segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Impunidade NÃO!

 Estou chocada com as imagens do que aconteceu em Porto Alegre (cidade no sul do Brasil) com os ciclistas do movimento "Massa Crítica" que faziam uma "pedalada" pedindo menos carros e mais bicicletas nas ruas. Manifestação que deveria ser marcada pela descontração, leveza e alegria. Pessoas de todas as idades. Tudo parecia que seria mais um encontro de pessoas que buscam e desejam mais qualidade para suas vidas..até que foram interrompidas por um ato de extrema violência. Foram atropeladas de forma estúpida e inesperada por um motorista violento que usou seu carro como arma e como forma de descarregar sua ira, amparado pelo sentimento de impunidade que sustenta atos dessa natureza no nosso país.

Bom..o resto acho que todos viram ...o desenrolar horrendo desse evento, provavelmente está fresco na memória dos brasileiros..., já que aconteceu na última sexta (dia 25/02), e espero que continue vivo até que se faça justiça em um país acostumado a impunidades.

Refletirei sobre CIVILIDADE e IMPUNIDADE nesse post. 
Quando me mudei para os EUA, não estava a busca de nada, muito menos querendo deixar algo para trás. Não vim morar aqui por que não queria morar no Brasil. Adorava minha vida no Brasil. Confesso que sinto falta dela. Meu marido foi transferido, então aqui estou e nem sei por quanto tempo. Já que aqui estou, decidi que ia conhecer essa cultura e esse país.

Muitas coisas me chamaram atenção. Algumas pelo aspecto negativo. Não gosto da forma defensiva e pouco tolerante que as pessoas se relacionam aqui. Acho que falta intimidade, acho que os americanos são normalmente "protocolares", "by the book". Não suporto muitas questões relativas ao consumo exagerado, ao gasto absurdo e desnecessário de energia e o profundo desconhecimento que eles tem a respeito do mundo. Poderia fazer uma lista de coisas que não gosto aqui...

....mas também posso fazer uma imensa lista do que realmente admiro nesse país...

O trânsito foi o meu primeiro motivo de encantamento. Moro em Houston, cidade imensa e sem um serviço abrangente de transporte público. Os texanos amam carros, eles tem carros imensos, eles vão em seus carros para todos os lugares. Carro ocupado por duas pessoas, já é considerado "High Occupation". Eles amam estacionamentos imensos e vagas enormes... Ninguém quer ir a um lugar que não tenha vaga para seu carro.  Pensar em uma cidade assim é pensar em engarrafamentos enormes e trânsito louco, com meu "back ground" brasileiro, essa seria a conclusão lógica. Mas, não é isso que vemos...

O trânsito é organizado e as pessoas seguem as regras. Elas param no "Stop Sign" e só avançam por ordem de chegada. Se uma semáforo quebra, por incrível que pareça para mim que sou brasileira, essa regra funciona, mesmo em horário de "rush". Os motoristas não invadem sinal, não buzinam, e não ultrapassam pelo acostamento. Não acho que eles sejam bons motoristas, muito pelo contrário, acho que eles são péssimos. Tenho visto batidas tão idiotas que jamais existiriam com motoristas brasileiros. Mas, eles respeitam regras. Eles temem a punição que certamente viria após o descumprimento delas.

Eles não são superiores a nós brasileiros, mas certamente respeitam muito mais suas próprias regras do que nós. Regras criadas por eles mesmos para facilitar a vida em grupo. Quanto maior o grupo, mais regras são estabelecidades, e quebrá-las significa ameaçar toda a existência desse grupo, ou o banimento dele. Como ninguém quer ser banido ou extinguido, preferem respeitar as regras.

Quebrar regras aqui na minha cidade (Houston), significa ir preso. Sem atenuantes. A lei oferece para alguma regras de trânsito ao serem quebradas, o benefício do pagamento de multas, que são revertidas para o bem daquele grupo, mas em outros casos, a prisão e a suspensão/perda da licença é o resultado.

Percebi rapidinho que seguir regras de trânsito em Houston traz uma ótima sensação de segurança. Nunca me senti uma otária por ficar em filas esperando minha vez, porque vi motoristas impacientes serem multados logo após "furarem" uma fila. Nunca me senti ridícula por ficar presa no engarrafamento enquanto o acostamento está completamente livre, pois é fácil perceber a punição rápida pra quem comete um delito dessa ordem. Nunca me senti boba, por manter minha velocidade nos 30, 40, 50 milhas por hora, como mandam as placas, porque cada vez que alguém me ultrapassou com velocidade acima do permitido, vi minutos depois seus carros sendo parados por algum carro de polícia um pouco a frente.

Muitas vezes, no Brasil, me senti sendo punida por estar sendo correta. Muitas vezes me senti "a otária" por fazer o que mandam as regras; por muitas vezes me senti "a babaca" por fazer o certo. Quem ia pelo acostamento se "safava" de quilômetros de engarrafamento e nada lhe acontecia, enquanto que eu perdia horas por não querer fazer o errado.

Descobri morando aqui em Houston, que no Brasil, a SENSAÇÃO de IMPUNIDADE criou uma geração de pessoas que destroem a si mesmas. Elas perdem a civilidade, transformam-se em monstros. Monstros que matam, destroem, violentam e roubam sem nenhum problema com suas consciências, muito menos com  algum tipo de punição que possam vir a sofrer.

Os nossos governantes fazem isso. Os nossos políticos e juízes também. Os nossos jovens e os nossos velhos. A impunidade afeta todos aqueles que NÃO se amparam em suas consciências. Eles são deuses destruídores que ferem e matam com a certeza de que NADA acontecerá contra eles.

Precisamos dizer NÃO ....precisamos acabar com a IMPUNIDADE!!!
Precisamos dizer IMPUNIDADE NÃO!

Gostaria de acreditar que esse crime do Rio Grande do Sul será investigado com critério e punido conforme a lei, mas infelizmente, não acredito.

Ludmila Rohr









segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sensualidade a flor da pele...

O tema "Sexualidade Feminina" é o meu tema favorito. Estou nesse momento criando um site em Inglês para abordar exclusivamente esse tema. Também, escrevi um livro sobre "Como se tornar uma mulher Sexualmente adulta". Realmente gosto de pensar nesse tema e escrever sobre ele. Penso que muitas mulheres adoecem (somatizando) e vivem de forma extremamente ansiosa por negarem ou reprimirem a própria sexualidade. 

No meu entender a sexualidade é muito mais que genitalidade, ou o ato sexual em si (já escrevi sobre isso em outros posts). A Sexualidade está na vida, está no corpo que pulsa e vibra em harmonia e com confiança. A sexualidade está no amor que sentimos por nós mesmas e pelo prazer que temos em morar nesse corpo.

Posso falar de Sensualidade sob diversos aspectos, mas impossível seria falar de "Sensualidade" sem falar de "Corporalidade". Ser sensual, é sinônimo de estar em contato com as sensações corporais. As pessoas fazem uma confusão importante com isso. Associam "SER Sensual" com alguma imagem corporal específica ou a padrões específicos de beleza, à magreza e as outras condições e requisitos relativos à aparência física, normalmente impostos por revistas de moda.

Dentro desse conceito equivocado, uma mulher sensual teria que ser magra, loura/morena e linda, com peitos e bundas que se destacassem, curvas na medida..etc..Lábios grossos (última moda) e cílios longos em olhares lânguidos. Por mais que saibamos que essas mulheres lindas que vemos em revistas possuem uma boa dose de photoshop e um excesso de produção, ainda continuamos nos cobrando ser como elas. Mulheres normais, continuam se submetendo a dietas de sacrifício, a cirurgias dolorosas na tentativa de que mudarem suas aparências físicas se tornarão mais sensuais e felizes.

Conheci pelo facebook uma miss plus-size do Brasil. Ela se chama Tatiana Gaião. Ela é plus-size, ou seja, é gordinha. Ela tem carnes e curvas, seu manequim está longe dos 36-38 das modelos. Ela perto das esquálidas modelos que desfilam as fashion-weeks da vida, com certeza será julgada como obesa. Entretanto ela se parece com muitas mulheres que conheço. Ela parece com nossas amigas, vizinhas, irmãs. Ela é gordinha. Tatiana foge da "regra" de que pra ser sensual e sexualizada tem que ser magra, ela  É definitivamente SEXY. Ela é linda, auto-confiante e extremamente sensual.

