
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Mudando para os EUA!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Parabéns meu amor!

Ludmila
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Dançando....mudando...libertando....

domingo, 11 de outubro de 2009
Símbolo de Poder e Liberdade!
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Sexualizando....
Quero continuar a refletir sobre desejo.domingo, 4 de outubro de 2009
Desejando............sem culpa?
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Me traindo....

Ludmila Rohr
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Despedida do Coração do Ventre!

Sou grata ao meu útero por isso. Uma grande parte do meu poder, é um poder uterino, é visceral!!!
Namastê
Ludmila Rohr
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Notícias e um tempo para a alma...

Fomos a São Paulo. Estivemos com a médica que tratou Judson do 1º câncer e com o médico que o operou da metástase, Dra. Angelita Habr-Gama e Dr. Joaquim Gama. Eles são muito bons. Nos oferecem um tratamento absolutamente digno. Nos sentimos respeitados e atendidos com eficiencia. É muito fácil confiar no que eles dizem, eles passam tranquilidade e segurança no que estão fazendo. São além de médicos, pesquisadores, cientistas. Em nenhum momento nesse 1,5 ano senti nenhum tipo de insegurança com eles, ou a respeito deles e do que eles nos propunham em termos de tratamento.
Deu certo.
Ele fará, durante um ano, revisões de 3 em 3 mêses, que passarão em seguida para de 6 em 6 mêses...e ...enfim..continuarão tendo seus espaços dilatados até completarem 5 anos, quando o paciente de câncer é considerado em remissão.
Não se fala em cura, mas em remissão.
Tenho me perguntado quais os sentimentos? O que tenho sentido nesse momento?
Não sei.
Às vezes um alívio..porém, às vezes me pego tensa como se ainda tivesse que viver uma próxima quimio na semana seguinte...às vezes nem lembro que tivemos um notícia boa assim...de verdade ainda não consegui ficar alegre. Queria tanto...mas acho que minha alma tá assustada ainda...assim meio desconfiada...sabe como alguém que esteve na prisão e que não confia muito na liberdade? Parece que uma parte da minha alma, da minha energia...da minha vida..esteve aprisonada..e agora tem que se acostumar com o brilho do sol..com o vento no rosto...com a vida!
Já me peguei desejando mais uma quimio...só mais uma, por favor! Como se ela fosse me salvar de algo...já refiz as contas das quimios...fico achando que a clínica contou errado e ainda falta uma...! ai..e se eles estiverem errados? e se ainda faltar uma?
Bom...acredito na cura da alma, sou terapeuta..cuido de almas feridas. Mas acredito que o tempo da alma é um tempo próprio...e que talvez a alma demore mais a se curar que o corpo.
Minha alma vai se curar, mas preciso de um tempo....
Sou grata a vibração e companhia, que recebemos, durante todo esse tempo, de todos!
Namastê!
Ludmila Rohr
domingo, 13 de setembro de 2009
A última!

Judson fez o último ciclo de quimioterapia. A sensação que tenho é que esse ciclo foi o pior de todos. Muita prostração, enjôos, fraqueza, muitas dores...inapetencia..simplesmente horrível..
É tão ruim que não conseguimos ainda nos dar conta de que é o ultimo ciclo!!
ou talvez seja tão ruim exatamente por que é o último ciclo!
Bom..Já vivemos esse momento no ano passado. Fizemos a última quimio e celebramos muito. Jantamos, brindamos, viajamos..., mas o câncer apareceu outra vez e nos assustou muito. Talvêz estejamos com medo de celebrar...
Essa é uma doença que não machuca só o corpo, e não machuca só aquele que ela acomete...ela machuca a alma, e a todos que estão por perto. O câncer modifica a nossa relação inteira com a vida. As nossas prioridades se transformam..os apegos precisam ser trabalhados...muitas coisas ficam pra trás..outras ganham importancia...
Não farei ainda uma avaliação do que o câncer me tirou, nem do que ele me trouxe...ainda é cedo pra isso..., mas quero hoje apenas sentir que vencemos uma etapa importante. Quero abrir meu coração e agradecer à vida por estarmos aqui, juntos nessa luta que não escolhemos lutar, mas que estamos conseguindo lutar...batalhas duras, dolorosas...muito dolorosas..
Quero poder sentir alegria, mas não é uma alegria muito simples de ser sentida, pois Judson está muito mal, enquanto eu escrevo sobre esse momento...ele está há 5 dias sem praticamente comer nada, com muitas dores que o impossibilitam de sair da cama, com perda de sensibilidade nas pernas e mãos, enjôos, prostração...mas, ele conseguiu!
Não sei se sinto alegria ainda, mas sinto um orgulho enorme! Ele é o meu marido..o meu amor..o pai dos meus filhos..e é um guerreiro...que nunca se queixou de nada esse tempo todo...NUNCA e NADA! Nunca se queixou de nada!!! é verdade! Ele foi sempre corajoso, quieto nas suas dores e nos seus medos..mas sempre corajoso e focado. Estamos nessa luta há 17 mêses...e ele é um vencedor.
Ainda não consigo ficar alegre..mas consigo sentir um orgulho muito grande. Uma sensação de missão cumprida...de que a maratona está no fim...ainda não dá pra celebrar, por que estamos exaustos, mas dá pra sentir que conseguimos...e isso é tudo nesse momento.
Namastê
Ludmila Rohr
domingo, 6 de setembro de 2009
Não gosto de praia...adoro o mar!
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Meu trem sairá às 05:53h
sábado, 29 de agosto de 2009
Eu e minha mãe na Alemanha!!!!
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Himalaya sob os meus pés...

sábado, 22 de agosto de 2009
Minha voz pela liberdade

sábado, 15 de agosto de 2009
Eu sou V.I.P.?

sábado, 8 de agosto de 2009
Entre netos e cachorros...

domingo, 2 de agosto de 2009
Uma Declaração de Amor!

Sou muito amada também...adoro isso!
Temos uma relação normal, brigamos, discordamos, temos os estresses naturais de um casamento...aliás, acho o casamento um grande destruidor dos amores...mas o nosso tem resistido até ao casamento.
Judson é um super companheiro. Sabe das minhas dificuldades e me ajuda. Eu também sou uma super companheira.
Estamos do lado um do outro.
Nos respeitamos como individuos. Mantemos nossas individualidades, nossos interesses particulares, e precisamos fazer isso, já que somos tão diferentes.
Hoje, quero fazer uma declaração de amor. Ele estava viajando, fora de casa por 15 dias. Entre uma sessão de quimio e outra, viajou a trabalho para os EUA. Acho isso lindo. Manter a vida correndo o seu curso... continuar aberto pra vida sempre..
Ele é corajoso, determinado, disciplinado...acho lindo alguém que ama o seu trabalho..eu amo, ele também! Nossos trabalhos sempre foram prioridades para ambos, então sempre há compreensão de ambas as partes, sentimos o mesmo em relação ao trabalho!
Hoje quero apenas dizer do quanto sou feliz de tê-lo como amigo, marido, pai dos meus filhos, amante, companheiro....
Hoje eu quero dizer para todo o Universo, que sou feliz por ter vivido esse amor, por ter sentido a vida toda que ele era importante pra mim...e não só quando o câncer ameaçou isso...nada a me queixar...amei muito, sem economia...e fui amada, sem economia...amo e sou amada!
Amanhã ele estará em quimio outra vez...mas hoje não. Hoje ele é o meu amor, inteiro pra mim.
Como sou muito clichê, hoje tenho só uma simples declaração de amor pra fazer!
Judson, te amo muito e, te amar me faz muito bem!
Namastê
Ludmila Rohr
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Caminhar Juntos

Aprendi também nesses anos, que quando uma pessoa ajuda a outra, nesse momento está sendo ajudada também. Minhas ilusões a respeito de que fazendo aquilo eu seria uma pessoa boazinha, caíram por terra imediatamente quando percebia a cada atendimento do Plantão da Fraternidade, que podiam ser pela madrugada, sábado, domingo e feriados, em que eu saia tão feliz, tão alimentada. Descobri muito cedo que na verdade eu me ajudava, quando ajudava alguém. Eu me alimentava na alma, quando escutava as dores da alma de alguém. Aprendi que quanto mais dou, mais recebo. Essa é a única forma de aprendermos sobre Generosidade e Fraternidade.
Descobri que a fome maior vem do isolamento, e a minhas duas maiores descobertas foram:
"É dando que se recebe" e "Amar é mais importante que ser amado".
Nunca me senti perdendo nada quando eu estava dando. Nunca me senti mais rica, do que quando eu estava tirando de mim para dar a quem mais precisasse. Nunca me senti mais preenchida de amor, do que quando eu estava amando.
Amar vale a pena. Sempre ganhamos quando amamos.
Com a doença de Judson tenho entrado em contato com dores que não conhecia, pessoas que não conhecia, e por incrível que pareça chegam pra mim pessoas que estão com câncer ou têm parentes com câncer também no consultório.
Acho que no momento que entro num caminho, não fico sozinha. Aparecem outras pessoas que eu posso ajudar, e que vão caminhar comigo, e me farão companhia. Um empurra o outro. Um puxa o outro. Um dá suporte ao outro.
Uma amiga me disse, que eu devia evitar tanto envolvimento, me perguntou porque eu estou me martirizando? Disse que me envolver com essas pessoas iam me deixar mal. Nunca senti isso. Desde que tornei pública a luta de Judson, só encontrei pessoas que me ajudassem, caminhando comigo, não me deixando sentir solidão nunca. Com elas falo a mesma linguagem, o mesmo idioma, me sinto tão entendida..acho que ninguém que não tenha vivido isso poderia me entender tão bem! Não sei como isso pode ser um martírio.
Essas pessoas que parece que estou ajudando, é que na verdade me ajudam. Elas me tiram de qualquer possibilidade egoísta de me fechar em mim mesma, ou de ter pena de mim mesma.
Não me sinto fraca diante de alguém que luta contra o câncer, muito pelo contrário. Pessoas que lutam, que fraquejam, que querem desistir, que adorariam poder desistir, mas não conseguem. Pessoas com muitas chances, pessoas com poucas chances, mas que lutam, e são vencedoras..
A grande derrota é não lutar. A grande derrota é aceitar simplesmente sobreviver. A grande derrota é passar um dia após o outro sem valorizar o poder que nos foi concedido de sermos vencedores!
Quero muito ouvir esse pai com sua filha que está com câncer. Quero muito descobrir por que eles me procuraram, o que eu tenho pra dar. Quero muito caminhar junto com cada vez mais pessoas, dando as mãos, caindo e levantando...é assim que eu quero, é assim que eu sei!
Namastê
Ludmila Rohr
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Isso é bom ou ruim? Mente contemplativa!

Essa é uma questão importante, pois a partir de como compreendemos a forma como nos ligamos às "coisas", poderemos entender também os nossos apegos e aversões.
Segundo Buda, nada por si só teria a característica de ser bom ou ruim, mas que a forma como nos ligamos a elas sim, faria toda a diferença.
Milhões de pessoas não vacilariam em afirmar que ganhar um prêmio de loteria milionário é algo muito bom. Tenho lá minhas dúvidas, sei de casos de pessoas que tiveram suas vidas destruidas pelo excesso de dinheiro, que perderam amigos, família e que foram até assassinadas. Mas isso nos levaria a pensar que ganhar esse prêmio é algo ruim? Também não. Sabemos de inúmeras histórias de pessoas que conseguiram transformar suas vidas após um prêmio desse. Não só as suas vidas, mas da sua família, amigos, sua comunidade, etc. Então isso é bom ou ruim?
Perguntaram certa vez numa comunidade de câncer, se ter tido câncer foi bom ou ruim? Foi um alvoroço...pessoas ficaram indgnadas e ofendidas com a pergunta, outras falaram dos benefícios que o câncer havia trazido para suas vidas...Bom não consigo pensar que o câncer é algo bom. O câncer pra mim é uma praga, é um limão muito azedo, é algo doloroso e assustador, mas apesar disso, acredito sim, que a ligação que faremos com ele pode ter várias qualidades diferentes.
Tenho desde os 16 anos a prática de meditar, não exatamente de sentar e fechar os olhos, embora faça muito isso, mas tenho a prática de olhar a vida e as coisas com a MENTE CONTEMPLATIVA, que é uma qualidade da nossa mente que é absolutamente oposta à mente habitual que normalmente é discriminativa, que normalmente está julgando, comparando, criando aversões e paixões, e com isso gerando sofrimento.
A mente contemplativa é uma mente que não julga, apenas vê, apenas contempla, escuta, sente, mas não discrimida, se é bom ou ruim, se é pior ou melhor, se estou ganhando ou perdendo, se sou maior ou menos....essas são habilidades imbecis da nossa mente sofredora. A mente contemplativa apenas observa, ela não sabe o que é bom ou ruim, pois ela sabe que as duas respostas são possíveis...e porque isso vai depender não do fato em si, mas de como nos ligamos ao fato, às coisas.
Então conheço pessoas que tiveram ou estão com câncer e que estão se descobrindo como pessoas melhores, estão descobrindo forças que não sbiam que tinham, estão encontrando amigos, aprendendo a abrir o coração....elas estão fazendo algo muito bom com o câncer, a ligação é muito positiva, mas isso faz do câncer algo bom? certamente não. Essas pessoas se ligaram de forma positiva a ele e conseguiram fazer desse limão uma limonada. Conseguiram transformar DOR em AMOR.
Enquanto outras passam muito tempo reclamando, sentindo-se vítimas injustiçadas, chegam a perguntar porque Deus não deu uma doença dessa a um assassino? A forma como se ligaram ao câncer foi essa. Negativa e vitimizada.
Acho que existe estudos que mostram que os positivos vencem mais essa batalha, mas isso não tem a menor importancia pra mim, pois não consigo pensar na morte ou na não-morte. O importante é pensar na vida. O quanto estamos infelizes agora, nesse dia. O quanto estamos felizes agora, nesse dia. Isso depende de mim, depende exclusivamente da forma como eu me conecto às coisas, aos fatos, porque eles por si só não são nem bons, nem ruins.
A mente contemplativa é a única liberdade possível, com ela nos liberariamos das prisões que nós mesmos nos encerramos, a prisão imbecil da comparação, que nos leva ou para a vaidade de ser melhor, ou para a inferioridade de ser menor, pior, menos. Ambos são lugares aprisionantes.
A mente contemplativa que a meditação nos oferece, nos tiraria dos apegos, pois eles são gerados pela paixão e pela aversão. Tudo que eu temo perder (paixão), e tudo que luto para evitar (aversão), esses são os meus grilhões, são os cadeados que me mantem prisioneira de mim mesma!
A Mente Contemplativa observa, livre, independente....sabe que tudo tem um sentido...que nada é bom ou ruim, que a perfeição está em tudo, que só existe o presente...ela é livre, e isso é felicidade!
Namastê
Ludmila Rohr
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Não sejamos sobreviventes!!!!

