com a vida como Polyanna, que eu julgava ser uma pessoa sem força e sem coragem para ver a realidade.

Preciso esclarecer que estou escrevendo sobre isso, porque uma pessoa que me segue no twitter e que é sempre tão educada e delicada, me perguntou sobre o que eu faço quando estou tomada pelo pessimismo.  Estava esperando a inspiração chegar para escrever o post dessa semana, quando essa pergunta chegou. Decidi na mesma hora que esse seria o tema dessa semana. Minha resposta para ela foi que eu escreveria aqui, já que no twitter, o limite de 140 caracteres me impediria de falar como eu gostaria sobre esse tema.

Antes que os apressados me julguem pelo começo do post, quero deixar claro que também não sou uma pessoa pessimista. Não lembro de mim sendo pessimista em nada na minha vida. Achando que as coisas vão dar errado ou com algum sentimento de desistência ou derrotismo. Muito pelo contrário. Sou muito construtiva e pró-ativa, e acho que se depender de mim, posso qualquer coisa.

Sempre me recusei a ter uma visão parcial das coisas, embora tenha a convicção de que estou muito longe de uma visão plena que os Budhas alcançam (confesso que essa é a minha meta). Mas, tentei por toda minha vida ampliar o máximo que pude a minha perspectiva das coisas, tentando incluir as mais variadas possibilidades e nuances de cores possíveis acho que até mesmo para ter menos chance de ser surpreendida (coisas de capricorniano), talvez até como uma defesa. 

Percebi isso claramente quando estava grávida do meu primeiro filho e por não saber o sexo do bebê as pessoas me diziam no maior amor: "Tudo bem ser menino ou menina, contanto que venha com saúde!". Eu ouvi essa frase algumas vezes até estourar num não muito educado: "E se não vier com saúde, devo jogar fora?" Para mim, estar gerando um bebê incluía qualquer possibilidade, inclusive aquela que as pessoas não querem nem pensar, como se evitando pensar nela, as fosse proteger de algo.

Quando meu marido teve câncer, a possibilidade da morte sempre existiu na minha mente. Por pior e mais sofrido que isso fosse, sabia que isso era uma possibilidade. Sempre dizia pra quem perguntasse por ele, que ele estava fazendo o melhor que podia, e era verdade, e que o resultado não nos pertencia. A nossa parte era fazer o melhor. E fizemos, porque em nenhum momento deixamos de pensar que a cura fosse uma possibilidade concreta também.

Ser OTIMISTA pra mim é aquele que só vê o lado bom das coisas, as boas possibilidades, sem pensar que aquilo que ele julga ser bom, de repente nem é bom de fato. A minha questão é: Como é possível ter certeza de que aquilo é realmente uma coisa boa? 

O inverso é verdadeiro também. Ser PESSIMISTA é pensar que só as coisas ruins podem acontecer. É sempre pensar no pior, ou que as coisas não darão certo. Assim como o otimista, o pessimista é tendencioso, vê apenas um lado. Julga as coisas pelas aparências ou pela sensação agradável ou desagradável que elas possuem. Um julgamento simplista. É agradável, então é bom; é desagradável, significa que é ruim. Sabemos que as coisas não são simples assim. Muitas coisas dolorosas e desagradáveis se revelam extremamente positivas e construtivas em nossas vidas, não é mesmo? Da mesma forma, muitas coisas deliciosas, se revelam entraves importantes no nosso crescimento.

Acho que as coisas são como são, e a grande diferença é o nosso olhar sobre elas. Normalmente não questiono as coisas, mas questiono a mim mesma. O que tenho feito com elas? Qual a minha parte nessa história? 

Mas....pensando bem....podemos fazer uma confusão entre PESSIMISMO e INTUIÇÃO. Todas as  vezes que me senti mal em relação a alguma coisa que estava prestes a fazer, ou mesmo algo que estava para acontecer, e me julguei sendo pessimista, depois descobri que havia tido uma intuição. Algo me avisando que não devia ir por aquele caminho. Algo dentro de mim sabia que aquilo não ia dar como eu desejava. Nem posso dizer que minha intuição me dizia que esse algo não ia dar certo, porque eu estaria me contradizendo. Acho que minha intuição apenas me dizia que eu estava a desejar algo que não aconteceria, ou que aquilo que não sairia como eu estava planejando. 

Acho que a nossa INTUIÇÃO é realmente nosso sexto sentido. Ela "vê", "sente" ou "prevê" aquilo que nossos olhos não querem ver, ou aquilo que nossos desejos impedem que nossa razão conclua. Toda vez que neguei minha intuição, percebi depois que errei. Devia ter dado atenção a ela. 

Sendo REALISTA, acho que para morrer basta estar vivo. Sendo realista, acho que existe chance de algo dar errado, isso pode acontecer. Sendo realista, não consigo deixar de pensar que tudo é possível. Inclusive aquilo que aparentemente é impossível. Sendo realista acho que as coisas mais improváveis são possíveis, e as mais deliciosas também. 

Sempre quis uma vida inteira e nada pela metade. Não posso querer ver uma parte das coisas. Não posso escolher apenas aquilo que satisfaz meu ego ou minha vaidade.

Sendo REALISTA acho que "NADA é impossível e TUDO é possível".
Gosto de viver assim.

Ludmila Rohr



segunda-feira, 2 de maio de 2011

SOMBRA PODEROSA

Broadway- NY


Esse último fim de semana, tive o imenso prazer de assistir pela segunda vez "O Fantasma da Ópera, na Broadway, em NY. Pensava que algo do encanto que tive na primeira vez que vi, pudesse se perder, mas tive uma agradável surpresa ao me dar conta de que estava completamente enganada.

A história contada nessa ópera é  uma história de amor. Uma história de rendição à sombra. Uma história de conexão com o poder que emerge a partir dessa rendição.

Quem nunca se sentiu atraído pelos aspectos sombrios da vida? Quem nunca se sentiu excitado por aquilo que é proibido ou que faz parte do lado sombrio da vida ou das pessoas? Triste daqueles que não mergulham em suas próprias sombras e se contentam apenas com o que o seu ego revela de si mesmo. Segundo Jung, pessoas assim,  abrem mão de conteúdos preciosos, segundo ele, "ouro puro".

 Penso que essas pessoas provavelmente tem vidas pobres e rasas. Penso que as pessoas que constroem uma parede rígida entre o bem e o mal, entre o frio e o quente, entre o negativo e o positivo, entre o que é de "Deus" e o que é do "Diabo", devem ter uma vida muito pobre e sem complexidades.

Penso que pessoas assim, são as que mais julgam o outro e também, são as que mais são duras e inflexíveis em seus julgamentos. Pessoas assim provavelmente tem problemas com o prazer e com o desejo. Pessoas assim, provavelmente estão distantes da compaixão e da bondade. Pessoas assim provavelmente jogariam pedras em Maria Madalena por amor a Maria. Pessoas assim, provavelmente acreditam em pecados.