Esse não é um post para falar sobre Tatiana, esse é um post para falar sobre como Tatiana lida com o próprio corpo. Como ela descobriu a sua própria beleza. Como ela se descobriu sexy e sensual, a despeito do seu peso estar acima do que os estilistas dizem que é belo. Ela é linda. E o mais importante, ela se sente linda. Impossível não perceber isso ao ver suas fotos e sua autoconfiança. 

Mas..o que Tatiana tem que as outras mulheres gordinhas abriram mão, ou acham que não tem?
A resposta é simples. Tatiana se aceita. Ela busca a boa sensação de morar no corpo que ela tem. Ela se cuida. Ela é vaidosa e não se compara a ninguém mais. Ela é única, e sabe disso. Ela descobriu que sensualidade tem a ver com sentidos internos. Que sensualidade tem a ver com a sensação que ela tem de si mesma, e não com o que o outro pensa a respeito dela. Ela descobriu que existem vários tipos de beleza, assim como diversas são as formas de prazer e de viver! Tatiana é uma mulher, que resolveu ser feliz. Ela resolveu entender que se ela não se amar, ninguém irá amá-la também. Ela resolveu colocar esse ensinamento comum a todo livro de auto-ajuda, em prática, e foi viver. Ela exala essa energia. 

Nesse momento acho que o leitor deve estar pensando que a conheço bem. Devo esclarecer que não. Nosso único contato tem sido o facebook, a vejo em fotos e trocamos mensagens pequenas. Nem lembro mais como nos tornamos amigas nessa rede social, mas ela me inspira como mulher e como psicóloga e foi extremamente generosa e corajosa de permitir que escrevesse sobre ela e ao ceder suas fotos para ilustrar esse post. Digo corajosa, porque imagino que críticas possam surgir..., mas tenho certeza que muitas mulheres se verão refletidas e Tatiana e se sentirão estimuladas a se aceitarem, a se cuidarem e despertarem seus sentidos e trazerem mais sensualidade para seus corpos e vidas.

Mulheres, não precisamos ser miss plus-size, nem modelos..., mas voces precisam concordar comigo, precisamos ser sensuais!!! Precisamos sentir que o nosso corpo é um bom lugar de se viver!!!!

Obrigada Tati...seja feliz e ..(não volte...)

Ludmila Rohr








quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

SEM RECEITAS....

 Hoje tive um grande insight! 
Adoro quando isso acontece. Sabe aquelas sacações absolutamente simples que só a meditação produz? 
Pois é...Como meditar pra mim é estar inteira e atenta no exato instante que está acontecendo, as vezes meus insights aparecem em momentos bem inusitados. Eles são absolutamente comuns nas minhas práticas do yoga, mas também acontecem assim, como hoje.

Estava cozinhando...resolvi preparar uma sopa para o jantar. Nada planejado...só o tempero básico estava definido (cebola+alho+azeite doce) ...no mais, fui simplesmente fazendo como quem brinca de comidinha...A maioria das mulheres brincaram de comidinha quando crianças. Lá em Salvador, na minha época, chamávamos de "cozinhado". Então, fui colocando coisas..abrindo a geladeira e pegando as coisas com a panela já no fogo...fervendo.."fazendo a medida que fazia", ou criando enquanto fazia...

Voces podem estar pensando, como ela pode ter um insight em uma situação tão comum? Bom...é preciso esclarecer aos que não acompanham esse blog, que até me mudar para os EUA, eu nunca havia cozinhado nada. Nem um arroz sequer. Aprendi aqui, por conta da mudança de realidade..., ou seja, essa não é uma situação tão comum assim, mas de toda forma, essa não é uma meditação sobre cozinha, só meu insight veio a partir daí.

Percebi que me divertia fazendo aquilo...em algum momento pensei, que se eu comentasse que havia feito uma comida deliciosa, que minhas amigas me pediriam a receita, pois isso já aconteceu outras vezes, e eu não as tenho. Daí vem minha grande (ou pequena) sacação a meu respeito. Não suporto receitas. Não suporto ter que lidar com "receitas" na Vida. Não suporto ter que fazer algo que tenho uma única forma de fazer, ou uma forma já pronta. 

Percebi que cozinho da mesma forma que dirijo. Não tenho medo de me perder, ou pelo menos não tenho mais. Sempre que estou em um país, ou cidade diferente, tenho a sensação de que posso me perder, porque irei me achar. E que me acharei melhor (tem um post aqui sobre isso "Me perdendo para me achar melhor"). Sempre penso que por mais "perdida" que eu esteja, sempre estarei em algum lugar, pois não existe, o "Lugar Nenhum".

Quando cozinho de forma livre...sem receitas..qual a chance que tenho de ERRAR? Nenhuma. O erro pressupõe que exista uma única forma CERTA, mas se ela não existe, qual a chance do erro? Zero. É claro que a comida pode não ficar agradável ao meu paladar..rs..., mas isso significa que errei? Não pra mim.

Fui uma aluna diferente nas universidades que fiz (fiz duas). Nunca tinha caderno..detestava anotações...adorava ler, mas detestava e nem conseguia decorar nada. Sempre tinha alguma opinião a respeito dos assuntos, porque refletia sobre eles, mas não sabia nada decorado. Nunca conseguia decorar uma fórmula de nada. Mas..contava histórias como ninguém e tinha um poder de saber o que era importante, o que eu devia valorizar nos assuntos...nunca perdia tempo estudando coisas sem importância.  Alguns colegas diziam que eu era sortuda, pois só caia nas provas aquilo que eu havia estudado, mas eu não acredito em sorte (só quando jogo baralho)...na verdade, eu sempre tive uma noção bem legal a respeito das prioridades. É claro que me ferrava com os professores babacas (eles são muitos), professores que temem o diferente, ou que exigem que os alunos decorem as partes dos livros, ao invés de que saibam discutir ou dissertar sobre elas. 

No mundo concreto, por conta dessa minha forma de ser, acabo precisando delegar muitas coisas. Sempre tive quem cuidasse da minha agenda, quem tomasse conta do meu dinheiro, quem me lembrasse de compromissos e datas e outras coisas que não esperam que minha alma tenha "vontade" de realizar. Sempre valorizei muito as pessoas que cuidaram e cuidam de mim. Sinto uma falta imensa de Ane Rose, minha secretária/amiga no Espaço Mahatma Gandhi, clínica fundada por mim em Salvador, ela sempre foi minha fiel escudeira. Sinto falta de Nil, que sempre cuidou da minha casa pra que eu pudesse trabalhar e estudar (tudo que eu amo fazer), e é claro que sem Judson, nunca conseguiria fazer tantas coisas porque ele sempre me bancou nas minhas "viagens criativas e desprovidas de receita"....com certeza as consequências dos "erros" que fui cometendo com esse meu jeito, foram bastante amortecidas por essas pessoas...

Meu insight não é a respeito de uma forma de viver...exatamente por que não gosto de receitas...O meu insight diz respeito a "minha forma de viver a minha vida" ou sobre como cada um tem seu jeito próprio de fazer as coisas...e que se ainda não o reconheceu, deve buscá-lo urgentemente, sob pena de parecer uma cópia de alguém que nem ele sabe quem é.

Somos nosso próprio mapa. Somos nosso próprio mestre. Somos nossa própria receita. Acho que é por isso que me identifico tanto com o tântrismo. Somos únicos, esse momento é único. Nenhuma receita conseguirá reproduzi-lo, portanto...vamos aproveitá-lo e viver cada momento como o único e do nosso jeito.

Já que estou no momento das frases, vou repetir uma que define o Tantrismo.

"O que existe aqui, existe lá. Se não existe aqui, é porque não existe em lugar nenhum."