Ludmila Rohr
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Como uma bola de neve...

...vou me envolvendo...
quarta-feira, 8 de julho de 2009
A Verdade sempre está....
O que fazer quando tenho dúvidas se devo ajudar alguém ou não? quinta-feira, 2 de julho de 2009
Vivendo a noite escura... sem resistir....

Assim eu sinto!
Judson na segunda fez quimio, quase que não consegue fazer, por causa dos benditos leucócitos que ainda estavam abaixo do mínimo. Fez. Passou mal, quase desmaia, vomitou, e teve febre! A febre é um fantasma pra quem está em quimio...ela não pode acontecer...febre significa infecção...leucócitos baixos significa baixa imunidade...péssima combinação...dias difíceis...
Nada a ser feito!
Esperar com serenidade e sabedoria. Só temos que esperar...
Acredito que tudo que aprendi na vida até hoje, me preparou para momentos como esse. A não-resistência é um grande aprendizado. Simplesmente poder estar, onde devo estar. Deixar a minha mente e o meu coração onde é possível estar. Não brigar com isso.
Nesse momento, não a há nada a ser feito, a não ser esperar. Esperar a "noite escura" passar. Esperar com serenidade...e isso não significa, sem dor...mas com serenidade. Eu posso fazer isso.
Sei que posso fazer isso, porque o que tenho uma certeza inquestionável dentro do meu coração. É uma crença inabalável. Sei que as noites tem um tempo de durar. Elas, assim como tudo na vida, não são eternas. São impermanentes, são finitas. Então, basta esperar!
Outra crença inabalável na minha vida, e que me ajuda nessa espera, é que depois de cada "noite", tem um "dia de sol"...eu sei disso. Sei porque nunca perco o contato com esse "Sol interno"...ele é perene...brilha sempre...mesmo quando estamos na noite...ele só está no meu outro lado...esperando a vida virar de novo...
Sei que preciso estar com a minha mente e o meu coração, no mesmo lugar onde meu corpo está. Isso me protege das ansiedades tão comuns quando nos deslocamos de onde temos que estar... e nos repartimos..nos fragmentamos. Isso aprendi com o yoga e com a meditação.
Outra coisa que aprendi faz tempo, é que a mente precisa estar no único tempo que existe, e que é esse que vivemos. Não devo estar no futuro, nem no passado. As ansiedades nascem assim. O tempo é o presente.
Bom, nessas "noites escuras", preciso apenas estar inteira. Com os medos que surgem e desaparacem. Com a perdas e mudanças que precisam ser feitas. Desapegando daquilo que na arrogancia humana havia programado...e esperar....o dia virá...e enquanto não vem....que a noite seja uma energia feminina de transformação que me envolve...não lutarei contra ela.
Recebo a noite no meu corpo e alma....e me despeço dela....tá na hora do Sol brilhar outra vez!
Namastê
Ludmila
domingo, 28 de junho de 2009
Tratamento digno

Alguém uma vez, em uma comunidade de câncer, perguntou se o dinheiro vence o câncer, e eu respondi nesse debate que não. Continuo achando que o dinheiro não vence o câncer. Acabamos de ver a Farrah Fawcett morrer depois de uma luta contra o câncer que envolveu muito dinheiro. Ela se tratou com o que existia de melhor....e não conseguiu vencer essa doença horrorosa. O Câncer não tem cura. Muitas pessoas conseguem se livrar dele, por toda a vida e morrem até de outras coisas..mas se o câncer tivesse cura, todos seriam curados.
Bom..mas a questão dessa minha reflexão hoje é sobre dinheiro e câncer. Qual a diferença quando se tem uma assistência decente como a que meu marido vem tendo e a da realidade contrária? Aliás, o que é isso? Apesar de que sempre soube do quanto o nosso Sistema de Saúde Pública é ofensivo e assassino, e o quanto ele mata, pelo descaso com a vida e dignidade das pessoas, mas depois que me aproximei, fiquei estarrecida com o descaso. A realidade de muitos convênios particulares de saúde não é muito diferente.
Ontem ouvi de uma pessoa no chat que participo, contar que quando descobriu o tumor, ele estava com 2cm, os exames e tratamentos demoraram tanto para serem liberados (pelo convenio!) que quando iniciou o tratamento o tumor estava com 8cm! Fiquei horrorizada.
A nossa ministra descobriu o seu tumor bem no início, iniciou o seu bem sucedido tratamento imediatamente. Até aí, tudo bem! Mas ela foi pra TV alertar que os brasileiros que façam seus exames preventivos regularmente, que se cuidem, que o tumor descoberto no inicio é mais fácil ser vencido... bla, bla bla...parece uma piada de mau gosto pra quem luta meses pra conseguir uma consulta!
Senti como se a ministra, nessa fala, desse tapas na cara de todos que estão lutando bravamente, pra conseguir uma tomografia, brigam com convênios que pagaram a vida toda pra conseguirem uma cintilografia...pet scan, nem pensar...juntam dinheiro, para fazer, dividem no cartão em seis vezes...quem pode..., por que uma parte imensa do nosso Brasil, verão seus filhos, pais, amigos, irmãos, mortos sem conseguir um tratamento adequado! O que a ministra recebeu está certo, queremos apenas as mesmas chances.
E quando se está em tratamento, mas sabendo que existem tratamentos mais modernos. Que aquele que voce está sendo submetido é ultrapassado? Vejo as pessoas, perguntando quais drogas estão usando? Quando falei que meu marido usa o Avastim, alguns lamentaram que seus plano não cobriam! Como tratar um filho, um pai, um irmão ou a si mesmo sabendo que existe coisa melhor? E quando os Hospitais entram em greve, e adiam sessões de radio ou quimioterapia?
Farrah Fawcett para quem não lembra foi uma das Panteras na TV nos anos 70-80. Ela morreu no mesmo dia do Michael Jackson e por isso sua morte não teve nenhuma repercussão, mas ela lutou muito. Sofreu muito nessa luta, e expôs a sua luta com muita dignidade e bravura ao mundo quando gravou um documentário sobre o seu tratamento. Essa doença é uma estupidez para todos, para quem tem dinheiro e pra quem não tem, mas certamente ela fica uma luta menos injusta quando sabemos que estamos usando todas as armas disponíveis.
A ministra Dilma pode até pensar que o brasileiro é relaxado e displicente com a saúde, e que ela não foi e por isso ela vencerá a doença. Ela pode até querer acreditar que esse é um mérito dela, e que os brasileiros são preguiçosos e irrsponsáveis com a própra vida. Sem desmerecê-la na sua luta, pois acho que o tratamento do câncer é horrível para todos, mas tentando honrar os pais e filhos que lutam por um exame no SUS ou nos seus convênios, preciso dizer que fiquei muito ofendida.
Farrah Fawcett morreu. Ivan morreu. Lili morreu. O pai da Katy morreu, o marido da Élida, da Rai morreram. Jaqueline resistiu, Silvia resistiu, Fefa resistiu, a Cris também... Day está lutando, Otávio, Carin, Judson, a mãe da Criss, da Gabi e da Dani, o pai da Patsy, Marcelo estão lutando......tantos lutam....uns sucumbirão outros não, mas todos são vencedores nessa luta contra um inimigo que parece imortal.
Farrah Fawcett tentou mostrar ao mundo o quanto essa doença é cruel. O quanto que as pessoas que a encaram já são vencedores e heróis. A luta da pantera, assim como a do meu marido e dos meus amigos é heróica. Não precisamos de ninguém contra nós, nem convênios, nem SUS...o nosso inimigo já é o bastante. Precisamos só saber que estamos entrando nessa luta com as chances possíveis de vencer, e que nada nem ninguém será contra nós. Que seremos respeitados e instrumentalizados para essa guerra. Que nada do que já existe para vencer esse inimigo, nos será sonegado. Só isso.
Quero dizer aos meus amigos que fico muito honrada em participar dessa luta ao lado de vocês. Vocês são merecedores de toda a minha admiração!
Namastê!
Ludmila
terça-feira, 23 de junho de 2009
um dia "Não".... pelo menos até agora....

Claro que não ficaremos aqui chorando ou lamentando, mas não podemos também fazer de conta que nada aconteceu. Mas o que é pior nessa notícia é que as taxas do exame de sangue estejam baixas... é se dar conta de qua algo acontece no nosso corpo sem que tenhamos nenhuma percepção e controle sobre isso. Ele se sente bem...nenhum mal estar...vai fazer a quimio sem nenhuma sensação de que algo poderia estar errado e no entanto, está.
Segundo as pessoas que estão em tratamento semelhante isso é comum...isso acontece...e não é o acontecido que estou questionando, mas sim a nossa total falta de controle e de conhecimento a respeito do que nos acontece. Sabemos muito pouco sobre nós mesmos...que coisa...!
Assim que começo a eleborar essa notícia, me deparo com outra bem pior... IVAN morreu. Assim como muitos dos amigos que fiz nesse ano, ele mais um que eu só conhecia pela internet. A prima dele me escreveu avisando...fiquei em choque. Falei com ele ontem! Não é possível!
Ivan era um rapaz...recem formado em Psicologia, morava em pernambuco...e estava lutando contra a recidiva de um tumor...esteve bem deprimido quando descobriu que o tumor tinha voltado, mas nesses últimos dias estava engraçado, conversando...animado...Ontem ele me escreveu e ontem ele morreu! Como posso acreditar nisso? Ele me disse que estava lendo o meu blog e estava gostando muito....! ele morreu...
Bom...uma notícia dessas deixa a todos muito abalados. Aqueles que têm fé em Deus, se agarram nele. Eu que acredito que a vida sempre está certa, que eu não sei de nada...e que apenas tenho que lidar da melhor forma com o que acontece...vou tentando fazer isso. Sem questionar, apenas tentando me organizar e não me deixar tomar pelo desanimo e pela tristeza.
Esses acontecimentos reforçam minha crença de que a vida que temos é agora...é essa...que não sabemos de nada, e que apenas temos que viver cada instante de forma plena e verdadeira. É nisso que acredito, que a vida é essa mesmo, que quando entramos nela, é como aceitar entrar em um jogo, não podemos mais questionar as regras do jogo quando estamos dentro dele.
Em nossa defesa podemos até alegar que não sabiamos as regras antes do jogo começar, mas quem abriria mão da vida ao sabê-las? Bom...eu não abro...eu quero a vida assim mesmo...apesar das dores e perdas que nos são impostas.
Acho que não tenho do que me queixar...apesar de tudo, amo a maioria dos meus dias...
...não o dia de hoje....pelo menos até aqui...
Namastê!
Ludmila
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Histórias de AMOR

O pai de Katy morreu. Ela é uma jovem mulher, e uma linda filha da comunidade de Parentes de vítimas de câncer. Ela é muito querida por todos. Sempre muito atenciosa e carinhosa. Nas fotos sempre com um sorriso quase infantil...leve...sei lá...assim eu percebia seu sorriso. Falei com ela uma vez ...ficamos emocionadas no telefone, meio bobas.
Katy, não tem uma vida fácil..ela trabalha, estuda, tem uma filha...e ajudava a cuidar do pai. Amava muito esse pai. Nos fez amá-lo também. Acompanhamos de perto toda a sua luta, sofrimento e dor. Dias melhores, outros piores, mas sempre lutando....O pai da Katy descansou, assim dizem quando alguém morre. Eu tenho essa sensação com relação à morte. Katy e sua família terão que conviver com a saudade, mas eles sabiam que essa hora ía chegar....ele estava sofrendo muito.
Aílton morreu também. Nunca havia ouvido falar nele. Soube dele ontem. Ele tinha leucemia e fez um curso universitário enquanto lutava contra essa doença. Ele conheceu seu amor enquanto lutava contra essa doença. A ironia é que ambos lutavam contra a leucemia. Um amou o outro. Um ajudou o outro. Um fortaleceu o outro. Agora o seu amor terá que lutar contra e leucemia e ainda lidar com a dor e a saudade de tê-lo perdido. Triste não?
Eu fiquei sabendo dessa história do Aílton através de uma pessoa muito linda e é sobre ela que quero falar hoje. Ela chama-se Jaqueline, a conheci em uma comunidade de pessoas que fazem quimioterapia, e hoje é minha amiga em um chat também.
Falar de Jaqueline é falar sobre a vida. Ela é uma carioca linda. Torce pro Vasco (a perdoem por isso!). Eu a descrevi uma vez (pra ela mesma), como uma pessoa leal e passional. Ela concordou. Ela é muito leal e muito apaixonada. Parece que tudo com ela fica vivo...ela é uma pessoa viva, engraçada, esquentada, faz bolos e pudins e ainda vai a festas, dança e bebe caipiroska estragada..., passa mal e depois passa bem! Parece que ela é uma leoa...tenho a certeza de que ,se algum dia eu precisar de alguém pra me defender, gostaria de ter a Jaque junto de mim.
Jaqueline teve câncer quando era uma adolescente. Foi desenganada. Os médicos não tinham esperança. Ela lutou muito e venceu. Essa história daria um livro, mas não é essa a história que quero contar, mas sim sobre o que ela fez depois de vencer o câncer. Ela se engajou. Ela se apaixonou por essa causa. Ela recolhe assinaturas para enviar à Globo sobre transplante de medula. Ela conhece e ajuda muitas pessoas que estão nessa batalha. Ela vira amiga dessas pessoas. Ela se envolve, se implica, a luta é dela. Ela nos contou sobre Aílton. Não conhecíamos no chat, mas ela nos fez conhecer mais essa história, assim como a sua história, assim como a de Melissa, uma menininha por quem ela se apaixonou e por quem luta também!
Fiz amigos queridos depois do câncer de meu marido...eles abrem meus olhos pra uma vida que eu não conhecia...e não é uma vida de dor, como voces podem a principio imaginar, mas é uma vida de esperança, de amor, cumplicidade, bondade, generosidade, dedicação e compaixão.
Katy e Jaque....amo voces do fundo do meu coração. Voces fazem parte da minha vida e estão enriquecendo-a com exemplos de amor e generosidade.
Namastê!
Ludmila
Ps. Jaque com Melissa na foto.
Esse é o link para a campanha que a Jaque movimenta para divulgar o Transplante de medula, por favor assinem.
abaixoassinado.org/webroot/assinaturas/abaixoassinado/4162
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Onde está Gatão....?