A "sombra", sob o olhar da psicologia desenvolvida por Jung, é um aspecto do nosso inconsciente que guarda os conteúdos negados ou reprimidos. Conteúdos que nossa "persona" não consegue, por muitas razões, lidar conscientemente. Aquilo que a persona julga não sermos nós mesmos, é a nossa sombra. Seria algo como o "negativo" de nós mesmos, aquilo que é capturado pelo filtro do ego, da cultura e da educação e não podem vir a tona. 

Comumente vemos nossa "sombra" nos outros. É bem conveniente assim. Vemos, julgamos e acusamos as outras pessoas por revelarem aspectos da nossa sombra. Não queremos que ela seja revelada, por isso, qualquer pessoa que tenha comportamento ou características que negamos em nós mesmos, nos irrita profundamente, e quanto mais inconsciente formos da nossa "sombra" mais irritados e até mesmo irados, ficaremos. Muitas vezes buscamos ajuda na terapia para conhecer mais da nossa sombra. Um bom processo terapêutico nos ajuda a encontrar coragem e mergulhar na nossa alma e reconhecer em nós mesmos, e não nos outros, o que negamos e reprimimos.

A sombra deixa de ser sombra quando a conhecemos. Essas energias se transformam em poder. Quanto mais conscientes estivermos de nós mesmos, menos conteúdos teremos na sombra, mais expandida será a nossa consciência, mais inteiros estaremos. Quanto mais distantes nossa "persona" estiver do nosso "self", mais fracos e frágeis seremos. A força vem da nossa inteireza. A nossa força e nossa poder vem de nos aceitarmos e entendermos como um ser inteiro, com aspectos que gostamos e outros nem tanto. 

O "fantasma" da ópera é sedutor, apaixonado, intenso. Nenhuma pessoa consegue assistir a essa ópera sem se apaixonar por ele. Impossível não ficar excitado ao assistir Christine, como uma linda "Perséfone" ocidental, sendo levada aos porões nebulosos do inconsciente pelo fantasma apaixonado.

O mocinho da história, não tem a metade do charme e poder que o fantasma tem. Apesar de "Christine" escolher o mocinho, o seu poder vem da sombra. Quando ela se rende, se entrega ao poder que a sombra lhe oferece, ela se transforma na cantora que é, na mulher que é. Antes disso, ela é apenas uma figurante na vida. Assim como na mitologia grega, "Coré" se transforma na deusa "Perséfone" ao se render ao amor de "Hades", o Deus do mundo Avernal.

O fim da peça nos mostra que a sombra nunca morre. Não conseguiremos capturá-la. Não temos o poder de negá-la ou aprisioná-la. A única atitude funcional em relação a sombra, é abraçá-la. Quando "Christine" a abraça, quando a mocinha reconhece o poder da sombra, ela se desfaz. Ela não desaparece, ela simplesmente perde a forma e o poder sobre Christine e ela pode seguir o caminho que escolheu. 

Somos prisioneiros da sombra enquanto a negamos, somos prisioneiros do nosso inconsciente e dos conteúdos reprimidos, enquanto fugimos dele. No momento que nos dedicamos a olhar de forma amorosa para nossa "sombra" nos libertamos e assimilamos poder e energia que lá estava represada.

No fim da Ópera, vemos que é impossível capturar e submeter a "sombra". Não existe poder nenhum que consiga isso. A única coisa construtiva que podemos fazer com nossa sombra é lançar um olhar amoroso sobre ela e  transformar seu conteúdo inconsciente em consciente.

As perguntas que lanço são: Quais os conteúdos da sua sombra? Como ela se parece? Que partes suas estão encerradas em um porão escuro? Que partes negadas podem e devem ser abraçadas para que voce se sinta cada vez mais inteiro?

Bom...o mocinho é lindo, mas o Fantasma é quente. O mocinho é bom, mas o fantasma é intenso. Que tal unirmos esses aspectos em uma só pessoa?

e.....que tal se essa pessoa formos nós mesmos?

Ludmila Rohr

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A PALAVRA MÁGICA

 Tenho um problema com rótulos.

Percebo o quanto as pessoas adoram um diagnóstico, um parecer, uma definição. Querem uma palavra que diga tudo. Querem um adjetivo que sintetize. Buscam o tempo todo, conscientemente ou incosncientemente, uma definição que esclareça, que as ajude a compreender as pessoas, as situações e as coisas, mesmo que para isso, tenham que limitar suas percepções.

Talvez isso se deva ao medo da complexidade. Talvez.

Nessa tentativa de evitar a complexidade das pessoas e das situações, que possuem infinitas nuances, acabam por criar avaliações muito simplistas. Avaliações maniqueístas e infantis, e acreditam nelas.

No mundo infantil aprendemos a categorizar as coisas entre bem e mal, feio e bonito, bom e ruim. Simples assim. A criança tem esse pensamento linear e simplista. Entretanto continuar na vida adulta a ver a vida desse jeito me parece algo alienante. As coisas não são duais, as coisas e pessoas, são multifacetadas...elas possuem tantas nuances e tantas características que somos obrigados a desenvolver um raciocínio mais complexo.

O fato é: SOMOS PLURAIS, não caberíamos em rótulos. Somos COMPLEXOS, uma palavra não seria suficiente definir alguém.

O interessante é que os rótulos mais aprisionantes são os bonitinhos. Quando alguém te faz um elogio, te diz algo que alimenta o seu ego e vaidade, na mesma hora voce pode se deparar com a armadilha que caiu. Está presa, por que é difícil escapar de um rótulo que mexe com sua vaidade.

Percebia que toda vez que alguém me elogiava ou falava algo ao agradável a meu respeito, como uma definição do que eu era, me sentia aprisionada em um rótulo. Sentia que havia entrado e uma prisão. Dali pra frente teria que ser uma pessoa "sempre calma" diante daquelas pessoas que me definiram como alguém "tão calma". Teria que ser vegetariana, budista, cristã, ateísta, esquerdista, alegre, profunda, paciente...ou "whatever"...

Meu nome "Ludmila" significa "amada pelo povo", isso por si só, é um rótulo terrível. Adoro meu nome, mas quando procurei os nomes dos meus filhos, queria algo simples e que tivesse uma sonoridade gostosa, que não trouxesse em si um significado que já definisse as pessoas que eles seriam. Queria que eles pudessem se construir com mais liberdade.

Passei alguns anos da minha adolescência brigando com o significado do meu nome. Nem tentava ser simpática, quanto mais ser amada. Engraçado lembrar disso.

Brigar contra uma definição ou abraça-la dá no mesmo. Aceitar uma definição é me reconhecer nela. Não aceitá-la é buscar o seu oposto, não é mesmo? Resultado: Prisão do mesmo jeito.

Um dia, aprendi uma palavra que me libertou dessa briga que eu nem conseguia definir bem. Ainda bem que a aprendi cedo. Talvez até mesmo por causa de uma visão anárquica e tântrica diante da vida, que me ensinou a abrir, expandir e aceitar, mais do que fechar, concluir e rejeitar. Algo mais ou menos como "Caetanear" (expressão criada para definir a indefinível Caetano Veloso, cantor baiano)

Ensino essa palavra a todas as pessoas que conheço e aos meus clientes. A palavra que liberta e abre possibilidades para que voce seja quem voce quiser ser, sem se sentir preso a nada  é: TAMBÉM.