Vivendo assim, qual a chance de errarmos? Nenhuma.*

Namastê

Ludmila Rohr

*Quem lê esse blog, sabe que quando falo que não existe chance de errar, não estou me referindo a não desagradar!!!
** Para os curiosos. A sopa ficou deliciosa! Nenhuma chance de reproduzi-la. Única. Finita. Assim como a vida! Só é possível aproveitá-la sabendo que nunca mais farei outra igual, praticando o desapego e o tântrismo. Momento único.




segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

FUI SER FELIZ E NÃO VOLTO....

 Uma ex-aluna e querida amiga escreveu esse bilhetinho (da foto) para ela mesma lembrar dessa frase que escrevi aqui no blog, como se fosse um mantra, no post anterior. Ela fotografou o bilhete e me mandou... Disse que colou na cabeceira da cama pra não esquecer... Amei.

É óbvio que a frase não é minha, gostaria de que fosse, coloquei o nome do autor (o fantástico Caio F. Abreu) no post, mas ela é minha por adoção. Pois é,...adotei essa frase como minha, claro que toda vez que a menciono eu cito o nome do pai biológico, mas ela é minha por adoção. Não é roubo...pois reconheço a paternidade legítima, mas como aceito adoção como um ato legítimo,...acho que o Sr. Caio não ficará aborrecimento com isso.

Essa frase é minha e adoraria que fosse de muito mais pessoas...penso que o Caio (o pai), também amaria que muita gente a adotasse, pois assim a vida seria muito melhor para todo mundo.

"Estou me afastando do que me atrasa, me segura e me retém. Fui ser feliz e não volto." 
(Caio Fernando Abreu)

Nunca acho que o meu inimigo está fora de mim e já escrevi sobre isso, inúmeras vezes aqui nesse blog. Penso que os meus inimigos estão dentro de mim, mas coisas e pessoas do lado de fora, podem provocar em  mim sentimentos, sensações e reações que me atrasariam... É claro que um Buda não precisa eliminar os inimigos externos, ele os enfrenta, enfrentando a si mesmo; mas...estou longe de ser um Buda...ou mesmo algo próximo...sou tão humana..tenho sentimentos que nem eu mesma gostaria de ter, mas os tenho...Tenho vontade de fazer coisas, que nem eu mesma aprovo, mas reconheço que isso existe dentro de mim..

Busco a consciência desses "ventos" internos...mas, enquanto isso, enquanto não consigo ter total poder sobre eles, preciso estar ciente daquilo que não me faz bem...das pessoas e situações que não agradam a minha alma. Preciso saber me proteger daquilo que não me serve.

Meu coração, minha intuição falam alto...as vezes, apesar de escutá-los, os desobedeço...sempre me arrependo depois. Sempre. 

Por isso...quero agradecer a Vanessa que me deu a idéia linda e simples de colar esse lembrete na minha cabeceira...na geladeira quem sabe, mas nunca esquecer dele... Obrigada Vanessa...
Esse sorriso é pra voce e para todos que simplesmente não tem mais tempo para a infelicidade!!!



Sejamos Felizes...mesmo tristes ou preocupados...sejamos FELIZES!!!


P.S. Quem fizer o mesmo que Vanessa, escrever e colar essa frase em algum lugar...por favor...tire foto e me envie!!!!! Vou postar aqui...vou colecionar!!!

As fotos das frases começaram a chegar!!! Essa veio de Ana Aguiar, de Lake Jackson-TX






Essa foi Edna Santana, seguidora desse blog que me enviou!!!!











Essa veio da Bahia de Daiane Seixas!!!!











Essa foi enviada por Edineide Oliveira!! Linda não?
Essa foto que ela usou, eu também usei pra ilustrar um outro post aqui no Blog! Amei isso!!!!














Essa frase que amo tanto foi enviada por uma amiga linda que tenho do Twitter e do Facebook....ela é do Rio, ama Gatos e se chama Ana Paula Xavier!!! Amei!!!









Essa foi Simone Jamil...amiga de infância..que não vejo desde que tínhamos uns 15 anos...Estudamos juntas nosso primário, na Escola Rita de Cássia na Av. Princesa Isabel na Barra em Salvador! Boas lembranças...








Essa veio da linda Tatiana Gaião do RJ!!!
Linda modelo e miss Plus Size!










Edineide Oliveira mandou essa!!!
Em uma caneca!!!! (ela sabe que eu amo canecas)


A frente e o verso!!
Amo essa imagem!!
Essa imagem ilustra um post meu aqui no Blog!









Da linda e querida Daiana Souza (ex-aluna) de Salvador!!!

Vejam que coisa linda!!!! Não volte mesmo!!!




Da minha linda e querida amiga Deise Berleze do RS!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Os meus Mantras falam de mim! (A energia que me move)

 Hoje uma amiga me disse que eu tinha muita energia. Eu estava falando sobre os planos de trabalho e sobre os programas (shows, teatro) que pretendo fazer esse ano aqui nos EUA. Estava animadamente expondo minha excitação e tesão de viver e de fazer coisas novas!

Esse comentário causou em mim uma certeza e uma estranheza. Vamos lá. Vou refletir enquanto escrevo.

É verdade, tenho muita energia. Sempre acho que devo me envolver em mais coisas, sempre acho que poderia fazer mais coisas, sempre acho que as coisas são da minha conta, que tenho algo a dizer, a contribuir...normalmente não me eximo de dar uma opinião, de dizer o que penso, de me oferecer para fazer ou participar de alguma coisa. Entretanto, isso tem uma condição, não tenho essa energia toda incondicionalmente, preciso estar com tesão pelo que estou fazendo ou me envolvendo, do contrário sou a maior procrastinadora do mundo! 

Por isso mesmo o comentário dela me causa estranheza...Penso que a mesma energia que eu tenho, ela tem e todas as pessoas tem. A "energia" na verdade não é minha ou de alguém, é a própria energia da vida...a diferença é a forma como a movimentamos ou talvez a diferença seja que eu me permita excitar/afetar mais facilmente pelas coisas da vida. É verdade, me sinto aberta, disponível para que as coisas toquem minha alma, mobilizem meus pensamentos...meu coração! Dificilmente algo que aconteça ao meu redor simplesmente acontece, as coisas acontecem mas reverberam na minha alma..sou afetada...sou mobilizada...algo em mim se move quando a vida se move....o tempo inteiro!!! mas...e porque não seria assim com todo mundo?

Refletindo enquanto escrevo, penso que as pessoas se protegem muito da vida, por conta dos seus medos e das suas dores que deixaram cicatrizes, elas se protegem...evitam a vida...ou acham que não teriam nada a fazer, a contribuir, a dizer... Entendo isso como parte de um processo....se eu fui machucada, preciso de um tempo pra cuidar das feridas, mas não posso aceitar isso como uma identidade, como um caráter inflexível, como algo que não pode ser mudado. Por isso sou psicóloga, por isso antes de ser psicóloga sou professora de Yoga, porque acredito na plasticidade da nossa alma, assim como acredito na plasticidade do nosso corpo.

Acredito que as pessoas vão se fechando e endurecendo a alma, assim como fazem com o corpo. Cada dia que passa, a alma fica mais protegida e o corpo mais dolorido. A pessoa passa a acreditar que quanto menos ela se mover, menos dor vai sentir (alma e corpo), ela passa a acreditar que se ficar bem quietinha e imóvel a vida vai caminhar e ela vai sentir menos dores...menos sofrimento... triste ilusão.

A única coisa que realmente acontece é que o espaço vital dessa pessoa vai ficando cada vez menor, e ela vai ter cada vez menos possibilidades de se mover, de se expressar, de viver....e por consequência de mover cada vez menos, menos energia ela terá disponível. Até que ela passa a acreditar que é assim mesmo. A vida é assim. Ela apenas precisa cumprir suas obrigações. 

Triste. Muito mais triste do que qualquer um possa imaginar, porque como psicóloga percebo e sei, que basta o primeiro movimento, basta acreditar e começar a se mover...um movimento puxa o outro. A energia produzida por aquele movimento, alimenta o seguinte...e a pessoa pode entrar num giro interminável de muita energia em movimento! Que é sinônimo de prazer, excitação, alegria, poder..sinônimo da própria vida.