Nessa época eu tinha 2 cachorros..um morreu de velhice e voces que acompanham o blog desde o começo, devem lembrar de ter lido sobre isso. Estavam aqui em casa também uma gata de rua com seus seis filhotinhos paridos aqui em casa...Uma loucura!
Levei o gato pra o veterinário, que constatou traumatismo craniano, passou um tratamento e não deu muitas esperanças. Passei muitos dias dando leite de seringa, remédios e mais remédios....cuidando do estresse que a sua chegada provocou em todo o Zoologico daqui de casa...Era uma dedicação que tinha que ter, não escolhi isso...ele simplesmente parou nas minhas mãos. Ele não tinha nome, chamávamos de GATÃO. Era o nosso Gatão. Aos poucos foi melhorando, e ficou absolutamente lindo e saudável. Engordou e se apaixonou por Caio. Esse amor foi recíproco. Todos da casa amavam Gatão, mas Caio formava com ele uma dupla inseparável.
Começamos a entender os gatos....eles são nobres, altivos, não são carentes e submetidos, são elegantes e poderosos, estávamos apaixonados por Gatão. Caio, quando em casa, passava o tempo com Gatão no colo e fazendo mil torções no seu corpo maravilhosamente elástico. Encantado sempre me chamava pra ver...eu já sem saco, ía ver pela insistencia dele.
Bom...Gatão sumiu...tem dois dias que ele sumiu...não sabemos mais onde procurá-lo...sinto muita saudade dele....parece que falta algo em casa....embora ele fosse absolutamente silencioso e passasse o dia inteiro dormindo. Não sabemos o que pode ter acontecido com ele....se perdeu? Foi roubado? morreu? está por aí sem conseguir voltar pra casa? Essa última hipótese me assusta muito. Ele é muito lindo...mas muito bobo também. Não sei se consegue se virar sozinho...muito mimado. Fico torcendo pra que alguém tenha se apaixonado por ele e levado-o pra casa...
Essa história pode parecer boba, mas acreditem, tem muitos significados pra mim....Me diz mais uma vez sobre o quanto a vida é fugáz..o quanto que o que existe é só esse momento. Se tenho que dizer algo pra alguém deve ser agora. Não me lembro se a última vez que Caio me chamou pra ver gatão, se eu fui...não consigo lembrar, embora saiba que a insistencia de Caio me fazia levantar de onde eu estivesse para vê-lo...mas não tenho certeza...
Não quero deixar coisas pendentes na minha vida...não quero deixar coisas não ditas...não quero que as pessoas ou eu mesma, desapareça sem dizer ou fazer o que tenho vontade...Gatão sumiu...ele não está aqui e nem sei onde ele está...diferente de Simba e Nagan|(nossos cachorros) que enterramos, não sei onde está Gatão...essa é uma sensação estranha...acho que o primeiro dono dele deve ter sentido a mesma coisa que sinto agora...espero que agora ele tenha achado alguém que cuide dele, como eu cuidei...
Essa minha postagem pode parecer boba, mas é sinceramente o que sinto nesse momento...é de verdade esse sentimento...tô triste por que não sei onde anda Gatão ...
Namastê
Ludmila
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Dia dos namorados...Sou tão Clichê!
Estou sem namorado esses dias. Meu amor está viajando. Ele está bem, viagem de trabalho. Ele está animado e feliz, isso é o que importa.Isso é o que importaria!...se eu não fosse tão clichê!
Mas sou clichê!
Acho que sou clichê e egocentrada...
Adoro dia das Mães... adoro Dia dos Namorados...adoro qualquer dia que seja meu também!
Tinha problemas com meu aniversário, porque é perto do Natal... e fazer concorrência com Jesus nunca foi meu forte! É uma concorrência desleal, sempre perco...
Acho que é por isso que eu adoro as datas que são minhas também.
Sei o quanto essas datas servem pra ao comercio, não sou uma pessoa alienada nem obtusa, longe disso...sei a quem serve ter essas datas...mas eu gosto!
Simples assim...eu adoro ter meu namorado perto de mim nessa data! Adoro brindar e adoro ganhar presente também..
Não gosto quando ele tá longe de mim em nenhuma data, aliás...eu não gosto de ficar longe dele...
Digo que vouaproveitar esses dias para ler, escrever, que vou arrumar coisas, que vou ligar pra amigas...mas não faço nada disso...fico aqui...sem namorado.
Sou casada desde 1985, serão 24 anos em dezembro. Namoramos 2 anos...são 26 anos, bem mais da metade da minha vida! Ele é meu amigo, meu amante, meu companheiro, meu namorado. Ele é o pai dos meus filhos. Ele me conhece como ninguém e me ama como ninguém.
Ele me ama com fartura, é declarado o seu amor. Ele cuida de mim e torce por mim. Ele me acha exagerada, emocional demais...mas engole meus defeitos numa boa...ele me admira, tem orgulho de mim, e tem desejo por mim. Eu sempre achei que ele só não era perfeito, porque não sabia dançar....mas eu também não sei dançar...então...tudo bem!
Ultimamente tenho cuidado mais dele do que ele de mim. Tenho me preocupado com ele...mas, descubro que com o câncer ele ficou ainda mais lindo, mais admirável, mais corajoso, mais tranquilo... aliás, ele não me surpreendeu em nada...ele continuou o mesmo cara de sempre, só que melhor...entretanto ele diz que se surpreendeu comigo...ele não me imaginou tão companheira e cuidadora...isso, claro, não é um elogio, percebo como ele e a vida me dão chances sempre de ser uma pessoa melhor e menos egoísta, e sou grata por isso.
Vivo um amor tranquilo nesses muitos anos da minha vida....vivemos uma paixão muito intensa, uma amizade que não perdeu o calor nunca, somos amantes e amigos....penso que mereço isso...e que nos merecemos...
Bom...hoje é Dia dos Namorados e o meu amor está muito longe de mim....ele está no Texas...e ainda vai demorar pra voltar...mas já avisei quando voltar vou querer meu presente, porque sou absolutamente Clichê não tenho nenhuma vergonha disso!!!
Ludmila
sábado, 6 de junho de 2009
Libertação é Felicidade!!!

Pessoas ricas podem ser felizes e infelizes, as pobres também, pessoas casadas, solteiras, com ou sem filhos, pessoas que sofreram perdas podem ser felizes, pessoas que nunca perderam nada nem ninguém podem ser felizes ou infelizes.
Quero deixar claro que não estou falando de "alegria" e muito menos sobre "Ausência de sofrimento". Felicidade não tem nada a ver com isso. Podemos esatr em sofrimento e até mesmo tristes e ao mesmo tempo sermos pessoas felizes.
Uma caracteristica comum das pessoas felizes é a generosidade. Elas são generosas, nunca são econômicas naquilo que elas têm de melhor. Elas distribuem de forma generosa suas experiencias, seus sentimentos, seus saberes e seus poderes...elas simplesmente compartilham.
Elas também são destemidas. Não se sentem ameaçadas pelo outro, nem acham que alguém ou algo possa ameaçar sua felicidade, porque já sentiram que a felicidade que sentem não está atrelada a nada...então, nada pode ameaçá-la. Generosidade e destemor são características das pessoas felizes.
Aprendi com o Budismo que se queremos a Felicidade teremos que praticá-la, e que a Felicidade está amparada em 4 pilares: AMAR, SERVIR, DOAR e MEDITAR. Isso fez muito sentido pra mim, nunca mais esqueci. Realmente acredito que a prática do amor nos leva a um lugar de felicidade. O Amor liberta, o amor nos aproxima do outro, encurta as distancias. O amor compreende e aquece a vida. Isso é Bhakti Yoga. O Yoga do amor, da devoção. Ver Deus em tudo e em todos, ou melhor dizendo pra mim que ainda não compreendo bem Deus: Tudo e Todos são Deus.
O Servir e o Doar fazem parte do karma Yoga. O caminho que nos revela que temos muito a dar. essa descoberta trás como efeito colateral, a felicidade. Saber que tenho algo a dar, algo que alguém precisa...e realizar isso, trás paz e Felicidade. Isso é Karma Yoga. As pessoas que SERVEM e DOAM, não aquilo que lhes sobra (isso é importante, não é de restos que estou falando), mas aquilo que lhe é muito precioso, essas pessoas são felizes por isso.
E por fim o MEDITAR. A meditaçãqo que é o Raja Yoga, nos levaria par dentro de nós, não para aprendermos algo, mas para redescobrirmos algo. A meditação nos ajudaria a encontrar aquilo que sempre existiu dentro de nós, aquilo que sempre esteve ao nosso alcance, aquilo que de fato é o nosso estado básico, a vibração primeira da nossa alma.... a meditação nos levaria a refazer a conexão genuína com a Felicidade que existe dentro de nós, que sempre existiu e sempre existirá...a meditação nos faria sentir que em essência somos felizes, porque nada nos falta. Temos tudo que precisamos. Somos plenos e inteiros. Isso é Moksha, a LIBERTAÇÃO da sensação de carência, que nos impede de sermos felizes agora! Moksha é o que o yoga pretende nos fazer alcançar. Ser feliz agora, por que nada me falta!!!!
Namastê!
Ludmila
terça-feira, 2 de junho de 2009
Felicidade é amizade!!!
Essa semana darei uma palestra..o tema será FELICIDADE....então tenho passado os dias, desde que decidi por esse tema...refletindo sobre o que é ser Feliz.Tenho os amigos que escrevem, que ligam, que mandam emails, que mandam recados...tem os amigos que nem me procuram, mas nunca os senti tanto como agora...é verdade...sei que sou amada por eles, e que eles estão pensando em mim e em Judson nesse momento...
Mas hoje quero falar mais uma vez sobre amigos especiais...amigos virtuais... Tenho falado muito dessas pessoas que conheci na internet por conta dessa doença maluca que se desenvolveu em nossas vidas.. Hoje eles me fizeram chorar muito...choro desde a hora que acordei...choro com minha alma, com meu corpo...choro tomada por um amor profundo...choro de muita felicidade...e gratidão.
Não quero escrever muito hoje por que quero que voces ASSISTAM o motivo do meu choro, e tenho certeza que voces irão se emocionar muito também. Ganhamos esse presente de Jaque e do João Vítor, eles aparecem nas imagens também...mas já foram eternizados no meu coração.
Obrigado meus amores!! Muito obrigado!
Esse é o presente, assistam em:
Namastê
Ludmila
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Minha religião é algo muito íntimo...

Entretanto tenho muito respeito por todas as religiões...e não consigo achar que uma é melhor do que a outra. Apenas vejo que uma atende mais as necessidades de algumas pessoas do que a outra. Já fui a missas, cultos evangélicos de várias ordens, já fui a cultos hinduístas, Budistas, Bahais , Muçulmanos, Brahmanistas, Cultos em adoração a Shiva, A Vishnu, já fui a rituais de candomblé, ubanda, espíritas, rituais xamânicos, indígenas, judaicos.... nem sei quantos eu já conheci.
Em muitos fui tocada na alma e me emocionei muito...em outros tantos, nada aconteceu comigo...não consegui nenhum tipo de conexão com minha alma, embora o respeito tenha sido o mesmo... Não fui a tudo isso por que estava procurando uma religião, muito pelo contrário. Fui a tudo isso porque eu não quero uma religião. Eu cheguei muito tempo atrás a uma conclusão sobre minha prática religiosa.. Ela é íntima! Talvez a coisa mais íntima que tenha na vida! Não preciso e nem quero companhia nesse meu caminho...sinto que ele é um caminho absolutamente solitário...e isso me faz um bem enorme!
Preciso de muitas pessoas ao meu redor pra tudo. Adoro conversar, adoro falar da minha vida e saber da vida do outro. Adoro meus alunos...fico feliz quando a sala tá cheia. Adoro meus amigos. Adoro as comunidades que faço parte. Adoro trabalhar com gente, não conseguiria trabalhar com máquinas ou com números. Gosto de gente quase o tempo todo perto de mim. Mas minha espiritualidade é íntima, é pessoal e intransferível.
Todo o bem que consigo nas minhas meditações, ou nas minhas reflexões sobre a vida, sobre Deus...eu compartilho sem nenhuma economia..dou palestras..conto minhas meditações até aqui no blog mesmo..passo adiante com muita generosidade tudo que aprendo, não escondo nada, mas minha ligação com Deus é única..não tenho como explicar e nem tenho necessidade disso.
Muitas pessoas querem me convencer a ter uma religião...e eu digo que já tenho a minha, porque aprendi que religião é aquilo que me RELIGA a Deus...e nunca me sinto distante de Deus...então eu já tenho a minha religião! Uma vez perguntaram a Gandhi, quantas religiões ele reconhecia no mundo...e Gandhi que era um Hinduísta praticante respondeu que havia tantas religiões quantas pessoas houvessem...por que cada pessoa era a sua própria religião.
Minha religião chama-se "pratica da bondade e da generosidade...sem olhar a quem", nem sempre consigo ser uma boa praticante..tenho como meta também ter como religião o Satya e Ahimsa, que são a prática da Verdade e da Não-violência, mas também não sou das melhores...mas tô tentando...
Enquanto isso apenas vou vivendo cada dia o seu bem e o seu mal...
Namastê!
Ludmila
P.S. No memorial ao Mahatma Gandhi, em New Delhi, Índia!
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Mulheres unidas!!!!

Elas são mães, filhas, tias, sobrinhas, netas, amigas, amantes , esposa, ex-esposas, vizinhas de alguém. Elas lutam contra um câncer, ou ajudam alguém que está nessa luta, e tem aquelas que perderam alguém nessa luta. São muitas mulheres corajosas, determinadas, amorosas....mulheres que tem altos e baixos, e que como toda mulher têm que lidar além de tudo que já lidam por causa dessa doença maluca, algumas delas, infelizmente têm que lidar com TPM, menopausa, crises no casamento, ver filhos crescendo, ex-maridos aprontando...maridos indiferentes...distantes e assustados..., filhos pequenos, filhos adolescentes, trabalho...algumas descobriram o câncer na gravidez, ou amamentando!!!
Converso com algumas delas em tempo real....falamos de comida, de homens, de chocolates, de homens, de receitas novas, de homens, de vaidade, de homens., de novelas, de viagens, e da Índia...rsrsrsr....nos divertimos, mas falamos muito de coisas sérias também. Nos preocupamos com alguém que anda sumido, falamos amorosamente uma das outras, nos incentivamos...dizemos que somos lindas e poderosas e reforçamos nossa auto-estima.....fazemos o que toda amiga faz. Jogamos conversa fora, nos apoiamos, nos escutamos e não julgamos umas as outras...
Não sinto que somos coniventes ou lenientes com nossos defeitos e fraquezas, pois discordamos também, falamos o que não gostamos, tentamos acalmar uma que é mais esquentada...tentamos alertar outra sobre sua responsabilidade pessoal com sua vida...dizemos sempre coisas boas...mas nem sempre são agradáveis..ou fáceis...Tudo é delicado pra quem tá vivendo um momento assim, mas por outro lado, quem tá vivendo um momento assim, não quer perder muito tempo com bobagens....
Minhas amigas são lindas. Umas estão carecas, outras estão vendo seus cabelos crescerem, outras já os tem de volta. Umas estão vendo seus pais sofrerem, ou irmãos e maridos, mas outras passam pelo sofrimento absurdo e inimaginável para mim, de verem seus filhos lutarem contra um cancer, outras perderam seus filhos para o câncer!
Marcinha me disse que não é guerreira, mas que é corajosa. Que ela nunca quis essa guerra, mas já que teve que entrar, lutou com coragem...Ninguém quis essa guerra! Ninguém desejou pelo menos conscientemente passar por isso, mas vejo mulheres corajosas, com um coração enorme lutando ou acompanhado seus queridos.
Algumas estão em luto. Perderam alguém. Choramos junto. Elas rezam uma pela outra, eu mentalizo. Não sei rezar. Elas trocam mensagens de amor e orações, eu escrevo no blog, não tenho essas mensagens. Nos entendemos com nossas diferenças e com nossos momentos diferentes, mas somos unidas por algo em comum...o câncer.
Elas me dão uma nova dimensão do meu poder, elas me ajudam também a redimensionar meus problemas, minha dores, minha vida. São mulheres comuns, como outra qualquer, mas que experimentaram ou ainda experiementam o contato com o que essa doença provoca em nós. Não temos tempo a perder com lamentações, não temos tempo a perder com coisas que não tem importancia...Elas me ensinam e eu ensino algo pra elas. Nós trocamos e assim nos fortalecemos . Cuidamos das feridas e dos momentos tristes, mas nos alegramos com os momentos felizes, celebramos, parabenizamos uma a outra!
Sou muito grata por voces terem entrado na minha vida minhas amigas virtuais e de caminhada!
Patsy, Pati, Cris, Katy, Dani (s) , Gab, Ângela (s), Marcinha, Jaque, Myrloca, Mary, Regininha, Rejane, Cristine, Criss, Iolanda, Ione, Élida, Rai, Bertilha, Luana, Valérias (s), Mazé, Suu, Ceiça, Malu, Marcela, Cláudia, Fefa, Elaine, Gilca, Vera, Dayane, Caroline, Alexandra, Virginia, Marcela, Marli, Ana Cristina, Liliane, Ione, Simone, Márcia....ai...todas, todas, pois com certeza esquecerei algum nome....mas não de voces!
Beijos enormes
Ludmila
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Seja quente ou seja fria...

sexta-feira, 15 de maio de 2009
Exaustos, mas felizes....