Quando alguém me diz: "Voce é calma", respondo: "Também". "Voce é tão profunda", também sou. Voce é budista? a resposta é : Também. Vocé é psicóloga? Além de outras coisas, também sou.

O TAMBÉM me libertou para ser TUDO, ou NADA, ou QUALQUER coisa.

Dentro de uma paleta infinita de nuances de cores, minha alma pode também ser rosa e verde ao mesmo tempo. Posso ser clássica e casual. Posso ser leve e profunda. Posso ser rasa e intensa. Posso ser branca ou preta, posso ser alegre ou triste. Posso ser devassa e pura; boba e esperta...braba e mansa....luz e sombra. Sou plural...sou complexa....cabe em mim muito mais que eu mesma conheço. Cabe em mim muito mais que qualquer um possa imaginar...

Acreditem... "TAMBÉM" é uma palavra mágica...

Ludmila Rohr

P.S. Leiam ao post "Por trás de mim" nesse blog.
http://mulheremcrescimento.blogspot.com/2009/05/por-tras-de-mim.html

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O BEIJO QUE OFENDEU

 Semana passada uma notícia me tocou bastante e me deixou profundamente indignada. Um casal gay foi colocado para fora de um Pub londrino depois de se beijar em público. Minha alma foi lavada em seguida, quando soube que um movimento Gay em Londres, organizou um beijo gay coletivo em frente ao mesmo Pub. Muito bom, mas não parei de me questionar sobre o porque desse beijo ter sido punido.

Estamos em pleno século 21. Muitos países civilizados reconhecem legalmente a união entre pessoas do mesmo sexo. Não existe uma só pessoa que não tenha ou em sua família ou no seu círculo de amigos e conhecidos,  alguém que seja homossexual. A medicina e a psicologia que até um tempo atrás classificavam a homossexualidade como patologia, já reconsiderou isso. É terminantemente proibido a qualquer psicólogo (no Brasil) tratar homossexualidade como psicopatologia, simplesmente porque não é. 

Minutos atrás, li sobre um assassinato a facadas de um travesti na Paraíba e sobre o assassinato de uma mulher por um noivo no dia do seu casamento. Ambos os chocantes casos aconteceram no Brasil. Fiquei tão chocada em pensar o quão monstruoso pode ser o ser humano. Como pode alguém dar 32 facadas em outro ser vivo? O que poderia irritar tanto um homem no dia do seu casamento que o levasse a assassinar alguém? Como essa pessoa no momento do seu casamento em que deveria estar feliz, leve, apaixonada e cheia de amor, pode ter assassinado alguém que nem conhecia, tomado pela raiva? Muito chocante pensar que nós humanos somos capazes de algo assim. Infelizmente, somos.

Ao ler essas notícias de ódio de hoje, fiquei pensando em como uma sociedade tão violenta pode punir o amor e qualquer expressão dele? Como isso é possível? Em meio a tanto ódio e violência, como alguém pode se sentir ofendido por um beijo? Que ousadia ou até mesmo insanidade se sentir ofendido por um simples beijo, enquanto tantas violências acontecem por aí? Como pode alguém classificar um beijo entre duas pessoas adultas como inapropriados ou indecentes, ou ofensivos? 

Isso parece tão absurdo que me faltam adjetivos. 

Sou uma pessoa que adora observar comportamentos. Tenho esse hábito de ficar olhando as pessoas. Observo como elas andam, falam, se expressam...observo seus corpos, sorrisos...faço isso o tempo todo. Adoro em restaurantes observar o comportamento de casais. Sempre olhei com muita pena para casais que passam a noite inteira sentados em uma mesa de restaurante sem trocar uma palavra sequer. Eles mal se olham. Fazem seus pedidos, comem...atendem celulares, pagam a conta e vão embora. 

É verdade que preciso conter um impulso grande de ir lá e perguntar porque esses casais ainda se mantém  juntos? Porque eles estão em um restaurante se lhes faltam assuntos para conversar? Me pergunto por que eles não conversam sobre o fato de estarem ali sem assunto ou sem interesse um no outro? Esses casais me incomodam profundamente...pelo desconforto que eles sentem com essa situação. Eles são muito desconfortáveis. Estão e são desconfortáveis. Confesso que tenho muita pena de casais que chegam a esse ponto. Sem interesse, sem tesão, sem excitação, sem olhares, sem afetos...sem assuntos....sem beijos.

Tenho pena de pessoas que não beijam. Tenho pena de casais que não se beijam mais.

Tenho certeza de que se eu fosse a dona desse Pub, eu preferiria ter no meu bar, casais que trocam beijos e olhares, a casais que passam a noite em silêncio. Com certeza ia preferir observar as expressões de amor, às expressões gélidas da indiferença. Eu ia querer ver em meu restaurantes mãos que se acariciam, que se tocam, ao invés de mãos rígidas sobre o colo, ou segurando celulares.


No meu "Pub", o AMOR sempre teria espaço. No meu pub, a ternura e os beijos iam ser aplaudidos. No meu pub, esse casal que se beijou e presenteou a todos com energia da sua paixão, não pagaria a conta, porque no meu "pub" o amor e sua expressões seriam vistos como bônus para todos que presenciaram. No meu "pub" o amor seria muito bem vindo e seria aplaudido.


Vamos beijar mais....muito mais.

Ludmila Rohr




domingo, 10 de abril de 2011

Sou FELIZ

 Sou Feliz mesmo.

Isso é uma verdade. Nunca tive uma vida sem problemas ou desafios. Sempre os tive como qualquer pessoa. Tive dores importantes na vida e ainda as tenho. Hoje em dia, vivo longe de um dos meus filhos...isso me deixa com uma falta e uma saudade imensa... Tive que deixar meu trabalho para trás, que sempre foi minha grande identidade, ..me mudei pra longe... Fui para um lugar onde não pertenço e não tenho história, mas mesmo lá sou feliz.

Sou feliz com meus amores...amo muito e sou muito amada. Não sou amada por muitos, isso nunca foi uma meta, mas amo muito e sou muito amada. Não tenho inimigos, porque não reconheço meus desafetos como tal. Simplesmente sei que eles não são inimigos, no máximo podem ser inimigos deles mesmos, mas nunca meus. 

Reconheço meus amigos queridos, e os amo. Amo em abundância e de forma generosa. Me alimento muito com esse amor que eu devoto a eles.

Gosto de dizer que tenho a idade que tenho. Tenho 47 anos e todas as rugas que essa idade pôde me oferecer. Gosto da liberdade que tenho de não ter que parecer mais jovem do que sou. Não tenho grandes problemas em pensar que minha barriga não é mais durinha como foi um dia...em parte porque ela abrigou duas gestações tão desejadas ... Gosto de pensar que um dia eu não tive celulite, mas que hoje as tenho e que não tenho nenhuma obrigação com ninguém de não tê-las. Gosto de saber que recorro a cuidados estéticos por que curto, mas não porque preciso esconder minha idade. Isso não é o máximo?? Nesse mundo em que as pessoas estão presas a imagens, me sinto um pássaro voando...de tão livre...