A chave pra tudo isso é o contato com o prazer. Já escrevi muito nesse blog sobre esse tema. Em vários posts falo sobre a minha visão tântrica da vida, sobre o quanto quero a vida inteira, que não quero nunca ser bege, que as coisas são da minha conta, sim! Voces, leitores novos, podem buscar pelos marcadores: felicidade, energia sexual, tântra, ou mesmo Ludmila Rohr (tão egóico isso!), mas...rs.. 

Quem acompanha meu blog desde o início sabe que ele nasceu em um momento de extrema dor. Abri e expus minha alma frágil e sofrida...e por isso mesmo me sentia forte e acompanhada. Senti muita dor, medo e tristeza, mas não lembro de mim infeliz ou sem energia, mesmo nos dias que eu chamava de dias "Não", que eram dias de recolhimento, de ficar quietinha e pequenininha..., mesmo nesses dias eu me sentia inteira e conectada com minha alma e meu corpo, sabia que era um momento, mas não me identificava com eles, vivia esses momentos, mas não me identificava com eles.

Tenho alguns mantras que me acompanham e já falei sobre vários aqui. Um deles é:

"Quanto maiores forem seus segredos, maior será sua prisão."

Outro muito querido é:

"Que tudo que for auspicioso permaneça comigo. O que não for auspicioso conectado comigo e com os meus, seja destruído."

Um bem tântrico, e que me lembra que a vida que existe é o hoje.

"O que existe aqui, existe lá. Se não existe aqui, não existe em lugar algum."


Tenho um mantra novo esse ano e quero compartilhar com todos que me acompanham aqui:

"Estou me afastando de tudo que me atrasa, me segura e me retém. Fui ser feliz, e não volto."
do incrível Caio F. Abreu.

Quem conhece meus mantras, conhece muito de mim e de como movimento minha energia!

Ludmila Rohr 

domingo, 9 de janeiro de 2011

Sem procrastinações!

Ano novo...decisão tomada:  não procrastinarei!
Prometo anular pendências.
Prometo a mim mesma, dar um passo de cada vez na direção do que quero.

Esse ano precisa ser um ano sem procrastinações. 
O lema será,( plagiando os Titãs) : "Só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder."

Sabe quando não existem dúvidas? Sabe quando voce se encontra em um momento de maturidade, mas que por hábitos ou por temer magoar alguém, frustrar outro alguém, ou como medo de se frustrar, ou até mesmo evitando fazer algum corte necessário que levará a alguma dor....e por isso, voce procrastina? Bom...é assim que não quero estar.

Se sei o caminho mais curto entre dois pontos, é nele que irei.
Se sei exatamente o que devo fazer, é isso que farei.
Se sei exatamente o que não quero, é isso que eliminarei.
Simples assim.
O que não me serve, não quero.
O que me serve, que venha!

Esse é um ano que não cabem desculpas, é um ano que não faz nenhum sentido colocar o pé no freio. Esse é o ano de encontrar o meu ritmo, o meu jeito, a minha forma...e seguir. Nada de especial com esse ano, a não ser a minha decisão. 

Qual o limite que a vida nos dará? Alguém sabe? Quem nos dá limite somos nós. Precisamos nos dar limites...reconhecer que somos finitos..que o tempo não está ao nosso dispor, que o tempo anda e que a vida não nos espera eternamente. 
Estamos prontos? Nunca estaremos...então, temos que estar prontos com o que temos. É esse o momento. No único tempo que existe. Agora.

Lanço-me no oceano. Lanço-me no espaço. 
Lanço-me na direção das metas. Lanço-me na direção de mim mesma.
A única coisa que certamente encontrarei diante de mim? ..O meu caminho. Então..nada a temer. Querendo ou não, terei que caminhá-lo mesmo. Então vamos lá!

Essa sou eu, reencontrando Disciplina e Vontade.
Essa sou eu, seguindo...agora sem procrastinar.

Por que tenho 3 certezas libertadoras na minha vida: 1) Vou morrer. 2)Vou errar. 3)Vou desagradar.
...e já que isso é certo, é melhor começar a andar já! 

Feliz 2011

Ludmila Rohr

domingo, 26 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo de VERDADE! *

 Nessa época do ano, são comuns as reflexões sobre o que fazer no ano que inicia, sobre as pendências, o que deixamos de fazer e o que gostaríamos para o ano novo. Em todas as revistas, jornais escritos e falados, esse será um tema de pauta. Sentimos que com a simples mudança do ano, as nossas forças se renovassem e que pudéssemos cumprir promessas e metas que não conseguimos durante o ano que está findando. É comum as pessoas buscarem ajudas nas previsões astrológicas, numerológicas ou com videntes....e é mais comum ainda, nesse período, novas promessas e metas serem feitas (ou refeitas).

De fato quando um ciclo se fecha, a possibilidade de abrirmos o ciclo que se inicia com energias renovadas existe. Podemos fazer rituais de passagem, entregando o Ano Velho, e recebendo o Ano Novo, que normalmente são rituais simples, lindos, motivadores, que trazem ânimo e renovam a esperança e a autoconfiança. Quem não os faz nas tradicionais festas de Reveillon, ou mesmo em suas igrejas, ou até mesmo sozinho? Entretanto, sem querer estragar a festa, é preciso que além do Ano Novo que está chegando, que uma pessoa nova, chegue também. Caso contrário, apenas o ano mudará, mas a pessoa continuará a mesma, e sendo a pessoa a mesma, os padrões de comportamento, os hábitos, a forma de se relacionar com a vida e com as pessoas será a mesma...então nada muda?..temo que não, ou no máximo, algumas coisas mudam por uns dias apenas..os dias que a energia de euforia e animação de Reveillon conseguir sustentar.

Então, se você realmente quer um ano novo, que dure mais que a primeira semana de janeiro, é preciso então olhar-se no espelho com muita honestidade e buscar dentro de si mesma as mudanças que quer para a sua vida. Isso é possível! Acredite, só você pode mudar alguma coisa na sua vida e para isso, as mudanças precisam vir de dentro. As mudanças externas como, um carro, o iPhone novo, corte de cabelo, uma nova cor no cabelo, são mudanças que oferecem uma energia fugaz que alimentam por algum tempo (pouco) para que você possa encarar as reais mudanças que precisa fazer dentro de si. Por que só essas são perenes, só as mudanças internas são de fato reais, e têm o poder de transformar sua vida.

O que fazer então nesse fim de ano e começo de um novo ano? Quero ajudar o leitor desse artigo a refletir sobre como realizar mudanças consistentes nas suas vidas e que correspondam aos seus reais desejos de mudança. Infelizmente não existe um manual para isso, mas existem reflexões possíveis e simples que podem promover uma motivação verdadeira para que as mudanças ocorram. Mas darei aqui algumas dicas que certamente te ajudarão a ter um Ano realmente Novo!

Pra começar, que tal se dar de presente uma autoavaliação amorosa? Experimente aceitar esse convite que estou lhe fazendo de buscar em si mesmo as energias, e os porquês para as mudanças, e os motivos para isso. Quanto aos motivos, cabe uma explicação um pouco mais elaborada. Os motivos legítimos para uma mudança devem ser seus. Não funciona mudar para agradar o outro, ou por que o outro quer isso. Muitas vezes as pessoas vão mudando tanto para agradar ao filho, marido, pai e mãe...que se transformam em algo que nem elas mesmas se reconhecem. Então, só repassando: A motivação perfeita para uma mudança tem que ser VOCE, por você e para você! Estamos entendidos?

Já que a motivação correta está clara, que tal começar por rever comportamentos velhos que você já conhece e que nunca te levaram a lugar algum? Que tal se colocar diante do espelho que citei antes, de forma honesta e tentar além de se olhar, se VER! Que tal abrir o coração de forma corajosa e esvaziá-lo das mágoas, das invejas, dos medos de mudanças verdadeiras? Que tal livrar-se do que já não serve mais para você, mas que ainda as mantém por puro apego e comodismo? Que tal se perguntar de forma corajosa, qual o seu desejo, e em seguida se perguntar o que tem feito em prol dele? Que tal abrir os olhos para o que a vida tem de real, e se disponibilizar para as desilusões?