Experimentar essa solidão preenchida foi libertador. Não me sentia sozinha...mas era uma constatação irrefutavel de que sou só, porque existe um lugar na minha alma que só é possível ser acessado por mim mesma e, como eu não sentia pena de mim e pude me render a isso, podia sentir Deus, podia sentir as dores e alegria de todas as pessoas que ali estavam naquele momento...podia sentir algo absolutamente transcendental, algo que transcendia os meus medos e as minhas necessidades. Pude ver uma perfeição naquele instante. Entrei em estado meditativo...a vida e a existência eram muito maiores do que o meu mundo pessoal....a vida (assim que eu chamo Deus) era perfeita, e nada me faltava...fiquei quieta e em paz.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Por trás de mim....
Por trás da dureza que mostro tem algo muito delicado e sensível.
Por trás de toda certeza e convicção existem medos e inseguranças.
Por trás de todo esse tamanho existe uma miniatura.
Por trás de todo preenchimento tem um imenso vazio.
Por trás de tanta propriedade existe um nada.
Por trás de tanta fé, a mais total descrença.
Por trás da paz, um caos.
Por trás de tanta vitalidade, uma vontade enorme de sumir.
Por trás da coragem, a vontade de pedir ajuda.
Por trás da firmeza, vacilo.
Por trás da resiliência, uma vontade de desistir.
Por trás de todo o planejamento, uma grande desorganização.
Por trás de toda a minha lucidez, uma vontade de enlouquecer.
Por trás de tanta expansividade, muita retração.
Por trás de toda determinação, uma vontade de sucumbir.
Por trás da mulher segura existe uma menina assustada.
Por trás daquilo que conheço de mim, uma total desconhecida.
Por trás de mim, só existe a mim mesma.
Então essa sou eu inteira,
Frente e costas,
Sou inteira essas duas e muito mais.
02/10/2004
terça-feira, 12 de maio de 2009
Rindo...falando besteiras....lavando a alma.....

sábado, 9 de maio de 2009
Minha mãe
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Espaço dos cuecas *

* nome de um fórum criado pelos homens, dentro de uma comunidade de quimio, onde imperava a força e a palavra feminina!!!!!
terça-feira, 5 de maio de 2009
Chove chuva....chove sem parar....

Que venham as gotas delicadas e as fortes também, as enchurradas.
Ludmila
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Não quero nada pela metade!

sexta-feira, 1 de maio de 2009
Celebração das Deusas

quarta-feira, 29 de abril de 2009
Isso é bom ou isso é ruim?

domingo, 26 de abril de 2009
Ano 9

sexta-feira, 24 de abril de 2009
Contentamento

domingo, 19 de abril de 2009
Encontro de histórias...num espaço virtual!

sábado, 18 de abril de 2009
Realismo? Talvez?

Bom sou uma pessoa muito reflexiva, reflito sobre tudo...sempre tenho que compreender as coisas na sua subjetividade, ou na sua profundidade, ou elas precisam fazer sentido...eu analiso os significados..as consequencias, o que elas representam...etc. Não sou uma chata analítica, muito pelo contrário, sou seguidora do coração, escuto os meus desejos como poucas pessoas e me entrego bastante aos meus sentimentos. O que consigo com isso, com essa aparente contradição, é muita consciencia...sinto que tenho muita (aquela que consigo alcançar) consciencia das minhas dinâmicas internas, daquilo que me governa, daquilo que posso ser, ou não, até onde posso ir ou não. Acredito em mim e sinto que sou consistente e de verdade. Gosto disso.
Sou uma pessoa forte também, pelo menos assim me considero. Isso não significa que eu não chore e não queira de vez em quando comer uma torta de chocolate inteira. Mas tenho relativa consciencia e controle de mim mesma. Gosto disso, porque dificilmente me sinto vítima de qualquer coisa. No máximo posso ser vítima de mim mesma, mas não de algo fora de mim.
Tenho reletido muito sobre três conceitos: o de pessimista, otimista e realista. Tenho uma implicancia básica com os otimistas. Mas passei a questionar qual o meu conceito de otimista, pra evitar os preconceitos. Pra mim eles são aqueles que não querem, ou não conseguem ver o que está dando, ou deu errado; aquilo que é feio, sombrio, frustrante, eles tem dificuldade com as decepções e só querem ver a luz. Querem ver o bem, como se o mal não existisse, querem ver a luz como se ela própria não produzisse a sombra. Bom...otimista pode não ser isso, e aqueles que o são, provavelmente vão defender aqui seus conceitos, mas se é isso, isso eu definitivamente não sou.
Penso nos pessimistas como aqueles que não conseguem ver a luz. Tudo já se perdeu, e se houver alguma chance de algo dar errado (e sempre tem), dará. Eles tem uma dificuldade ou impossibilidade com o sonho, com a beleza, com a leveza...as pessoas são capazes do pior sempre, e em algum momento elas vão mostrar isso. A vida sempre está tentando nos punir e é difícil para um pessimista fazer planos, acreditar, ter fé... Bom, não sou pessimista. Faço planos e sonho bastante e sempre acredito neles.
Sobram os realistas. Esse é o mais difícil de conceituar. O budismo me ensinou que "Tudo é Ilusão". Se tudo é ilusão onde está a realidade dos realistas? O budismo me diz que, se conseguíssemos retirar todos os véus de Maya (ilusão) que teimam em cobrir os nossos olhos, poderiamos ver a realidade pura. Fica difícil imaginar o que sobraria...mas vamos lá.
Acho que ser realista é desenvolver um olhar mais central a respeito da vida. Um olhar que não saia do meu centro, do meu umbigo ou das minhas necessidades. Um olhar que conseguisse ver as coisas além das aparencias. Um olhar que pudesse ver por um angulo não pessoal, mas que alcançasse uma visão de 360º . Esse é o olhar do Buda, ou de Jesus. Um olhar de uma realidade ampla, não a realidade dos meus desejos egoístas, e muitas vezes legítimos, mas não menos egoístas. Uma visão da realidade total poderia se dar conta da luz e da sombra; do prazer e da dor; do bem e do mal; das perdas e dos ganhos; da vida e da morte...ao mesmo tempo e inseparáveis.
Tento ser uma pessoa realista e, se verdadeiramente fosse, não classificaria meus fins de semana como SIM e NÃO, porque eles são sim e não ao mesmo tempo. O Não pode ser sim, e vice-versa. Uma pessoa realista não faria afirmações categóricas a respeito de nada, porque tudo pode ser, ou não. As pessoas podem ser boas e não, ao mesmo tempo. Um evento pode ser bom e não, ao mesmo tempo.
Bom...que venha o talvez para a minha vida. Quero mais talvez e menos SIM e NAO. Quero estar aberta para vida com tudo que ela tem de possibilidades. O meu talvez não significa dúvida, pois dificilmente fico em dúvida....por exemplo: quando tenho que escolher algo pra comer num cardápio, simplesmente escolho, sem medo do sentimento de perda em relação a tudo que não irei escolher...realmente não tenho medo das escolhas, porque sempre tenho a convicção de que posso retornar, e que talvez eu queira diferente da outra vez. O meu TALVEZ significa, QUEM SABE? O meu talvez significa abertura para a possibilidade...sem negar que as coisas podem dar errado ou certo e tavez isso seja bom ou ruim....
Bom, eu não sei de nada. Quem sabe?
Namastê
Ludmila Rohr
P.S. Foto: Perdidos numa estrada na Toscana, Quem poderia imaginar onde ela nos levaria?
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Aquilo que se foi...aquilo que ficou...

sexta-feira, 10 de abril de 2009
O Jesus que eu amo!

Eu cresci sabendo muito pouco sobre Jesus. Não tive uma educação religiosa. Aliás, eu não sabia o que era Deus ou Jesus...não entendia essas coisa de religião. Nunca fui batizada, nunca frequentei nenhuma Igreja, nunca fiz aulas de religião nem nada parecido. Meus pais vinham de famílias extremamente religiosas, acho que quando se casaram deixaram pra trás uma vida inteira de fé imposta e cheia de dogmas. Meu pai era (é ainda), um comunista praticante, líder sindical, preso político em 64...ou seja...crescemos longe das religiões, que ele chamava de ópio do povo! Mas nunca o ouvi falar mal de Jesus, muito pelo contrário...Jesus era o "companheiro Jesus". Cresci achando que Jesus tinha sido um homem digno de ser imitado, admirado e que tínhamos muito a aprender com o companheiro! Jesus não era inalcançavel para mim, era um homem possível!
O Jesus que eu conhecia era esse. Um homem possível. Alguém que conseguiu chegar num lugar e, em uma condição que todos nós deveriamos tentar chegar. Alguém que tinha o compromisso com a verdade e com a justiça!
Com 16 anos comecei a praticar yoga. Estudei muitas escrituras hinduístas, budistas, livros da tradição Védica e Tântrica. Conheci e desenvolvi a minha espiritualidade nesse caminho. Tudo que eu estudava reforçava mais o meu amor e admiração por Jesus. Achava muito incrível compreender a jornada de Jesus através do olhar de um Yogue. Jesus foi um Yogue. Alguém que praticou a ética, alguém que desenvolveu controle sobre os sentidos, concentração, capacidade de meditação e reflexão, alguém que alcançou o Samadhi, (para os yogues), ou iluminação, (para os hinduistas) ou para os budistas, o Nirvana. Ele trilhou todo o caminho que os yogues descrevem como o caminho da iluminação. Jesus é um Buda, alguém que se realizou completamente, alguém que cumpriu plenamente o Karma e conseguiu viver o Dharma (a Lei). Jesus é UM com o PAI! Jesus é um unificado! Encontrei Jesus estudando Yoga e o amei muito, do fundo do meu coração!
Certa vez na Índia, eu estava em Delhi e o motorista que me servia, me pediu pra que eu falasse um pouco sobre Jesus, ele queria conhecê-lo, nunca tinha lido nada, mas era curioso. Tentei falar de Jesus, contar alguma passagem...não consegui, mas quando disse para ele que Jesus para nós do ocidente, era como Rama, como Krishna, como Vishnu, ou Shiva, ou Buda....que Jesus era como um Deus deles, ele que ouvia respeitosamente, se emocionou e silenciosamente disse que entendia, que os Deuses eram todos iguais e que estavam sempre tentando nos ensinar a sermos melhores do que nós somos e alcançar a liberação do Karma e que Jesus devia ser assim para nós também.
Jesus tenta me ensinar a ser limpa de coração...assim como as crianças que confiam e se entregam. Jesus tenta me ensinar que o amor e a simplicidade são o caminho para a paz. Jesus tenta me ensinar que tenho apenas que confiar e nada a pedir, que tenho que fazer a minha parte e que o resto virá como acréscimo.... Esse Jesus eu amo e me toca profundamente o coração!
Amor e Paz para todos!
Namastê!
Ludmila
P.S. Foto tirada em Delhi no dia que conversei com o tal motorista. Ele quem me levou nesse lugar lindo!
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Tudo é possível...Nada é impossível!

Quando aquelo livro "O segredo" apareceu e foi aquele escandaloso sucesso, eu simplemente ria e achava uma imbecilidade. Achava que as pessoas estavam querendo uma ilusão...continuo achando. Não acho que isolando meus pensamentos negativos e só colocando energia nos pensamentos positivos eu consiga mudar minha vida.
O primeiro problema pra mim é que eu questiono o conceito de positivo e de negativo. O que realmente é positivo? O que eu desejo para mim, o que eu desejo alcançar é necessariamente positivo? Acho que não. Duvido que tenhamos essa sabedoria toda para discernir o que é realmente positivo. Muitas vezes vejo pessoas agarradas a coisas, sentimentos e ideias e colocando tanta energia nelas como se fossem positivas e sem noção de que essas mesmas coisas a estão levando ladeira abaixo. Na Índia se diz que, quando os Deuses querem se vingar, eles atendem os nossos desejos. É um ditado popular que fala sobre a nossa ignorancia a esse respeito.
Depois questiono como seria a vida sem o negativo. Uma vida de Polianna, (romance que todas as mulheres da minha idade leram em suas adolescencias). Polianna jogava o jogo do contente. Ela transformava qualquer coisa que lhe acontecia, por mais dolorosa que fosse em alguma lição muito linda! Lembro que quando li Pollyanna fiquei com muita raiva dela. Achei que ela se enganava e não queria enxergar a realidade.
Passado alguns anos, eu comecei a ter uma certa compaixão por Polianna, minha raiva cedeu espaço para um olhar mais amoroso. Tive pena dela. Achava que ela era muito frágil e que precisava de tantos enganos, de tantos faz-de-conta. Comecei a pensar que ela precisava de terapia pra conseguir em algum momento ver a realidade, que nada mais é, que a visão do positivo e o negativo integrados. Talvez deva ser grata a Polianna. Talvez ela tenha sido algo que definiu desde cedo minha vocação para ser terapeuta, ou seja, ajudar as pessoas a se olharem de frente e sem auto-enganos, mas dentro de um possível amoroso, até por que eu também não sei o que é o melhor para ninguém.
Hoje penso que o positivo não necessariamente é algo bom, e o negativo nem sempre é algo ruim. Sei que muitos prazeres podem ser a derrota de uma pessoa, e muitas dores podem significar exatamente o oposto. Hoje penso que sou uma pessoa realista, acho que sempre fui, desde pequena. Lembro de mim, como uma pessoa "velha" desde nova.
Minha crença hoje, é que não preciso ser uma pessoa boa, mas que devo buscar ser boa naquilo que faço. Devo buscar estar inteira e com a visão cada vez mais ampliada. Acredito que tudo é possível e que nada é impossível. Então não posso ser como Polianna, que se permitia apenas uma possibilidade, só via aquilo que ela queria ver.
Tudo é possível....Nada é impossível... isso me coloca diante de um universo imenso de possibilidades, e que não posso controlar, que por isso mesmo pode ser assutador, mas que também, exatamente por conta da sua imensidão pode ser muito acolhedor... Isso me dá Paz.
Namastê!
Ludmila Rohr
domingo, 5 de abril de 2009
Só amanhã, hoje não....