Gosto de saber que tem pessoas que gostam de mim. Quem não gosta disso? Mas preciso confessar que não estou muito preocupada com isso. Dou muita risada quando vejo pessoas que projetaram em mim alguma coisa das suas fantasias, se frustrarem. Não tenho nenhuma obrigação em atender projeções alheias. Me sinto livre e feliz por isso. 

Acho graça quando um aluno de yoga descobre que eu não sou a pessoa "zen" que ele imaginava, ou quando um cliente percebe que sou uma pessoa como outra qualquer, que enfrento situações de medo ou insegurança, que choro, sinto raiva, sofro e que me divirto como qualquer ser humano. 

Realmente cada frustração que provoco me deixa mais livre pra ser quem sou. Não faço nada para que essas frustrações aconteçam, não as provoco intencionalmente, apenas não faço nada para evitá-las, simplesmente porque não as quero. Elas não fazem parte de mim e dizem quase nada a meu respeito. Dizem mais sobre quem as projetou e definitivamente não quero me sentir presa a nada que projetem sobre mim. 

Não tenho religião. Respeito todas elas, mas não não quero nenhuma na minha vida. Respeito a fé das pessoas, mas tenho uma fé diferente...e minha "religião" só eu posso fazer parte. Meus momentos religiosos são íntimos, e intransferíveis. Não poderia partilhar minha forma religiosa com ninguém, a não ser vivendo minha vida da melhor forma possível e me indignando com injustiças, mentiras, preconceitos, vaidades vazias, violência e tantas coisas tão humanas... 

Estou muito feliz em estar em Salvador esses dias. Muito mesmo. Tenho me divertido, trabalhado, conversado com pessoas tão lindas.. Tenho ficado com meus pais, tenho convivido com meu filho que é um gentleman. Sou grata a vida por isso.

Minha vida é boa..minha vida é uma delícia.....sério,...minha vida é mesmo uma delícia. Gosto dela e gosto de mim. 

Percebi esses dias que sou uma pessoa com méritos porque as coisas que realmente quero, acontecem. Acho que devo merecer. As coisas desagradáveis que me acontecem também foram minhas responsabilidades. (Falei sobre isso no post "Perdoar quem?).

Não sou uma pessoa boazinha...me vejo fazendo coisas que não gosto. Me vejo fazendo coisas que disse que jamais faria. Me percebo vibrando energias que nem gostaria de vibrar. Feio isso. Muito feio, mas é verdade. Faço e sinto coisas bem feias também. Paciência. Tenho raivas que não gostaria de ter.... mas tenho orgulho de uma coisa em mim (afe..orgulho já é feio né?) ... Tenho orgulho de não ter invejas. Fico feliz com a alegria e as conquistas alheias. Fico mesmo. Torço pelas pessoas. ...e não consigo nesse momento pensar em nada que eu sinta inveja... mas esperem um pouquinho...vou tentar descobrir uma inveja..

Lembrei....pensei em uma: morro de inveja de quem sabe dançar...

afe...preciso urgentemente entrar numa aula de dança!!!

Sejam FELIZES!

Ludmila Rohr


domingo, 3 de abril de 2011

Ó paí, ó!!!

 Tô indo pra Salvador. Mais uma vez tô indo ver meus afetos...minha cidade, meus  lugares amados...
Em algumas horas embarco. Estou excitada com isso.
Essa não foi uma viagem planejada, foi decidida em cima da hora, foi decidida na emoção.
Não estou indo para trabalhar como nas outras vezes, embora como uma boa capricorniana, eu vá trabalhar também.
Tenho uma pequena agenda de trabalho no Espaço Mahatma Gandhi, já que essa será uma viagem de apenas 10 dias. Vou atender no consultório, vou dar duas palestras e farei Círculo das Deusas, mas na verdade estou indo pra ver meu pai. Deu uma saudade apertada dele. Ele perdeu seu irmão mais velho nesses dias, ficou triste...e meu coração apertou..Preciso vê-lo. Quero muito vê-lo.

Preciso ver meu filho. Na verdade essa não é uma necessidade..apenas quero muito. Poderia esperar até junho quando terei que ir ao Brasil mesmo, mas não consegui esperar. Tô indo agora...

Foi interessante organizar essa ida, comprar tudo que amigos e pessoas queridas me pediram daqui...me diverti fazendo isso. Levo uma listinha de coisinhas do Brasil que os amigos daqui pediram pra trazer. 
Aqui nos EUA, tive que comprar de chocolate Kit-Kat, Beef Jerky e chiclete Big Red, a máquina fotógráfica e perfumes...do Brasil trarei farinha de tapioca, carne de feijão, óleo de copaíba, alfazema...e café. Não é uma delícia?  Amei isso.

Na verdade, penso que poder ir no Brasil é uma delícia, mas sentir saudades de forma gostosa e sem grandes  sofrimentos, é um mérito.  Claro que tem dias aqui que sinto uma tristezinha...mas isso não é comum...o meu comum é estar bem. Sou aqui, como era no Brasil, uma pessoa de bem com minha vida e com meus dias.

Estou indo ao Brasil...estou indo a Salvador...minha cidade querida..onde cresci , me criei...tive meus filhos e os criei. Fico feliz de ter essas raízes...sou feliz e orgulhosa de ser baiana. Sempre acho que todo baiano é orgulhoso de ser baiano..e quem é de Salvador, ainda mais... Pode ser uma brincadeira da minha mente isso, mas é assim que penso. Ser baiana de Salvador é como nascer com um "plus". (rsrsrsr)

Bom....me despedindo...saindo para o aeroporto...e já com saudade de Houston...essa é uma cidade muito especial. Gosto muito de morar aqui. Em 10 dias estou de volta.., mas pelos próximos 10 dias, estarei na terra em que se fala "mainha e painho", que se exclama "afemaria" e "oxente", estarei na cidade que tem o melhor acarajé do mundo (é a única) , estarei na cidade que vende picolé Capelinha de tapioca e de "mindoim", vou tomar água de côco na praia e comer "bolinho de estudante"... Estarei numa cidade que se diz "aonde??" quando se quer dizer não, e se "Ó paí, ó" sem precisar ser em filme.

Amo Salvador e é pra lá que tô indo...

Beijos

Ludmila Rohr
P.S. Quem estiver por lá nesses 10 dias, vá me ver no Mahatma. Darei palestras abertas!

segunda-feira, 28 de março de 2011

PERDOAR QUEM?

 Me pediram uma reflexão sobre o PERDÃO.

Antes de refletir (já que faço isso enquanto escrevo e nunca reviso o que escrevi) quero alertar que não me proponho fazer uma reflexão sob nenhum ponto de vista religioso ou moral. É comum que esse tema seja tratado sob um olhar religioso, e acho que seria até mais fácil fazer isso. O perdão ganharia uma aura divina e cristã, mas confesso que nunca estudei esse tema sob esse olhar. Tentarei refletir sobre perdão, como psicóloga e na minha experiência como pessoa comum.