Como assim se disponibilizar para as desilusões? Calma, quando falo em desilusão, não estou te desejando um ano de infelicidades, muito pelo contrário. Desejar um ano novo repleto de desilusões é o mesmo que desejar ter uma vida de verdade! É o mesmo que desejar uma vida livre das ilusões que nos mantém tão longe da felicidade e dos prazeres verdadeiros. A vida cheia de ilusões é uma vida de “mentirinha”, ou uma vida de “faz-de-conta”. A pessoa faz-de-conta que é feliz, faz-de-conta que está realizada, faz-de-conta que se sente amada e respeitada e assim por diante.

A vida de mentirinha é uma vida que qualquer vento pode desfazer e por isso mesmo, ela é cansativa. Manter as ilusões dá muito trabalho. É preciso um esforço permanente para cuidar que a ilusões não se desmanchem, e o custo disso é altíssimo. Pagamos a manutenção das ilusões, com a nossa espontaneidade, com a nossa naturalidade, abrimos mão de prazeres verdadeiros e possibilidades concretas de sermos felizes e nos transformamos em algo tão distante da nossa natureza, só para que as ilusões e farsas não se desmanchem. Será que vale a pena? Responda sinceramente, tem valido a pena?

Uma vida de Verdade, ao contrario da vida de ilusões, também tem dores e prazeres de verdade, mas nos oferece um chão seguro para caminharmos, nos oferece consistência. No chão seguro da realidade, podemos operar as mudanças que queremos na nossa vida, sentiremos nossos pés pisando em terreno firme, e teremos condição de caminhar com passos seguros, ao contrario das areis movediças da ilusão. Dessa forma podemos desenvolver mais autoconfiança, que é um sentimento interno que fala nos nossos Ouvidos, a partir do nosso coração, e diz: “Você pode! Acredite em você!”.

Depois das desilusões quero te desejar também uma vida que não seja “bege”!
Vamos lá, vamos entender o que é uma vida bege, ou o que é uma pessoa bege, ou que se transformou em alguém bege.
Eu chamo ter uma vida bege, aquelas pessoas que não fazem a menor diferença, elas não contribuem em muita coisa, elas são bege, ou seja, qualquer cor combina com ela, ela se adéqua a qualquer ambiente, como se não tivesse personalidade ou desejos próprios. O bege não tem desejos, quem determina é o vermelho, ou o verde, ou o preto. O bege está ali para compor. Ninguém vai sentir falta, por que ele também não se posiciona.

Não seja bege! No nosso coração, na nossa alma cabem todas as nuances das cores. Temos vários momentos diferentes e com muita variação de cor. Os nossos sentimentos e desejos determinam isso. Podemos vibrar intensamente nossa alma a ponto dela ganhar vibração e cor! Podemos sair dos tons pastel, numa boa, podemos até ter emoções com cores que não combinem muito...mas não devemos passar pela vida sendo bege!! Merecemos uma vida como uma grande tela que comporte nossas emoções, que caibam os nossos pensamentos e opiniões, merecemos uma vida em que a nossa expressão tenha um significado e uma importância. Não seja bege!

A nossa alma pode descongelar, ou sair da anestesia e vibrar! Deixar a vida de verdade entrar nela! Não dá pra viver a vida colocando os sentimentos debaixo do tapete. Voce pode chorar, rir, gozar, amar, ter medo e arriscar. Entretanto, quando abrimos a alma para os sentimentos e para os desejos, nos damos conta de que nem tudo são flores, que existem as frustrações, existem as decepções, existem as dores próprias da vida. Se você está esperando uma vida só de prazeres, comece a rever isso, pois quando abrimos ou descongelamos nossos corações, estaremos nos abrindo para SENTIR, sentir tudo que é pra ser sentido. Sentir as dores e os prazeres de ser quem você é! Isso é estar inteiro e consciente de si mesmo e conectado com os sentimentos.

A terceira e última coisa que quero desejar pra você nesse ano que começa é: RESPIRE! Isso mesmo que você está lendo: Respire! Ao inspirar abra a o peito e deixe o ar entrar com vontade! Ao Expirar deixe o ar velho sair. Faça isso, conscientemente várias vezes ao dia! A sua respiração não vai parar se você não fizer isso. Seu corpo vai continuar respirando. Eu estou falando de respirar porque quer e não apenas porque precisa! Respire profundamente querendo respirar, e descubra o imenso prazer que existe nisso!

As pessoas se assustam quando eu recomendo que respirem. Muitos clientes no consultório se espantam quando eu interrompo uma fala que está automatizada e digo: respire! Respire, e fale isso outra vez! Respire e SINTA isso! Elas reagem: “mas eu estou respirando!”, eu digo: “não, você não está. Seu corpo está respirando, mas você não está”.  Respirar possibilita o sentir!

A respiração é o melhor, e mais eficiente instrumento que temos (e de graça) para nos colocar no único tempo que existe: o presente. Quando respiramos conscientemente, nossa mente que vagueia entre o passado (depressão, melancolia) e o futuro (ansiedades), volta imediatamente para o presente. Respirar querendo respirar traz paz e quietude, nos coloca no tempo em que isso é possível, o AGORA!

O que de melhor posso desejar para as pessoas é que as desilusões se desfaçam, que as cores voltem a brilhar na sua alma, que a vida de verdade apareça, e que cada um deles possa contar com os amigos de verdade, mas que acima de tudo cada um deles possa contar com sua energia interna, com o Deus que habita seu coração, com a força que pulsa nas suas vísceras, com sua mente lúcida, determinada e assertiva...e que RESPIREM! Respirem com o peito aberto para o Ano Novo que está chegando!

Feliz Ano Novo de Verdade!
Ludmila Rohr
* Esse texto foi publicado na edição de dezembro da Revista do Yacht Club da Bahia

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Bodas de Prata

 Hoje completo 25 anos de casada com meu amor de verdade.
Sempre achei que celebrar Bodas de Prata fosse coisa de gente velha, mas cá estamos nós, jovens, inteiros e completando 25 anos de relação.


Desde menina sonhava com meu amor...ele era assim, como é hoje.
Sonhava com aquele que estaria ao meu lado a vida toda.
Sonhava com aquele que seria pai dos meus 6 (!?) filhos... (coisa de menina)
Não tinha muitas ansiedades pra namorados..pois eu sabia que o meu amor estava em algum lugar e que era certo que eu o encontraria.
Era um amor de outras vidas...com muitas histórias...
Encontrei Judson no dia e no lugar que eu achava que o encontraria.
Quando o vi passar diante de mim, disse: Vou casar com esse cara.
Namoramos...muita paixão...muito tesão...muito amor...
Não conseguia ficar longe dele...nem ele de mim..
Estávamos apaixonados..
Casamos em dois anos..eu ainda estudava..ele no primeiro emprego..ganhava mal..
mas o amor tinha pressa..
Moramos num pequeno apartamento..lá nasceu Caio...nosso bebezão lindo...
Como foi desejado..como foi amado...
Éramos tão jovens....mas estávamos tão felizes..
Todas as dificuldades que passamos, nem consigo lembrar, mas sei que existiram.
Chegou Lucas...o bebê mais lindo do mundo..enorme...tão querido..
Nossa família estava completa..
Vivemos tantas histórias nesses anos...
As histórias não são sempre lindas..são de dificuldade, de brigas, de desencontros, de dúvidas também..
mas...quando paro pra pensar...acho que em momento nenhum desses anos..tive alguma dúvida de que éramos um do outro..que nossa relação era para sempre..
Veio o câncer....veio a possibilidade da morte..e a dor...
atravessamos isso..choramos...lutamos juntos.. Amei muito mais ainda o meu amor...Vi nele um guerreiro convicto, calmo, pragmático..assertivo...
Veio a metástase...ele chorava comigo...chorávamos juntos...nossos filhos assistiam a isso!
Vencemos mais essa...
A mudança para os EUA...e estamos aqui...
Ele me apóia..ele sabe do que abri mão para estar aqui, mas fizemos essa escolha juntos..
Filhos separados...família ganhando um novo formato..filhos adultos...
Bom...25 anos de história daria um livro..quem sabe um dia o escreva..mas por hoje, quero apenas brindar!
Brindar ao meu amor..brindar ao meu casamento!
..e desejar que todos possam viver algo assim um dia!