Percebo que posso controlar isso, mas nem tento... nem quero...
Posso respirar, enraizar minha energia, focar minha mente, mas não quero...hoje eu não quero...
Não tenho pena de mim, não me sinto fraca, muito menos acho que sou uma pessoa triste, mas agora não quero ser "forte", agora não quero ser resistente, não quero me esforçar para nada...quero me permitir ficar assim, meio largada, meio boiando, meio flutuando, sendo levada...vendo o tempo passar...
Quero ficar em frente a TV vendo uma comédia boba, quero ficar no pc jogando free cell, não quero cobrar nada de mim.... meu corpo sabe respirar, então que ele respire. Não quero estudar nada. Não quero conversar sobre nada sério, não quero fazer nada sério. Não quero exercitar pensamentos otimistas e nem quero ser uma pessoa "boa". Quero comer algo gostoso e nem vou me preocupar se é saudável.
Bom... essa sou eu também. Sem cores, sem sabores, sem odores...sem palavras bonitas, sem grandes sentimentos, apenas esperando o tempo passar... Sei que posso fazer isso porque tenho uma boa sensação ao meu respeito, posso fazer isso porque sei que sou uma pessoa boa, posso fazer isso porque sei que também poderia fazer o contrário. Posso fazer isso, porque isso não sou eu, e amanhã, quem sabe eu queira ser uma pessoa melhor do que fui hoje, e se quiser, não tenho dúvida alguma de que poderei. E serei. Mas só amanhã, hoje não.
Namastê
Ludmila
P.S. foto que chamo de"A insignificância do Ser"no Red Fort, Agra, Índia.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Lili morreu...

Conheci muitas histórias...muitas pessoas incríveis. Vi essas mesmas pessoas em vários momentos distintos. Ora confessavam momentos de alegria e esperança, ora de raiva, tristeza e desânimo. Esse espaço me é muito útil., é um espaço de muito acolhimento. Lá também faço as minhas confissões. Na verdade são desabafos, catarses que escancaram a nossa alma e revelam sentimentos íntimos.
Não sei porque a foto de Lili me chamou atenção. Na foto que aparecia no site, ela lembrava alguém conhecido. Tinha um olhar conhecido. Um pouco melancólico...sei lá. Senti essa atração por ela, mas por outras pessoas também. Percebi que ela não postava há tempos. Pensava nela de vez em quando...
Hoje pensei nela. Fui lá no seu perfil e descobri que pessoas tristes escreviam mensagens desejando que ela descansasse em paz, que agora ela morava ao lado de Deus, que a luta havia terminado, que agora não haveria mais dor!! Essas mensagens começaram um dia atrás, pois dois dias atrás alguém escreveu dizendo que sentia saudade e que ía aparecer um dia desses!!
Lili morreu um dia atrás. Não sei quem ela era. Mas ela sou eu. Ela é cada uma das mulheres que conheço. Ela é uma mãe, uma filha, uma irmã, prima, uma amiga, uma vizinha, uma amante, namorada, esposa, uma colega de alguém...ela agora existe na memória dessas pessoas que a conheceram e também na minha que nunca a conheci, nem a conhecerei.
Tenho uma fala que muitos dos meus amigos já ouviram. Digo sempre que amo muito a vida e que quero viver muito, que tenho muitas coisas pra fazer. Digo que se eu morrer jovem que eles (os amigos) devem fazer vibrações, orar, rezar, acender incensos, velas, bater atabaques, mandar rezar missa...qualquer coisa...pois com certeza eu vou estar muito puta da vida (ou puta da morte) por ter morrido jovem. Sempre digo isso brincando, mas percebo que estou falando sério. Acho um grande desperdício morrer jovem. Quero morrer quando não estiver mais lúcida...muito velhinha...quando estiver cansada e achar que a morte e o que vier depois dela sejam um descanso, mas por enquanto meu descanso com certeza é uma boa cochilada, um mergulho no mar ou assistir a um por-do-sol no Farol da Barra.
Por isso choro por Lili, choro por mim...choro por seus pais, filhos e irmãos....
Namastê!
Ludmila Rohr
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Sou todas as emoções...

Hoje foi dia de quimioterapia. A quarta sessão de 12. Estávamos tensos com a possibilidade dela não acontecer, por causa dos leucócitos que havia sinalizado, dois dias antes, estar abaixo do nível mínimo possível para fazer o procedimento. Começamos a vivenciar o conflito de emoções desde esse momento, pois como desejar algo que seu corpo sabe que te causará sofrimento. Uma parte sua quer muito, pois sabe que é a possibilidade de cura, outra parte, que é visceral, animal repugna algo que sabe que lhe causará desconforto e sofrimento, deseja até se ver livre daquilo.
Experimentei controlar o choro várias vezes nesse dia. Senti raiva, medo, coragem, serenidade, ansiedade, quietude, alegria...em sequencias que se alternavam...eu via os sentimentos virem e irem....eu via os sentimentos que se apossavam do meu corpo como água que inunda e saiam, evaporavam...eu via isso acontecer!
Somos emocionais...não tem como fugir disso. Sentimos tudo que nos acontece (dentro e fora de nós) em forma de emoções, sentimentos... Acho incrível perceber cada emoção e poder não me identificar com nenhuma delas. Não sou medo, mas sinto medo. Não sou raiva, mas a sinto. Não sou coragem, mas tenho. Não sou alegria, mas posso gozar essa alegria quando ela me toma.
Se me percebo como sendo susceptivel às emoções, com poder de reconhecê-las e não fujo delas, posso também perceber o meu poder sobre elas...percebo então que ...nenhuma delas sou eu, mas eu, sou todas elas!
Namastê!
Ludmila Rohr
P.S. No Farol da Barra (Salvador) lugar mais lindo do mundo e que guarda preciosas lembranças da minha infância e adolescência.
terça-feira, 31 de março de 2009
O Amor contagia!

Acho então que Sonhar e Amar são as necessidades básicas da nossa alma, assim como respirar, se alimentar...para o nosso corpo. Nossa alma fenece, perde o brilho, murcha se não sonhamos e amamos. Podemos nos sentir meio vivos se não sonhamos e amamos.
O problema é que muitas pessoas confundem a necessidade básica de "amar", com a necessidade de "ser amado", e esperam com um coração fechado que alguém descubra a sua necessidade e lhes devotem algum amor, para só então, possam vir a amar. Essas pessoas esperam e aumentam suas dores com doses grandes de frustrações e de confirmações para a sua teoria. Eu sou assim, porque não sou amado.
No Backti Yoga aprendemos a amar. Esse é um caminho dentro do yoga que fala que só é possível caminharmos com a prática do amor. O amor pode e deve ser devocional. Aquele amor que simplesmente ama. Pode ser um amor por um Deus, mas deve ser amor pelo ser humano que são vistos pelo Backti como a face de Deus. Alguém que tem um amor devocional, não cobra e não espera, simplesmente ama, porque precisa disso, porque já entendeu que sua alma precisa disso. Que no fundo no fundo, quem ganha muito é quem ama. Entende que quando ama, já ganhou o que mais precisa, que é o efeito desse "amar".
Faço parte de uma comunidade de pessoas que fazem quimioterapia, eles aceitam parentes, terapeutas...etc....Sou parente e terapeuta, achei que ali era meu lugar e entre. Estar com outras pessoas, ouvir histórias de outras pessoas, saber das dores das outras pessoas, dá limite as nossas dores, nos sentimos acompanhados, e quando vemos, estamos amando! Estamos amando sem nem conhecer essas pessoas.
Leio todos os depoimentos todos os dias, me pego torcendo por cada uma daquelas pessoas, sofro quando algo dá errado, me alegro quando dá certo...elas fazem, parte do meu ciclo de amor expandido. Nem as conheço, e provavelmente nem irei conhecê-las, mas tenho uma amor profundo por cada uma delas. Algumas pessoas já sei o nome, já imagino suas conexões familiares, sei que estão começando ou terminando a quimio...sei que foram operadas ou não... sei quando estão sofridas e desanimadas e sei quando amanhecem animadas...tenho amor por elas. Algumas são esposas de pacientes com câncer, assim como eu; outras são filhos e filhas de alguém com câncer....uns falam muito em Deus, outros falam muito nos tratamentos....cada um no seu caminho, e ao mesmo tempo, todos juntos nesse caminho.
Obrigada pessoas que nem conheço...Obrigada por me provocarem tanto amor no coração. Posso deixar essa amor contagiar minha vida e todas as pessoas que circulam próximas a mim, e dessa forte estarei multiplicando essa energia e sentindo o poder contagiante de amar!
Namastê
Ludmila Rohr
sexta-feira, 27 de março de 2009
Um sonho auspicioso

Acho que o câncer, assim como toda dor forte que passamos e que nos leva a experimentar a mortalidade e o medo, tem um poder nefasto de reduzir drasticamente a nossa capacidade de sonhar. Isso é enlouquecedor! Me pego as vêzes pensando em câncer muito mais do que deveria. Me pego querendo conversar com o meu marido sobre outros assuntos que não sejam câncer, alimentação anticâncer, acidez no sangue, cogumelos, graviolas, antioxidantes, leucócitos....quero falar sobre minha próxima viagem à Índia em 2010, quero falar sobre um filme que vi...ou melhor, quero ver um filme! Quero beijar, namorar, fazer sexo...quero amar, quero sonhar!
Sonhar é a capacidade humana mais divina que conheço. Quando sonhamos mudamos a vibração da nossa alma. A nossa alma abre-se para um mundo onde as coisas podem acontecer e atraimos energias que podem se realizar. Acredito piamente, que se podemos sonhar com algo, se temos elementos internos para fazer isso, temos poder também para realizar esse sonho. Todas as grandes realizações começaram em sonho. As curas também!
O oposto do sonho é a queixa, a lamentação. As pessoas que não sonham, se queixam e se lamentam. Reclamam da vida e se envolvem em energias pesadas e densas. Não conheço pessoas que sonham com coisas belas e realizáveis, que se queixem ao mesmo tempo! O sonho elimina a queixa, e a queixa é o pior ralo de energia que existe. O sofrimento, seja ele motivado pelo que for, pode nos afastar do sonho, porque somos, por conta da dor, arrastados para uma realidade muito dura...sonhar, nessas horas, pode parecer bobagem, mas não é!
Quero partilhar com todos que sofrem e que não querem abrir mão do sonho, uma oração védica (tradição milenar da Índia) que me acompanha e que foi a única oração que consegui gravar em toda a minha vida, já que tenho a prática de orações espontâneas!
Ela é assim:
"Que tudo que for auspicioso permaneça comigo, aquilo que não for auspicioso conectado comigo e com os meus, seja destruído!"
Meus sonhos são auspiciosos. Sonho com cura, beleza, paz, prazer, felicidade, generosidade, bondade, força, quietude, coragem, alegria, ternura....para mim e para todos. Tenho fé que não perderei minha capacidade de sonhar. Essa é a habilidade mais humana e eficiente que conheço de me aproximar de Deus. Essa é a caracteristica mais divina que nós temos. Sonhando, honro o Deus que existe em mim.
Namastê
Ludmila Rohr
P.S. Foto em Aimar, Rajastão, Índia. Um sonho, não?
terça-feira, 24 de março de 2009
Uma questão de fé?

O impacto disso é imenso, porque me dou conta do quanto minha visão de vida era limitada, apesar de considerar uma pessoa muito questionadora, curiosa a novas culturas, leitora ávida de muitas coisas...mas essa experiencia eu não tinha. Não me questiono o porquê de estar vivendo isso. Não acho que o câncer tem algo de especial no sentido de que ele por si só é transformador, redentor ou que passar por ele é para pessoas especiais. É uma doença dos humanos...todos estamos sujeitos a ela. Tento não moralisar essa doença, nem transformá-la em um ícone de alguma coisa. É uma doença. Mostra que somos mortais e que geramos na nossa vida tudo que precisamos para mantê-la e para destruí-la. Somos assim.
Como do ano passado pra cá tenho frequentado, além desses espaços virtuais também as salas de espera de clínicas e hospitais, acabo conversando com muita gente. Nessas conversas as questões relativas à fé sempre vem à tona. Isso me deixa confusa, questionando qual a minha relação com Deus e com a minha fé. As pessoas me dizem que para Deus nada é impossível. Que quem tem muita fé encontra a cura. Ouço também sobre o quanto devemos pedir, orar, rezar a Deus pedindo que ele nos envie essa benção. Conflitos internos surgem....não consigo definir bem "Deus" em minha vida, embora tenha uma espiritualidade praticante no sentido de buscar a paz, crescimento e evolução espiritual.
Sou mãe de dois filhos que foram muito desejados e amados. Meus filhos nunca tiveram que me pedir nada de joelhos. Não existe absolutamente nada nessa vida que eu não fizesse por eles se pudesse e, achasse que salvaria a vida deles. Confesso que, apesar de todas as faltas que devo ter causado na vida deles, atendo a muitos desejos sem a menor importancia, simplesmente por que não consigo deixar de atender. Imagine se não atenderia algum pedido se isso estivesse relacionado com a vida deles. Me desculpem aqueles que pensam diferente, mas o "meu" Deus não é assim.
Bom...é difícil e polêmico falar sobre isso, mas apesar disso, eu acredito em Deus. Infelizmente não acredito em um Deus que pode salvar meu marido se eu pedir muito isso, e não pode salvar outra pessoa, porque a mesma não pediu tanto. Não acredito em um Deus que salva, porque não acredito em um Deus que condena ou que não salva. A existência de um, implicaria imediatamente na existência do outro. Não acredito nem em prêmios divinos, muito menos em castigos. Queria muito acreditar, pois acho que as pessoas se seguram nisso e se sentem confortadas ou protegidas, e meu marido é do bem, por essa lógica ele estaria salvo.
Meu conforto vem de acreditar que tudo sempre dá certo. Que o câncer não é uma questão de morte, mas sim de sofrimento. Eu não tenho câncer, pelo menos não sei disso. Eu não sei do que, e quando irei morrer. Meu marido está com câncer, ele também não sabe do que, e quando irá morrer. Qual a diferença entre nós dois? A diferença imensa é que ele sofre agora. Ele passa por tratamentos dolorosos. Ele questiona a vida e o que fazer para viver mais e melhor. Mas...eu não deveria estar fazendo o mesmo? independente de estar com uma doença como essa ou não?
O medo da morte é absolutamente humano. Temos a certeza de que iremos morrer desde o início da nossa existencia. Como pode por causa de uma doença (que é horrorosa mesmo) passarmos a achar que estamos em risco de morte? Desde quando não estivemos?
Minha forma de me relacionar com Deus é acreditar que nada está fora de lugar. É acreditar na perfeição da vida. É acreditar que sempre encontrarei forças para caminhar o meu caminho, sempre encontarei acolhimento e possibilidades de revelar aquilo que tem de melhor em mim, e de me transformar...de crescer...de ser uma pessoa melhor.
Assim é a minha fé.
Namastê!
Ludmila Rohr
P.S. Foto no maior templo mulçumano da Índia (New Delhi)
domingo, 22 de março de 2009
Compartilhando...