Minha primeira reação foi pensar que não conseguiria escrever sobre um tema que na verdade, pouco tenho refletido na minha vida. Daí, comecei a pensar nisso. Resolvi buscar um gatilho de reflexão levando essa discussão para o twitter. Perguntei o que as pessoas pensavam sobre esse tema. Perguntei se elas gostariam que eu escrevesse sobre ele. Foi legal a resposta. Queriam sim. 

Como em um grupo de terapia virtual, as pessoas falaram, me disseram sobre suas experiências com o PERDOAR, ou com a necessidade de fazê-lo. Fiquei tocada com a importância do perdão para elas em contaste com a minha quase inexistente reflexão sobre esse tema. É claro que fiquei meio desconcertada com minha falta de prática nesse tema. Quase comecei a moralizar meu comportamento e me culpar por isso, mas isso durou alguns segundos...foi aí que comecei a entender minha relação com o perdão. Escrevo aqui agora, sem nenhuma pretensão de fechar esse tema que só comecei a adentrar!

Tenho um problema: Me perdôo muito facilmente. Não consigo sustentar por mais de alguns segundos um sentimento de culpa. Sou por demais condescendente comigo. Sei que exagero nisso as vezes. Tenho um olhar mole sobre meus erros e falhas. Digo brincando que meu grau de obsessividade é zero, quase nada de perfeccionismo. Tenho alguma coisa meio libertária na minha alma (longe de ser uma psicopata por que tenho noção clara do que posso ou não, e uma noção importante sobre o respeito que devo ao outro). Acho que tenho um problema sério também em ser julgada. Normalmente não levo a sério pessoas que me julgam ou tentam me enquadrar. Confesso, sou permissiva demais comigo.

Mas por outro lado, não tenho costume de colocar culpa em ninguém pelas coisas que acontecem comigo. Não tenho problemas em me implicar ou me auto-responsabilizar. Por isso, tenho uma dificuldade enorme de me sentir vítima de alguma coisa, ou de alguém.  Acho que faço besteiras, bobagens e me saboto algumas vezes. Na maioria das vezes, por acomodação, deixo de seguir minha intuição, e me pego sendo trapaceada por alguém, mas nem consigo achar que esse alguém tenha de fato toda responsabilidade. Se eu for honesta comigo, vou perceber que em algum nível eu intuí aquilo ou sabia da chance daquilo acontecer, e até mesmo havia sido alertada por outras pessoas.

Penso que crianças são vítimas de adultos. Em uma guerra, os desarmados são vítimas de quem tem maior poder bélico..ou seja, em uma relação desigual existe vítima e algoz. Uma vítima de tortura imobilizada pelos seus algozes é um exemplo disso. Já fui assaltada cinco vezes..fui vítima de ladrões violentos,é um fato incontestável, e em nenhum momento senti necessidade de perdoar nenhum deles. Talvez porque nunca os tenha personalizado. Eles não faziam nada contra a minha pessoa em especial, eles fariam aquilo contra qualquer um que ali estivesse. 

As ações que criam vítimas são as que pedem perdão. Não tenho tido relações desiguais em termos de força desde que deixei a adolescência. Talvez por isso mesmo, não tenho conseguido me sentir vítima de muita coisa na minha vida adulta. Entendo que não preciso sustentar relações que não me servem. Se elas não servem para o meu crescimento, não servem pra nada. Não preciso delas, mas entendo que elas devem servir para outras pessoas, apenas não servem para mim. 

Não preciso em nome de um "perdão" ou uma "bondade" mantê-las perto de mim. Posso, de forma adulta, escolher com quem me relaciono ou não. Não penso muito nessas pessoas depois que entendo isso. Elas não me fazem falta, porque não alimento aversões. Não as odeio, Mas nem tampouco me cobro ser boazinha com elas. Acho que definitivamente não sou boazinha mesmo. Entendo que elas não devem estar perto da minha alma, mas...não tenho necessidade de perdoá-las, porque não me acho vítima delas.

Por muitos anos fiz terapia e cuidei das feridas da minha alma, aquelas que nem conhecia, mas que funcionavam como uma pele fina...qualquer coisa ou qualquer pessoa que se aproximasse delas, causavam uma espécie de sangramento. A terapia me ajudou a reconhecer como falta e aprender a lidar com elas. Elas não serão preenchidas, mas não precisam sangrar toda vez que algo as tocarem. O auto-conhecimento nos instrumentaliza para lidar com isso e nos fortalece. Saímos assim do lugar de criança machucada, essas sim  foram vítimas. Não precisamos ser mais, podemos estar no mundo adulto de igual para igual com qualquer um.

Agora, me "perdoem", prometo que continuarei a refletir sobre perdão em outros posts..., mas agora preciso me perdoar por ter comido uma caixa imensa de chocolate enquanto escrevia.

Já me perdoei. Eram deliciosos. Impossível resistir. Completamente perdoada!

Ludmila Rohr

segunda-feira, 21 de março de 2011

GENTILEZA gera GENTILEZA

 Amo esse mantra: "Gentileza gera Gentileza" porque de fato acredito nele. Acredito nos ensinamentos do Mahatma Gandhi sobre o AHIMSA (não-violência), que muitas pessoas confundem com passividade, mas que é um movimento ativo de Ser Não-violento. 

Conheço pouco do "Profeta Gentileza" do Rio de Janeiro. Sei que essa era uma das suas frases preferidas...sei também que nesse mundo nosso, ele era um "louco" ou alguém que não se encaixava nos padrões que as pessoas são consideradas sãs. Ele acreditava que ações gentis gerariam mais gentilezas e que o mundo seria melhor assim e pregava isso. Acreditava que podíamos multiplicar essa energia com nossas ações, ao invés de multiplicarmos a inveja, a ganância e a violência. Era um louco, assim como Mahtama Gandhi poderia ser considerado também.

No último fim-de-semana tivemos uma lua especial, era a maior lua dos últimos 20 anos. Quis vê-la da rua. Moro em uma cidade grande, Houston no Texas. Decidimos ir a um parque público. Passava das 9. Era tarde para os padrões americanos. Fomos para o centro da cidade. Estacionamos o carro em um lugar que meu marido achou suspeito. Estava ermo, ninguém por perto. Nosso padrão brasileiro acostumados com a insegurança, deixou todos os nossos sensores de medo em estado de alerta. Tínhamos um certo grau de tensão. Não conhecíamos aquele parque. Resolvemos que seria melhor, por medida de segurança, deixar a bolsa no carro, mas levei minha câmera fotográfica. Situação impensável em Salvador, andar em um parque público, à noite e com uma máquina fotográfica.

Ao entrarmos percebemos que era um parque público para praticantes de skate. Muitas pistas e rampas. Iluminado e super bonito. Poucos adultos. Relaxamos. Vimos crianças brincando de skate. Alguns pais acompanhando-as. Muitos adolescentes. Resolvemos andar. A lua realmente estava linda. Andávamos por uma trilha. Silêncio, noite fresca. Tirei o iPhone do bolso da calça para fotografar a lua e poder enviar fotos imediatamente para o Twitter. De repente um adolescente que estava distante vem na nossa direção. Uma certa apreensão típica de "gato escaldado" toma conta de mim. Ele se aproxima e gentilmente me avisa que algum papel  havia caido do meu bolso quando eu peguei o iPhone.