Meu amor é um bom filho, é um bom genro, é um bom amigo, é um bom pai, é apaixonado pelo Flamengo (ninguém é perfeito!), adora ser engenheiro, é fiel, amigo, amante, companheiro...eu realmente amo meu amor!

Te amo Judson, te amo até quando voce fica horas vendo futebol na TV!
Obrigado pelos filhos lindos que voce me deu..obrigado pelo suporte incondicional que voce dá para que eu realize meus sonhos. Obrigado por sempre apostar em mim! Obrigado por sempre apostar em nós dois!

Ludmila Rohr

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Minha caverna não me mete medo....

 Sabem quando nos deparamos com a sensação de que não conhecemos as pessoas com que nos relacionamos....? É uma sensação estranha...
Sempre que isso acontece, sei que na verdade, estou ME estranhando, não estou me reconhecendo...é como se eu me deparasse comigo mesma e não me reconhecesse. 

Acredito que o outro pode me espelhar, pode falar de mim. Os meus olhos vêem o que é possível ver. Enxergam na qualidade do que é possível para mim, então o que vejo tem mais a ver comigo do que com o outro..ou com o lado de fora..

Tenho uma boa intuição...tenho antenas que são muito sensíveis..consigo perceber com alguma lucidez a dinâmica nas coisas...por que sempre me treinei pra ver os fatos em sequência...encadeados...e nunca isolados... Sempre treinei minha mente pra perceber dinâmicas relacionais...ou seja, como as pessoas funcionam nas relações e como que as relações provocam mudanças nesse funcionamento. 

Isso é bem da Psicologia Sistêmica...gosto desse olhar, pois posso perceber o que eu provoco nas pessoas, e vice-versa. Elas não são necessariamente o que estou vendo...mas elas são assim na relação comigo. Esse olhar me coloca em um lugar de mais responsabilidade, posso ver a minha parte na história. 

Bom...esse é um momento específico pra mim...muitas datas importantes estão fazendo aniversário. Faço 47 anos em alguns dias, completo 25 anos de casada também e completo 1 ano morando em Houston. Além, claro, do próprio final de ciclo quando um ano se encerra.

Muitos ciclos se fechando ao mesmo tempo, percebem? Idade, casamento, mudança pra Houston e o ano de 2010! 

Tenho uma necessidade impressionante de ficar dentro de mim. Sou aparentemente extrovertida, porque tenho uma imagem de autoconfiança e o mundo externo não me invade, sinto que eu entro muito mais no mundo externo do que ele em mim, então, sou extrovertida. Mas adoro ficar dentro de mim...adoro e preciso muito de muitas horas em silêncio e meditação... Abrir mão disso é impossível....preciso ficar quieta, ter meus momentos diários de silêncio e meditação, em que fecho os olhos pra fora e os abro para dentro. Olho pra mim...não para o que sou ou preciso ser nas relações, mas para aquilo que sou de verdade..aquilo que sou no íntimo...aquilo que realmente sou.

Gosto de me deparar com os sentimentos, pensamentos, sensações, sonhos, idéias que surgem a partir daí... Me sinto fortalecida e centrada.... me sinto no eixo e "grounded"...enraizada...Essa sensação de enraizamento é vital para uma capricorniana...preciso sentir meu chão firme, e não espero que ele seja firme externamente, como algo imóvel,  mas que eu tenha uma sensação interna de firmeza e segurança, que saberá lidar com as modulações e turbulências externas.

Gosto de meditar. Meditar é um hábito antigo...ficar em mim....ficar comigo...

Estou bem...mas a minha caverna interna tem me convidado insistentemente para que eu a visite mais e mais...
será isso uma espécie de "inferno astral" por causa do meu aniversário que se aproxima? Bom...se é isso...gosto disso. 

Definitivamente, minha caverna não me mete medo.


Ludmila Rohr

P.S. na foto com um Sadhu na Índia...Ele vive a vida tocando e meditando....





quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Mais uma vez agradecendo ao Universo feminino !

Nunca tomei conta diretamente de uma casa. Sempre fui uma administradora da minha casa, mas diretamente nunca fazia nada. Nunca cozinhei..nunca havia limpado, arrumado uma cozinha..uma geladeira...e por mais que pareça estranho pra muitas mulheres, nunca havia feito um arroz, um feijão na vida! 

Talvez vocês pensem que nasci rica...muito pelo contrário. Nasci em uma família simples. Minha mãe era professora e trabalhava em 3 empregos, os três turnos! Quase nunca estava em casa. Lembro dela chegando e saindo. Meu pai trabalhou a vida toda no Polo Petroquímico e era sindicalista, vivia em greves, movimentos sindicais...passava muito tempo fora de casa. 

Na minha casa tínhamos Candinha. Acho que nesses dois anos de blog não falei dela. Candinha era a mãe preta. Quando eu nasci, ela já estava lá. Quando eu casei....ela ainda estava lá. Ela era a sósia da minha mãe..só que preta. Ela criou a gente. Ela brigava com a gente...colocava todo mundo pra fora da cozinha o tempo todo. Minha irmã que vem depois de mim, a chamava de mãe, "mãe preta". Quando ela chamava "mãe" e nossa mãe respondia, ela dizia, "Não é voce não, é minha mãe preta!".

A "Mãe Preta" era um  personagem comum nas famílias nordestinas e nas regiões que tinham um passado em que a prática da escravidão havia sido forte. As "Mães Pretas" criavam, amamentavam, davam carinho aos filhos das brancas...e muitas vezes nem podia criar os seus próprios filhos.

Não quero aqui fazer uma crítica social, muito menos cultural...longe disso. Quero apenas render uma homenagem a Candinha. Ela foi e ainda é, muito importante para a minha família. Hoje com o olhar da Sociologia e da Psicologia Social, posso entender o que Candinha representava. Ela era pobre, preta e empregada. Morou com a gente a vida inteira. Candinha não nos deixava entrar na cozinha. Ela dizia: "Vá estudar, se voce estudar, voce paga alguém pra cozinhar pra voce!". Não era minha mãe branca quem dizia isso, era a mãe preta. Acho inclusive que minha mãe branca, tinha uma vida mais dura, que a de Candinha. Vivia trabalhando, como professora...vida dura e pessimamente remunerada, a diferença era de "status", mas nenhuma na dureza do trabalho.

Na verdade...penso que esses foram os meus dois modelos femininos na infância. As duas trabalhando muito. Cresci assim. Achando que preciso trabalhar muito e o tempo inteiro. Fiz isso. Passei a infância e adolescência dos meus filhos trabalhando o dia todo e até tarde da noite. Assim como eu tive Candinha, meus filhos tiveram as minhas queridas Deda e depois Nil, por quem terei gratidão eterna e que moram no meu coração! 

Quando vim morar nos EUA, passei por uma mudança radical. Trabalho em casa, escrevo, organizo meu livro, planejo sites e estudo o tempo inteiro. Tenho alguns grupos de Mulheres e de Respiração (que amo!!) mas nada comparado ao volume de trabalho que tinha no Brasil com o consultório e com a clínica. Resultado..tenho descoberto um novo prazer: Cuidar da minha casa..cozinhar...arrumá-la....receber pessoas...fazer almoço pra Lucas, atender as necessidades da minha família nesse nível. Sinto muita falta de Caio não morar aqui nesse meu momento, queria poder fazer uns denguinhos pra ele também. 

Acho que integrei  uma nova face do feminino em mim. Sem esquecer do meu trabalho, da minha paixão pela psicologia e pelo Yoga, mas podemos dedicar mais tempo a minha casa e a minha família, como nunca havia feito antes. Estou gostando disso, embora tenha me deparado com minha imensa ignorância e despreparo. Não sabia fazer nada. Entenda "nada" no sentido literal. Nunca havia ligado uma máquina de lavar roupas, embora sempre tivesse em minha casa. Nunca havia colocado as mãos sobre um pedaço de frango ou peixe cru. Podem rir, mas é verdade. 