Entrando em comunidades do orkut dedicadas a pessoas com câncer ou parentes de pessoas com câncer, conheci muitas histórias de pessoas que lutam contra essa doença. Pessoas de verdade que sentem medo, esperança, raiva, coragem, fraqueza, certeza, ansiedade, dor, dúvida...e que confessam seus sentimentos numa tentaiva de sentirem-se melhor, mais acompanhadas e de fazerem outras pessoas se sentirem melhor.
Li muitas histórias de pessoas de todas as idades, de muitos credos, de muitas partes do país, pessoas que se desnudam e generosamente oferecem seus testemunhos e confissões para todos que quiserem compartilhar suas dores e esperanças.
Pequenas alegrias, grandes esperanças, tensões, medos e ansiedades comuns a todos. O resultado de um exame que veio bom e permitiu a quimio, é motivo de uma grande celebração; a contagem regressiva das quimios, os kg ganhos ou perdidos, a fome exagerada ou a falta de apetite, os cabelos que caem e os cabelos que voltam a crescer, o intestino que solta ou que prende, a relação com os pais, os filhos, os maridos, as esposas, os amigos... a notícia da morte de alguém e a notícia da cura de alguém....
As pessoas são diferentes, mas os fantasmas são os mesmos, os medos também... as esperanças também...
Um grande obrigada a todos os meus amigos virtuais que me acompanharam esse fim-de semana e que certamente estarão ao meu lado nessa jornada de cura que farei ao lado do meu marido.
Namastê
Ludmila Rohr
sábado, 21 de março de 2009
Ação na Inação

O fim de semana passado que chamei de "Sim", e que fomos pra Praia do Forte, namoramos, comemos, nos divertimos, nos amamos, faz oposição é esse fim de semana que é do "Não". Não podemos fazer nada, não saimos de casa, não rimos...ele descansa....come muito pouco, dorme...e eu faço companhia...fico ao lado, escutando e tentando atender as demandas.
Percebo o quanto essas denominações (Sim e Não) não revelam a verdade. Como todo rótulo, acaba por limitar e se distanciar da verdade. Me dou conta de que no fim de semana "Não", vivo intensamente questões internas, invisíveis, tenho ações de expressão minimalista do meu amor. Não mergulhamos no mar e nos beijamos, mas posso levar uma maçã já cortadinha em cubinhos pra ele no quarto. Posso ficar atenta ao que ele precisa e tentar atender. Compreendo que são dias muito ativos, silenciosamente ativos. Faço muitas coisas pequenas, silenciosas...e o meu mundo interno está em constante movimento.... reflito, medito, estou atenta a tudo, minha mente fica expandida e concentrada ao mesmo tempo... é a ação na inação!
Bom, esses dias passarão, como tudo. E nós, com todas as vivencias com as quais fomos contemplados, estaremos aqui para contar histórias e para nos olharmos sem arrependimentos, e com a paz no coração própria daqueles que sabem que fizeram tudo que podiam e da melhor forma possível.
Namastê!
Ludmila
P.S. Em Paris....
sexta-feira, 20 de março de 2009
Arrumando o guarda-roupa
O que será que está mudado em mim? Penso agora que não são muitas coisas, mas talvez sejam pequenas coisas que refletem em todas as outras. Minha crença de que a vida é agora, não mudou. Penso assim faz tempo...tem tempo que sinto no meu coração e corpo que não posso jogar fora nenhum segundo da vida, que não devo procrastinar decisões, nem pedidos de desculpas, nem demonstrações de amor; sei já faz tempo, que a vida pode ser simples, que existem coisas que nos fazem sofrer, mas que na verdade não tem importância alguma; sei também que os amigos valem a pena, que os sentimentos de verdade valem a pena, que meus sonhos valem a pena, que meus filhos valem a pena, que meu Amor vale a pena, sei que mergulhar para dentro de mim e descobrir coisas que as vezes nem gosto muito, vale a pena!... Tenho tentado estar atenta ao que vale a pena e ao que não vale a pena, e fazer boas escolhas sobre onde quero investir energia!
Acho que quando essa amiga falou que eu estava mudada, talvez ela estivesse falando do fato de que a cada dia que passa, tenho mais consciencia de que eu não quero mais nada na minha vida sobrando. Não quero acumular nada que não tenha um sentido, que não faça sentido, ou que eu saiba que não vai me levar a lugar algum... ela falou isso quando eu disse que precisava arrumar meu guarda-roupa, que precisava me livrar e doar muitas coisas que lá estão acumuladas e que não me servem mais. Servem pra alguém, mas não pra mim...não preciso guardar o que não me serve, não preciso ter energias paradas na minha vida.
Sempre gostei de arrumar guarda-roupa. Arrumar guarda-roupa é de um simbolismo imenso! Toda vez que arrumo o meu, me dou conta de que muitas coisas não estavam lá da última vêz! Como consegui comprar tantas coisas nesse tempo? Ou, quanto tempo tem que não arrumo meu guarda-roupa? Pra que guardar tantas coisas? Adoro fazer isso! Adoro sentir que poucas coisas que ali estão, realmente tem importância e que preciso de muito menos do que tenho! Arrumar guarda-roupa é uma faxina simbólica e concreta também! Sinto leveza ao me desfazer de tantas coisas acumuladas, ocupando espaço e paralisando energias... Sinto a leveza e felicidade imediatas que o desapego produz. Sinto no meu quarto e na minha alma.
Lembro imediatamente de uma cena na minha 1ª viagem à Índia, quando, em uma estação de trem em Jhansi, vi indianos esquálidos, carregando as nossas incontáveis e pesadíssimas malas... senti naquele momento muita vergonha de carregar tantas coisas. Pensei que eles, os carregadores, deviam estar perplexos com a quantidade de coisas que tínhamos. Pensei que provavelmente o conteudo de apenas uma daquelas malas, seria equivalente a tudo que eles juntos possuiam durante toda uma vida! E o que é pior...pensei que além de acumularmos tanto peso, ainda queremos que alguém carregue por nós! Senti tanta vergonha naquele dia que chorei.
Bom acho que não mudei muito, mas de qualquer forma.....vou arrumar meu guarda-roupa e me livrar de algumas coisas que não fazem mais sentido!
Namastê!
Ludmila Rohr
P.S. Carregadores das nossas malas na estação de trem em Jhansi na Índia.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Eu posso também!

domingo, 15 de março de 2009
Sol, mar, celebração do amor e do prazer

Nao é difícil pra mim achar motivos para celebrar. Sou daquelas pessoas que vê o copo meio cheio, e não meio vazio. Sempre acho que podemos celebrar alguma coisa. E nesse momento da nossa vida, não é difícil celebrar, e ainda mais, acho que é primordial fazer isso. A energia da celebração é a energia da gratidão, e sempre acho que temos muito a agradecer. Viver um fim de semana como esse, de sol, amor e prazer em meio a tudo que estamos vivendo, pra mim, é mais do que motivo para agradecer e celebrar!
Bom...foi tudo isso mesmo! A Deusa Lakshimi nos envolveu e nos permitiu abundancia de amor e prazer. Sem horários, sem compromissos, sem amanhã, sem ontem...só eu e Judson naquele paraiso. Estávamos nos alimentando merecidamente da energia da água salgada do mar e do sol. Energias que preencheram, sem cerimonia, os nossos corpos e nas nossas almas.
Esse momento de comunhão com a natureza nos favorece o contato com a nossa infinitude. Quando nos unimos a essa beleza infinita, somos infinitos. Quando nos identificamos com toda a perfeição da criação, somos perfeitos. Quando reconhecemos que tudo que precisamos, ali está, nos damos conta de que nada nos falta!
Assim nos sentimos hoje! Nada nos falta. Temos a coragem que precisamos. Temos o amor que precisamos. Temos a força que precisamos. Temos o sol, o mar, o amor um do outro, temos nossos filhos que amam também. Temos a Centelha Divina no nosso coração que nos lembra que pertencemos a um plano maior que sempre nos indicará o caminho do nosso crescimento. Temos a leveza de quem sabe que faz a sua parte da melhor forma possível... assim caminharemos para essa semana que começa, que será mais uma semana de quimio ou menos uma semana de quimio...ou "a" semana da quimio, com a certeza de que ainda iremos celebrar muito mais!
Namastê!
Ludmila Rohr
sábado, 14 de março de 2009
Fim de Semana SIM!

Estamos no SIM!!! e hoje meus dois filhos trarão as namoradas pra almoçar aqui em casa! Isso é inédito na minha vida. Explicarei: Lucas está pela primeira vez, vivendo um namoro e acho que ele está realmente gostando de namorar. A namorada de Caio, que está trabalhando em SP, passará esse fim de semana aqui em Salvador. Eu adoro que eles namorem. Fico feliz quando eles estão namorando....adoro conhecer minhas noras e ver que eles estão sendo queridos e estão apaixonados. Acho que homens apaixonados são mais felizes, mais abertos, mais lindos....
Não tive filhas...só eles dois, que são lindos! Sempre achei que um homem fica mais lindo quando ama. Judson nunca teve problemas em me amar explicitamente, queria que meus filhos também tivessem essa possibilidade, de simplesmente se entregarem ao amor, e as experiencias prazerosas do sexo e dos afetos. Desejei muito que eles não resistissem a essas experiencias e pudessem vivê-las sem reservas e com o corpo e o coração!
Esse é um Final de semana SIM, eu e Judson estamos cheios de amor...Caio e Lídia estão cheios de saudades, e Lucas e Lissa estão nessa fase linda de apaixonamento inicial! Vou comprar flores para minha casa, abrir as janelas, e deixar que essa energia amorosa e de alegria se espalhe generosa para todos que dela precisarem. Essa é uma energia curadora. É uma energia de grande poder e transformação! Sinto que estamos envolvidos por Lakshimi, a Deusa da Beleza e da Abundância. Então, que sejamos reverentes a ela!
Hare Lakshimi!
Namastê!
Ludmila Rohr
quinta-feira, 12 de março de 2009
O beijo que dei

Tudo que você tem não é seu
Tudo que você guardar
não lhe pertence
Nunca lhe pertencerá...
Tudo que você tem não é seu
Tudo que você guardar
Pertence ao tempo, que tudo transformará
Só é seu aquilo que você dá
Eu apenas tenho o que posso dar, aquilo que não posso dar, pertence ao tempo. Claro! As pessoas mais ricas que conheço, são aquelas que são generosas...que simplesmente dão, não economizam em dar aquilo que acham que tem de melhor. Elas opinam, elas sonham e compartilham seus sonhos, elas dividem suas experiencias, elas ensinam o que aprenderam, elas amam sem economia...elas dão a quem precisar seus afetos, suas histórias e sua energia...aliás, como se guarda energia? Não consigo entender as pessoas que dizem que precisam preservar sua energia! Como se guarda aquilo que não possuimos!
Tudo aquilo que voce não percebeu
Tudo que não quis olhar
É como o tempo
que voce deixou passar
Não há como voltar o tempo. Assim como não há como atravessar o mesmo rio duas vêzes. Não seremos os mesmos daqui a um segundo. Ninguém será o mesmo. As chances também não serão. Os sentimentos muito menos. Por que então perdemos ou desperdiçamos momentos tão sagrados? Por que economizamos tantas palavras e afetos? Po que nos escondemos tanto?
Tudo aquilo que voce escondeu
Tudo que voce não quis mostrar
Deixe que o tempo, com o tempo
Vai revelar
O tempo é o senhor. Nada passa despercebido dele. Em algum momento teremos que olhar para as nossas histórias mal vividas. Em algum momento teremos que nos deparar com as nossas mentiras. Teremos que olhar para um espelho e nos haver com o que veremos. E por que mentir pra nós mesmos?
Só é seu aquilo que voce dá
O beijo que você deu
É seu, é seu
É seu beijo!
O beijo que não foi dado não existe. O amor que não foi amado não existe. Os afetos que não foram vividos e expressados não existem. São idéias de um beijo, mas não o são. São idéias de um amor, mas não o são. São idéias de uma afeto, mas não o são...
A vida é esse momento. Não existe nada além disso, por que não viver a única coisa que de fato existe?
Namastê
Ludmila Rohr
P.S. Foto de um beijo que foi dado no Taj Mahal, Índia
quarta-feira, 11 de março de 2009
Sou forte....
Ontem senti cansaço...muito cansaço. Acho que quando Judson melhora, me dou ao luxo de me sentir cansada. Chorei muito. Chorei ouvindo música italiana no carro. Chorei ao pensar nos meus filhos. Chorei com saudade de ter alguém que cuidasse de mim...enfim, fiz um contato com minhas carências. Não é saudável negá-las. Tenho sido forte e corajosa, mas sou uma pessoa como outra qualquer. Tenho medos e carencias. É bem verdade que normalmente não mostro isso, por que acho que devo me organizar, que tenho instrumentos internos pra isso...aí eu respiro, medito, reflito...sinto meu corpo e de fato consigo me equilibrar, consigo me conectar com minhas forças, com minha coragem e com tudo que tenho dentro de mim que me sustenta nessas horas.Algumas pessoas reclamam que sou forte demais, questionam isso. Me dizem que eu não mostro minhas fraquezas. Não acho isso. Sou forte mesmo e construi essa força ao longo dos anos e com muita prática de yoga, meditação e muita terapia. Me conheço bastante e também consigo me organizar internamente. Não me sinto desintegrada, ou desesperada. Não conheço isso, pois estou buscando manter a minha integração e lucidez todo tempo e sempre, independente da situação. Essa é a prática rotineira da minha vida nas mínimas coisas e nas máximas também. Isso é o que significa incluir a meditação e o yoga na vida, e não só em alguns momentos da vida. Realmente acredito nisso, acredito na minha prática pessoal. Acredito porque sinto que funciona, não porque está escrito em algum lugar.
Mas não tem sido fácil. Conto com amigas queridas com quem posso chorar. Conto com minha mãe e meu pai, com quem eu evito chorar para não preocupá-los, mas eles me conhecem muito e me ajudam mesmo sem eu pedir. Conto com minhas irmãs. Conto com tantas pessoas. Mas certa ou errada, eu sempre achei que tinha que contar comigo mesma, esse foi o meu aprendizado. Não suporto o lugar da vítima. Lembrei que em uma situação em um treinamento na minha formação como Analista Bioenergética, vivi um enfrentamento com uma pessoa que hoje é uma amiga muito querida, mas na época, ela reclamava da minha força, daquilo que ela chamava de excesso de energia, dizia que se sentia ameaçada pelo meu jeito de ser que ela julgava muito duro...enfim, ela chorava muito e eu não. Todos do grupo a acolheram e a mim, não. Lembro de ter dito pra ela e para o grupo, que preferia o lugar de algóz que ela estava me colocando, do que o lugar horroroso de vítima que ela estava se colocando, mesmo me sentindo só e dolorida com as acusações públicas, falei isso. Claro que fiquei mais sozinha ainda. Parece que as pessoas tem mais facilidade de acolher aqueles que se fragilizam e dificuldade em ver que os que não se fragilizam também sentem.
Bom...não sou mais tão dura assim. Hoje já choro e consigo mostrar minha alma feminina. Haja vista tantas manifestações amorosas que recebo o tempo todo de várias formas. Isso pode significar que eu estou mais exposta na minha vulnerabilidade humana. Mas ainda acho que tenho que dar conta da minha vida. Já entendi em terapia e nas minhas buscas que tenho orgulho da minha força, isso é bom ou ruim? Não sei. Provavelmente bom e ruim ao mesmo tempo. Devo mudar isso? Não sei também. Mas sei que essa é a minha forma de estar na vida.
Namastê!
Ludmila Rohr
P.S. Yoga! aquilo que faz com que eu experimente no corpo as voltas que a vida dá.
terça-feira, 10 de março de 2009
Mulheres!!!!!