Foto da Lua que possibilitou essa experiência
Eu meio boba e envergonhada, agradeço. 

Sou extremamente grata a esse garoto que andava de skate nesse praça a noite. Obrigada pela gentileza imensa que me fez chorar. Obrigada pela gentileza simples que me deixou envergonhada. Obrigada por ter me deixado sem ação. Obrigada por produzir em mim um estado em que a única coisa a ser dita era: Thank you! Thank you so much! 

O que havia caido no chão era um papelzinho sem importância, uma nota de uma loja que foi em seguida para o lixo, mas o que esse garoto provocou em mim com sua gentileza, não tem preço.

GENTILEZA gera GENTILEZA!

Ludmila Rohr

segunda-feira, 14 de março de 2011

Mãe é mãe!

 Chorei essa semana. Não que isso seja uma notícia, mesmo porque sou a pessoa mais chorona da vida. Choro muito facilmente de alegria e de tristeza...simplesmente choro e acho muito estranho quando alguém diz pra eu não chorar. Penso na quantidade de cliente que já tive, que passava meses em terapia (pagando) pra aprender a chorar, pra conseguir expressar uma emoção. Já conheci muita gente que adoeceu e continua adoecendo por não conseguir chorar.

Esses dias chorei algumas vezes de saudade do meu filho que mora no Brasil. Chorei de saudade da minha vida lá. Essa semana tive alguns dias de banzo. Acho que o fato de meu marido ter feito os exames de revisão semestral do câncer mexeram comigo também (chorei de alívio por isso).

Nessas horas nada como a casa da gente. E por mais que eu adore estar vivendo essa experiência aqui nos EUA, aqui não é a minha casa, nem nunca será. Simplesmente porque nossa casa é o lugar onde temos história. Onde temos lembranças. Minha casa é o Farol da Barra onde cresci, minha casa é o lugar onde vi meus filhos crescerem. Penso que nossa casa será sempre o lugar onde vimos o maior número de pores-do-sol em toda a vida!  

Nenhuma reclamação de estar aqui. Gosto daqui. Mas é impossível negar a saudade que as vezes bate. Talvez exatamente porque eu não a negue, que eu consiga viver muito bem aqui. Consigo fazer planos,  fazer amigos, produzir e viver bem.

Mas....essa semana que passou chorei por uma emoção bem linda também. Minha mãe me emocionou muito. Já falei algumas vezes sobre minha mãe aqui, mas bem menos do que ela merece. Então aí vai.

Minha mãe é uma filha de 11 irmãos de uma família muito pobre em Manaus. Ela casou-se com o primo (isso mesmo, meu pai é primo da minha mãe). Saiu de Manaus sozinha pra encontrar com o já então marido no Rio de Janeiro, eles casaram por procuração, numa época que voar de Manaus até o Rio era como dar a volta ao mundo. Ela teve o primeiro filho no Rio e as 3 filhas em Salvador. 

Minha mãe não teve uma vida fácil. Só lembro dela trabalhando. Por muitos anos ela teve 3 empregos. Era professora. Ela era muito amada por seus alunos, muito querida. Não lembro de alunos que não tenham gostado dela como professora. Ela ensinava no mesmo colégio que eu estudava. Minhas irmãs foram alunas dela (acho que foram as 2 únicas alunas a não gostarem). Todos diziam que ela era uma excelente professora. Acho que até sentia algum ciúme dos seus alunos.

Como ela ensinou muitos anos para pobres e para ricos (escola pública e particular), era comum ser parada na rua por camelôs que haviam sido seus alunos, policiais, garçons e também médicos, advogados ...e amigos meus e dos meus irmãos. Todos falavam sempre com muito carinho dela. Até aqui em Houston, quando ela esteve me visitando, ela foi reconhecida por uma ex-aluna.

Minha mãe era muito linda, chamava atenção pela postura altiva. Ela inclusive parece mais alta do que de fato é por conta disso. Era charmosa e ainda é. Adorava contar piadas e ser o centro, como todo bom leonino. Lembro dela com roupas amarelas. Poucas pessoas ficam bem vestindo amarelo (eu acho). Ela ficava linda de amarelo.

Quando éramos pequenos, ela virava noites costurando nossas roupas pra São João...pois os babados dos nossos vestidos eram os mais bonitos. Ela fazia saias curtinhas e de fato, ficávamos as mais lindas. Os laços da nossas maria-chiquinha eram os mais bonitos. No carnaval era a mesma coisa...lembro das nossas fantasias..ela sempre caprichou muito. Assim como nossos uniformes da escola. Eu fui uma menina muito vaidosa e ela alimentava isso. Lembro de sair com ela e voltar cheia de anéis coloridos, que eu usava em todos os meus dedos.

Minha mãe nunca foi uma mãe de demonstrar afetos com carinhos, nem com palavras. Ela tem dificuldade com isso. Somos bem diferentes em algumas coisas. Eu choro muito e em qualquer lugar.  Ela chora pouco e escondido. Por quase minha vida toda, achei que ela não soubesse chorar. Lembro quando meu irmão sofreu um acidente grave, e quase morreu. Meu pai chorava, e ela não. Achava estranho, mas pensava que ela devia chorar escondido. Acho que ela aprendeu a lição dos sobreviventes. Ela teve que ser forte. Ela teve que endurecer na sua vida em um tempo que endurecer significava não mostrar sentimentos.

Sempre tive muita certeza de que qualquer coisa que eu precisasse que poderia contar com meus pais. Isso pra mim era uma convicção. Eles sempre fizeram tudo por nós. Não consigo me lembrar de ter precisado de minha mãe e ela ter colocado alguma dificuldade pra me ajudar. Se eu precisasse que ele fosse muito longe buscar algo pra mim, ela faria, e  faz até hoje, pra todos os filhos e netos. Ela simplesmente faz o que a gente precisar que ela faça.

Essa semana ela me mandou uma caixa do Brasil pelo correio. Mandou café (quem me conhece sabe o quanto adoro café) e outras coisinhas. Essa caixa ganhou muitos significados e mobilizou muitas emoções. Chorava como uma criança abrindo-a. Choro de novo enquanto escrevo. Senti uma gratidão tão grande. Nem consigo dizer exatamente o que senti, mas chorei muito...como uma criança. 

Minha mãe lê o meu blog. Ela é uma leitora fiel. Ela lerá esse post, e acho que vai se esforçar pra não chorar. Espero realmente que ela não consiga, porque sei o quanto chorar faz bem. Então vou aproveitar e dar um empurrãozinho dizendo: Mãe, obrigada. Obrigada por me deixar tranquila em saber que Caio está aí com voce. Voce e meu pai são as únicas pessoas que eu deixaria os meus filhos com tranquilidade. Obrigada por cada vestido de São João que voce costurou pra mim. Minhas roupas de samba-de-roda e de baiana das apresentações de folclore eram sempre as mais bonitas, obrigada por isso.

Obrigada pela caixa que veio carregada de amor e com uma imensa vontade de agradar. Tenha certeza de que voce conseguiu.

Te amo muito.

Afinal, mãe é mãe.