...e aí que entra mais uma vez o meu sentimento de gratidão por todas as mulheres que apareceram na minha vida aqui nos EUA e que estão me ensinando sobre esse universo pra mim, desconhecido e assustador. Agradeço imensamente e principalmente a Fátima Pontes, Nanci Nascimento, Fátima Carvalho e Valéria Silveira. Mulheres poderosas que me ensinam sobre algo que parecia um terreno que jamais conseguiria atravessar.

Acho que no final de um ano posso dizer que sinto que fui aprovada nessa graduação.
Yes, I did it!!!

Meninas...quero dizer a voces: Muito Obrigado! Sou grata!
Sou grata a todas as mulheres que entram na minha vida e me ajudam a crescer!

Beijos

Ludmila Rohr

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Happy Thanksgiving, e o Rio?

 Hoje é feriado aqui nos EUA. É o Thanksgiving Day. Dia de agradecer. Acordei disposta a entrar no clima desse feriado norte-americano. Dei uma lida na história desse dia e de como ele foi se tornando um feriado importante para os estadosunidenses.

Gosto de vibrar gratidão, então pensei que seria muito fácil entrar nesse clima. A gratidão é um sentimento tão forte em mim que pensei que seria muito fácil permanecer com ele o dia inteiro.

Costumo dizer que Gratidão é o sentimento mais prazerosos para o corpo, ele é confortável. Toda vez que vibramos na sintonia da gratidão, nosso corpo relaxa e produz uma sensação confortável de prazer. Nada que pareça com a sensação corporal de um orgasmo, ou da paixão...ou mesmo até da alegria. A gratidão é confortável como um cobertor quentinho em dia de frio, ou um banho refrescante em dias de calor. As pessoas felizes, são necessariamente pessoas gratas, e as infelizes, com certeza são aquelas que não conseguem ser.

Pois é..acordei assim...tocada e conectada com essa vibração, e resolvi escrever sobre isso, até que liguei o computador e me deparei com a situação no Rio de Janeiro. Cenas chocantes, polícia, traficantes, uma verdadeira guerra ao vivo..sendo transmitida para a mundo. 

Na mesma hora, meu corpo ficou tenso..meu coração apertou...minha respiração deu uma travada..a desconfortavel sensação do medo e indignação me tomou. Indignação e apreensão..sentimentos que me trouxeram de volta pra o mundo real e duro que o Brasil vive agora.

Estou aqui tentando agradecer pela vida e pensando naquelas pessoas com seus filhos e seus velhos que moram nessas favelas agora.

Estou aqui tentando agradecer por minha mente lúcida que pode distinguir o bem e o mal, e pensando nas pessoas que estão em pânico no Rio nesse momento.

Estou aqui tentando agradecer pelos meus filhos lindos e saudáveis, e penso nas mães desses traficantes que não tiveram nenhuma chance de educá-los. Sem querer associar pobreza a marginalidade, pois marginal rico é o que não falta, assim como pessoas do bem que cresceram na maior absoluta pobreza. Entretanto, mãe é mãe. Penso nas mães dos policiais que sabem ter seus filhos em uma verdadeira guerra.

Estou aqui no meu conforto pensando em agradecer por isso e pensando nos moradores trabalhadores e do bem, que vivem nas favelas que estão sendo ocupadas pelos traficantes e pelos policiais e que são reféns dessa situação caótica.

Queria tanto hoje só agradecer...queria tanto hoje só falar de coisas lindas...do Amor, da Vida...essas coisas...mas só consigo pensar que a vida é muito dura nesse momento para as pessoas que vivem nas favelas do Rio e que torço muito para que os danos sejam os menores possíveis, e que as autoridades possam perceber que a Impunidade é o grande mal do nosso país,...com nossos políticos corruptos, com nossa sociedade rica que mantém o tráfico vivo, com a justiça lenta  que permite que criminosos estejam nas ruas... Sociedade sem educação e onde a impunidade é comum, não vai pra lugar algum!

Happy Thanksgiving!

Ludmila Rohr

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O Nó sem Fim - minha nova Tatuagem!

Essa é minha nova tatuagem: O Nó sem Fim!

Minhas tatuagens tem história, elas tem um motivo e um significado.
Essa é inspirada em um dos 8 Símbolos Auspiciosos do Budismo Tibetano, O Nó da Eternidade, ou o Nó sem Fim como prefiro chamá-lo.
Esse desenho indica a sabedoria e a compaixão ilimitadas.
Indica a continuidade da Vida.
Ele não tem começo, nem fim.
Essa é a minha linda tatuagem, pela qual estou apaixonada agora!

Falarei aqui sobre o que ela significa para mim. Não darei aulas de budismo, porque nem poderia e provavelmente um budista estudioso se arrepiará com minhas meditações, mas elas são as minhas meditações sobre esse símbolo! São minhas e sobre esse momento. Não entendam e nem aceitem esse post, como um ensinamento, por favor!!!

Bom...vamos às minhas meditações...Gosto dessa idéia de que algo que não começa do Zero. Para mim nada começa do zero. O nada, nada pode gerar! Temos sempre uma bagagem atrás que nos alimenta de alguma forma. As lutas que vivemos hoje foram alimentadas, ou iniciadas por gerações antes da nossa. Ou algo que recebemos da vida hoje, foi plantado em algum momento atrás. Gosto de pensar nas muitas gerações de mulheres que vieram antes de mim e que conquistaram tantas coisas que hoje posso fazer, realizar...gosto de pensar nisso e de alimentar uma gratidão por todos que vieram antes de mim.

Gosto de pensar a Vida como uma seqüencia infinita de começos e recomeços. Quando penso assim, entendo que nada do que fazemos fica escondido em algum canto qualquer. Esse símbolo me leva a pensar que teremos que rever tudo em algum momento, ou que reencontraremos com tudo e com todos em algumas dessas curvas da vida. Não há como fugir das nossas pendências. Não existe a menor chance de colocarmos algo debaixo do tapete e fazermos de conta que ele não existe ou nunca existiu.

Esse símbolo me lembra de que não conseguirei fugir das minhas sombras, elas virão atrás de mim em algum momento, ou elas simplesmente aparecerão diante de mim em alguma curva que a vida me levar a fazer. Esse símbolo me alerta de como é mais fácil viver de forma honesta, direta, clara, sem subterfúgios, sem dissimulações, sem tentativas de mostrar aquilo que não sou, pois a vida se encarregará de revelar...

Se toda a VIDA está girando nesse nó sem fim, não há rotas de fuga! Não há como fugir das Verdades. Não há possibilidade de fugir de mim mesma, quanto mais daquilo que preciso aprender! Se eu tento...posso até adiar a experiência, mas não por todo tempo..ela virá, em algum momento a experiência necessária chegará, e me conduzirá ao aprendizado que preciso.

Tenho algum tipo de arbítrio (mínimo) sobre o tempo, mas mesmo assim, é um pequeno poder, não é tão grande quanto eu quero acreditar. Posso arbitrar adiar uma experiência, mas nunca posso arbitrar sobre não ter aquele aprendizado, e nem posso imaginar adiar por todo o tempo que eu quiser...os giros da vida vem e nos colocam de volta ao mesmo lugar. Diante da mesma história. Talvez os personagens tenham mudado, mas os conteúdos não.

Isso não é um castigo. Os Budistas entendem como compaixão, como a suprema misericórdia, pois é a chance de nos revermos, de limparmos o que sujamos, de atualizarmos nossas experiências..de pedirmos desculpas, de reeditar algumas histórias, de fazermos o que fizemos antes, só que agora de uma forma mais decente, mais honesta, mas verdadeira, mais honrada. Isso é compaixão....a chance interminável de nos reconstruirmos. Bom, né?

Nem sempre as pessoas gostam muito dessa idéia. Principalmente quando o aprendizado mobiliza com a vaidade, com a imagem, e por não gostarem gastam uma energia imensa tentando fugir dela...ou tentado convencer a si mesma e ao outro que não tem nada a ver com isso, que aquela experiência não é sua, que ela é uma vítima de outro alguém...perda de tempo. Tudo é justo..e tudo que está no âmbito do seu "Nó", é seu! Só voce poderá viver! O que está no meu "Nó" é meu e só eu poderei viver!!! Sem vítimas, sem algozes!