Lacan famoso psicanalista francês afirmava - "a Mulher não existe" para explicar a ausencia de resposta para a grande pergunta feminina que é : "O que é ser mulher?". Parece que essa pergunta não tem mesmo resposta, ainda não sei porque. Passamos muito tempo nos perguntando isso - O que é ser mulher? e nos respodemos em forma de poema, verso, prosa e em músicas lindas! .. até utilizamos a mitologia para tentar explicar, mas acho que não conseguimos!
Acho que realmente não tem uma resposta para o que é ser mulher...acho que teremos que nos render a isso, mas de qualquer forma quando me vi, em um círculo de mulheres, ontem lá no Espaço Mahatma Gandhi em uma vivencia em homenagem ao Dia da Mulher, me senti muito querida, muito especial...e entendi com o meu coração aquilo que já sabia...adoro ser mulher!
Lá estavam mulheres tão diferentes, de todas as idades, em momentos diferentes de suas vidas...mas no fundo éramos todas iguais, nos sentiamos assim.... vivendo um momento sagrado, de encontro, de carinho, de acolhimento, de alegria, de tristeza, de grande e profundo vínculo, e o que nos vinculava de forma tão íntima naquele momento, era que sabiamos que somos Mulheres. Isso era o bastante!
Beijos a todas as mulheres!
Ludmila Rohr
P.S Na foto, eu e as mulheres mais importantes da minha vida! Minha mãe e minhas irmãs!
sábado, 7 de março de 2009
Eu e ele

Descubro com isso que sou paciente e que tenho muito cuidado amoroso com ele. Não me sinto ansiosa. Não tenho desejos de sair, de ver pessoas ou de fazer coisas, muito pelo contrário. Estou bem ali do lado dele. Ele de vêz em quando me olha e diz que podiamos dar uma voltinha, mas sei que ele está dizendo isso por que fica preocupado comigo. Ele se preocupa que eu fique entediada ou cansada. Digo pra ele que não tenho essa necessidade, que estou bem, que estou tranquila ali, exatamente onde deveria estar, ao lado dele. Não tenho ansiedades porque me parece que não existe outro lugar pra mim. Nesse momento, é esse o meu lugar.
Quando casei aos 21 anos, achei (como a maioria das pessoas que casam apaixonadas) que havia encontrado a pessoa com quem queria viver o resto da minha vida. Recebia de Judson amor, respeito a minha individualidade, amizade, sexo de qualidade, cuidados atenciosos, proteção e muito mais. Desenvolvemos nesses 25 anos que nos conhecemos uma amizade muito preciosa. Gostamos da companhia um do outro. Somos muito diferentes um do outro, muito mesmo!! Eu falo pra caramba e ele, escuta. Às vêzes, acho que ele nem escuta, reclamo, ele jura que tava escutando...rimos, e eu continuo falando pra caramba e ele escutando...
Ele é a pessoa que escolhi pra viver junto. Foi uma escolha da paixão e depois do amor. Claro que tivemos nossos problemas ao longo desses anos, temos muitas diferenças, mas temos algo que é muito especial...gostamos da companhia um do outro. Nossos filhos cresceram, e são muito independentes, namoram e tem suas próprias vidas, o que achamos ótimo! Por isso, ficamos muito tempo sozinhos, um com o outro, viajamos sozinhos, almoçamos e jantamos sozinhos, e gostamos disso. Gosto de ficar com ele. Gosto de saber que é ele quem está vendo o meu corpo envelhecer e minhas rugas surgirem, e que quando a casa estiver vazia, seremos nós dois.
Sei que ele achava, e ainda acha que é muito pesado pra mim cuidar dele. Sei que ele acha que não é natural pra mim fazer isso. Ele tenta me poupar, porque sabe o quanto sou individualista, talvez egoísta. Entretanto, nunca gostei tanto de mim como agora. Descubro que sou muito melhor do que imaginava. A doença dele está servindo pra que eu conheça outros aspectos de mim mesma que nem eu sabia que existiam, nem ele! Infelizmente foi dessa forma que descobri isso. Preferia não descobrir. Preferia continuar mimada e mal acostumada por ele, que me mantinha no meu egoísmo infantil, a vê-lo sofrendo e abatido como tenho visto, mas, assim é a vida e tenho descoberto que somos muito mais ligados um ao outro do que podia imaginar!
Amanhã é o Dia Internacional da Mulher e quero desejar muito amor, muita coragem, muita serenidade e força a todas as minhas amigas, irmãs, clientes, alunas, colegas; mulheres que fazem parte da minha vida e que moram no meu coração!
Namastê!
Ludmila Rohr
P.S. foto clássica em Veneza
quinta-feira, 5 de março de 2009
Tocada no corpo e na alma...

Receber uma massagem é um presente delicioso para mim, pois adoro minhas experiências corporais, principalmente quando elas me colocam em contato direto com minha alma. Tenho experiências muito agradáveis com meu corpo. Ele não é um fardo para mim, muito pelo contrário. Normalmente não tenho dores e sinto o meu corpo como um espaço sagrado onde minha alma se expressa, onde meus sentimentos se revelam. Por isso adoro o yoga, sinto isso quando o pratico. Por isso acho que receber uma massagem feitas por mãos de quem me ama, e me quer bem é algo impagável! Não tem preço. É um presente muito especial.
Hoje minha amiga mais uma vêz entrou na minha alma através do meu corpo... e tocou minhas histórias, porque é isso que uma massoterapeuta faz...toca nas histórias através do corpo. As minhas lágrimas simplesmente saiam... brotavam....rolavam sem a menor cerimônia, e como eu estava em ótimas mãos...não fazia nenhum esforço para controlá-las...elas lavavam minha alma e eu permitia....sou feliz por isso!
Quem já recebeu uma massagem assim (no corpo e na alma) sabe do que estou falando. Saimos leves, como se tivéssemos mergulhado numa cachoeira...ou no mar num dia de sol. Alimentados e tranquilos. E foi assim, nesse estado de contentamento, que vivi outra experiencia de muito amor. Me deparei com Valéria, uma aluna de yoga que não via desde o ano passado e que voltou pro yoga, agora está grávida e linda! Ela é realmente linda...e ao me ver....me abraçou, chorou, disse que lia meu blog....e linda, grávida e emocionada, me tocou outra vêz muito profundamente...me deu carinho e me emocionou com sua emoção....A gravidez é muito sagrada para mim, já falei sobre o quanto me senti feliz , linda e poderosa as duas vêzes que vivi essa experiência....Essa mulher linda, que me abraçou com sua linda barriga, me tocou com sua energia transbordante e de muito poder...A linguagem do coração é muito poderosa.
Obrigada Lídia e Valéria, sei que voces vão ler esse blog...portanto preciso dizer que hoje voces fizeram desse dia, um dia especial de demonstrações de amor e carinho. Voces são a prova do quanto a vida se renova, e do quanto que a vida é generosa comigo. Sou feliz e grata!
Namastê!
Ludmila Rohr
P.S. Na foto estou com Lídia!
quarta-feira, 4 de março de 2009
Um passo...isso é o caminho!

Fiz essa pergunta pra Judson hoje quando nos dirigiamos para a clínica para a sessão de quimioterapia.
O dia amanheceu lindo, claro, ensolarado, e como moramos em frente a praia no bairro de Piatã, e vamos até Ondina, atravessamos uma boa parte da orla da cidade de Salvador. Praias lindas! Dia tranquilo. Fomos mais ou menos em silêncio durante o trajeto....eu fico pensando.... Aliás, eu e Judson temos formas interessantes do nos organizarmos internamente. Somos tranquilos pra fazer o que deve ser feito. Temos baixíssima resistência a esse processo. Simplesmente fazemos tudo que deve ser feito e sem muitas queixas.
Ontem à noite fiquei olhando pra ele tão bem disposto e pensando que ele iria a partir de hoje passar mal outra vêz, que iria começar os vômitos, inapetência e náuseas. Lembrei da outra vêz e pensei que estávamos apenas no começo, que seriam 12 sessões, que essa será apenas a segunda! Lembrei de um dito popular: A ignorância é corajosa! Entendo porque muitas pessoas preferem a ignorancia, ela tem um certo conforto. Mas, devo discordar dessa fala, porque quando não sabemos do que vamos enfrentar, simplesmente atravessamos, não precisamos de coragem...a ignorancia é cega, mas não é corajosa! Quando sabemos o que nos aguarda, aí sim precisamos de coragem. Precisamos de tranquilidade e de uma mente atenta ao momento presente!
Então imediatamente organizo minha mente....essa sessão não é "ainda" e "tão somente" a segunda, como pensariam os pessimistas vislumbrando uma longa e dura jornada pela frente...., muito menos, essa sessão "já" é a segunda, que seria um pensamento dos "otimistas" que tentam criar uma fantasia de leveza, tentando negar as dores. Esta é A SESSÃO, essa é a única que importa, é a única que existe, não é nem mais uma, nem menos uma, é a sessão. Precisamos apenas dar um passo de cada vêz! Construir um caminho que, segundo Buda, não existe. Um caminho que só existe a medida que cada único passo é dado! Então nesse momento apenas um passo! Um de cada vêz! Por enquanto, só esse.
Namastê!
Ludmila Rohr
P.S. Foto de um amor sob sol da Toscana (Itália)
segunda-feira, 2 de março de 2009
Amar sem economia!

A relação de Caio com o amor não é comum. Ele, diferente da maioria dos rapazes da idade dele, nunca teve medo de amar. Ele sempre amou muito sem nenhuma economia. Ele amou quando era criança. Teve uma "namorada" quando estava com uns 5 anos, e amou sem reservas e do jeito que é possível para uma criança. Ele amou quando era um púbere, amou muito na adolescência e ama muito agora, no final dela. Ele teve poucas namoradas, não era de "ficar" e estava feliz quando estava amando.
Esse amor que ele vive agora, é um amor adulto...a relação é adulta, o envolvimento é adulto e por isso mesmo tem que lidar com as questões da vida adulta. Trabalho, futuro...etc...tudo nessa fase da vida tem consequencias e é preciso pensar na vida, não apenas vivê-la. Então, minha norinha foi embora....imagino que aos prantos...e eu terei que ver meu filho triste e saudoso...
Sempre achei lindo o fato de Caio ser feliz amando. Nunca coloquei nenhuma dificuldade nas relações dele. Sempre gostei muito do fato dele abrir o coração sem medo e se entregar ao amor, mesmo que isso o levasse a algum sofrimento. Pensava que é lindo amar e que uma vida sem amor, é uma vida sem sabor, sem saudades...sem lembranças...sem graça.
Já ouvi muitas histórias de dor e sofrimento que levaram seus protagonistas a concluirem que não querem mais amar, que o amor causa dor, e por medo da dor, da possibilidade da perda ou de estar "nas mãos" do outro, as pessoas fecham o coração. Nessas histórias, o amor parece ser o culpado...as pessoas querem acreditar que é o amor que as levaram ao sofrimento, e não seus apegos, inseguranças e desejo de dominação...etc.
Bom...acho lindo amar, acho que amar é a maior necessidade do nosso coração. Acho que as pessoas confundem a necessidade básica do coração de amar, com a necessidade de ser amado. Amar alimenta, amar enriquece, amar traz beleza....não vejo sombra em alguém que ama. O verdadeiro amor, traz liberdade e leveza. Quando se ama, se quer o melhor para o amado. Amar faz bem ao corpo, a mente e ao espírito.
Fico triste por ver meu filho sofrendo, mas certamente ficaria muito mais triste se ele fosse indiferente ou que se defendesse do amor.
Namastê
Ludmila Rohr
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Alguém bem melhor....
Sempre fui muito corajosa e batalhadora. Acho que até muitas vezes, enfrentei guerras que nem existiam de fato, confrontei pessoas sem a menor necessidade, vi desafios em momentos em que poderia estar descansando, falei coisas que me levaram a situações dificeis e quando poderia ter ficado calada... acho que muitas vêzes compliquei minha vida sem a menor necessidade. Lembro de muitas situações em que fui "bucha de canhão", ou até mesmo "bode expiatório" por ter escolhido ficar nesse lugar, ou por não ter feito nada para evitá-lo, muito pelo contrário.
Meu marido sempre me dizia que eu precisava ser mais política, mais conciliatória, mas eu achava que tinha que expôr as sombras, revelar as feridas, as falhas e as mentiras, não só minhas como de todos. Reconheço que em muitas situações na minha vida, agi como uma kamikase, algo meio orgulhoso e infantil. Tratava de forma dura e severa as fraquezas. minhas e dos outros. Não tinha paciência com as inseguranças e com os medos, nem meus, muito menos dos outros.
A vida vai nos ensinando. Hoje me trato com muito mais carinho, e aos outros também. Tenho paciência com meus medos e com os dos outros também. Ainda tenho alguma dificuldade em receber todo tipo de ajuda, por que ainda é dificil reconhecer minha fragilidade, ou também por não gostar de todo tipo de oferta de ajuda, mas isso hoje já é possível. Sei que não gosto do tipo de ajuda, piegas e melosa, muitas vezes, prefiro a companhia silenciosa e o apoio expresso de forma simples e direta. Sou assim. É difícil pra mim ser piegas, mas sou boa em ajudar fortalecendo, escutando e mostrando-me disponível.
Devo essa transformação ao meu marido, meus filhos, meus clientes, alunos e aos amigos, como Juliana; que compartilham suas vidas comigo e deixam à mostra seus corações e almas, e dessa forma vão me oferecendo histórias e vivencias preciosas que me transformaram e continuam a me transformar cada dia em alguém muito melhor!
Acredito na vida! Acredito em uma sabedoria divina que tudo rege...acredito principalmente, no poder do amor e da amizade.
Namastê!
Ludmila Rohr
P.S. Foto sobre a Laxma Jhula (ponte sobre o Rio Ganges) , em Rishikesh, uma das cidades que mais amo na Índia.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Tememos a morte ou a vida?
A sabedoria daquela mulher aparecia nos vincos do seu rosto idoso, na simplicidade e generosidade das suas palavras. Nunca a esquecerei! Bom...me dei conta naquele momento que a morte não tinha menor importancia para elas... entretanto, a vida, essa sim, era cultuada e vista como sagrada, única. Segundo essas irmãs, se vivêssemos bem e tranquilamente, certamente teriamos muita chance de, na hora da nossa morte, estarmos tranquilos e entregues.
Para os hinduístas o momento da morte tem muita importancia, eles acreditam que se na hora da morte, a pessoa chamar o nome de Deus..., estaria revelando o seu desapego das coisas materiais, elevando a mente a um nível espiritual e poderia assim, romper uma cadeia de prisão kármica, desencarnando livremente e em paz. Os indianos contam que na hora da morte, o Mahatma Gandhi chamou Rama(o nome de Deus).
Amo muito a vida! Amo muito a minha vida...amo as coisas que faço, as coisas que aprendo, as pessoas que conheço e não consigo me ver diferente disso. Acredito na vida em todos os seus momentos, acredito no poder soberano da vida que nos ensina a renascer sempre e a prreservá-la, mas reconheço que a morte no ocidente é um assunto evitado. Sempre que pensamos em morte, pensamos em dor, sofrimento e perdas. Penso que nossa cultura é pouco reverente à vida, por isso teme tanto a morte. Acho tambem que só morrendo várias mortes em vida, não temeriamos a última morte...
As perguntas que ficam nessa reflexão são: que mortes são essas que teríamos que experimentar em vida? O que teria que morrer em nós para que pudéssemos viver plenamente e sem temer a morte?
E finalmente, já que a morte faz parte da vida..., tememos a morte ou tememos a vida?
Namastê!
Ludmila Rohr
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Cosmos...Caos....