Ludmila Rohr



segunda-feira, 7 de março de 2011

O Melhor presente eu me dou!

 - "O Melhor presente eu me dou!"

Essa foi a lição que essa minha amiga me deu essa semana. Achei tão incrível e simples, e como amanhã é o Dia Internacional da Mulher resolvi escrever sobre isso!

Era véspera no aniversário dela e ela me contou que todo ano compra algo bem legal pra ela mesma, embala pra presente e guarda até a época do seu aniversário. Ela se dá esse presente nessa data. Estava com ela no dia que ela se deu um lindo presente e me contou dessa "tradição". Amei.

Vivemos dizendo coisas absolutamente comuns e que todo livro de auto-ajuda diz, como: Devemos nos amar se queremos ser amadas! ou que devemos reconhecer primeiro o nosso próprio valor se queremos que o outro também o faça!..ou, Se valorize! Frases simples que parecem tão clichê que nem levamos muito a sério.

Essa amiga é muito querida. Tem uma família linda, um ótimo marido, filhos lindos e queridos. Ela é amada por muitos amigos. Ela é respeitada e muito querida. Ela provavelmente ganhou muitos presentes no dia do seu aniversário, ganhou até uma festa surpresa, mas o MELHOR PRESENTE ela quis se dar! Não é lindo isso?

Ela reconhece que merece o melhor dela mesma. Ela cultiva alegria, mas sabe ser profunda. Tenho a nítida sensação que poderia conversar sobre qualquer assunto com ela, sem ser julgada e sem causar espanto algum. Ela é madura, mas é absolutamente jovem. Ela não se esconde. Mostra sua força, mas também também tem habilidade de falar sobre tristezas e dores. Ela cultiva amigos assim como cuida da sua família, com carinho e dedicação. A casa dela é acolhedora e parece que está sempre aberta. Ela naturalmente se torna o centro em qualquer lugar ou reunião. Ela é "Solar"! 

Ela tem uma qualidade que vale ouro e que reflete seu elevado auto-conhecimento: Ela sabe rir de si mesma! Ela se leva tão a sério que consegue fugir das atuações egóicas e vaidosas que nos impede de rir das nossas bobagens. Ela sabe rir sinceramente de si mesma, mas nunca a vi rindo de fraquezas alheias ou brincando de forma desrespeitosa com alguém.

Ela é uma pessoa do bem. Ela certamente é uma pessoa que acredita na Vida e na ARTE DE VIVER BEM! Ela realmente decidiu ser feliz. Acho que ela tem sido bem sucedida, embora a vida não tenho sido só de flores. Ela como poucas pessoas, conseguem falar das faltas, sem perder a beleza e sem se vitimizar.  Não a vejo moralizando nada. As coisas não são feias ou bonitas. Morais ou imorais. Ela consegue contextualizar e  ver o valor das pessoas e situações. Consegue mostrar fragilidade sem perder a força. Gosto dela.

Não a conhecia antes de vir morar em Houston. Seus filhos cresceram aqui, e ela tem uma filha que adoraria que fosse minha! Sempre brinco com ela que roubarei a filha dela, mas ela sabe que essa é uma forma indireta de elogiá-la. Sua filha é uma mulher linda !! 

Muitos anos se passaram desde que ela veio do Brasil com seu marido e dois filhos pequenos (um terceiro nasceu aqui depois)...., mas tenho a nítida sensação de que sentirei muita falta dela quando me for. Uma coisa tenho certeza...no meu próximo aniversário, eu me darei o meu melhor presente e lembrarei dela em todos os anos que vierem!!!

Obrigada amiga querida por partilhar comigo sua energia contagiante!

Ludmila Rohr

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Impunidade NÃO!

 Estou chocada com as imagens do que aconteceu em Porto Alegre (cidade no sul do Brasil) com os ciclistas do movimento "Massa Crítica" que faziam uma "pedalada" pedindo menos carros e mais bicicletas nas ruas. Manifestação que deveria ser marcada pela descontração, leveza e alegria. Pessoas de todas as idades. Tudo parecia que seria mais um encontro de pessoas que buscam e desejam mais qualidade para suas vidas..até que foram interrompidas por um ato de extrema violência. Foram atropeladas de forma estúpida e inesperada por um motorista violento que usou seu carro como arma e como forma de descarregar sua ira, amparado pelo sentimento de impunidade que sustenta atos dessa natureza no nosso país.

Bom..o resto acho que todos viram ...o desenrolar horrendo desse evento, provavelmente está fresco na memória dos brasileiros..., já que aconteceu na última sexta (dia 25/02), e espero que continue vivo até que se faça justiça em um país acostumado a impunidades.

Refletirei sobre CIVILIDADE e IMPUNIDADE nesse post. 
Quando me mudei para os EUA, não estava a busca de nada, muito menos querendo deixar algo para trás. Não vim morar aqui por que não queria morar no Brasil. Adorava minha vida no Brasil. Confesso que sinto falta dela. Meu marido foi transferido, então aqui estou e nem sei por quanto tempo. Já que aqui estou, decidi que ia conhecer essa cultura e esse país.

Muitas coisas me chamaram atenção. Algumas pelo aspecto negativo. Não gosto da forma defensiva e pouco tolerante que as pessoas se relacionam aqui. Acho que falta intimidade, acho que os americanos são normalmente "protocolares", "by the book". Não suporto muitas questões relativas ao consumo exagerado, ao gasto absurdo e desnecessário de energia e o profundo desconhecimento que eles tem a respeito do mundo. Poderia fazer uma lista de coisas que não gosto aqui...

....mas também posso fazer uma imensa lista do que realmente admiro nesse país...

O trânsito foi o meu primeiro motivo de encantamento. Moro em Houston, cidade imensa e sem um serviço abrangente de transporte público. Os texanos amam carros, eles tem carros imensos, eles vão em seus carros para todos os lugares. Carro ocupado por duas pessoas, já é considerado "High Occupation". Eles amam estacionamentos imensos e vagas enormes... Ninguém quer ir a um lugar que não tenha vaga para seu carro.  Pensar em uma cidade assim é pensar em engarrafamentos enormes e trânsito louco, com meu "back ground" brasileiro, essa seria a conclusão lógica. Mas, não é isso que vemos...

O trânsito é organizado e as pessoas seguem as regras. Elas param no "Stop Sign" e só avançam por ordem de chegada. Se uma semáforo quebra, por incrível que pareça para mim que sou brasileira, essa regra funciona, mesmo em horário de "rush". Os motoristas não invadem sinal, não buzinam, e não ultrapassam pelo acostamento. Não acho que eles sejam bons motoristas, muito pelo contrário, acho que eles são péssimos. Tenho visto batidas tão idiotas que jamais existiriam com motoristas brasileiros. Mas, eles respeitam regras. Eles temem a punição que certamente viria após o descumprimento delas.

Eles não são superiores a nós brasileiros, mas certamente respeitam muito mais suas próprias regras do que nós. Regras criadas por eles mesmos para facilitar a vida em grupo. Quanto maior o grupo, mais regras são estabelecidades, e quebrá-las significa ameaçar toda a existência desse grupo, ou o banimento dele. Como ninguém quer ser banido ou extinguido, preferem respeitar as regras.