Esse "Nó" pode ser entendido , pelos inconscientes, como um verdadeiro inferno...pois não há saídas..mas não é ..é justo..é na medida exata..nem mais, nem menos. Mas é um verdadeiro céu, no momentos em que estamos colhendo as frutas de boas sementes...

Transceder..precisaremos transcender! Essa é a forma de libertação...

Sobre isso, falei em um post antigo, motivado por uma outra tatuagem (essa aí) , vão lá ver!

Mas..por enquanto..tô aqui apaixonada pela minha nova tatuagem, e encantada com a vida.  encontrando as boas sementes (méritos) que plantei em algum lugar na minha vida e as sementes não tão boas assim..que também plantei! Tudo justo...tudo meu! Não há nada que colho, bom ou ruim que não tenha sido gerado por mim mesma em alguma curva desse NÓ!

Sem queixas vou colhendo meus frutos!

...e como me sinto feliz e em paz...devo ter plantado coisas boas por aí!

Namastê

Ludmila Rohr


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Minha alma está chegando....

  Estou de volta ao Texas após cinco semanas em Salvador. 
A demora em escrever um novo post, já que escrevo regularmente toda semana, é que minha alma estava a caminho...ela não chegou junto com o meu corpo. Como sempre escrevo com a alma, ficou impossível escrever enquanto ela não chegava...

Fico uns dias como se estivesse pela metade, incompleta, faltante, sem muita energia...É como se eu estive em um espaço paralelo, nem lá, nem cá. No limbo. Não tem desconforto, mas também não é confortável. Sensação sem nome, mas se tivesse uma cor, seria Bege. Não me reconheço quando estou assim, pois posso ser tudo, menos bege...entretanto, tenho meus dias bege...

Então, fico pacientemente esperando a alma chegar. Ela tem seu tempo...ela não vem de avião...ela vem com o vôo dos pássaros, ou vem montada num lindo cavalo, ela vem com os ventos...e vai chegando..Respeito esse tempo. Não me cobro muita coisa, pois fico lenta e mais contemplativa que normalmente já sou. Espero pacientemente pois adoro ver que o tempo tem vários giros ao mesmo tempo. É como se vários relógios em ritmos diferentes, girassem dentro de mim ao mesmo tempo...e, é assim mesmo.

Nos meus últimos dias em Salvador tive um encontro com o Lama Padma Samten, encontro inesperado, que mexeu bastante comigo, que resignificou essa minha estadia em Salvador. Entendi que eu estava ali, para ter esse encontro. Eu não tinha a menor idéia de que iria ver o Padma Samten até uma semana antes de voltar. A produção dele, ligou pedindo espaço no Salão do Mahatma Gandhi, para um palestra do Lama que estaria lançando um livro. O horário que eles precisavam, seria da minha última palestra em Salvador, da minha despedida. Não pensei um só instante..entendi que era o Lama que deveria estar lá. Sinto no meu coração que é sempre uma grande honra e mérito receber um Lama em minha casa, e ele veio.

O tema da Palestra e do seu novo livro é "A Roda da Vida". Esse é um tema do Budismo que me ensinou muito como  viver e aceitar os ritmos da vida. Aliás, o budismo é pra mim um manual simples e claro da psicologia do bem viver. Sem grandes surrealidades, o Budismo fala de coisas óbvias, e que de tão óbvias não costumamos enxergá-las. O Budismo fala da vida real, desse momento agora, e de como encontrar PAZ. O Budismo é um Manual de Encontro consigo mesmo e por consequência, com a Paz.

Ouvir o Lama mais uma vez foi um presente, creio que foi um mérito. Receber o olhar amoroso dele me alimentou. Receber alguns abraços carinhosos me tocaram na alma. Lembramos que ele esteve pela primeira vez no Espaço Mahatma Gandhi há 14 anos atrás!

Estou em Houston mais uma vez, é aqui que eu moro, é aqui que tenho que girar minha Roda da Vida agora, é aqui que tenho que exercitar o Amor e o Desapego. É aqui que tenho que ser feliz. Isso não me assusta, muito pelo contrário. Gosto de estar aqui e gosto das possibilidades que existem pra mim nessa terra. Gosto da minha casa, gosto do tempo que tenho para escrever, para trabalhar criando, imaginado...tendo idéias.. Realmente gosto de estar aqui. Quando chegar o dia de ir embora daqui, vou feliz também..vou ao encontro de novos amigos, novos aprendizados, novas experiências...

...mas por enquanto....só aguardo minha alma chegar...sinto que ela já está quase toda em mim...mas, paciência..ela vem com tempo e eu, apenas contemplo.

Namastê

Ludmila Rohr

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Quem é o povo brasileiro?

 Essa semana foi diferente. As eleições aconteceram..eu não votei, já que transferi meu título para Houston..fiquei de camarote vendo as coisas acontecerem, e não gostei de muita coisa que vi. Isso não tem nada a ver com o resultado das eleições. Não acredito em políticos. Nem ao menos acredito no "poder" deles... Sempre acreditei no povo..nas pessoas... 

Não suporto política e nunca achei que mudança alguma em um país se desse por causa de um político ou outro, ou mesmo graças a um partido ou outro. Acho que as mudanças sempre acontecem a partir do povo, os políticos apenas as reconhecem. Daí a minha tristeza.

Dilma sendo eleita, ou se Serra tivesse sido, para mim, (acreditem) não fazia a menor diferença. Nunca me dei ao trabalho de analisar as propostas de  nenhum dos dois. Podem me chamar de alienada, mas é verdade.

Eu gosto de pessoas. Sempre olhei mais para as pessoas, do que para seus discursos. Sempre olhei e acreditei mais no que seus corpos falavam, do que nas suas falas. Sou psicóloga...e tenho o vício de tentar ver as pessoas através dos seus movimentos corporais...do tom da sua voz, do brilho dos seus olhos.. E na campanha, nos debates..nenhum dos dois se pareciam pessoas, eram personagens, eram algo estranho...menos pessoas..então, não votaria em nenhum dos dois.

Entretanto a campanha presidencial revelou um povo com um comportamento cruel, xenófobo, racista, maniqueísta, homofóbico, preconceituoso, esperto (no pior dos significados), um povo disposto a pisar no seu igual...triste...muito triste...

Lembrei daquele livro..O Senhor das Moscas, em que amigos se transformam em inimigos por causa da sua sobrevivência e perdem a humanidade, lembrei de guerras recentes no leste europeu em que pessoas que antes eram vizinhos amigáveis, viraram inimigos por causa de suas diferenças étnicas. Pensei em como podemos ser sombrios e cruéis quando nos sentimos ameaçados.

O mesmo pessoal que reclama de roubalheiras no governo, de corrupção e tudo mais..é o mesmo que queria matar nordestinos, que acusou Dilma de ser "lésbica" (como se isso fosse uma ofensa), que se comportou de forma religiosa-fanática,.....É o mesmo povo que fura filas no trânsito, que invade sinal vermelho, que não respeita a faixa de pedestre, que dirige após beber, que não se intimidaria em não pagar impostos corretamente, que não se intimidaria em se apropriar do que não é seu se pudesse, que descuida dos idosos, dos animais, da natureza...Esse povo que "ESPERA" que algum governante resolva seus problemas, de fato não se enxerga de forma adulta, não percebe sua participação pessoal no estado que o Brasil se encontra.

Por isso, meus queridos conterrâneos, pra mim não interessa quem irá governar...por que seus governados serão os mesmos..e assim que tiverem chances de "se dar bem" , o farão! 

Adoro ser brasileira, nasci e vivi aqui minha vida toda...mas tenho vergonha da "esperteza" que faz parte da nossa cultura. Se tem um ditado popular que ODEIO e que descreve tanto essa característica do brasileiro é:  "Farinha pouca, meu pirão primeiro."

Enquanto pensarmos assim, nunca teremos como mérito, um presidente como o Mahatma Gandhi. Teremos que nos contentar com o reflexo do que somos e temos sido, pois isso é o que os nossos governantes são!

Ludmila Rohr