Bom...o efeito desagradável da quimio passou. Judson acordou disposto, com fome e com a cara ótima, sem náuseas....realmente muito bem. Saimos para caminhar na praia, que fica em frente da nossa casa, bebemos água de côco....almoçamos um peixe delicioso em um restaurante que adoramos....e começamos a tentar entender o que se passou e imaginar um padrão.
Imaginamos que a cada quimio...sofreremos uns três dias de náuseas e mal estar e depois... a vida volta!.... sendo assim, já iniciaríamos a contagem regressiva de sessões de quimio.... nos prepararíamos física e emocionalmente para isso. Mas,...parece que as coisas não acontecem exatamente assim. Conversando com algumas pessoas que já passaram por isso, elas dizem que a reação às sessões de quimio podem ser diferentes, muitos fatores influenciam essas reações, e pra mim isso parece óbvio, tudo nessa doença e nesse tratamento é multifatorial...nada é simples...não existe padrão....aliás, câncer é exatamente isso! Células que crescem fora do padrão!!
Bom...não sei, só sei que teremos uns dias de "normalidade" até a próxima quarta. Exatamente uma semana, em que tudo indica que os enjôos não existirão, e até lá, poderemos refletir sobre essa crença de que há alguma "segurança na ordem". A segurança talvêz esteja em saber da nossa capacidade de reestabelecer algum tipo de ordem mesmo no caos, em saber e sentir que a ordem sempre se reestabelece...., mas que ela de fato nunca se perde em algum lugar em nós. Tenho essa fé. Tenho essa sensação de que por mais difícil que seja o momento, posso acessar um lugar tranquilo dentro de mim, e basta que eu busque, que o encontrarei.
No ano passado, na época do 1º câncer, fiz uma tatuagem de um "dorje". Tenho a mania de marcar momentos da minha vida com tatuagens, e achei que esse símbolo do Budismo Tibetano que fala sobre o estado da mente dos Budas, seria uma lembrança de que isso é possível, de que por mais caótico que as coisas aparentem e se mostrem, sempre vai existir um cosmo... algo que pode estar tranquilo como um lago sereno...
A Mente inquebrantável e inabalável dos Budas é algo que ainda está muito, mas muito distante de ser alcançado por mim, mas a certeza de que isso é possível, isso eu já alcancei. Sei que não precisamos nos identificar com o caos e com a desordem e que de fato...tudo é uma grande ordem, e se não é assim que enxergamos naquele momento é porque não estamos distanciados e tranquilos o bastante para perceber.
Namastê
Ludmila Rohr
P.S. Foto da minha tatuagem da imagem de um dorje.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
A fé na fênix....
Tentei nesses dias, envolver mais os meus filhos nesse processo. Tenho uma visão sistêmica da vida que o Tântrismo me oferece (a psicologia muito depois me ofereceu também). Nada acontece somente em algum lugar específico, ou com um alguém. Somos sempre um sistema, tudo está integrado e interligado. Uma doença apesar de aparecer em uma parte específica do corpo, deve ser cuidada olhando para o corpo todo. Uma doença em uma família (círculo mais próximo) é um sintoma daquela família e deve ser cuidada por todos, assim como pelos amigos e comunidade (ampliando os círculos). Por isso, tento envolver muitas pessoas nessa história. É de todos nós e todos podem ajudar e serem ajudados por isso.
Meus filhos são dois rapazes lindos, já falei deles em outros momentos nesse blog, mas acho que a tendencia deles nessa idade, é de se eximir de alguma responsabilidade, é de achar que tudo está sendo feito e que eles não teriam muita coisa a fazer. Isso é um engano. Preciso muito deles. Precisamos muito deles. Não pra fazer coisas, mas precisamos da presença e da energia deles. Precisamos do amor e da continência. Eles são muito amados e tenho certeza do amor deles, mas é bom sentir isso.
Tivemos durante toda a vida, muita preocupação em deixá-los conscientes do nosso amor, com manifestações e expressões desse sentimento. Nessa fase da nossa família, não posso protegê-los da realidade, e nem quero, e preciso sentir o amor deles. Eles precisam sair da posição de quem recebe, para o lugar de quem dá. Esse é o momento de dar, e isso produz muito crescimento., muito amadurecimento. Alguém que não sabe dar, ou que não consegue.....é com certeza alguém muito infeliz e pobre, e alguém que insiste em se manter no lugar egoísta da criança que precisa ser atendida por todos. Então digo pra eles: Temos que estar juntos nessa, e com manifestações explícitas dessa união! Choro muito.....simplesmente choro, choro quando falo com eles, choro quando penso no que estamos e ainda teremos que passar, mas penso que teremos que fazer isso juntos. Choro porque estou colocando-os diante dessa dor que preferia que eles não sentissem, mas que é preciso que eles sintam.
Nesses dias em casa tenho meditado muito...não faço outra coisa. Tenho meditado sobre como a minha fé se comporta, como é a minha fé.....tenho ficado na minha caverna quase que o tempo todo. Esse é lum lugar de tranquilidade que me conecta com o meu Deus interno. Faço uma descoberta nesses mergulhos introspectivos, descubro que nunca invoco "Deus", que nunca peço nada....não sei pedir nada a Deus. Nunca fui acostumada a pedir a Deus alguma coisa. Fico meio sem graça. Me dou conta de que as pessoas fazem isso, e que deve ser muito reconfortante, que deve ser muito bom....sei lá, não sei pedir. Estranho pensar isso, mas não sei pedir. Peço pra todas as pessoas que me ligam ou escrevem, que peçam por nós...que orem ou vibrem por nós....que peçam pela saúde de Judson, mas eu não sei pedir...que coisa doida me dar conta disso!
Minha fé diz que tudo está certo, que no fim tudo dá certo, que não sabemos de nada e que devemos fazer a nossa parte...o resto virá como acréscimo...., mas acho que queria sentir como algumas pessoas descrevem, que sentem uma certeza de que Deus as atenderá! Bom, por enquanto vou fazendo aquilo que entendo ser a minha parte. Tento manter a minha mente tranquila, o coração aberto, compassivo e amoroso, e o corpo leve. Cuido de Judson com aquilo que tenho de melhor, tento manter a minha família unida nessa jornada e choro, choro muito quando fica pesado, sem perder a certeza de que como Fênix podemos renascer sempre. Essa, com certeza é a minha maior fé!
Namastê
Ludmila Rohr
P.S. foto tirada em Varanasi, no Aarti, ritual Brahmane que acontece às márgens do Ganges todas as noites. Chorei muito na 1ª vêz que lá estive....é uma manifestação espiritual muito forte!
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Uma jornada dura, mas com boas companhias...
Saimos de lá aliviados, porque concluimos a 1ª aplicação da quimio.....voces não podem imaginar a sensação que nos acomete, uma sensação que dispara uma contagem regressiva....menos uma! Sabemos que haviamos colocado o pé na estrada da cura e conseguimos cumprir a 1ª etapa!! Muito boa a sensação. Daí começam as náuseas, vômitos, inapetência e tudo que acompanha colateralmente esse tratamento, mas com uma certeza de que podemos superar tudo que vier.
Descubro que não sei o que fazer com esses efeitos. Me dou conta de que quero conversar com pessoas que já passaram por isso, quero saber o que elas sentiram, o que elas fizeram, como conseguiram superar, o que fizeram com os filhos, com as questões emocionais, com os medos...o que fizeram com suas vidas durante o tratamento. Quero muito conversar com outras pessoas. Mas é carnaval! Onde encontrar pessoas que queiram falar sobre câncer? Não tenho coragem de incomodar ninguém. Lembro da internet! Tudo é possível ser encontrado na internet. Procuro sites de grupos de apoio a pacientes com câncer. Encontro alguns. Começo a me cadastrar e escrever para eles. Um deles me chama mais atenção, é um grupo que se chama Grupo Ezequiel. É um grupo de pessoas voluntárias que pensam o câncer com uma visão integralista, corpo/mente/espírito..., gosto deles, gosto porque são voluntários, fui voluntária por mais de 20 anos, sei o que motiva os voluntários, gosto disso. Escrevo, conto nossa história e envio o email.
Esperava receber alguma resposta depois do carnaval, mas me surpreendo quando 1h depois abro minha caixa de emails e lá está! Uma pessoa responsável pelo grupo, Dr. Décio Elias me respondeu. Não era uma resposta padrão, me falava em cima do que eu havia escrito. Falava dos meus filhos, da família, indicava livros e falava daquilo que é importante termos em mente durante um tratamento desses. Mas falava algo muito muito lindo...ele disse: Seu marido precisa querer a cura, mais do que o ar que respira! Não há espaço para dúvidas, esse é o momento da fé! A fé em si mesmo e a fé em Deus!
Fiquei emocionada....em pleno carnaval, consegui falar com alguém que nem conheço e que me deu tanto. Que incrível o poder da internet! Ontem descobri que quero e preciso falar com pessoas que tiveram ou estão tendo essa experiência...se alguém souber de outro alguém, por favor, pode me indicar, quero pertencer a esse rede daqueles que querem a cura e lutam por ela. O câncer é uma doença da família, é minha também e dos meus filhos e precisamos saber de tudo que venha a nos ajudar nessa jornada!
Namastê!
Ludmila Rohr
P.S. foto tirada na Índia, em algum templo hinduísta ou budista que visitei...velas de oferendas devocionais.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
O tempo que não vemos!

Esse momento que vivo, é definitivamente um momento para muitas ações invisíveis e poucas, muito poucas ações visíveis. Preciso manter a minha mente lúcida, calma e tranquila, e isso é um grande trabalho, mas preciso me render, me entregar, me entregar à sabedoria do tempo.
Na manhã de hoje a quimioterapia do meu marido começou. Ele ficará até sexta de carnaval com um recipiente com drogas sendo bombeadas para sua corrente sanguínea. O recipiente é muito menor do que eu imaginava, e o bombeamento é muito mais lento do que eu esperava. Imagino que deva entrar uma gota de remédio a cada 10 mintos ou mais, porque nem percebemos ao olharmos. Confesso que fiquei ansiosa ao perceber isso. Na minha fantasia seria como um soro que rapidamente é gotejado e conseguimos ver o recipiente esvaziando.
Isso me fêz lembrar de uma escola de monges que conheci em Kathmandu, no Nepal. Os monjes nessa escola aprendem a fazer pinturas de mandalas, tankas....algo de uma beleza que impressiona pelos detalhes. Comprei uma tanka linda quando lá estive pela primeira vêz. Essa tanka fica na parede atrás do tablado que uso para dar aula de yoga. Acho que a maioria dos alunos nunca parou pra olhar os detalhes que existem nessa pintura. Eu olho todos os dias, e por incrível que pareça não consigo percebê-la integralmente nos seus infinitos detalhes.
Uma vêz, lá no Nepal, fiquei parada olhando um monge pintar uma dessas tankas. Ele usava um pincel muito fino! Cada vêz que ele passava o pincel na tinta, ele o limpava antes de levá-lo à pintura. A quantidade de tinta que ía pra pintura era ínfima....Fiquei por uns 15 minutos olhando-o pintar e pra mim, no meu olhar grosseiro nada estava acontecendo! Nada estava sendo pintado...eu não conseguia ver resultados. Na minha mente ansiosa, resultados só existem por que são vistos...assim eu pensava!
Bom, os resultados eram vistos.... só que depois de muito tempo....cada pincelada que, sozinhas, me pareciam insignificantes, resultavam em pinturas impressionantes! Porém o que mais me impressionou, foi a paciencia daqueles monges....eles simplesmente ficavam ali...pincelando.....tranquilamente, sem nada ansiar, sabendo que só se fizessem desse jeito conseguiriam aquele resultado! Eles sabem e exercitam a verdade que esse tempo, esse exato segundo, é o único que existe e que somente a cada pincelada, com um pincel de apenas alguns poucos fios, eles conseguiriam produzir aquela preciosidade.
Bom.....existe tempo pra esperar, e esse pode parecer o pior de todos se, não entendermos que na verdade, não estamos esperando por nada, tudo já está acontecendo, por que esse é o único momento que existe!
Namastê!
Ludmila Rohr
P.S. Foto tirada na referida escola no Nepal.