Quebrar regras aqui na minha cidade (Houston), significa ir preso. Sem atenuantes. A lei oferece para alguma regras de trânsito ao serem quebradas, o benefício do pagamento de multas, que são revertidas para o bem daquele grupo, mas em outros casos, a prisão e a suspensão/perda da licença é o resultado.

Percebi rapidinho que seguir regras de trânsito em Houston traz uma ótima sensação de segurança. Nunca me senti uma otária por ficar em filas esperando minha vez, porque vi motoristas impacientes serem multados logo após "furarem" uma fila. Nunca me senti ridícula por ficar presa no engarrafamento enquanto o acostamento está completamente livre, pois é fácil perceber a punição rápida pra quem comete um delito dessa ordem. Nunca me senti boba, por manter minha velocidade nos 30, 40, 50 milhas por hora, como mandam as placas, porque cada vez que alguém me ultrapassou com velocidade acima do permitido, vi minutos depois seus carros sendo parados por algum carro de polícia um pouco a frente.

Muitas vezes, no Brasil, me senti sendo punida por estar sendo correta. Muitas vezes me senti "a otária" por fazer o que mandam as regras; por muitas vezes me senti "a babaca" por fazer o certo. Quem ia pelo acostamento se "safava" de quilômetros de engarrafamento e nada lhe acontecia, enquanto que eu perdia horas por não querer fazer o errado.

Descobri morando aqui em Houston, que no Brasil, a SENSAÇÃO de IMPUNIDADE criou uma geração de pessoas que destroem a si mesmas. Elas perdem a civilidade, transformam-se em monstros. Monstros que matam, destroem, violentam e roubam sem nenhum problema com suas consciências, muito menos com  algum tipo de punição que possam vir a sofrer.

Os nossos governantes fazem isso. Os nossos políticos e juízes também. Os nossos jovens e os nossos velhos. A impunidade afeta todos aqueles que NÃO se amparam em suas consciências. Eles são deuses destruídores que ferem e matam com a certeza de que NADA acontecerá contra eles.

Precisamos dizer NÃO ....precisamos acabar com a IMPUNIDADE!!!
Precisamos dizer IMPUNIDADE NÃO!

Gostaria de acreditar que esse crime do Rio Grande do Sul será investigado com critério e punido conforme a lei, mas infelizmente, não acredito.

Ludmila Rohr









segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sensualidade a flor da pele...

O tema "Sexualidade Feminina" é o meu tema favorito. Estou nesse momento criando um site em Inglês para abordar exclusivamente esse tema. Também, escrevi um livro sobre "Como se tornar uma mulher Sexualmente adulta". Realmente gosto de pensar nesse tema e escrever sobre ele. Penso que muitas mulheres adoecem (somatizando) e vivem de forma extremamente ansiosa por negarem ou reprimirem a própria sexualidade. 

No meu entender a sexualidade é muito mais que genitalidade, ou o ato sexual em si (já escrevi sobre isso em outros posts). A Sexualidade está na vida, está no corpo que pulsa e vibra em harmonia e com confiança. A sexualidade está no amor que sentimos por nós mesmas e pelo prazer que temos em morar nesse corpo.

Posso falar de Sensualidade sob diversos aspectos, mas impossível seria falar de "Sensualidade" sem falar de "Corporalidade". Ser sensual, é sinônimo de estar em contato com as sensações corporais. As pessoas fazem uma confusão importante com isso. Associam "SER Sensual" com alguma imagem corporal específica ou a padrões específicos de beleza, à magreza e as outras condições e requisitos relativos à aparência física, normalmente impostos por revistas de moda.

Dentro desse conceito equivocado, uma mulher sensual teria que ser magra, loura/morena e linda, com peitos e bundas que se destacassem, curvas na medida..etc..Lábios grossos (última moda) e cílios longos em olhares lânguidos. Por mais que saibamos que essas mulheres lindas que vemos em revistas possuem uma boa dose de photoshop e um excesso de produção, ainda continuamos nos cobrando ser como elas. Mulheres normais, continuam se submetendo a dietas de sacrifício, a cirurgias dolorosas na tentativa de que mudarem suas aparências físicas se tornarão mais sensuais e felizes.

Conheci pelo facebook uma miss plus-size do Brasil. Ela se chama Tatiana Gaião. Ela é plus-size, ou seja, é gordinha. Ela tem carnes e curvas, seu manequim está longe dos 36-38 das modelos. Ela perto das esquálidas modelos que desfilam as fashion-weeks da vida, com certeza será julgada como obesa. Entretanto ela se parece com muitas mulheres que conheço. Ela parece com nossas amigas, vizinhas, irmãs. Ela é gordinha. Tatiana foge da "regra" de que pra ser sensual e sexualizada tem que ser magra, ela  É definitivamente SEXY. Ela é linda, auto-confiante e extremamente sensual.

Esse não é um post para falar sobre Tatiana, esse é um post para falar sobre como Tatiana lida com o próprio corpo. Como ela descobriu a sua própria beleza. Como ela se descobriu sexy e sensual, a despeito do seu peso estar acima do que os estilistas dizem que é belo. Ela é linda. E o mais importante, ela se sente linda. Impossível não perceber isso ao ver suas fotos e sua autoconfiança. 

Mas..o que Tatiana tem que as outras mulheres gordinhas abriram mão, ou acham que não tem?
A resposta é simples. Tatiana se aceita. Ela busca a boa sensação de morar no corpo que ela tem. Ela se cuida. Ela é vaidosa e não se compara a ninguém mais. Ela é única, e sabe disso. Ela descobriu que sensualidade tem a ver com sentidos internos. Que sensualidade tem a ver com a sensação que ela tem de si mesma, e não com o que o outro pensa a respeito dela. Ela descobriu que existem vários tipos de beleza, assim como diversas são as formas de prazer e de viver! Tatiana é uma mulher, que resolveu ser feliz. Ela resolveu entender que se ela não se amar, ninguém irá amá-la também. Ela resolveu colocar esse ensinamento comum a todo livro de auto-ajuda, em prática, e foi viver. Ela exala essa energia. 

Nesse momento acho que o leitor deve estar pensando que a conheço bem. Devo esclarecer que não. Nosso único contato tem sido o facebook, a vejo em fotos e trocamos mensagens pequenas. Nem lembro mais como nos tornamos amigas nessa rede social, mas ela me inspira como mulher e como psicóloga e foi extremamente generosa e corajosa de permitir que escrevesse sobre ela e ao ceder suas fotos para ilustrar esse post. Digo corajosa, porque imagino que críticas possam surgir..., mas tenho certeza que muitas mulheres se verão refletidas e Tatiana e se sentirão estimuladas a se aceitarem, a se cuidarem e despertarem seus sentidos e trazerem mais sensualidade para seus corpos e vidas.

Mulheres, não precisamos ser miss plus-size, nem modelos..., mas voces precisam concordar comigo, precisamos ser sensuais!!! Precisamos sentir que o nosso corpo é um bom lugar de se viver!!!!

Obrigada Tati...seja feliz e ..(não volte...)

Ludmila Rohr